Jornal do Anglo







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Teoria econômica e as ineficiências de mercado


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano


Caro leitor, como toda ciência fervilhando de conhecimento e em constante expansão, a Ciência Econômica apresenta, em suas próprias (in)conclusões, a janela de seu crescimento. Pois bem, é sabido que relações entre competitividade, preços de equilíbrio e resultados “ótimos” são, dentre outros, o foco central da análise da Teoria Econômica (ortodoxa). A síntese dessas relações está presente na formulação dos teoremas do bem-estar (que são resultados clássicos a que chegam a Ciência Econômica).

O primeiro teorema do bem-estar diz que os equilíbrios competitivos são, necessariamente, “Ótimos”. Do segundo teorema do bem-estar, sabe-se que, sob hipóteses adequadas, qualquer alocação ótima pode ser obtida de uma alocação competitiva eficiente. Por meio das suposições desses teoremas, os economistas clássicos (ou neoclássicos) concluem que a viabilidade da intervenção exógena (como a participação do governo), para variação da riqueza dos agentes no mercado, é estritamente limitada. Inclusive, as transferências de renda com o propósito de obter determinada distribuição objetivada têm, segundo os resultados dessa análise econômica, alcance praticamente nulo. No entanto, existem as falhas de mercado: situações em que algumas das suposições dos teoremas do bem-estar não são válidas e nas quais, como conseqüência, o equilíbrio de mercado não se realiza como uma situação “Ótima”. Essas falhas de mercado (que limitam o alcance dos resultados da teoria econômica) podem ser divididas em dois grupos conhecidos como: externalidades e bens públicos.

A análise da teoria econômica (ou mais estritamente da microeconomia clássica) admite que as preferências dos consumidores são definidas sobre um conjunto de bens no qual ele mesmo decide consumir. Similarmente, a produção de uma firma depende, somente, de suas próprias escolhas de insumos. Na realidade, um consumidor e uma firma podem ser, em algumas circunstâncias, afetados pela ação de outros agentes na economia. Isto é, podem ser afetados externamente pela atividade de outros consumidores ou firmas. Por exemplo, um pescador pode ser prejudicado por uma descarga nociva (poluição) de uma instalação química.

Importando esse conceito para dentro das preferências (dos consumidores) e das possibilidades tecnológicas (das firmas) a sua “nova” formulação é relativamente simples: necessita-se, apenas, das preferências dos agentes sobre suas próprias ações e aquelas criadas pelos efeitos externos. No entanto, o resultado sobre o equilíbrio de mercado é significativo. Em geral, quando os efeitos externos estão presentes, os equilíbrios competitivos não são necessariamente economicamente ótimos.

Já no caso dos bens públicos que, como o próprio nome sugere, são mercadorias que têm uma característica inerentemente “pública”, em que o consumo de uma unidade do bem por um agente não impede o consumo por outros agentes (são exemplos de bens públicos, dentre outros, as rodovias e o sistema de defesa nacional), as suas provisões privadas são um tipo especial de externalidade.

Se um indivíduo fornece uma unidade de bem público, todos os indivíduos tiram proveito. Como resultado, provisões privadas de bens públicos são tipicamente ineficientes economicamente.

Logo, mesmo se conservando toda a lógica da argumentação da economia neoclássica, pode-se chegar a resultados que possuam validade não ótima (ou ineficiente). Portanto, a ortodoxia econômica necessita, urgentemente, ser consertada (quem sabe por sua heterodoxia?).



A Geografia Humanística e a Percepção Ambiental: um olhar direcionado aos planejadores e gestores ambientais.


Patrícia Carvalho

Bióloga. Mestre em Geografia e Análise Ambiental.
Coordenadora do Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas da Faculdade Anglo-Americano


Introdução

A percepção ambiental está inserida no contexto da geografia humanística que tem como principal base epistemológica a fenomenologia. Essa filosofia, a partir do final da década de 60 passa a orientar a atividade geográfica identificada sob o nome geral de geografia humanística, ou seja, o estudo dos espaços vividos e valorizados e a interpretação do papel das percepções e dos valores humanos em relação ao ambiente, buscando-se assim, compreender os padrões espaciais.

Dessa forma a percepção ambiental vem de encontro às críticas formuladas à nova geografia, dentre essas, o uso excessivo e quase exclusivo de técnicas quantitativas; o foco das pesquisas geográficas, centrado no contexto econômico, e a adoção de um neopositivismo cientificista e reducionista.

Assim, a geografia humanística trás em seu bojo as abordagens fenomenológicas, quais sejam, a descrição e a interpretação da experiência humana e a compreensão de como estamos e como nos sentimos para pensar sobre as coisas.Segundo Amorim Filho (2000), os fundamentos da fenomenologia moderna foram estabelecidos por Edmund Husserl que propõe a intuição essencial, a visão ou contemplação direta das essências, como totalidades concretas pela consciência e a noção de mundo vivido que permite entrar no fluxo de nossa experiência no espaço, no tempo e na sociedade.

Merleau-Ponty, filósofo francês, amplia as proposições de Husserl e propondo que a consciência está engajada no mundo, o que pode ser ccomprovado pelo estudo da percepção e do comportmento, e ainda , o conceito de espaço vivido.

