Jornal do Anglo







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Bancas de final de curso: como enfrentar esse desafio

Jose Carlos Rolim de Moura
Professor FAA - Foz do Iguaçu

A apresentação da banca de estagio é um momento especial para todos os graduandos e pós-graduandos. Apesar disso, percebe-se muitas vezes que a improvisação e a falta de planejamento da apresentação prejudicam muito o candidato.

Este artigo procura assim, passar algumas dicas para os alunos sobre como proceder em uma banca. Não são regras rígidas, pois cada banca tem suas características próprias, geralmente relacionadas ao curso ao qual vai ser defendida. Consolaro (2000) apresenta algumas dicas sobre o comportamento e
postura em bancas, descritas abaixo.

Forma de tratamento

É importante observar que a banca esta constituída por especialistas no assunto, todos geralmente são doutores, eventualmente mestres. Pela lógica o pronome deve ser sempre Vossa Excelência, pois são pessoas de destaque na sua área e têm uma posição hierárquica acadêmica superior á do examinado. Mesmo que o examinador dispense a forma de tratamento, valorize o protocolo, afinal a cerimônia de sua tese ou concurso deve ser preservada, pois é um momento muito especial na sua vida.

Apresentação oral

Essa apresentação do seu trabalho pode ser programada para mostrar seu trabalho aos membros da comunidade que se proponham a assisti-lo. O tempo estabelecido varia de 15 a 30 minutos para apresentação oral do trabalho: se informe antes quanto tempo dispõe precisamente e siga-o rigidamente. Na apresentação, lembre-se que a banca já sabe tudo sobre o trabalho, ela estará avaliando mais sua postura, didática e material audiovisual utilizado. A lousa também pode ser utilizada ou qualquer outro recurso audiovisual. Sua apresentação tem que ser clara, simples e objetiva, pois até seus familiares devem entendê-la, dentro do possível.

Tempo para argüição e para as respostas

Cada examinador tem, em geral, 30 minutos para argüir e você terá outros 30 minutos para suas argumentações, embora, como já foi dito anteriormente, isso varie de Instituição para outra.

Suas respostas e cuidados

Seja breve, objetivo e claro em suas respostas e argumentações. Você está bem preparado e não precisa enrolar ou ocupar todo tempo necessariamente.Sua voz deve ser alta, postada e silabada, mas cuidado, não seja agressivo e muito menos pedante. Suas respostas devem ser proferidas olhando diretamente para o examinador e não para o vazio ou para a platéia. Procure ser simpático, jamais assuma posição de submisso ou coitadinho, e muito menos de ser superior.
Não sorria durante as respostas, a não ser que o motivo seja realmente engraçado e explícito para todos. Muito menos ainda, não sorria durante a pergunta de seus examinadores. Os sorrisos inexplicáveis podem ser interpretados como ironia ou pedantismo. Seja cortês sempre.

Nas respostas e esclarecimentos das argüições, não deixe por acaso ou intencionalmente, questionamentos sem respostas; isto depõe contra seu conceito e dá a impressão de segunda intenção. O examinador pode disfarçar que não percebeu, mas cobrará a falha do Orientador na hora da reunião a portas fechadas.

Não justifique erros, aceite-os sem comentários ou explicações. Não há justificativas para eles, seja simples e humilde para reconhecer suas limitações. Só erra quem faz. Errando é que se aprende.Teimosia não leva a nada; reconheça os erros quando eles existirem.

Não comente os comentários. Se o examinador explicou que era um comentário, consiste apenas de um comentário dele, que não cabem comentários seus.

Se o examinador explicar que suas palavras são apenas uma observação, não cabem comentários, é apenas uma observação nada mais. Não a comente. Em papel preparado para isto, anote somente as perguntas, não perca tempo com comentários e observações, apenas preste atenção nelas.

Discorde e discuta somente quando tem certeza e razão. Lembre-se, você esta defendendo publicamente uma idéia e um trabalho. Não é sua obrigação concordar com tudo o que o examinador falar desde que você tenha fundamentação. Não perca a elegância e saiba contestar com respeito os examinadores. Mostrar determinação e firmeza de posição fala a seu favor na defesa da tese.

Os gráficos, tabelas e ilustrações devem estar memorizados e muito bem explicados. Nada justifica insegurança quando questionado sobre elas. Você teve tempo suficiente para elaborar sua tese.

Afirmações indevidas

Afirmações como "Eu não sou estatístico"; ou "eu não sou clínico";
ou, "eu sou clínico"; ou "eu não sou patologista", devem ser esquecidas. Se você não tem formação ou conhecimento mínimo sobre o que foi feito, por que se propôs a fazê-lo? Pelo menos sobre o que você trabalhou deve ter amplo domínio: você fez ou não a tese?

Deixe as brincadeiras e piadas para o fim da festa. Na defesa de tese, as piadas, brincadeiras e ironias, no mínimo denotam menosprezo para com o momento tão importante para a escola e para o candidato.

Apresentação física do candidato

Os cabelos, a barba e outros cuidados corporais devem estar impecáveis. A aparência deve ser considerada, pois é um momento solene.

Preparação do local da defesa/concurso

Conheça o local da defesa antes do dia programado e chegue 5 a 30 minutos antes para conferir as condições de trabalho. Providencie projetor reserva, pois caso queime a lâmpada, o tempo de troca será mínimo.

Recursos audiovisuais e cuidados

Combine com alguém e sincronize sua apresentação de slides com suas palavras e sinais, treine antes para não ocorrerem imprevistos. Lembre-se, não há boa aula sem treinamento e planejamento. A bem do profissionalismo, nestas ocasiões não cabe o improviso.

Sobre sua monografia - TCC

Os erros de português, de digitação e de impressão apontados devem ser agradecidos de um modo geral e não um a um, isto só valoriza-os. Esses erros são totalmente injustificáveis. Leve sempre um dicionário para acompanhá-lo na sua mesa de defesa, bem como coloque na mesa, todas as referências utilizadas na elaboração do trabalho, na ordem da tese; na duvida, você estará amparado pelo texto original. Durante sua defesa não é deselegante de forma alguma, recorrer ao dicionário ou aos artigos para conferência momentânea ou consulta rápida.

Sobre os agradecimentos

Deixe os agradecimentos aos examinadores para depois da nota dada. Combine com seu orientador para lher dar um tempo de dez minutos, depois de verbalizada a nota, para que você possa fazer seus agradecimentos e expressar suas emoções, antes do encerramento da sessão. Se assim não for, pode parecer que seus agradecimentos antes da nota, façam parte de uma chantagem emocional ou puxa-saquismo.

Não exagere nos agradecimentos. Seja sempre grato quando couber, sem falsidades, fraterno sempre e revele felicidade sem exageros. Afinal a defesa detese é uma cerimônia acadêmica e não social. Sempre cabe serenidade e cordialidades com muita elegância.

Encerrou a cerimônia e agora?

No fim de tudo, seja prático e recolha discretamente as teses dos examinadores para fazer a correção e a devolução em breve. Caso sua tese tenha sido apresentada em forma de CD-ROM, faça o mesmo, recolha e depois entregue uma cópia corrigida e a versão final.

No outro dia, procure a secretaria e oficialize sua defesa cumprindo os procedimentos requeridos para a homologação de seu titulo tão arduamente conquistado. Agora só falta publicar o trabalho aprovado. Depois de tudo isto realizado, está na hora da festa! Parabéns pelo sucesso!

Conclusões

A banca de final de curso muitas vezes é interpretada como um momento de suplicio para alguns acadêmicos, o que, de certa forma é um exagero. Na verdade ela é um momento de coroamento de um trabalho bem realizado, onde as criticas na sua maioria, são positivas e tem a intenção de tornar melhor um trabalho já bem feito. Este breve artigo teve como intenção auxiliar o acadêmico a compreender a importância deste momento tão especial na vida acadêmica e saber como enfrenta-la com sucesso.

Referência

CONSOLARO, Alberto. O "ser" professor: arte e ciência no Ensinar e
aprender. 2. ed. Maringá: Dental Press International, 2000.


Perspectiva do Turismo no Brasil


Prof. José Luiz Mendes
Coordenador do Curso de Turismo
Faculdade Anglo Americano – FAA
Foz do Iguaçu - PR

Pesquisas indicam que em 2005, o Brasil recebeu mais de 5,4 milhões de turistas internacionais. Observamos uma crescente demanda nos últimos anos, sendo que o turista latino-americano representa uma fatia considerável no turismo internacional, sem desprezar o mercado doméstico que também é muito grande. Cada um desses mercados tem demonstrado distintas tendências, por ter havido mudanças significativas no perfil do turista doméstico e principalmente, do turista estrangeiro.

Nesse sentido, podemos distinguir algumas fases do turismo internacional para o Brasil durante as últimas décadas.

O Brasil tem crescido além da média mundial, chegando a dois milhões de turistas estrangeiros em 1988. Na época o cambio era favorável tornando um destino barato, sendo o Rio de Janeiro o portão de entrada. Em uma outra fase nos anos noventa, a imprensa anuncia e dá destaque internacional para a violência no Brasil, principalmente a do Rio de Janeiro e São Paulo, enfatizando a chacina dos meninos de rua da candelária, gerando crise econômica no setor turístico internacional. Vale destacar que em 1991 o Brasil recebeu 50% de turistas comparado ao ano de 1988.

Nesse contexto, o turismo da América Latina ganha mais importância e, São Paulo torna-se o portão de entrada do Brasil, devido ao aumento no valor do ICMS sobre combustíveis para aeronaves no Rio de Janeiro.

Em seguida a fase do Plano Real dá uma nova imagem ao Brasil no exterior, atraindo novos turistas internacionais, principalmente de negócios, que procuram São Paulo que é considerada a capital dos grandes negócios, fortalecendo assim o turismo Latino Americano.

Quando iniciamos o ano de 1999, houve desvalorização da moeda brasileira, que combinada com a recuperação da imagem do Brasil no exterior volta a atrair novos turistas, ajudando a manter o crescimento do turismo internacional.

Num momento seguinte, a Argentina, grande emissora de turistas para o Brasil apresenta problemas econômicos e se retrai, reduzindo o fluxo de visitantes, mas por outro lado, o numero de turistas da América do Norte e Europa continua a crescer.

Diante de previsões tão otimistas apostamos que o Brasil continuará crescendo, muito embora a meta divulgada pelo Ministério de Turismo de atrair 9 milhões de turistas até 2007 pareça bastante ambiciosa.

Segundo previsão da Organização Mundial do Turismo, em 2020 o Brasil atrairá 14 milhões de turistas se conseguir manter uma taxa média de crescimento de 5,2 % ao ano desde 2000. O que infelizmente não vem acontecendo. Mas se fizermos uma comparação do perfil turístico brasileiro dos anos oitenta com a situação atual observaremos que houve grandes mudanças e para melhor. Diante de perspectivas tão positivas como destino receptor, precisaremos formar profissionais da área do turismo com capacidade suficiente para atender a demanda com qualidade, responsabilidade e com base na agenda 21 adotada por 182 países, sobre a gestão do turismo sustentável, seguindo a filosofia dos 4 R’s, REDUZIR; REUTILIZAR; RECICLAR e RESPEITAR.






 

Primeiros passos rumo ao plano interpretativo da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Mata do Sossego - Município de Simonésia/Minas Gerais


PATRÍCIA GARCIA DA SILVA CARVALHO MENA GOMES
VALÉRIA AMORIM DO CARMO
VÍTOR MOURA

Apresentação

A Interpretação Ambiental (IA) a partir da sua fundação em 1950, nos Estados Unidos da América, tem se desenvolvido no Brasil, sobretudo, nas áreas protegidas, principalmente, nos parques nacionais. Contudo, a falta de informação e capacitação dos técnicos tem distorcido e restringido a IA às atividades de colocação de placas que identificam espécies da fauna e flora, desenvolvimento de painéis de localização, mas sem um eixo temático norteador e integrador das ações voltadas para a recepção, sensibilização e educação ambiental dos visitantes das unidades de conservação.

A partir da experiência desenvolvida na RPPN Mata do Sossego, os autores buscam demonstrar o alcance e a abrangência da IA como ferramenta teórico-prática de ampliação das percepções e vivências pessoais acopladas ao conhecimento do ambiente, das paisagens naturais e construídas.

