Jornal do Anglo







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Fernando Haddad, responsabilidade e dinamismo

Paulo Alonso

Oriundo do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, ele chegou ao Ministério da Educação para acompanhar o então recém-empossado Ministro Tarso Genro, que, ao assumir o cargo, substituiria um dos maiores ícones da educação brasileira, o professor Cristovam Buarque, primeiro dos três ministros da Educação do Governo Lula da Silva. Com a ascensão de Tarso Genro ao cargo de Ministro, Haddad fora convidado por ele e aceitara ser o seu Secretário Executivo, cargo que exercia com descrição e empenho até o surgimento das primeiras turbulências que abalariam o PT. Com a crise instaurada no PT, Tarso Genro é chamado por Lula para assumir, interinamente, a presidência do partido. Por uma mera circunstância, Haddad, seu substituto direto, acaba assumindo o cargo de Ministro de Estado da Educação, em julho do ano passado. No momento em que deveria dizer sim ou não ao convite, Haddad, conforme revelou na cerimônia de outorga do título Personalidade Educacional que lhe foi concedido no último dia 19, pela Folha Dirigida, Associação Brasileira de Educação e Associação Brasileira de Imprensa, recebeu uma ligação telefônica de sua mãe, que, preocupada com o peso, a importância e a responsabilidade do cargo, pergunta-
lhe: “meu filho, você vai mesmo aceitar o convite do Presidente?” Ainda meio atônito com o convite, Haddad responde-lhe: “mãe, eu só serei Ministro da Educação por causa dessa circunstância, caso contrário, jamais o seria. Por essa razão, vou aceitar. Posso ajudar à construção de um Brasil melhor.”

Há 15 meses no cargo, Haddad tem trabalhado bastante para fazer com que a educação brasileira, em todos os seus níveis, seja encarada como uma prioridade do Governo em que atua. Ele deu continuidade à discussão sobre a necessária Reforma Universitária, incluiu a avaliação institucional como bandeira de sua gestão, desenvolvendo junto com o INEP um importante trabalho de discussão e adoção de novas políticas públicas, que acabaram por redundar na criação do novo Sistema de Avaliação, assim como se dedicou em ampliar as vagas para estudantes carentes nas universidades privadas, por meio do Programa Universidade Para Todos, programa reconhecido e aplaudido em vários países e começando, inclusive, a ser adotado por outros. O PruUni é o maior programa educacional de inclusão e de justiça social já implantado no Brasil. O Fundef e os cursos tecnológicos também vêm recebendo um olhar especial de Haddad, dentre outras medidas que vem adotando na Esplanada dos Ministérios.

Haddad, capricorniano obstinado e perseverante, é dono de uma formação acadêmica bastante sólida, sendo bacharel em Direito, mestre em Economia e doutor em Filosofia. É autor dos livros “O Sistema Soviético”, ”Em defesa do socialismo”, “Desorganizando o consenso” e “Sindicatos, cooperativas e socialismo”, além de escrever artigos para vários veículos.
Antes de começar suas atividades no MEC, Haddad trabalhou como consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, foi chefe de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico do município de São Paulo e assessor especial do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Fernando Haddad, com as ações que vem desenvolvendo no MEC, deixará sua marca na História recente da educação do país, em função da sua dedicação e zelo pela causa pública.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


Cursos tecnológicos, uma nova tendência

Claudio Fico

A educação brasileira se depara com uma nova tendência no ensino: são os cursos superiores de tecnologia, com menor duração, carga horária mais enxuta e um compromisso com a qualidade do conteúdo que é oferecido.

Os egressos dos cursos superiores de tecnologia denominam-se tecnólogos e são profissionais de nível superior com formação para a produção e a inovação científico-tecnológica e para a gestão de processos de produção de bens e serviços.

Diferente dos cursos seqüenciais, em descontinuidade em muitas instituições, o curso superior de tecnologia surgiu para atender a uma demanda reprimida de profissionais que atuam no mercado de trabalho, que têm experiência profissional em várias áreas do conhecimento, mas não tiveram oportunidade de ingressar em uma universidade, por falta de tempo, de dinheiro...