E que o espaço não é apenas o meio no qual se dispõem as coisas, mas o meio pelo qual a posição das coisas se torna possível; o espaço é o campo das conexões de que depende a vida humana.

O contexto acima exposto, configura os pressupostos metodológicos da percepção ambiental:

  - Uso prioritário de técnicas qualitativas;
  - A busca mais da compreensão ou apreciação (valoração) da natureza, do que     da explicação;
  - Os elementos são incorporados ao mundo de um indivíduo através da     atribuição de significado a esse elemento;
  - Os fenômenos estão presentes como repositórios de significados, o que     permite a compreensão do comportamento do indivíduo no mundo;
  - A interpretação do discurso dos entrevistados e a categorização dessas falas     como instrumento de compreensão da inserção e integração do homem com o     meio;
  - A interpretação baseada em pontos focais tais como, valores, identidade,     atitudes/ comportamentos, níveis de responsabilidade e cidadania.

Busca-se compreender através das entrevistas o nível de implicação de cada entrevistado com o ambiente e com o seu espaço de vida. Para a psicanálise sujeito é aquele que incorpora e trabalha suas pulsões, desejos, passando de objeto de desejo a ser desejante, atuando e se implicando no atuar, no fazer e no sentir as suas energias psíquicas. Além disso, a psicanálise tem como pressuposto de trabalho a fala, a linguagem, a expressão do sujeito através das palavras, da ausência das mesmas, ou mesmo dos esquecimentos e das trocas vocabulares. Assim, a percepção ambiental lança mão da idéia do discurso do sujeito para interpretar e propor amarrações entre o Sujeito e o Lugar.

Segundo CARVALHO (2000) o fato das pessoas, hoje, terem a informação (fácil acesso, informação diversificada por vários meios) não implica em uma postura coordenada pelo conhecimento. Assim, segundo PENNA poderíamos dizer que essas pessoas não têm uma percepção do ambiente e do espaço em que vivem. De acordo com TUAN, esses indivíduos, ainda, não promoveram a transformação do espaço, em espaço vivido, em espaço de vivências e experiências permeadas por vínculos, também, afetivos, ou seja, o Espaço ainda não é Lugar!. Dentro da concepção da educação ambiental podemos reconhecer nesses sujeitos, pessoas sensibilizadas para a questão ambiental que devem ser alvo de ações educativas voltadas para a formação do cidadão para que desenvolvam o senso de cidadania.

Dessa forma, ao longo de um tempo, esses indivíduos estariam coordenando conhecimento e conduta, informação e atitude, assumindo responsabilidades e compartilhando no social deveres e direitos ao bem estar social e à harmonia do ambiente. Assim, o sujeito informado transitaria para o ser sensível até o cidadão – consciente. Vale ressaltar que o termo consciência tem raízes no latim (con scientia) que significa com conhecimento, aquele que age segundo um conhecimento.

Neste contexto, a percepção ambiental auxilia planejadores e gestores ambientais a traçar diretrizes para fortalecer e estabelecer novos vínculos hígidos entre o homem e o ambiente. Cabe assim, aos biólogos ambientais, gestores ambientais e geógrafos aprofundarem-se no campo de conhecimento da geografia humana, da psicologia ambiental e da educação ambiental, com o objetivo de atuarem na minimização dos impactos associados à transformação do ambiente pelas ações humanas e na manutenção da biodiversidade, assegurando-se a qualidade de vida das populações.

Bibliografia

BOCZAR, A. Psicanálise e Mal-Estar. Estudos de Psicanálise. n.17. Belo Horizonte: Círculo Brasileiro de Psicanálise, 1994. 27-30p.

CARVALHO, P.G. da S. Psicanálise, meio ambiente e cultura: um breve ensaio. Anais. III Jornada de Psicanálise do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, 2000. 20p.

FREUD, S. Sobre o narcisismo: uma introdução. (1914) ESB. 2. ed. V. XIV. Rio de Janeiro: Imago, 1996. 81-113 p._________. O mal-estar na civilização (1930) ESB. 2.ed. v.XX1. Rio de Janeiro: Imago, 1988. 67-148p.

LIPOVETSKY, G. A Era do Vazio: ensaio sobre o individualismo contemporâneo. Tradução: Miguel Serras Pereira e Ana Luísa Faria. Lisboa: Editions Gllimard, 1983. 204 p.

LYOTARD, J. F. A condição pós-moderna. Tradução: Ricardo Côrrea Barbosa. 5 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998. 131p.

PENNA, A.G. Percepção e realidade: introdução ao estudo da atividade perceptiva. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura, 1968. 183p.

PEREIRA, D.B. Açominas: uma paisagem industrial na percepção dos moradores de Ouro Branco. Belo Horizonte: Instituto de Geociências, UFMG. dez. 1995. 201p. (Dissertação, Mestrado em Geografia).

TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: DIFEL, 1980. 288p. (Tradução de: Lívia de Oliveira)



Instrumentos de Gestão Ambiental e Desenvolvimento Econômico Sustentável

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Prof. MSc. Joaquim Jorge Silveira Buchaim
Coordenador do Curso de Gestão Ambiental
Faculdade Anglo-Americano



Nessa época de prévia da ECO 2007 (que será realizada na cidade de Foz do Iguaçu), é importante relembrar que, no relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, denominado “Nosso Futuro Comum”, ficou clara a importância, dentre outras, da preservação ambiental. Nesse sentido, a ONU definiu, em 27/11/1990, 16 princípios para a Gestão Ambiental que, sob a ótica das organizações, são essenciais para atingirmos o desenvolvimento sustentado da economia. Os princípios são:

•  prioridade organizacional – reconhecer que a questão ambiental está entre as principais prioridades da empresa;

•  gestão integrada – integrar as políticas, programas e práticas ambientais, intensamente, em todos os negócios;

•  processo de melhoria – continuar melhorando as políticas cooperativas, os programas e a desempenho ambiental tanto no mercado interno quanto externo;

•  educação do pessoal – educar, treinar e motivar o pessoal, no sentido de que possam desempenhar suas tarefas de forma responsável em relação ao ambiente;

•  prioridade de enfoque – considerar as repercussões ambientais antes de iniciar nova atividade ou projeto;

•  produtos e serviços – desenvolver e fabricar produtos e serviços que não sejam agressivos ao ambiente;

•  orientação ao consumidor – orientar e, se necessário, educar consumidores, distribuidores e o público em geral sobre o correto e seguro uso, transporte, armazenagem e descarte dos produtos produzidos;

•  equipamentos e operacionalização – desenvolver, desempenhar e operar máquinas e equipamentos levando em conta o eficiente uso de água, energia e matérias-primas;

•  pesquisa – conduzir ou apoiar projetos de pesquisas que estudem os impactos ambientais das matérias-primas, produtos, processos, emissões e resíduos;

•  enfoque preventivo – modificar a manufatura e o uso de produtos ou serviços e mesmo os processos produtivos, no sentido de prevenir as sérias e irreversíveis degradações do meio ambiente;

•  fornecedores e subcontratados – promover a adoção dos princípios ambientais da empresa junto dos contratados e fornecedores;

•  planos de emergência – desenvolver e manter, nas áreas de risco potencial, planos de emergência;

•  transferência de tecnologia – contribuir na disseminação e transferência das tecnologias e métodos de gestão que sejam amigáveis ao meio ambiente;

•  contribuição ao esforço comum – contribuir no desenvolvimento de políticas públicas e privadas, de programas governamentais e iniciativas educacionais que visem à preservação do meio ambiente;

•  transparência de atitudes – propiciar transparência e diálogo com a comunidade interna e externa à empresa;

•  atendimento e divulgação – medir a performance ambiental. Conduzir auditorias ambientais regulares e averiguar se os padrões da empresa cumprem os valores estabelecidos na legislação.

Esses pontos colocados acima são questões que podem permitir a elaboração e o estabelecimento de um plano em que a estratégia ambiental da empresa se estenda, progressivamente, a todos os seus setores, de forma que, em um período de tempo relativamente curto, o planejamento, a organização, a direção e o controle da organização considerem com a mesma atenção os resultados econômicos, financeiros e ambientais.

No entanto, para se conseguir tal fim, as políticas públicas referentes às questões ambientais precisam atingir a consciência do empresariado nacional, por meio de um sistema “alocativo” de mercado das variáveis ambientais (tal como o sistema de preços de referências nos mercados econômicos). Logo, políticas que usam como base para avaliar sua efetiva ação a “sensibilização” dos setores não proporcionam credibilidade.

É importante, também, ressaltar que o ambiente e a economia são integrados e, por conseguinte, é literalmente impossível imaginar alguma forma de atingir a consciência daqueles que executam as ações organizacionais sem um mecanismo de mercado. Escolhas ambientais ótimas estão associadas a escolhas econômicas ótimas!

Por fim, não basta a ONU determinar ou propor uma “fórmula milagrosa”, tem-se a necessidade de investimentos na pesquisa da valoração econômica do meio ambiente. Além disso, tal trabalho deve ser desenvolvido por profissionais locais e não por “comissões pára-quedistas” que desconhecem os aspectos autóctones relacionados aos problemas ambientais. O desenvolvimento sustentável está intrinsecamente ligado às relações econômicas e organizacionais




Novas e velhas empresas vivas da nova e da velha economia

 


Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano – FAA
Foz do Iguaçu


No mundo das organizações, as empresas comerciais são membros recém-chegados. Elas existem há, apenas, 500 anos – uma minúscula fração de tempo no curso da civilização humana. Neste período, tem desfrutado de um enorme sucesso, como produtores de riqueza material. Foram e são responsáveis pela explosão populacional mundial, fornecendo os produtos e serviços que tornaram possível a vida civilizada.

Quando analisadas, à luz de seu potencial, no entanto, muitas empresas comerciais ainda têm um longo caminho a percorrer. Elas estão em uma fase primitiva de evolução; desenvolvem e exploram apenas uma pequena fração do seu potencial. Verifica-se, portanto, uma alta taxa de mortalidade.

