Jornal do Anglo






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16ª Turma do MBA em Gestão Empresarial
Fundação Getúlio Vargas e Centro de Ensino Empresarial
Caxias do Sul, 23 de março de 2007


Quiseram os meus companheiros da 16ª turma do MBA em Gestão Empresarial da Fundação Getúlio Vargas, ministrado em parceria com o CEEM – Centro de Ensino Empresarial, que eu fosse a escolhida para representá-los, como oradora desta turma, neste dia de alegria e de saudade. De alegria, naturalmente, por que é uma grande honra poder fazer esse breve discurso, em nome de um elenco de alunos do mais alto valor moral, profissional e acadêmico; de saudade, por que a conclusão de uma jornada é sempre motivo de emoção em uma despedida. Despedida, obviamente, do convívio em sala de aula, das saudáveis discussões para a construção do aprendizado, do saber.

Manuel Bandeira sempre dizia que “cada homem carrega em si uma biblioteca, pelo acúmulo de conhecimento ao longo da vida”. Todos os nossos professores, verdadeiros mestres na transmissão do ensino-aprendizagem nos passaram conhecimento, lições de vida, lições de humanidade, lições empresariais. Cabe aqui destacar, dentre tantos talentos docentes, a figura ímpar do nosso paraninfo, professor David Lobato, que, com muita paciência, didática, inteligência viva e brilhante nos fez acreditar na eficácia da gestão empresarial, para a consecução dos objetivos maiores de uma empresa, seja ela que finalidade tenha. Um curso de quase 450 horas/aula é, sem dúvida, uma reunião de ensinamentos e, ao mesmo tempo, uma rara oportunidade para que cada um de nós possa verificar o quanto de importante foi para o nosso crescimento esses quase dois anos de intensas atividades. Pesquisas, trabalhos, avaliações, enfim, tudo o que é necessário para atestar o aprendizado que nos foi passado, com tanta dedicação, fraternidade e, sobretudo, boa vontade, para que, neste dia, estivéssemos aqui, todos juntos reunidos, “vivendo este momento lindo”, como canta Roberto Carlos.

Frei Leonardo Boff diz que “o maior milagre de Jesus foi transformar a água em vinho para que a festa nunca acabasse”. Pois é, a festa da vida, da esperança de fato nunca se acabará, pois acreditamos na superação do homem, na nossa própria superação, e como escreveu tão delicadamente Carlos Drummond de Andrade, “tinha uma pedra no meio do caminho; no meio do caminho tinha uma pedra”. Nesse período, pudemos afastar pedras relativas à ausência do conhecimento do nosso caminho e, assim, começamos a trilhar caminhos novos, com mais firmeza, ancorados no conhecimento adquirido.

Aléxis Carrel sempre disse que “cada homem tem uma história, que não é idêntica à de qualquer outro homem”. É verdade. Cada um de nós chegou aqui com a sua história de vida, profissional, mas juntos criamos e construímos a nossa história mais recente, que envolveu educação, cultura. Mesmo distante estaremos sempre próximos na lembrança. Tivemos, lembrando Raymond Lindquist, “a coragem e a força de irmos rumo ao desconhecido”. Essa coragem e essa ambição por mais conhecimento nos tornou mais fortes, mais completos.

Obviamente que “o valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem”. Esse pensamento de Fernando Pessoa é pertinente e adequado a esse momento. Dois anos são até pouco tempo, mas a intensidade dos fatos acontecidos e vivenciados por esta turma foi intenso e serão sempre inesquecíveis.

Aliás, nesse tempo, conhecemos os nossos colegas e deles carregamos boas lembranças. Como Voltaire, passamos a “julgar os homens pelas perguntas, não pelas respostas”. E foram muitas as perguntas que os nossos colegas e professores fizeram entre si, perguntas inteligentes e bem formuladas. Nossos mestres, verdadeiros líderes, nos deram esperanças e luzes. E esses mesmos mestres nada mais fizeram do que repetir em ações o pensamento lúcido de Bob Galvin: “acredito que, em última análise, a função do líder é espalhar esperança.” Eles espalharam, ao longo dos nossos dias e meses, esperança de dias profissionais mais exitosos, com base no que aprendemos e assimilamos com eles próprios.