A ação interpretativa é antes de tudo perceptiva, vivencial e integradora de informações, experiências e sensações, tornando-se assim, uma disciplina fundamental para biólogos, geógrafos, gestores ambientais e turismólogos que objetivem trabalhar no campo da educação ambiental.


Introdução

O "uso e abuso" do espaço pelo homem ao longo da história levou à transformação das diversas paisagens. Muitas delas, antes naturais, tornaram-se antropogênicas causando o comprometimento dos vários recursos naturais disponíveis, até então, com relativa abundância. A água, o solo e a cobertura vegetal são alguns exemplos que, após anos de indiscriminada exploração, estão com sua qualidade bastante comprometida. Os efeitos disso podem ser percebidos, por exemplo, pela redução da biodiversidade.

A biodiversidade mundial tem sido destruída de forma avassaladora, mesmo sabendo que estes habitats podem ser responsáveis pela manutenção da vida humana. Frente a este quadro, estabeleceram-se estratégias para a conservação da biodiversidade do país, através da criação de áreas de preservação e conservação do ambiente. Estas passaram a integrar a política que defende a manutenção das áreas ambientais e a proteção do patrimônio nacional.

A partir da criação das Unidades de Conservação (UC) tem sido possível desenvolver uma série de atividades para integrar as comunidades ao meio ambiente com o objetivo de torná-las uma aliada no combate à destruição ambiental. Tais atividades passam por processos de sensibilização como a Interpretação Ambiental. Através dela, objetiva-se desenvolver o interesse e o respeito a partir da compreensão, pelo visitante, da área e seus recursos naturais e culturais.

Infelizmente, no Brasil as experiências em Interpretação Ambiental ainda constituem-se em casos isolados. Entretanto um aspecto bastante positivo é que se compararmos com anos anteriores, estas experiências têm crescido. Ainda estamos engatinhando nesta "nova" proposta se compararmos com outrospaíses
como os Estados Unidos, mas o reconhecimento do seu valor como um instrumento de sensibilização e por que não dizer, de gestão é inegável.

O presente artigo tem como objetivo mostrar o resultado de uma experiência realizada em uma Reserva do Patrimônio Natural localizada em Minas Gerais, de propriedade da Fundação Biodiversitas.

A Interpretação Ambiental

A história da Interpretação Ambiental está relacionada aos Parques Nacionais norte-americanos que contavam com a presença de pessoas que possuíam muito conhecimento a respeito do espaço natural da área (os naturalistas) e que levavam os visitantes em trilhas e rotas para verem o parque. Esses guias naturalistas eram verdadeiros intérpretes ambientais. Enos Miles, guia desde 1889 até 1922, costumava dizer que "um intérprete é um naturalista que sabe guiar os outros na descoberta dos segredos da natureza" (Miles, apud. Vasconcellos, 1995, p.466). Mais tarde, no final da década de 50, Freeman Tilden formaliza, pela primeira vez, a definição da Interpretação Ambiental:

"Interpretação é uma atividade educativa que aspira revelar os significados e as relações existentes no ambiente, por meio de objetos originais, através de experimentos de primeira mão e meios ilustrativos, em vez de simplesmente comunicar informação literal".(TILDEN,1977: 8)

Tilden formalizou não somente sua definição, mas estabeleceu também os princípios que norteiam a Interpretação Ambiental até os dias de hoje. A Interpretação Ambiental pode ser definida não só como uma técnica, mas também como uma arte que deve proporcionar ao visitante, condições para, através da reflexão, conseguir ver além do que seus olhos podem alcançar. Ela de certa maneira, procura traduzir a natureza, no seu sentido mais amplo, para uma linguagem acessível às pessoas. Para cumprir este objetivo, a estratégia de comunicação usada pela Interpretação Ambiental deve apresentar algumas características. Ela deverá ser segundo SAM HAM (1992): amena, pertinente, organizada e temática. Podemos traduzir a amenidade como uma linguagem informal, cativante por ser dinâmica e muito ilustrativa utilizando-se de recursosdidáticos criativos e envolventes; a pertinência se refere ao fato de a mensagem a ser passada ter total significado para as pessoas que a recebem.

Os fatos mostrados são relacionados ao dia-a-dia para que sejam evidenciadas sua significação e pertinência. Ter organização significa ser a mensagem bem estruturada (com redação bem formulada, com início, meio e fim) de maneira que a audiência a compreenda facilmente. A última qualidade da abordagem interpretativa é a de ser temática. Ela corresponde à idéia de se ter um plano de Interpretação Ambiental voltado a um determinado tema sobre o qual serão desenvolvidas todas as idéias necessárias para que se passe uma mensagem final pretendida.

Embora a Interpretação Ambiental seja em grande parte fruto de inspiração - o que é comum nas artes -, não podemos nos prescindir de técnicas que irão nos auxiliar no desenvolvimento de um plano interpretativo eficaz. Assim, a técnica de elaboração de um plano de Interpretação Ambiental é fundamental para um bom resultado no final. São sempre citados seis passos básicos para o planejamento de um programa de Interpretação Ambiental:

1. identificar as oportunidades e necessidades interpretativas da área a ser      trabalhada
2. identificar o público visitante do local
3. identificar os objetivos a serem alcançados com cada tipo de público
4. escolher a mensagem a ser transmitida com a interpretação
5. escolher os meios, métodos e técnicas a serem utilizados para a
     transmissão da mensagem
6. constante acompanhamento da atividade para que se possa estar sempre      melhorando-a.

Conhecer a área onde se pretende desenvolver um Plano de Interpretação Ambiental é a primeira providência a ser tomada. Devem ser levantadas todas as potencialidades interpretativas do local para se saber o que se pode aproveitarna área como objeto de interpretação. Procurar saber o que de mais importante deve ser trabalhado na área, as necessidades do local, é também muito proveitoso para se conseguir um plano útil e que terá bons resultados.

Como segunda providência, conhecer o público ao qual será destinado o plano de Interpretação Ambiental é de fundamental importância. Assim, pode-se desenvolver um plano extremamente adequado ao usuário, sendo bastante agradável e pertinente. As diferenças entre públicos, que devem ser consideradas, são especialmente a idade, o nível cultural, os interesses particulares de cada grupo, o tempo que possuem disponível, dentre outros.

Os objetivos a serem alcançados com o plano deverão ser estabelecidos de acordo com o público ao qual será aplicado. A cada tipo de público, por suas diferentes características, espera-se resultados diferentes.

Após serem estabelecidos os objetivos, deve ser escolhida a mensagem a ser passada para o público. Essa mensagem deverá possibilitar que os objetivos sejam alcançados, levando ao conhecimento do visitante o tema que foi escolhido e julgado como pertinente e importante para que se consiga os resultados esperados. O tema, a ser trabalhado em diversos tópicos, é a própria mensagem que se interessa passar ao visitante para que os objetivos sejam alcançados. Para serem trabalhados esses diversos tópicos, tendo conhecimento sobre eles, deve haver uma pesquisa na área escolhida.

Para se transmitir a mensagem, segundo VASCONCELOS (1997), é preciso escolher um meio (como uma trilha interpretativa por exemplo), um método (qual tipo de trilha, no caso do exemplo dado) e as técnicas a serem utilizadas (como o
número de paradas na trilha). Assim, o tema será transmitido com eficácia e os objetivos terão a possibilidade de serem alcançados. Resta, então, como último passo do planejamento, a avaliação contínua do projeto. Tendo controle das experiências e analisando os resultados será possível estar sempre aprimorando o projeto.

Um dos meios mais utilizados para se desenvolver a Interpretação Ambiental têm sido as Trilhas Interpretativas. As trilhas, normalmente utilizadas para o deslocamento das pessoas, hoje são abertas em ambientes com atrativos naturais para que as pessoas possam entrar em maior contato com a natureza. Estando interpretadas oferecem ao visitante a oportunidade de descobrir e perceber coisas novas, que sozinho não seria capaz de observar.

Para cada trilha a ser interpretada será usado método diferente dependendo das características próprias do local. Três métodos básicos podem ser apontados na interpretação de trilhas: a trilha guiada, a trilha autoguiada com placas ou painéis e a trilha autoguiada com folhetos. Os métodos podem ser utilizados independentes um do outro e, também, de maneira mais rica, como complementares. No caso específico da Mata do Sossego, o visitante ao percorrer a trilha da Embaúba, como é chamada, além de contar com o acompanhamento de um guia local pode ir se inteirando do tema através das diversas placas interpretativas distribuídas ao longo do caminho.

Programas de Interpretação Ambiental e principalmente Trilhas Interpretativas bem planejadas e eficazmente implantadas nas Unidades de Conservação e Áreas Especialmente Protegidas:

"Conectam os visitantes com o lugar, criando consciência e maior compreensão e apreciação dos recursos naturais e culturais protegidos, diminuindo as pressões negativas; provocam mudanças de comportamento, atraindo e engajando aspessoas na tarefa de conservação; aumentam a satisfação do usuário, criando uma impressão positiva sobre a área protegida e a instituição responsável; podem influenciar a distribuição dos visitantes, tornando-a planejada e menos impactante". (VASCONCELOS, 1997 p. 474).

Assim, é fácil entender a determinação do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação) para que as Unidades de Conservação desenvolvam a Interpretação Ambiental como instrumento importante de manejo da unidade.


A Mata Atlântica e a RPPN Mata do Sossego

A Mata Atlântica é um dos focos de ação da Fundação Biodiversitas e a eleição deste bioma como prioritário para a atuação da instituição deve-se, principalmente, ao alto grau de ameaça a que ele está sujeito. Por situar-se numa das regiões do país mais intensamente ocupadas e com altos níveis de degradação antrópica, a Mata Atlântica, atualmente, é representada por menos de 8% de sua cobertura.

Há cerca de dez anos, a Fundação Biodiversitas, preocupada com a conservação deste bioma, iniciou o Programa para a Conservação da Floresta Atlântica Brasileira. Para isto, contou com o apoio fundamental da Fundação MacArthur, que financiou as ações previstas em programas trianuais, de 1990 a 1998. Um dos projetos envolvidos no programa supracitado refere-se à gestão e ao manejo da RPPN Mata do Sossego localizada em Simonésia - MG, no qual a compra de parte da área e a instalação de infra-estrutura mínima para pesquisa e visitação foram financiados pela MacArthur.

Em 1997, a Fundação Biodiversitas reforça o Programa para a Conservação da Floresta Atlântica Brasileira na Mata do Sossego, através de um projeto piloto denominado Projeto Doces Matas em parceria com o IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o IEF- Instituto Estadual de Florestas/MG e a Agência de Cooperação Técnica - GTZ.

Esse projeto enfoca as parcerias entre os setores público e privado, e as comunidades vizinhas às áreas protegidas, dando ênfase, assim, aos processos de gestão ambiental participativa em unidades de conservação e à cooperação interinstitucional. Para o desenvolvimento deste piloto foram selecionadas três áreas protegidas: uma privada - a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Mata do Sossego, pertencente à Fundação Biodiversitas; uma estadual - o Parque Estadual do Rio Doce, administrado pelo IEF-MG; e uma Federal - o Parque Nacional do Caparaó, administrado pelo IBAMA.

A RPPN Mata do Sossego compreende um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica na região dos municípios de Simonésia e Manhuaçu, no sudeste de Minas Gerais. A criação desta área protegida se deu graças a um movimento local em prol da preservação do muriqui e da conservação da Mata Atlântica, com o apoio da Fundação Biodiversitas.

De uma área total estimada em 800 hectares, com grande potencial para conservação da biodiversidade, 134 hectares foram adquiridos inicialmente pela Fundação Biodiversitas, com recursos oriundos da Fundação MacArthur. Posteriormente, numa iniciativa inédita no Brasil, um grupo de exportadores e comerciantes de café do município de Manhuaçu doou à Fundação Biodiversitas mais 46 hectares de mata nativa, ampliando para 180 hectares a área da RPPN.

A RPPN Mata do Sossego, apesar de possuir uma área relativamente pequena, apresenta-se, em conjunto com o seu entorno, como o remanescente de Mata Atlântica mais extenso e melhor preservado na região, abrigando várias espécies ameaçadas de extinção. A RPPN está inserida numa região caracterizada por pequenas propriedades, que resultaram das constantes divisões de terra pelos processos de herança. A principal fonte de renda dos pequenos produtores da região é a cultura do café. A economia familiar, baseada em uma monocultura que sofre grandes oscilações de preço, cria uma situação de insegurança para os pequenos agricultores que, na busca para garantir uma produção adequada à manutenção das famílias, estão expandindo suas lavouras de café e contribuindo para o aumento da pressão sobre os últimos remanescentes florestais da região.