Os cursos superiores de tecnologia, ainda, representam um percentual de 4% de alunos matriculados, bem distante da realidade dos países desenvolvidos, que possuem 40% de alunos cursando essa nova modalidade de ensino.

As instituições universitárias precisam investir maciçamente na criação e na construção desses novos cursos, a fim de possibilitarem um maior acesso ao ensino superior, contribuindo, dessa forma, para o desenvolvimento do próprio país.

A demanda por esse tipo de curso é melhor percebida na área de tecnologia em informática.

Para disciplinar a criação e a oferta desses cursos, o MEC editou o Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia, onde podem ser encontrados, por área do conhecimento, todos os cursos que, atualmente, estão sendo ministrados no país. Antes da edição desse documento, o Brasil possuía mais de 3.500 cursos superiores de tecnologia, com 1.236 denominações diferentes. O novo catálogo contempla 96 denominações, com cerca de 3.500 cursos. Evidentemente que, com a evolução do conhecimento, esse catálogo deverá sofrer alterações em muito breve, pois como o conhecimento não é e nem pode ser estático, muitas outras propostas de criação de novos cursos já estão sendo analisadas nas instituições universitárias.


Claudio Fico é pró-reitor acadêmico do Anglo-Americano e membro da Associação Brasileira de Educação




Educação precisa de políticas públicas

Paulo Alonso

Sabemos, perfeitamente, que um país só pode se desenvolver e se agigantar se a educação for uma prioridade do Estado. Lamentavelmente, a situação não tem sido essa no Brasil. Os governos se sucedem e a educação fica à margem da agenda nacional, ainda que, nos períodos de campanha, todos os candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais e municipais de todos os partidos afirmem que vão investir na educação como forma de alavancar o desenvolvimento do Estado. São promessas e mais promessas jamais concretizadas. O ensino universitário público precisa de investimento; as escolas municipais e estaduais precisam de maior apoio; os professores precisam receber salários dignos, precisam de reciclagem; as bibliotecas (em muitas unidades educacionais nem existem) precisam de livros, de revistas...A educação precisa de atenção, precisa de ações verdadeiras e honestas para que possa se desenvolver com eficácia. Se o lema da bandeira Nacional é “ordem e progresso”, por que razão, esse mesmo lema não é levado em consideração pelas autoridades constituídas nesse imenso país continental?

No decorrer da história, pensadores fundamentais têm refletido sobre as diferentes formar de ver a escola e a educação ao longo dos séculos. Locke (1632/1704) defende que a educação deve se preocupar com a virtude, com a moral; Comte (1798/1857) diz que, na escola de inspiração positivista, os estudos científicos prevalecem sobre os literários e a educação deveria assumir a responsabilidade de desenvolver nos jovens o altruísmo em detrimento do egoísmo, mostrando a eles que o objetivo existencial mais nobre é dedicar a vida às outras pessoas. Já Durkheim (1858/1917) contrapõe-se à idéia de uma educação universal que serve para todos em todas as épocas. Ele propõe uma educação científica. A educação, para ele, não teria de realizar a natureza do homem, mas sim o que a sociedade quer que ele seja, destacando ainda que ela o quer conforme reclame sua economia interna, o seu equilíbrio. Gramsci (1891/1937) critica a educação tradicional, apresentando uma concepção de escola que tenha como meta contribuir para a construção de uma outra sociedade. Essa escola iria oferecer a educação profissional e humanista. “A escola profissional não pode se tornar encubadeira de pequenos monstros mesquinhamente instruídos para um ofício, sem idéias, sem alma , possuidores apenas de um olhar infalível e de uma mão firme”. Bourdieu (1930/2002) crê que a educação perde o papel que lhe fora atribuído de instância transformadora e democratizadora das sociedades e passa a ser vista como uma das principais instituições por meio da qual se mantêm e se legitimam os privilégios sociais.