Mas afinal: por que tantas empresas morrem jovens? As provas acumuladas indicam que as empresas fracassam porque suas políticas e práticas se baseiam, predominantemente, no pensamento e no não entendimento da linguagem da Economia. Em outras palavras, as empresas morrem porque seus executivos se concentram exclusivamente na produção de bens e serviços e se esquecem que sua organização é uma comunidade de seres humanos, que trabalham em uma empresa – de qualquer tipo – para se manter vivos. Os executivos se preocupam com a terra, o trabalho e o capital e negligenciam, muitas vezes, o fato de que o “trabalho” significa pessoas de verdade.

Mas, o que há de tão especial sobre as empresas duradouras? O que chamamos de “empresas vivas” têm uma personalidade que lhes permite evoluir harmoniosamente. Elas sabem quem são, entendem qual é o seu papel, valorizam novas idéias, novas pessoas e administram o dinheiro de uma maneira que lhes propicia controle sobre o seu futuro. As empresas vivas produzem bens e serviços para ganhar o seu sustento exatamente como nós fazemos por meio de nossos empregos. Precisamos aprender mais sobre longevidade empresarial.

Os traços mais comuns das empresas bem-sucedidas e de maior longevidade são:

•  Conservadorismo nas finanças: essas empresas não arriscam, gratuitamente, seu capital. Entendem o significado do dinheiro e como é útil ter reservas em caixa, com o qual podem agarrar oportunidades que seus concorrentes não conseguem. Não precisam convencer financistas sobre atratividade das oportunidades que desejam explorar. Essa reserva de caixa permite governar seu crescimento e evolução.

•  Sensibilidade ao ambiente externo: as empresas vivas são capazes de se adaptar às mudanças que ocorrem à sua volta. No vaivém de guerras, depressões, tecnologias e políticas, sempre primam por manter os “sensores ligados” em tudo o que está acontecendo em seu entorno. Em termos de informações, estão sempre atentas, são comprometidas com a aprendizagem e adaptação.

•  Consciência de sua identidade: a despeito da extensão de sua diversificação, os funcionários dessas organizações se sentem parte de um todo, o que representa ser uma sensação essencial para a longevidade da empresa.

•  Tolerância às novas idéias: as empresas longevas expandem seus conhecimentos e distribuem suas experiências. Reconhecem as novas organizações e entendem que é preciso estar dispostas a mudar quando for necessário.

Esses quatro traços formam o caráter essencial das empresas que vem funcionando com sucesso por centenas de anos. Dada a esta personalidade básica, quais as prioridades que seus executivos estabelecem para si e para seus subordinados? O executivo de uma empresa viva entende que dar continuidade à sobrevivência da empresa significa entregá-la a seu sucessor com, no mínimo, a mesma saúde que tinha quando ele assumiu o cargo.

Valorizar as pessoas, não os ativos: essa inversão das prioridades tradicionais de gestão é comprovada por vários estudos.

Organiza-se para aprender: é exatamente quando a empresa está totalmente organizada que as circunstâncias externas podem mudar. Elas precisam se organizar para isso. Novas tecnologias entram em cena, os mercados mudam, as taxas de juros flutuam, as preferências dos consumidores se alteram e a empresa precisa entrar em uma nova fase da vida. Uma vez adaptada ao novo ambiente, a organização deixa de ser o que era; ela evolui. Essa é a essência do aprendizado. Assim, os economistas afirmam que uma empresa cujo objetivo é produzir riqueza para alguns é como uma poça d'água: quando chove, expande-se; quando o sol aparece, quase seca. Mas, as gotas permanecem no fundo. Quando chove, mais pingos se juntam à poça e seu raio de influência se expande, encharcando o chão à sua volta. As poças de água não sobrevivem ao aquecimento. Quando o sol aparece e a temperatura sobe, a poça começa a evaporar. Até mesmo as gotas que permanecem no meio da poça correm o risco de se transformar em vapor.

Assim, uma empresa cujo objetivo é a sobrevivência se parece mais como um rio. Ao contrário da poça de água, o rio é um elemento permanente da paisagem. Se chover ele pode subir. Se fizer sol, pode baixar. Mas, somente uma seca prolongada e grave fará o rio desaparecer. Das perspectivas dos pingos de água, o rio é muito turbulento. Nenhum pingo permanece no meio do rio por muito tempo. De um momento para o outro, a água de outra parte do rio sofre uma mudança. Novos pingos substituem os antigos e todos seguem a correnteza.

A vida do rio é muito mais duradoura que a vida dos pingos de água. A empresa viva é exatamente como um rio. A empresa viva possui confiança mútua, entende o que significa “nós” e tem consciência dos valores comuns. As empresas vivas que aprendem têm uma chance de sobreviver e evoluir em um mundo que não controlam. As empresas vivas têm maior chance de durar mais. Desenvolvamos, pois, uma empresa viva.


