Jornal do Anglo







 

Desemprego triplica no Brasil

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, IPEA, acaba de divulgar um importante trabalho e o seu resultado é preocupante, pois a falta de investimento em relação à formação da juventude brasileira é dos maiores nos últimos anos. Dentre várias situações abordadas, o estudo exibe que, entre 1987 e 2007, o desemprego triplicou entre os jovens, passando de 7% para 20% na faixa etária dos 16 aos 20 anos. E na faixa dos 21 aos 29 anos, o desemprego mais que dobrou, passando de 5% para 11% no mesmo período. Em 2007, havia 4,8 milhões de jovens desempregados, 60,74% do total dos desempregados no Brasil. Especialmente alto, 19,8%, era o número de jovens que não estudavam e nem trabalhavam. Os resultados do IPEA deixam claro que não existem ações do governo coordenadas para os jovens.

Importante ressaltar que os fenômenos com as altas taxas de evasão escolar, índices alarmantes de morte precoce ou reprodução de desigualdades centenárias entre as novas gerações confirmam uma trajetória absolutamente irregular e de fracassos visíveis na faixa etária entre 15 e 29 anos. Ainda de acordo com o IPEA, o Brasil não está tirando proveito do bônus demográfico que a onda jovem possibilita. Isso quer dizer que as políticas públicas para a juventude chegaram muito tarde. Todavia, poderão ser implementadas, se houver de fato vontade política e estratégias reais para que se possa alcançar tal finalidade. Convém ressaltar que o jovem negro e pobre é uma das maiores vítimas da atual falta dessas políticas específicas.

Os dados do IPEA revelam ainda que o desemprego atinge 20% da população de 16 a 20 anos e 11%, de 21 a 29 anos. O percentual de trabalhadores sem carteira assinada, de 18 a 24 anos, atinge 50%, e de 25 a 29 anos, 30%. O Brasil tem 1,7% de jovens analfabetos, de 15 a 17 anos; 2,4%, de 18 a 24 anos, e 4,3%, de 25 a 29 anos. Poucos alunos conseguem chegar ao ensino superior, pois apenas 13%, na faixa de 18 a 24 anos, encontram-se nas universidades, sendo que 31% têm acesso à escola. O fracasso escolar, na população de jovens entre 15 e 17 anos, é real. Quarenta e oito por cento freqüentam o ensino médio; 44% não concluíram o ensino fundamental e 18% estão fora da escola. As causas do abandono escolar, entre os homens jovens e que tiveram oportunidade de trabalho, situam-se 42,2%; e entre as mulheres jovens, 21,1%, ficaram grávidas.

Das mortes precoces de jovens do sexo masculino, as provocadas por homicídios e acidentes de trânsito são 78%. Já na faixa entre 15 e 29 anos, são provocadas por AIDS transmitidas sexualmente, 30%. Os índices de mortes dos jovens no trânsito são alarmantes: 26,5% de vítimas fatais na faixa de 18 a 29 anos e 36,9% das vítimas não fatais entre 18 a 29 anos, contra 17,3% em todas as faixas de idade.

Outro “relatório também recém-divulgado, “Alcançando os Marginalizados”, pela UNESCO em Nova Iorque, mostra que o Brasil continua sendo o país com o maior numero de crianças fora da escola na America Latina e no Caribe. O país também teve os piores números de repetência na escola primária, de 19% em 2007, enquanto os dos vizinhos latino-americanos e caribenhos giraram em torno de 4%. Esse estudo é elaborado anualmente por uma equipe independente e publicado pela UNESCO.

Essa pesquisa avaliou ainda o tipo de educação, com testes de leitura em alunos com oito anos de escola. Entre 36% e 58% dos estudantes do Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e argentina não demonstraram a capacidade de leitura que alunos de países desenvolvidos alcançam no meio da escola primária. Programas como o Bolsa Família e o Brasil Alfabetizado foram reconhecidos como formas de combater problemas na educação, mas não suficientes em suas abrangências.

Dessa forma, faz-se mister que a educação seja uma bandeira permanente e uma política de Estado, para que esses índices sejam de fato revertidos e com urgência.



Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano

 

Zilda Arns, um belo e raro exemplo de vida

Um terremoto de magnitude sete, na Escala Richter, e considerado, pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, o mais forte nos últimos 200 anos, atingiu Porto Príncipe, capital do Haiti, deixando mais de 200 mil mortos, dentre os quais a fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, além de militares brasileiros da missão de paz das Nações Unidas. O mundo ainda encontra-se chocado e perplexo com a situação em que se encontra o povo do Haiti e os brasileiros, em especial, choram a morte de uma mulher que, com seu olhar meigo e fraterno, sorriso discreto e fala mansa, conseguiu levar aos quatro cantos do mundo palavras de paz, de amor, de sabedoria. Zilda Arns foi atingida pelo terremoto, enquanto ministrava uma palestra na Igreja do Sagrado Coração. Como sempre, pregava fé, esperança e caridade. Suas palavras serviam de balsamo e de esperança. Uma verdadeira e incansável missionária que, aos 75 anos, continuava à frente de um trabalho dos mais espetaculares em prol das crianças.

Zilda Arns foi uma cidadã do mundo, um exemplo de cidadania e de solidariedade e certamente o maior ícone brasileiro da ajuda humanitária de todos os tempos em nosso país. Formada em medicina, aprofundou-se em saúde pública, pediatria e sanitarismo, visando a salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário. Compreendendo que a educação revelou-se a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a marginalidade das crianças, para otimizar a sua ação, desenvolveu uma metodologia própria de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João. Zilda Arns era uma líder inconfundível, estava sempre pronta a servir, independente, suprapartidária e dona de uma fé contagiante. Deixa um legado dos mais nobres e, por seu trabalho, dedicação e nobreza de espírito insere-se no Panteão dos Heróis Nacionais, com distinção e louvor.

Irmã do Cardeal Arcebispo Emérito de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, prima de D. Leonardo Ulrich Steiner, Bispo de São Félix do Araguaia e tia do Senador Flávio Arns, PSDB-PR, Zilda era viúva, teve seis filhos e era avó de nove netos.
Sua experiência fez com que, em 1980, fosse convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin, para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória, no Paraná, criando um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde. Três anos mais tarde, a pedido da CNBB, criou a Pastoral da Criança juntamente com o presidente da CNBB, dom Geraldo Magella, Cardeal Agnelo, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, que, à época, era Arcebispo de Londrina. No mesmo ano, deu início à experiência a partir de um projeto-piloto em Florestópolis, Paraná. Após vinte e cinco anos, a pastoral acompanhou 1 816 261 crianças menores de seis anos e 1 407 743 de famílias pobres em 4060 municípios brasileiros. Neste período, mais de 261 962 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres, criando condições para que elas se tornem protagonistas de sua própria transformação social.


Pelo trabalho desenvolvido e reconhecido mundialmente, Zilda Arns recebeu diversas menções internacionais e títulos importantes, como os de cidadã honorária de várias cidades do Brasil, assim como os de Doutora Honoris Causa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, da Universidade Federal do Paraná, da Universidade do Extremo-Sul Catarinense de Criciúma, da Universidade Federal de Santa Catarina e da Universidade do Sul de Santa Catarina. Em 2001, 2002, 2003 e 2005,  a Pastoral da Criança foi indicada pelo Governo Brasileiro ao Prêmio Nobel da Paz. Em 2006, Zilda Arns foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz.


Zilda Arns morreu em uma missão, no interior de um templo católico, levando sua palavra de otimismo aos que dela precisavam. Lembrando Brecht, “há homens que lutam muitos anos e são melhores, mas há os que lutam toda a vida, esses são os imprescindíveis”. Zilda Arns deixa uma imensa saudade, um enorme vazio, uma tristeza profunda, mas uma esperança renovada, pois seu belo e raro exemplo de vida será sempre venerado.



Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano

 

A Estrela Dalva

A mistura do amor puro de uma cantora pelo autor de seus sucessos com sua decepção por ser tratada como mera fonte de renda foi o enredo de Dalva e Herivelto, Uma Canção de Amor, uma minissérie exibida pela TV Globo. Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, ícones brasileiros da "Era do Rádio", marcaram época não só com suas vozes e letras, mas também pelos conflitos conjugais. A autora Maria Adelaide do Amaral soube com grande talento escrever essa história de vida, carregada de ingredientes fascinantes: paixão, traição, ciúme, agressão e momentos de alta dramaticidade. O resultado foi um dos maiores espetáculos da televisão brasileira, sob a direção competente e segura de Dennis Carvalho. Adriana Esteves e Fábio Assunção deram uma demonstração de talento e de profissionalismo, ao incorporarem Dalva e Herivelto. Certamente, esses personagens ficarão para sempre nas mentes e nos corações dos telespectadores.

A minissérie retrocede no tempo a partir de 1972, quando Dalva, em seu leito de morte, aguarda uma visita do primeiro marido e único e verdadeiro amor, Herivelto. A partir daí, o público confere a trajetória do casal desde a época em que se conheceram, em 1936, no Teatro Pátria, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. Apesar de fazer questão de cuidar de todos os detalhes de Dalva na carreira musical, Herivelto não dá atenção à mulher fora dos palcos. Mulherengo, coleciona conquistas extraconjugais, até que se apaixona pela aeromoça Lurdes, de Maria Fernanda Cândido, que conhece durante um voo. Começa aí a tumultuada separação dos músicos, que ganhou as páginas dos jornais, as letras de músicas da época e atraiu a curiosidade de multidões no fim da década de 40. Tanto que o casal chegou a perder a guarda dos dois filhos. A relação, na verdade, teria findado antes, não fosse o medo de Herivelto de destruir a própria carreira e, é claro, deixar de ganhar os cachês gordos pelas apresentações do Trio de Ouro, do qual fazia parte com a mulher e o cantor Nilo Chagas. Para garantir a coerência com a história dos músicos e as épocas retratadas, foram pesquisadas biografias não só dos personagens principais, mas de todos os que apareceram na minissérie, como Rick Valdez, Linda Batista, Grande Otelo, Dercy Gonçalves, Francisco Alves, os filhos Billy e Pery Ribeiro, César Ladeira, Marlene, Emilinha Borba e Orlando Silva. Além disso, a equipe teve acesso às correspondências amorosas trocadas por Herivelto e Lurdes e aos artigos publicados na série Por Que Deixei Dalva de Oliveira, que o compositor escreveu para o jornal de David Nasser. Poucas cantoras atingiram uma escala de empatia com o público como Dalva.

Dalva morreu no 31 de agosto de 1972, deixando uma multidão de fans tristes. Já Herivelto Martins tem sua trajetória dividida em duas partes: antes e depois de Dalva de Oliveira, de 1936 até 1950, quando se separaram definitivamente. A vida conjugal de Herivelto e Dalva foi sempre muito tumultuada. Após 10 anos de casamento e dois filhos Pery (Ribeiro, que fez muito sucesso bem mais tarde) e Ubiratan, separaram-se, protagonizando um escândalo nacional, divulgado pela imprensa. Esse episódio serviu para fortalecer a carreira de Herivelto, pois, diante do sofrimento da separação, fez letras que eram maravilhosas, retratando fielmente, a crise que estava vivendo. A partir daí houve um verdadeiro duelo musical, ele de um lado, juntamente com David Nasser (jornalista e compositor) e Dalva de outro, sustentada por letras/músicas de Ataulfo Alves, Nelson Cavaquinho, Mário Rossi, J. Piedade e Marino Pinto.Tudo começou com o samba de Herivelto "Cabelos Brancos", respondido por Dalva com o "Tudo acabado", de J. Piedade e Osvaldo Martins. Herivelto respondia com outras canções como "Caminhemos", "Quarto Vazio", "Caminho Certo" e "Segredo". Dalva rebatia com "Calúnia", "Errei sim" e "Mentira de Amor". E o público brasileiro era quem ganhava. A época era de viver uma boa fossa e as música embalavam os suspiros a favor, ora de Herivelto, ora de Dalva. Mas, a vida não deixa barato e ele conheceu Lurdes Torelly, seu grande amor e companheira pelo resto da vida. A morena de olhos verdes viveu com ele por quase 40 anos e lhe deu três filhos: Fernando, Yaçanã e Herivelto Filho. Para ela foi composta a música "Pensando em ti", que acirrou mais ainda o duelo musical com Dalva. Algum tempo depois Dalva e Lurdes tornaram-se muito amigas, sendo Lurdes o esteio de Dalva até o fim de sua vida. A minissérie exibida pela Globo serviu para resgatar as importantes carreiras de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins e ainda para fazer com que as novas gerações pudesse conhecer um pouco sobre esses dois grandes astros brasileiros de tempos passados.


Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano

 

 

Hoje é Dia de Reis. Você sabe o que é isso?


No Brasil, o Dia de Reis perdeu muito do significado religioso. Em algumas localidades da Europa, contudo, a data é mais solene até mesmo do que o Natal. Hoje é Dia de Reis Magos, Festa de Reis ou, mais tecnicamente, Epifania. Mas, o que exatamente significa essa data e a cele bração ligada a ela? É o dia em que Jesus se manifesta para outros povos. Diz a tradição que foi nesse dia que os Reis Magos viram a Estrela de Belém no céu e foram ao encontro de Jesus que havia nascido há pouco. Segundo a Bíblia, tendo Jesus nascido em Belém, no tempo do Rei Herodes, os Magos do Oriente chegaram a Jerusalém perguntando: "Onde está o Rei dos Judeus, recém-nascido? Vimos sua estrela e viemos adorá-lo".

A designação "Mago" era dada, entre os orientais, à classe dos sábios ou eruditos. Ignora-se a proveniência dos Reis Magos, mas supõe-se que fossem da Arábia, tendo em conta os presentes ofertados ao Menino Jesus: ouro, incenso e mirra - prendas que simbolizavam a realeza, a divindade e a imortalidade do novo Rei.

A Bíblia não menciona a palavra Reis. Ela menciona como os “Magos” vindos do Oriente, e também não diz três, mas como Jesus recebeu três presentes, criou-se a tradição de falar que são três pessoas, cada uma deles dando-lhe um presente.

Segundo a tradição, um era negro (africano), o outro branco (europeu) e o terceiro moreno (assírio ou persa) e representavam toda a humanidade conhecida daquela época. Quanto aos nomes dos três, foi Beda, um cronista inglês que viveu entre 673 e 735 d.C., quem deu nome aos magos: Gaspar, Belchior e Baltazar.

Essa festa se tornou uma grande celebração na igreja ortodoxa, tanto católica quanto russa. E tanto isso é verdade que, em determinados países, as pessoas ganham presentes no dia 6 de janeiro. Na Espanha, a data é chamada de Festa de Reis. Na Itália, eles chamam a festa da "Befana", que seria uma velha bruxinha boa que dá presente para as crianças. Essa tradição é seguida até hoje por lá: ninguém recebe presente no dia 25 de dezembro e, sim, no dia 6 de janeiro. Na Europa inteira é feriado no Dia de Reis.

Além das comemorações descritas, é justamente no dia de hoje que as decorações natalinas são desfeitas. Os enfeites são tirados das árvores, as guirlandas retiradas das portas, os presépios desmontados.

Apesar de a maioria dos brasileiros não estar tão ligada quanto aos europeus à Festa de Reis, inúmeras comunidades, principalmente no interior do Brasil, promovem os chamados Reisados ou Folias de Reis, festas folclóricas que receberam a influência das origens européias da celebração mas que adotaram formas, cores e significados locais bastantes próprios de nosso povo na expressão que virou parte de nossa cultura.

Os Reisados brasileiros envolvem música, dança, celebração religiosa, orações, com elementos específicos mais marcantes dependendo da região do país, e acrescenta a tradição de que aqueles que recebem a visita do Reisado em suas casas (na realidade, o simbolismo representa a visita dos Reis Magos a Jesus) devem oferecer graciosamente comida a seus integrantes, que realizam toda sua performance de tradição folclórico-religiosa local, enaltecem o hospedeiro, agradecem pela comida e seguem para o próximo destino.

Afinal, que estranha estrela seria essa que teria guiado os Reis Magos?

No final do ano de 1572, o astrônomo dinamarquês Tycho-Brahe descobriu uma estrela muito brilhante na constelação de Cassiopéia. Na verdade, o seu brilho era tanto que o novo astro podia ser visto mesmo à luz do dia, durante quase 20 meses. Mais tarde, esse fenômeno seria batizado de nova e supernova, denominações usadas em Astronomia para designar as estrelas que explodem, aumentando assustadoramente de brilho e, depois de algum tempo, quase desaparecem do firmamento.

Contemporâneos de Tycho-Brahe viram no astro a mesma estrela que teria guiado os Magos, enquanto outros afirmavam que o fenômeno anunciava a chegada de um segundo Salvador. Outra versão proposta pelo filósofo grego Orígenes (que viveu de 183 a 254 d.C.) supõe que o agora conhecido cometa Halley teria sido o astro visto pelos Magos. Alguns acreditam que a visão da estrela pode ter sido consequência de uma conjugação planetária.

Atualmente, ainda não existe nenhum consenso. O astrônomo britânico Patrick Moore avança mais uma hipótese para o ocorrido. Segundo ele, a luz intensa vista naquelas localidades do Oriente não passou de uma chuva de meteoros.

A data, todavia, marca, para os católicos, o dia para a veneração aos Reis Magos, que a tradição surgida no Século VIII converteu nos santos Melquior, Gaspar e Baltazar.

 

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano

 

Curiosidades sobre o Ano Novo


E Você sabia que o Ano Novo se consolidou na maioria dos países há 500 anos? Desde os calendários babilônicos (2.800 a.C.) até o calendário gregoriano, o réveillon mudou muitas vezes de data.

A primeira comemoração, chamada de "Festival de ano-novo" ocorreu na Mesopotâmia por volta de 2.000 a. C. Na Babilônia, a festa começava na ocasião da lua nova indicando o equinócio da primavera, ou seja, um dos momentos em que o Sol se aproxima da linha do Equador onde os dias e noites têm a mesma duração. No calendário atual, isto ocorre em meados de março (mais precisamente em 19 de março, data que os espiritualistas comemoram o ano-novo esotérico).

Os assírios, persas, fenícios e egípcios comemoravam o ano-novo no mês de setembro (dia 23). Já os gregos, celebravam o início de um novo ciclo entre os dias 21 ou 22 do mês de dezembro.

Os romanos foram os primeiros há estabelecerem um dia no calendário para a comemoração desta grande festa (753 a.C. - 476 d.C.) O ano começava em 1º de março, mas foi trocado em 153 a. C. para 1º de janeiro e mantido no calendário Juliano, adotado em 46 a. C. Em 1582 a Igreja consolidou a comemoração, quando adotou o calendário gregoriano.

Alguns povos e países comemoram em datas diferentes. Ainda hoje, na China, a festa da passagem do ano começa em fins de janeiro ou princípio de fevereiro. Durante os festejos, os chineses realizam desfiles e shows pirotécnicos. No Japão, o ano-novo é comemorado do dia 1º de janeiro ao dia 3 de janeiro.

A comunidade judaica tem um calendário próprio e sua festa de ano-novo ou Rosh Hashaná, - "A festa das trombetas" -, dura dois dias do mês Tishrê, que ocorre em meados de setembro ao início de outubro do calendário gregoriano. Para os islâmicos, o ano-novo é celebrado em meados de maio, marcando um novo início. A contagem corresponde ao aniversário da Hégira (em árabe, emigração), cujo Ano Zero corresponde ao nosso ano de 622, pois nesta ocasião, o profeta Maomé, deixou a cidade de Meca estabelecendo-se em Medina.

Tradições no mundo:

Itália: O ano novo é a mais pagã das festas, sendo recebido com Fogos de artifícios, que deixam todas as pessoas acordadas. Em várias partes do país, dois pratos são considerados essenciais. O pé de porco e as lentilhas. Os italianos se reúnem na Piazza Navona, Fontana di Trevi, Trinitá dei Monit e Piazza del Popolo.

Estados Unidos: A mais famosa passagem de Ano Novo nos EUA é em Nova Iorque, na Time Square, onde o povo se encontra para beber, dançar, correr e gritar. Durante a contagem regressiva, uma grande maçã vai descendo no meio da praça e explode exatamente à meia-noite, jogando balas e bombons para todos os lados.

Austrália: Em Sydney, três horas antes da meia-noite, há uma queima de fogos na frente da Opera House e da Golden Bridge, o principal cartão postal da cidade. Para assistir ao espetáculo, os australianos se juntam no porto

França: O principal ponto é a avenida Champs-Elysées, em Paris, próximo ao Arco do Triunfo. Os franceses assistem à queima de fogos, cada um com sua garrafa de champanhe (para as crianças sumos e refrigerantes).

Brasil: No Rio de Janeiro, na praia de Copacabana, onde a passagem do Ano Novo reúne milhares de pessoas para verem os fogos de artifício. As tradições consistem em usar branco e jogar flores para “Yemanjá”, rainha do mar para os brasileiros.

Inglaterra: Grande parte dos londrinos passa a meia-noite em suas casas, com a família e amigos. Outros vão à Trafalgar Square, umas das praças mais belas da cidade. Lá, assistem à queima de fogos.

Alemanha: As pessoas reúnem-se no Portal de Brandemburgo, no centro, perto de onde ficava o Muro de Berlim.

 

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano

 

Uma árvore de Natal para você


E chegamos ao mês de dezembro! Um Mês de festas, de comemorações...
Um Mês Santo. Nascimento de Jesus.
Tempo para pensarmos, refletirmos. Avaliarmos atos e ações.
Projetarmos o nosso futuro, com base nos bons acontecimentos e nos nem tão bons assim havidos neste ano que está por se encerrar.
O importante mesmo é cultivar amizades, armazenar sabedoria, amar o próximo, realizar, fazer acontecer, com ética, seriedade e verdade.

Paz
União
Alegrias
Esperanças
Amor Sucesso
Realizações Luz
Respeito Harmonia
Saúde Solidariedade
Felicidade Humildade
Confraternização Pureza
Amizade Sabedoria Perdão
Igualdade Liberdade Boa Sorte
Sinceridade Estima Fraternidade
Equilíbrio Dignidade Benevolência Fé Bondade

Paciência Gratidão
Força Tenacidade
Prosperidade
Reconhecimento


Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano

 

No Vale dos Caídos, a História da Espanha


A poucos quilômetros de Madri e a apenas 14 km da Cidade de San Lorenzo de El Escorial está situado o Valle de los Caídos (Vale dos Caídos). Trata-se de um monumento de grandes dimensões construído em 1940, por ordem do ditador espanhol Francisco Franco. A sua construção demorou 18 anos para ser concluída, formando um complexo composto por uma basílica, abadia e hospedaria, em memória dos mortos na Guerra Civil Espanhola, de 1936-1939. Apesar de não ter sido vítima dessa guerra, Franco está enterrado no Vale, assim como José Antonio Primo de Rivera, outro ditador, e mais 33.872 combatentes. Em 1975, após a morte de Franco, o local foi designado pelo governo interino como o local de sepultamento para ele que, na verdade, nunca manifestara desejo de ser ali sepultado, mas em Madri. Franco está sepultado dentro da igreja e seu túmulo é uma simples lápide gravada com seu nome, ao lado da coroa do altar-mor. Apesar das fortes conotações e lembranças histórico-políticas, o monumento é regido como um cemitério, onde é proibido exprimir qualquer tipo de ideologia.

Elevando-se acima do vale encontra-se a Basílica de la Santa Cruz del Valle de los Caídos, uma das maiores do mundo, e também a cruz mais alta do mundo, com 152,4 metros. Em 1960, o Papa João XXIII declarou a cripta subterrânea uma basílica. Acontece, porém, que as dimensões da basílica subterrânea seriam maiores do que aquelas da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Para evitar que isso acontecesse, uma parede de separação foi construída perto da entrada. Nenhuma basílica pode ser maior do que a situada no Vaticano.

O santuário, um marco na arquitetura espanhola do século passado, foi concebido por Pedro Muguruza e Méndez Diego em uma escala de igualdade, de acordo com Franco, com "a grandeza dos monumentos da antiguidade, que desafiam o tempo e esquecimento". As esculturas monumentais sobre o portão principal e a base da cruz culminou com a carreira de Juan de Ávalos. O monumento consiste em uma ampla esplanada com uma espetacular vista do vale e dos arredores de Madri. Embora o vale abrigue sepulturas de nacionalistas e de republicanos, ele é nitidamente nacionalista e anticomunista, contendo a inscrição "Por Dios y Caídos por Espana”, refletindo, assim, as estreitas relações do regime nacionalista de Franco com a Igreja Católica.

Hoje, o Governo socialista da Espanha pensa em tornar o Vale dos Caídos em um "monumento à Democracia". O Vale é um dos mais visitados locais turísticos de toda a Espanha, pela sua história social e política e também pela sua grandiosidade. Comum se verificar a presença de estudantes universitários ou do ensino básico, fazendo pesquisas no local, tirando fotos e entrevistando os turistas e espanhóis que ali se encontram. Pela beleza e suntuosidade do local, artistas plásticos também se inspiram nas paisagens da serra e no próprio monumento, um dos mais conhecidos postais de toda a Espanha.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Noruega, país mais desenvolvido do mundo


A Noruega é um país do norte da Europa, situada na Escandinávia. Belíssimas paisagens e cidades marcam o país como os Fiordes e a bela capital, Oslo. É segundo a Organização das Nações Unidas, o país mais desenvolvido do mundo há seis anos. É bastante conhecida por seus vikings e peixes, especialmente o bacalhau, e sua população é baixa, aproximadamente 4.6 Milhões de habitantes.

Nas duas primeiras décadas após a Segunda Guerra Mundial, o país experimentou um rápido crescimento econômico devido ao transporte marítimo, a marinha mercante norueguesa e pela industrialização doméstica. Já a partir da década de 1970, o crescimento foi resultado da descoberta de grandes jazidas de petróleo no Mar do Norte e no Mar da Noruega. O país é dotado de ricos recursos naturais - petróleo, energia hidroelétrica, peixes, florestas, e minerais - e está altamente dependente da sua produção e dos preços internacionais do petróleo. Somente a Arábia Saudita e a Rússia exportam mais petróleo do que a Noruega.

Hoje o país é classificado como o mais rico do mundo, com a maior reserva de capital per capita do que qualquer outra nação. Em agosto último, o fundo de riqueza da nação anunciou que possuía cerca de 1% de todas as ações de bolsas de valores do mundo, provavelmente referindo-se a ações negociadas publicamente. A Noruega é o sétimo maior exportador de petróleo do mundo e a indústria do petróleo representa cerca de um quarto do PIB do país. Depois da Crise econômica de 2008-2009, os banqueiros têm considerado a coroa norueguesa uma das mais sólidas moedas do mundo.

A Noruega também possui ricos recursos em campos de gás, hidroeletricidade, peixes, florestas e minerais. O país mantém o modelo social escandinavo baseado na saúde universal, no ensino superior subsidiado e em um regime compreensivo de previdência social. A Universidade de Oslo é a mais antiga das universidades norueguesas e foi fundada em 1881, quando o país encontrava-se em domínio dinamarquês. Ela conta com cerca de trinta e oito mil estudantes. A Universidade de Oslo faz parte da Rede de Universidades das Capitais da Europa, uma organização que envolve 24 unversidades e que dá uma ênfase particular a políticas no âmbito de temáticas urbanas e de gestão universitária. A Universidade de Oslo está organizada em oito faculdades (Teologia, Direito, Medicina, Humanidades, Matemática e Ciências Naturais, Medicina Dentária, Ciências Sociais e Educação), oferecendo formação em vinte áreas do conhecimento. O campus central da universidade, onde apenas a Faculdade de Direito está localizada, é espetacular. Próximo do Castelo Real, do Parlamento e do Teatro Nacional, esses prédios foram inspirados pelas famosas construções do arquieto prussiano Karl Friedrich Schinkel. A universidade, além disso, integra 17 museus, 4 hospitais, uma estação biológica em Drøbak, uma estação ecológica de alta montanha em Finse, a Estação Arqueológica de Isegran e os Institutos Noruegueses de Roma e de Atenas. Cinco vencedores do Prêmio Nobel estudaram na instituição, o que indica a altíssima qualidade de seu ensino. São eles: Fridtjof Nansen, Ragnar Frisch, Odd Hassel, Ivar Giaever e Trygve Haavelmo.

A Noruega foi classificada como o melhor país do mundo em desenvolvimento humano entre 2001 e 2007. E este ano, o país foi novamente classificado pela ONU como o melhor país do mundo para se viver. A Noruega também foi avaliada como o país mais pacífico do mundo em uma pesquisa realizada em 2007 pelo Índice Global da Paz.

Com a qualidade de vida mais elevada do mundo, os noruegueses preocupam-se bastante com as duas décadas seguintes quando o petróleo e o gás começarem a acabar. Consequentemente, a Noruega tem acumulado os seus excedentes orçamentais, derivados do petróleo, num fundo governamental que investiu no exterior e que em 2003 foi avaliado em 114 bilhões de dólares americanos. Por todas as suas características, a Noruega é um exemplo para todo o mundo.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Ensino superior tem quase 1,5 milhão de vagas ociosas


O crescimento do número de matrículas no ensino superior entre 2007 e 2008 não acompanhou a expansão das vagas. Em todo o país, foram registradas 1.479.318 vagas não preenchidas, de acordo com informações do Censo da Educação Superior, divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério da Educação (MEC).

As instituições privadas respondem por 98% dessas vagas. Entre 2007 e 2008, o aumento de vagas ociosas foi de 10%. Apesar de alto, ainda é menor do que o registrado no período anterior, de 13%. O relatório aponta que é preciso analisar as razões para um número tão grande de vagas desocupadas, pois "a oferta deve refletir a capacidade instalada do setor para atender à demanda por cursos de graduação".

