Jornal do Anglo






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Tranformação Tecnológica: Desenvolvimento Industrial na primeira metade do século XX

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Vamos voltar a falar sobre um assunto importante que comentamos nos últimos Artigos: o desenvolvimento industrial.

Pois bem, no início do século XX, o crescimento econômico passou a ser uma luta econômica. Foi a época das anexações. Por outro lado, o mercado interno adquiriu importância cada vez maior. A concorrência vinda de outros lugares provocou uma vigorosa resposta tecnológica de alguns setores da agricultura européia, por exemplo. O resultado foi o mais elevado padrão de alimentação que o mundo já experimentou. O apetite por bens materiais também teve aumento. No entanto, o exacerbado comércio deu lugar à formação de trustes e à volta do protecionismo. A corrida tecnológica se mantinha e se destacava em três áreas: novos materiais (adoção do aço, por exemplo), novas fontes de energia e a mecanização e divisão do trabalho.

Os melhores resultados, nessa época, vieram da Alemanha e dos Estados Unidos. Enquanto a Inglaterra deixava a instrução a cargo da iniciativa privada, os Estados Unidos e a Alemanha financiavam-na por meio do Estado.

Em 1915, a Inglaterra decidiu impor restrições ao fluxo comercial com outros países. Por outro lado, a Primeira Guerra Mundial tinha modificado o valor real de cada moeda e desequilibrou a estrutura dos preços relativos internacionais.

Após essa Guerra, viveu-se num ambiente intensamente inflacionário. A França ficou destruída e a Alemanha emitiu dinheiro para pagar os gastos de guerra. Apesar da Inglaterra ter retornado ao padrão ouro, em 1925, este sistema ficou obsoleto e nenhuma nação estava disposta a abrir mão de sua soberania para proteger outras moedas. Durante o período entre guerras vislumbraram-se os seguintes problemas: a condução dos negócios era difícil; desviavam-se recursos da atividade produtiva para a atividade especulativa; e, reforçavam-se os mecanismos protecionistas.

O crescimento que houve na Europa durante a década de 1920, além de desigual, teve bases pouco sólidas, pois, procurou-se, apenas, superar os desequilíbrios dos arranjos monetários internacionais. Por isso, a expansão da Alemanha já vinha em ritmo decrescente antes mesmo da queda econômica de 1929. Assim, quando os norte-americanos começaram a resgatar seus empréstimos, ocorreu uma recessão tremenda sobre o sistema bancário europeu. Os efeitos do choque da contração do crédito foram maiores devido à queda dos preços das ações industriais e à queda dos preços das mercadorias. Nesse período, a situação da Inglaterra também era crítica; somente a França (e os países do Leste europeu, por outros motivos) parecia gozar de um elevado acúmulo de reservas.

As idéias do lorde inglês J. M. Keynes (talvez o maior economista do século XX e, por muitos, considerado o “pai” da Macroeconomia) foram postas em prática. A produção industrial aumentou entre 1930 e 1935. As grandes indústrias inglesas prosperaram por causa de estímulos tecnológicos autônomos que estavam de frente a uma crescente demanda, no contexto de uma política monetária e de crédito adequadas.

Entre as respostas para aliviar a crise, a pior de todas foi a da Alemanha, dado, sobretudo pelo ressentimento provocado pela derrota durante a Primeira Guerra Mundial. O Estado alemão interveio na economia, assegurando o crescimento contínuo num clima social aparentemente pacífico. Porém, a intervenção que aconteceu no mercado de trabalho criou interferência na alocação dos recursos, da mesma maneira que a adoção do congelamento de preços. Diante do sistema presente que implicava numa longa e intensa jornada de trabalho, o PIB alemão cresceu entre 1933 e 1938. Ainda, a indústria química foi a que abriu caminho à necessidade de encontrar substitutos à importação dispendiosa e estratégica. E, para se associar a planos políticos-estratégicos, a maioria das mudanças dos ramos de produção esteve ligada à produção de armas.

No período entre guerras (até 1939) não houve nenhuma grande novidade tecnológica. Os ramos industriais que mais cresceram foram: energia e produtos elétricos, produtos químicos, produtos automotivos. Nesse período surgiu o rádio e a indústria de carros fazia o papel que antes fora da indústria ferroviária, no século XIX. Por fim, vale salientar que a indústria de algodão estava perdendo terreno para os sintéticos.