Anísio Teixeira, Paulo Freire, Darcy Ribeiro e Florestam Fernandes, pensadores nacionais, também escreveram teorias e conceitos sobre a importância da educação, como ferramenta indispensável à construção do conhecimento. E daí? Será que os homens públicos leram todos esses pensadores? Será que sabem exatamente qual é a finalidade de uma boa escola? Será que sabem que a educação é agente transformador? Será que acompanham a evolução de outras nações, em face da valorização da educação? Pelo que se pode constatar, a resposta é negativa. A falta de criatividade pela e para a educação é absoluta. Medidas paliativas são até tomadas. Políticas públicas sérias, todavia, não são pensadas e construídas e não são, em conseqüência, colocadas em prática. Os discursos são muitos; as ações...

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


Tendências da educação superior



Paulo Alonso

A educação precisa se tornar efetivamente uma prioridade do Estado Brasileiro. Não pode e nem deve ser encarada como uma política de governo, pois os governos, em razão de possuírem mandatos, têm "prazo de validade". A educação, um bem fundamental, é absolutamente necessária para a ordem, o progresso, o desenvolvimento e a expansão de um país. O Brasil ainda precisa avançar e em muito nessa área e nunca é demais lembrar que, se comparado aos vizinhos da América do Sul, o Brasil, com uma população de 187.193.862 milhões, necessita melhorar a taxa de escolarização no Ensino Superior, uma das mais baixas do continente sul-americano. Menos de 12% da população brasileira, de 18 a 24 anos, têm acesso ao ensino superior, diferente do que ocorre com os seus vizinhos mais próximos. A nossa taxa é, por exemplo, inferior à da Argentina com 39%; à do Chile, 27%, e à da Bolívia, 23%. O Plano Nacional de Educação (2001/2010) prevê uma taxa de escolarização de 30% da população. O Estado Brasileiro deve continuar a promover políticas efetivas que garantam o acesso de jovens de baixa renda ao ensino superior, expandindo não somente as instituições federais, inclusive com a oferta de cursos noturnos, para regiões que careçam de escolas superiores, mas, também, possibilitando o credenciamento de novas instituições privadas.

O ensino não é mercadoria e sabemos ser um bem público. A constituição federal prevê, inclusive, a educação como dever do Estado, garantindo também a participação da iniciativa privada, hoje com 2.147 instituições, de um total de 2.404 e atingindo mais de 80% das matrículas universitárias. Ao exercer uma função pública delegada, o setor privado está buscando cada vez mais a qualidade como centro de sua ação. E esse resultado pode ser facilmente comprovado pelas avaliações dos cursos e das instituições privadas promovidas pelo INEP.

No século em que vivemos, é imprescindível expandir a oferta do ensino superior, sem prejuízo da qualidade, não somente pela diversificação das modalidades de instituições, como pela diversificação da modalidade de ofertas de vagas. Na Era do Conhecimento em que o mundo vive, cada vez mais as instituições e os indivíduos valerão pelo que fazem com e para a sociedade, com qualidade e eficiência, avaliada, atestada e acreditada pela própria sociedade organizada.

Assim sendo, a universidade deve orientar os resultados de todas as suas ações para o planejamento e o desenvolvimento do conhecimento que não sejam divorciados da necessidade e interesses da população. E para desenvolver-se e projetar-se, cumprindo o seu papel social e político, a universidade precisa manter-se todo o tempo a serviço da sociedade como um dos fatores dinâmicos da vida intelectual e da própria evolução cultural. É a universidade o lugar que se universaliza, se preconiza e se impulsiona a sociedade para o novo, para o mais justo, para uma organização social mais integral. E a universidade é o grande espaço da busca, do aperfeiçoamento e da renovação constante e imprescindível do conhecimento. Daí a razão de se perceber e de se entender que não há desenvolvimento sem educação, que a educação será sempre investimento e jamais custo; e que desenvolvimento deve ser feito necessariamente com justiça e inclusão social.