O censo revelou ainda que o país tinha 5.808.017 estudantes de graduação no ano passado. Deste total de universitários, 727.961 frequentavam cursos de graduação à distância e os demais 5.080.056, cursos presenciais. O censo revela que o crescimento das matrículas presenciais foi de 4,1%, em relação a 2007, enquanto na educação à distância o salto foi de 96,9% no mesmo período.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, julga que o Brasil não conseguirá atingir a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação para 2011, de que pelo menos 30% da população de 18 a 24 anos frequente a universidade. Em 2008, essa taxa, calculada com base em dados da Pnad, era de 13,71%. Considerando-se todos os universitários brasileiros, independentemente da idade, a taxa bruta de matrículas era de 25,52%. Para a secretária de Educação Superior, Maria Paula Dallari Bucci, é "legítimo" que o país leve em conta essa taxa bruta, já que o país convive com atraso escolar em todos os níveis de ensino. Reynaldo Fernandes acredita que, nos países desenvolvidos, a taxa bruta costuma ser praticamente a mesma da taxa líquida.

Nas instituições federais de ensino superior, houve aumento de 21.513 novas vagas presenciais e à distância, um incremento de 12,2% - somadas as duas modalidades de ensino - em relação a 2007.

Maria Paula apresentou, em Brasília na última semana, balanço do Reuni, o programa de expansão das universidades federais. Segundo ela, no primeiro ano de vigência do programa, até o primeiro semestre de 2008, foram criadas cerca de 15 mil vagas presenciais. O investimento federal foi de 415 milhões. Até 2012, o investimento previsto é de R$ 3,5 bilhões. A secretária disse que as universidades contrataram 9.489 professores e 6.355 técnico-administrativos.

Esse número, segundo a Secretária, é quase mais importante do que todo o resto. A transformação da universidade federal está nessa renovação. São profissionais qualificados. Daqui a alguns anos, isso vai significar uma transformação de A a Z na universidade.

Já os resultados consolidados do Censo Escolar da Educação Básica de 2009 estão no Diário Oficial da União desde a última segunda-feira. Os dados são relativos aos segmentos que servem de base para o cálculo da distribuição dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

Os dados completos, com informações sobre infraestrutura e instituições federais e privadas, por município, serão brevemente divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

De acordo com os dados preliminares do censo, divulgados em setembro, as matrículas na educação básica tiveram uma queda de 2,1% de 2008 para 2009.

O censo realizado em parceria com as redes municipais e estaduais é o mais abrangente levantamento estatístico sobre a educação básica no país. As informações são usadas pelo Ministério da Educação (MEC) para a formulação de políticas e também para definir os critérios de repasse de recursos a escolas, estados e municípios.

Os dados do censo também servem de base para o cálculo dos indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que serve de referência para as metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).

O Censo Escolar de 2009 levantou dados sobre escolas, turmas, professores e alunos de todas as etapas e modalidades da educação básica em todo o país. Com essas informações, os pesquisadores e órgãos de governo podem verificar tanto a situação atual e a evolução da educação básica quanto os resultados das políticas em curso.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Ministério da Saúde e CNBB incentivam testagem de HIV


O Ministério da Saúde, por meio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se uniram em uma ação inédita e histórica. A Igreja Católica mobilizará suas pastorais e movimentos religiosos, além da rede de saúde e meios de comunicação, para sensibilizar os fiéis sobre a importância da testagem para aids na população geral e para sífilis entre as gestantes. Com slogan Declare seu amor por você, a campanha será veiculada para o público em geral.

A parceria, de acordo com o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, tem forte conteúdo de humanização na abordagem do problema. O desafio de ampliar a testagem, necessariamente esbarra em temas como o receio, o medo e o preconceito. Os trabalhos que as pastorais realizam são fortes na defesa da luta pela vida. O anúncio feito na última semana, durante o lançamento da iniciativa em Brasília. O evento contou com a presença do secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, e o bispo referencial da Pastoral da DST/Aids, Dom Eugênio Rixen, entre outros representantes da Igreja.

A parceria da CNBB com o Ministério da Saúde começa com um projeto piloto em cinco capitais: Manaus, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre e João Pessoa. A iniciativa tem o objetivo de fazer com que as pessoas compreendam a necessidade de conhecer sua sorologia e busquem o teste antes que a doença se desenvolva. As paróquias que quiserem fazer mobilizações para testagem poderão contar com a rede pública de saúde que disponibilizará profissionais qualificados, testes, aconselhamento pré e pós-exame e encaminhamento à rede de assistência para os casos positivos.

Está prevista também a capacitação de integrantes das pastorais que aderirem à articulação. A Pastoral da Aids, por exemplo, está presente em 142 das 272 dioceses do Brasil e possui 13 mil agentes capacitados e envolvidos no trabalho de acompanhamento das pessoas com HIV e seus familiares. Na Pastoral da Criança são 260 mil agentes e na da Saúde 80 mil. Eles também poderão apoiar as ações de incentivo à testagem. Além da estrutura de mobilização social favorável à Saúde, a Igreja alcança populações em áreas de vulnerabilidade e é um formador de opinião pública de grande credibilidade.

A partir das reflexões feitas no VII Seminário Nacional de Prevenção, realizado em outubro de 2008 em Brasília, a Pastoral da Aids, por meio da CNBB, entregou ao Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais uma série de recomendações. O documento mencionava a importância do incentivo ao diagnóstico precoce e sugere sua ampliação do teste de aids. Em função das sugestões, o Ministério da Saúde estabeleceu a parceria com a Igreja para oferecer a testagem ao público católico.

Embora o teste seja gratuito e esteja disponível na rede de saúde, as pessoas têm dificuldades para se testar. O diagnóstico precoce, associado ao tratamento, é um dos principais fatores para aumentar a sobrevida e a qualidade de vida dos soropositivos. Dados do Ministério da Saúde de 2008 mostram que cerca de 60% da população brasileira jamais se testou para o HIV.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, entre 2003 e 2006, 43,7% dos pacientes soropositivos que chegaram aos serviços de saúde já apresentavam deficiência imunológica ou quadro clínico de sintomas da aids. Desse total, 28,7% evoluíram para quadro clínico mais grave e morreram no início do tratamento. Atualmente, são cerca de 630 mil pessoas vivendo com HIV e aids no país. Deste total, estima-se que 225 mil pessoas no Brasil sejam portadoras do HIV e desconhecem sua condição sorológica.

Essa parceria do Ministério da Saúde e a CNBB é importantíssima para a sociedade brasileira, uma vez que dará oportunidades efetivas para que aqueles que necessitam de um atendimento médico e ainda psicológico possam ser tratados com mais dignidade, preservando, assim, os direitos fundamentais do Homem.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Programa de apoio ao ensino em Defesa Nacional


O Programa de Apoio ao Ensino e à Pesquisa Científica e Tecnológica em Defesa Nacional – Pró-Defesa, constitui-se em uma ação do governo brasileiro destinada a fomentar a cooperação entre instituições civis e militares para implementar projetos voltados ao ensino, à produção de pesquisas científicas e tecnológicas e à formação de recursos humanos qualificados na área de Defesa Nacional.

O Programa é executado por meio de parceria entre o Ministério da Defesa (MD) e a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), estabelecida na Portaria Interministerial n.º 2.674/05. O Programa enquadra-se nas diretrizes da Capes de indução temporária de áreas estratégicas da política brasileira de ciência e tecnologia e consiste em conceder apoio financeiro aos projetos selecionados de acordo com os critérios definidos em Edital.

O Pró-Defesa objetiva estimular o ensino, a produção de pesquisas científicas e tecnológicas e a formação de recursos humanos pós-graduados em Defesa Nacional, contribuindo para desenvolver e consolidar o pensamento brasileiro na área.

E dentre os seus objetivos, cumpre destaca:

Contribuir para a criação, o fortalecimento e a ampliação de áreas de concentração, linhas de pesquisa e programas de pós-graduação stricto sensu no País que tratem de assuntos de interesse da Defesa Nacional.
Ampliar e disseminar a produção científica sobre questões relacionadas à Defesa Nacional.

Promover o intercâmbio de conhecimentos e o estabelecimento de parcerias entre Instituições de Ensino Superior (IES), Instituições Militares de Ensino, Centros de Estudo Estratégicos e outras instituições, visando a desenvolver estudos acadêmicos conjuntos na área de Defesa Nacional.

Apoiar a formação de recursos humanos pós-graduados capacitados para atuar na área de Defesa Nacional.
Estimular o diálogo entre especialistas civis e militares sobre assuntos atinentes à Defesa.

O Pró-Defesa foi implementado no ano de 2005, graças à percepção dos dirigentes do Ministério da Educação e da Defesa acerca da importância do tema para o conjunto de sociedade brasileira. Desta forma, a Coordenação de Aperfeiçoamento de pessoal de Nível Superior (CAPES/MEC) uniu-se ao Ministério da Defesa, em mútua cooperação, para executar esse Programa, cujos resultados têm contribuído significativamente para o desenvolvimento e consolidação da área de Defesa Nacional.

Devido ao sucesso da iniciativa e à grande aceitação por parte da comunidade acadêmica, os dois Órgãos envidaram esforços no sentido de dar continuidade ao Programa, lançando em 2008 o segundo edital para a seleção de novos projetos, ampliando a duração do Pró-Defesa até 2012 e elevando os recursos aplicados a cifras superiores a 10 milhões de reais.

Estão em execução, no âmbito do Pró-Defesa, 27 projetos envolvendo 26 instituições civis e 16 instituições militares, entre líderes e associadas, que participaram dos últimos processos de seleção. Instituições públicas e privadas brasileiras podem participar, desde que:

a) possuam, em seus programas de Pós-Graduação stricto sensu reconhecidos pelo MEC, área(s) de concentração ou linha(s) de pesquisa em Defesa Nacional. Poderão também concorrer as instituições que apresentem projeto viável de implantação dessas linhas de pesquisa; e

b) demonstrem comprometimento institucional inequívoco com o desenvolvimento das ações do projeto apresentado e com o fortalecimento do ensino e da pesquisa sobre Defesa Nacional, mesmo após o encerramento do projeto.

Admitir-se-á a participação de Instituições Militares de Ensino e Pesquisa em nível de Pós-Graduação que não possuam programas de pós-graduação stricto sensu, mas que estabeleçam associação com IES, respeitados os termos do edital pertinente.

Esse programa, desenvolvido no âmbito do Ministério da Defesa, é, na verdade, uma real possibilidade para o fomento de parcerias de cooperação entre instituições civis e militares para implementar projetos voltados à realização de pesquisas científicas e à formação de recursos humanos mais qualificados na área de Defesa Nacional.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

A encantadora Bibi Ferreira (II)


Nos anos 90, Bibi Ferreira revive seus maiores sucessos remontando Brasileiro, Profissão: Esperança e fazendo um espetáculo em que canta canções e conta histórias de Piaf. Em Bibi in Concert, comemora 50 anos de carreira e, depois de anos de temporada, faz o Bibi in Concert 2. Em 1996 recebe o Prêmio Sharp de Teatro, encena Roque Santeiro, de Dias Gomes, em versão musical, e dirige pela primeira vez uma ópera, Carmen, de Bizet, 1999.

Trabalhando sem parar e sendo sempre reconhecida pela crítica e pelo público, Bibi, em 2001, estréia no Rio de Janeiro o espetáculo Bibi Vive Amália, no qual contava e cantava a vida da fadista portuguesa Amália Rodrigues. Em 2003 dirigiu Antonio Fagundes em Sete Minutos. Em 2004, lançou CD e DVD do show Bibi Canta Piaf, em que a artista interpretava a cantora francesa Edith Piaf. Em outubro de 2005, Bibi Ferreira estreou o show Bibi in Concert III - Pop, em São Paulo.

Em 2007 Bibi voltou ao teatro de prosa em Às favas com os escrúpulos, de autoria de Juca de Oliveira e dirigida por Jô Soares. Este ano, em pleno Ano da França no Brasil, voltou aos palcos do Teatro João Caetano e Maison de France para uma curtíssima temporada de Bibi canta e conta Piaf, quando cantou Piaf e La Marseillaise, além do Chant des partisans.

Bibi Ferreira, essa diva do teatro brasileiro, segue incansável aos 87 anos, brilhando em tudo o que faz. Além de estar dirigindo no momento, já planeja, com o Maestro Flávio, encenar o espetáculo Bibi in Concert IV, em 2010.

E no regresso do Colégio Anglo-Americano, na Barra, ao Flamengo, bairro em que vive a artista, a conversa foi longa e espontânea. Conversamos sobre o momento atual do teatro, sobre a bela Adriane Galisteu, que Bibi a dirigiu e não lhe poupou elogios, “ela é uma atriz nata”, sobre os projetos para o futuro e sobre Piaf. “Sempre achei Piaf uma cantora depressiva e eu não gosto de tristezas e de depressões. Foi por muita insistência que fui cantar e encenar Piaf e isso só aconteceu depois de um ano de muita discussão e de ouvir todas as canções que ela já havia interpretado. E Piaf se incorporou à minha vida”, brinca a divertida Bibi, que, por alguns instantes, ainda no carro, cantou versos do Hino ao Amor...

Vivendo em um confortável apartamento, onde se destaca uma biblioteca com quase cinco mil volumes, e a paisagem do Pão de Açúcar, um dos mais lindos postais do país, Bibi é mesmo extraordinária. Com sete décadas de profissão, Bibi já fez de tudo. Ela é uma atriz de recursos absolutos, além de ser uma excepcional intérprete, uma cantora popular absolutamente fora dos padrões, mas que também opera muito bem no canto lírico. A versatilidade da artista que canta, dança, toca instrumentos, piano e violino, dirige e representa reflete-se em sua vida e seus gostos. “Gosto de tudo que se torna popular”, explica. Repetiu o exemplo do pai e foi enredo de escola de samba, desfilando na Viradouro, em 2003, quando foi ovacionada nas arquibancadas, pelas pessoas que gritavam seu nome em coro. “Uma das maiores emoções da minha vida”. Escrever não é seu forte. Ela prefere ler ou assistir a filmes comendo jujuba e acompanhada de seus gatos. “Não sei escrever bem, mas também não se pode ser perfeita em tudo”, diverte-se Bibi que, vaidosa e mesmo em casa, não dispensa um salto 15, para disfarçar seu 1,57 metro de altura.

Depois de dois casamentos e quatro “ligações amorosas”, Bibi tem uma única filha, Teresa Cristina, dois netos e dois bisnetos sempre por perto. Ela curte recebê-los e com eles trocar impressões sobre os mais variados assuntos.

A memória, tão boa quanto na juventude, lhe permite decorar textos, pontos de marcação nos palcos e seus extensos repertórios. E parar, para a alegria dos seus milhares de fãs, não faz parte dos planos dessa notável artista, enquanto a saúde continuar jogando a favor. E saúde e disposição não lhe faltam. Graças a Deus!

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

A inigualável Bibi Ferreira (I)


Filha do ator Procópio Ferreira e da bailarina e cantora espanhola Aída Izquierdo, Bibi Ferreira, 87 anos, contabiliza em seu extenso e diversificado currículo 54 peças e shows como atriz e intérprete e outros 61 trabalhos como diretora. Dentre troféus, medalhas e placas, soma quase uma centena de prêmios, entre os quais dois Molière de melhor atriz. A vivacidade de Bibi, sua forma carinhosa de se relacionar com as pessoas, sua voz espetacular, sua lucidez invejável e, sobretudo, sua vontade de criar e realizar espetáculos merece aplausos efusivos. Na verdade, esse é o seu maior combustível. Na semana passada, Bibi esteve em São Paulo, para inaugurar um novo teatro, recebeu mais um prêmio de melhor atriz, concedido pela Revista Contigo, e ainda foi a grande homenageada nos festejos dos 90 anos do Colégio Anglo-Americano, no Rio de Janeiro. E foi justamente nessa memorável comemoração, que reuniu cerca de três mil alunos e ex-alunos, professores e ex-professores, que Bibi, representando os discentes de todas as gerações fez um belo e emocionado discurso relembrando sua infância e adolescência e, como não poderia deixar de ser, cantou e interpretou canções para uma platéia atenta e que a aplaudiu de pé. Aos nove anos teve negada a matrícula no Colégio Sion, em Laranjeiras, por ser filha de um ator de teatro. Foi aí que seus pais a matricularam no Colégio Anglo Americano.

Bibi fez sua estréia teatral aos 24 dias de vida, na peça Manhãs de Sol, de Oduvaldo Vianna substituindo uma boneca que desaparecera pouco antes do início do espetáculo. Logo após, os pais se separaram e Bibi passou a viver com a mãe, que foi trabalhar na Companhia Velasco, uma companhia espanhola. Seu primeiro idioma, até os quatro anos, foi o espanhol. O idioma português e o grande amor pela ópera, Bibi herdaria do pai famoso. De volta ao Brasil, tornou-se a atriz mirim mais festejada do Rio de Janeiro. Entrou para o Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde permaneceu por longo tempo, até estrear na Companhia Procópio Ferreira.

Abigail Izquierdo Ferreira, a Bibi, desenvolveu ao longo de sua carreira um reconhecido talento como atriz e diretora de musicais de todos os tipos. Sua pequena estatura se transforma na interpretação de personagens como Joana, de Gota d'Água, ou Piaf.

Estréia profissionalmente, pelas mãos do pai, na comédia La Locandiera, de Carlo Goldoni, no papel-protagonista de Mirandolina, em 1941. Três anos depois, Bibi inaugura a própria companhia com Sétimo Céu, e contrata Maria Della Costa e Cacilda Becker, e a diretora Henriette Morineau. Em 1946, vai para Londres estudar direção na Royal Academy of Dramatics Arts. Na Inglaterra, estuda e trabalha em cinema. De volta ao Brasil, um ano mais tarde, estréia como diretora em Divórcio, de Clemence Dane, em que também atua, como filha do personagem interpretado por Procópio. Em 1949 interpreta Carlos, protagonista de O Noviço, de Martins Pena.

Na década de 50, recebe o prêmio dos críticos do Rio de Janeiro pela direção de A Herdeira, de Henry James, 1952. Contratada pela Companhia Dramática Nacional, dirige Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues, em 1954. Nomeada diretora da Companhia de Comédia do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, revela peças brasileiras como A Casa Fechada e Sonho de Uma Noite de Luar, ambas de Roberto Gomes, em 1955. Simultaneamente a essas atividades, mantém a regularidade de suas produções e viagens pelo Brasil e pelo exterior. Em Portugal, é contratada como atriz de teatro de revista. Sua interpretação da música Tic-Tac - gravada no disco Quando Bate Um Coração - é considerada antológica pelo comediógrafo César de Oliveira.

Na década de 60, além de atuar em musicais de teatro e televisão, trabalha em teleteatro. Por sua atuação em My Fair Lady, de Alan Jay Lerner e Frederich Lowe, na temporada paulista do espetáculo, em 1964, ao lado de Paulo Autran, Jaime Costa , Sérgio Viotti e Elza Gomes, recebe o Prêmio Saci, em São Paulo. Em 1968, apresenta na TV Tupi o Programa Bibi ao Vivo, que durante dois anos leva à televisão os maiores nomes do teatro. Em sua passagem pela televisão, comandou os programas Brasil 60, que inaugurou a TV Excelsior, Brasil 61 (líder de audiência) e Bibi Sempre aos Domingos. Na TV Tupi, Bibi Especial e Bibi ao Vivo, além do Curso de Alfabetização para Adultos, pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Comunicadora, no Festival Internacional da Cultura do Japão.

Na década de 70, o musical Brasileiro, Profissão: Esperança, de Paulo Pontes, dirigido por Bibi, é um sucesso, tanto com Maria Bethânia e Ítalo Rossi, em 1970, quanto com Paulo Gracindo e Clara Nunes, em 1974, quando bate recordes de público no Canecão. Em 1972, atua em O Homem de La Mancha, traduzido por Paulo Pontes e Flávio Rangel, com versão das canções feitas por Chico Buarque e Ruy Guerra, que permanece em temporada, em diversas cidades, durante três anos. Em 1975, estréia em Gota d'Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes, sob a direção de Gianni Ratto, que permanece em cartaz até 1977 e recebe os prêmios Molière e Associação Paulista dos Críticos de Artes, pela interpretação de Joana. Em 1976, dirige Walmor Chagas, Marília Pêra, Marco Nanini e 50 artistas em Deus lhe Pague, de Joracy Camargo.

Nos anos 80, a notoriedade de Bibi Ferreira faz com que receba os mais diferentes convites. Dirige desde textos comerciais a peças de dramaturgia sofisticada, de musicais de grande porte a dramas intimistas. Assim, em 1980, ela dirige Toalhas Quentes, de Marc Camoletti; em 1981, Um Rubi no Umbigo, de Ferreira Gullar, e Calúnia, de Lillian Hellmann, como Gay Fantasy, revista com travestis que permanece um ano em cartaz no Teatro Alaska, Rio de Janeiro. Com sua produção e direção, estréia O Melhor dos Pecados, de Sérgio Viotti, ainda em 1981, em que promove a volta aos palcos de Dulcina de Morais, após duas décadas de ausência. Em 1983 retorna aos palcos com Piaf, A Vida de Uma Estrela da Canção, espetáculo de grande sucesso de público e crítica. Por sua atuação recebe os prêmios Mambembe e Molière, em 1984, e, no ano seguinte, da Associação Paulista de Empresários Teatrais e Governador do Estado. O espetáculo permaneceria seis anos em cartaz e, em quatro anos, atingiria um milhão de espectadores, incluindo uma temporada em Portugal, com atores portugueses no elenco. A platéia é, virtualmente, dominada pelo magnetismo de Bibi Ferreira, que ocupa o palco como se estivesse se apropriando do que sempre lhe pertenceu. Mas essa força teatral não se pode atribuir apenas a um talento brilhante, mas a uma preparação técnica como poucos. Dirigiu ainda inúmeros programas de televisão e shows de artistas da música popular brasileira, como o da cantora Maria Bethânia, nos anos 70 e 80.

Nos anos 90, Bibi Ferreira revive seus maiores sucessos remontando Brasileiro, Profissão: Esperança e fazendo um espetáculo em que canta canções e conta histórias de Piaf. Em Bibi in Concert, comemora 50 anos de carreira e, depois de anos de temporada, faz o Bibi in Concert 2. Em 1996 recebe o Prêmio Sharp de Teatro, encena Roque Santeiro, de Dias Gomes, em versão musical, e dirige pela primeira vez uma ópera, Carmen, de Bizet, 1999.

Este artigo continua na próxima semana.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Melhora segurança nos Territórios de Paz


Um importante estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que a percepção a respeito da segurança melhorou sensivelmente nas regiões atendidas pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). A população ouvida anseia por uma participação mais ativa por parte do governo federal na melhoria da segurança e, em média, 84,15% acreditam que o Pronasci é o caminho para se atingir este objetivo.

A pesquisa foi realizada com moradores dos sete Territórios de Paz – projeto que reúne, em uma comunidade, até 30 ações de prevenção e enfrentamento à violência do Pronasci.

A maioria dos entrevistados acredita que as ações realizadas pelo Programa em suas comunidades reduziram a violência. Foi o que responderam 76,79% dos moradores de Santo Amaro (Recife/PE), 72,34% de Itapoã (Brasília/DF), 63,89% do Complexo do Alemão/Nova Brasília (Rio de Janeiro/RJ) e 61,90% de ZAP-5/Santa Inês (Rio Branco/AC).

Nos bairros de São Pedro (Vitória/ES) e Vila Bom Jesus (Porto Alegre/RS), 56,73% e 52,23% dos participantes, respectivamente, disseram perceber melhoria na segurança pública. A exceção se deu em Benedito Bentes (Maceió/AL), onde 35,42% dos moradores percebem redução na violência, enquanto 50% afirmam ainda não verificar essa mudança.

O bairro de Santo Amaro, que apresenta o melhor índice, foi o primeiro a receber o Território de Paz do Pronasci. Em Recife, o projeto foi instalado em 2 de dezembro de 2008.

Apesar de os trabalhos estarem em fase inicial em três das quatro regiões, as expectativas em relação ao programa são positivas. Em média, 84,15% dos moradores das sete comunidades que contam com os Territórios de Paz acreditam que as ações do Pronasci serão capazes de melhorar a situação de segurança em suas comunidades.

Esta é a segunda avaliação do Programa nos Territórios de Paz. A primeira foi realizada em março deste ano, também pela FGV, que firmou parceria com o Ministério da Justiça para coordenar o Sistema de Monitoramento e Avaliação das Ações do Pronasci (Simap).

O estudo mais recente foi feito entre junho e julho deste ano e ouviu 2.850 chefes de domicílio, sendo 450 no Rio de Janeiro (15,8% do total), 301 em Recife (10,53% do total), 390 em Rio Branco (13,7% do total) e 400 no Distrito Federal (14% do total). Foram incluídas três novas regiões: Vitória com 400 entrevistados (14% do total), 400 pessoas em Porto Alegre (14% do total) e 450 em Maceió (15,8% do total).

Também foi realizada a segunda pesquisa de opinião com os profissionais de segurança pública a respeito de seu cotidiano e do Pronasci. Foram entrevistados 55.533 profissionais distribuídos por todas as unidades da federação. Dentre as questões levantadas, destaca-se a avaliação a respeito da segurança pública em sua área de atuação: 56,31% dos entrevistados a consideram como tensa e com enfrentamentos ocasionais; 24,5% a definem como dentro dos limites normais e tranqüila; e 16,15% a vêem como crítica e de difícil contenção da ordem (3,03% não responderam a nenhuma das alternativas possíveis).

A pesquisa também revela a opinião dos profissionais a respeito do policiamento comunitário. Do total dos entrevistados, 50,14% consideram uma ótima alternativa de estratégia das polícias, pois interage com a comunidade. Já 36,05% não entendem como possível o policiamento comunitário ser executado em regiões com forte presença do tráfico de drogas. Somente 7,16% afirmaram que essa estratégia diminui a autoridade da polícia, podendo ter algum efeito paliativo (6,64% não responderam à pergunta).

O Pronasci é visto como uma ação que impactará muito fortemente as políticas de segurança e cidadania por 65,71% dos entrevistados, ao passo que 32,14% consideram o programa como de impacto moderado e somente 2,15% afirmam ter quase nenhum impacto.

O efeito do Programa em relação à autoestima do profissional de segurança também pode ser observado na pesquisa. Dos entrevistados, 75,33% consideram o Pronasci muito relevante para o crescimento profissional e para a autoestima do profissional da área; 20,70% afirmam ser razoavelmente relevante; 2,49% o consideram pouco relevante; e 0,64% sem relevância alguma (0,84% não responderam).

A valorização do profissional de segurança também é outro ponto de destaque na pesquisa. Para 61,56%, o profissional de segurança será muito valorizado com o programa; 31,55% entendem que o profissional será razoavelmente valorizado e 5,71% pouco valorizado (1,18% não responderam). Como exemplo, pode-se destacar a avaliação do programa Bolsa-Formação, uma das principais ações do Pronasci, que é considerado extremamente positivo, sendo avaliado com nota média de 9,3 (em uma escala de zero a dez).

O Pronasci foi criado há dois anos pelo Ministério da Justiça e inova ao articular as políticas públicas de segurança com programas sociais. Prioriza ações preventivas, o apoio das comunidades para o combate à violência, a reestruturação penitenciária e a valorização das instituições de segurança.

O Programa é considerado um modelo mundial de política pública de segurança contra a criminalidade. Foi criado para diminuir a criminalidade das regiões metropolitanas que apresentam os mais altos índices de homicídio. Atualmente, fazem parte 21 estados, o Distrito Federal e 109 municípios.

Com a chegada do Pronasci, os recursos destinados à segurança duplicaram. Em 2007, todo o orçamento do Ministério da Justiça (incluindo polícias Federal e Rodoviária Federal, fundos Penitenciário e de Segurança) foi de R$ 1,7 bilhão. No primeiro ano do Pronasci, em 2008, R$ 1,026 bilhão foi investido somente nas ações do Programa. Neste ano, mais R$ 1,1 bilhão deverá ser repassado aos estados e municípios integrantes.

Ao todo, já foram instalados oito Territórios de Paz no país: Santo Amaro, Recife (PE); Complexo do Alemão, Rio de Janeiro (RJ); Zona de Atendimento Prioritário 5, Rio Branco (AC); Itapoã, Brasília (DF); São Pedro, Vitória (ES); Benedito Bentes, Maceió (AL); Bom Jesus, Porto Alegre (RS); e Tancredo Neves, Salvador (BA).

A parceria entre Ministério da Justiça e FGV Projetos para o desenvolvimento de uma metodologia de monitoramento das ações do Pronasci pretende fornecer, periodicamente, elementos para que o Ministério da Justiça possa acompanhar e avaliar constantemente a execução das medidas propostas pelo Programa. Pretende, dessa forma, dar ao Ministério a capacidade de calibrar constantemente suas políticas, aferindo também sua execução nas pontas, promovendo grande transparência e eficácia.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Anglo-Americano comemora 90 anos


O Grupo Educacional Anglo-Americano é uma organização sólida e que vem expandindo sua ação por várias cidades deste imenso Brasil. Tudo começou, é certo, com o surgimento de um colégio, ainda no século passado, devido ao olhar crítico, sensível e patriótico da educadora inglesa Margareth Coney que resolveu fundar, em plena Praia de Botafogo, em um dos mais belos dos postais da Cidade Maravilhosa, um estabelecimento bilíngüe de real qualidade. No próximo sábado, dia 24 de outubro, haverá o lançamento do livro "Anglo-Americano: 90 anos", em uma cerimônia que contará com a presença de mais de dois mil convidados na sede do Grupo, no Rio de Janeiro. A diretora, atriz, cantora e dramaturga Bibi Ferreira, ex-aluna do Colégio, representará os antigos discentes.