Mas, é o desenvolvimento industrial da segunda metade do século XX? Bem, conversaremos sobre isso, muito certamente, em um próximo Artigo. Até a próxima!


Mais vagas nas universidades

Paulo Alonso

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) acaba de divulgar o último censo da educação superior, no qual informa que o número de vagas nas instituições de Ensino Superior do Brasil cresceu 470%, pulando de 516.663, em 1991, para 2.429.737, em 2005.

Um dado importante e que precisa ser ressaltado é que esse crescimento foi também proporcionado, a partir da criação dos centros universitários em 1997, que, por causa de sua autonomia, podem instalar cursos e unidades, sem autorização do Ministério da Educação, em sua sede. Exceção somente para os cursos de Medicina, Odontologia, Psicologia e Direito. Cabe, ainda, enfatizar que os maiores índices de crescimento passaram a ser registrados em 1999, quando as diretrizes da Lei de Bases da Educação Nacional, promulgada em 1996, começaram a surtir efeito.

O censo de 2005 indica que as universidades concentram 44% (1.073.716) do total das 2.429.737 vagas disponíveis. Em seguida, aparecem as faculdades isoladas, integradas e institutos superiores com 36% (872.160 vagas) e os centros universitários, com 20% (483.861 vagas).

Um outro dado importante a ser destacado, em relação às categorias administrativas, é que as instituições privadas reúnem o maior percentual de vagas: 57%, ou sejam 1.3698.396; já as instituições privadas comunitárias, confessionais e filantrópicas abrigam 31%, ou seja, 748.053; enquanto as estaduais e federais estão tecnicamente empatadas com cerca de 5% das vagas, respectivamente com 128.948 e 126.254. As municipais possuem apenas 2% das vagas, com 57.086 alunos.

Pela análise do censo, pode ser igualmente observado que as instituições do interior e cursos noturnos oferecem um quantitativo maior de vagas. Em 2005, as instituições de ensino superior do interior ofereceram 1.337.060 vagas, enquanto as instituições sediadas nas capitais dos estados dispunham de 1.092.677, estabelecendo, dessa forma, uma diferença considerável de 22,36%.

A maior parte dessas vagas, segundo o censo, foi disponibilizada nos cursos noturnos, 1.598.183. Os cursos diurnos registraram 831.554 vagas, o que corresponde a 92,1% a menos. Mesmo com esse notável crescimento, o Brasil ainda precisa avançar em muito na educação superior, que reúne um contingente de matrículas menor do que os nossos vizinhos da América do Sul, como a Argentina, o Chile, a Bolívia e o Paraguai. Para que a educação superior consiga reverter esse quadro, é preciso que novas políticas públicas sejam estabelecidas e que a educação seja efetivamente uma prioridade do Estado, já que apenas 17% da população brasileira, entre os 17-24 anos, estão matriculados em uma instituição de Ensino Superior. Sabemos, perfeitamente, que sem educação não pode existir desenvolvimento sustentável, ordem e progresso.

Paulo Alonso é reitor do Grupo Anglo-Americano de Educação Superior.




TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA: DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL NO SÉCULO XIX

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Caros leitores, vamos continuar falando, mais esta semana, sobre desenvolvimento tecnológico.

Foi a pressão da demanda sobre o modo de produção que suscitou as novas técnicas industriais na Inglaterra, e foi a oferta abundante e receptiva dos fatores que possibilitaram sua rápida explosão e difusão. O processo de melhorias incrementais (destacadamente nas indústrias mecânicas, de engenharia e na indústria química) foi também pontuado por alguns grandes saltos à frente, cada qual marcada por uma inovação crucial (ou radical) que ampliava substancialmente a aplicabilidade comercial da produção. Esse desenvolvimento derivou (dentre outros) da pesquisa científica. Só que as máquinas e as novas técnicas, sozinhas, não constituem a Revolução Industrial. Elas representaram aumentos de produtividade e um deslocamento da importância relativa dos fatores de produção da mão-de-obra para o capital. Mas, a revolução também foi uma transformação tanto na organização quanto nos meios de produção. Em particular, quando congregou grande número de trabalhadores num único lugar, para ali executarem suas tarefas sob supervisão e com disciplina.