Neste contexto, ações de mobilização social, educação ambiental e interpretação ambiental foram definidas como prioritárias para sensibilizar a comunidade para a importância da conservação da reserva e da Mata Atlântica e possibilitar a criação de um espaço de interlocução e trabalho conjunto entre lideranças locais, agricultores, professores, alunos, comerciantes, ONGs (Organizações não-governamentais) locais, instituições governamentais (EMATER, IEF-MG, IMA, IBAMA-PARNA Caparaó) e a equipe técnica do Projeto Doces Matas.

O desenvolvimento do Projeto Doces Matas e a Interpretação Ambiental

Ao longo dos últimos três anos de atuação no entorno da Mata do Sossego a Biodiversitas identificou a necessidade de aprimorar a infra-estrutura de visitação e para pesquisadores tendo em vista a ampliação da demanda, para conhecer a Mata do Sossego, das sete comunidades do entorno da reserva, da comunidade urbana de Simonésia e dos municípios vizinhos (Ipanema, Manhuaçu, Manhumirim, Caratinga), bem como de universidades da região. Associada a essa demanda crescente, o envolvimento maior da comunidade nas reuniões e ações do Projeto Doces Matas exigiam a ampliação dos espaços para oficinas, reuniões e contato com a mata, com o "hábitat do muriqui".

Assim, em 1999 através do apoio financeiro da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza e do Doces Matas foi desenvolvido um projeto arquitetônico para melhoria das instalações da reserva, a implantação de um quiosque para oficinas e reuniões com a comunidade, de três sanitários (feminino, masculino e pessoas portadoras de necessidades especiais), de uma trilha interpretativa e de placas de sinalização.

A Trilha Interpretativa Embaúba

A trilha da Embaúba foi aberta com o objetivo geral de sensibilizar o visitante para a questão dos recursos hídricos, especificamente do córrego do Sossego que abastece muitas comunidades de entorno da Reserva. A escolha de uma abordagem voltada para os recursos hídricos se justifica uma vez que ao longo tempo com a prática do café, principal atividade econômica da região, a qualidade da água ficou bastante comprometida. Este fato é sentido pela população local que percebe a redução deste recurso durante o passar dos anos. Diante desta situação, buscou-se especificamente, com a trilha atingir os
seguintes objetivos:

. proporcionar ao visitante melhor entendimento das questões ambientais relacionadas à mata ciliar do Córrego do Sossego, às suas águas e às vertentes próximas de seu vale ao mesmo tempo que serão proporcionados momentos de recreação e prazer;

. propiciar o desenvolvimento do pensamento crítico dos visitantes a respeito das problemáticas ambientais ligadas à qualidade de água dos córregos, dando a eles a possibilidade de distinguir atitudes corretas de outras que prejudiquem a qualidade do meio ambiente;

. estimular o exercício da cidadania dos visitantes fazendo com que se sintam responsáveis por ajudar para que se melhore a qualidade de vida nos aspectos ligados à saúde do Córrego do Sossego;

. integração do visitante ao meio ambiente que o cerca desenvolvendo nele o sentimento de fazer parte da natureza que o envolve.

A metodologia adotada para a interpretação da trilha da Embaúba congrega o elemento humano através da presença do guia com o sistema autoguiado por meio de placas interpretativas e um folder. O objetivo é que estes meios sejam utilizados de maneira conjugada para que o visitante possa desfrutar dos benefícios de cada um deles.

O planejamento desta trilha seguiu basicamente os mesmos passos citados para a elaboração do Plano de Interpretação. Inicialmente, foi feito um trabalho de campo percorrendo a trilha com o objetivo de levantar todas as potencialidades interpretativas. A trilha corre ao longo do Córrego do Sossego e possui baixo nível de dificuldade para sua realização.

O público visitante da reserva é principalmente a própria população local, do entorno do Sossego. Conforme questionários que são aplicados pela Fundação Biodiversitas a todos que visitam a reserva, muitos têm o interesse de ver o muriqui nas matas do Sossego. Há visitas também de universitários, pesquisadores e fotógrafos, porém em menor proporção.

Levando-se em consideração o público majoritário da reserva e sua história, que é a das populações do Sossego, definiu-se como principal objetivo do Plano de Interpretação a sensibilização das pessoas quanto à necessidade de proteção das matas para assegurar a qualidade das águas da região, que já havia sido previsto pela Fundação Biodiversitas.

Assim, definiu-se a mensagem que gostaríamos de passar aos visitantes da trilha: se você ajudar na preservação das matas ciliares e na não poluição direta dos córregos, a proteção da qualidade e da quantidade das águas que consumimos estará garantida.

Ao longo da trilha foram identificados os seguintes tópicos para serem abordados: a mata ciliar, a serrapilheira, as nascentes e a presença humana na área. Todos estes tópicos estão relacionados com o tema central da trilha. Para que a mensagem fosse transmitida de forma eficaz para o visitante, definiu-se os pontos que seriam trabalhados durante a caminhada de acordo com os principais tópicos escolhidos: água e mata ciliar. A quantidade de pontos foi definida tendo em mente o tamanho da trilha: sete seria um número pertinente, não sendo cansativo por estar bem distribuído pelo caminho. A ordem dos pontos foi estabelecida pelos tópicos a serem abordados em cada um.

1. O primeiro ponto é na entrada da mata às margens do córrego. A intenção aqui é chamar a atenção para a qualidade da água. Para tal o texto utilizado é:...QUERO SER O CRISTALINO FIO D'ÁGUA QUE MURMURA E CANTA NA MATA SILENCIOSA"... (Helena Kolody) O QUE PODEMOS FAZER PARA TERMOS UMA ÁGUA
LÍMPIDA COMO ESTA?

2. Neste ponto o objetivo foi mostrar a espécie que deu o nome à trilha e qual é o seu papel dentro da mata por onde o visitante está caminhando. COM A RETIRADA DA MATA, A EMBAÚBA É UMA DAS PRIMEIRAS A COLONIZAR A TERRA PARA QUE OUTRAS ESPÉCIES POSSAM CRESCER.

3. Apesar de se encontrar bastante regenerada ainda existem na área testemunhos da antiga ocupação. AMEXEIRA - ELA É UM TESTEMUNHO DA ANTIGA OCUPAÇÃO HUMANA DESTA ÁREA QUE AGORA SE ENCONTRA EM RECUPERAÇÃO.

4. Além das árvores em si, a manutenção de todo o sistema Mata ciliar- é assegurado pelas condições do microclima local e pelas características edáficas. Portanto, é necessário chamar a atenção para a importância da camada de proteção que recobre o chão sob a mata. SERRAPILHEIRA - ESTA CAPA DE FOLHAS
MORTAS E GALHOS NO CHÃO É CONHECIDA COMO SERRAPILHEIRA. ELA FORNECE NUTRIENTES PARA A MATA E AJUDA A PROTEGER O SOLO.

5. Outro elemento de fundamental importância na manutenção da qualidade das águas do Sossego é garantir a existência de seus afluentes que são um dos elementos de abastecimento do próprio córrego. Por isso, neste momento chamar a atenção para eles.PROTEGER OS PEQUENOS AFLUENTES É ASSEGURAR A VIDA DOS NOSSOS RIOS.

6. Finalmente, ao sair da trilha o tema principal é retomado para que o visitante possa refletir. A ÁGUA É UM BEM MUITO PRECIOSO QUE DEPENDE DAS MATAS CILIARES. A SUA CONSERVAÇÃO ESTÁ EM NOSSAS MÃOS.


Seleção de Materiais e Projeto Arquitetônico

A sinalização da reserva é parte do projeto global da estrutura de visitação, que envolve ainda melhorias nas estruturas arquitetônicas, criação de trilha interpretativa e outros pontos. Desde o início a integração com a paisagem, aspectos estéticos, simplicidade de execução, durabilidade e baixo custo foram as palavras chave, norteando a escolha dos materiais e aspectos de projeto.

A primeira etapa do projeto foi a concepção do pórtico de sinalização da entrada da reserva, que seria um marco de chegada. Foi pensado como uma estrutura simples, porém com desenho interessante e atual, que ficasse integrado à paisagem devido à suas proporções, cores, etc... Os materiais escolhidos foram basicamente madeira e metal. Para a estrutura o eucalipto imunizado em peças roliças, madeira de reflorestamento de baixo custo e boa durabilidade. A cobertura foi confeccionada na forma de uma chapa de aço SAC-41, material resistente à corrosão progressiva e que apresenta em sua aparência "enferrujada" uma interessante integração com as cores predominantes da paisagem. Outro material utilizado é um sistema simples de fixação da cobertura e placa, feito em cabos tensionados e esticadores, ambos em aço galvanizado.

A placa de sinalização propriamente dita foi confeccionada em chapa de alumínio, sendo a mídia realizada em películas de vinil colorido com elementos em silk-screen. Protegendo esta camada existe ainda uma película incolor anti-pixação. A programação visual das placas foi realizada por firma especializada e o padrão visual e materiais da placa principal foram adotados para o restante da sinalização, produzindo uma unidade interessante.

A escolha dos materiais das placas foi resultado de uma pequena pesquisa onde materiais como madeira compensada, chapa de aço, MDF (Medium Density Fiberboard) e técnicas como pintura direta e silk screen total foram cogitados mas deixados de lado em função da escolha final. Esta se mostrou mais adequada às condições de durabilidade e praticidade de execução, sendo porém o custo um
pouco mais elevado que outras opções.

Quanto à fixação do restante das placas existem dois sistemas básicos. O primeiro para as placas de sinalização padrão de estradas de acesso da reserva, com poste único em madeira pintada em branco e fixação direta por parafusos. O segundo sistema, utilizado na área da reserva e trilha interpretativa buscou mais uma vez a integração de materiais. Foi elaborado um sistema de postes duplos de eucalipto imunizado roliço, onde a placa de alumínio se encaixa em sulcos e fica travada com parafusos. As placas do interior da trilha são inclinadas 60° para trás, visando um melhor ângulo de visualização. Nos dois sistemas as peças de madeira são fixados em bloco de concreto diretamente no terreno.

A execução das placas e sistemas de fixação ficou a cargo de firma especializada em sinalização, surgindo alguns pequenos problemas, principalmente devido à compatibilização de montagem final, que foram porém resolvidos no local. Somente a estrutura e cobertura do pórtico de entrada foi montada no local por mão de obra também local. Sua execução e montagem foi de grande praticidade, ficando o resultado final bastante satisfatório.

Considerações Finais

O resultado geral da implantação do sistema foi avaliado como muito bom, considerando-se a dificuldade de acesso da reserva e as limitações de custos e mão de obra. Foi constatado o envolvimento da comunidade na execução do sistema e, depois da finalização da instalação, teve início um processo de "adoção" pelas comunidades das estruturas construídas, visando sua utilização e contribuição na conservação.

O conjunto de sinalização constitui um interessante campo de testes para os materiais e técnicas, podendo sua durabilidade ser acompanhada e avaliada no decorrer do tempo. O sistema pode até mesmo se tornar uma opção interessante para aplicação em outras áreas e mesmo na continuação da sinalização da reserva da Mata do Sossego e em outras unidades de conservação. A continuidade das visitas autoguiadas e das entrevistas com os visitantes possibilitarão o aperfeiçoamento do Plano de Interpretação Ambiental da RPPN.

Além disso, o trabalho integrado de profissionais de diferentes formações e olhares, mas comprometidos com a gestão e manejo de áreas protegidas propiciou maior agilidade e integração conceitual do plano interpretativo. O fato da gestão da RPPN estar baseada nos princípios do manejo participativo facilitou o processo de envolvimento das comunidades do entorno durante as etapas de implantação e conservação das trilhas.