A globalização e a economia local

Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano – FAA
Foz do Iguaçu

Um aparente paradoxo entre globalização e fatores locais parece guiar o debate moderno sobre as causas determinantes do desenvolvimento e da inserção das economias nos mercados internacionais. Por um lado, a globalização configurada em fatores como a padronização dos processos produtivos e a atuação das companhias multinacionais, aponta para o entendimento de que o papel das chamadas “iniciativas locais” possui menor importância para a análise do desenvolvimento das economias. De outro lado, tem-se a explicação de que os sistemas locais e nacionais (que englobam variáveis tais como: a cultura local, as tradições e o conhecimento específico) são essenciais para explicar o crescimento de cada região.

Ainda que a globalização tenha importância crescente na atualidade, a influência dos sistemas locais e nacionais de ensino, de relações industriais, institucionais, políticas, governamentais e culturais são tão ou mais relevantes.

Afirma-se que as fronteiras nacionais estão acabando. Contra essa afirmação contrapõe-se a existência dos sistemas locais , que são uma construção institucional que impulsiona o progresso nas economias modernas. Por meio da construção de um sistema de inovação, viabilizam-se os fluxos de informação e conhecimento científico e tecnológico necessários ao processo de crescimento econômico. Esses arranjos institucionais envolvem firmas, redes de integração entre empresas, agências governamentais, universidades, faculdades, institutos de pesquisa e laboratórios de empresas, bem como a atividade de pesquisadores, cientistas e engenheiros. Arranjos institucionais que se articulam com o sistema educacional, com o setor industrial e empresarial e com as instituições financeiras, compondo o circuito dos agentes que são responsáveis pela geração e difusão das inovações tecnológicas e pelo desenvolvimento econômico.

À primeira vista, a globalização pareceria oferecer uma “força à competitividade internacional”. Porém, durante os últimos 20 anos, 80% dos investimentos mundiais estiveram presentes apenas dentro da área composta pelos países ricos. Logo, esse fenômeno poderia ser descrito mais como “localização” do que como “globalização”. Ainda, a maior parte das atividades das multinacionais é administrada na matriz nacional das empresas e são muito influenciadas pelos seus respectivos sistemas de inovação. E, além disso, a propriedade e o controle dos seus processos de produção permanecem baseados nas plataformas de suas nações de origem.

Assim, é essencial enfatizar a interdependência entre o progresso econômico com os arranjos institucionais locais. Uma teoria econômica que ignora esta interdependência não será mais útil do que uma teoria de economia que ignora a interdependência entre preços e quantidades.

Logo, é importante que os empresários e autoridades locais (de Foz do Iguaçu, do Paraná e do Brasil) percebam que as políticas locais confrontam a necessidade para a solução de um problema dual: a difusão de tecnologias genéricas padronizadas é certamente importante e estas, às vezes, podem requerer investimento interno e transferência de tecnologia; porém, são também importantes políticas para encorajar a diversidade e a originalidade local.

Portanto, caro leitor, valorizar as raízes locais é uma variável importante para o desenvolvimento econômico de uma região.

Abraço e até o próximo artigo!


Conhecimento, Trabalho e Economia

Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano – FAA
Foz do Iguaçu

Caro leitor, uma verdade é inquestionável nos dias atuais: vivemos na época do conhecimento, na época do “trabalhador do conhecimento”, na época da “sociedade do conhecimento”. Mas, como podemos conceituar, exatamente, estes termos?

A idéia do “trabalhador do conhecimento” é velha, se por velho aceitarmos que ela foi elaborada nos anos 50 do século XX. Esse grupo social, que hoje é cerca de 1/3 da população ativa do planeta (e estima-se que será 40%, em 2020) é composta por todos aqueles ligados diretamente (ou indiretamente) à elaboração de “coisas” produtivas novas (inovações).

Por outro lado, o conceito de “sociedade do conhecimento” foi elaborado por P. Drucker (o mundialmente famoso economista e administrador) da seguinte maneira: “num sistema capitalista, o capital é o recurso de produção crítico, e está totalmente separado, e mesmo em oposição, com o trabalho. Na sociedade que estamos caminhando em direção, muito rapidamente, o saber é o recurso- chave. Não pode ser comprado com dinheiro nem criado com capital de investimento. O saber reside na pessoa, no trabalhador do conhecimento”. E o mesmo autor completou: “o capital está tornando-se redundante, isto é, está deixando de ser um 'recurso'. O capital é importante enquanto fator (ou meio) de produção, mas não é mais um fator de controle”. Como resultado dessa nova realidade, em meados dos anos 1990, o management, cada vez mais, era “invadido” pela análise histórica e sociológica, e mesmo pela filosofia.

Assim, os executivos (empresários e toda a sociedade) começam a ser confrontados com a necessidade de ter uma concepção de mundo diferente – não basta saber manusear “ferramentas” de gestão. É preciso, também, um conhecimento holístico, socialmente pautado e politicamente correto!

Neste contexto, é importante lembrarmos das lições da Ciência Econômica, que afirma: o maior aprimoramento das forças produtivas do trabalho, a maior parte da habilidade, destreza e bom-senso com os quais o trabalho é em toda a parte dirigido ou executado, são resultados da divisão do trabalho. E a Ciência Econômica continua ensinando: o valor de qualquer mercadoria, para a pessoa que a possui, mas não tenciona usá-la ou consumi-la ela própria, mas sim trocá-la por outros bens, é igual a quantidade de trabalho que essa mercadoria lhe dá condições de comprar ou comandar. Conseqüentemente, o trabalho é a medida real do valor de troca de todas as mercadorias.