Por sua vez, até finais de 1850, a manufatura no continente europeu era caracterizada pela dispersão e pelo provincianismo. Havia grandes diferenças internacionais inter-regionais de produtividade. O custo da mão-de-obra e a pressão da concorrência inglesa foram, certamente, fatores que também criaram obstáculos à industrialização do continente. Por outro lado, houve o paternalismo dos Estados continentais. Portanto, a Revolução Industrial da Europa continental foi muita mais lenta do que a inglesa. Embora conseguissem estudar as novas máquinas e motores quase desde o início e, conseguissem adquiri-los, a despeito das proibições que incidiam sobre sua exportação, os países continentais levaram gerações para absorvê-los e um prazo ainda maior para alcançar o nível da prática britânica. Pode-se dizer que sua industrialização foi: uma resposta às pressões endógenas em direção à mudança; e uma reação aos novos métodos desenvolvidos do outro lado da Mancha.

Ente 1850 e 1873 houve um grande amadurecimento tecnológico no continente europeu. A indústria siderúrgica possibilitou a mudança do combustível vegetal para o mineral. A máquina a vapor triunfou sobre a roda d’água e a indústria química se estabeleceu fortemente. Neste período, as sociedades anônimas foram estimuladas, houve modificações legais que facilitaram a constituição de empresas mais livres. Além disso, cada vez mais empresas estrangeiras podiam atravessar as fronteiras e funcionar em bases de igualdade com as nacionais. Também, ocorreu um aumento das economias de escala e um aperfeiçoamento nos transportes principalmente através dos sistemas ferroviários. Novas fontes de energia e de matéria-prima apareceram.

Entre 1850 e 1860, a Europa Ocidental se equiparou com a Inglaterra no sentido de ter afastado os obstáculos institucionais ao crescimento e no empenho em transformar a tecnologia de suas indústrias básicas. Em 1870 a liderança inglesa começou a desaparecer em termos de sua capacidade de crescimento. Os anos decorridos entre 1873 e 1896 pareceram a muitos contemporâneos um assombroso desvio da experiência histórica. Os preços caíram de maneira desigual e esporádica, mas inexorável, através de crises e explosões de crescimento. A taxa de juros também caiu e os lucros encolheram, enquanto a “depressão periódica” se arrastava indefinidamente. O sistema econômico parecia estar desmoronando. Só que, nos últimos anos do século, tudo mudou: os preços começaram a subir, levando consigo os juros. Com a melhoria dos negócios a confiança voltou. Tudo parecia correr bem outra vez (era la belle époque). Porém, a economia internacional que se auto-ajustava serenamente cedeu lugar a um mecanismo atabalhoado e ineficiente, só mantido em operações através de ajustes e consertos reiterados. Na virada do século explodiu a Primeira Guerra Mundial que atuou como um catalisador das mudanças. A Inglaterra perdeu espaço para os Estados Unidos e para a Alemanha; mesmo assim, suas indústrias não ficaram paradas, pois, a mudança estava embutida no sistema e prosseguiram as inovações. Esses anos abriram espaço para o nascimento da energia elétrica, da química orgânica e dos sintéticos, do motor de combustão, da indústria de precisão e das linhas de montagem. A estes processos se denominou de Segunda Revolução Industrial.

Bem, por esta semana é isto. Até a próxima!



TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA E A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: O CASO DA INGLATERRA

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Caro leitor, recordemos:
O epicentro da Revolução Industrial foi à Inglaterra do século XVIII, onde uma série de invenções transformou a indústria do algodão e deu origem a um novo modo de produção – o sistema fabril. Durante esses anos, outros ramos da indústria realizaram avanços comparáveis, e todos juntos, reforçando-se mutuamente, possibilitaram novos benefícios, numa frente cada vez mais ampla.
A abundância e variedade dessas inovações podem ser agrupadas sob três princípios: a substituição da habilidade e esforços humanos pela máquina; a substituição das fontes animadas de energia por fontes inanimadas, em especial a introdução de máquinas para transformar o calor em trabalho, dando ao homem acesso a um suprimento novo e quase ilimitado de energia; e o uso de matérias-primas novas e muito mais abundantes, em particular a substituição das substâncias vegetais ou animais por minerais. Esses aperfeiçoamentos, que constituem a Revolução Industrial em seu núcleo, geraram um aumento sem precedentes na produtividade do trabalho e, com ele, uma elevação substancial da renda per capita. Além disso, esse crescimento rápido foi auto-sustentado.