Esta experiência reforça a nossa convicção de que a IA é uma ferramenta de significativa importância para a plena gestão e manejo de áreas protegidas e que quando utilizada com consistência técnica facilita o alcance dos objetivos fins da unidade, a conservação de biodiversidade e a conscientização das comunidades do entorno e visitantes quanto ao patrimônio natural e cultural que essas áreas guardam. Além disso, percebe-se a necessidade de serem ampliadas as formas de divulgação das técnicas de concepção, implementação e conservação de trilhas interpretativas, no sentido de oportunizar que mais técnicos conheçam a diversidade de abordagens dessa disciplina.

Referências Bibliográficas

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VASCONCELOS, J. Trilhas Interpretativas: aliando educação e recreação. IN: CONGRESSO BRASILEIRO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO. ANAIS. Curitiba: IAP. 1997. VOL. 1 pág. 465 - 477






Convite à participação: a Agenda 21 no município de Foz do Iguaçu – PR


Profª MSc Patrícia Garcia da Silva Carvalho Mena Gomes
Coordenadora do Curso de Ciências Biológicas da FAA – Foz do Iguaçu

A questão ambiental passou a estar claramente vinculada à dimensão social no ano de 1992, no Rio de Janeiro, quando da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, na qual foi aprovada e divulgada a Agenda 21 e quatro outros acordos: a Declaração do Rio, a Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas, a Convenção sobre a Diversidade Biológica e a Convenção sobre Mudanças Climáticas.

A Agenda 21 é um plano de ação para ser adotado global, nacional e localmente, pelos governos e pela sociedade civil, nas regiões em que a ação humana transforma e impacta o meio ambiente. Este documento tem como eixo norteador um novo padrão de desenvolvimento para o século XXI, cujo alicerce é a sinergia da sustentabilidade ambiental, social e econômica, perpassando em todas as suas proposições.

A sustentabilidade está alicerçada em três premissas básicas: o equilíbrio ecológico, a justiça social e a viabilidade econômica que devem ser incorporadas pela sociedade na forma de compromissos com a mudança da matriz de desenvolvimento no século XXI, com o objetivo de assegurar a qualidade de vida no planeta, hoje e para as futuras gerações.

As nações, os estados brasileiros e os municípios têm o compromisso de construir a Agenda 21 que deve resultar de um movimento de mobilização social, de um planejamento participativo, de forma que possam ser formadas parcerias para a solução dos problemas sociais e ambientais, a partir da análise do cenário atual e da proposição de ações integradas e sistêmicas que envolvam as dimensões econômica, social, ambiental e político-institucional da localidade.

Neste contexto, o Prefeito Municipal de Foz do Iguaçu, Estado do Paraná, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela alínea "a", inciso I, art. 86 da Lei Orgânica do Município e de acordo com o disposto no Decreto nº 15.406, de 24 de junho de 2006, resolveu designar membros titulares e suplentes para constituírem o Fórum 21, indicados pelos respectivos órgãos, entidades ou classes que representam, envolvendo assim, entidades governamentais e a sociedade civil organizada.

À frente deste movimento estava a Secretaria Especial da Rio+15, e mais recentemente, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) que, atualmente, tem assumido a função de Secretária Executiva, organizando as reuniões e conduzindo os trabalhos. Apesar de estarem representados 23 órgãos governamentais, 12 entidades da sociedade civil, 5 instituições de ensino superior (IES) e 5 escolas públicas, o processo tem sido lento e fragmentado, pois não existe uma continuidade de participação dos membros titulares e suplentes, o que ocasiona descontinuidade das decisões e das ações traçadas, gerando-se um sentimento de inoperância, “vamos começar tudo de novo!”.

Em março de 2006, apesar de todos os esforços da equipe, a primeira pré-conferência realizada na região de Três Lagoas pode ser considerada um fracasso, participaram da comunidade local, apenas, cerca de 20 pessoas, e o discurso, naquele momento, do representante da secretária da Rio+15, não foi o mais assertivo.

A partir desta experiência, a equipe resolveu recomeçar, e assim, em julho reiniciaram-se as reuniões através de convocação oficial das instituições pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Faculdade Anglo-Americano disponibiliza-se para sediar as reuniões temáticas (Cidades Sustentáveis e Infra-estrutura, Gestão dos Recursos Naturais, Desigualdades Sociais, Turismo e Agricultura Sustentável) e de todo o grupo. Com uma agenda já definida de realização das pré-conferências para o ano de 2007.

Atualmente, os grupos preparam o diagnóstico das ações municipais em cada eixo temático. Mas o que percebemos, ainda? Baixa participação da comunidade, baixo comprometimento das instituições governamentais e a certeza de que sem a doação quase incondicional da equipe da SMMA, de professores municipais e de professores das IES's, o processo estaria em “águas de bacalhau” como diriam nossos amigos portugueses, ou seja, em banho-maria, ou estagnado.

Como superar este quadro? Podem ser apresentadas algumas proposições:

•  A população necessita sentir que a Agenda 21 é uma das prioridades dos governantes e que a mobilização social frutificará em ações voltadas para o bem-comum, desvinculadas da conjuntura político-partidária;

•  A municipalidade deverá perceber que o processo de mobilização social só atingirá o seu principal objetivo, se os meios de comunicação de massa compreenderem a importância de participarem efetivamente na construção do processo participativo, como instrumento de informação e acesso qualificado à população;

•  Cada indivíduo-cidadão deverá atuar como fomentador da Agenda 21 nos espaços de convivência diária, pois a cidadania configura direitos e deveres associados ao bem-comum;

•  A comunidade técnica necessita flexibilizar a linguagem para que possa acessar a maior diversidade de perfis sociais e contribuir na construção da capacidade de articulação e mobilização social.

Considerando-se as proposições acima nos deparamos com um fator-chave, a cidadania tem estreita relação com a bases culturais e educacionais de uma sociedade e a nossa sociedade brasileira necessita desenvolver a cultura do planejamento participativo, do compartilhar de decisões e estimular a vivência da cidadania. Contudo, esta necessidade confronta-se com a grande mácula do nosso modelo de crescimento econômico, os baixos índices de educação e o analfabetismo.

Mobilizar comunidades carentes, despojadas de saneamento básico, de ensino fundamental, associadas a um mercado informal de trabalho, vinculado ao comércio na fronteira Brasil-Paraguai exige capacidade técnica dos gestores, comprometimento governamental e atitude solidária daqueles que já se reconhecem como cidadãos.

Assim, reconhecemos que o engajamento dos coordenadores e alunos dos cursos de Gestão Ambiental e de Ciências Biológicas tem contribuído nessa construção, mas gostaríamos de convidar a comunidade da FAA e a sociedade de Foz do Iguaçu para conhecer e participar da Agenda 21 de Foz do Iguaçu, pois o esforço de planejar o futuro, com base nos princípios da Agenda 21, gera inserção social e oportunidades para que as sociedades e os governos possam definir prioridades nas políticas públicas.

Foz do Iguaçu precisa conquistar novos caminhos e vivenciar novos olhares a caminho de uma sociedade mais solidária e ética. Podemos fazer do movimento de concepção da Agenda 21 uma oportunidade de aprendizado participativo para a construção de uma nova realidade social, ambiental e econômica, ou encará-lo como um desafio inalcançável.

Caro leitor, cada um de nós ao se colocar como sujeito nesta realidade deverá escolher com qual olhar irá trilhar o seu futuro-próximo, seja em Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro, Caxias do Sul, Belo Horizonte, Brasília ... em qualquer parte do planeta Terra-Brasilis.




Qual a importância da inovação para as empresas?


Ana Maria Wisniewski 1
Joe Ricardo Visinoni 1
Luciano Aparecido Campos 1
Soraya Mchaileh 1
José Carlos Rolim de Moura 2

Resumo

O objetivo deste artigo é demonstrar como a inovação pode transformar o portfólio dos produtos de empresas em melhorias, pois a conquista de novos clientes e manter os melhores é o que todas as empresas almejam. Para isso a criação de novos produtos é fundamental para que a organização permaneça no mercado e prosperem, tornando-se cada vez mais competitivas. Este artigo é um estudo de revisão teórica e reflexivo sobre como a inovação esta impactando as organizações.

Palavras-chave: Inovação. Competitividade. criatividade.


Introdução

Num mundo em que a velocidade das transformações é cada vez maior, as empresas que não inovarem ou inovarem regularmente podem perder sua participação no mercado e consequentemente sua liderança. O objetivo de toda e qualquer empresa é conquistar novos clientes, reter ou manter seus atuais clientes e conquistar potenciais clientes, obtendo assim uma alta lucratividade. No cenário competitivo atual, não se consegue gerar lucros maiores sem criar novos produtos e para isso é preciso inovar, cortar os custos utilizando as ferramentas gerenciais que estiverem disponíveis.

A arte da inovação não se limita somente ao produto, pois ela pode surgir no processo, na gestão, na abordagem ao mercado. Um dos pilares da inovação é a orientação e perfil de uma equipe para perseguir de forma consistente seus objetivos, para isso é preciso que além do perfil técnico forte, da experiência e conhecimento do mercado se processe uma mudança de mentalidade na forma de se relacionar. É primordial obtermos informações com todas as áreas e departamentos junto aos nossos clientes. Os resultados destes contatos e observações é que serão os insumos da inovação. Somente por meio destes processos e metodologia é que as empresas introduzirão novos produtos que solucionem as necessidades e desejos de seus clientes. A inovação é definida por Peter Drucker como o esforço para criar intencionalmente, uma mudança centrada no potencial econômico ou social de uma empresa, e pode ser vista como o resultado das capacidades de aprendizado e de conhecimento relevante aplicadas à entrada de um novo produto ou proceso no mercado.

A habilidade de ouvir o mercado é a real vantagem competitiva, o desenvolvimento da capacidade de questionar premissas é fundamental para descobrimento de novos mercados. Formar uma equipe com estas características, porém, pode demandar muito tempo e treinamento. É preciso criar uma cultura de pensamento de longo prazo para que se possa adquirir a competência de enxergar mais longe, e por isso mesmo desenvolver habilidades e características que ajudarão a conseguir mais facilmente a transformação das informações em idéias e estas em riqueza e lucros para as empresas. É preciso investir recursos e tempo na adoção desta filosofia porque esse processo de transformação exige recursos ininterruptos e demora alguns anos para que os resultados comecem a aparecer.

Alguns autores como Stevens (1998) consideram que a gestão da inovação deve ocorrer de forma permanente, o que será descrito na seqüência. Já Drucker (?) considera que a inovação foi o que criou a verdadeira economia empreendedora nos Estados Unidos, e durante os últimos dez a quinze anos como sendo o acontecimento mais significativo e promissor na história econômico- social recente.


Inovação como inspiração?

Para Salim et al (2005) inovação é a capacidade de criação de novos produtos/serviços, seja por novas formas de apresentação, seja utilizando um produto/serviço já existente. Também pode ser uma nova maneira de fabricar algo ou de prestar um serviço que represente ganhos de alguma espécie.

Já para Drucker (2001) considera a inovação não como algo miterioso, talento ou inspiração, mas sim como tarefas de propósito deliberado que podem ser organizadas e assim ser considerados como um trabalho sistematizado. 

Assim, de fato, a inovação pode ser considerada como parte integrante do trabalho do executivo. Drucker (2001) complementa que não se trata de uma ciência, nem uma arte, e sim uma prática. Porém, como em todas as praticas, a Medicina ou a Engenharia por exemplo , é um meio para um fim. Na verdade, o que constitui conhecimento em uma pratica é, em grande parte, definido pelos fins, isto é, pela prática.

Aqui é importante ressaltar que o trabalho de Drucker sobre inovação começou a trinta anos, em meados da década de 50. Nesse período, ele reuniu um grupo durante dois anos na Graduate Business School da Universidade de Nova York, para um longo seminário noturno sobre Inovação e Empreendimento.

Ressalte-se o tempo que durou o seminário: dois anos. Hoje fala-se em seminários ou mesmo simpósios, imagina-se um evento único, que após ocorrer, acaba sendo logo esquecido, mesmo quando seus resultados incentivem o aprofundamento do tema abordado.

No tópico anterior comentou-se que Stevens (1998) posicionou que as organizações devem estar constantemente preocupadas com a inovação. A especialista em criatividade, Karen Anne Zien, detectou cinco características comuns as organizações dinâmicas e inovadoras:

1. A inovação é generalizada.

Todos, sem exceção - do porteiro ao presidente - sentem-se comprometidos com o processo de inovação. Não existe um grupo especifico encarregado de zelar pela criatividade.