Porém, o valor de troca das mercadorias é mais freqüentemente estimulado e percebido (pelos olhos do cidadão comum) pela quantidade de dinheiro do que pela quantidade de trabalho.

Mas, é o valor desses bens que varia e não o valor do trabalho que os compra. Sempre e em toda parte vale este princípio: é caro o que é difícil de ser conseguir, ou aquilo que custa muito trabalho para adquirir, e é barato aquilo que pode ser conseguido facilmente ou com muito pouco trabalho.

Por conseguinte, somente o trabalho, pelo fato de nunca variar em seu valor, constitui o padrão último e real com base no qual se pode sempre e em toda parte estimular e comparar o valor de todas as mercadorias. O trabalho é o preço real das mercadorias; o dinheiro é apenas o preço nominal deles!

Nessa situação, todo o produto do trabalho pertence ao trabalhador e a quantidade de trabalho normalmente empregado em adquirir ou produzir uma mercadoria é a única circunstância capaz de regular ou determinar a quantidade de compra e por quanto deve ser trocada (em outras palavras, o trabalho, em ltima instância, determina o preço das coisas!).

Assim, caro leitor, o trabalho e o conhecimento são as bases de uma sociedade economicamente vitoriosa.

 


Algumas estratégias para o sucesso econômico e financeiro pessoal


Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano – FAA
Foz do Iguaçu


É sempre bom nos lembrarmos que organizar o orçamento, salários e demais rendas pessoais, é, no nosso dia-a-dia, de suma importância. Assim, deve-se saber o que pode ser feito com o nosso dinheiro e se evitar contas descobertas no futuro. Nesse sentido, a gestão do orçamento individual (ou familiar) não deve mais ser feita de forma instintiva. É necessário acompanhamento detalhado, inclusive, fazendo-se projeções.

Para nos ajudar nesse intento, devemos lembrar que, conforme colocado pelo professor Gitman (um grande financista americano), da mesma forma que os princípios econômico-financeiros podem ser úteis em uma organização (empresa) eles também podem ajudar no gerenciamento das finanças e orçamentos, para estabelecer metas financeiras e desenvolver os planos financeiros no curto e no longo prazo para se chegar a metas pessoais. Antes de se fazer um pequeno investimento (como compra de vestuários, eletrodomésticos ou outros utensílios) ou um grande investimento de capital (como a aquisição de uma casa ou de um carro, por exemplo) é possível avaliar se o custo inicial está dentro da capacidade pessoal de pagamento e também determinar como financiá-lo – no caso de um carro, comparando alternativas como comprar a prazo, fazer um leasing ou um fazer um consórcio.

O gerenciamento de caixa (controle do dinheiro que entra e que sai do seu bolso) é outro trabalho crítico: ter recursos suficientes para pagar as contas, escolher corretamente as contas bancárias, investir os saldos positivos e conseguir empréstimos de curto prazo (como cartões de crédito e linhas de crédito bancárias).

Também, deve-se organizar e gerenciar o portfólio pessoal de investimentos (as inúmeras formas de se aplicar o dinheiro), assim como o plano de pensão ou aposentadoria próprio: economizando e investindo dinheiro para atender metas de longo prazo (como comprar uma casa, mandar os filhos para a universidade e ter recursos suficientes para se aposentar confortavelmente).

Portanto, antes de tomar qualquer atitude, faça uma análise honesta e cuidadosa de sua situação financeira. Lembre-se, fazer o orçamento caber dentro do salário é uma “arte” dominada por poucos. Mas, experimente pensar sobre essas dicas que seguem abaixo:

•  Reserve tempo para aprender – não importa se você é um universitário que trabalha meio expediente ou um executivo com uma carteira de investimentos, aprender um pouco sobre as finanças e sobre a economia é sempre muito importante.

•  Organize suas finanças – poucos de nós investiriam em um negócio que não mantenha registros financeiros ou que não tenha planos para o futuro. Logo, se você gerenciar suas finanças como espera gerenciar um negócio próspero, terá grandes chances de obter mais sucesso financeiro.

•  Estabeleça uma rotina – se você passar apenas alguns minutos por dia mantendo atualizadas suas informações financeiras, poderá evitar uma maratona mensal para tentar planejar o futuro ou certificar-se do pagamento das contas. Nesse sentido, faça o seguinte: use seu cartão de débito para compras sempre que possível; guarde seus recibos; conecte-se aos seus bancos on-line ; pague todas as contas nas datas de vencimento e; prepare-se, sempre, para os impostos.

•  Monitore rendimentos e despesas – nesse ponto, deve-se destacar que é muito importante saber exatamente de que parte vem o seu dinheiro e para onde ele vai a cada mês. Aqui fica a dica: liste tudo (tudo mesmo!).