Pela primeira vez na história, tanto a economia quanto o saber cresceram com rapidez suficiente para gerar um fluxo contínuo de investimentos e de inovações; um fluxo que elevou para além dos limites visíveis o teto dos entraves de tipo malthusiano (que limitava as possibilidades de crescimento da economia pelo fato da elevação do número de habitantes). Assim, a Revolução Industrial inaugurou uma era nova e promissora. Também transformou o equilíbrio do poder político dentro das nações, entre elas e entre as civilizações, revolucionou a ordem social, e tanto modificou a maneira de pensar como a de agir do homem.

As vantagens da Inglaterra de então eram muitas. Do lado da demanda, a indústria lanígera inglesa foi comparativamente favorecida. A população do reino não era grande, mas estava crescendo, em meados do século XVIII, provavelmente mais depressa que a de qualquer dos países do outro lado da Mancha. E mais, a inexistência de barreiras alfandegárias internas ou de tributos feudais criou, na Inglaterra, o maior mercado coeso da Europa. Essa união política era confirmada pela favorável geografia da ilha. Em contraste, barreiras alfandegárias internas dividiam países como a França, por exemplo.

No mercado da Inglaterra, o poder de compra per capita e o padrão de vida eram significativamente superiores aos da Europa Continental. Por seu turno, o comércio inglês do século XVIII, comparado ao do Continente, era impressionantemente ativo, empreendedor e aberto às inovações. Parte da explicação disso é institucional: os comerciantes ingleses estavam relativamente livres de restrições tradicionais ou legais quanto aos objetos ou ao caráter de sua atividade. Em longo prazo, este foi o forte da Inglaterra: a capacidade de fabricar com baixo custo justamente os artigos em relação aos quais a demanda estrangeira era mais elástica (ou seja, elevava-se com grande rapidez). Os mercados mais promissores da Inglaterra, nos séculos XVII e XVIII, não se situavam na Europa, cujas próprias indústrias estavam crescendo e cujos governantes mercantis eram cada vez mais hostis à importação de produtos manufaturados, mas nas terras de além-mar: no Novo Mundo, na África e no Oriente. O efeito do aumento das exportações, também, reforçou as pressões favoráveis à padronização e contrário à diferenciação, a quantidade em oposição à qualidade.

Do lado da oferta, havia facilidade de financiamento às invenções, as quais surgiram, em parte, porque o crescimento e a prosperidade da indústria tornaram-se imperativas; e o crescimento e a prosperidade da indústria contribuíram para possibilitar sua utilização precoce e amplamente disseminada. Não foi o capital, por si só, que possibilitou o rápido avanço da Inglaterra. A rigor, nesse aspecto, os empresários do Continente, que muitas vezes podiam contar com subsídios diretos ou privilégios monopolistas advindos do Estado, estavam em melhor situação que seus pares ingleses. O que distinguia a indústria britânica foi uma excepcional sensibilidade e receptividade às oportunidades pecuniárias. Tratava-se de um povo fascinado pela riqueza e pelo comércio, coletiva e individualmente. A estrutura da empresa era mais aberta e racional na Inglaterra do que nos países continentais. Por toda parte, a unidade empresarial fundamental era a propriedade individual ou a sociedade em família. Num país como a França, a empresa familiar era quase sempre fechada às pessoas de fora, enquanto os empresários britânicos tinham muito mais disposição de se associar com amigos ou amigos de amigos.
Como é possível perceber, existe muita a se falar sobre desenvolvimento industrial e econômico. Mas, guardemos mais um pouco para os próximos artigos.