Da fundação desse colégio aos dias em que vivemos, o Grupo Educacional Anglo-Americano tem, por meio dos seus dirigentes, pautado todas as suas ações em prol de uma educação de efetiva qualidade, seja na Educação Infantil ou no Ensino Fundamental ou Médio ou na Educação Superior, com a oferta de cursos de graduação e de pós-graduação em todas as áreas do conhecimento. Na realidade, o que sempre se fez foi estimular o desenvolvimento da Educação Continuada, tão em voga, atualmente. O Anglo-Americano foi precursor dessa matéria.

A seriedade do trabalho desenvolvido por esse Grupo Educacional pode ser constatada pela extensa
lista de egressos dos seus estabelecimentos educacionais. São intelectuais, artistas, profissionais liberais, magistrados, membros do Ministério Público e até mesmo Ministros de Tribunais Superiores. Um orgulho
certamente para os que passaram pelo Anglo, para os que hoje estão nele e ainda para os que irão atuar em seus colégios e faculdades. Sempre buscando oferecer o que existe de melhor em metodologias inovadoras,
tecnologias de informática e práticas pedagógicas, o Grupo resolveu expandir suas atividades também na educação superior, restrita, até 2005, ao Rio de Janeiro, onde começou sua atuação na década de 70, ofertando o primeiro curso superior de processamento de dados do país.

Em 2005, uma pequena equipe foi contratada pela Entidade Mantenedora para criar um Plano de Desenvolvimento Institucional que pudesse atingir vários Estados da Federação. Aprovado o projeto, esses
profissionais identificaram possibilidades para abertura de novos campi, do Nordeste ao Sul. E assim começou o surgimento de faculdades em João Pessoa e Campina Grande, na Paraíba; em Caxias do Sul, Passo Fundo e Bagé (em fase de credenciamento) no Rio Grande do Sul; em Chapecó, Santa Catarina, por exemplo. Credenciadas pelo Poder Público, essas faculdades colocaram à disposição dessas comunidades cursos das áreas da saúde, das ciências humanas, das ciências sociais aplicadas e das ciências exatas.

Ao mesmo tempo, foram iniciados cursos de extensão e de pós-graduação, lato sensu, em todas as áreas do conhecimento. Todos os campi foram credenciados e todos os cursos autorizados com os conceitos máximos do Ministério da Educação, depois de várias visitas in loco de avaliadores designados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Anísio Teixeira, INEP.

Em Foz do Iguaçu, foram, da mesma forma, autorizados outros 14 cursos que se juntaram aos quatro que já estavam em funcionamento, quando da chegada ao Grupo dessa pequena, mas atuante equipe. No Rio de Janeiro, outros 11 cursos foram igualmente autorizados.

Vale sublinhar que, em menos de quatro anos, foram credenciadas cinco instituições universitárias, 65 cursos de graduação autorizados (licenciaturas, bacharelados e tecnológicos) e quatro outros reconhecidos pelo Ministério da Educação.

O Colégio, por sua vez, também não deixou de expandir e de se desenvolver. Além dos colégios existentes na Barra da Tijuca e em Nova Ipanema, no Rio de Janeiro, o de Foz do Iguaçu, no Paraná, e o de Cidade do Leste, no Paraguai, O Grupo Educacional Anglo-Americano criou outro em Resende, no início deste ano, também no Rio de Janeiro, e está prestes a inaugurar mais dois: em Volta Redonda e em Itaperuna, nesse mesmo Estado.

O Grupo Educacional Anglo-Americano pretende continuar sendo uma referência no ensino. Para tanto, além de contratar professores titulados e com vasta experiência profissional, dotou todos os seus campi com uma infra-estrutura condizente com as exigências dos órgãos governamentais.

As ações empreendidas pelo Grupo Educacional Anglo-Americano foram percebidas e reconhecidas internacionalmente. O Consejo Iberocamericano, no Equador, lhe concedeu o título de Acreditacion Ibero-americana de Calidad Educativa, em 2008, e a Organización de las Americas, no Peru, também no
ano passado, honrou o Grupo com a outorga do Diploma de Membro Preferencial e ainda com o Troféu de Calidad Total em Educacion. Em novembro, na Cidade do Panamá, lhe será outorgado o Troféu Latin American Quality Awards. Será a única instituição brasileira a receber tal honraria neste ano de 2009.

Por ser justo e oportuno, faz-se mister destacar o profissionalismo, a organização e a disciplina de todos os seus professores e funcionários técnico-administrativos que, com muito entusiasmo e empenho, ajudam a
construir, a consolidar e a fazer crescer esse Grupo Educacional.

Assim, o Grupo Educacional Anglo-Americano vem contribuindo na formação dos seus alunos
para, com o conhecimento apreendido em suas salas de aula, possam colaborar para a construção de um Brasil mais justo, mais humano e mais ético, com ordem e progresso.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Número de mães doadoras de leite sobe 83%


As mães brasileiras colaboram cada vez mais com os bancos de leite do país. O número de doadoras aumentou 83% em cinco anos. Em 2008, 110.648 mulheres foram aos postos de coleta contra 60.441, em 2003. Os dados são do Ministério da Saúde, que lançou, recentemente, a Campanha Nacional de Doação de Leite Humano. O objetivo é incentivar as mães a doarem leite e sensibilizar a população sobre a importância do alimento para as crianças.

O volume de leite coletado subiu 49,5% em cinco anos, passou de 99.000 litros em 2003 para 148.052 litros, em 2008. No mesmo período, a quantidade de recém-nascidos que receberam o alimento materno aumentou 47%. Em 2008, foram 157.282 crianças beneficiadas contra 107.000, em 2003.

A expectativa para 2009 é aumentar em 10% o volume de leite materno coletado nos postos distribuídos no país e a quantidade de crianças atendidas pelos bancos de leite nacionais. Até junho deste ano, 48.444 mulheres fizeram a doação. Esse número deverá mais que dobrar até dezembro. “A cada ano, registramos um aumento no número de doadoras e na quantidade de crianças beneficiadas. A campanha gera mobilização social em torno do tema, orientando a população”, avalia o coordenador da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, João Aprígio Almeida.

A escolhida para ser a madrinha da campanha nacional de doação de leite materno este ano foi a atriz Samara Felippo. Ela e a sua filha Alícia, hoje com três meses, ilustram os 40.154 cartazes e um milhão de folderes que trazem o slogan “Para você é leite, para a criança é vida. Doe leite, a vida agradece”. O material será distribuído a todos os bancos de leite do país, postos de coleta, Hospitais Amigos da Criança e secretarias estaduais de saúde.

Feliz por estar contribuindo com a campnha, Samara espera ajudar a sensibilizar as mães doadoras e incentivá-las a doar cada vez mais seu leite. A atriz afirma ter doado leite quando sua filha era mais nova. Atualmente, a bebê mama tudo o que ela produz. As duas participaram do lançamento da campanha em Brasília.

Nos estados e no Distrito Federal, o Dia Nacional de Doação de Leite (1º de outubro) foi marcado por atividades de incentivo à participação de mães no projeto. Na cidade do Rio de Janeiro, a Câmara Municipal de Niterói entregou, no dia 2 de outubro, 300 moções aos profissionais dos bancos de leite e às mães que já doaram o alimento, por exemplo. Em Brasília, o banco de leite do Hospital Regional da Asa Sul foi reinaugurado na semana passada, depois de passar por reforma nos últimos seis meses, e em São Paulo e Porto Alegre vários eventos marcaram o início da campanha.

A rede nacional conta hoje com 196 bancos de leite materno e 73 postos de coleta em funcionamento. O Ministério da Saúde repassou este ano R$ 1,15 milhão para a implantação de mais 16 bancos de leite humano e 11 postos de coleta. O recurso será destinado à compra de equipamentos e à capacitação de pessoal.

As novas unidades funcionarão nos 17 estados do Nordeste e da Amazônia Legal, regiões priorizadas no Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil por apresentarem altos índices de óbitos em menores de um ano. Além disso, a partir de outubro, o governo federal iniciará a implantação de um sistema de registro mais eficiente, em que as notificações serão feitas em tempo real.

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a maior e com tecnologia mais complexa do mundo. O Brasil coordena a Rede Íbero-americana de Bancos de Leite Humano e repassa conhecimento sobre controle de qualidade e processamento de leite materno para 22 países da América Latina, Caribe, África e para Portugal e Espanha, na Europa. O banco de leite implantado em Madrid, por exemplo, foi desenvolvimento totalmente com ferramentas brasileiras.

Desde que o país passou a liderar a Rede Ibero-americana de Bancos de Leite Humano, foram coletados, fora do território brasileiro, 82.048 litros de leite materno, beneficiando 85.961 crianças. O modelo brasileiro de banco de leite não armazena apenas o alimento. Além de coletar e distribuir, as unidades nacionais compõem uma rede de apoio ao aleitamento materno, que orienta as mães com dificuldade ou qualquer problema que impeça a amamentação.

Os bancos de leite têm como missão incentivar, proteger e promover o aleitamento materno para diminuir os índices de mortalidade infantil e melhorar a qualidade de vida dos bebês, nos casos em que a própria mãe não pode amamentá-los. Em todo o mundo, o leite materno pode reduzir em 13% as mortes de crianças menores de cinco anos. No Brasil, um estudo feito em 14 municípios da Grande São Paulo, em 2003, apontou que a estimativa média de impacto da amamentação sobre o Coeficiente de Mortalidade Infantil foi de 9,3%.

Levantamento do Ministério da Saúde divulgado em agosto deste ano mostrou aumento de um mês e meio no tempo médio de aleitamento materno no país: passou de 296 dias, em 1999, para 342 dias, em 2008. A II Pesquisa de Prevalência do Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e DF (PPAM), feita nas capitais, Distrito Federal e em outros 239 municípios, reuniu informações de 118 mil crianças, aproximadamente.

Pela relevância do tema, as escolas e universidades deveriam, aproveitando o momento, promover palestras e simpósios visando transmitir aos alunos e às comunidades nas quais estão inseridas a importância do aleitamento materno, assim como conscientizar a doção desse leite.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Prova Brasil, um diagnóstico da educação do Brasil


A Prova Brasil e o Saeb constituem a base para a definição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), desde o lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), em a bril de 2007. A Prova Brasil avalia todas as turmas da 4ª (5º ano) e 8ª (9º) séries do ensino fundamental com mais de 20 alunos das escolas públicas, urbanas e rurais. As avaliações da Prova Brasil e do Saeb são construídas tendo por referência os parâmetros curriculares nacionais (PCN), consultas sobre currículos das redes estaduais e municipais, além de diálogo com especialistas das áreas de língua portuguesa e matemática. As provas serão aplicadas, simultaneamente, no período de 19 a 30 de outubro.

O Saeb foi criado em 1995, na gestão Paulo Renato Souza, e se mantém até hoje como prova por amostragem, já a Prova Brasil, também criada no mesmo ano, tem como objetivo avaliar a classe inteira. Ao conhecer o desempenho dos alunos, o diretor tem como saber a real situação da escola em relação às demais. Os resultados da Prova Brasil permitem aos dirigentes das escolas, inclusive, trocarem experiências de boas práticas pedagógicas. Além disso, secretários estaduais e municipais de educação podem, a partir do desempenho das escolas de sua jurisdição, elaborar políticas para reforçar a aprendizagem em sua localidade. Além disso, secretários estaduais e municipais de educação podem, a partir do desempenho das escolas de sua jurisdição, elaborar políticas para reforçar a aprendizagem em sua localidade. As questões da prova são elaboradas com base nas habilidades de leitura e interpretação e de raciocínio diante de problemas lógicos. Além dos testes, os alunos respondem a questionários para opinar sobre os professores, o diretor e a própria escola. A Prova Brasil visa avaliar o desempenho em língua portuguesa e matemática de estudantes de 4ª e 8ª séries (5° e 9° ano) de escolas públicas. Com os resultados do exame, é possível fazer um diagnóstico da situação nacional e regional da educação no país. Os dados são utilizados para calcular o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e melhorar a qualidade do ensino básico, uma das metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).

Seus resultados não seguem a lógica das provas clássicas que avaliam conteúdos. Por exemplo, essas avaliações não vão de zero a dez e não têm relação direta com a quantidade de questões acertadas. Suas médias são apresentadas em uma escala de desempenho. A escala descreve as competências e as habilidades que os alunos são capazes de demonstrar e é única para as séries avaliadas, em cada disciplina. Ela apresenta os resultados de desempenho dos estudantes de cada uma dessas séries, em uma mesma métrica. A escala é numérica e varia de 0 a 500. Como os números indicam apenas uma posição, é feita uma interpretação pedagógica dos resultados por meio da descrição, em cada nível, do grupo de habilidades que os alunos demonstraram ter desenvolvido, ao responderem às provas.

É possível saber, pela localização numérica do desempenho na escala, quais habilidades os alunos já construíram, quais eles estão desenvolvendo e quais ainda faltam ser alcançadas. Não se espera que alunos da 4ª série alcancem os níveis finais da escala, pois estes representam as habilidades desenvolvidas ao longo de todo o percurso da educação básica.

A avaliação é quase universal: todos os estudantes das séries avaliadas, de todas as escolas públicas urbanas do Brasil com mais de 20 alunos na série, devem fazer a prova. Por ser universal, expande o alcance dos resultados oferecidos pelo Saeb. Como resultado, fornece as médias de desempenho para o Brasil, regiões e unidades da Federação, para cada um dos municípios e escolas participantes. Parte das escolas que participarem da Prova Brasil ajudará a construir também os resultados do Saeb, por meio de recorte amostral. E como esses resultados, novas políticas publicar surgem para que, aplicadas, possam reverter o sombrio quadro educacional do país.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Lei obriga execução do Hino Nacional nas escolas


O Presidente da República, em exercício, José Alencar, sancionou, na última semana, a Lei que obriga todos os colégios públicos e privados de Ensino Fundamental, do primeiro ao nono ano, a executarem, pelo menos uma vez por semana, o Hino Nacional.

A lei, de autoria do deputado Lincoln Portela (PR-MG), não prevê data e nem horário para a execução do hino, ficando a critério dos próprios estabelecimentos de ensino. O projeto não prevê também punição a quem não cumprir a lei. Tramitam, entretanto, em várias Assembléias Legislativas do país projetos de lei estabelecendo tal obrigatoriedade. Com a sanção presidencial, a obrigatoriedade passa a valer automaticamente, sem necessidade de estar prevista em legislações estaduais ou municipais.

Em 1936, o governo Getúlio Vargas determinou pela primeira vez a obrigatoriedade da execução do Hino Nacional nas escolas públicas e privadas de todo o país. Em 1971, durante o regime militar, passou a vigorar lei que trata dos símbolos nacionais, também obrigando à execução do hino nas escolas durante o hasteamento da bandeira, mas ela não definia a freqüência com que o hino deveria ser cantado pelos alunos.

No Estado do Paraná, por iniciativa do Deputado Caito Quintana, ficou determinada a obrigatoriedade de execução do Hino do Estado do Paraná em jogos colegiais e demais jogos oficiais promovidos pela Secretaria de Educação e outros órgãos do governo.

De fato, os nossos alunos precisam conhecer a letra do Hino Nacional, seu significado e importância. E mais, necessitam da mesma maneira saber quais são os símbolos nacionais. Para que se possa exercer a cidadania, faz-se mister associar direitos e deveres e ainda se fazer reflexões sobre esse binômio. O patriotismo deve ser incentivado nas escolas, para que nossas crianças cresçam sabendo que têm um papel de relevo na sociedade em que vivem.

O conceito de cidadania sempre esteve fortemente atrelado à noção de direitos, especialmente aos direitos políticos, que permitem ao indivíduo intervir na direção dos negócios públicos do Estado, participando de modo direto ou indireto na formação do governo e na sua administração. Em uma democracia, a própria definição de Direito pressupõe a contrapartida de deveres, uma vez que em uma coletividade os direitos de um indivíduo são garantidos a partir do cumprimento dos deveres dos demais componentes da sociedade.

E a palavra patriotismo, que deriva de pátria, significa o amor e o respeito que se tem pela terra natal. Este patriotismo pode ser manifestado pela valorização efetiva da cultura de um país, suas belezas naturais e seus símbolos nacionais, como bandeiras, brasões e hinos, por exemplo.

Assim sendo, é altamente positiva a lei que obriga a execução do Hino Nacional nas escolas, para despertar nos estudantes a importância da cidadania e do patriotismo.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

ABE, 85 anos de relevantes serviços ao Brasil


A Associação Brasileira de Educação está comemorando 85 anos de existência e de lutas em prol da melhoria da educação nacional. Na última terça-feira, o Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro realizou uma sessão plenária especial para comemorar essa data. Na ocasião, o professor Edson Nunes, Conselheiro da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, falou so bre “Profissionalização precoce, acesso restrito e futuro incerto: a Universidade tem jeito ?”, para uma platéia crítica, atenciosa, curiosa, questionadora e reflexiva. O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro, no 6º Congresso Rio de Educação, também prestou justa homenagem à ABE, na pessoa do presidente, João Pessoa de Albuquerque. Durante o congresso, a ABE homenageou os descendentes dos seus ex-presidentes, ofertando-lhes um exemplar dos originais, guardados em sua preciosa biblioteca, do Manifesto dos Pioneiros, que, em 1932, lançou as bases da Escola Nova, constituindo-se no mais importante documento da História educacional brasileira.

Sempre vigilantes, os abeanos promovem reuniões, simpósios, seminários e congressos nacionais e internacionais, com a intenção de trocar experiências pedagógicas com docentes e pesquisadores de outros Estados e Nações, perseguindo, dessa forma, o que preconizava seu fundador, Heitor Lyra da Silva, na ata da sua criação. Nesse texto histórico, ficou consagrado que a ABE nasceria com a finalidade de congregar educadores, pessoas físicas e jurídicas interessadas no estudo e no debate de temas relacionados à Educação (de qualquer nível) e à Cultura brasileira. É a mais antiga associação educacional existente no país e uma instituição que, pela sua relevância no cenário educacional, presta relevantes serviços à construção do país, correspondendo-se com as mais importantes instituições educacionais do mundo e mantendo, com esse procedimento, um valioso intercâmbio de informações.
Sociedade Civil, sem finalidade lucrativa, de utilidade pública federal e estadual, apartidária e pluralista, a ABE é membro nato do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, órgão do Ministério da Justiça, desde 1964, e é constituída por 40 Sócios Titulares eleitos por sua Assembléia Geral, com mandato de dois anos.

Sua sede é no Rio de Janeiro, todavia sua fundação ocorreu em Natal, por ocasião do banquete oferecido ao parlamentar José Augusto Bezerra de Medeiros, pelo então presidente eleito do Estado do Rio Grande do Norte. Assim, no anfiteatro da antiga Escola Politécnica, nasceu a Associação Brasileira de Educação, em 15 de outubro de 1924. Foram fundadores, dentre outros, Heitor Lyra da Silva, Fernando Laboriau, Isabel Lacombe, Roquette Pinto, Artur Moses, Gustavo Lessa e Miguel Couto, que pronunciou  uma célebre conferência ressaltando que "no Brasil só existe um problema: o da educação de seu povo". Estava, pois, deflagrada a bandeira da nova instituição: A Educação é um direito de todos os  brasileiros. Anísio Teixeira, Lourenço Filho, Fernando de Azevedo, Juracy Silveira e Basílio de Magalhães juntaram-se também ao grupo.

O pensamento e a inteligência abeanos tiveram grande influência na elaboração de leis que traçaram diretrizes e bases da educação e de planos nacionais de educação. Por todos esses fatos, a ABE foi construindo sua história, enriquecendo sua tradição e promovendo ações que refletem de forma efetiva a preocupação com os destinos da educação brasileira.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

Morre o acadêmico Antonio Olinto


E lá se vão anos... muitos ou vários, nem sei mais quantos... Suficientes, por certo, para cada vez mais admirá-lo, apreciá-lo, amá-lo e com ele ter aprendido verdadeiras lições de amor, de vida... lições de bem servir ao próximo.... Lições nem sempre escritas, mas transmitidas oralmente, em poesias, em trovas e/ou em prosas. Apreendidas e assimiladas em nossos permanentes diálogos, em nossas intermináveis conversas sobre a gente brasileira, sobre a cultura da nossa gente, sobre os destinos do nosso país... E todo esse convívio foi encerrado na madrugada do último sábado, quando sua assessora Beth Almeida, que com ele trabalhou por mais de vinte anos, me comunicou sua morte. Olinto morreu em seu apartamento-biblioteca-museu de Copacabana, de onde se podia avistar um pedaço do Atlântico e onde, juntos, refletíamos e buscávamos, de alguma forma, encontrar saídas para tantas mazelas que afligem o Rio, o Brasil e o Mundo. Sua morte, no dia em que completava 12 anos do seu ingresso na Academia Brasileira de Letras, deixou os seus incontáveis amigos muito tristes e o mundo literário, mais pobre.

Olinto era um homem especialíssimo; uma figura notável; um patrimônio cultural do Brasil; um escritor de rara inteligência e dono de uma lucidez magnífica. E, sublinhemos, viveu longos e saudáveis 90 anos. Quase um século de atividades intensas e permanentes em defesa da língua portuguesa, da literatura brasileira, da propagação, por meio de textos jornalísticos ou dos seus incontáveis livros publicados, e traduzidos em mais de 45 idiomas, das suas idéias e pensamentos, da sua criatividade intelectual, da sua vontade em fazer construir um mundo mais digno e mais saudável.

Nascido em Ubá, batizado em Piau, lá nas Minas Gerais, esse Antonio, de olhar meigo, terno, com o colorido da cor do céu, conquistou o mundo, com suas andanças pelos cinco continentes, ora proferindo palestras e conferências, ora organizando seminários internacionais, ora lançando livros e muitas vezes recebendo prêmios e láureas importantes, que traduziam o reconhecimento da sua devoção à arte de bem escrever.

Dono de uma formação sólida estudou Filosofia e Teologia e quase se ordenou sacerdote. Desistiu dos seminários e resolveu ser Mestre de Latim, Português, História da Literatura, Francês, Inglês e História da Civilização, em colégios do Rio de Janeiro e em instituições universitárias nacionais, como o Centro Universitário da Cidade, que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa, e na Faculdade de Letras do Centro Universitário de Ubá, que também lhe agraciou com idêntica honraria ou nas mais importantes e tradicionais instituições estrangeiras, como as Universidades de Columbia, Yale, Harvard, Indiana, UCLA ou Essex.

Fez conferências sobre Cultura Brasileira em universidades e em centros de pesquisas de Tóquio, Seul, Sidney, Maputo, Dacar, Lagos, Abidjan, Tanger, Buenos Aires, Lisboa, Coimbra, Porto, Madri, Santiago do Chile, Barcelona, Paris, Milão, Pádua, Veneza, Roma, Zagreb, Bucareste, Sofia, Varsóvia, Cracóvia, Moscou, Estocolmo, Copenhagen, Londres, Oxford, Cambridge e Dublin, dentre outras. O Diploma de Excelência da Universidade de Vasile Goldis, de Arad, lhe foi ofertado em razão da difusão da cultura brasileira na Romênia. Nessa mesma ocasião, a Embaixada do Brasil nesse país inaugurou, em Bucareste, a Biblioteca Antonio Olinto. Um verdadeiro homem do mundo!

Nomeado Adido Cultural em Lagos, Nigéria, pelo governo parlamentarista de 1962, em três anos de atividade, fez cerca de 200 conferências na África Ocidental. Como resultado, escreveu uma trilogia de romances, "A Casa da Água", uma das obras-primas da literatura do Brasil, "O Rei de Keto" e "Trono de Vidro".

Em 1968 foi nomeado Adido Cultural em Londres e passou a participar também das atividades do PEN Internacional. Morou no Reino Unido por quase 37 anos, onde juntamente com sua mulher a escritora e jornalista Zora Seljan, falecida em 2006, fundaram o jornal "The Brazilian Gazette".

Recebeu em 1994 o "Prêmio Machado de Assis", por conjunto de obras, da Academia Brasileira de Letras, a mais alta láurea literária do Brasil. Três anos mais tarde, foi eleito para Academia Brasileira de Letras, cadeira nº 8, sucedendo ao escritor Antonio Callado.

Além de poeta, romancista, ensaísta, crítico literário, Olinto era também artista plástico, pintava e fazia esculturas. Nas paredes de seu apartamento, cobertas por belas máscaras africanas, selecionadas em suas muitas e fantásticas viagens, respirávamos arte, literatura e nos abastecíamos da boa prosa, dos causos que contava com simplicidade, eloqüência, elegância e empolgação. Sabia e discutia qualquer assunto e sempre com uma argumentação viva, rica e verdadeiramente encantadora.

Olinto, neste momento de partida, merece todos os nossos mais vivos aplausos e todas as nossas maiores e mais sinceras homenagens. Como imortal, será lembrado e festejado pela eternidade. Seu nome está gravado, e definitivamente, na História da Literatura do Brasil. E não por ser um imortal, pertencente a tantas academias, mas pela sua própria natureza e, sobretudo, pela sua capacidade invulgar de conquistar, de agregar e de ser.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano e Titular das Academias Carioca de Letras, Internacional de Educação, de Letras do Estado do Rio de Janeiro e de Semiologia e Direito de São Paulo


 

José Alencar, exemplo de vida


O Vice-Presidente da República, José Alencar, é um exemplo de força, fé e perseverança. Um homem raro, com certeza. Sua luta contra o câncer e seus depoimentos em relação aos tratamentos e operações e, ao mesmo tempo, sua convicção de que ficará curado dessa maldita doença impressionam e o elevam a um patamar de um dos homens públicos mais apreciados, nos últimos tempos. E não é à toa que o povo brasileiro, do Oiapoqué ao Chui, acompanha, passo a passo, sua trajetória e disposição em vencer lutas, batalhas e o seu desejo reiterado de afastar do seu caminho pedras e obstáculos. Se fossem as pedras de Drummond seriam certamente mais fáceis....

De qualquer forma, José Alencar não nos dá um raro exemplo apenas pelas reações que demonstra em relação ao seu estado de saúde. Nos dias atuais, quando a ética e valores humanos são desprezados, José Alencar, do alto da sua sabedoria, dá exemplos de dignidade, honradez e caráter. Dá e é um belíssimo exemplo de vida.

Nascido em Muriaé em outrubro de 1931, Alencar é um dos maiores e mais conceituados empresários das Minas Gerais, tendo construído a Conteminas, um império no ramo têxtil. Eleito Senador com quase 3 milhões de votos, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infra-Estrutura, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e da Comissão Permanente de Assuntos Sociais. É, desde 2003, Vice-Presidente da República, desempenhando seu papel de forma serena, mas, ao mesmo tempo, presente nos momentos em que precisava expressar sua opinião de forma mais veemente, tendo sido uma voz discordante no próprio governo contra a então política econômica defendida pelo Ministro Palocci.

Transparente em suas ações e externando sempre o seu pensamento, crítico, lúcido e inteligente com sinceridade, Alencar, em 2004, passou a acumular a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa. Em várias ocasiões, teve a oportunidade de demonstrar um certo incômodo com o fato de permanecer em um cargo tão diferente dos seus vastos e reconhecidos conhecimentos empresariais, mas mesmo assim, e atendendo a um pedido do Presidente da República, exerceu sua função com discrição e bom senso na função por dois anos.

Alencar começou cedo a trabalhar, ainda aos sete anos, ajudando o pai, Antonio, em sua loja. Aos quinze, atuou como balconista na loja “A Sedutora”. Dois anos mais tarde, em Caratinga, trabalhou na “Casa Bonfim”. Sempre foi considerado pelos amigos como um grande vendedor.

Querendo vencer na vida, resolveu, ao completar 18 anos, abrir um negócio. Para tanto, recebeu do irmão Geraldo um empréstimo e, assim, pôde abrir “A Queimadeira”, Comercializava chapéus, calçados, tecidos, guarda-chuvas... De lá para cá, teve uma fábrica de macarrão, de cereais e, em 1963, inaugurou a Companhia de Roupas União dos Cometas, que mais tarde passaria a se chamar, Wembley Roupas. Em 1967, fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas. Em 1975, inaugurava a mais moderna fábrica de fiação e tecidos do Brasil.

A Coteminas fabrica e distribui seus produtos, tais como fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis, para o mercado interno, Estados Unidos, Europa e Mercosul.

E foi justamente em uma solenidade no Tribunal Superior do Trabalho que tive a honra de conhecer pessoalmente esse notável homem-guerreiro. Sua simpatia, afabilidade e simplicidade me surpreenderam. Poucas, muito poucas são as pessoas que agem e são como José Alencar. Depois, mantivemos alguns contatos, por intermédio do nosso amigo comum Antonio Olinto.

Ao ler a Veja desta semana, deparo-me com uma entrevista absolutamente franca, na qual Alencar expõe suas convicções, sofrimentos e esperanças e se diz pronto para partit e que relata que “um dia desses me disseram que, ao morrer, iria encontrar meu pai, falecido há mais de cinquenta anos. Aquilo me emocionou profundamente. Se for para me encontrar com mamãe e papai, quero morrer agora". Ao mesmo tempo declara que se recebesse a notícia de que obtivera cura, abraçaria e diria à Dona Marisa, “Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim".

José Alencar é um homem positivo, de bem com a vida, com muita fé. Sua pressão, temperatura, coração e memória, como ele mesmo revela, estão ótimos. Com consciência plena de que seu estado inspira cuidados, por ser grave, ele não desanima e repete sistematicamente “como para Deus nada é impossível, estou entregue em Suas mãos.”

