Jornal do Anglo






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A Terra pede socorro

O que fazemos, hoje, com o nosso planeta? Será que a Terra suportará tamanha insensibilidade, desamor e diferentes tipos de destruição?

O homem não consegue perceber, não acredita que amanhã, não dará mais para sobreviver. Perde-se obsessivamente, procurando realizações na vida material, não se preocupando com o futuro, que está mais sem perspectiva, do que consegue visualizar.

Vivemos no século da indiferença, potências e mais potências preocupadas em produzir a qualquer custo e tornar-se a mais poderosa, a mais respeitada e quem sabe até a mais temida.

O homem tem que humanizar-se para que suas ações representem de forma diferente os valores esquecidos na poeira do tempo. Quem não se lembra daquela vida pacata, em que as famílias se reuniam à noite a conversavam, na frente das casas, enquanto a crianças brincavam de rodas, de pique, amarelinha.

O Tratado de Kioto, documento que seria uma forma de conter o avanço do aquecimento global, a poluição, foi rasgado pelo atual presidente dos EEUU. Este é o país responsável por grande parte da poluição planetária.

Somos pessoas, seres humanos e como tal merecemos respeito, entretanto se grande os líderes do mundo não nos vêem assim, só nos resta cuidar, como indivíduos, geradores de pessoas, do que nos cabe fazer.

Como educadores formar jovens capazes de plantar sementes para um futuro promissor, como pais educando nossos filhos, conscientizando-os sobre o mundo que há de vir, como cidadãos dando exemplos em harmonia com o cenário do mundo atual. Este cenário que nos faz refletir sobre o nosso futuro, o futuro de nossos filhos e netos e o futuro do nosso planeta.

Continuando a desrespeitar a nossa Terra, não sobreviveremos por muito tempo.
Vamos proteger o nosso planeta, de mãos dadas formemos um grande circulo em torno deste gigante, que poderá sucumbir diante de tanto individualismo humano.

Elza Cotrim


O Aprendizado Através da Emoção



João Pessoa de Albuquerque


Tudo o que se assimila “a frio” se assimila mal, seja o estudo, seja o trabalho, seja o amor.

O amor, por exemplo, praticado com romantismo, tem outro sabor. E se, ainda por cima é precedido pela chamada “bossa da conquista”, aí então não há ser humano que resista...

Aplique-se esse ritual ao aprendizado e teremos, sem sombra de dúvidas, muito mais aprendizes prazerosos do que alunos cruelmente coagidos.

Quando li “Fogo Morto” de José Lins do Rego ou “Tambores de São Luiz” de Josué Montello ou “Casa dos Espíritos” de Isabel Allende ou quando assisti ao filme “Cinema Paradiso” de Giuseppe Tornatore ou quando vi, no Egito, os templos de Luxor (só para citar alguns exemplos), tudo isso tomou conta do meu interior de forma absolutamente inesquecível, simplesmente porque me emocionou.

Emoção marca: e marca ou sai com dificuldade ou não sai nunca!

O professor tem de ser, antes de tudo, um “emocionador”, seja por conta própria, seja recorrendo a terceiros (se, sozinho, não se sentir capaz de fazê-lo) no sentido de preceder as aulas ou intercalá-las com recursos de emoção, caso queira tornar, realmente, sua aula “elétrica”, vibrante, atraente e descontraída. Caso não queira, que dê somente a matéria...

Um pensamento bonito para reflexão, enunciado no princípio da aula, ou uma inteligente anedota, no final, coroada com uma boa gargalhada, ou ainda, uma pequena história real que contenha episódios tristes e alegres, creio que mexerão muito com a emoção do aluno, tornando-o, por isso mesmo, bem mais permeável a absorver o ensinamento ministrado do que se este lhe for transmitido “a seco”.

Em outras palavras: é preciso provocar a sensibilidade do aluno e não apenas aguçar-lhe o olhar e a audição. Não basta mobilizar os sentidos: é preciso mobilizar os sentimentos.

A lágrima e o riso têm de ser “catalogados” como importantes armas pedagógicas, seja na transmissão da informação, seja no desenvolvimento do processo de formação.

A conquista do espírito do educando tem de ser objeto de uma luta constante do professor. Essa conquista não se obtém somente pelo saber, mas também, pelo sabor do afeto, do riso, da firmeza serena, da narração de amenidades e, às vezes, até mesmo, a título de bom exemplo, de um pouco de auto-biografia...

Que haja sedução: eis a questão!

Dar apenas a matéria do dia é tornar a aula material demais, quando, na verdade, para “prender” e se tornar inesquecível, ela exige, também, um pouco de “pitada” espiritual.

O bom líder é o que emociona. Emocionando é que ele envolve e, ao envolver continuamente, torna-se ansiosamente esperado, aplaudido (quando não por palmas, mas por palpitações), querido, admirado, desejado e, portanto, um tipo inesquecível.

O grande professor é, sobretudo, o que “mora” na alma do aluno. É aquele que “fica” na sala mesmo após ir embora dela com o toque do sinal...



O PERFIL DO EGRESSO DA UNIVERSIDADE A PARTIR DA TEORIA ECOSSISTÊMICA

 



Elza Cotrim
Diretora do Colégio Anglo-Americano de Foz do Iguaçu


Ensinar é construir, aprender é o resultado de organizações internas do indivíduo. Percebe-se que a inteligência se desenvolve, que a cognição está sendo elaborada e ainda mais, nota-se que tudo isso será expresso através de mudanças comportamentais, sejam elas cognitivas, sociais, morais ou psicológicas. Hoje o termo aprendizagem deve ceder lugar a “aprendência” ( SULLIVAN, 2004 ), estado de estar em processo de aprender.

A questão é a transformação do mundo do trabalho e a funcionalização da educação com vistas a um novo conceito de empregabilidade. O perfil do egresso da Universidade deve ser a de um profissional apto para assumir suas funções na sociedade, onde o sujeito deve fundamentar suas ações na ética e na solidariedade. Seria absurdo negar a importância da Educação no mercado de trabalho, mas não se trata de questionar a Educação e/ou suas práticas pedagógicas, o importante é questionar se estas condições são suficientes para a empregabilidade dentro da lógica do atual mercado de trabalho. A equação educação-mercado de trabalho e empregabilidade só serão resolvidas com políticas que visem à prioridade social. Esta questão deve ser tratada com muita tranqüilidade, pois em nome da exclusão e da necessidade de políticas solidárias, muitos projetos políticos pedagógicos surgiram, para que a educação fizesse a sua parte.

Pode-se encontrar ao longo de nossas vidas, pessoas simples com reservas de sabedoria e sensatez que têm tudo haver com aquilo que se chama hoje de “auto-organização (autopoiese) dos processos vivos”. (MATURAMA, 2005 ). Viver bem, mesmo quando as oportunidades de melhorias sociais são mínimas, é uma das grandes lições que se aprende ao longo de nossa existência.

Precisa-se de uma sociedade na qual caibam todos. A Pedagogia deverá trabalhar de forma a propiciar ecologias-cognitivas para que as experiências de aprendizagem aconteçam.

A epistemologia tradicional vê o conhecimento como um reflexo da realidade externa e objetiva. A epistemologia moderna encara o conhecimento como aproximações respeitosas ao mundo e às pessoas.

Sejamos mestres, ou simplesmente passaremos pela vida de nossos alunos e nada escreveremos na “tabula rasa” (LOCKE), de sua história.

 



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