ESTRATÉGIA, ECONOMIA E EMPREENDEDORISMO

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Não se pode reconstruir um todo simplesmente por suas partes, pois, ele é mais do que a soma delas. No entanto, para entender o todo é preciso conhecer cada uma das partes. Assim são, segundo Henry Mintzberg (um pensador em Administração), as dez escolas de estratégia. Elas são mais ou menos como um todo dividido em dez partes. As mesmas estão, ainda, divididas em três grandes
grupos: no grupo I estão a escola da concepção, a escola do planejamento e a escola do posicionamento; no grupo II estão a escola do espírito empreendedor, a escola cognitiva, a escola do aprendizado, a escola do poder, a escola da cultura empresarial e a escola do ambiente; e no grupo III está a escola da configuração.

Mas, o leitor deve estar se perguntando: o que é isto?
Pois bem, hoje em dia a estratégia é uma ferramenta gerencial imprescindível para as empresas. Neste texto, falarei da escola do espírito empreendedor (do grupo II). Esta escola apresenta a formulação de estratégia como um processo visionário. Aqui, o empreendedor tem um papel proeminente (como na Teoria Econômica. Só que no sentido estritamente econômico, o papel do empreendedor é limitado a decidir quais quantidades produzir e a que preços, já que a dinâmica competitiva cuida do resto). Mas, a ascensão das grandes empresas forçou os economistas a modificarem a Teoria Econômica, dando origem à teoria do oligopólio – que tem como base a suposição da existência de poucas empresas formando um mercado (a qual é a base da escola de posicionamento). Mas, mesmo aqui, o empreendedor ainda tem pouco a fazer além de calcular preços e quantidades.

Havia, entretanto, economistas que consideravam esta visão estreita do empreendedor como uma grande falha da Economia. Karl Marx (pensador, filósofo e economista do século XIX) foi um deles. Ele elogiava os empreendedores como agentes de mudanças econômicas e tecnológicas, mas, criticava fortemente os impactos das transformações técnico-econômicas sobre a sociedade em geral.
Todavia, a figura seminal que colocou o empreendedor em proeminência no pensamento econômico foi Joseph Schumpeter (economista do século XX). Para ele, não era a maximização de lucros que explicava o comportamento corporativo, mas sim as suas tentativas. Conseqüentemente, Schumpeter introduziu sua famosa noção de destruição criativa. Este conceito está ligado às inovações que são, para este autor, o motor que mantém o capitalismo em movimento para frente, e mais, quem dirige esse motor é o empreendedor. Para Schumpeter, o empreendedor não é necessariamente alguém que investe o capital inicial ou inventa o novo produto, mas sim a pessoa com a idéia do negócio.

Idéias são enganosas, mas nas mãos de empreendedores, elas se tornam poderosas e também lucrativas. Para aqueles que, como os economistas, focalizam as partes tangíveis da empresa, como dinheiro, maquinário e terras, a contribuição dos empreendedores pode parecer instável.

No entanto, a visão e criatividade são menos evidentes. Schumpeter procurou esclarecer isto da seguinte maneira: o que fizeram os empreendedores? Eles não acumularam nenhum tipo de bem, não criaram meios de produção, mas empregaram os meios de produção existentes de maneira diferente, mais apropriada, mais vantajosa. Eles implantaram novas combinações. E seu lucro, o excedente, ao qual não corresponde nenhuma dívida, é um “lucro empreendedor”.

Mas afinal, para Schumpeter, “novas combinações”, inclusive fazer coisas novas ou coisas que já são feitas de uma nova maneira, era vital. Além disso, embora um fundador possa permanecer no comando de sua organização, na visão de Schumpeter essa pessoa deixa de desempenhar uma função empreendedora tão logo para de inovar.

Para se ter uma noção da importância dos temas estratégia, inovação, empreendedorismo e economia, no Brasil, das quase seis milhões de empresas, 99% são consideradas micros e pequenas, ou seja, aquelas que possuem menos de 100 funcionários. O setor da indústria responde por cerca de 18% do total de empresas, o de comércio por 45% e o de serviços por 37%, conforme tabela
abaixo:

Branson, em seu livro Reflexões de um empreendedor diz: “o maior risco que qualquer um de nós pode assumir é investir dinheiro em um negócio que não conhece”. E ainda afirma que “à medida que as empresas crescem, devem ter cuidado para que a gerência não perca o contato com o básico – que é o cliente”.
Na atualidade, buscamos entender a evolução do empreendedorismo, suas características, sua tipologias, suas variáveis, a idéia é assumir “riscos calculados”.