José Alencar precisa vencer o câncer, para continuar a cumprir com sua missão política, social, humana e empresarial. Assim, continuará a contribuir, com toda a sua grandeza pessoal e profissional, para ajudar na construção deste imenso Brasil, com ordem e progresso. Sua visão de mundo e sua inteligência viva e brilhante e o seu tom sereno são componentes e características desse grande e ilustre homem público. Por essa razão, todos os que têm o privilégio de conhecê-lo pessoalmente ou todos os que acompanham sua trajetória sabem que José Alencar é de fato um exemplo raro para a atual geração e para as gerações do futuro.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

Autorização e reconhecimento terão participação de conselhos


Os conselhos federais de representação profissional podem, a partir de agora, participar dos processos de autorização e reconhecimento de cursos de graduação. Foram assinados nesta sexta-feira, 28, termos de colaboração entre a Secretaria de Educação Superior (Sesu) do Ministério da Educação e os presidentes dos conselhos federais de contabilidade, administração, biomedicina, educação física, química, farmácia, biologia e de engenharia, arquitetura e agronomia.

De acordo com a secretária de educação superior, Maria Paula Dallari, a medida tem o objetivo de co-responsabilizar a sociedade civil no processo de melhoria da qualidade da educação. “Estamos superando uma cultura marcada por separação entre Estado e sociedade no que diz respeito a políticas públicas. Agora, a postura é de envolvimento”, enfatizou.

A partir do acordo, representantes dos conselhos serão capacitados para acessar o sistema e-MEC, onde poderão avaliar e opinar sobre a relevância, pertinência e inovação dos cursos, durante o processo de regulação. Segundo Maria Paula, os conselhos também podem contribuir com informações sobre como os egressos de cada instituição se saem no mercado de trabalho.

O diretor de regulação e supervisão da Sesu, Paulo Wollinger, ressaltou que a formação de bons quadros profissionais contribui para o desenvolvimento do país. “Já temos um caminho claro e toda a sociedade tem o desafio de participar, para aprimorar a qualidade da educação”, disse. Hoje, no Brasil, há 26 mil cursos superiores, em que estudam cerca de 6 milhões de alunos.

São modalidades de atos autorizativos: credenciamento e recredenciamento de instituições de educação superior (IES) e de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos de graduação.

Credenciamento e Recredenciamento

Para iniciar suas atividades, as IES devem solicitar o credenciamento junto ao MEC. De acordo com sua organização acadêmica, as IES são credenciadas como: faculdades, centros universitários e universidades. Inicialmente, a IES é credenciada como faculdade. O credenciamento como universidade ou centro universitário, com as respectivas prerrogativas de autonomia, depende do credenciamento específico de instituição já credenciada, em funcionamento regular e com padrão satisfatório de qualidade. O primeiro credenciamento da instituição tem prazo máximo de três anos, para faculdades e centros universitários, e de cinco anos, para as universidades. Já o recredenciamento deve ser solicitado pela IES ao final de cada ciclo avaliativo do Sinaes, junto à secretaria competente.

Autorização

Para iniciar a oferta de um curso de graduação, a IES depende de autorização do Ministério da Educação. A exceção são as universidades e centros universitários que, por terem autonomia, independem de autorização para funcionamento de curso superior. No entanto, essas instituições devem informar à secretaria competente os cursos abertos para fins de supervisão, avaliação e posterior reconhecimento. (Art. 28 do Decreto nº 5.773, de 9 de maio de 2006). No processo de autorização dos cursos de graduação de direito, medicina, odontologia e psicologia, inclusive em universidades e centros universitários, a secretaria de educação Superior considera a manifestação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e do Conselho Nacional de Saúde. (art. 28, § 2º do Decreto nº 5.773, de 9 de maio de 2006).

Reconhecimento e Renovação de Reconhecimento

O reconhecimento deve ser solicitado pela IES quando o curso de graduação tiver completado 50% de sua carga horária. O reconhecimento de curso é condição necessária para a validade nacional dos respectivos diplomas. Assim como nos processos de autorização, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e o Conselho Nacional de Saúde têm prerrogativas para manifestar-se junto ao Ministério da Educação no ato de reconhecimento dos cursos de graduação de direito, medicina, odontologia e psicologia. A renovação do reconhecimento deve ser solicitada pela IES ao final de cada ciclo avaliativo do Sinaes junto à Secretaria competente.

No sítio http://www.educacaosuperior.inep.gov.br é possível consultar a situação de instituições de educação superior e de cursos de graduação, assim como seus respectivos atos autorizativos.

Os processos avaliativos são instrumentos importantíssimos para que as IES possam demonstrar efetiva qualidade nas ações que empreende, destacando-se três principais dimensões: a organização didático-pedagógica, o corpo social e a infra-estrutura. Dessa forma, os avaliadores visitam in loco às instituições, buscando identifcar fraquezas e fortalezas, bem como informando ao Poder Público as impressões colhidas nos relatórios que são produzidos.

Dessa forma, cada vez mais, as IES valerão pela qualidade efetiva dos trabalhos que desenvolvem, com a prevalência de um corpo docente titulado, com regime de trabalho condizente, infra-estrutura que permita, inclusive, aos eventuais portadores de necessidades especiais acesso às salas, banheiros, bibliotecas e ainda um projeto pedagógico que reflita as necessidades não somente dos cursos, por meio de seus projetos, mas também e principalmente sua inserção na sociedade na qual está inserida.



Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 

Las Vegas, fascínio e sedução 24h


Visitar Las Vegas é, ao mesmo tempo, viajar aos mais variados países. Em um determinado momento, o visitante pode se sentir em Luxor ou no Cairo; duas quadras adiante tem se a impressão de estar em Nova York, ou em Mônaco, ou em Veneza, ou, quem sabe, na deslumbrante Paris. A atmosfera contagiante e sedutora dessa cosmopolita e feérica cidade, no Condado de Clark, em Nevada, nos dá a impressão de que estamos passando por vários “mundos”, mas com a vantagem de não ter de sair de uma mesma rua. A cidade, nomeada “Parque das Diversões das Américas” ou a “Cidade do Pecado”, reúne na Las Vegas Boulevard, mais conhecida como Strip, uma rua com apenas seis quilômetros de extensão, os cassinos mais imponentes do mundo, como o Stratosphere, Treasure Island, The Venetian, Paris, Bellagio, MGM Grand, Monte Carlo, New York, New York, Luxor, Mandalay Bay, Mirage e Excalibur.

A fama de Las Vegas fez com que a cidade fosse utilizada como cenário para vários filmes, como o Diamonds Are Forever, Ocean's Eleven, Miss Congeniality 2, Looney Tunes Back in Action, além das séries de televisão CSI e Las Vegas. As bandas The Killers, Panic! at the Disco e Escape the Fate são também dessa cidade. A cidade é uma referência em todo o mundo, principalmente pelos seus luxuosos cassinos, hotéis, feiras, shows (abriga cinco Cirque du Soleil com apresentações permanentes) eventos e convenções. Com isso, boa parte de sua economia é gerada pelo turismo. A cidade, com 600 mil habitantes, ainda concentra grandes e importantes empresas, além de indústrias, fazendo com que seja um dos mais destacados pólos econômicos dos Estados Unidos.

Las Vegas, que significa “pradarias” em espanhol, pode ser estafante, considerando-se que é uma cidade que não dorme jamais. Desde lojas de doces até capelas de casamento ficam abertas 24 horas por dia/7 dias da semana. Mas se o visitante estiver procurando uma saída discreta, uma das melhores maneiras de espairecer é ir até a área do Red Rock Canyon National Conservation, onde poderá observar as estrelas e respirar o ar fresco do deserto a menos de uma hora de carro de distância do centro.

Não são apenas os cassinos e shows, com os de Celine John, Eric Clapton, Rod Stewart, Barbra Streissand ou do mágico Copperfield, que fascinam os seus visitantes, mas as atrações da vida selvagem que vêm sendo votadas como opções interessantes. O Lion Habitat, por exemplo, no MGM Grand; o Siegfried e Roy's Secret Garden, o Dolphin Habitat, o Shark Reef, no Mandalay Bay, e o observatório de pássaros no Parque Estadual Wetlands são bons programas. O Aquarium, no Silverton Hotel, é um aquário com 440 mil litros de água salgada que contém mais de 5 mil peixes exóticos e três espécies de arraias e tubarões. O King Tutankhamun's Tomb e Museum, no Luxor Hotel, é uma reprodução autêntica da tumba do menino-faraó. O Fountains, no Bellagio, jorra água precisamente enquanto ouve-se a música Fly me to the moon, de Frank Sinatra. Essas fontes foram mostradas no fim do filme Onze Homens e Um Segredo, com George Clooney, Brad Pitt e Julia Roberts. Para testar os nervos e pulmões, o XScream do The Stratosphere Hotel é a dica. O carrinho vai até o topo da Stratosphere Tower (263 m), depois, uma extensão da pista prolonga o carrinho além do final do trilho cerca de 9,5 m. Dessa forma, fica-se dependurado em um ângulo de 30º. O Vulcão, no Mirage, entra em erupção de hora em hora das 20 h à meia-noite.

Há muitas informações que a maioria das pessoas não conhece sobre Las Vegas. E existe um lado sensível que permeia sua história repleta de estrelas. Colonizadores mórmons vieram de Salt Lake City em meados do Século 19, e trabalhadores de ferrovias construíram estradas para Las Vegas, ainda em 1890. Uma vila começou a se formar, e a cidade foi fundada em 1905, com uma parada da ferrovia para aqueles que seguiam rumo ao oeste. Hoje, a renda média anual de uma residência ocupada é de 44 069 dólares, e a renda média anual de uma família é de 50 465 dólares. A renda per capita da cidade é de 22 060 dólares.
A educação é também um ponto forte na cidade. A Universidade de Las Vegas é uma referência nos Estados Unidos pelos programas de alta qualidade que ministra em História, Engenharia, Estudos Ambientais, Hotelaria, Administração, Belas Artes e Gestão de Informação. A universidade é classificada como uma das conceituadas nos seus programas de doutorado e de mestrado, pela Fundação Carnegie para o Avanço de Ensino.
Las Vegas é tudo isso e muito mais.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

Ler livros é a melhor opção


No mundo em que vivemos, cada vez mais ligado ao computador, as crianças e jovens fazem uso intenso e diário do computador e, conseqüentemente, da internet, ficando horas e horas de bruçados em suas escrivaninhas, às vezes deitados nas camas, encostados nas paredes ouvindo programas musicais, assistindo aos filmes e/ou verificando temas e assuntos que lhes serão cobrados nas escolas, por seus professores. Alguns preferem copiar e colar textos nos trabalhos que apresentam aos seus mestres, ao em vez de fazerem pesquisas sobre os mais variados assuntos que lhes são solicitados. Os casos de plágio proliferam.

Os pais, sempre ocupados e cada vez mais fora de suas casas, em busca de trabalho e de realizações profissionais, muitas vezes se esquecem, ou se “permitem esquecer”, e não verificam, como deveriam, o que efetivamente fazem tanto seus filhos em seus computadores. Notícias são veiculadas nas rádios, jornais e televisões com denúncias de situações nas quais expressam o quanto pode ser perigoso a uma criança ou a um jovem ou até mesmo a um adulto permanecer por tanto tempo em frente a um computador.

Ainda que saibamos que a internet seja um instrumento eficaz e eficiente para pesquisas e informações, é preciso cuidar para que as pessoas, sejam crianças ou adultas, continuem tendo no livro um instrumento imprescindível, certamente um dos mais importantes, para a construção do conhecimento. Assim sendo, cabe aos pais e responsáveis verificar o que fazem os seus filhos nas telas dos computadores e lhes orientem em relação a um bom título e a um bom autor, estimulando-os à leitura permanente. Especialistas franceses, americanos, ingleses e canadenses produziram recentemente uma pesquisa na qual listam as dez principais descobertas sobre quando e como os pais podem ajudar a despertar nos filhos a curiosidade intelectual e fazê-los alcançar um desempenho melhor nos estudos. Esse estudo deverá ser brevemente publicado em português e comercializado no Brasil, além dos demais países de Língua Portuguesa.

1. Ter livros em casa:
E, no caso de filhos pequenos, ler para eles. O hábito, cultivado desde cedo, faz aumentar o vocabulário de forma espantosa. Segundo estudo do americano James Heckman, prêmio Nobel de economia, uma criança de oito anos que recebeu esse tipo de estímulo a partir dos três domina cerca de 12 000 palavras – o triplo de um aluno sem o mesmo empurrão. A diferença se faz sentir na assimilação de conhecimento em todas as áreas. Ao analisar o fato de a Finlândia aparecer sempre na primeira posição nos rankings de educação, um estudo da OCDE confirma: o incentivo precoce à leitura em casa tem um papel decisivo.

2. Reservar um lugar tranqüilo para os estudos:
A idéia é cuidar para que o ambiente ofereça o mínimo necessário: mesa, cadeira, boa iluminação e distância da televisão. Já na pré-escola, os pais podem definir o local e incentivar seu uso diário. Os benefícios, já quantificados, são os esperados: concentrado, o aluno aprende mais e erra menos.

3. Zelar pelo cumprimento da lição:
Ainda que a criança seja pequena e a tarefa, bem fácil, é importante mostrar a relevância dela com gestos simples, como pedir para olhar o dever pronto ao chegar a casa. Até cerca de 10 anos, monitorar diariamente a execução da lição não é excessivo. Ao contrário. Esse é o momento de começar a sedimentar uma rotina de estudos, com horário e local, mesmo que seja mais uma brincadeira. Um relatório da OCDE não deixa dúvidas quanto às vantagens. Os melhores alunos no mundo todo levam a sério o dever de casa.

4. Orientar, mas jamais dar a resposta certa:
Solucionar o problema é uma tentação freqüente dos pais quando são acionados a ajudar na tarefa de casa. Não funciona. O que dá certo, isso sim, é recomendar uma leitura mais atenta do enunciado, tentar provocar uma nova reflexão sobre o assunto e, no caso de filhos mais velhos, sugerir uma boa fonte de pesquisas. Se o erro persistir, deixe-o lá. Já se sabe que a correção do professor é decisiva para a fixação da resposta certa.

5. Preservar o tempo livre:
Muitos pais, ávidos por proporcionar o maior número de oportunidades aos filhos, lotam sua agenda de atividades fora da escola. O resultado é que sobra pouco tempo para brincar, esse também um momento sabidamente precioso para o aprendizado. Na escola, por sua vez, crianças com rotinas atribuladas demais costumam demonstrar cansaço, o que freqüentemente compromete o próprio rendimento.

6. Comparecer à reunião de pais:
Mesmo que seja muitas vezes enfadonha, ela proporciona no mínimo uma chance de sentir o ambiente na escola, saber da experiência dos demais alunos e tomar contato com a visão de outros pais. A ida a esses encontros tem ainda um efeito colateral menos visível, mas já bastante estudado: a presença dos pais é uma demonstração de interesse que contribui para o envolvimento dos filhos com a escola.

7. Conversar sobre a escola:
A manifestação de interesse, por si só, é um indicativo do valor dado à educação pela família. Os efeitos são ainda maiores quando o estudo é tratado como algo agradável e aplicável à vida prática, e não um fardo. Uma recente compilação de estudos, consolidada por um centro de pesquisas do governo americano, mostra que um pai que consegue produzir esse tipo de ambiente em casa aumenta em até 40% as chances de o filho se tornar um bom aluno.

8. Monitorar o boletim:
No caso de um resultado ruim, o melhor a fazer é definir um plano para melhorar o desempenho – mas não sem antes consultar a escola e avisar o filho de que está fazendo isso. O objetivo aí é estabelecer, junto com o colégio, uma estratégia para reverter à situação e saber qual será, exatamente, sua participação. Está mais do que provado que castigo, nesse caso, não funciona. Só diminui o grau de autoconfiança, já baixa, e agrava o desinteresse pelos estudos.

9. Procurar o colégio no começo do ano:
É a ocasião em que cabe perguntar, pelo menos em linhas gerais, o que a escola pretende ensinar em cada matéria. Trata-se do mínimo para poder acompanhar tais metas e, se preciso cobrar sua execução.

10. Não fazer pressão na hora do vestibular:
O excesso de pressão por parte da família só atrapalha no momento mais tenso na vida de um estudante. À mesa do jantar, os pais darão uma boa contribuição ao evitar falar apenas disso. Mas podem ajudar mais, principalmente zelando para que o ambiente de casa na hora do estudo não fique barulhento demais e para que o filho não se comprometa com muitas atividades. O lazer, no entanto, não deve ser suprimido. É o que dizem os especialistas e os próprios campeões no vestibular: em 2008, os mais bem colocados em dez áreas mantiveram uma pesada rotina de estudos, mas, pelo menos no fim de semana, preservaram algum tempo livre.

Se esses dez “mandamentos” forem observados e colocados em prática pelos pais, estaremos, dessa forma, ajudando a construir uma juventude muito mais bem preparada para o mundo que enfrentará. Afinal, leitura permanente e educação são dois binômios de fundamental importância para elevar uma criança à uma condição social, política e humana, quando adulta, muito mais favorável.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano



 

Divulgados os resultados do Encceja 2008


Estão disponíveis, na página eletrônica do Inep, os resultados do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos, Encceja 2008. O sistema com as notas finais obtidas pelos participantes pode ser acessado de três maneiras: mediante o número de inscrição; por meio do nome completo do participante, data de nascimento e Unidade da Federação (UF – estado ou Distrito Federal) do seu endereço; ou ainda pelo número do seu CPF ou RG e UF da carteira de identidade.

O participante poderá acessar os seus resultados de três maneiras: informando o seu número de inscrição; preenchendo o seu nome completo, data de nascimento e Unidade da Federação (UF – estado ou Distrito Federal) do seu endereço ou ainda informando o número do seu CPF ou RG e UF da carteira de identidade.

Para ter acesso às notas, o participante também deverá informar a senha de inscrição, que lhe foi entregue durante o ato de inscrição. Quem não estiver de posse dessa senha poderá cadastrar uma nova pelo sistema.

O participante terá acesso à sua avaliação individual comparada com a média nacional de desempenho. Quem prestou o exame também receberá, pelos Correios, o Boletim Individual de Desempenho no endereço indicado no ato de inscrição.

Na edição 2008, o Encceja apresentou número recorde de inscritos, cerca de 780 mil, sendo 60% para o ensino médio e 40% para o ensino fundamental. As provas foram aplicadas nos dias 13 e 14 de dezembro em 2.300 unidades educacionais, de aproximadamente 800 municípios brasileiros.

Certificação – As certificações serão feitas diretamente nas secretarias municipais e estaduais de educação que aderiram ao exame. O participante deve entrar em contato com a secretaria de educação da sua região para obter o documento de sua certificação. As secretarias são as responsáveis pela forma e pelos critérios de utilização das notas, com total autonomia para realizar as certificações. Cabe lembrar que o participante do Encceja se inscreve em cada uma das áreas avaliadas, sendo que é possível obter certificação em cada prova.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano



 

Diretores brasileiros têm menos autonomia que no resto do mundo


Diferentemente da situação em outros países, no Brasil as mulheres ocupam mais cargos de direção nas escolas que os homens, os contratos de trabalho são menos estáveis e apenas 26,6% dos professores estão em escolas em que os diretores têm autonomia para contratação de docentes. Essas são algumas das constatações da pesquisa Talis – Teaching and Learning International Survey, realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e coordenada no Brasil pelo Inep/MEC, lançada hoje.

A pesquisa foi realizada por amostragem, nos anos de 2007 e 2008, em 24 países: Austrália, Áustria, Bélgica (Comunidade Flamenga), Brasil, Bulgária, Dinamarca, Eslovênia, Estônia, Holanda, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Coréia, Lituânia, Malta, Malásia, México, Noruega, Polônia, Portugal e Turquia. No caso do Brasil, a amostra foi composta por 400 escolas, sendo que nas bases de dados internacionais foram consideradas 380 escolas e 5.834 professores.

A Talis foi a primeira pesquisa internacional a levantar dados sobre o ambiente de aprendizagem e as condições de trabalho que as escolas oferecem aos professores. Foram coletadas informações sobre liderança escolar, avaliação dos professores e feedback, desenvolvimento profissional e atitudes, crenças e práticas educacionais dos professores das séries/anos finais do ensino fundamental (5ª a 8ª série ou 6º ao 9º ano) e dos diretores das escolas da amostra.

Outras questões abordadas pela pesquisa foram o tamanho das turmas, proporção de professores em relação ao pessoal administrativo e proporção de professores em relação a pessoal de apoio pedagógico.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

Sinaes, panorama da Educação Superior


Os dados da educação superior brasileira coletados pelo Inep estão disponíveis a toda a sociedade. Para garantir o acesso a essas informações, foi lançado, no final do ano passado, o Portal Sinaes (http://sinaes.inep.gov.br:8080/sinaes), contendo estatísticas produzidas desde 1991 e atualizadas permanentemente. Alguns dos números de 2007 já estão inclusive disponíveis.

O portal possibilita ao cidadão comum a consulta e compreensão de dados até então acessíveis apenas a especialistas, estatísticos e gestores. A navegação é bastante simples. Logo na página de abertura, do lado direito da tela, o internauta recebe a orientação: “Este é o espaço público onde você acessa informações sobre cursos, instituições e docentes da Educação Superior do Brasil”. Logo abaixo, três opções: indicadores para conhecer o perfil de uma instituição ou de um curso específico; indicadores gerais sobre a Educação Superior brasileira e, ainda, o sistema de buscas, que possibilita encontrar os docentes, os cursos e as instituições de educação superior.

Também nessa primeira página, há opção para entrada no Ambiente Docente, um espaço de interlocução do professor com o Inep. Ali, ele preenche seus dados pessoais e atualiza permanentemente seu cadastro. Essas informações são utilizadas pelo Inep quando do processo de escolha de novos avaliadores ou para agregar os dados do Cadastro Nacional de Docentes.

O docente tem acesso às mesmas informações que os demais. A todos, o Portal Sinaes possibilita consultas como números de cursos e o tipo de profissionais que se formam em cada cidade, estado, região ou em todo o País. Permite ainda que o interessado encontre uma graduação a distância dentro de seu interesse, bem como análises comparativas da qualidade dos cursos.

Estão integrados, no Portal Sinaes, o Cadastro Nacional de Docentes da Educação Superior, os últimos 15 anos do Censo da Educação Superior, o Currículo Lattes do CNPq, o Cadastro Nacional de Cursos Lato Sensu, o Cadastro de Cursos de Graduação e Instituições de Educação Superior e o Banco de Avaliadores do Sinaes. Em breve serão agregados ainda os dados do Enade e do extinto Provão: resultados, relatórios finais e as estatísticas do questionário sócio-econômico aplicado anualmente aos participantes do exame e aos coordenadores dos cursos pertencentes às áreas avaliadas em cada edição. Todos os pareceres e conceitos das avaliações in loco de cursos e instituições também estão disponíveis.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

A não obrigatoriedade do diploma para o jornalismo: um golpe duro à democracia


O ministro Gilmar Mendes apresentou, recentemente, seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. O mais curioso é que, em determinado trecho, ele mencionou as atividades de culinária e corte e costura, para as quais não é exigido diploma. Essa argumentação é, no mínimo, uma barbaridade com os profissionais de jornalismo, não querendo, é claro, desmerecer os profissionais de culinária, corte e costura. São atividades totalmente diferentes e que não servem para comparativos. A supressão das normas relativas à atividade não atende aos princípios da liberdade de expressão e de imprensa consignados na Constituição brasileira nem aos interesses da sociedade. Cabe aqui ressaltar a lucidez do Ministro Marco Aurélio Mello, único da corte, que, em seu voto, defendeu a permanência da obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Mais do que uma punição ou coerção ao trabalho da imprensa, essa decisão é um duro golpe à qualidade da informação jornalística. A exigência do diploma não impede ninguém de escrever em jornal ou revista. Não é exigido diploma para escrever em jornal, mas sim para exercer em período integral a profissão de jornalista.

A Associação Brasileira de Imprensa, obviamente, repudiou a decisão do Supremo, declarando que tem razões especiais para lamentar esse fato porque, já em 1918, há mais de 90 anos, portanto, a associação organizou o 1º Congresso Brasileiro de Jornalistas e aprovou como uma das teses principais a necessidade de que os jornalistas tivessem formação de nível universitário. Creio que não interessa a ninguém um jornalismo menos qualificado, pois seria um grave prejuízo ao país, mas também não consegui entender como as maiores empresas de jornalismo apoiaram essa decisão, já que ameaça as bases da própria democracia brasileira.

De acordo com o último Censo da Educação Superior produzido pelo Ministério da Educação, o Brasil tem, atualmente, cerca de 220 mil alunos matriculados nos cursos de comunicação social. Esse número demonstra, claramente, o interesse de milhares de jovens pela profissão. Os alunos do curso de jornalismo também repudiaram a decisão do STF, já que ingressaram nas universidades, buscando obter, nos bancos escolares, uma formação mais ampla que lhe permitissem exercer com mais capacidade intelectual a profissão que escolheram. Daí, tantas manifestações em todas as partes do Brasil, por parte dos estudantes. Eles não imaginavam que a mais alta Corte de Justiça do país fosse, por maioria absoluta, oito votos a um, derrubar a exigência do diploma, com as justificativas apresentadas, que contrastam com o exercício do profissional. Foi um duro golpe à democracia.

E é justamente das universidades que partem anualmente dezenas de bons profissionais, que, empenhados e sempre querendo buscar superar-se, acabam se tornando bons repórteres, redatores, chefes de reportagem e editores. Nas universidades, não se estuda apenas disciplinas específicas de jornalismo impresso, televisivo ou radiofônico, mas profundos conceitos de antropologia, filosofia, sociologia e psicologia. E esse conjunto de disciplinas que faz a diferença na formação de um profissional egresso de uma faculdade de jornalismo. Esse profissional é, por motivos óbvios, muito mais completo e possui, conseqüentemente, uma visão de mundo muito mais profunda, com olhar mais crítico.

Diferentemente do passado em que os profissionais que atuavam no jornalismo eram ligados, por exemplo, ao direito, dentre outras carreiras, os cursos de jornalismo surgiram para oferecer uma formação mais específica a quem quisesse atuar nessa área. Desde a criação desses cursos, muitas modificações têm sido implementadas nas estruturas curriculares dos cursos de jornalismo, visando torná-los cada vez mais sintonizados com a realidade mundial. Dessa forma, disciplinas com conteúdos específicos, tais como jornalismo econômico, jornalismo ambiental e jornalismo esportivo, para citar apenas algumas, foram inseridas nessas estruturas curriculares. Podemos constatar que a formação do egresso de uma universidade é muito mais completa, justamente pelo conhecimento que adquiriu em quatro anos de estudo teórico, prático, específico e de pesquisa, do que a de um cidadão, que não se graduou ou que se formou em outra área do conhecimento. Um cidadão que escreve artigos, nem sempre possui a noção exata do que é ser um jornalista. Uma coisa é ser articulista, por exemplo, da área financeira, outra, e bem diferente, é possuir uma formação humanística e com conhecimentos específicos de funcionamento e de concepção de um veículo de comunicação.

A desprofissionalização, com o passar do tempo e com a contratação de cidadãos sem uma formação específica, acarretará em um enfraquecimento da categoria, influenciando diretamente nos salários e com uma queda, em conseqüente, acentuada na qualidade da informação que hoje é veiculada. O aluno diplomado em jornalismo sempre estará mais bem preparado, com a formação obtida na universidade, para disputar uma vaga no cada vez mais competitivo mercado de trabalho

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

 

Índice mede qualidade das escolas


O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007 para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do INEP e em taxas de aprovação. Assim, para que o Ideb de uma escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita de ano e freqüente a sala de aula. Para que pais e responsáveis acompanhem o desempenho da escola de seus filhos, basta verificar o Ideb da instituição, que é apresentado numa escala de zero a dez. Da mesma forma, gestores acompanham o trabalho das secretarias municipais e estaduais pela melhoria da educação. O índice é medido a cada dois anos e o objetivo é que o país, a partir do alcance das metas municipais e estaduais, tenha nota 6 em 2022 – correspondente à qualidade do ensino em países desenvolvidos.

Esse indicador, que mede a qualidade da educação, foi pensado para facilitar o entendimento de todos e estabelecido numa escala que vai de zero a dez. A partir deste instrumento, o Ministério da Educação traçou metas de desempenho bianuais para cada escola e cada rede até 2022. O novo indicador utilizou na primeira medição dados que foram levantados em 2005. Dois anos mais tarde, em 2007, ficou provado que unir o país em torno da educação pode trazer resultados efetivos. A média nacional do Ideb em 2005 foi 3,8 nos primeiros anos do ensino fundamental. Em 2007, essa nota subiu para 4,2, ultrapassando as projeções, que indicavam um crescimento para 3,9 nesse período. O indicador já alcançou a meta para 2009. Se o ritmo for mantido, o Brasil chegará a uma média superior a 6,0, em 2022. É o mesmo que dizer que teremos uma educação compatível com países de primeiro mundo antes do previsto.

Com o Ideb, os sistemas municipais, estaduais e o federal de ensino têm metas de qualidade para atingir. O índice, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep /MEC), mostra as condições de ensino no Brasil. A fixação da média seis a ser alcançada considerou o resultado obtido pelos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), quando se aplica a metodologia do Ideb em seus resultados educacionais. Seis foi a nota obtida pelos países desenvolvidos que ficaram entre os 20 mais bem colocados do mundo.

