Jornal do Anglo






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Cursos tecnológicos, uma nova tendência

Claudio Fico

A educação brasileira se depara com uma nova tendência no ensino: são os cursos superiores de tecnologia, com menor duração, carga horária mais enxuta e um compromisso com a qualidade do conteúdo que é oferecido.

Os egressos dos cursos superiores de tecnologia denominam-se tecnólogos e são profissionais de nível superior com formação para a produção e a inovação científico-tecnológica e para a gestão de processos de produção de bens e serviços.

Diferente dos cursos seqüenciais, em descontinuidade em muitas instituições, o curso superior de tecnologia surgiu para atender a uma demanda reprimida de profissionais que atuam no mercado de trabalho, que têm experiência profissional em várias áreas do conhecimento, mas não tiveram oportunidade de ingressar em uma universidade, por falta de tempo, de dinheiro...

Os cursos superiores de tecnologia, ainda, representam um percentual de 4% de alunos matriculados, bem distante da realidade dos países desenvolvidos, que possuem 40% de alunos cursando essa nova modalidade de ensino.

As instituições universitárias precisam investir maciçamente na criação e na construção desses novos cursos, a fim de possibilitarem um maior acesso ao ensino superior, contribuindo, dessa forma, para o desenvolvimento do próprio país.

A demanda por esse tipo de curso é melhor percebida na área de tecnologia em informática.

Para disciplinar a criação e a oferta desses cursos, o MEC editou o Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia, onde podem ser encontrados, por área do conhecimento, todos os cursos que, atualmente, estão sendo ministrados no país. Antes da edição desse documento, o Brasil possuía mais de 3.500 cursos superiores de tecnologia, com 1.236 denominações diferentes. O novo catálogo contempla 96 denominações, com cerca de 3.500 cursos. Evidentemente que, com a evolução do conhecimento, esse catálogo deverá sofrer alterações em muito breve, pois como o conhecimento não é e nem pode ser estático, muitas outras propostas de criação de novos cursos já estão sendo analisadas nas instituições universitárias.


Claudio Fico é pró-reitor acadêmico do Anglo-Americano e membro da Associação Brasileira de Educação




Educação precisa de políticas públicas

Paulo Alonso

Sabemos, perfeitamente, que um país só pode se desenvolver e se agigantar se a educação for uma prioridade do Estado. Lamentavelmente, a situação não tem sido essa no Brasil. Os governos se sucedem e a educação fica à margem da agenda nacional, ainda que, nos períodos de campanha, todos os candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais e municipais de todos os partidos afirmem que vão investir na educação como forma de alavancar o desenvolvimento do Estado. São promessas e mais promessas jamais concretizadas. O ensino universitário público precisa de investimento; as escolas municipais e estaduais precisam de maior apoio; os professores precisam receber salários dignos, precisam de reciclagem; as bibliotecas (em muitas unidades educacionais nem existem) precisam de livros, de revistas...A educação precisa de atenção, precisa de ações verdadeiras e honestas para que possa se desenvolver com eficácia. Se o lema da bandeira Nacional é “ordem e progresso”, por que razão, esse mesmo lema não é levado em consideração pelas autoridades constituídas nesse imenso país continental?

No decorrer da história, pensadores fundamentais têm refletido sobre as diferentes formar de ver a escola e a educação ao longo dos séculos. Locke (1632/1704) defende que a educação deve se preocupar com a virtude, com a moral; Comte (1798/1857) diz que, na escola de inspiração positivista, os estudos científicos prevalecem sobre os literários e a educação deveria assumir a responsabilidade de desenvolver nos jovens o altruísmo em detrimento do egoísmo, mostrando a eles que o objetivo existencial mais nobre é dedicar a vida às outras pessoas. Já Durkheim (1858/1917) contrapõe-se à idéia de uma educação universal que serve para todos em todas as épocas. Ele propõe uma educação científica. A educação, para ele, não teria de realizar a natureza do homem, mas sim o que a sociedade quer que ele seja, destacando ainda que ela o quer conforme reclame sua economia interna, o seu equilíbrio. Gramsci (1891/1937) critica a educação tradicional, apresentando uma concepção de escola que tenha como meta contribuir para a construção de uma outra sociedade. Essa escola iria oferecer a educação profissional e humanista. “A escola profissional não pode se tornar encubadeira de pequenos monstros mesquinhamente instruídos para um ofício, sem idéias, sem alma , possuidores apenas de um olhar infalível e de uma mão firme”. Bourdieu (1930/2002) crê que a educação perde o papel que lhe fora atribuído de instância transformadora e democratizadora das sociedades e passa a ser vista como uma das principais instituições por meio da qual se mantêm e se legitimam os privilégios sociais.

Anísio Teixeira, Paulo Freire, Darcy Ribeiro e Florestam Fernandes, pensadores nacionais, também escreveram teorias e conceitos sobre a importância da educação, como ferramenta indispensável à construção do conhecimento. E daí? Será que os homens públicos leram todos esses pensadores? Será que sabem exatamente qual é a finalidade de uma boa escola? Será que sabem que a educação é agente transformador? Será que acompanham a evolução de outras nações, em face da valorização da educação? Pelo que se pode constatar, a resposta é negativa. A falta de criatividade pela e para a educação é absoluta. Medidas paliativas são até tomadas. Políticas públicas sérias, todavia, não são pensadas e construídas e não são, em conseqüência, colocadas em prática. Os discursos são muitos; as ações...

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


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