Sejamos, pois, estrategistas e empreendedores.


O MERCADO ECONÔMICO

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Caros leitos, iremos discutir, hoje, sobre a principal instituição da vida econômica dos seres humanos (e, talvez, a principal instituição da vida humana moderna). Iremos falar sobre o mercado.

Os mercados podem ser, efetivamente, instrumentos de organização da Economia. Embora as diferentes estruturas de mercado não sejam igualmente eficientes do ponto de vista social, outros mecanismos de organização da economia não produziram resultados equivalentes aos que as modernas economias conseguiram por meio do mercado. Mercado e economia, na atualidade, são, portanto, quase sinônimos.

Mercados transparentes e “atomizados”, em que os preços são os parâmetros de informações e decisões, podem gerar eficiência econômica em escala ótima e maximização do bem-estar social. E, mesmo por mercados menos “perfeitos”, podem transitar resultados de interesse social, com a possibilidade, por exemplo, de progresso técnico.

Em sua acepção primitiva, a palavra mercado dizia respeito a um lugar determinado onde os agentes econômicos (consumidores, produtores, firmas, agencias do governo, etc.) realizavam suas transações. Os textos de história econômica citam os grandes mercados da antiguidade, como o de Marselha, no Mediterrâneo; de Bizâncio e de Calcedônia, na Ásia; de Náucratis, no Egito; de Veneza e Gênova, na Itália medieval.

Por tradição histórica, este conceito chegou até os dias atuais. Cidades interioranas tradicionais que têm, pelo menos, porte médio, ostentam a igreja, a praça pública, o coreto, a prefeitura e o mercado: aí estão os elementos essenciais da vida em sociedade. O mercado permanece, por tradição, como um lugar definido, especialmente edificado, para o encontro de produtores e consumidores. Nesses “mercados locais”, geralmente, o que mais se vende são produtos, também locais, destinados a suprimentos básicos.

Mas, o conceito de mercado, em sua acepção econômica mais ampla, está bem distante desta tradição. O mercado, agora, é uma abstração. Já não existe a conotação geográfica. Executivos de grandes empresas industriais, agroindustriais, financeiras falam de dificuldades com que eles se defrontam no mercado. E eles não estão se referindo a nenhum lugar, mas a uma abstração econômica. O mercado é definido pela existência de forças aparentemente antagônicas: as da procura e as da oferta. Quando ambas ocorrem, simultaneamente, definem um mercado. Quando há procura por trabalhadores e pessoas dispostas a trabalhar; ou então quando há pessoas aplicando e outras procurando por empréstimos nos bancos; quando empresas emitem debêntures ou ações e pessoas procuram por estes títulos; quando, enfim, recursos humanos, financeiros e de capital são ofertados e procurados, pode-se dizer que há um mercado.

Portanto, o termo mercado diz respeito ao conjunto de compradores e vendedores que interagem, assim com as vendas e compras que podem resultar dessas interações. O preço do mercado é determinado pela interação entre vendedores e compradores. Em mercados completamente “competitivos”, um único preço prevalece.

No mercado existe a lei da oferta e da demanda. A LEI GERAL DA OFERTA, diz que: “a oferta de um bem, em determinado período de tempo, varia na razão direta da variação de preços desse bem a partir de um nível de preços tal que seja suficiente para fazer face ao custo de produção e até o limite superior de pleno emprego dos fatores”; enquanto que a LEI GERAL DA PROCURA (DEMANDA), diz que: “a quantidade procurada de determinada mercadoria varia na razão inversa dos seus respectivos preços; mantidas as demais influências constantes”. Assim, a quantidade procurada de um bem e seu preço deve se comportar inversamente: toda vez que o preço diminui a quantidade procurada deve aumentar.

Logo, entender as flutuações dos preços na Economia constitui uma ferramenta na tomada de decisões e este entendimento está vinculado a percepções das leis da oferta e da procura.

Um grande abraço a todos e até o próximo Artigo.