A universidade, em conseqüência, tem um papel preponderante no cenário histórico de um país, já que é uma instituição que reúne a capacidade de fazer a síntese histórica da sociedade e de provocar os homens para que criem vontades ou energias para a organização social. Dessa forma, educar, atualmente, mais do que acumular habilidade e informações, é aprimorar a consciência, órgão do sentido, e preparar a pessoa para responder sobre seu destino e sobre o sentido de sua vida.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


Benguela: crescimento após a guerra

Claudio Fico

A Província de Benguela, no sul de Angola, está se destacando no continente africano, pelo surpreendente desenvolvimento que vem alcançando, nos últimos tempos. O governador Dumilde da Chagas Simões Rangel está apostando na educação, como agente alavancador e transformador dessa região, que tem uma área de 46.620 Km2 e é constituída pelos  municípios de Baía Farta, Balombo, Bocoio, Caimbambo, Chongorói, Cubal, Ganda e Lobito. Além da preocupação com a qualidade no ensino básico e também com um olhar voltado para a implantação de modernas instituições universitárias, a província tem, na agricultura, uma das suas maiores fontes de renda, com o plantio do café. São, ainda, destaques na indústria ligeira, a tecelagem, as confecções, a cordoaria, as madeiras e o tabaco.  Já na indústria pesada, a construção e a reparação naval são fatores relevantes para o necessário progresso que a região vislumbra. A pesca e a exploração dos recursos naturais são igualmente consideradas imprescindíveis para a expansão dessa bela região repleta de acácias, que pousam na branca e fina areia da Praia Morena, um verdadeiro postal.

Atualmente, Benguela abriga duas instituições de ensino superior. A Universidade Jean Piaget, privada, e a Agostinho Neto, pública. O atual governo, observando o crescimento da própria província e o desenvolvimento das aldeias vizinhas, está se esforçando para instalar uma outra instituição, a Universidade de Benguela, também pública, no bairro da  Graça, no alto de uma montanha, de onde pode se descortinar um generoso litoral, com águas verdes e cristalinas. O projeto contempla o oferecimento de cursos na área da saúde. Para tanto, o governo vem celebrando acordos e convênios de cooperação técnico-científica, com instituições universitárias de outros países, como o Brasil, visando incorporar know-how para a criação dos projetos pedagógicos dos cursos de enfermagem, medicina e fisioterapia. Na primeira semana de setembro, o governador de Benguela estará no Rio, onde visitará várias instituições a fim de conhecer alguns dos seus dirigentes, corpo docente, visitar instalações e discutir, sobretudo, planos de atuação conjuntos para a adoção de critérios para a expansão da educação superior  na província que  governa.

A Universidade Agostinho Neto está dotada de excelentes instalações físicas, com equipamentos de informática adequados à realidade atual. A Jean Piaget, que repete o pensamento de seu patrono, "Escola existe em função do aluno e tudo deve girar em torno deste preceito",  também está se equipando com laboratórios modernos e um bom acervo, a fim de propiciar a efetiva capacitação dos jovens e adultos que nela estudam. As autoridades também estão observando as reais potencialidades do turismo na região e, por essa razão, estão criando um Plano Diretor Turístico, para ser aplicado nos próximos cinco anos. As potencialidades turísticas são muitas, mas até então pouco exploradas, até mesmo em função da guerra civil que assolou o país por quase 25 anos. O pôr-do-sol de Benguela é sempre um maravilhoso espetáculo. E, entre o tom do amarelo e do laranja, percebe-se o gradativo descanso do "astro rei" nas águas calmas e sempre límpidas da costa do atlântico sul.

Pela sua proximidade com o Brasil, pelas afinidades culturais, religiosas, artísticas e pela própria História que une os dois países, Angola necessita do apoio de todos os desejam contribuir para o progresso e o desenvolvimento desse país emergente e que, se bem conduzido, certamente poderá, breve, se tornar uma referência na África Negra.

Claudio Fico é Pro-Reitor Acadêmico do Grupo Anglo-Americano




A República emergente de Angola

Paulo Alonso
Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


A Fundação Eduardo dos Santos de Angola acaba de realizar a 10º Jornada Técnico-Científica, em Luanda, cujo tema central foi "Angola e o Terceiro Setor", reunindo conferencistas dos cinco continentes. Durante cinco dias consecutivos, educação, saúde, habitação, alimentação, construção e a reconstrução do país foram os temas mais discutidos.

Muito ainda precisa ser feito em Angola, contudo movimentos internacionais e uma política nacional séria está fazendo com que o país reencontre a fé e a esperança. O povo, nas ruas, está mais confiante e acredita que os novos caminhos finalmente chegaram. Aposta-se, nesse momento, na educação como agente de transformação. E essa aposta é sensata, correta. Afinal, a educação é estratégica para a instalação da ordem, do progresso, do desenvolvimento e para a superação de todo e qualquer obstáculo.