Para Helena Blavatski, “o homem faz de si a imagem de seus sonhos”, enquanto Jean Jacques Rousseau acredita que “o homem nasce livre e em todos os lugares ele está acorrentado”. Ambos os pensadores têm razão.

Precisamos efetivamente fazer de nós mesmos a nossa imagem de sonhos, realizando-os, com freqüência; e ainda, apesar de livres, estamos acorrentados em todos os lugares, seja por causa das nossas relações profissionais, seja por causa das nossas relações familiares. Ambas as relações são absolutamente necessárias para a realização do que desejamos construir e erguer. Essas correntes, essas engrenagens fazem parte da vida e delas não podemos e nem devemos nos desvencilhar. São amarras positivas. São amarras necessárias. São amarras que nos impulsionam na superação dos nossos objetivos, dentro de um conceito de paz e de amor. “E paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento”, como tão bem nos ensina Albert Einstein.

A paz que queremos é a paz e a harmonia de sentimentos, de relações com os nossos familiares, com os nossos amigos, com os nossos colegas, para a nossa Caxias do Sul, para o nosso Rio Grande do Sul, para o nosso Brasil, para o Mundo. Guerras são nocivas e levam ao atraso à própria Humanidade, com milhares de vidas sacrificadas.

Afeganistão, Vietnan, Camboja e Iraque são paises sofridos, massacrados e que exibem feridas em sua gente que jamais serão e/ou poderão ser cicatrizadas. Precisamos, pois, viver em paz e buscar a paz em todas as nossas ações.

Aeducação, a cultura e o conhecimento devem ser aproveitados para que os povos vivam em paz e busquem pela paz o crescimento sustentável, a expansão segura, o desenvolvimento necessário, observando sempre a ordem e o progresso imprescindíveis a qualquer nação. Creio que se todos nós formos mais sensíveis com o próximo, menos arrogantes com os semelhantes, poderemos viver dias melhores e mais prazerosos. Não podemos viver em função de bens materiais a vida inteira, pois sabemos, recordando Montaigne, que “a pobreza de bens é facilmente curável, mas a pobreza da alma é irreparável”. Façamos um esforço para que sejamos ricos nas nossas almas, dando aos nossos semelhantes conforto e palavras de carinho.

E é isso exatamente o que me dedico a fazer não somente junto aos amigos mais próximos, mas também e principalmente junto ao meu marido, Cláudio, e à minha filha, Catherine, de quatro anos. A paz que buscamos estabelecer em nossa casa, em nosso lar, é a base da sustentação da minha vida pessoal e profissional.

Deus tem me permitido viver uma vida de alegrias, de fé cristã, de amor, de renovação de amizade e de confiança com todas as pessoas que me são de fato caras e especiais. É como Saint Exupéry escreveu no “Pequeno Príncipe”: “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Claro que se só cativamos o bem sem olhar a quem, só poderemos viver bem, em paz, com tranqüilidade e em harmonia.

Ao terminar essa breve saudação, gostaria de reiterar os agradecimentos aos meus amigos e colegas, por terem me escolhido oradora desta Turma. Muito sensibilizada, digo e repito a vocês: jamais esquecerei tamanha honraria.

Agradeço, ainda, aos professores que nos ajudaram a enxergar melhor o mundo, com o conhecimento que nos transmitiram. Agradeço ao meu marido e à milha filha pela paciência, compreensão e amor, pedindo desculpas por não ter-lhes dedicado atenção integral, nestes últimos meses em razão desse curso tão importante para o meu crescimento profissional. Agradeço, sobretudo, a Deus, nosso Pai Celeste, a oportunidade de estar aqui, neste momento e com todos vocês.

Muito Obrigado.

Elenice Passos

 


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