A MICROECONOMIA E A MACROECONOMIA

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Caros leitores. Iniciarei este Artigo ressaltando que a Economia está dividida em dois ramos principais: a Microeconomia e a Macroeconomia.
A Microeconomia trata do comportamento individual das “unidades econômicas”. Tais “unidades” abrangem consumidores, trabalhadores, investidores, entidades
do governo, proprietários de terra, empresas – na realidade, quaisquer agentes que tenham participação na produção e/ou distribuição de bens (riqueza). A Microeconomia explica como e por que essas unidades tomam decisões de produção e consumo. Por exemplo, ela esclarece como os consumidores tomam decisões de compra e de que forma suas escolhas são influenciadas pelas variações de preços e rendas; explica, também, de que maneira as empresas determinam o número de trabalhadores que contratarão e como os trabalhadores decidem onde e quanto trabalhar.

Outra importante preocupação da Microeconomia é saber como as empresas interagem para formar as unidades maiores – mercados e indústrias. A Microeconomia ajuda a compreender, por exemplo, por que razão a produção de soja no Brasil (e no Paraná) se desenvolveu da forma como se desenvolveu e como os produtores e consumidores interagem no mercado de soja (e nos demais mercados do agronegócio). Ela explica como são determinados os preços das sacas de soja, os montantes de investimento em sua produção e quantas toneladas de soja são produzidas a cada ano. Por meio do estudo do comportamento e da interação entre cada empresa e os consumidores, a Microeconomia revela como os setores e os mercados operam e se desenvolvem, por que são diferentes entre si e como são influenciados por políticas governamentais e condições de produção e consumo globais.

Logo, pode-se concluir que a Teoria Microeconômica (ou Teoria dos Preços, como também é conhecida) preocupa-se em estudar o comportamento econômico das unidades individuais, tais como consumidores, empresas e proprietários de recursos. Ela trata, basicamente, dos fluxos de bens e serviços das empresas para os consumidores, dos fluxos dos recursos produtivos (ou seus serviços) dos seus proprietários para as empresas, da composição desses fluxos e da formação dos preços dos componentes desses fluxos. Nesse sentido, alguns dos objetivos da Teoria Microeconômica é responder questões do tipo:

• o que determina o preço dos diversos tipos de bens e serviços?
• o que determina a remuneração de um trabalhador?
• o que determina o quanto de cada mercadoria será produzido?
• o que determina a maneira pela qual um indivíduo gasta sua renda
entre os mais diversos tipos de bens e serviços?

Por outro lado, a Macroeconomia é definida como sendo o estudo do comportamento agregado (global) de uma economia. Enquanto a vida econômica de uma nação depende de milhões de ações isoladas, realizadas por empresas, consumidores, trabalhadores e funcionários do governo, o foco da Macroeconomia é a análise das conseqüências globais dessas ações individuais. Por exemplo, em um certo mês, milhares de empresas aumentaram o preço de seus produtos, enquanto milhares de outras baixaram seus preços. Para compreender a alteração geral dos preços, os macroeconomistas vão analisar uma média das milhares de alterações individuais. Para fazer isso, criam e analisam um índice especial de preços, ou seja, uma média dos preços individuais, a fim de poderem calcular o valor geral da alteração de preços da economia.

A abordagem básica da Macroeconomia, portanto, consiste em observar as tendências gerais da economia, em vez de examinar as tendências que afetam isoladamente empresas, trabalhadores ou regiões. Medidas especiais e resumidas da atividade econômica (produto nacional bruto, taxa de poupança, índice de preços ao consumidor) revelam a “grande fotografia” das alterações e tendências econômicas gerais. Essas medidas macroeconômicas gerais são ferramentas com as quais os macroeconomistas analisam as principais alterações, em vez de as influências específicas que afetam somente as partes individuais dessa economia.

A Macroeconomia trata, portanto, das quantidades econômicas agregadas, tais como o nível e a taxa de crescimento do produto nacional, taxas de juros, desemprego, inflação e as transações externas de um país.