Depois de se libertar de Portugal, em 1975, Angola mergulhou em uma terrível guerra que se arrastou por 25 anos, causando sérios prejuízos ao país e à formação da sua população. Miséria, fome, desnutrição, doenças, minas nos campos... Foram anos sangrentos e que, por causa das destruições provocadas em estradas, pontes e edificações, ainda podem ser percebidos nas cidades, nas aldeias. Aliás, foi o Governo do Brasil o primeiro a reconhecer a independência de Angola, durante a gestão do General Ernesto Geisel. Angola vem reagindo e se apresentando como um país do futuro.

Olhar otimista

Visitei Angola, pela primeira vez em 1998, em plena guerra civil. De lá para cá, retornei ao país outras quatro vezes, a última na semana passada. E a cada nova chegada, um novo olhar, um olhar muito mais otimista e esperançoso. Em se tratando de um país sofrido e em grande parte destruído por uma guerra sangrenta, pode-se observar que avanços estão sendo conseguidos, graças ao esforço de empresas como a Odebrecht (20 anos no país) que realizam, dentre outros, um trabalho impressionante em Luanda do Sul (Projetos Novos Bairros) e na Estação de Tratamento das Águas de Luanda.

Além disso, o Governo do Presidente José Eduardo dos Santos está priorizando a recuperação e ampliação da rede hoteleira, ao mesmo tempo em que se preocupa em propor parcerias comerciais e industriais nacionais e estrangeiras para o desenvolvimento econômico, político e social do país.

O meu encantamento pelo país, pela cultura e pelo povo, levou-me a fazer numerosas pesquisas sobre Angola e a lançar dois livros que identificam a necessidade da cooperação universitária internacional e um outro que apresenta e discute a imprescindível expansão da educação básica e superior.

Angola tem reservas nacionais ainda não exploradas e que precisam ser descobertas. As trilhas ecológicas, os safáris e a belíssima restinga de Mussolo devem, dentre outros pontos, integrar os catálogos das agências internacionais de viagem que pretendam divulgar os países africanos. Angola, o país da Palanca Negra, tem um potencial turístico excelente e necessita, por essa simples e decisiva razão, explorar a indústria do entretenimento.

Além disso, possui uma diversidade de reservas naturais, sendo o petróleo a mais importante, seguida muito de perto dos diamantes, das reservas de ferro, manganês, cobre, fosfato, granito, mármore, dentre outros minerais raros e igualmente preciosos. Segundo maior produtor de petróleo da África, 800 mil barris/dia, Angola pretende atingir 2 milhões de barris, em 2010.

Angola e seu povo, sempre hospitaleiro, musical e educado, cativam qualquer visitante pela poeticidade das suas paisagens e dos seus gestos. O pôr-do-sol na Baía de Luanda é, por exemplo, inigualável, assim como é imperdível uma visita à Igreja de Nazaré, construída por brasileiros no Século XVII, e à Igreja de Nossa Senhora dos Remédios.

O atual governo deve continuar a buscar soluções para os graves problemas que afligem Angola. É preciso, todavia, que a democracia seja resguardada, justamente para que a paz possa ser perene.

(publicado no Jornal do Commercio, Editoria Opinião, em 28 de agosto de 2006)



No Rumo da Certificação Profissional

Claudio Fico

Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre a importância da certificação profissional, mas nem tantos assim se aperceberam do seu verdadeiro papel, neste mundo moderno em que vivemos, quando uma nova Sociedade do Conhecimento está sendo criada. As instituições mais modernas já aderiram às chamadas certificações, mas esse número de organizações ainda é reduzido. Somente aquelas de ponta e que verdadeiramente se encontram à frente do seu tempo estão desenvolvendo um trabalho sério e responsável e que, através dele, vem beneficiando os seus usuários, a partir da implantação desse novo modelo de ensino-aprendizagem.