2. A inovação é estimulada.

O clima de inovação é instaurado pelo dirigente da empresa, embora ele não seja necessariamente um inventor. Toda idéia nova é bem-vinda e a criatividade e a ousadia são recompensadas.

3. A inovação não tem limites

Os experimentos estão por toda parte. Não se restringem à área tecnológica.

4. A inovação é cultuada.

As conversas nas empresas inovadoras são pródigas em histórias e lendas de pessoas que introduziram novidades, às vezes até quebrando as regras.

5. A inovação é interativa.

Existem vários canais de comunicação abertos para garantir uma autêntica interação entre a direção e os funcionários, os técnicos e os vendedores,  a empresa e os clientes. Essas ricas e profusas redes não são rigidamente controladas.

Enfim, a inovação deve fazer parte da filosofia da empresa, deve estar "no sangue" da organização, para assim ela se destacar e ser mais competitiva.


METODOLOGIA

Este artigo se desenvolveu como uma pesquisa bibliográfica sobre o tema inovação. É um estudo teórico reflexivo sobre o tema, procurando-se compreender como a inovação influencia as organizações modernas.


CONCLUSÃO

As idéias apresentadas neste artigo apontam para a importância que a inovação adquiriu na agenda das organizações modernas. A empresa que não se preocupar em criar e estimular a inovação de seus colaboradores, enfrentará com certeza períodos de muita dificuldade.

Os estudos sobre o tema apontam que o grande diferencial das organizações competitivas tem sido a inovação. Em algumas empresas é o que tem sido seu diferencial no mercado, haja visto o caso das empresas de tecnologia e de fabricação de celulares, como exemplo.

Não pretendeu-se esgotar o tema neste artigo, apenas apresentar alguns aspectos relacionados a inovação, tema palpitante nas organizações que fazem a diferença no mercado, imprimindo sua imagem e fazendo sucesso.


REFERÊNCIAS

DRUCKER, Peter Ferdinand. Inovação e espírito empreendedor: (entrepreneurship) prática e princípios. 6. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.

Salim, César Simões; Hochman, Nelson; Ramal, Andréa Cecília, Ramal, Silvina Ana; Construindo Plano de Negócios; 3.ed. ver. E atualizada - Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

STEVES, Tim  Gerenciamento das idéias HSM Managment. São Paulo, v.1, n. 6, p. 71-73, jan./fev. 1998

1 alunos
2 professor






Surge o Curso de Pedagogia no ISEAAFI


Por Cátia Regina Guidio Alves de Oliveira*

O município de Foz do Iguaçu, pólo turístico e privilegiado geograficamente, encontra-se em uma região de tríplice fronteira com outros dois países – Paraguai e Argentina – o que lhe reserva características específicas como, por exemplo, uma grande diversidade cultural, constituída por mais de setenta e duas etnias diferentes, o que a torna mais fascinante quando se trata de enfrentar o desafio de formar professores para atuarem nesse contexto culturalmente rico, no qual aprender a trabalhar com as diferenças constitui um dos elementos definidores do perfil do profissional da Educação. Estas variantes foram pensadas, avaliadas e levadas em consideração pelos dirigentes, coordenadores e docentes da ISEAAFI, com o intuito de tornar concreto esse perfil profissional, exigido pelo contexto regional.

Os estudantes do Curso de Normal Superior estão na iminência de saírem para o mercado de trabalho. Todos estão na expectativa e na esperança de conquista de espaço. Este depende de uma série de variáveis, entre as quais assumem grande importância o fortalecimento da qualificação e a consistência da formação.

Neste sentido, todas as disciplinas, projetos e atividades realizadas durante o curso buscaram subsídios para isso, a partir de um mergulho na realidade presente. Foi com este propósito que o Curso de Normal Superior, do Instituto Superior de Educação Anglo-Americano, desenvolveu uma série de trabalhos que confirmam a concretização do Projeto proposto quando autorizado. Tais atividades expressam o compromisso com a formação dos acadêmicos, pelo exercício da política da Instituição – Ensino, Pesquisa e Extensão. Dentre tantas realizadas destacam-se:

  • O projeto de responsabilidade social, junto ao Hospital Costa Cavalcanti     intitulado: O Lúdico como instrumento de qualificação da saúde – Normal     Superior Anglo-Americano e Hospital Costa Cavalcanti , que foi executado     por uma equipe de professores e acadêmicos;

  • O Projeto Formação de Monitores Ambientais , desenvolvido em parceria com  a Escola Parque;

  • Os cursos de Extensão de Alfabetização ;

  • O Curso Uso da trilha ecológica como fonte para o estudo do meio     ambiente;

  • O Curso Práticas para o desenvolvimento da linguagem oral da criança ;

  • O Curso M atemática por meio do material dourado ;

  • O Curso A educação e o lúdico, br incadeira de roda e o ensino ;

  • O Curso de extensão Educação Ambiental ;

  • O Curso de preparação para o Projeto de humanização hospitalar .

Outros Projetos Interdisciplinares e Oficinas estiveram também presentes como componentes curriculares. Elementos que se constituem, sem dúvida, como espaços integradores na estratégia dos programas de formação por possibilitarem o trabalho participativo de forma individual ou coletivamente.

Tais elementos se complementaram, no desenho curricular, com as disciplinas contempladas no decorrer do curso, e foram, por sua vez, espaços interdisciplinares destinados tanto para consolidar a formação pedagógica que constituiu a base docente do Curso, e na qual se apoiou humana, técnica e cientificamente o profissional para o exercício de seu trabalho, como para fazer ponte entre a realidade desse profissional em formação e a prática pedagógica das escolas. Isto visando à análise global e crítica da ação educativa dentro do contexto sócio-histórico, político e econômico em que irá atuar no exercício de sua profissão.

O Colégio de aplicação Anglo-Americano foi de fundamental importância na realização dessa tarefa.

Neste espaço foram vivenciadas práticas as quais acrescentaram elementos imprescindíveis à formação desses futuros professores, como, por exemplo, os Rallys culturais, as Feiras pedagógicas, os Projetos interdisciplinares, as Pesquisas de campo, as Feiras de ciências e a Brinquedoteca Itinerante.

Projetos de pesquisas importantes foram também implementados junto às escolas Municipais e Estaduais de Foz do Iguaçu para discutir temas atuais como: Educação Inclusiva; multiculturalismo; Avaliação; Conselhos de classe; alfabe tização; Educação de jovens e adultos; Educação Indígena e Educação do Campo.

A experiência adquirida pelos estudantes dentro do Hospital Costa Cavalcanti como “Contadores de história”, trouxe um suporte extraordinário que a br e a possibilidade de trabalho em outros espaços educativos diferentes da escola.

Foram desenvolvidas várias oficinas, tais como: Produção de materiais didáticos – construindo com sucatas e balões; Contadores de história ; Curso de Produção de Fantoches.

Palestras e encontros para discutir temas como: Prevenção ao uso de drogas; Ética, Projeto Político Pedagógico, Disciplina, etc.

Sendo assim, a Instituição proporcionou uma série de atividades que propiciam uma gama extensa de conhecimentos, seja de ordem teórica ou prática. Eventos que elevaram o nível de reflexão acerca das questões sociais, políticas, econômicas e que conseqüentemente interferem nas questões educacionais.

Este espaço de pesquisa e debate foi construído e vem sendo preservado durante todos os semestres, por se entender que é fundamental para o desenvolvimento de uma consciência profissional crítica e reflexiva .

As atividades realizadas a partir desses componentes curriculares a br angeram estudos e pesquisas nas diversas áreas do curso; simulações; práticas supervisionadas em ambientes escolares e não escolares; estudos dirigidos que culminaram em “Projeto de Graduação” individual.

O Curso de Normal Superior se despede, foi transformado. No seu lugar passa a existir o Curso de Licenciatura em Pedagogia , que já nasce reconhecido. Este curso traz a essência de um projeto que foi autorizado pelo MEC com os melhores conceitos, que ora se extingue, mas que, para atender a uma nova demanda de mercado, sai de cena para dar lugar a um outro projeto pedagógico moderno e totalmente sintonizado com as novas diretrizes implementadas para a área.

Contudo, a finalização desta etapa deixa um saldo muito positivo. Em fase de preparação da formatura da última turma do Normal Superior, a terceira, precisamente, pode-se destacar dados importantes que confirmam o sucesso do projeto concretizado. Dos cinqüenta e sete professores(as) formados por este Instituto, trinta e três estão atuando na Educação ou em espaços educativos. Dezesseis trabalham no Colégio e Faculdade Anglo-Americano. E vinte e um estão fazendo Pós-graduação. Estes são resultados expressivos que reforçam a competência e seriedade da Instituição e que despertam o sentimento de dever cumprido.

*A Professora Cátia Regina Guidio Alves de Oliveira é mestre em Educação Escolar pela FCL/UNESP e Coordenadora dos Cursos Normal Superior, Pedagogia e Letras, do Instituto Superior de Educação Anglo-Americano – Foz do Iguaçu.





Teoria econômica e as ineficiências de mercado


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano


Caro leitor, como toda ciência fervilhando de conhecimento e em constante expansão, a Ciência Econômica apresenta, em suas próprias (in)conclusões, a janela de seu crescimento. Pois bem, é sabido que relações entre competitividade, preços de equilíbrio e resultados “ótimos” são, dentre outros, o foco central da análise da Teoria Econômica (ortodoxa). A síntese dessas relações está presente na formulação dos teoremas do bem-estar (que são resultados clássicos a que chegam a Ciência Econômica).

O primeiro teorema do bem-estar diz que os equilíbrios competitivos são, necessariamente, “Ótimos”. Do segundo teorema do bem-estar, sabe-se que, sob hipóteses adequadas, qualquer alocação ótima pode ser obtida de uma alocação competitiva eficiente. Por meio das suposições desses teoremas, os economistas clássicos (ou neoclássicos) concluem que a viabilidade da intervenção exógena (como a participação do governo), para variação da riqueza dos agentes no mercado, é estritamente limitada. Inclusive, as transferências de renda com o propósito de obter determinada distribuição objetivada têm, segundo os resultados dessa análise econômica, alcance praticamente nulo. No entanto, existem as falhas de mercado: situações em que algumas das suposições dos teoremas do bem-estar não são válidas e nas quais, como conseqüência, o equilíbrio de mercado não se realiza como uma situação “Ótima”. Essas falhas de mercado (que limitam o alcance dos resultados da teoria econômica) podem ser divididas em dois grupos conhecidos como: externalidades e bens públicos.

A análise da teoria econômica (ou mais estritamente da microeconomia clássica) admite que as preferências dos consumidores são definidas sobre um conjunto de bens no qual ele mesmo decide consumir. Similarmente, a produção de uma firma depende, somente, de suas próprias escolhas de insumos. Na realidade, um consumidor e uma firma podem ser, em algumas circunstâncias, afetados pela ação de outros agentes na economia. Isto é, podem ser afetados externamente pela atividade de outros consumidores ou firmas. Por exemplo, um pescador pode ser prejudicado por uma descarga nociva (poluição) de uma instalação química.

Importando esse conceito para dentro das preferências (dos consumidores) e das possibilidades tecnológicas (das firmas) a sua “nova” formulação é relativamente simples: necessita-se, apenas, das preferências dos agentes sobre suas próprias ações e aquelas criadas pelos efeitos externos. No entanto, o resultado sobre o equilíbrio de mercado é significativo. Em geral, quando os efeitos externos estão presentes, os equilíbrios competitivos não são necessariamente economicamente ótimos.

Já no caso dos bens públicos que, como o próprio nome sugere, são mercadorias que têm uma característica inerentemente “pública”, em que o consumo de uma unidade do bem por um agente não impede o consumo por outros agentes (são exemplos de bens públicos, dentre outros, as rodovias e o sistema de defesa nacional), as suas provisões privadas são um tipo especial de externalidade.

Se um indivíduo fornece uma unidade de bem público, todos os indivíduos tiram proveito. Como resultado, provisões privadas de bens públicos são tipicamente ineficientes economicamente.

Logo, mesmo se conservando toda a lógica da argumentação da economia neoclássica, pode-se chegar a resultados que possuam validade não ótima (ou ineficiente). Portanto, a ortodoxia econômica necessita, urgentemente, ser consertada (quem sabe por sua heterodoxia?).