•  Pague a você mesmo primeiro – se você é como a maioria das pessoas, provavelmente já tentou elaborar um orçamento, fez uma lista das despesas e dos rendimentos mensais e esforçou-se para manter o plano de poupança. No final do mês, apesar de suas boas intenções, sobrou muito pouco. O erro está na inversão da prioridade. Primeiro você deve especificar o quanto deseja poupar e quanto deseja aplicar em seu débito. Só então você examina suas despesas. Considerando que muitas delas são fixas, pode ser preciso ajustar os montantes pré-especificados para poupança e débito. Ainda assim, a prioridade é clara: a idéia é pagar a você primeiramente.

Por fim, caro leitor, lembre-se que o importante não é guardar muito, mas sempre!



Economia tradicional, a nova economia e as finanças


Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano – FAA
Foz do Iguaçu


NASDAQ. Todos ouvem essa palavra. Todos os dias. Alguns até podem imaginar que se trate de alguma coisa fantástica. Um dia desses pegamos dois alunos nossos discutindo sobre o NASDAQ. Um deles afirmava, categoricamente, que se ratava de uma firma japonesa; e o outro, asseverava que não, que NASDAQ estava relacionado com cientistas que estudam os seres extraterrestres.

Ocorre que nossos alunos estavam errados e nós os ensinamos que NASDAQ (a sigla que é formada pelo termo em língua inglesa: Nacional Association of Securities Dealers Automated Quotation) é o índice de um dos mercados de balcão dos Estados Unidos (a propósito, os mercados de balcão são mercados similares às bolsas de valores e que são responsáveis por cerca de 41% do total de volume, em dólares, das ações e demais papéis financeiros negociados endogenamente à economia americana ). As cotações da NASDAQ se referem, em um grau muito elevado, às flutuações das ações patrimoniais das empresas de tecnologia de ponta. Diz como vão essas empresas, que pertencem a um "novo" mundo econômico - que desponta com seus altos e baixos. Avanços e recuos. Como ocorreu, há cerca de dois séculos, quando do início da Revolução Industrial européia.

Os projetos empresariais dessa nova economia se multiplicam em todo o mundo, inclusive aqui em Medianeira e na região oeste do Paraná, com as fazendas e agroindústrias cada vez mais automatizadas. Essas empresas são empresas que vencem. Porém, também, são empresas que quebram.

Pois aqui reside uma dúvida: os empresários, a população, os economistas e os financistas tradicionais estão conscientes das transformações financeiras, econômicas e sociais desse novo mundo contemporâneo?

Para discutir sobre essa questão é necessário, antes de tudo, lembrar a primeira lição ensinada aos alunos de Economia e Finanças (a segunda deveria ser a denão escrever e falar difícil - defeito generalizado dentre os profissionais dessas áreas e, principalmente, dentre os professores dessas áreas). Essa primeira lição - aquela que vem logo depois do vestibular - é a seguinte: os desejos humanos não têm limites, por isso, as necessidades materiais da humanidade são ilimitadas. Insaciáveis. Mais ainda, elas multiplicam-se à medida que o ser humano vive mais e vive melhor. Todavia, os recursos econômicos, para fazer frente a essas necessidades são relativamente limitados - são escassos. Assim, terras para lavouras, edificações, água para reservatórios municipais, fábricas e armazéns não existem de forma irrestrita.

E se existissem não haveria desafios à humanidade. E sem desafios não haveria
progresso.

Ora, o princípio da escassez sempre foi a pedra angular da Ciência Econômica. Tome-se, aqui, um exemplo: a primeira tonelada de cobre explorada numa mina tem um custo monetário. A segunda tonelada tem esse custo mais alguma quantidade monetária adicional (podemos continuar este raciocínio até chegarmos a noção de custo marginal - que, explicando para os leigos, são aqueles custos que estão na margem da atividade econômica específica), o mesmo vale para a extração do petróleo, do ouro - porquanto todos eles: o cobre, o petróleo, o ouro são matérias-primas finitas. Limitadas. Têm até previsões para o seu fim. Essa regra, de forma relativa, vale para praticamente todos os recursos naturais renováveis. Por isso, a Economia tradicional e a visão financeira tradicional, em todas as suas trajetórias científicas e práticas, sempre tiveram suas teorias baseadas na escassez dos recursos naturais.

A nova Economia e a era financeira da contemporaneidade - a do NASDAQ - é diferente. Não mais pode ser analisada a partir do princípio da escassez. Passou a ser baseada no saber, no conhecimento - que são infinitos. Incomensuráveis. Ilimitados. E não têm previsões para o seu fim.

Observe-se, aqui, outro exemplo: a primeira cópia de um sistema operacional de
computadores do tipo Windows custou milhões de dólares. A segunda cópia custou apenas o preço comercial de um disquete de instalação do programa. Em outras palavras, a informação, o conhecimento e a capacidade e programar vêm jogando o preço dos produtos das empresas o NASDAQ ladeira a baixo. Daí seus êxitos e fracassos.

Essa nova lógica (que inclui a noção de networks, software e hardware), inclusive, deve ser bem percebida pelos empresários que querem ser vencedores.
O recurso principal da atividade econômica moderna e, conseqüentemente, da boa capacidade de solvência financeira é o conhecimento humano, é a capacidade inventiva do homem (ou, alternativamente, o capital intelectual). Sobre essa lembrança, que fique os pensamento do saudoso J. A. Schumpeter que sempre nos reiterou a importância do conhecimento e da inovação (e da importância central do empresário inovador) para a dinâmica econômica e financeira.