A partir da análise dos indicadores do Ideb, o MEC ofereceu apoio técnico ou financeiro aos municípios com índices insuficientes de qualidade de ensino. O aporte de recursos se deu a partir da adesão ao Compromisso Todos pela Educação e da elaboração do Plano de Ações Articuladas (PAR).

Em 2008, todos os 5.563 municípios brasileiros aderiram ao compromisso. Assim, todos os municípios e estados do Brasil se comprometeram a atingir metas como a alfabetização de todas as crianças até, no máximo, oito anos de idade. O MEC dispõe de recursos adicionais aos do Fundo da Educação Básica (Fundeb) para investir nas ações de melhoria do Ideb. O Compromisso Todos pela Educação propõe diretrizes e estabelece metas para o Ideb das escolas e das redes municipais e estaduais de ensino.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

Avaliação Institucional sem mistério

O Professor Eduardo Cordeiro de Souza, Diretor de Desenvolvimento Institucional do Grupo Anglo-Americano, escreve artigo sobre Avaliação Institucional.

A avaliação institucional produz efeitos? Por que avaliar? O que se busca com a avaliação? Quais são as finalidades da avaliação? As perguntas são muitas.

Um dos grandes desafios das instituições de ensino superior (IES) do país nos dias atuais reside na implantação de um sistema de avaliação interna que permita a toda comunidade acadêmica conhecer a sua realidade institucional. Tarefa simples, diriam alguns, que ainda acreditam que o processo avaliativo limita-se a levantar dados e informações, apenas, apresentando a quem interessar uma gama considerável de elementos estatísticos, expressos em gráficos, quadros e tabelas, que disponibilizam números sem correlação direta, tampouco com algum significado produzido a partir de uma análise reflexiva.

A forma de raciocinar descrita acima caracteriza uma das concepções de avaliação que se tem conhecimento, bastante contestada na literatura específica. A fim de contribuir para o devido enquadramento, vale informar que alguns dos modelos e concepções de avaliação existentes podem ser resumidamente caracterizados por duas grandes tendências principais, com funções distintas, a saber:

A primeira grande tendência é a avaliação de natureza somativa, centrada no objeto (produto) e mais voltada para a regulação, o controle e a hierarquização ou classificação dos indivíduos, grupos ou instituições. É orientada para o cumprimento de normas e requisitos (verifica a conformidade pela norma, demonstrando certa dose de conservadorismo, pois não discute se a norma é boa ou ruim) e voltada para o estabelecimento de padrões de status e excelência. Tem ênfase quantitativa e monorreferencial (separa o objeto). Por somativa, portanto, entende-se a avaliação que permite determinar em que medida foram alcançados os objetivos ou produzidos os efeitos pretendidos, o valor do projeto em relação às necessidades dos beneficiários, julgando se o mesmo deve ou não ser mantido.

A segunda grande tendência é a avaliação de natureza formativa, mais comumente interna e centrada no processo e no sujeito (envolve todos os protagonistas), com vistas à melhoria da qualidade. É orientada por uma lógica de transformação, voltada para a efetividade científica e social. Tem ênfase qualitativa e plurirreferencial. Dessa forma, serve para partilhar informações com os envolvidos no projeto, de modo a que eles saibam como está sendo feita a avaliação e quais os julgamentos que estão sendo atribuídos no decorrer da atividade. A chamada avaliação formativa, deste modo, é contínua e participativa, uma vez que pretende garantir a liberdade comunicativa e desenvolver o compromisso coletivo com a aprendizagem. De forma quase grosseira, pode-se dizer que este é um modelo mais moderno de avaliação.

Cabe apontar os objetivos básicos que se pretende atingir com a utilização do modelo de avaliação formativa nos processos de auto-avaliação institucional: o autoconhecimento e a tomada de decisão. O autoconhecimento significa identificar os acertos e as ineficiências e envolve um processo de reflexão sobre as razões, as causas das situações positivas e das insuficiências. A tomada de decisão pode ser entendida como uma ação conseqüente à avaliação, disseminando as estratégias de sucesso e modificando o que funciona mal, deixando de reproduzir o que não vem dando certo. A partir daí, a finalidade das ações avaliativas decorrentes do processo estará voltada para a reconstrução dos instrumentos de avaliação e para o aperfeiçoamento da instituição, ou seja, a avaliação aplicada não visa a punição e nem a premiação dos indivíduos ou grupos objetos de análise.

Uma característica marcante do processo avaliativo de natureza formativa parte do princípio de que o modelo adotado pode garantir o envolvimento de todas as instâncias da instituição na auto-avaliação de forma processual, contínua e sistemática. Por esse motivo, reconhece ser fundamental conscientizar os sujeitos envolvidos na avaliação sobre a importância de que os mesmos assumam o processo como parte de seu cotidiano, de forma a criar uma cultura institucional de avaliação, incorporada na rotina e internalizada em cada um desses sujeitos.

Entende-se que a avaliação formativa, para cumprir seu papel de estratégia de aperfeiçoamento institucional, tem de ser eticamente sustentável, tecnicamente competente e politicamente legítima. Para tanto, é indispensável que a comunidade interna à instituição, assim como as instâncias governamentais e a sociedade civil, reconheçam que a estratégia de avaliação, os procedimentos avaliativos e o uso de seus resultados sejam assertivos. Da mesma forma, a legitimidade dos condutores do processo de avaliação, no caso a CPA, deve ser reconhecida por todos. Percebe-se, portanto, que a sustentabilidade ética, a qualidade técnica e a legitimidade política do processo avaliativo são fundamentais para que os seus resultados possam ser transformados em ações efetivamente relevantes e transformadoras.

A avaliação institucional pretende fazer um levantamento detalhado de informações com finalidade diagnóstica. A comunidade acadêmica precisa estar comprometida com a produção de dados fidedignos. O processo avaliativo é, antes de tudo, um processo educativo. A intenção implícita dos instrumentos de pesquisa na coleta de informações é forçar os sujeitos, ora avaliados, ora avaliadores, a repensarem sua prática, muitas vezes sobre temas e questões que passam despercebidos no exercício cotidiano de suas funções. A avaliação não tem pretensão de ser punitiva, mas não pode, por outro lado, ser confundida com omissão. Se necessário for, intervenções devem ser sugeridas pela comunidade acadêmica e pela CPA aos gestores da IES.

Foco no Plano de Ações

Analisando os relatórios de avaliação institucional produzidos por grande parte das instituições de ensino superior, percebe-se a predominância do foco na produção documental, ou seja, no registro detalhado das informações colhidas através dos mais diversos instrumentos de pesquisa. Essa prática de avaliação, de natureza somativa, pode ser equivocada, uma vez que tende a ser reducionista, considerando os objetivos que se pretendem alcançar. Uma constatação infeliz, diga-se de passagem.

A avaliação institucional não deve focar-se apenas no registro das informações. Não que as informações não sejam importantes, longe disso. Elas são fundamentais. Porém, muito mais importante do que gerar as informações é aquilo que se faz com elas. Se forem apenas registradas, estarão condenadas a virar estatística.

As informações devem ser organizadas, analisadas, discutidas e relativizadas. Deste processo, deve surgir um plano de ações. E o plano não pode ser essencialmente corretivo. O que está dando errado precisa ser mudado, é evidente. Mas é importante, também, que o plano de ações esteja, repita-se, comprometido com a manutenção das práticas que vem dando certo. O plano de ações sempre deve ser o resultado de uma construção coletiva, com a participação efetiva de todos os sujeitos envolvidos. Se não for desta forma, o ato de avaliar não faz sentido, não produz efeitos e não transforma.


 

 

Revalidação de diplomas


Atualmente, para ter validade nacional, o diploma de graduação tem que ser revalidado por uma universidade brasileira pública que tenha curso igual ou similar, reconhecido pelo governo. Para obter a revalidação, é necessário, de acordo com a legislação atual, que o candidato: a) entre com um requerimento de revalidação em uma instituição pública de ensino superior do Brasil. De acordo com a regulamentação, apenas as universidades públicas podem revalidar diplomas: “São competentes para processar e conceder as revalidações de diplomas de graduação as universidades públicas que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim.” (Artigo 3º, Resolução Nº 1, de 29 de Janeiro de 2002);

b) apresente, além do requerimento, cópia do diploma a ser revalidado, instruído com documentos referentes à instituição de origem, duração e currículo do curso, conteúdo programático, bibliografia e histórico escolar; c) pague uma taxa referente ao custeio das despesas administrativas. O valor da taxa não é pré-fixado pelo Conselho Nacional de Educação e pode variar de instituição para instituição.

Para o julgamento da equivalência, para efeito de revalidação de diploma, será constituída uma Comissão Especial, composta por professores da própria universidade ou de outros estabelecimentos, que tenham qualificação compatível com a área do conhecimento e com o nível do título a ser revalidado. Se houver dúvida quanto à similaridade do curso, a Comissão poderá determinar a realização de exames e provas (prestados em Língua Portuguesa) com o objetivo de caracterizar a equivalência.

O requerente poderá ainda realizar estudos complementares, se na comparação dos títulos, exames e provas ficar comprovado o não preenchimento das condições mínimas exigidas pela legislação educacional vigente.

O prazo para a universidade se manifestar sobre o requerimento de revalidação é de seis meses, a contar da data de entrada do documento em uma universidade federal.

O Brasil não possui nenhum acordo de reconhecimento automático de diplomas, Sendo assim, as regras são as mesmas para todos os países.

A revalidação de diploma de graduação expedido por instituições de ensino estrangeiras é regulamentada pela Resolução CNE/CES nº 01, de 28 de janeiro de 2002, alterada pela Resolução CNE/CES nº 8, de 4 de outubro de 2007.

A revalidação é feita pelas universidades públicas, que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim. Caso haja dúvida quanto à similaridade do curso, a universidade pode solicitar a realização de exames e provas, com o objetivo de caracterizar a equivalência.

Os diplomas de mestrado e doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades brasileiras que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior, desde que obedecidos os mesmos critérios e parâmetros exigidos para as convalidações dos cursos de graduação.


 

 

Saudade de Zora Seljan

Três anos já se passaram desde que Zora Seljan partiu, numa manhã ensolarada de a bril, deixando seus incontáveis leitores despidos do seu talento literário. Ensaísta, dramaturga, romancista e escritora de ficção científica, Zora, filha do arqueólogo croata Stevo Seljan, veio para o Brasil com seu irmão, Mirko, para explorar a Amazônia e aqui ficou durante a Segunda Guerra Mundial, foi uma figura marcante nas rodas culturais, nas quais sempre esbanjou sabedoria, humor e, principalmente, sedução.

Do final da década de trinta ao início dos anos cinqüenta, Zora foi casada com o notável escritor Rubem Braga, falecido em 1990. Seu segundo marido foi Antonio Olinto, membro da Academia Brasileira de Letras. Eles se casaram em 1955. A partir de então, os dois trabalharam juntos em atividades culturais e literárias. Quando Antonio Olinto foi crítico literário de O Globo, Zora Seljan assinava a crítica de teatro no mesmo jornal, sendo que às vezes as duas colunas saíam lado a lado na mesma página.

Antes de os dois seguirem para a Nigéria, já Zora havia escrito a maioria de suas peças de teatro afro-brasileiras, das quais, mais tarde, em Londres, uma delas, Exu, Cavaleiro da Encruzilhada, seria levada em inglês por um grupo de atores ingleses e norte-americanos sob a direção de Ray Shell, que participara de produção de Jesus Christ Superstar. Na Nigéria Zora Seljan foi leitora na Universidade de Lagos. De volta da África, Antonio Olinto publicaria um relato de sua missão ali, Brasileiros na África, e Zora Seljan lançaria dois livros: A Educação na Nigéria e No Brasil ainda Tem Gente da Minha Cor? Em 1973, os dois fundaram um jornal, em Londres e em inglês, The Brazilian Gazette.

Ela foi uma de um punhado de escritoras pioneiras dentro da ficção científica, em atividade durante os anos sessenta e setenta. Além de escrever ficção científica, foi autora de vários livros sobre a cultura africana e de estudos afro-brasileiros e de peças com assuntos relacionados - um interesse compartilhado por seu segundo marido, Olinto.

Até a sua morte, Zora foi a principal entrevistadora de figuras literárias publicadas no Jornal de Letras. Sua obra estará sendo reeditada ainda este ano. Assim sendo, os seus livros, maioria deles esgotados editorialmente, poderão ser novamente lidos e percebidos. Melhor, sobretudo, para os mestrandos e doutorandos dos cursos de antropologia, ciências sociais e sociologia que se servem desses textos para o desenvolvimento de suas pesquisas stricto sensu. Que esse relançamento seja de fato breve.

A cultura afro-brasileira agradece.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 

Coréia do Sul, um exemplo a ser seguido


Visitar a Ásia, o maior continente do planeta e onde moram 60% da população do mundo, significa ampliar os sentidos, enxergar novas cores, experimentar outros sabores, perceber novos costumes e se confundir, algumas vezes, com modos de vida totalmente diferentes dos ocidentais. Visitar a Ásia é, na realidade, como abrir a Caixa de Pandora. Uma verdadeira surpresa. E é justamente em Seul, uma cidade de 11 milhões de habitantes, capital da Coréia do Sul, país cercado pela China, Rússia e Japão, que o viajante descobre uma metrópole rigorosamente segura, com um povo muito bem educado e culto e com um padrão de vida de dar inveja aos países mais desenvolvidos do mundo.

Seul abriga enormes letreiros em neón, prédios altíssimos, shoppings centers aberto quase que 24h (Coex Mall), rios com águas cristalinas correndo pelas calçadas e avenidas, muito consumo e uma produção hi-tech absolutamente fantástica. Mesmo com todo esse movimento feérico, o turista pode descansar nos seus numerosos parques sossegados, lindamente arborizados, como o Namsan,  e curtir a natureza, contemplando o Templo de Jogyesa, os Palácios de Gyeongbokgung, de Changdeokgung e Deoksugung, e imensas torres, sempre com a hospitalidade do sul-coreano – uma marca registrada desse povo.

Em Insadong, a cultura tecnológica dá lugar ao velho continente. Ali não há prédios altos. Ao contrário, suas pequenas ruas abrigam o que existe de mais genuíno nessa capital. São tavernas da tradicional gastronomia coreana, casas com especiarias sempre muito perfumadas, dezenas de antiquários e uma infinidade de galerias de arte. Um prato que não pode ser desprezado é o ppeondaegi. Na realidade, larva de bicho-da-seda frita. Eles são comercializadas em saquinhos de amendoim. Uma delícia!

Muitos comparam Seul com Tóquio. E essa comparação é natural, uma vez que o Japão dominou a Coréia por três décadas. Durante a Segunda Guerra Mundial, homens coreanos foram obrigados  a lutar pelos japoneses e mulheres foram feitas prostitutas. A violência foi tanta que até mesmo o hangeul, a escrita coreana, foi por eles proibida. Na realidade, as duas Coréias foram uma só até o final da guerra. Com a derrota, os soviéticos ocuparam o norte e os americanos e ingleses se estabeleceram no sul. E desde 1953, vive dividida em duas: a República Popular da Coréia, ou Coréia do Norte, acima do paralelo 38, e a República da Coréia, mais conhecida como Coréia do Sul. A fronteira entre os dois países está apenas a 55 quilômetros de Seul, que, inclusive, já foi atacada algumas vezes pela Coréia do Norte, que escavou três gigantescos túneis para chegar a Seul. Nessa fronteira encontra-se a Zona Desmilitarizada, uma das mais fortificadas de todo o mundo. Para se chegar até lá, todo o cuidado é pouco. Necessário levar passaporte, assinar um termo de responsabilidade em caso de ataque inimigo e não ir de bermuda, chinelo e camiseta com estampa provocativa. Policiais entram nos ônibus de turismo, checam as fotos e os passaportes e impedem o uso de câmeras de vídeo e ou de fotografias...

Não são só as belezas de Seul, suas tradições milenares, seus costumes e sua gente que fascinam os visitantes. Na realidade, a Coréia do Sul, esse Tigre Asiático, é um exemplo para o mundo, na área da expansão e do desenvolvimento educacional. Suas autoridades enviaram muitos dos seus estudantes ao exterior com bolsas de estudo, para que buscassem formação e informação. Em 2007, haviam quase 200 mil alunos cursando universidades em nível de graduação e nos programas de mestrado e de doutorado, especialmente nos Estados Unidos, Japão e Inglaterra. E assim, além de incentivar e manter universidades de ponta, com cerca de 4 milhões de estudantes matriculados na educação superior, a Coréia do Sul cria tecnologia em todos os setores e mantém as mais altas taxas de produtividade do planeta. Esse feito glorioso levou menos de quatro décadas para se consumar.

A educação superior da Coréia do Sul experimentou todo esse progresso com a ajuda de políticas reformistas criativas e eficazes e de efetivos planos para a melhoria da qualidade. Os dirigentes da Coréia do Sul acreditam que é necessário que a educação universitária do Século XXI seja considerada no quadro geral da globalização em que o mundo vive, uma vez que a educação se tornará transnacional e que a tendência é a mobilidade do aprendizado e, em consequência, a educação sem fronteiras. E para atender a essas necessidades, universidades reformistas renovaram seu sistema curricular para, primeiramente, incorporar a capacidade do estudante para a ciência da informação e línguas estrangeiras como pré-requisitos para a graduação e, segundo, para permitir intercâmbio de recursos humanos e materiais com as demais universidades sul-coreanas e as de outros países.

A Coréia do Sul demonstra ao mundo que o seu espantoso desenvolvimento se deve ao fato de ter apostado na educação como ferramenta imprescindível ao seu projeto sócio-político-educacional e ainda por ter inserido a educação e a saúde pública como prioridades na agenda nacional.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



 


Educação recebeu R$ 117 bilhões


Pelo segundo ano consecutivo, o Inep realizou estudo sobre a quantidade de recursos públicos investidos nos diferentes níveis da educação brasileira, incluindo as etapas da educação básica (educação infantil e ensinos fundamental e médio) e educação superior.

O investimento público na educação brasileira em 2007 foi de 4,6% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em números absolutos, isso representa um aporte de R$ 117,4 bilhões. A pesquisa apurou dados de 2000 a 2007 e inclui investimentos dos governos federal, estaduais e municipais. O percentual de investimento público em educação subiu de 4,4% em 2006 para 4,6%, em 2007. Os dados estão comparados ao PIB. Em 2005, o índice foi de 3,9%. O valor se aproxima do padrão de Investimento dos países desenvolvidos – de 5%, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O maior incremento financeiro se concentra na educação básica, que reúne 3,9% do total de Investimento em relação ao PIB. Em 2006, o percentual era de 3,7%. Nos demais níveis de ensino, o investimento se manteve constante entre 2006 e 2007, inclusive na educação superior que ficou estabilizado em 0,7%. De acordo com o estudo, foram verificadas pequenas variações, como no caso da educação infantil, que teve investimento direto igual a 0,3% do PIB em 2006 e, em 2007, de 0,4%.

São considerados investimentos diretos os recursos aplicados nas instituições de ensino, como, por exemplo, para a aquisição de livros didáticos, merenda e transporte escolar, pagamento de professores, obras e instalações para a melhoria das escolas.

Em termos de investimento total, o maior crescimento novamente foi verificado na educação básica, que teve 4,3% de investimentos relativos ao PIB em 2006, sendo que em 2004 este percentual era de 3,6. Os especialistas justificam o aumento 0,7 pontos percentuais neste período à adoção de políticas públicas voltadas para esse nível de ensino. Em contrapartida, os investimentos na educação superior mantiveram-se constantes, sendo que o índice de 0,8% em relação ao PIB foi mantido de 2006 para 2007.

Nos demais níveis de ensino, o índice também apresentou estabilidade entre 2000 e 2007. No ensino médio, o investimento em 2000 foi de 0,6% do PIB e de 0,7%, em 2007. Já na educação infantil ele variou de 0,4% a 0,5 % do PIB entre 2000 e 2007.

No item de investimento total em educação são coletadas informações sobre pessoal ativo e seus encargos sociais, ajuda financeira aos estudantes (bolsas de estudos e financiamento estudantil), despesas com pesquisas e desenvolvimento, transferências ao setor privado, estimativa para complemento da aposentadoria futura de pessoal ativo (cota patronal), além de outras despesas correntes e de capital.

O estudo também aponta os dados de investimento em educação por aluno. Em 2007, o investimento p úblico anual em um aluno da educação básica foi de R$ 2.005. Em 2006, este custo era de R$ 1.852 e, em 2000, era de R$ 1.310. Os valores apresentados no estudo estão corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Dentro da educação básica, o estudo revelou significativo crescimento nos ensinos fundamental e médio. O gasto por aluno no ensino médio era de R$ 902 em 2003, enquanto que em 2007 passou para R$ 1.572. Já nas primeiras séries do ensino fundamental, o valor apurado em 2007 foi de R$ 2.166 por aluno, sendo que em 2000 era de apenas R$ 1.289.

A pesquisa apura ainda a relação entre o que se investiu por aluno no ensino superior em relação ao ensino básico. Em 2000, a proporção do que se investia por aluno no ensino superior era 11 vezes maior que na educação básica. Sete anos depois, diminuiu para pouco mais de seis. Segundo especialistas, esta diminuição é explicada por dois motivos: elevado aumento de investimento na educação básica de 2000 para 2007 e ampliação do número de matrículas na educação superior no mesmo período. A meta do Ministério da Educação é reduzir para quatro essa proporção, como ocorre nos países desenvolvidos.

O estudo sobre os indicadores do investimento público na educação é resultado de uma parceria entre Inep, MEC, Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Para sua realização foi criado um grupo de trabalho, sob a coordenação do Inep, que compatibilizou os dados de investimento educacional com base na metodologia utilizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Desta forma, adotou-se a mesma metodologia usada por organismos internacionais em estudos similares. Assim, será possível a comparação dos dados nacionais com aqueles que são produzidos por outros países.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



 

Novo Enem não terá língua estrangeira, filosofia e sociologia

A primeira edição do vestibular unificado não terá prova de língua estrangeira, sociologia e filosofia. Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Reynaldo Fernandes, as matrizes para a elaboração dessas provas não estão prontas, e o prazo é insuficiente para a sua realização. A decisão vale apenas para este ano e afeta a seleção das universidades que aderirem ao novo Enem. O Inep utilizará na elaboração da primeira edição do vestibular unificado a matriz do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Já na segunda edição, em 2010, O Inep incluirá essas matérias.

O anúncio feito pelo presidente do Inep gerou algumas manifestações contrárias ao não oferecimento, por exemplo, de língua estrangeira. Recentemente, a coordenadora de ensino e graduação da UnB, Márcia A brahão, declarou que uma seleção para universidade sem língua inglesa representa um retrocesso.

A mesma opinião tem o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal, Amábile Pacios. De acordo com ele, o processo estará sendo sucateado e a qualidade da seleção sofrerá perdas. Para Amábile é difícil imaginar uma prova de vestibular sem língua estrangeira, uma vez que a disciplina é obrigatória na grade das escolas.

No Rio, o Conselho de Ensino e Pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) aprovou por unanimidade um novo modelo de vestibular para 2010, incluindo as questões objetivas do novo Enem como forma de avaliação na primeira fase, que continua sendo eliminatória. O Enem valerá metade da nota.
As questões desta fase serão objetivas de múltipla escolha. Nessa fase, os candidatos farão provas com perguntas pertinentes à grande área de conhecimento a que pertence o curso escolhido, sendo que as questões de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa serão comuns a todas as áreas.

A segunda etapa de provas da UFF vai permanecer igual com questões específicas e discursivas. Os alunos da rede pública de ensino que passarem para a segunda fase terão um bônus de 10%. O candidato que tiver nota igual ou superior a 7 do Enem vai ter mais 5% sobre a nota final.

O vestibulando para passar na segunda fase deverá ter um número de acertos igual ou superior à média aritmética da prova e do novo Enem, respeitado o limite máximo de oito e o mínimo de três vezes o número de vagas oferecido pelos cursos.

Os professores da rede pública terão reserva de 20% das vagas em cursos de licenciatura.

A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) decidiu abolir de vez seu vestibular e optar pelo novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a partir deste ano como única forma de ingresso do aluno na instituição.

A Unirio é a segunda instituição de ensino federal do Estado do Rio de Janeiro a aderir ao novo Enem - a primeira foi o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ). Desde 2001, a Unirio utilizava o Enem como uma das maneiras de acesso a seus cursos de graduação, sendo que há dois anos passou a destinar 50% das vagas a quem decidisse usar as notas do exame. Da mesma forma, a UniverCidade aderiu ao Enem, como parte do seu processo seletivo.

Pesquisa da Unirio mostra que, no período entre 2004 e 2008, a taxa de evasão da instituição foi de cerca de 25%; sendo que 79,8% desse total era de alunos que fizeram vestibular e apenas 13% de estudantes que ingressaram pelo Enem. A universidade ainda vai definir de que forma serão aplicadas as provas de habilidade específica, como os de artes cênicas e música.

As provas do Enem deverão, ainda, passar por pré-testes, antes da aplicação. O novo Enem deve ser realizado nos dias 3 e 4 de outubro e, mesmo diante de insistentes pedidos de reitores para adiar a data, o presidente do Inep garante que o prazo será mantido.

A expectativa é que 4 milhões de pessoas façam o exame. Todas as redações serão corrigidas, uma vez que a prova tem o intuito de avaliar o ensino médio e não só selecionar para as universidades.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

 

MEC quer mudar currículo do Ensino Médio

O Ministério da Educação pretende acabar com a divisão por disciplinas presente no atual currículo do ensino médio. A proposta, que está sendo discutida na Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, é distribuir o conteúdo das atuais 12 matérias em quatro grandes grupos: línguas estrangeiras, matemática; ciências humanas; e ciências exatas e biológicas. Atualmente, o currículo é muito fragmentado e o aluno não vê aplicabilidade no programa ministrado, o que reduz o interesse do jovem pela escola, levando-o muitas vezes à evasão. A mudança ocorrerá por meio de incentivo financeiro e técnico do MEC aos Estados da Federação, pois a União não pode impor o sistema. O novo Enem, Exame Nacional do Ensino Médio, que deverá substituir o vestibular das universidades federais, será outro indutor, pois também não terá divisão por disciplinas. Segundo a proposta, as escolas terão liberdade para organizar suas próprias estruturas curriculares, o que é um sinal claro de inovação, desde que seus currículos sigam as diretrizes federais e apresentem uma base comum.


Os últimos resultados do Enem mostraram que 60% dos nossos alunos estudam em escolas abaixo da média nacional, o que vai de encontro com o progresso e o desenvolvimento da própria nação brasileira. A idéia é não oferecer mais um currículo enciclopédico, rígido, com 12 disciplinas, em que os alunos dominam muito pouco a leitura, o entorno e a própria vida prática.

Para também tentar garantir mais qualidade, está previsto o aumento da carga horária, das atuais 2.400 horas para 3.000 horas, em um acréscimo total de 25%. Com essa mudança de paradigma, será preciso que as escolas reorganizem os seus espaços e, mais do que isso, será necessário criar no professor uma nova mentalidade, mais moderna, arrojada e empreendedora.

Afinal, os atuais docentes foram preparados, ao longo das décadas, para ensinar em disciplinas e não em módulos. Treinamentos e capacitações serão requeridos para que os professores, a partir dessa implantação, possam mudar sua didática, inovando-a.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 

 

MEC divulga calendário de avaliação da educação superior em 2009

Iniciou-se, recentemente, as visitas ao segundo grupo de Instituições de Ensino Superior e de cursos de graduação que serão avaliados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, neste ano de 2009. O cronograma de avaliações divulgado indica que 95 instituições receberão a visita de avaliação institucional externa e 41 cursos de graduação serão avaliados para a renovação de reconhecimento. Também serão avaliados oito cursos remanescentes de grupos anteriores.

Os avaliadores já iniciaram as visitas às IES, desde o último dia 31 de março. No caso dos cursos, as visitas começaram no dia 18 de março.

Além das datas, o cronograma apresenta ainda a relação nominal das instituições e cursos que serão avaliados. Conforme a diretora de Avaliação da Educação Superior do Inep, Iguatemy Lucena, esta nova medida serve para reforçar a transparência do processo, possibilitando que as instituições conheçam a composição de cada grupo de avaliação no momento da sua divulgação.

Na definição das instituições incluídas no segundo grupo de 2009 foram levados em conta a existência na IES de cursos avaliados no Enade 2007 e que estejam, simultaneamente, em processo de renovação de reconhecimento.

No caso dos cursos, foram selecionados aqueles das áreas avaliadas pelo Enade em 2007, que obtiveram Conceitos Preliminares (CPC) menores do que três ou que ficaram sem conceito. O CPC é um indicador de qualidade da educação que varia de um a cinco, sendo que um é a nota mínima, e cinco, a máxima.

A avaliação institucional externa é uma das três dimensões do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). O sistema compreende ainda a avaliação de cursos e de desempenho dos estudantes A avaliação externa é realizada por comissões designadas pelo Inep e tem como referência os padrões de qualidade para a educação superior expressos nos instrumentos de avaliação e no relatório de auto-avaliação.

Por meio do cronograma de avaliações estabelecido para 2009, o Inep pretende garantir, ainda no primeiro semestre do ano, os resultados do primeiro ciclo de avaliação do Sinaes. Para o Inep, a implementação do Sinaes, em todas as suas dimensões, é um desafio que exige ações articuladas. A complexidade do sistema impõe a necessidade de uma articulação efetiva entre as diretrizes da Conaes (Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior), os instrumentos de avaliação, as ações e os respectivos prazos a serem observados pelas IES em cada fase que antecede a visita das comissões.