A Geografia Humanística e a Percepção Ambiental: um olhar direcionado aos planejadores e gestores ambientais.


Patrícia Carvalho

Bióloga. Mestre em Geografia e Análise Ambiental.
Coordenadora do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas da Faculdade Anglo-Americano


Introdução

A percepção ambiental está inserida no contexto da geografia humanística que tem como principal base epistemológica a fenomenologia. Essa filosofia, a partir do final da década de 60 passa a orientar a atividade geográfica identificada sob o nome geral de geografia humanística, ou seja, o estudo dos espaços vividos e valorizados e a interpretação do papel das percepções e dos valores humanos em relação ao ambiente, buscando-se assim, compreender os padrões espaciais.

Dessa forma a percepção ambiental vem de encontro às críticas formuladas à nova geografia, dentre essas, o uso excessivo e quase exclusivo de técnicas quantitativas; o foco das pesquisas geográficas, centrado no contexto econômico, e a adoção de um neopositivismo cientificista e reducionista.

Assim, a geografia humanística trás em seu bojo as abordagens fenomenológicas, quais sejam, a descrição e a interpretação da experiência humana e a compreensão de como estamos e como nos sentimos para pensar sobre as coisas.Segundo Amorim Filho (2000), os fundamentos da fenomenologia moderna foram estabelecidos por Edmund Husserl que propõe a intuição essencial, a visão ou contemplação direta das essências, como totalidades concretas pela consciência e a noção de mundo vivido que permite entrar no fluxo de nossa experiência no espaço, no tempo e na sociedade.

Merleau-Ponty, filósofo francês, amplia as proposições de Husserl e propondo que a consciência está engajada no mundo, o que pode ser ccomprovado pelo estudo da percepção e do comportmento, e ainda , o conceito de espaço vivido.

E que o espaço não é apenas o meio no qual se dispõem as coisas, mas o meio pelo qual a posição das coisas se torna possível; o espaço é o campo das conexões de que depende a vida humana.

O contexto acima exposto, configura os pressupostos metodológicos da percepção ambiental:

  - Uso prioritário de técnicas qualitativas;
  - A busca mais da compreensão ou apreciação (valoração) da natureza, do que     da explicação;
  - Os elementos são incorporados ao mundo de um indivíduo através da     atribuição de significado a esse elemento;
  - Os fenômenos estão presentes como repositórios de significados, o que     permite a compreensão do comportamento do indivíduo no mundo;
  - A interpretação do discurso dos entrevistados e a categorização dessas falas     como instrumento de compreensão da inserção e integração do homem com o     meio;
  - A interpretação baseada em pontos focais tais como, valores, identidade,     atitudes/ comportamentos, níveis de responsabilidade e cidadania.

Busca-se compreender através das entrevistas o nível de implicação de cada entrevistado com o ambiente e com o seu espaço de vida. Para a psicanálise sujeito é aquele que incorpora e trabalha suas pulsões, desejos, passando de objeto de desejo a ser desejante, atuando e se implicando no atuar, no fazer e no sentir as suas energias psíquicas. Além disso, a psicanálise tem como pressuposto de trabalho a fala, a linguagem, a expressão do sujeito através das palavras, da ausência das mesmas, ou mesmo dos esquecimentos e das trocas vocabulares. Assim, a percepção ambiental lança mão da idéia do discurso do sujeito para interpretar e propor amarrações entre o Sujeito e o Lugar.

Segundo CARVALHO (2000) o fato das pessoas, hoje, terem a informação (fácil acesso, informação diversificada por vários meios) não implica em uma postura coordenada pelo conhecimento. Assim, segundo PENNA poderíamos dizer que essas pessoas não têm uma percepção do ambiente e do espaço em que vivem. De acordo com TUAN, esses indivíduos, ainda, não promoveram a transformação do espaço, em espaço vivido, em espaço de vivências e experiências permeadas por vínculos, também, afetivos, ou seja, o Espaço ainda não é Lugar!. Dentro da concepção da educação ambiental podemos reconhecer nesses sujeitos, pessoas sensibilizadas para a questão ambiental que devem ser alvo de ações educativas voltadas para a formação do cidadão para que desenvolvam o senso de cidadania.

Dessa forma, ao longo de um tempo, esses indivíduos estariam coordenando conhecimento e conduta, informação e atitude, assumindo responsabilidades e compartilhando no social deveres e direitos ao bem estar social e à harmonia do ambiente. Assim, o sujeito informado transitaria para o ser sensível até o cidadão – consciente. Vale ressaltar que o termo consciência tem raízes no latim (con scientia) que significa com conhecimento, aquele que age segundo um conhecimento.

Neste contexto, a percepção ambiental auxilia planejadores e gestores ambientais a traçar diretrizes para fortalecer e estabelecer novos vínculos hígidos entre o homem e o ambiente. Cabe assim, aos biólogos ambientais, gestores ambientais e geógrafos aprofundarem-se no campo de conhecimento da geografia humana, da psicologia ambiental e da educação ambiental, com o objetivo de atuarem na minimização dos impactos associados à transformação do ambiente pelas ações humanas e na manutenção da biodiversidade, assegurando-se a qualidade de vida das populações.

Bibliografia

BOCZAR, A. Psicanálise e Mal-Estar. Estudos de Psicanálise. n.17. Belo Horizonte: Círculo Brasileiro de Psicanálise, 1994. 27-30p.

CARVALHO, P.G. da S. Psicanálise, meio ambiente e cultura: um breve ensaio. Anais. III Jornada de Psicanálise do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, 2000. 20p.

FREUD, S. Sobre o narcisismo: uma introdução. (1914) ESB. 2. ed. V. XIV. Rio de Janeiro: Imago, 1996. 81-113 p._________. O mal-estar na civilização (1930) ESB. 2.ed. v.XX1. Rio de Janeiro: Imago, 1988. 67-148p.

LIPOVETSKY, G. A Era do Vazio: ensaio sobre o individualismo contemporâneo. Tradução: Miguel Serras Pereira e Ana Luísa Faria. Lisboa: Editions Gllimard, 1983. 204 p.

LYOTARD, J. F. A condição pós-moderna. Tradução: Ricardo Côrrea Barbosa. 5 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998. 131p.

PENNA, A.G. Percepção e realidade: introdução ao estudo da atividade perceptiva. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura, 1968. 183p.

PEREIRA, D.B. Açominas: uma paisagem industrial na percepção dos moradores de Ouro Branco. Belo Horizonte: Instituto de Geociências, UFMG. dez. 1995. 201p. (Dissertação, Mestrado em Geografia).

TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: DIFEL, 1980. 288p. (Tradução de: Lívia de Oliveira)



Instrumentos de Gestão Ambiental e Desenvolvimento Econômico Sustentável

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Prof. MSc. Joaquim Jorge Silveira Buchaim
Coordenador do Curso de Gestão Ambiental
Faculdade Anglo-Americano



Nessa época de prévia da ECO 2007 (que será realizada na cidade de Foz do Iguaçu), é importante relembrar que, no relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, denominado “Nosso Futuro Comum”, ficou clara a importância, dentre outras, da preservação ambiental. Nesse sentido, a ONU definiu, em 27/11/1990, 16 princípios para a Gestão Ambiental que, sob a ótica das organizações, são essenciais para atingirmos o desenvolvimento sustentado da economia. Os princípios são:

•  prioridade organizacional – reconhecer que a questão ambiental está entre as principais prioridades da empresa;

•  gestão integrada – integrar as políticas, programas e práticas ambientais, intensamente, em todos os negócios;

•  processo de melhoria – continuar melhorando as políticas cooperativas, os programas e a desempenho ambiental tanto no mercado interno quanto externo;

•  educação do pessoal – educar, treinar e motivar o pessoal, no sentido de que possam desempenhar suas tarefas de forma responsável em relação ao ambiente;

•  prioridade de enfoque – considerar as repercussões ambientais antes de iniciar nova atividade ou projeto;

•  produtos e serviços – desenvolver e fabricar produtos e serviços que não sejam agressivos ao ambiente;

•  orientação ao consumidor – orientar e, se necessário, educar consumidores, distribuidores e o público em geral sobre o correto e seguro uso, transporte, armazenagem e descarte dos produtos produzidos;

•  equipamentos e operacionalização – desenvolver, desempenhar e operar máquinas e equipamentos levando em conta o eficiente uso de água, energia e matérias-primas;

•  pesquisa – conduzir ou apoiar projetos de pesquisas que estudem os impactos ambientais das matérias-primas, produtos, processos, emissões e resíduos;

•  enfoque preventivo – modificar a manufatura e o uso de produtos ou serviços e mesmo os processos produtivos, no sentido de prevenir as sérias e irreversíveis degradações do meio ambiente;

•  fornecedores e subcontratados – promover a adoção dos princípios ambientais da empresa junto dos contratados e fornecedores;

•  planos de emergência – desenvolver e manter, nas áreas de risco potencial, planos de emergência;

•  transferência de tecnologia – contribuir na disseminação e transferência das tecnologias e métodos de gestão que sejam amigáveis ao meio ambiente;

•  contribuição ao esforço comum – contribuir no desenvolvimento de políticas públicas e privadas, de programas governamentais e iniciativas educacionais que visem à preservação do meio ambiente;

•  transparência de atitudes – propiciar transparência e diálogo com a comunidade interna e externa à empresa;

•  atendimento e divulgação – medir a performance ambiental. Conduzir auditorias ambientais regulares e averiguar se os padrões da empresa cumprem os valores estabelecidos na legislação.

Esses pontos colocados acima são questões que podem permitir a elaboração e o estabelecimento de um plano em que a estratégia ambiental da empresa se estenda, progressivamente, a todos os seus setores, de forma que, em um período de tempo relativamente curto, o planejamento, a organização, a direção e o controle da organização considerem com a mesma atenção os resultados econômicos, financeiros e ambientais.

No entanto, para se conseguir tal fim, as políticas públicas referentes às questões ambientais precisam atingir a consciência do empresariado nacional, por meio de um sistema “alocativo” de mercado das variáveis ambientais (tal como o sistema de preços de referências nos mercados econômicos). Logo, políticas que usam como base para avaliar sua efetiva ação a “sensibilização” dos setores não proporcionam credibilidade.

É importante, também, ressaltar que o ambiente e a economia são integrados e, por conseguinte, é literalmente impossível imaginar alguma forma de atingir a consciência daqueles que executam as ações organizacionais sem um mecanismo de mercado. Escolhas ambientais ótimas estão associadas a escolhas econômicas ótimas!

Por fim, não basta a ONU determinar ou propor uma “fórmula milagrosa”, tem-se a necessidade de investimentos na pesquisa da valoração econômica do meio ambiente. Além disso, tal trabalho deve ser desenvolvido por profissionais locais e não por “comissões pára-quedistas” que desconhecem os aspectos autóctones relacionados aos problemas ambientais. O desenvolvimento sustentável está intrinsecamente ligado às relações econômicas e organizacionais




Novas e velhas empresas vivas da nova e da velha economia

 


Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano – FAA
Foz do Iguaçu


No mundo das organizações, as empresas comerciais são membros recém-chegados. Elas existem há, apenas, 500 anos – uma minúscula fração de tempo no curso da civilização humana. Neste período, tem desfrutado de um enorme sucesso, como produtores de riqueza material. Foram e são responsáveis pela explosão populacional mundial, fornecendo os produtos e serviços que tornaram possível a vida civilizada.

Quando analisadas, à luz de seu potencial, no entanto, muitas empresas comerciais ainda têm um longo caminho a percorrer. Elas estão em uma fase primitiva de evolução; desenvolvem e exploram apenas uma pequena fração do seu potencial. Verifica-se, portanto, uma alta taxa de mortalidade.

Mas afinal: por que tantas empresas morrem jovens? As provas acumuladas indicam que as empresas fracassam porque suas políticas e práticas se baseiam, predominantemente, no pensamento e no não entendimento da linguagem da Economia. Em outras palavras, as empresas morrem porque seus executivos se concentram exclusivamente na produção de bens e serviços e se esquecem que sua organização é uma comunidade de seres humanos, que trabalham em uma empresa – de qualquer tipo – para se manter vivos. Os executivos se preocupam com a terra, o trabalho e o capital e negligenciam, muitas vezes, o fato de que o “trabalho” significa pessoas de verdade.