Porém, a fronteira entre a Macroeconomia e a Microeconomia não é tão clara ou fácil de se perceber. Isso ocorre porque a Macroeconomia também envolve análise de mercados – por exemplo, mercados agregados de bens e serviços, mão- de-obra e títulos de empresas. Para entender como operam tais mercados agregados é necessário que se compreenda o comportamento das empresas, dos consumidores, dos trabalhadores e dos investidores que os compõem. Dessa
maneira, os macroeconomistas têm se preocupado, cada vez mais, com os fundamentos microeconômicos dos fenômenos econômicos agregados e grande parte da Macroeconomia é, na realidade, uma extensão da análise microeconômica.

Ainda, caro leitor, é necessário integrar aos conceitos micro e macroeconômicos as definições sobre os mercados. Mas, isso será assunto para próximos Artigos.

Um grande abraço e até a próxima.


TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano


Caro leitor, vamos, agora, a uma pequena aula de história econômica.
Pois bem, é sabido que a Revolução Industrial começou na Inglaterra no século XVIII, de onde se difundiu desigualmente para os países da Europa Continental e para algumas áreas de além-mar. No intervalo de duas gerações, transformou a vida do homem ocidental, a natureza de sua sociedade e seu relacionamento com os outros povos do mundo. Até então, os avanços do comércio e da indústria, por mais satisfatórios e impressionantes que fossem, tinham sido essencialmente superficiais: mais riqueza, mais mercadorias, cidades prósperas, nababos mercantis. O mundo havia assistido a outros períodos de prosperidade industrial – na Itália medieval e em Flandres, por exemplo – mas vira a fronteira do novo avanço econômico retroceder em cada um desses casos; inexistindo mudanças qualitativas e melhorias na produtividade não podia haver garantia de que os lucros meramente quantitativos se consolidassem. Foi a Revolução Industrial que deu início a um avanço cumulativo e auto-sustentado da tecnologia, cujas repercussões se fariam sentir em todos os aspectos da vida econômica. Esses avanços materiais provocaram e promoveram um grande complexo de mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais, que influenciaram reciprocamente a velocidade e o curso do desenvolvimento tecnológico.

A industrialização, por seu turno, está no coração de um processo maior e mais complexo, muitas vezes designado como modernização. Ela abrange avanços como a urbanização; a redução acentuada das taxas de mortalidade e natalidade; o estabelecimento de uma burocracia governamental eficaz e bastante centralizada; a criação de um sistema educacional capaz de formar e socializar as crianças e adultos (no qual o Anglo é um de seus resultados. Será que era pensável, há duas décadas passadas, a existência, em Foz do Iguaçu, por exemplo, de uma Faculdade com doutores e mestres de elevada formação?); e a aquisição da capacidade e dos meios de utilizar uma tecnologia atualizada.

Vários fatores concorrem para explicar a localização inicial da Revolução Industrial. A Europa Ocidental já era rica antes da Revolução Industrial – rica em comparação com outras partes do mundo naquela época e do mundo pré- industrial de hoje. Essa riqueza era produto de séculos de lenta acumulação, baseada, por sua vez, no investimento, na apropriação de recursos e de mão-de- obra extra-européia e num progresso tecnológico substancial, não apenas na produção de bens materiais, mas também na organização e financiamento de sua troca e distribuição. Também, o âmbito da atividade privada era muito maior na Europa Ocidental do que em outras partes do mundo, e aumentou à medida que a própria economia cresceu e abriu novas áreas de iniciativa não cercada por regras ou costumes. Essa tendência era auto-reforçadora: cresciam mais depressa as economias que eram mais livres. Ainda mais importante foi o impulso dado à inovação. Os valores cruciais da cultura e da sociedade européia que deram origem ao moderno mundo industrializado eram: de um lado, a racionalidade nos meios; de outro, fins cheios de energia, e não quietistas.

Mas, esses valores, isoladamente, não explicam toda a discrepância existente entre o desenvolvimento econômico ocidental e o dos principais centros da civilização em outras áreas.

Por fim, houve, também, o elemento da violência diferencial – a violência, primeiramente, no sentido das incursões destrutivas, e, em segundo lugar, no sentido da dominação e exploração de uma sociedade por outra.

É importante percebermos, caro leitor, que esses elementos foram decisivos para o início da Revolução Industrial (nos países “brancos” da Europa Ocidental). Sobre esse assunto temos muito que falar, mas, parte ficará para os próximos artigos. Até lá!


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