A nova Economia, bem como a saúde financeira da firma, têm sua base num recurso inesgotável: o conhecimento, que vem alcançando o ciberespaço. De tudo isso, uma simples observação: estamos adentrando para um período em que a educação do povo é a base do desenvolvimento econômico, financeiro e social da nova Economia labiríntica. Aqui, certamente, não existem atalhos, uma sociedade só encontrará o progresso quando seguir esse caminho.




Os vários significados do termo economia

Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano - FAA


Foz do Iguaçu Nossa noção do modo como o mundo funciona fundamenta-se, em grande extensão, na necessidade primordial de trocar bens com os outros e de nos tornarmos membros de uma sociedade mercantil. O mundo ficou tão ligado ao processo de vender e comprar coisas no mercado que temos dificuldades de imaginar qualquer outra maneira de estruturar os negócios humanos. O mercado é, de fato, uma força avassaladora em nossas vidas. Mas, o mercado é a economia, o que é economia?

Segundo o professor Paul Singer (um dos maiores nomes da área econômica do Brasil e ex-mestre deste articulista), podemos distinguir pelo menos três significados do termo "economia". O primeiro significado é a qualidade de ser estrito ou austero no uso de recursos ou valores. Quando dizemos: "Dona Maria é uma boa dona de casa. Ela é econômica", isso significa que Dona Maria trata de comprar pelo menor preço, nunca cozinha mais do que vai ser comido, evita que as coisas se estraguem. Dona Maria não é desperdiçadora, nem leviana, nem mão-aberta. Esta é a principal noção de economia do senso comum, ou seja, das pessoas comuns.

O segundo significado é a característica comum de uma ampla gama de atividades que compõem a "economia" de um país, de uma cidade (Foz do Iguaçu, por exemplo), etc. Aqui vale uma ressalva: não é fácil definir, com precisão, o que é "economia" neste sentido; por enquanto, contentar-nos-emos com a noção comum de que uma atividade é "econômica" quando visa ganho pecuniário, ou seja, quando proporciona a quem a exerce um rendimento em dinheiro (plantar, industrializar e comercializar soja, por exemplo, são, nesse sentido, atividades econômicas).

E o terceiro significado do termo "economia" se refere à ciência que tem por objeto a atividade (aquela que dá o segundo significado). A Economia (ciência - com letra maiúscula) é a sistematização do conhecimento sobre a economia (atividade). É nesse sentido que estão os dizeres dos professores de Economia. Veremos, ao longo deste artigo e dos demais (claro que não iremos dizer tudo agora, para que você, caro leitor, continue nos prestigiando) que tudo (tudo mesmo) o que se refere à economia é sempre (sempre mesmo) controverso, desde o sentido do que é Economia enquanto atividade até o status científico da Economia enquanto disciplina e área do conhecimento humano. Estas controvérsias já se travam a mais de duzentos anos (ou seja, desde a época em que a Economia surgiu como ciência - perceba, aqui, como nós, economistas, somos "bons de papo") e apaixonaram grandes espíritos (inclusive os nossos), cujas idéias inspiraram revoluções (como as idéias de Karl Marx, Vladimir Lênin, etc.) e contra-revoluções (como as idéias de John Keynes, Alfred Marshall, etc.) em todas as latitudes.

Estamos, na atualidade, tão longe de um acordo como nunca, embora haja progresso na compreensão do que está em jogo e na comprovação prática das teses básicas das principais escolas (ou correntes ou paradigmas). Depois de 150 anos de economia de mercado e de 50 anos de intervencionismo estatal regulador (e até mesmo de planejamento central) chegou-se o momento de a experiência histórica realimentar, inovando-a, à prática teórica.

No entanto, no sentido de dá alguma direção ao entendimento do que é Economia, podemos tirar um trecho do livro do professor Rossetti, que diz ser "Economia a ciência que estuda as formas de comportamento humano resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que, embora escassos, prestam-se a usos alternativos". Estes conjuntos de elementos conceituais (meios escassos, fins alternativos e ilimitáveis) estão presentes na maior parte das mais recentes "tentativas" de definição do termo Economia.

Pois bem, caro leitor, definir Economia não é fácil, mas, seu entendimento é necessário para a compreensão do mundo que nos rodeia. E ainda mais: a tomada de decisões econômicas por empresas e indivíduos é parte inerente à vida, embora isto nem sempre seja percebido. Estas decisões individuais (na linguagem Econômica, as decisões microeconômicas) são fortemente influenciadas por aquilo que está acontecendo ou virá a acontecer no ambiente geral da economia (ou no ambiente macroeconômico). Em decorrência disso, o conhecimento sobre o que esta acontecendo no ambiente mais amplo da economia do país e do mundo pode ter efeitos benéficos sobre a tomada de decisão, tanto por reduzir as chances de erro como pela avaliação das conseqüências possíveis em diferentes situações. Nesse sentido, vamos em frente e até o próximo artigo.

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