Mas, o que há de tão especial sobre as empresas duradouras? O que chamamos de “empresas vivas” têm uma personalidade que lhes permite evoluir harmoniosamente. Elas sabem quem são, entendem qual é o seu papel, valorizam novas idéias, novas pessoas e administram o dinheiro de uma maneira que lhes propicia controle sobre o seu futuro. As empresas vivas produzem bens e serviços para ganhar o seu sustento exatamente como nós fazemos por meio de nossos empregos. Precisamos aprender mais sobre longevidade empresarial.

Os traços mais comuns das empresas bem-sucedidas e de maior longevidade são:

•  Conservadorismo nas finanças: essas empresas não arriscam, gratuitamente, seu capital. Entendem o significado do dinheiro e como é útil ter reservas em caixa, com o qual podem agarrar oportunidades que seus concorrentes não conseguem. Não precisam convencer financistas sobre atratividade das oportunidades que desejam explorar. Essa reserva de caixa permite governar seu crescimento e evolução.

•  Sensibilidade ao ambiente externo: as empresas vivas são capazes de se adaptar às mudanças que ocorrem à sua volta. No vaivém de guerras, depressões, tecnologias e políticas, sempre primam por manter os “sensores ligados” em tudo o que está acontecendo em seu entorno. Em termos de informações, estão sempre atentas, são comprometidas com a aprendizagem e adaptação.

•  Consciência de sua identidade: a despeito da extensão de sua diversificação, os funcionários dessas organizações se sentem parte de um todo, o que representa ser uma sensação essencial para a longevidade da empresa.

•  Tolerância às novas idéias: as empresas longevas expandem seus conhecimentos e distribuem suas experiências. Reconhecem as novas organizações e entendem que é preciso estar dispostas a mudar quando for necessário.

Esses quatro traços formam o caráter essencial das empresas que vem funcionando com sucesso por centenas de anos. Dada a esta personalidade básica, quais as prioridades que seus executivos estabelecem para si e para seus subordinados? O executivo de uma empresa viva entende que dar continuidade à sobrevivência da empresa significa entregá-la a seu sucessor com, no mínimo, a mesma saúde que tinha quando ele assumiu o cargo.

Valorizar as pessoas, não os ativos: essa inversão das prioridades tradicionais de gestão é comprovada por vários estudos.

Organiza-se para aprender: é exatamente quando a empresa está totalmente organizada que as circunstâncias externas podem mudar. Elas precisam se organizar para isso. Novas tecnologias entram em cena, os mercados mudam, as taxas de juros flutuam, as preferências dos consumidores se alteram e a empresa precisa entrar em uma nova fase da vida. Uma vez adaptada ao novo ambiente, a organização deixa de ser o que era; ela evolui. Essa é a essência do aprendizado. Assim, os economistas afirmam que uma empresa cujo objetivo é produzir riqueza para alguns é como uma poça d'água: quando chove, expande-se; quando o sol aparece, quase seca. Mas, as gotas permanecem no fundo. Quando chove, mais pingos se juntam à poça e seu raio de influência se expande, encharcando o chão à sua volta. As poças de água não sobrevivem ao aquecimento. Quando o sol aparece e a temperatura sobe, a poça começa a evaporar. Até mesmo as gotas que permanecem no meio da poça correm o risco de se transformar em vapor.

Assim, uma empresa cujo objetivo é a sobrevivência se parece mais como um rio. Ao contrário da poça de água, o rio é um elemento permanente da paisagem. Se chover ele pode subir. Se fizer sol, pode baixar. Mas, somente uma seca prolongada e grave fará o rio desaparecer. Das perspectivas dos pingos de água, o rio é muito turbulento. Nenhum pingo permanece no meio do rio por muito tempo. De um momento para o outro, a água de outra parte do rio sofre uma mudança. Novos pingos substituem os antigos e todos seguem a correnteza.

A vida do rio é muito mais duradoura que a vida dos pingos de água. A empresa viva é exatamente como um rio. A empresa viva possui confiança mútua, entende o que significa “nós” e tem consciência dos valores comuns. As empresas vivas que aprendem têm uma chance de sobreviver e evoluir em um mundo que não controlam. As empresas vivas têm maior chance de durar mais. Desenvolvamos, pois, uma empresa viva.


A globalização e a economia local

Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano – FAA
Foz do Iguaçu

Um aparente paradoxo entre globalização e fatores locais parece guiar o debate moderno sobre as causas determinantes do desenvolvimento e da inserção das economias nos mercados internacionais. Por um lado, a globalização configurada em fatores como a padronização dos processos produtivos e a atuação das companhias multinacionais, aponta para o entendimento de que o papel das chamadas “iniciativas locais” possui menor importância para a análise do desenvolvimento das economias. De outro lado, tem-se a explicação de que os sistemas locais e nacionais (que englobam variáveis tais como: a cultura local, as tradições e o conhecimento específico) são essenciais para explicar o crescimento de cada região.

Ainda que a globalização tenha importância crescente na atualidade, a influência dos sistemas locais e nacionais de ensino, de relações industriais, institucionais, políticas, governamentais e culturais são tão ou mais relevantes.

Afirma-se que as fronteiras nacionais estão acabando. Contra essa afirmação contrapõe-se a existência dos sistemas locais , que são uma construção institucional que impulsiona o progresso nas economias modernas. Por meio da construção de um sistema de inovação, viabilizam-se os fluxos de informação e conhecimento científico e tecnológico necessários ao processo de crescimento econômico. Esses arranjos institucionais envolvem firmas, redes de integração entre empresas, agências governamentais, universidades, faculdades, institutos de pesquisa e laboratórios de empresas, bem como a atividade de pesquisadores, cientistas e engenheiros. Arranjos institucionais que se articulam com o sistema educacional, com o setor industrial e empresarial e com as instituições financeiras, compondo o circuito dos agentes que são responsáveis pela geração e difusão das inovações tecnológicas e pelo desenvolvimento econômico.

À primeira vista, a globalização pareceria oferecer uma “força à competitividade internacional”. Porém, durante os últimos 20 anos, 80% dos investimentos mundiais estiveram presentes apenas dentro da área composta pelos países ricos. Logo, esse fenômeno poderia ser descrito mais como “localização” do que como “globalização”. Ainda, a maior parte das atividades das multinacionais é administrada na matriz nacional das empresas e são muito influenciadas pelos seus respectivos sistemas de inovação. E, além disso, a propriedade e o controle dos seus processos de produção permanecem baseados nas plataformas de suas nações de origem.

Assim, é essencial enfatizar a interdependência entre o progresso econômico com os arranjos institucionais locais. Uma teoria econômica que ignora esta interdependência não será mais útil do que uma teoria de economia que ignora a interdependência entre preços e quantidades.

Logo, é importante que os empresários e autoridades locais (de Foz do Iguaçu, do Paraná e do Brasil) percebam que as políticas locais confrontam a necessidade para a solução de um problema dual: a difusão de tecnologias genéricas padronizadas é certamente importante e estas, às vezes, podem requerer investimento interno e transferência de tecnologia; porém, são também importantes políticas para encorajar a diversidade e a originalidade local.

Portanto, caro leitor, valorizar as raízes locais é uma variável importante para o desenvolvimento econômico de uma região.

Abraço e até o próximo artigo!


Conhecimento, Trabalho e Economia

Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano – FAA
Foz do Iguaçu

Caro leitor, uma verdade é inquestionável nos dias atuais: vivemos na época do conhecimento, na época do “trabalhador do conhecimento”, na época da “sociedade do conhecimento”. Mas, como podemos conceituar, exatamente, estes termos?

A idéia do “trabalhador do conhecimento” é velha, se por velho aceitarmos que ela foi elaborada nos anos 50 do século XX. Esse grupo social, que hoje é cerca de 1/3 da população ativa do planeta (e estima-se que será 40%, em 2020) é composta por todos aqueles ligados diretamente (ou indiretamente) à elaboração de “coisas” produtivas novas (inovações).

Por outro lado, o conceito de “sociedade do conhecimento” foi elaborado por P. Drucker (o mundialmente famoso economista e administrador) da seguinte maneira: “num sistema capitalista, o capital é o recurso de produção crítico, e está totalmente separado, e mesmo em oposição, com o trabalho. Na sociedade que estamos caminhando em direção, muito rapidamente, o saber é o recurso- chave. Não pode ser comprado com dinheiro nem criado com capital de investimento. O saber reside na pessoa, no trabalhador do conhecimento”. E o mesmo autor completou: “o capital está tornando-se redundante, isto é, está deixando de ser um 'recurso'. O capital é importante enquanto fator (ou meio) de produção, mas não é mais um fator de controle”. Como resultado dessa nova realidade, em meados dos anos 1990, o management, cada vez mais, era “invadido” pela análise histórica e sociológica, e mesmo pela filosofia.

Assim, os executivos (empresários e toda a sociedade) começam a ser confrontados com a necessidade de ter uma concepção de mundo diferente – não basta saber manusear “ferramentas” de gestão. É preciso, também, um conhecimento holístico, socialmente pautado e politicamente correto!

Neste contexto, é importante lembrarmos das lições da Ciência Econômica, que afirma: o maior aprimoramento das forças produtivas do trabalho, a maior parte da habilidade, destreza e bom-senso com os quais o trabalho é em toda a parte dirigido ou executado, são resultados da divisão do trabalho. E a Ciência Econômica continua ensinando: o valor de qualquer mercadoria, para a pessoa que a possui, mas não tenciona usá-la ou consumi-la ela própria, mas sim trocá-la por outros bens, é igual a quantidade de trabalho que essa mercadoria lhe dá condições de comprar ou comandar. Conseqüentemente, o trabalho é a medida real do valor de troca de todas as mercadorias.

Porém, o valor de troca das mercadorias é mais freqüentemente estimulado e percebido (pelos olhos do cidadão comum) pela quantidade de dinheiro do que pela quantidade de trabalho.

Mas, é o valor desses bens que varia e não o valor do trabalho que os compra. Sempre e em toda parte vale este princípio: é caro o que é difícil de ser conseguir, ou aquilo que custa muito trabalho para adquirir, e é barato aquilo que pode ser conseguido facilmente ou com muito pouco trabalho.

Por conseguinte, somente o trabalho, pelo fato de nunca variar em seu valor, constitui o padrão último e real com base no qual se pode sempre e em toda parte estimular e comparar o valor de todas as mercadorias. O trabalho é o preço real das mercadorias; o dinheiro é apenas o preço nominal deles!

Nessa situação, todo o produto do trabalho pertence ao trabalhador e a quantidade de trabalho normalmente empregado em adquirir ou produzir uma mercadoria é a única circunstância capaz de regular ou determinar a quantidade de compra e por quanto deve ser trocada (em outras palavras, o trabalho, em ltima instância, determina o preço das coisas!).

Assim, caro leitor, o trabalho e o conhecimento são as bases de uma sociedade economicamente vitoriosa.

 


Algumas estratégias para o sucesso econômico e financeiro pessoal


Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano – FAA
Foz do Iguaçu


É sempre bom nos lembrarmos que organizar o orçamento, salários e demais rendas pessoais, é, no nosso dia-a-dia, de suma importância. Assim, deve-se saber o que pode ser feito com o nosso dinheiro e se evitar contas descobertas no futuro. Nesse sentido, a gestão do orçamento individual (ou familiar) não deve mais ser feita de forma instintiva. É necessário acompanhamento detalhado, inclusive, fazendo-se projeções.

Para nos ajudar nesse intento, devemos lembrar que, conforme colocado pelo professor Gitman (um grande financista americano), da mesma forma que os princípios econômico-financeiros podem ser úteis em uma organização (empresa) eles também podem ajudar no gerenciamento das finanças e orçamentos, para estabelecer metas financeiras e desenvolver os planos financeiros no curto e no longo prazo para se chegar a metas pessoais. Antes de se fazer um pequeno investimento (como compra de vestuários, eletrodomésticos ou outros utensílios) ou um grande investimento de capital (como a aquisição de uma casa ou de um carro, por exemplo) é possível avaliar se o custo inicial está dentro da capacidade pessoal de pagamento e também determinar como financiá-lo – no caso de um carro, comparando alternativas como comprar a prazo, fazer um leasing ou um fazer um consórcio.