O INEP conta com um banco de avaliadores ad hoc, capacitados regularmente, e que visitam cursos e instituições, objetivando autorizar, reconhecer ou renovar reconhecimento de cursos ou credenciar ou recredenciar instituições de ensino superior. Essa recapacitação se faz necessária, em virtude de os instrumentos avaliativos estarem, vez por outra, sendo readequados, para permitir, dessa forma, avaliações ainda mais criteriosas e que possam evidenciar fortalezas e fraquezas das IES e/ou cursos, buscando sua melhoria permanente, em prol da própria educação do Brasil.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-AmericanoProf. Dra. Cynthia Borges de Moura e Psicóloga Bruna de Moraes Aguiar.

Palestrante e acadêmicos do Curso de Psicologia

 

 

No Nepal, contrastes culturais


Caos. Contrastes. Pobreza absoluta. Buzinaço alucinante pelas vielas, becos e “avenidas”. Vacas e macacos pelas ruas, sem placas de sinalização. Gente hospitaleira. Templos exuberantes. Paisagens inesquecíveis. Terra do Monte Everest. País aonde nasceu Buda. Essas são apenas algumas das muitas considerações que podem ser feitas ao Nepal, país encravado na encosta da Cordilheira do Himalaia e situado entre a China e a Índia, no centro-sul da Ásia, com cerca de 27 milhões de habitantes, em uma área de menos de 141 mil quilômetros quadrados, mas, em altura, é recordista mundial, pois abriga oito das dez maiores montanhas do mundo.

 Antigo reino, tornou-se  república, recentemente, mas o antigo soberano, que subiu ao trono depois de assassinar seus pais, apesar de deposto, continua vivendo em Kathamandu, em uma residência que ocupa um quarteirão, bem perto do Palácio Real, onde viveu toda a sua vida. A atual República ainda não teve condições de promover mudanças no país, que sofre com o desemprego, com a ausência de saneamento básico, com a falta de moradia e com poucas escolas e raras universidades. Os problemas políticos, sociais, militares e econômicos são, talvez, do tamanho do próprio país e é muito improvável que tais mazelas possam ser ultrapassadas ainda neste século.

Apesar dessa situação verdadeiramente dramática em que está mergulhado esse país, é absolutamente fascinante visitá-lo. Lá, a vida cruel nos leva a reflexões, a uma viagem para dentro de nós mesmos. Nos triciclos, ou “tuc-tucs como são chamados, passear pelo bairro de Thamel é uma aventura. São centenas de tendas e pequenas lojas espalhadas por quarteirões de vielas completamente esburacadas, sob um colorido de legumes, verduras, frutas e flores. Centenas de indigentes estão jogados pelo caminho, assim como dezenas de sandhus (homens pobres com suas caras pintadas, verdadeiras máscaras) são vistos. Encontrar um sandhu e não dar-lhe algum dinheiro pode trazer má sorte reza a crendice local.

Bem próximo de Thamel encontra-se a Praça Durbar, a mais visitada da capital. A confusão de turistas, nepalenses, táxis e vendedores de qualquer coisa não esconde a beleza arquitetônica dos templos. Pechinchar é uma arte em Kathmandu. “Galerias” de arte são ali também verificadas. E a maioria delas  exibe pinturas de excelente qualidade, com destaque para as que apresentam o nascimento e vida do Buda, feitas com fios de  ouro de 24 quilates.

Nada, todavia, pode ser comparado aos grandes templos de Swayambunath, Pashupatinath e Boudhanath. O  Swayambunath é o principal santuário budista de Kathmandu. Arqueólogos acreditam que esse templo exista há pelo menos 2 mil anos.  Em uma área de quase 65 quilômetros quadrados, o visitante percorre até o topo da montanha, local onde se encontra o templo, mais de 40 degraus, cercado de gigantescas estátuas de budas, de macacos e de jardins.

Já o  Pashupatinath está construído as margens do Rio Bagmati, considerado sagrado pelos nepalenses. É o principal templo hinduísta do país e é também conhecido pelas cerimônias de cremação públicas. De um lado, os corpos da população pobre são queimados na plataforma, entre galhos de árvores, carvão, na presença de familiares homens; do outro lado, os ricos são cremados em plataformas em um ritual sofisticado e em sândalo.  As cinzas e sobras das fogueiras são jogadas ao rio. Curioso é que crianças e até adultos ficam por ali naquelas águas poluídas, com a intenção de pescar dentes de ouro para, após, revendê-los.  Maior mausoléu do país, o Boudhanath é parecido com o Swayambunath, mas sua majestosa construção branca e imensa cúpula dourada, ainda mais agigantada devido às construções dos prédios baixos ao seu redor, é bem mais impressionante.

O antigo Palácio Real, na Avenida Durbar Mag, transformou-se em museu e é aberto a visitação. Os prédios da Suprema Corte de Justiça, o Parlamento, as Torres dos Relógios e Branca, o Portão Dourado e a Praça Indrachowk, endereço do Templo Akash Bhairab e do mercado antigo merecem ser, da mesma forma, visitados. As modernas edificações das embaixadas dos Estados Unidos, Japão e França são destaques nas paisagens de Kathmandu. O Brasil não possui representação diplomática no Nepal.

O Nepal é daquelas viagens mágicas que não terminam jamais, nem quando chegamos de volta ao Brasil. E prova que há maneiras e formas diferentes de se encarar a vida, de ver e lidar com as coisas e com as pessoas. Viajar ao Nepal é, antes de mais nada, um grande aprendizado.


 Paulo Alonso é jornalista e Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

Mulheres são maioria na Educação Básica


O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira, o INEP, acaba de divulgar uma pesquisa sobre a presença da mulher brasileira no sistema educacional e mostra números crescentes, em termos absolutos, em todos os níveis de ensino. Na comparação com a presença masculina, na Educação Básica, elas constituem minoria nas creches e no Ensino Fundamental, mas são maioria no Ensino Médio.

De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica, levantamento realizado anualmente pelo Inep, em 2005 estavam matriculadas no Ensino Fundamental 16.367.401 meninas, o que representa 48,80% do total de matrículas naquele ano. Esse percentual manteve-se praticamente o mesmo no ano seguinte, com matrículas de mulheres representando 48,66% do total. Já no Ensino Médio, a proporção de matrículas de mulheres aumentou nesse período. Em 2005, elas representam 53,99% e, em 2006, o 54,06%. Em 2007, do total de 31.733.198 estudantes do Ensino Fundamental, 5.394.707 ou 48,51% eram meninas. Já, no Ensino Médio, o percentual de meninas supera o de homens. Elas representavam 54,7% do total de 8.264.816 alunos.

Se há variação em termos de matrículas, quando o assunto é desempenho o rendimento feminino apresenta crescimento, inclusive em relação ao dos homens. De acordo com estudo produzido pelo Inep, o desempenho na prova de português do SAEB referente a 2007 revela um rendimento de 182,3 para as mulheres na 4ª série do Ensino Fundamental, enquanto os homens, nesta mesma série, obtiveram desempenho de 172,4, numa escala de 0 a 500. O levantamento foi feito em escolas públicas e privadas de todo o País.
A diferença de rendimento é ainda maior na 8ª série do Ensino Fundamental quando se trata de proficiência em língua portuguesa, sendo que as mulheres tiveram média de 240,7 e os homens, 228,7, uma diferença de 12 pontos. E, no 3º ano do Ensino Médio, a superioridade feminina em língua portuguesa é novamente comprovada. Elas tiveram aproveitamento de 263,5, enquanto os meninos ficaram com 259,9. Conforme mostra a tabela, os homens apresentam melhores médias em matemática nas três série avaliadas: 4ª e 8ª do Ensino Fundamental e 3º ano do Ensino Médio.

As mulheres do Sudeste são as que apresentam melhor rendimento médio. Mas são as mulheres do Distrito Federal que tiveram melhor desempenho em 2007 em Língua Portuguesa e Matemática, na 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental. Elas apresentaram média de 200,7 em Português e de 210,9, em Matemática. Já no 3º ano do Ensino Médio, são as gaúchas que apresentam maior desempenho em Português, com 286,3 de aproveitamento. Já em relação à disciplina de Matemática, novamente são as estudantes do sexo feminino do Distrito Federal que lideram com média de 291,8.

Da mesma forma, as mulheres já são também maioria nos bancos universitários. E não é à toa que, cada vez mais, as mulheres no Brasil estão ocupando cargos e funções de altíssimo relevo e importância nos Tribunais Superiores, nos Tribunais Estaduais, no Congresso Nacional, nas Academias de Letras, Artes e Cultura, no Esporte, na Música...em todos os setores da vida.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 


 

Instituto de Pesquisa Antártico é instalado

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT APA) foi instalado, no último dia 1º de abril, em solenidade realizada no Ministério do Meio Ambiente (MMA). O Instituto, criado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, constituiu-se em uma rede de pesquisa com a participação de mais de 40 pesquisadores ligados a 16 diferentes instituições, dentre elas o próprio MMA, parceiro no projeto.

O objetivo do Instituto é estudar as mudanças ambientais que ocorrem na Antártica, o continente mais preservado e, ao mesmo tempo, mais frágil do planeta. Sua atuação está focada na Ilha Rei George, onde está instalada a Estação Antártica Brasileira Comandante Ferraz, que tive a oportunidade de visitar quando matriculado no Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra. Essa região é a mais sensível do planeta às variações climáticas. Suas peculiaridades permitem que se detecte, precocemente, a resposta do ambiente às mudanças globais. Registros meteorológicos indicam um rápido aumento na temperatura atmosférica local ao longo dos últimos 50 anos, quatro vezes maior que a média mundial. Nesse período, a ilha perdeu 7% de sua cobertura de gelo. As maiores perdas de gelo já observadas no planeta – com destruição de mais de 7000 quilômetros quadrados - ocorreram nos últimos oito anos a apenas 350 quilômetros da Ilha Rei George.

Outra tarefa importante do INCT APA será o monitoramento ambiental da Baía do Almirantado, com estudos sobre o impacto que as atividades humanas têm causado sobre o ambiente.

Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia foram criados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia que, por meio do CNPq, lançou edital convocando a comunidade científica nacional a realizar pesquisas. A criação dos institutos conta com parceria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) e as Fundações de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), do Pará (Fapespa), de São Paulo (Fapesp), Minas Gerais (Fapemig), Rio de Janeiro (Faperj) e Santa Catarina (Fapesc), Ministério da Saúde e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Foram criados 123 projetos que terão recursos de R$ R$ 581 milhões para os próximos cinco anos.
Com a implantação de um Instituto com essa dimensão, importância, finalidade e responsabilidade, espera-se que o Brasil possa, por meio dos seus pesquisadores e das suas consequentes pesquisas, ter dados ainda mais consistentes para o diagnóstico dos impactos que as atividades desenvolvidas pelo homem causam e prejudicam o meio ambiente em que vivemos.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

   
Trabalho desenvolvido na Clínica-Escola é publicado na revista Fisioterapia e Pesquisa - da USP (B2 Nacional)  

Sob o tema “Estudo comparativo preliminar entre os alongamentos proprioceptivo e estático passivo em pacientes com seqüelas de hanseníase”, o artigo da última edição da Revista Fisioterapia e Pesquisa da USP abordou o estudo realizado nas Faculdades Anglo-Americano – Unidade de Foz do Iguaçu. A proposta do trabalho foi comparar a aplicação de alongamento estático passivo e alongamento proprioceptivo no tratamento de seqüelas de hanseníase. Doze pacientes com essas seqüelas participaram da pesquisa, separados aleatoriamente em dois grupos. Clique aqui e leia o artigo na íntegra.


 

Listão de dispensados do Enade 2008

O Diário Oficial da União publicou recentemente  uma portaria com os dispensados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, Enade, relativo ao ano de 2008. Os estudantes concluintes dispensados do exame realizado no dia 9 de novembro do ano passado podem procurar sua Instituição de Ensino Superior e requerer o diploma de conclusão de seu curso.

Em 2007, foram avaliadas as áreas de Arquitetura e Urbanismo, Biologia, Ciências Sociais, Computação, Engenharia, Filosofia, Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Química; e cursos superiores de tecnologia em: Construção de Edifícios, Alimentos, Automação Industrial, Gestão da Produção Industrial, Manutenção Industrial, Processos Químicos, Fabricação Mecânica, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores e Saneamento Ambiental.
Os faltosos ao Enade tiveram um prazo no ano passado para entregar suas justificativas de ausência. Todas as solicitações de dispensa foram avaliadas por uma comissão especial constituída e designada pelo Ministério da Educação (MEC). Os alunos que não tiveram aceitas suas justificativas continuam em situação irregular e devem prestar o exame neste ano para regularizar a situação acadêmica. Sem o exame, não poderão receber os seus diplomas, mesmo que concluído o curso universitário. O prazo para as IES inscreverem seus alunos nessa situação é de 1º a 19 de junho, de acordo com o texto da Portaria Normativa 1/2009.

O Enade 2009 será realizado no dia 8 de novembro e participarão da prova  estudantes do final do primeiro ano de curso e do último ano de curso das áreas selecionadas. São considerados ingressantes aqueles estudantes que, até o dia 1º de agosto, tiverem concluído entre 7% e 22% da carga horária mínima do currículo do curso da Instituição em que está matriculado, já  os concluintes são aqueles que, até o dia 1º de agosto, tiverem concluído pelo menos 80% da carga horária mínima do currículo do curso da sua IES ou aquele estudante que tenha condições acadêmicas de conclusão do curso no decorrer do no ano letivo de 2009.

Assim sendo, as IES de todo o Brasil e os estudantes universitários que se enquadrarem nessas normas devem ficar atentos. Na realidade, o Ministério da EDucação, ao instituir um processo avaliativo nacional, deseja saber objetivamente como está sendo a transmissão do conhecimento aos alunos, avaliando ainda organização didático-pedagógica da IES, seu corpo docente e infra-estrutura. Não podemos imaginar que as avaliações sejam punitivas, mas esperando sempre que sejam construtivas para, assim, melhor qualificar os nossos alunos que se matriculam nas várias instituições nacionais, visando o seu crescimento intelectual e apostando, com o conhecimento recebido, um lugar no cada vez mais restrito mercado de trabalho.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

Dubai, um lugar único no planeta

Ao chegar ao Aeroporto Sheik Rachid, em Dubai, a maior cidade dos Emirados Árabes Unidos, com cerca de 1,6 milhão habitantes, o passageiro logo se impressiona. O aeroporto mais parece um gigantesco e sofisticado shopping - center. Mesmo diante dessa imensidão, ainda está sendo construído outro, o  Dubai World Central International Airport, planejado para ser o maior do mundo, com capacidade para 120 milhões de passageiros por ano. Não é um equívoco afirmar que Dubai possui 30% dos guindastes de construção de todo o mundo. A cidade, um verdadeiro canteiro de o bras, impressiona pela expansão, pela altura dos edifícios e pela arquitetura arrojada dos prédios e, sobretudo, pela grandiosidade dessa metrópole que está sendo projetada sobre o enorme Deserto de Larbad. Ao contrário dos demais Emirados Árabes Unidos, a economia de Dubai não se baseia primordialmente na exploração do petróleo. Apenas 7% da renda do emirado são obtidas dessa fonte. A maior parte dos recursos é proveniente da Zona Franca Jebel Ali, onde se localiza o porto de Dubai, o 13° mais movimentado do mundo, e empresas multinacionais, sobretudo canadenses, austríacas, norte-americanas e suíças, que gozam de vantajosas isenções comerciais e fiscais. As atividades relacionadas ao turismo, 33% das divisas, também têm aumentado sua participação na economia. O crescimento do PIB gira em torno de 19%, mais que o dobro da China. A população nativa de Dubai é absolutamente minoritária, daí a cidade ainda não ter identidade própria. Mais de três quartos dos seus habitantes são originários de outros países, em especial, do Paquistão, do Cazaquistão, da Malásia, das Filipinas e da Índia. Sem impostos sobre pessoas física e jurídica e com um código legal que favorece a propriedade e a iniciativa privada, Dubai incorpora o lema do velho Sheik Rashid: "O que é bom para os comerciantes é bom para Dubai".

Tudo em Dubai é grandioso. Lá está, por exemplo, localizado o único hotel sete estrelas do mundo, o Burj Al Arab, situado em uma ilha e com uma infra-estrutura tecnológica de última geração, em formato de vela. Não muito distante dele, pode ser contemplado O Burj Dubai, a Torre de Dubai. É o arranha-céu mais alto do mundo, embora ainda esteja em final de construção. Não se sabe qual será a altura exata do edifício, mas acredita-se que ele terá aproximadamente entre 700 e 800 metros de altura, o que o fará não somente o arranha-céu mais alto do mundo, bem como a estrutura mais alta do mundo, com um custo estimado de oito bilhões de dólares. Ao atingir sua altura máxima, o Burj Dubai deverá superar não somente o arranha-céu mais alto do mundo da atualidade, o Taipei 101, bem como a estrutura não sustentada por cabos em terra firme mais alta do mundo, a Torre CN, e a estrutura mais alta do mundo, a Torre da KVLY-TV

Já a Dubailand, na Sheik Zayed Road, é um outro projeto altamente arrojado, situada em uma área  do tamanho da Cingapura. Promete ser a grande atração de entretenimento, ainda este ano, quando será inaugurada. Todavia, uma atração imperdível e, ao mesmo tempo, surreal, é visitar o Shopping dos Emirados, o maior de Dubai, com 500 lojas e uma enorme estação de esqui coberta. Inquestionavelmente, é uma das idéias locais mais estranhas, já que a visão de uma enorme pista de esqui interna coberta de neve, com menos 4º C, a primeira do Oriente Médio, é algo esquisito no calor úmido do Golfo Pérsico, onde o espetáculo dos emirenses esquiando e vestidos de burcas e/ou canduras, falando o árabe é, no mínimo, curioso. Esse complexo encerra o maior parque de neve interno do mundo, com três mil metros quadrados de encostas “alpinas” cobertas de neve, com teleférico, pistas de esqui e de trenós.

Dubai guarda um perfil de Manhattan e de Las Vegas, um porto de classe internacional e gigantescos centros de compra livres de impostos aduaneiros. Atrai mais turistas do que toda a Índia, mais navios do que a Cingapura e mais capital estrangeiro do que muitos países europeus. Pessoas de 150 nacionalidades foram viver e trabalhar ali. Dubai tem até ilhas artificiais, algumas em forma de palmeira, para acomodar os milionários. David Beckham, Rod Stewart e Michael Schumacher estão construindo suas mansões na Ilha Palmeira de Jumeirah, onde existe uma bela marina e hotéis simplesmente maravilhosos.  Uma segunda ilha artificial com o mesmo formato da palmeira já está fase final de construção.

Em Dubai celulares incrustados de diamantes custam 10 mil dólares e vendem como água. Milhões de pessoas voam para lá só para fazer compras. O Gold Souk, mercado de ouro, é algo mágico e mítico. São quilos e quilos de ouro nas centenas de lojas esperando por compradores e por preços vantajosos. Fica na parte norte, conhecida como Deira, maior centro comercial e turístico, com vários mercados, escolas, hotéis, clubes e o aeroporto.

Dubai é um lugar único no planeta. Apontada por muitos como a cidade que mais cresce no mundo, este centro de comércio cravado no Golfo Pérsico, às margens do Oceano Índico, transformou-se em um dos destinos urbanos mais cheios de glamour, espetaculares e futuristas do mundo.

Existe também um novo projeto para a construção de outra ilha artificial em que, ao contrário de um desenho de palmeira, será o desenho do mapa mundo.  Um hotel deve ficar com o conjunto formado por várias ilhas que, se olhadas por cima, mostram o mundo. The World também será um arquipélago artificial onde a maior parte das ilhas já foi comprada por investidores de todo o mundo, que estão desembolsando de 7 a 30 milhões de dólares por suas mansões.

Contrastando com a vida movimentada dos cafés e restaurantes, dos iates luxuosos e dos prédios sofisticados da cidade, encontra-se o deserto, de onde se pode contemplar um maravilhoso por do sol, sob o vento das areias finas e avermelhadas e sob o olhar dos dromedários e camelos, em suas reservas.

Caminhar pelo deserto e navegar pelas águas cristalinas e verdes do Golfo Pérsico são dois dos mais belos e inesquecíveis passeios em Dubai. Imagens que certamente permanecerão por toda a vida na memória e nos corações daqueles que têm a oportunidade de conhecer essa única e tão fantástica cidade do Oriente Médio.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



Senadores resistem às cotas raciais

As Discordâncias são muitas e em vários pontos. Assim sendo, a questão da reserva de cotas raciais nas universidades ainda demandará muita discussão no Parlamento do Brasil. E é claro que no que depender da disposição dos mem bros da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) dos Deputados nº 180/2008, que impõe reserva de vagas em todas as universidades públicas, está longe, muito longe de ser aprovado. Ao menos da forma como fora concebido.

Um levantamento feito recentemente junto aos 81 Senadores da República deixa claro que a maioria desses parlamentares é contra a implantação de cotas étnicas para o acesso de estudantes negros, pardos e indígenas às escolas técnicas e às universidades federais. Até mesmo os senadores do bloco de apoio ao governo se mostram reticentes na hora de aderir às cotas raciais. No plenário e na própria CCJ, Os debates são muitos e sempre acalorados.

Dos 24 senadores – 23 titulares mais a relatora, a suplente Serys Slhessarenko (PT-MT) – que decidirão sobre a questão, apenas três se declaram favoráveis às cotas étnicas, enquanto 11 são contra a aprovação do projeto incluindo critérios raciais. Quatro outros senadores ainda estão indecisos e seis preferiram não informar os seus votos. Se a reserva de vagas por critérios étnicos incomoda aos parlamentares, sobretudo os da oposição, a possibilidade de se estabelecer cotas sociais conta com a simpatia da maioria.

Dos 11 contrários ao PLC, dois recusam qualquer tipo de cota e nove a defendem com base apenas em critérios sociais, como a obrigatoriedade de o aluno ter feito a educação básica em escola pública ou pertencer à família com renda mensal que não ultrapasse um salário mínimo e meio per capita. A discussão promete ainda muito barulho no dia de hoje, 1º de abril, data da audiência pública que vai contar com a presença do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, de reitores de universidades públicas e de representantes da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). A expectativa é de que o parecer da Senadora Serys, favorável à aprovação do projeto, seja apresentado no mesmo dia.

O Senador tucano Álvaro Dias, do Paraná, apresentou emenda ao projeto para que ele estabeleça apenas a cota social. Mas a relatora já avisou que não aceita a retirada do que para ela é a “essência” do projeto, a cota racial.

Tudo indica que o parecer da Senadora Serys será pela cota considerando três cortes: ter frequentado escolas públicas, renda e etnia. Se continuar a pensar dessa forma, fica, desde já, confirmado que Serys rejeitará emendas como a de Álvaro Dias.

A passionalidade tem marcado o discurso dos parlamentares que já se posicionaram sobre o tema. Quem defende a cota social argumenta que ela é mais abrangente, pois inclui automaticamente negros, pardos e indígenas, quase sempre alunos das escolas públicas, e também os brancos menos favorecidos. E, ainda, evitaria um problema futuro na hora de suspender a política de cotas.

Já o Senador Gilvam Borges, do PMDB-AP, acredita que o problema não está na cor da pele, mas na base da pirâmide, por isso, de acordo com ele, é imprescindível tratar o assunto como uma questão social – afirma o senador Gilvam Borges (PMDB-AP).

A questão tem suscitado dúvidas até em parlamentares do PT, como o Senador Eduardo Suplicy (SP) que ainda não sabe de que forma votará.

Convicto, o Senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) demonstra a mesma paixão pelo tema que aqueles que pretendem retirar os holofotes da questão racial. Para ele, é uma grande balela esse argumento de criar um novo problema. Problema, para Simon, é o que existe hoje, com 80% dos negros nas favelas, nas cadeias e não nas universidades.

Autora de uma das propostas que deram origem ao PLC, a petista Idelli Salvatti (SC) julga desnecessário o critério de renda, que viria sobrepor-se à obrigação de o estudante ter frequentado escola pública. Para Salvatti, há muitos cortes, o que torna o projeto complexo. O melhor, ainda de acordo com Salvatti, deve prevalecer o critério da proporcionalidade étnica aliado ao de escola pública.

Enfim, o dia de hoje promete muita discussão, muitas brigas e disputas e talvez não se chegue a nenhum consenso. O tema é o da vez e a Esplanada dos Ministérios e o Palácio do Planalto acompanham os desdobramentos dessa questão, que, sem dúvida, é de grande interesse para a vida nacional.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano



Nova ortografia da Língua Portuguesa

Paulo Alonso

Depois de quase duas décadas, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está saindo do papel e passando a ser empregado. O Brasil é o primeiro país entre os que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, a adotar oficialmente a nova ortografia, neste ano de 2009. Essas regras ortográficas que constam no acordo serão obrigatórias em todos os documentos governamentais, mas nos estabelecimentos educacionais o prazo será mais dilatado, em face do cronograma de compras de livros didáticos pelo Ministério da Educação. As mudanças mais importantes alteram a acentuação de várias palavras, extinguindo, por exemplo, o uso do trema e ainda sistematizando a utilização do hífen. O acadêmico Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, será o guardião pelo uso correto da nova ortografia e ainda será o responsável em emitir pareceres sobre eventuais dúvidas sobre a utilização da nova ortografia.

No Brasil, as alterações atingem aproximadamente 0,5% das palavras, contudo nos demais países, que adotam a ortografia de Portugal, o percentual sobe para 1,6%. Dentre os países da CPLP, o acordo já foi ratificado pelo Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Já Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor Leste ainda não definiram quando irão ratificar o documento.

A mudança ortográfica que, além do trema, acaba com os acentos de vôo, lêem, heróico e muitas outras palavras, também altera as regras do hífen e incorpora ao alfabeto as letras k, w e y, passando, assim, a ter 26 letras. A utilização dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus derivados, como “Kafka, por exemplo. As alterações foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa, com população de cerca de 230 milhões. Esse acordo, na realidade, tem também como objetivo aproximar essas culturas.

O embaixador Lauro Moreira, representante brasileiro na CPLP, não tem dúvida de que a que, “quando a nova ortografia chegar às escolas, toda a sociedade se adequará”. Levará um tempo para que as pessoas se acostumem com a nova grafia, como ocorreu com a reforma ortográfica de 1971, mas ela entrará em vigor aos poucos.

Até então, era preciso redigir dois documentos nas entidades internacionais, um com a grafia de Portugal e o outro, com a do Brasil. Essa situação não fazia qualquer sentido e ainda servia para burocratizar ações, processos e procedimentos.

O MEC já iniciou o processo de adoção da nova ortografia. Entre 2010 e 2012 será o período de transição estipulado pela Pasta da Educação para a nova ortografia passar a ser obrigatória nos livros de todas as áreas do conhecimento.

Convém esclarecer que a unificação da nova ortografia não será total. Como privilegiou mais critérios fonéticos, pronúncia, em lugar de etimológicos, origem, para algumas palavras será permitida a dupla grafia. Essa situação será permitida principalmente em palavras paroxítonas cuja entonação entre brasileiros e portugueses é diferente, com inflexões mais abertas ou mais fechadas. Enquanto no Brasil as palavras são acentuadas com o acento circunflexo, em Portugal, ao contrário, utiliza-se o agudo. Assim sendo, ambas as grafias serão aceitas, como em fenômeno ou fenómeno; tênis ou ténis. Essa mesma regra valerá também para algumas oxítonas, como caratê e crochê, que também serão aceitas como caraté ou croché.

As regras para a utilização do hífen receberam nova sistematização. O objetivo é simplesmente simplificar a utilização do sinal gráfico, cujas regras estão entre as mais complexas da nova ortografia. Esse sinal foi abolido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento também começa com outra vogal, como em aeroespacial e extraescolar. É conveniente ressaltar que, quando o primeiro elemento finalizar com uma vogal igual à do segundo elemento, o hífen deverá ser utilizado, como nas palavras micro-ondas e anti-inflamatório.

Ainda, de acordo com a reforma, nos casos em que a primeira palavra terminar em vogal e a segunda começar por r ou s, essas letras deverão ser duplicadas, como na conjunção anti + semita: antissemita. A única exceção se dará quando o primeiro elemento terminar em r e o segundo elemento começar com a mesma letra. Nesse caso, a palavra deverá ser grafada com hífen, como em hiper-requintado e inter-racial.

Com a entrada em vigor da nova ortografia, as pessoas terão de fazer um pequeno esforço para reaprender a escrever algumas palavras. O melhor é fazer o quanto antes, embora haja um prazo de três anos para que essa readaptação ocorra na sua íntegra.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


Mulheres estão em maior número nas universidades

Paulo Alonso

O Dia Internacional da Mulher foi comemorado oficialmente pela 34ª vez no último domingo, dia 8 de março, mas essa justa homenagem às mulheres já tem quase um século. Em 1911, quando as mulheres não tinham nem direito ao voto em praticamente todo o mundo, o dia delas começava a ganhar o planeta.

Ainda no final do século XVIII, a escritora britânica Mary Wollstonecraft levantava a questão de como a mulher era tratada. Condições subumanas, carga horária pesada e salários bem mais baixos do que o dos homens já eram apontados para mostrar o quanto as mulheres eram consideradas de forma diferente e, pior, como são em alguns países, até hoje.