Em um mundo cada vez mais globalizado, onde os blocos econômicos surgem para dinamizar as ações comerciais e mercadológicas, e com a circulação de bens, pessoas e serviços entre as nações, se acentuam as exigências em termos de credenciais para a aceitabilidade, de um lado, dos bens e serviços e, de outro lado, das próprias pessoas como agentes de mudanças e realizações. Dessa forma, a certificação profissional, desde que atestada por entidade reconhecida, é fator fundamental para o currículo de qualquer pessoa, principalmente, quando esse profissional passa a ser aceito internacionalmente, pelas qualificações e habilidades que ostenta em seu currículo. E somente através de profissionais verdadeiramente qualificados é que essas transformações poderão ocorrer, ficando, assim, materializadas a desejada agregação de valor. A certificação profissional vem sendo cada vez mais exigida pelas empresas na Europa e nos Estados Unidos. Esta exigência é para a contratação de um profissional ou para especificar a titulação requerida por uma pessoa para exercer determinada função ou elaborar um tipo de serviço.

Na Inglaterra e nos Estados Unidos, basicamente, a certificação foi chamada a responder questões ligadas a deficiências do plano educacional. Já na França se buscou estabelecer o que seria uma pedagogia das competências entendida não apenas como as práticas de transmissão na escola, mas toda atividade social que englobe a seleção dos saberes a serem transmitidos pela escola, sua organização, sua distribuição em uma instituição diferenciada e hierarquizada, sua transmissão por agentes especializados e sua avaliação por métodos adequados ou uma lógica das competências, a que a certificação estaria a serviço. A certificação está bastante vinculada às estratégias de qualificação. No Brasil, o artigo 41 da Lei de Diretrizes e Bases estabelece que "todo o conhecimento adquirido na educação profissional, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação, para prosseguimento ou conclusão de estudos".  O mercado de trabalho está a cada dia mais valorizando um novo tipo de diploma no processo de seleção e ascensão profissional na área de tecnologia da informação, por exemplo. Trata-se de certificação profissional fornecida por grandes fabricantes, como Microsoft , Oracle, Sun, Borland, Conectiva e Cisco.

A certificação corresponde, na realidade, à aprovação do candidato em um ou mais testes. Ela representa o reconhecimento da habilidade e da experiência no uso da tecnologia pelo seu próprio fabricante, garantindo um importante diferencial e agregando credibilidade ao currículo do profissional.

Segundo pesquisa do Institute Data Corporation (IDC) Brasil, as chances de o profissional certificado conseguir um emprego aumentam em 53%, em relação a profissionais que não possuem este título, podendo esse índice ser ainda mais elevado de acordo com a categoria de certificação possuída. Os salários são de 10 a 100% superiores à média que o mercado paga a profissionais sem certificação e que ocupam as mesmas funções.

Convém ressaltar que o aumento do prestígio e da exigência das certificações pelo mercado de trabalho vem sendo continuamente divulgado em grandes veículos de comunicação. A "Veja", por exemplo, veiculou uma matéria em que enfatiza a importância crescente das certificações profissionais dos grandes fabricantes na área de tecnologia em informática junto ao mercado e apresentando pesquisa com a remuneração média paga no mercado brasileiro aos profissionais certificados por alguns fabricantes como a Microsoft e Cisco. Já a "Exame" publicou a reportagem "Canudos de Ouro", afirmando que "a certificação é encarada hoje pelas empresas como uma espécie de selo de qualidade, atestando que o profissional está capacitado para resolver problemas."

As tecnologias proporcionam agilidade, velocidade e flexibilidade de que as corporações necessitam para serem competitivas. A certificação profissional garante às empresas, a possibilidade de identificar profissionais capazes de extrair todo o potencial das ferramentas tecnológicas por elas adquiridas e utilizadas, obtendo retorno sobre o investimento realizado.

Além disso, investir em qualificação da equipe significa ter profissionais capacitados, motivados, produtivos, dinâmicos e, sobretudo, comprometidos. Cada vez mais o mercado vai valorizar o profissional que possuir certificação profissional; estiver em aprendizagem contínua e for dotado de  habilidade e experiência nas tecnologias utilizadas, pois, com essas competências, esse profissional estará aumentando a sua própria eficiência assim como a da empresa em que atua.


Cláudio Fico é Pró-Reitor Acadêmico do
Grupo Anglo-Americano de Educação Superior


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