O gerenciamento de caixa (controle do dinheiro que entra e que sai do seu bolso) é outro trabalho crítico: ter recursos suficientes para pagar as contas, escolher corretamente as contas bancárias, investir os saldos positivos e conseguir empréstimos de curto prazo (como cartões de crédito e linhas de crédito bancárias).

Também, deve-se organizar e gerenciar o portfólio pessoal de investimentos (as inúmeras formas de se aplicar o dinheiro), assim como o plano de pensão ou aposentadoria próprio: economizando e investindo dinheiro para atender metas de longo prazo (como comprar uma casa, mandar os filhos para a universidade e ter recursos suficientes para se aposentar confortavelmente).

Portanto, antes de tomar qualquer atitude, faça uma análise honesta e cuidadosa de sua situação financeira. Lembre-se, fazer o orçamento caber dentro do salário é uma “arte” dominada por poucos. Mas, experimente pensar sobre essas dicas que seguem abaixo:

•  Reserve tempo para aprender – não importa se você é um universitário que trabalha meio expediente ou um executivo com uma carteira de investimentos, aprender um pouco sobre as finanças e sobre a economia é sempre muito importante.

•  Organize suas finanças – poucos de nós investiriam em um negócio que não mantenha registros financeiros ou que não tenha planos para o futuro. Logo, se você gerenciar suas finanças como espera gerenciar um negócio próspero, terá grandes chances de obter mais sucesso financeiro.

•  Estabeleça uma rotina – se você passar apenas alguns minutos por dia mantendo atualizadas suas informações financeiras, poderá evitar uma maratona mensal para tentar planejar o futuro ou certificar-se do pagamento das contas. Nesse sentido, faça o seguinte: use seu cartão de débito para compras sempre que possível; guarde seus recibos; conecte-se aos seus bancos on-line ; pague todas as contas nas datas de vencimento e; prepare-se, sempre, para os impostos.

•  Monitore rendimentos e despesas – nesse ponto, deve-se destacar que é muito importante saber exatamente de que parte vem o seu dinheiro e para onde ele vai a cada mês. Aqui fica a dica: liste tudo (tudo mesmo!).

•  Pague a você mesmo primeiro – se você é como a maioria das pessoas, provavelmente já tentou elaborar um orçamento, fez uma lista das despesas e dos rendimentos mensais e esforçou-se para manter o plano de poupança. No final do mês, apesar de suas boas intenções, sobrou muito pouco. O erro está na inversão da prioridade. Primeiro você deve especificar o quanto deseja poupar e quanto deseja aplicar em seu débito. Só então você examina suas despesas. Considerando que muitas delas são fixas, pode ser preciso ajustar os montantes pré-especificados para poupança e débito. Ainda assim, a prioridade é clara: a idéia é pagar a você primeiramente.

Por fim, caro leitor, lembre-se que o importante não é guardar muito, mas sempre!



Economia tradicional, a nova economia e as finanças


Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano – FAA
Foz do Iguaçu


NASDAQ. Todos ouvem essa palavra. Todos os dias. Alguns até podem imaginar que se trate de alguma coisa fantástica. Um dia desses pegamos dois alunos nossos discutindo sobre o NASDAQ. Um deles afirmava, categoricamente, que se ratava de uma firma japonesa; e o outro, asseverava que não, que NASDAQ estava relacionado com cientistas que estudam os seres extraterrestres.

Ocorre que nossos alunos estavam errados e nós os ensinamos que NASDAQ (a sigla que é formada pelo termo em língua inglesa: Nacional Association of Securities Dealers Automated Quotation) é o índice de um dos mercados de balcão dos Estados Unidos (a propósito, os mercados de balcão são mercados similares às bolsas de valores e que são responsáveis por cerca de 41% do total de volume, em dólares, das ações e demais papéis financeiros negociados endogenamente à economia americana ). As cotações da NASDAQ se referem, em um grau muito elevado, às flutuações das ações patrimoniais das empresas de tecnologia de ponta. Diz como vão essas empresas, que pertencem a um "novo" mundo econômico - que desponta com seus altos e baixos. Avanços e recuos. Como ocorreu, há cerca de dois séculos, quando do início da Revolução Industrial européia.

Os projetos empresariais dessa nova economia se multiplicam em todo o mundo, inclusive aqui em Medianeira e na região oeste do Paraná, com as fazendas e agroindústrias cada vez mais automatizadas. Essas empresas são empresas que vencem. Porém, também, são empresas que quebram.

Pois aqui reside uma dúvida: os empresários, a população, os economistas e os financistas tradicionais estão conscientes das transformações financeiras, econômicas e sociais desse novo mundo contemporâneo?

Para discutir sobre essa questão é necessário, antes de tudo, lembrar a primeira lição ensinada aos alunos de Economia e Finanças (a segunda deveria ser a denão escrever e falar difícil - defeito generalizado dentre os profissionais dessas áreas e, principalmente, dentre os professores dessas áreas). Essa primeira lição - aquela que vem logo depois do vestibular - é a seguinte: os desejos humanos não têm limites, por isso, as necessidades materiais da humanidade são ilimitadas. Insaciáveis. Mais ainda, elas multiplicam-se à medida que o ser humano vive mais e vive melhor. Todavia, os recursos econômicos, para fazer frente a essas necessidades são relativamente limitados - são escassos. Assim, terras para lavouras, edificações, água para reservatórios municipais, fábricas e armazéns não existem de forma irrestrita.

E se existissem não haveria desafios à humanidade. E sem desafios não haveria
progresso.

Ora, o princípio da escassez sempre foi a pedra angular da Ciência Econômica. Tome-se, aqui, um exemplo: a primeira tonelada de cobre explorada numa mina tem um custo monetário. A segunda tonelada tem esse custo mais alguma quantidade monetária adicional (podemos continuar este raciocínio até chegarmos a noção de custo marginal - que, explicando para os leigos, são aqueles custos que estão na margem da atividade econômica específica), o mesmo vale para a extração do petróleo, do ouro - porquanto todos eles: o cobre, o petróleo, o ouro são matérias-primas finitas. Limitadas. Têm até previsões para o seu fim. Essa regra, de forma relativa, vale para praticamente todos os recursos naturais renováveis. Por isso, a Economia tradicional e a visão financeira tradicional, em todas as suas trajetórias científicas e práticas, sempre tiveram suas teorias baseadas na escassez dos recursos naturais.

A nova Economia e a era financeira da contemporaneidade - a do NASDAQ - é diferente. Não mais pode ser analisada a partir do princípio da escassez. Passou a ser baseada no saber, no conhecimento - que são infinitos. Incomensuráveis. Ilimitados. E não têm previsões para o seu fim.

Observe-se, aqui, outro exemplo: a primeira cópia de um sistema operacional de
computadores do tipo Windows custou milhões de dólares. A segunda cópia custou apenas o preço comercial de um disquete de instalação do programa. Em outras palavras, a informação, o conhecimento e a capacidade e programar vêm jogando o preço dos produtos das empresas o NASDAQ ladeira a baixo. Daí seus êxitos e fracassos.

Essa nova lógica (que inclui a noção de networks, software e hardware), inclusive, deve ser bem percebida pelos empresários que querem ser vencedores.
O recurso principal da atividade econômica moderna e, conseqüentemente, da boa capacidade de solvência financeira é o conhecimento humano, é a capacidade inventiva do homem (ou, alternativamente, o capital intelectual). Sobre essa lembrança, que fique os pensamento do saudoso J. A. Schumpeter que sempre nos reiterou a importância do conhecimento e da inovação (e da importância central do empresário inovador) para a dinâmica econômica e financeira.

A nova Economia, bem como a saúde financeira da firma, têm sua base num recurso inesgotável: o conhecimento, que vem alcançando o ciberespaço. De tudo isso, uma simples observação: estamos adentrando para um período em que a educação do povo é a base do desenvolvimento econômico, financeiro e social da nova Economia labiríntica. Aqui, certamente, não existem atalhos, uma sociedade só encontrará o progresso quando seguir esse caminho.




Os vários significados do termo economia

Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano - FAA


Foz do Iguaçu Nossa noção do modo como o mundo funciona fundamenta-se, em grande extensão, na necessidade primordial de trocar bens com os outros e de nos tornarmos membros de uma sociedade mercantil. O mundo ficou tão ligado ao processo de vender e comprar coisas no mercado que temos dificuldades de imaginar qualquer outra maneira de estruturar os negócios humanos. O mercado é, de fato, uma força avassaladora em nossas vidas. Mas, o mercado é a economia, o que é economia?

Segundo o professor Paul Singer (um dos maiores nomes da área econômica do Brasil e ex-mestre deste articulista), podemos distinguir pelo menos três significados do termo "economia". O primeiro significado é a qualidade de ser estrito ou austero no uso de recursos ou valores. Quando dizemos: "Dona Maria é uma boa dona de casa. Ela é econômica", isso significa que Dona Maria trata de comprar pelo menor preço, nunca cozinha mais do que vai ser comido, evita que as coisas se estraguem. Dona Maria não é desperdiçadora, nem leviana, nem mão-aberta. Esta é a principal noção de economia do senso comum, ou seja, das pessoas comuns.

O segundo significado é a característica comum de uma ampla gama de atividades que compõem a "economia" de um país, de uma cidade (Foz do Iguaçu, por exemplo), etc. Aqui vale uma ressalva: não é fácil definir, com precisão, o que é "economia" neste sentido; por enquanto, contentar-nos-emos com a noção comum de que uma atividade é "econômica" quando visa ganho pecuniário, ou seja, quando proporciona a quem a exerce um rendimento em dinheiro (plantar, industrializar e comercializar soja, por exemplo, são, nesse sentido, atividades econômicas).

E o terceiro significado do termo "economia" se refere à ciência que tem por objeto a atividade (aquela que dá o segundo significado). A Economia (ciência - com letra maiúscula) é a sistematização do conhecimento sobre a economia (atividade). É nesse sentido que estão os dizeres dos professores de Economia. Veremos, ao longo deste artigo e dos demais (claro que não iremos dizer tudo agora, para que você, caro leitor, continue nos prestigiando) que tudo (tudo mesmo) o que se refere à economia é sempre (sempre mesmo) controverso, desde o sentido do que é Economia enquanto atividade até o status científico da Economia enquanto disciplina e área do conhecimento humano. Estas controvérsias já se travam a mais de duzentos anos (ou seja, desde a época em que a Economia surgiu como ciência - perceba, aqui, como nós, economistas, somos "bons de papo") e apaixonaram grandes espíritos (inclusive os nossos), cujas idéias inspiraram revoluções (como as idéias de Karl Marx, Vladimir Lênin, etc.) e contra-revoluções (como as idéias de John Keynes, Alfred Marshall, etc.) em todas as latitudes.

Estamos, na atualidade, tão longe de um acordo como nunca, embora haja progresso na compreensão do que está em jogo e na comprovação prática das teses básicas das principais escolas (ou correntes ou paradigmas). Depois de 150 anos de economia de mercado e de 50 anos de intervencionismo estatal regulador (e até mesmo de planejamento central) chegou-se o momento de a experiência histórica realimentar, inovando-a, à prática teórica.

No entanto, no sentido de dá alguma direção ao entendimento do que é Economia, podemos tirar um trecho do livro do professor Rossetti, que diz ser "Economia a ciência que estuda as formas de comportamento humano resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que, embora escassos, prestam-se a usos alternativos". Estes conjuntos de elementos conceituais (meios escassos, fins alternativos e ilimitáveis) estão presentes na maior parte das mais recentes "tentativas" de definição do termo Economia.

Pois bem, caro leitor, definir Economia não é fácil, mas, seu entendimento é necessário para a compreensão do mundo que nos rodeia. E ainda mais: a tomada de decisões econômicas por empresas e indivíduos é parte inerente à vida, embora isto nem sempre seja percebido. Estas decisões individuais (na linguagem Econômica, as decisões microeconômicas) são fortemente influenciadas por aquilo que está acontecendo ou virá a acontecer no ambiente geral da economia (ou no ambiente macroeconômico). Em decorrência disso, o conhecimento sobre o que esta acontecendo no ambiente mais amplo da economia do país e do mundo pode ter efeitos benéficos sobre a tomada de decisão, tanto por reduzir as chances de erro como pela avaliação das conseqüências possíveis em diferentes situações. Nesse sentido, vamos em frente e até o próximo artigo.

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