Assim, menos de 70 anos após a Revolução Industrial, em 1857, trabalhadoras de uma fábrica têxtil, apelidadas então de ‘funcionárias das vestimentas’, protestaram por melhores condições de trabalho em Nova York e o que ganharam em curto prazo foi uma violenta resposta de policiais.  Essa data, todavia, não passou em branco pela história. Dois anos depois, também em 8 de março, mais mulheres fizeram uma força única e começaram a obter os primeiros direitos de trabalho, por intermédio de uma associação recém-criada que defenderia os seus direitos.  Em 1908 (também em 8 de março), 15 mil mulheres se juntaram na cidade de Nova York e fizeram novo protesto reclamando por seus direitos e também protestando contra o trabalho infantil.

Em maio do mesmo ano, o Partido Socialista da América estabeleceu que oúltimo domingo de fevereiro fosse o “Dia Nacional das Mulheres”, data mantida até 1913. 

A data de 8 de março, porém, ganhou força na antiga Rússia. E em 23 de fevereiro de 1917, pelo calendário Juliano, que coincidentemente caiu em 8 de março pelo calendário gregoriano, o czar russo Nicolau II foi obrigado a deixar o governo e a garantir, em um de seus derradeiros atos, o direito ao voto das mulheres.

Somente em 1975, 64 anos depois da convenção socialista e 30 após a sua criação, as Organização das Nações Unidas resolveram adotar a data como oficial para celebrar o Dia Internacional da Mulher.

Dos primeiros movimentos espalhados por todo o mundo aos dias atuais, a situação da mulher mudou bastante, não o suficiente ainda, pois sabemos que as mulheres ainda continuam, em muitas ocasiões, sendo tratadas de forma aviltante, daí a necessidade de, no Brasil, ter sido criada, por exemplo, a Lei Maria da Penha. 

Na educação superior, contudo, o quadro, atualmente, é francamente favorável às mulheres. E, conforme os dados do Censo da Educação Superior, coletados pelo Inep, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, as mulheres estão em maior número também nas universidades.

A participação masculina cresceu percentualmente de 2006 para 2007, mas o número de mulheres ainda é maior. De 2000 a 2007, houve um aumento de 81,14% no número total de matrículas na educação superior. A participação das mulheres aumentou 76,92% no mesmo período, o que demonstra o quando a educação superior vem sendo requisitada.

Os resultados do Enade mostram um equilíbrio no desempenho de mulheres e homens. Em 2005, do total de 268.425 participantes do Enade, mais da metade era do sexo feminino (153.575). A média alcançada por homens e mulheres foi muito próxima: entre as 20 grandes áreas avaliadas, as mulheres alcançaram a média total de 38,63, contra 38,11 pontos obtidos pelos homens.

No ano seguinte, 2006, o número total de participantes do Enade subiu para 380.969. Desse total, 223.537 eram mulheres. A participação feminina foi numericamente maior, mas o desempenho entre homens e mulheres foi bastante equilibrado: 39,61 de média para elas e 39,25 para eles.

Em 2007, foram avaliadas 16 áreas. Um total de 185.039 estudantes fez o Exame. Desses, 123.649 eram mulheres e 61.390, homens. Dessa vez, a média delas foi menor: 40,94, contra 42,57 deles. As ingressantes tiveram melhor rendimento nas áreas de Agronomia, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia e Tecnologia em Agroindústria. As mulheres que estavam terminando o ensino superior alcançaram médias maiores nos cursos de Educação Física, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Odontologia, Tecnologia em Agroindústria e Terapia ocupacional.

Podemos constatar que a presença e a importância das mulheres no Brasil e no Mundo é cada vez maior e mais percebida e também aplaudida. Apenas citando algumas em nosso país: Esther de Figueiredo Ferraz, Raquel de Queiróz, Chiquinha Gonzaga, Elis Regina, Irmã Dulce, Fernanda Montenegro, Marta Suplicy, Benedita da Silva e Rosena Sarney marcaram e marcam a presença feminina em nosso cenário. Já no exterior, Indira Gandhi, Benazir, Golda Meir, Marylin Monroe, Rita Hayworth, Madre Teresa de Calcutá, Jackie Kennedy, Rainha Elizabeth II e Angela Merkel são emblemáticas.

A força da mulher, o seu carisma, encanto e sedução são apreciáveis e admirados, não somente pela força de trabalho, pelo espírito guerreiro, pela bravura, mas, sobretudo, pela opção de sempre procurar fazer bem e melhor.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 
O educador Dom Lourenço de Almeida Prado

Paulo Alonso

A educação brasileira perdeu, na última semana, uma das suas maiores referências. Morreu aos 97 anos, o reitor emérito do tradicional Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, Dom Lourenço de Almeida Prado. O monge beneditino atuou como reitor da instituição, que em 2008 comemorou 150 anos de atividades, por quase meio século.

Comecei a manter contato com Dom Lourenço, quando, aos oito anos de idade, ingressei no São Bento. Durante minha permanência nesse estabelecimento recebi os mais importantes ensinamentos da minha vida e posso afirmar que a rigorosa disciplina imposta pelo então reitor; a obrigatoriedade da leitura de dez livros anualmente; os conceitos apreendidos sobre os valores humanos e éticos; o aprendizado de música e artes, bem como conceitos religiosos católicos e ecumênicos me permitiram chegar ao estudo universitário, ancorado em uma formação sólida. Os vários anos passados nesse colégio me possibilitaram enxergar o mundo de uma forma muito mais lúcida e realista. E todo esse aprendizado se deve ao trabalho que Dom Lourenço desenvolveu em favor da construção do conhecimento e de sua imensa preocupação com a formação do caráter da juventude.

Essa mesma preocupação foi por ele também demonstrada no tempo em que, em Brasília, integrou o então Conselho Federal de Educação. Seus pareceres continuam servindo como fonte de inspiração para vários dos atuais conselheiros. Participou, ainda, do Conselho Estadual de Educação e era, dentre várias, titular das Academias Brasileira e Internacional de Educação.

Nascido em Bica da Pedra, formado em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, nos anos 30, Nelson de Almeida Prado, oriundo de uma família quatrocentona de São Paulo, ingressou no Mosteiro de São Bento, em 1940, adotando o nome religioso de Lourenço. Esse nome marcaria sua história como monge e, principalmente, como educador de reconhecida relevância na cultura brasileira.

Afastado da reitoria por vontade própria, já que completara 45 anos à frente da instituição, recebeu o título de reitor emérito, em reconhecimento ao magnífico trabalho desenvolvido. Dom Lourenço deixou uma vastíssima bibliografia versando sobre a Educação da Juventude.

De acordo com ele, a formação humana é essencial no processo educacional e deve ser tratada, fundamentalmente, no ensino médio. Ele também defendia que “a escola é, no tempo moderno, algo indispensável. No primeiro momento da vida é educada em casa; depois, para o desenvolvimento cultural, ela precisa de pessoas especializadas para ajudá-la a crescer e aprender”.

Apesar de idoso, Dom Lourenço jamais deixou de acompanhar a evolução do mundo e sublinhava que, na era do hipertexto, do predomínio da linguagem virtual, digital entre os jovens, “a escola deve cuidar de não pensar que nós vivemos de fato no delírio da imagem e, agora, do digital. O aprendizado é feito pelas coisas que chegam à inteligência, de forma que é o aluno que aprende, não é o mestre que transmite. Ele tem que se servir desses elementos como meios, como recursos, mas não fazer disso o próprio ensino”.

Muito me orgulho de ter passado a integrar, há dois anos, a Galeria dos Grandes Educadores Brasileiros, por votação direta realizada pela Associação Brasileira de Educação, e estar ao lado de emblemáticas figuras como o próprio Dom Lourenço, o professor Cristovam Buarque, ex-reitor da Universidade de Brasília, primeiro Ministro da Educação do Governo Lula e atual Senador da República, e os acadêmicos Arnaldo Niskier e Evanildo Bechara, ambos da ABL. Orgulho maior foi receber essa láurea das mãos do atual Reitor do São Bento, Dom Tadeu Albuquerque, meu antigo mestre, e que representou, na ocasião, Dom Lourenço.

Sua morte será sempre muito sentida e sua obra sempre lembrada no meio acadêmico, já que sua vida foi um exemplo de sabedoria e de pregação. Dom Lourenço foi um fraterno amigo, um educador brilhante e um homem que acreditou vivamente que a educação é o começo, o meio e o fim para a construção de uma sociedade mais justa, mais ética e, sobretudo, mais humana.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


Em Macau, uma universidade multicultural e multiracial

Macau é um “país” da República Popular da China que impressiona. Muito próxima de Hong Kong e de Manilha, nas Filipinas, é uma cidade que guarda contrastes absolutamente incríveis. Independente de Portugal, desde 1999, suas ruas e avenidas ostentam placas de sinalização em português, mas também em chinês e em inglês. Mas se você pensa que a população fala o português, está enganado. Somente os muito antigos é que usam o português como idioma, mas é raríssimo ouvir essa língua pelas ruas, lojas e becos. O chinês e o inglês são as mais usuais. E até 2015, o português, ainda que seja uma das três línguas oficiais de Macau, será banido dos papéis timbrados e das organizações governamentais e não governamentais. Da mesma forma que Hong Kong, Macau adota moeda própria, a pataca, e só está diretamente vinculada ao governo de Pequim, no que tange à diplomacia e à defesa nacional. É estranho andar pelos parques, pelas ruínas da Igreja de São Paulo e observar as sinalizações em português, mas, ao mesmo tempo, não se poder pronunciar essa mesma língua. Afinal, somente 2% da população entenderiam o que estaríamos dizendo...

Dentro desse cenário até mágico, com imensos neons instalados nos mais de 30 cassinos (parece até Las Vegas!), com praças largas e arborizadas e prédios coloniais portugueses, a Universidade de Macau é um dos mais belos postais dessa bela cidade e, por essa razão, merece ser visitada. Foi criada em 1981, quando a empresa Ricci Island West Limited fundou a Universidade da Ásia Oriental, a primeira universidade em Macau e sua antecessora, em terreno concedido pelo Governo de Macau. A fundação da Universidade da Ásia Oriental, privada, constitui o início da oferta do ensino superior moderno em Macau.

Durante os primeiros anos, após o estabelecimento dessa instituição, seus alunos, na sua maioria, eram provenientes de Hong Kong. Posteriormente, a então Administração Portuguesa de Macau, atendendo às necessidades de formar recursos humanos locais para o período de transição antes da transferência da soberania de Macau à China, procedeu à aquisição da Universidade da Ásia Oriental, por meio da Fundação Macau, em 1988. Realizou igualmente uma reestruturação com o estabelecimento das faculdades de Letras, Gestão de Empresas, Ciências Sociais, Ciências e Tecnologia, tendo modificado a duração dos cursos de licenciatura de três anos para quatro anos. Após, foram criadas as Faculdades de Direito e de Ciências da Educação, mantendo-se o inglês como a língua principal do ensino.

Em 1991, a Universidade da Ásia Oriental tornou-se oficialmente em uma universidade pública e passou a chamar-se Universidade de Macau, assumindo como  missão formar quadros locais qualificados. Na sequência desta transformação, o número de estudantes tem aumentado acentuadamente, de algumas centenas logo no começo para mais de seis mil em dezembro de 2007, tendo a percentagem de alunos locais subido de 39% para 80%.
A Universidade de Macau está situada na Ilha da Taipa. O campus nessa ilha cresceu bastante nos últimos anos como resultado do rápido desenvolvimento econômico local, sobretudo por causa do incremento do turismo e ainda devido à criação e instalação de mais de 30 cassinos nessa cidade, localizada à beira do Mar da China. A Universidade de Macau é a maior da Cidade.

Apesar de dar grande atenção à educação e aos seus alunos, a Universidade de Macau ainda não conseguiu cobrir todas as  áreas do conhecimento, como medicina, arquitetura, filosofia e ciência política.

Um fator importante é que Macau, devido à sua História muita longa e em especial à presença e a administração portuguesa desde o século XVI e até 1999, é um espaço multicultural e multiracial. Esta situação não podia deixar de se refletir no ensino. Assim, são usadas várias línguas na oferta dos cursos, como o chinês, o português e o inglês, mas nem em todas as faculdades.

Deve notar-se que, dependendo das faculdades e dos cursos, o chinês oral usado é umas vezes o cantonense (o dialeto local de Macau) e outras vezes o mandarim (a língua oficial da República Popular da China). O português, quando empregado, é o de Portugal e não o do Brasil.

A Universidade de Macau tem como missão a promoção da ciência e do ensino no domínio das humanidades, das ciências sociais, da tecnologia e da cultura. Suas edificações são muito bem projetadas e o ensino ministrado é o mais moderno de Macau.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano



Antonio Olinto, um raro exemplo de vida

Paulo Alonso

E lá se vão anos... muitos ou vários, nem sei mais quantos... Suficientes, por certo, para cada vez mais admirá-lo, apreciá-lo, amá-lo e com ele aprender verdadeiras lições de amor, de vida... lições de bem servir ao próximo.... Lições nem sempre escritas, mas transmitidas oralmente, em poesias, em trovas e/ou em prosas. Apreendidas e assimiladas em nossos permanentes diálogos, em nossas intermináveis conversas sobre a gente brasileira, sobre a cultura da nossa gente, sobre os destinos do nosso país...

E é justamente em seu apartamento-biblioteca-museu da Duvivier, de onde se pode avistar um pedaço do Atlântico, que, juntos, refletimos e buscamos, de alguma forma, encontrar saídas para tantas mazelas que afligem o Rio, o Brasil e o Mundo... quanta utopia! Utopia que nos faz bem e alimenta as nossas mentes e os nossos corações.

Antonio é um homem especialíssimo; uma figura notável; um patrimônio cultural do Brasil; um escritor de rara inteligência e dono de uma lucidez magnífica. E, sublinhemos, está comemorando 90 anos de vida. Quase um século de atividades intensas e permanentes em defesa da língua portuguesa, da literatura brasileira, da propagação, por meio de textos jornalísticos ou dos seus incontáveis livros publicados, e traduzidos em mais de 45 idiomas, das suas idéias e pensamentos, da sua criatividade intelectual, da sua vontade em fazer construir um mundo mais digno e mais saudável. Um raro exemplo a ser seguido.

Nascido em Ubá, batizado em Piau, lá nas Minas Gerais, esse Antonio, de olhar meigo, terno, com o colorido da cor do céu, conquistou o mundo, com suas andanças pelos cinco continentes, ora proferindo palestras e conferências, ora organizando seminários internacionais, ora lançando livros e muitas vezes recebendo prêmios e láureas importantes, que traduzem o reconhecimento da sua devoção à arte de escrever.

Dono de uma formação sólida estudou Filosofia e Teologia e quase se ordenou sacerdote. Desistiu dos seminários e resolveu ser Mestre de Latim, Português, História da Literatura, Francês, Inglês e História da Civilização, em colégios do Rio de Janeiro e em instituições universitárias nacionais, como o Centro Universitário da Cidade, que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa, e na Faculdade de Letras do Centro Universitário de Ubá, que também lhe agraciou com idêntica honraria ou nas mais importantes e tradicionais instituições estrangeiras, como as Universidades de Columbia, Yale, Harvard, Indiana, UCLA ou Essex.

Fez conferências sobre Cultura Brasileira em universidade e centros de pesquisas em Tóquio, Seul, Sidney, Maputo, Dacar, Lagos, Abidjan, Tanger, Buenos Aires, Lisboa, Coimbra, Porto, Madri, Santiago do Chile, Barcelona, Paris, Milão, Pádua, Veneza, Roma, Zagreb, Bucareste, Sofia, Varsóvia, Cracóvia, Moscou, Estocolmo, Copenhagen, Londres, Oxford, Cambridge e Dublin, dentre muitas outras. O Diploma de Excelência da Universidade de Vasile Goldis, de Arad, lhe foi ofertado em razão da difusão da cultura brasileira na Romênia. Nessa mesma ocasião, a Embaixada do Brasil nesse país inaugurou, em Bucareste, a Biblioteca Antonio Olinto. Um verdadeiro homem do mundo!
Nomeado Adido Cultural em Lagos, Nigéria, pelo governo parlamentarista de 1962, em três anos de atividade, fez cerca de 200 conferências na África Ocidental, promovendo uma grande exposição de pintura brasileira sobre motivos afro-brasileiros e enfronhando-se nos assuntos da nova África independente. Como resultado, escreveu uma trilogia de romances, "A Casa da Água", uma das obras-primas da literatura do Brasil, "O Rei de Keto" e "Trono de Vidro".

Em 1968 foi nomeado Adido Cultural em Londres e passa a participar também das atividades do PEN Internacional. Mora no Reino Unido por quase 37 anos, onde juntamente com sua mulher a escritora e jornalista Zora Seljan, falecida em 2006, fundam o jornal "The Brazilian Gazette".

Recebeu em 1994 o "Prêmio Machado de Assis", por conjunto de obras, da Academia Brasileira de Letras, a mais alta láurea literária do Brasil. Três anos mais tarde, foi eleito para Academia Brasileira de Letras, cadeira nº 8, sucedendo ao escritor Antonio Callado.

Além de poeta, romancista, ensaísta, crítico literário, Antonio é também artista plástico, pinta e faz esculturas. Nas paredes de seu apartamento, cobertas por pelas máscaras africanas, selecionadas em suas muitas e fantásticas viagens, respiramos arte, literatura e nos abastecemos da boa prosa, dos causos que conta com simplicidade, elegância e empolgação. É uma verdadeira biblioteca. Sabe e discute qualquer assunto e sempre com uma argumentação viva e rica.

Ao comemorar 90 anos de vida, merece todos os nossos mais vivos aplausos e todas as nossas maiores e mais sinceras homenagens. Afinal, Antonio Olinto é para ser lembrado e festejado hoje e sempre. Por toda a vida. Toda e qualquer homenagem, por maior que lhe seja prestada, será sempre muito pequenina, diante da grandeza do espetacular escritor que é. Seu nome está gravado, e definitivamente, na História da Literatura do Brasil. E não por ser um imortal, pertencente a tantas academias, mas pela sua própria natureza e, sobretudo, capacidade invulgar de conquistar, de agregar e de ser.




Em Varsóvia, universidade é símbolo de resistência

Paulo Alonso

É verdadeiramente impressionante visitar a Universidade de Varsóvia. Em 1816, o Tsar Alexander I permitiu que as autoridades polacas criassem uma universidade composta pelos departamentos de Direito e Administração, Medicina, Filosofia, Teologia, e Arte e Ciências Humanas. Sua trajetória, ao longo desses quase 200 anos, é marcada por invasões, lutas sangrentas, fechamentos e reestruturação.

Após a maioria dos estudantes e professores universitários terem participado na Revolta de 1830, a universidade foi impedida de funcionar. Depois da Guerra da Criméia, a Rússia entrou em um breve período de liberalização, permitindo a criação da Academia Médico-cirúrgica da universidade. No entanto, em janeiro de 1863, com a Revolta dos Liberais, novamente todas as escolas foram fechadas. Durante sua curta existência, mais de 3000 alunos por ela passaram, constituindo a inteligência polaca. Na realidade, os russos não queriam incentivar o debate de idéias. O czar russo queria difundir o idioma e a cultura russos por toda a parte, sobretudo por que desejava que sua guarnição militar, em Varsóvia, não deixasse de conviver com os seus costumes e realidades. Foi, para tanto, reaberta a universidade e criada a Escola de Língua Russa, obrigando, inclusive, os poloneses a estudarem o idioma. A insatisfação dos polacos cresceu de forma surpreendente e alguns desses alunos se tornaram líderes em Varsóvia. Esse grupo de jovens aderiu às fileiras da Revolução de 1905, objetivando independência.

Durante a I Guerra Mundial, Varsóvia foi capturada pela Alemanha, em 1915. Três anos mais tarde, a Polônia recuperou sua independência e a partir daí a Universidade de Varsóvia começou a crescer rapidamente. A instituição passa por uma grande reforma e o Estado investe, então, em infra-estrutura, laboratórios e biblioteca e moderniza os projetos dos cursos. Muitos professores, que regressavam do exílio na Europa Ocidental, colaboraram para a sua reconstrução.

Em 1930, a Universidade de Varsóvia tinha se tornado a maior universidade da Polônia, com mais de 250 professores e 10 mil alunos. No entanto, os problemas financeiros do recém-renascido Estado não permitiam a educação gratuita e os estudantes tinham de pagar mensalidades. Além disso, o número de bolsas de estudo era muito limitada, e apenas cerca de 3% dos alunos foram capazes de obter uma.

Uma nova onda de agitações marca o destino da universidade. Em 1937, o tema que fervilha no país, nas salas e corredores da instituição é o anti-semitismo. Com o início da II Guerra Mundial, em 1939, a Polônia é invadida e as autoridades alemãs fecham as instituições de ensino superior no país. Todos os equipamentos, livros e maioria dos laboratórios são enviados à Alemanha, enquanto o principal campus da universidade é transformado em um quartel-general. Teorias racistas alemãs pregam que não era necessária uma educação de polacos, já que estariam sob o comando das forças da Alemanha. Entretanto, muitos professores organizaram manifestações secretas e realizavam palestras em apartamentos para que pudessem pensar em caminhos e alternativas para a Polônia invadida. Acontece aí a Revolta de Varsóvia. Pesados combates no campus da universidade são travados e 63 professores morrem. A universidade perdeu 60% de seus edifícios durante os combates em 1944. Até 80% das coleções (incluindo inestimáveis obras de arte e de livros doados à universidade) foram destruídas. Após a II Guerra Mundial, não era claro se a universidade seria restaurada; se Varsóvia seria reconstruída. Todavia, muitos professores que tinham sobrevivido à guerra retornaram à Polônia e começaram a organizar a universidade, novamente.

Em dezembro de 1945, palestras para quase 4 mil estudantes começavam a ser ministradas nas ruínas do campus. Os edifícios gradativamente eram reconstruídos e a universidade permanece relativamente independente. Logo as autoridades comunistas da Polônia passaram a impor controles, iniciando o período de estalinismo. Dezenas de professores foram detidos pela Urząd Bezpieczeństwa (polícia secreta) e os livros que escreviam ou indicavam eram censurados. Por outro lado, a educação torna-se gratuita.

Após Władysław Gomułka subir ao poder na Polônia, em 1956, um breve período de liberalização passa a ser verificado, apesar da ideologia comunista ainda desempenhar um papel importante na maioria das faculdades, principalmente nas de História, Direito, Economia e Ciência Política. Foi retomada a cooperação internacional e o nível de escolaridade aumentou, mas logo o governo começou a reprimir a liberdade de pensamento, o que levou à crescente inquietação entre os estudantes e docentes.

Mais uma vez, uma nova campanha pela liberdade, em 1968, fez com que centenas de estudantes promovessem manifestações pelas ruas de Varsóvia. Tais manifestações foram brutalmente esmagadas pela polícia. Um grande número de alunos e professores foram expulsos da universidade. A maioria dos professores de ascendência judaica foram forçados a emigrar, enquanto os líderes do movimento democrático foram condenados a prisão. A universidade, no entanto, permaneceu como centro de liberdade de pensamento e de educação. O que professores não poderiam dizer durante palestras, eles expressavam nas reuniões informais com os seus alunos. Muitos deles tornaram-se líderes e membros do movimento Solidariedade e outras sociedades e associações da oposição democrática.

Do movimento Solidariedade aos dias atuais, a situação do país mudou muito, inclusive passou a integrar o Mercado Comum Europeu. Nas ruas de Varsóvia não mais se encontram vestígios de combates, lutas e guerras, já que a capital foi totalmente reconstruída. E o campus da Universidade de Varsóvia é de uma rara beleza. Os quatro pilares que sustentam o seu prédio principal é fantástico e nos seus porões são encontrados livros, filmes, fotos, jornais da época e muitos objetos que mostram os embates havidos no país e, sobretudo, a forma como os professores se posicionaram frente a tantos atos de barbaridade e de negação à liberdade de pensamento e de expressão.

A universidade é, atualmente, uma referência para toda a Europa e continua sendo o maior celeiro da inteligência polaca. Sua biblioteca reúne cerca de 5,5 milhões de livros, sendo uma das maiores e mais importantes de todo o mundo. O principal campus da Universidade de Varsóvia fica localizado em Krakowskie Przedmiescie e é composto por vários palácios históricos, restaurados, muitos dos quais haviam sido nacionalizados no Século 19. Há também uma nova biblioteca, instalada em um impressionante edifício, com telhado de vidros, jardins, bem como vários campi menores em outros locais da cidade. A Universidade de Varsóvia possui 126 imóveis. Visitar os campi da universidade, conversar com seus funcionários, alunos e professores é, sem dúvida, uma aula de Geopolítica e de História. Não é à toa que o sentimento dos poloneses em relação a Universidade de Varsóvia é de amor e de preservação. Preservação não da História de um país, mas da História Universal Contemporânea.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

publicado dia 24 de novembro.


A universidade sonhada

Paulo Alonso

A educação precisa se tornar efetivamente uma prioridade do Estado Brasileiro. Não pode e nem deve ser encarada como uma política de governo, pois os governos, em razão de possuírem mandatos, têm "prazo de validade". A educação, um bem fundamental, é absolutamente necessária para a ordem, o progresso, o desenvolvimento e a expansão de um país. O Brasil ainda precisa avançar, e em muito, nessa área e nunca é demais lembrar que, se comparado aos vizinhos da América do Sul, o Brasil, com uma população de 187.193.862 milhões, necessita melhorar a taxa de escolarização no Ensino Superior, uma das mais baixas do continente sul-americano. Menos de 12% da população brasileira, de 18 a 24 anos, tem acesso ao Ensino Superior, diferente do que ocorre com os seus vizinhos mais próximos. A nossa taxa é, por exemplo, inferior à da Argentina com 39%; à do Chile, 27%, e à da Bolívia, 23%. O Plano Nacional de Educação (2001/2010) prevê uma taxa de escolarização de 30% da população. O Estado Brasileiro deve continuar a promover políticas efetivas que garantam o acesso de jovens de baixa renda ao Ensino Superior, expandindo não somente as instituições federais, inclusive com a oferta de cursos noturnos, para regiões que careçam de escolas superiores, mas, também, possibilitando o credenciamento de novas instituições privadas.

O ensino não é mercadoria e sabemos ser um bem público. A Constituição prevê, inclusive, a educação como dever do Estado, garantindo também a participação da iniciativa privada, hoje com 2.147 instituições, de um total de 2.404 e atingindo mais de 80% das matrículas universitárias. Ao exercer uma função pública delegada, o setor privado está buscando cada vez mais a qualidade como centro de sua ação. E esse resultado pode ser facilmente comprovado pelas avaliações dos cursos e das instituições privadas promovidas pelo Inep.

No século em que vivemos, é imprescindível expandir a oferta do Ensino Superior, sem prejuízo da qualidade, não somente pela diversificação das modalidades de instituições, como pela diversificação da modalidade de ofertas de vagas. Na Era do Conhecimento em que o mundo vive, cada vez mais as instituições e os indivíduos valerão pelo que fazem com e para a sociedade, com qualidade e eficiência, avaliada, atestada e acreditada pela própria sociedade organizada.

Assim sendo, a universidade deve orientar os resultados de todas as suas ações para o planejamento e o desenvolvimento do conhecimento que não sejam divorciados da necessidade e interesses da população. E para desenvolver-se e projetar-se, cumprindo o seu papel social e político, a universidade precisa manter-se todo o tempo a serviço da sociedade como um dos fatores dinâmicos da vida intelectual e da própria evolução cultural. É a universidade o lugar que se universaliza, se preconiza e se impulsiona a sociedade para o novo, para o mais justo, para uma organização social mais integral. E a universidade é o grande espaço da busca, do aperfeiçoamento e da renovação constante e imprescindível do conhecimento. Daí a razão de se perceber e de se entender que não há desenvolvimento sem educação, que a educação será sempre investimento e jamais custo; e que desenvolvimento deve ser feito necessariamente com justiça e inclusão social.

A universidade, em conseqüência, tem um papel preponderante no cenário histórico de um país, já que é uma instituição que reúne a capacidade de fazer a síntese histórica da sociedade e de provocar os homens para que criem vontades ou energias para a organização social. Dessa forma, educar, atualmente, mais do que acumular habilidade e informações, é aprimorar a consciência, órgão do sentido, e preparar a pessoa para responder sobre seu destino e sobre o sentido de sua vida.

Paulo Alonso é reitor do Grupo Anglo-Americano


Em Hong Kong, uma universidade bilíngüe

Paulo Alonso

Hong Kong é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China, localizada na costa sudeste e possui uma das economias mais liberai do mundo, sendo um grande centro internacional de finanças e comécio. Antiga colônia britânica, é administrada há dez anos pela República Popular da China sob a política "um país, dois sistemas". Algumas curiosidades podem ser obervadas em Hong Kong. O “país” é detentor de direito constitucional autônomo; moeda, alfândega, direitos de negociação de tratados (como tráfego aéreo e permissão de aterragem de aviões) e leis de imigração próprias. Hong Kong mantém até suas próprias regras de trânsito, com toda a frota de automóveis dirigindo no lado esquerdo. Apenas a defesa nacional e as relações diplomáticas são de responsabilidade do governo central, em Pequim.

O que mais chama a atenção em Hong Hong é, certamente, a atenção que a educação recebe dos seus governantes. O sistema universitário chinês é ainda pouco conhecido no mundo ocidental, mas aos poucos vai sendo descoberto, principalmente pelos estudantes estrangeiros interessados em estudar nesse país, sobretudo os canadenses, australianos e ingleses.

Visitar a Universidade Chinesa de Hong Kong é algo verdadeiramente impressionante. Seus objetivos principais são ajudar na preservação, difusão, comunicação e aumento do conhecimento; fornecer cursos regulares de ensino nas diversas áreas do conhecimento e de outros ramos da aprendizagem dentro de um altíssimo padrão de ensino-aprendizagem; estimular o desenvolvimento intelectual e cultural do povo de Hong Kong e, assim, auxiliar na promoção do seu bem-estar econômico e social. Lá, existe um Centro de Língua e Literatura Portuguesa, que atrai dezenas de estudantes do Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Timor Leste, Moçambique, Guiné-Bissau, São Thomé e Príncipe e Goa, na Índia.
Um portfólio de cursos de graduação, sempre oferecidos em tempo integral, é ofertado aos seus quase 22 mil alunos, que estudam Artes, Administração Empresarial, Educação, Educação Física, Engenharias, Medicina, Ciências Sociais e Direito, além de quase duas dezenas de programas de mestrado e de doutorado, vários dos quais ministrados por docentes oriundos dos quatro cantos do mundo.

Desde a sua fundação na década de 60, a universidade adotou o bilingüismo e biculturalismo, como base de seu ensino, dando ênfase à igualdade do inglês e do chinês, privilegiando tanto a cultura oriental, como a ocidental. A maioria do corpo docente é bilíngüe (chinês e inglês) e um percentual expressivo desses docentes já ensinou nas principais universidades de todo o mundo. A Universidade Chinesa de Hong Kong mantém uma estreita associação com várias universidades, fundações e organizações estrangeiras, devido aos convênios interinstitucionais sempre celebrados.

O total de matrículas da universidade, em dezembro de 2007, foi de 21.508 alunos, dos quais 11.222 eram estudantes universitários e 10.386 eram discentes dos cursos de pós-graduação. A instituição abriga 23 institutos de pesquisa.

A área destinada à biblioteca central da universidade é espetacular e fica no centro do campus. Na realidade, está instalada em um prédio de quatro andares. Além da central, outras bibliotecas setoriais são visitadas nos vários campi. Os alunos podem emprestar livros e revistas, a partir de qualquer biblioteca e pesquisar itens no Catálogo On-line de Acesso Público da Biblioteca Central Universitária. Além disso, a Biblioteca Universitária possui uma grande coleção de materiais multimídia, microfilmes, mais de 75 mil títulos de revistas eletrônicas e mais de 630 títulos de bases de dados eletrônicas. Um acervo de livros com um número incalculável de títulos e de exemplares.

Já o Centro de Tecnologia de Informação fornece o que existe de mais moderno em tecnologia. Do registro de cursos, verificando os resultados de reserva de vagas por disciplina, exame clínico e de instalações desportivas e serviços de acesso à biblioteca, tudo pode ser feito com poucos cliques, já que todas as suas dependências estão equipadas com computadores, scanners, remetentes digitais e impressoras a laser. O sistema de wireless está instalado em todos os campi.

Totalmente ajardinada, com chafarizes, luminárias gigantes, sinalizações contemporâneas, museus, alojamentos bem equipados, restaurantes, cantinas, estação de metrô e ônibus circulando por todos os seus campi e gratuitamente para alunos, professores e funcionários, a Universidade Chinesa de Hong Kong é uma instituição simplesmente surpreendente. Tudo funciona e seus alunos adoram estar matriculados nessa instituição, que ostenta e conserva uma qualidade extraordinária em sua infra-estrutura, reúne um elenco de docentes com altíssima qualificação e ainda adota projetos pedagógicos antenados ao que existe de mais atual no mundo moderno. Não é sem razão que a Universidade Chinesa de Hong Hong alcançou a 18ª posição no Top World Universities, no ano passado.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 

Plantas Medicinais e Etnofarmacologia em Discussão

Rodrigo Batista de Almeida*

No último mês de setembro, estudantes e profissionais de diversas áreas, do Brasil e do mundo, encontraram-se em São Paulo para a discussão sobre plantas medicinais e Etnofarmacologia durante o XX Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil (XX SPMB) e X International Congress of Ethnopharmacology (X ICE).

Cabe aqui apresentar a ciência denominada “Etnofarmacologia”. Iniciemos pelo entendimento do seu objeto de estudo, que são os remédios tradicionais. Os remédios tradicionais são preparações desenvolvidas por comunidades tradicionais, geralmente à base de espécies vegetais, mas podendo conter também partes de animais e algumas substâncias minerais.

Por “comunidades tradicionais” entende-se como sendo um grupo de indivíduos que habitam há várias gerações uma mesma região geográfica e possuem modos rústicos de vida. Esses dois fatores associados (permanência por um longo período em uma mesma região e o emprego de tecnologia simples) possibilitam um profundo conhecimento sobre o ecossistema no qual a comunidade está inserida, pois a mesma utiliza a natureza ao seu entorno como fonte de materiais utilizados para a construção das moradias, para a vestimenta, para a alimentação e, como não poderia deixar de ser, para o alívio de suas doenças. Neste sentido, extraem da natureza substâncias úteis do ponto de vista terapêutico e utilizadas no preparo dos chamados “remédios tradicionais”. No Brasil podemos considerar como comunidades tradicionais as diversas etnias indígenas, os quilombolas, os caiçaras, populações ribeirinhas, comunidades de pescadores, entre outras.

A Etnofarmacologia objetiva o levantamento e registro dos preparados tradicionais como passo inicial na obtenção de novos medicamentos. A grande vantagem do método etnofarmacológico é a garantia de encontrar substâncias tanto eficazes quanto seguras, já que foram e são usadas por diversas gerações. E nenhum grupo humano iria utilizar um remédio caso ele fosse ineficaz ou apresentasse toxicidade.

Uma outra vantagem deste método de identificação de novos fármacos em potencial é a garantia da biodisponibilidade conferida pela preparação tradicional, ou seja, que o modo de preparo possibilita que as substâncias ativas presentes no preparado realmente sejam absorvidas em quantidade e tempo adequados para que ocorra o efeito esperado. Este é o “pulo do gato”, haja vista que inúmeras substâncias que possam se mostrar úteis em testes in vitro são completamente destituídas de eficácia (ou podem apresentar até uma toxicidade proibitiva de uso) ao serem administradas em um organismo vivo, com as suas múltiplas nuances bioquímicas, impossíveis de ser reproduzidas em uma metodologia in vitro. De forma adicional, a segurança na utilização das plantas é garantida pela fiel obediência das especificações no modo de preparo destes remédios.

A relação da Etnofarmacologia com as plantas medicinais se dá pela predominância de espécies vegetais contidas nos remédios tradicionais, fato que possibilitou a integração dos dois eventos diferentes, citados anteriormente. O Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil, nos seus quarenta anos de existência, é o principal evento da área no Brasil, pelo qual é divulgado o que e como está sendo investigado sobre o assunto no âmbito nacional. Quanto ao Congresso Internacional de Etnofarmacologia, trata-se do principal encontro da área no âmbito mundial. Parte do sucesso destes dois eventos se deu pela organização, ficando o SPMB sob a responsabilidade do professor Elisaldo Carlini (UNIFESP), uma das maiores autoridades de plantas medicinais do Brasil, e o ICE a cargo da professora Elaine Elisabetsky (UFRGS), uma das etnofarmacólogas de maior relevância em termos mundiais.

A minha participação neste evento serviu tanto para rever velhos conhecidos e colegas que conheci ou convivi ao longo dos treze anos que desenvolvo pequenas colaborações na área em questão, como apresentar parte do trabalho desenvolvido sobre Fitoterapia na Bacia do Paraná III, região em que se situa a unidade de Foz do Iguaçu das Faculdades Anglo-Americano. Este trabalho foi (e está sendo) desenvolvido com o apoio da ITAIPU Binacional, a qual desenvolve desde 2003 o Projeto Plantas Medicinais (inserido do Programa Cultivando Água Boa), congregando diversas instituições públicas e privadas na iniciativa de implementar a Fitoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) nos municípios da região.

A área de plantas medicinais é um dos carros chefes do Curso de Farmácia das FAA, encontrando subsídio na experiência prévia de diversos professores (inclusive da idealizadora e ex-coordenadora do Curso de Farmácia, professora Gisely Lopes, com contribuições científicas relevantes na área, sendo revisora de monografias da Farmacopéia Brasileira) e em projetos como o da ITAIPU, por exemplo.

A partir de 2006, a utilização de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos foi incentivada pela Política Nacional de Plantas Medicinais e Medicamentos Fitoterápicos, constituindo-se em um recurso complementar aos demais agentes terapêuticos. Desta maneira, os estudantes de Farmácia das FAA têm a possibilidade de conhecer uma prática terapêutica de tamanha importância no cenário atual do SUS.

Utilizando o SBPM e ICE como “termômetro”, os trabalhos do Curso de Farmácia, bem como os da ITAIPU Binacional, sinalizam a postura responsável de Foz do Iguaçu e região no que concerne à utilização de espécies vegetais como recursos terapêuticos.

O próximo SPMB ocorrerá na Paraíba e espero poder levar outras boas experiências que iremos desenvolver nestes próximos dois anos.

*Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia, professor de Farmacologia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde das Faculdades Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu, Paraná.

 

 

O pioneirismo de Esther Ferraz

Paulo Alonso

Não é muito fácil escrever sobre uma mulher, uma jurista, uma educadora, uma pessoa tão especial como Esther de Figueiredo Ferraz. Uma pioneira, uma mulher que sempre esteve à frente do seu tempo. Esther deixa uma saudade imensa em todos os que tiveram o raro privilégio de com ela conviver e compartilhar do seu talento incomum, da sua brilhante inteligência, da sua capacidade de fazer amigos, da sua generosidade em servir, da sua simplicidade, da sua fidalguia e, sobretudo, dos seus sábios aconselhamentos. Eu tive esse privilégio e me sinto feliz, por ter não somente a conhecido, mas como ter sido amigo da professora Esther, que, ao morrer recentemente aos 93 anos de idade, deixou numerosos e importantes feitos no cenário jurídico-sócio-político-educacional, ao longo de tantas décadas de dedicação e de construção de um trabalho simplesmente magnífico e, por essa razão, memorável. Suas ações, muitas delas, ficarão guardadas para sempre em minha mente e em meu coração. Sua obra é um legado e sua vida, um exemplo de dignidade e de perseverança.

Estava viajando, quando soube do seu falecimento. Não pude, conseqüentemente, dar o meu adeus e externar minha saudade em seu velório na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, o que lamento profundamente. Nossa amizade era antiga. E os nossos contatos e convivência foram, em determinado momento das nossas vidas, freqüentes. Costumava ir ao seu apartamento à Avenida Franca, em São Paulo, não só para visitá-la, mas, confesso, para também absorver um pouco do seu conhecimento. E conversávamos sobre os destinos do Brasil, sobre a educação em nosso país, sobre o ser humano, sobre normas da educação superior. Conversávamos sobre a vida, enfim. Com ela, aprendi muito, até mesmo a conceber um regimento universitário. E nessas visitas não faltavam, além da atenção extrema, um bom suco de frutas e salgadinhos. Os santos barrocos, o piano de cauda e os óleos sobre tela, assim como as fotos dos familiares e sobrinhos dispostas sobre os móveis, são testemunhas de tantos e tão bons momentos.

E por tudo o que ela representou para o Brasil, o Conselho Universitário da UniverCidade resolveu prestar-lhe uma homenagem, quando completava os seus 90 anos. E coube a mim, no exercício da Reitoria da UniverCidade, entregar-lhe o título de Doutor Honoris Causa, em solenidade realizada em seu apartamento, já que Esther preferiu que essa manifestação de apreço e de reconhecimento não fosse pública. Ela era uma mulher avessa às vaidades, às vitrines. Sua sobrinha Gilda Ferraz lhe fez uma surpresa, convidando amigos e parentes e ainda providenciando um belo coquetel para os que foram até lá prestigiá-la. Do alto dos seus 90 anos, Esther discursou, de improviso, por quase 20 minutos, traçando uma trajetória esplêndida sobre a sua vida pública, demonstrando estar antenada com o que acontecia no mundo e enaltecendo às novas gerações. Um discurso que muito emocionou a todos os que foram saudá-la. Após, Esther me confidenciaria: “quando começamos a ser muito homenageada pode ser um sinal de que estamos na reta final...”

Primeira mulher a ser Ministra de Estado do Brasil, ocupando a pasta da Educação (1982/85, no Governo João Figueiredo), Esther, nesse período, foi à responsável pela regulamentação da Emenda Constitucional Calmon, que estabeleceu os percentuais mínimos de investimentos com recursos da União em educação. Segundo a alteração constitucional, os recursos da União destinados à educação não poderiam ser inferiores a 13% e os de estados, municípios e Distrito Federal não menos do que 25% do que seria arrecadado em impostos. A regulamentação desses percentuais foi o emblema da sua gestão à frente do Ministério da Educação.

Antes de ser nomeada ministra, Esther integrou o então Conselho Federal de Educação, o Conselho Estadual de Educação de São Paulo, ocupou o cargo de Diretora do Ensino Superior do MEC e foi ainda Secretária de Estado da Educação do governo paulista, na gestão do Governador Laudo Natal. Também foi a primeira mulher a integrar o Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, o Instituto dos Advogados de São Paulo e a primeira a prestar concurso público para livre docência da Faculdade de Direito, na Universidade de São Paulo, assim como foi a primeira reitora do país, tendo sido dirigente da Universidade Mackenzie, em duas ocasiões. Ao que parece, a marca do pioneirismo é hereditária, pois sua mãe, em 1907, foi a primeira mulher a formar-se em dentista no Brasil, conforme ela mesma contava. Esther advogou, até aos 89 anos e ainda se dirigia ao seu escritório guiando o seu próprio automóvel. Escreveu mais de uma dezena de obras jurídicas, várias das quais são utilizadas até hoje pelos estudantes de Direito. Membro da Academia Paulista de Letras, cujo patrono é Euclides da Cunha, Esther, em uma das nossas muitas conversas, aconselhou-me: “faça a releitura da obra de Euclides, pois com ele aprendemos nas diversas releituras. Seus livros são essenciais para todos os que querem compreender melhor a vida e os seus ensinamentos são sempre atuais”. Esse conselho me foi dado, no carro quando deixávamos a reitoria da UniverCidade, depois de uma palestra proferida por ela para os alunos de Direito e a caminho do Hospital São José, onde visitaríamos, de surpresa, o ex-presidente Figueiredo, que lá se encontrava internado. Ao encontrarmos o general, foi nítida a felicidade de ambos. De lá, seguimos para o Aeroporto Santos Dumont, de onde ela embarcaria para sua tão querida São Paulo. E eram assim os nossos encontros, que passariam a ser ainda mais rotineiros, quando cursei dois mestrados, em São Paulo, um em Cooperação Internacional e outro, em Educação, Comunicação e Administração. Aos sábados, antes de regressar ao Rio, costumava dar uma passada, mesmo que rapidamente, em sua residência, onde ia buscar carinho, em suas palavras sempre meigas e gentis, e ainda aprendizado.

E é justamente por toda essa convivência fraterna e intensa e é justamente por tudo o que ela representou para o Brasil e para mim, especialmente, que a saudade da professora Esther de Figueiredo Ferraz será sempre muito sentida. Afinal, são raras, muito raras as pessoas realmente especiais como Esther. Adeus!

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

publicado dia 14 de outubro.

 

AUTOMEDICAÇÃO RESPONSÁVEL

Amauri de Andrade Júnior*

“O farmacêutico é um parceiro privilegiado do sistema de saúde, da indústria farmacêutica e do consumidor. Aliás, o farmacêutico é o único profissional formado pela sociedade, que conhece todos os aspectos do medicamento e, portanto, pode dar uma informação privilegiada às pessoas que o procuram, na farmácia”.

Embora o farmacêutico seja citado nessa relação, habitualmente a maneira de saber fazer a auto-medicação não é enfatizada, mas o que é notável é a inclusão do farmacêutico no processo de auto-medicação responsável. Normalmente, o modelo que conduz à auto-medicação inicia-se com a percepção do problema de saúde pelo usuário, onde se apresentam duas opções:

a) não tratar;

b) tratar com remédio caseiro ou auto-medicação com medicamentos.

Na maioria das vezes, o usuário procura uma farmácia. Ela é uma instituição de saúde, de acesso fácil e gratuito, na qual o usuário, muitas vezes, procura, em primeiro lugar, o conselho amigo, desinteressado, mas seguro, do farmacêutico.

Torna-se imprescindível para o farmacêutico ter a noção exata de sua competência e dos limites de sua intervenção no processo saúde-doença, para que assuma a atitude correta, no momento oportuno, avaliando a situação do doente, conduzindo-o, se necessário, a uma consulta médica ou ao hospital, em caso de urgência.

Para que possa desempenhar esta função, o farmacêutico deverá possuir os conhecimentos, em áreas de sua competência, que permitam indicar, desaconselhar, ou informar, em situações de auto-medicação ou sintomatologia simples; aliás, o farmacêutico é o único profissional formado pela sociedade, que conhece todos os aspectos do medicamento e, portanto, ele pode dar uma informação privilegiada às pessoas que o procuram, na farmácia.

Para uma auto-medicação responsável é necessário em primeiro lugar avaliar a situação patológica individual, entrevistando o paciente, com vista à identificação correta da sintomatologia, para o aconselhamento no uso dos medicamentos. Para isso, é necessário saber perguntar, como e quando perguntar.

Em síntese, estabelecer um protocolo de questões, de modo a obter as respostas que nos permitem atuar, de maneira coerente. Na análise de sua intervenção no processo saúde-doença, deve o farmacêutico obter as seguintes informações em relação aos sintomas apresentados pelo paciente: o começo do problema, a duração, a severidade, a descrição, se é aguda ou crônica, se tem sintomas concomitantes, se tem fatores agravantes ou que aliviam, e a presença ou não de tratamentos anteriores.

É evidente que nem todas as situações são passíveis de aconselhamento na auto-medicação responsável.

Entre uma gama diversa de medicamentos, torna-se fundamental averiguar as vantagens ou desvantagens de determinadas formulações, o custo do medicamento e, ainda, detectar eventuais defeitos de fabricação, julgando, nessa análise, a credibilidade do fabricante.

Não podemos esquecer, também, da noção de dose máxima em todas as especialidades farmacêuticas. Uma seleção adequada deve observar estes parâmetros, pois é este conjunto de conhecimentos que deve encabeçar o aconselhamento, que acompanha a dispensação, no balcão de farmácia, dos medicamentos de venda livre.

Um aspecto não menos importante na seleção de medicamentos não prescritos envolve o “perfil do doente”. O farmacêutico deve dedicar uma atenção muito especial às várias situações que, em geral, nos permite dividir os doentes em grupos particularmente sensíveis ao consumo de medicamentos, neste caso, principalmente o aconselhamento em situações de gravidez, aleitamento, pediatria e idosos.

Fatores econômicos, políticos e culturais têm contribuído para o crescimento e a difusão da auto-medicação no mundo, tornando-a um problema de saúde pública, quando não feita de forma responsável. O aconselhamento na seleção e uso de medicamento pelo farmacêutico é de fundamental importância.

Apesar dos cuidados que devem cercar a auto-medicação responsável, ela apresenta os seguintes aspectos positivos:

1) a auto-medicação é mais cômoda para o doente que a receita médica;

2) a auto-medicação é mais barata para o doente e também para o sistema público de saúde;

3) a auto-medicação permite desenvolver situações que, de outra forma, provocaria uma incapacidade do doente ou, pelo menos, um grau muito maior de doenças;

4) se não existisse a auto-medicação, o Sistema Único de Saúde (SUS) ver-se ia completamente bloqueado, em pouco tempo;

5) a auto-medicação estimula as pessoas a terem responsabilidade sobre a sua própria saúde.

Ante estas afirmações, é preciso salientar que a auto-medicação é um direito do consumidor e os profissionais de saúde são prestadores de serviços de saúde, quando solicitados.

Os farmacêuticos têm que ser encorajados a fazer a educação continuada a respeito do assunto. Se nós queremos ver reconhecida a auto-medicação responsável, é bom iniciar, desde a universidade, os alunos de graduação dos cursos da área de saúde, especialmente do curso de Farmácia, para que sejam partícipes desta atividade, de forma a desenvolver a auto-medicação responsável no dia em que estiverem no mercado de trabalho. O objetivo a ser atingido é a desmistificação da auto-medicação.

Amauri de Andrade Júnior é farmacêutico, mestre e doutor em Farmácia Clínica, proprietário da CLINUPAR, empresa de Nutrição Parenteral, professor de Atenção e Assistência Farmacêutica no Curso de Farmácia, professor no Curso de Pós-graduação em Farmacologia para Profissionais de Saúde das Faculdades Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

publicado em 1 de outubro

“Lei Seca” para usuários de medicamentos: como implementá-la?

Rodrigo Batista de Almeida*

O ministro Márcio Fortes encaminhou uma proposta ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), às Camâras Técnicas e ao Comitê de Saúde e Segurança no Trânsito contemplando uma “lei seca” para os usuários de medicamentos que causam algum prejuízo ao dirigir. Defende até um slogan para a campanha: “Se tomar remédio, não dirija!”.

Esta proposta vem em um momento oportuno ao chamar a atenção para uma questão pouco discutida e pouco compreendida na sua totalidade. Não é desconhecida pelos profissionais de saúde a lista de inúmeros fármacos capazes de alterar a atenção ou prejudicar a visão de usuários de medicamentos que os contêm. Estimativas internacionais apontam que 6% das colisões sejam causadas por usuários de medicamentos. Entretanto, no Brasil, não há uma definição para o panorama, mas uma das poucas pesquisas realizadas avaliou que de 662 executivos paulistanos, 73% eram usuários de ansiolíticos e 32% faziam uso de antidepressivos, grupos farmacológicos com forte potencial para causar sedação.

A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) defende que profissionais médicos de todas as especialidades alertem os pacientes sobre o problema no momento da prescrição de medicamentos. Na dúvida, o ideal é espaçar por pelo menos seis horas a ingestão do medicamento do ato de dirigir um veículo. Outra recomendação da entidade é a impressão na embalagem dos medicamentos de avisos sobre precauções para motoristas, como já ocorre em alguns estados norte-americanos.

Como várias entidades, governamentais e não-governamentais, já se declararam favoráveis à proposta, resta definir o modus operandi, para efetivar a boa intenção de tal medida.

Primeiramente, uma profunda discussão sobre o assunto, permeando diferentes setores deve nortear a consulta pública. Na seqüência, a normativa deve ser definida como resolução, portaria ou lei, atentando para a constitucionalidade de tal norma.

A definição de parâmetros técnicos deve ser discutida por profissionais ligados ao medicamento, dentre os quais se destacam o farmacêutico e os profissionais prescritores, médicos e odontólogos.

Entidades, governamentais e não-governamentais, ligados ao trânsito devem participar ativamente desta discussão.

Por fim, campanhas maciças de Educação em Saúde e Trânsito devem ser elaboradas para divulgar a nova “lei seca” e orientar motoristas usuários de medicamentos a fazer o uso responsável deste importante agente terapêutico. O recurso orçamentário poderia vir do Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (Funset), criado em 1998 e composto por 5% do total arrecadado com multas em todo o país, que arrecadou em 2007 o montante de R$ 800 milhões.

Tarefa fácil? Muito pelo contrário... Tentemos imaginar algumas dificuldades para se efetivar tal normativa. Em primeiro lugar, como seria feita a avaliação de um motorista para caracterizá-lo como “incapacitado temporariamente ao ato de dirigir veículos por uso de medicamento potencialmente sedativo ou comprometedor da visão”? O profissional para esta tarefa é o médico, mas encontra-se em número insuficiente para esta atividade. Outro problema é a base diagnóstica. O exame seria apenas clínico, pelos sintomas apresentados pelo condutor ou seria disponibilizada uma investigação analítica do sangue (ou de outro material biológico) para auxiliar o médico no diagnóstico?

O chefe do Departamento de Medicina Preventiva da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) já defende a notificação compulsória de pacientes que fazem uso de medicamentos de tarja preta por psiquiatras, para que suas carteiras de habilitação (CNH) sejam suspensas durante o tratamento.

Querendo colaborar com a discussão, faço aqui a parte de advogado do diabo. Temos alguns problemas. A meu ver, a suspensão temporária da carteira de habilitação seria uma medida extremamente radical, haja vista que um motorista usuário de medicamento sedativo pode conciliar a direção com o medicamento desde que dirija após seis horas da tomada do medicamento. Uma medida como esta é similar a suspender a carteira de habilitação de um indivíduo que irá a uma festa consumir álcool. Ele pode ir à festa de táxi, pedir para um amigo dirigir o carro ou pernoitar no local da festa, garantindo que não esteja alcoolizado ao dirigir.

Por outro lado, não haveria suporte tecnológico suficiente para um banco de dados, alimentado pelos médicos psiquiatras, para ser acessado em tempo hábil por autoridades de trânsito em serviço.

E um outro grande empecilho: o que fazer com os medicamentos “tarja preta” receitados sem a devida notificação, ou dispensados mediante apresentação de receita falsa, ou roubados ou dispensados sem receita médica? E quanto aos outros medicamentos que não apresentam “tarja preta”, mas apresentam grande potencial em causar sedação ou prejudicar a visão? No mercado farmacêutico brasileiro, inúmeros medicamentos potencialmente sedativos, como simples antigripais, são vendidos sem nenhum controle, até mesmo, de forma inadvertida, por comércios não-farmacêuticos, como postos de gasolina, lojas de conveniência e outros estabelecimentos, configurando uma nítida infração.

Percebe-se que a implementação de uma legislação que “controle” condutores usuários de medicamentos é uma tarefa árdua dada a complexidade da questão. Como tarefa de casa fica o aprofundamento da discussão de modo a elaborar estratégias que viabilizem a implementação de tal medida de extrema relevância sanitária.

*Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia, professor de Farmacologia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu, Paraná.

 

Castração Química como Alternativa para Criminosos Sexuais

Rodrigo Batista de Almeida*

Castração é a extirpação ou inutilização dos órgãos reprodutores, acarretando a perda da função dos testículos, no homem, e dos ovários, na mulher. Na Antiguidade era utilizada para impor humilhações a vencidos em guerra e para garantir a origem da prole ao deixar o harém vigiado por um eunuco. Na Veneza dos séculos XVII e XVIII era utilizada para manter a voz de soprano ou de contralto nos castrati, modalidade de cantor muito apreciada na época. No século passado teve o objetivo de “purificar a raça”, tornando vários tipos de criminosos estéreis. Hoje, possui utilização terapêutica no manejo de alguns tipos de câncer testicular ou de próstata ou ainda para a mudança de sexo. De forma controversa, também está sendo aplicada como pena a criminosos sexuais.

A castração pode ser física ou química, consistindo a primeira na retirada dos testículos, de forma irreversível e, a segunda, obtida por administrações de hormônios que diminuam os níveis de testosterona cujos efeitos se mantêm enquanto durar o tratamento.

O estado norte-americano da Califórnia adotou a castração química em 1997 para os sex ofenders, facultando ao condenado por crimes sexuais em liberdade condicional o tratamento de castração por administração intramuscular de acetato de medroxiprogesterona (fármaco do Depo-Provera®). Diversos outros países como Suécia, Itália e Alemanha já possuem dispositivos semelhantes.

A castração química provoca uma diminuição plasmática de testosterona a níveis pré-puberdade, reduzindo a libido, à custa de diversos efeitos colaterais como depressão, desenvolvimento de diabetes, alterações na coagulação sanguínea, perda de massa muscular, etc.

A testosterona é o hormônio tanto ligado à sexualidade como à violência, sendo que a maioria dos homicidas são homens na faixa etária de 15 a 39 anos, período em que os níveis de testosterona são 15 a 20 vezes maiores que nas mulheres. Uma estatística interessante nos crimes sexuais é a redução da reincidência de 75 para 2% dentre aqueles que foram submetidos ao tratamento de castração química. Entretanto, os aspectos biológicos não são os únicos fatores que desencadeiam um ato criminoso. Fatores culturais, educacionais e mesmo psicológicos têm forte influência na prática de crimes sexuais.

Em Santo André, São Paulo, o Ambulatório de Transtornos de Sexualidade da Faculdade de Medicina do ABC criou o serviço ABCSex em 2003 para atender a indivíduos com diagnóstico de pedofilia. O paciente, neste caso, assina um termo de consentimento sobre a realização do procedimento. O responsável pelo serviço, o psiquiatra Danilo Baltieri, tem um forte argumento: “Ou faço isso ou eles farão sexo com crianças”.

Em 2002, o deputado Wigberto Tartuce (PPB-DF) apresentou o projeto de lei n. 7.021 propondo a fixação da pena de castração química para os crimes de estupro e atentado violento ao pudor. Muito criticado, este projeto apresentava várias imperfeições. Em primeiro lugar, não definia o fármaco nem o regime posológico a ser utilizado. Em segundo, previa a pena de forma imposta e não facultada, como ocorre na Lei da Califórnia, contrariando a doutrina nacional, a qual considera cruel qualquer pena que atinja o corpo do condenado.

No meu ponto de vista, este projeto serviu como pontapé inicial para uma discussão mais aprofundada, de modo a aparar as arestas e construir um projeto mais específico e constitucional. Um ponto importante a ser garantido é dar opção ao apenado em ser tratado como doente ou como criminoso.

Uma alternativa que respeitaria os direitos constitucionais do condenado seria transformar a castração química em um benefício com uma redução da pena que poderia variar entre um e dois terços, período em que se submeteria a constantes administrações do hormônio. Uma medida de grande importância é o acompanhamento psicológico, de modo a contribuir com a ressocialização e impedir a reincidência, já que o medicamento apenas reduz os níveis de testosterona, diminuindo a libido, mas não muda a atitude em relação ao comportamento sexual. Ao fim do prazo para a condenação, o criminoso não seria mais submetido ao tratamento, exceto sob requisição expressa e voluntária do próprio apenado, haja vista a Constituição impedir pena de caráter perpétuo.

*Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia, coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde e professor de Farmacologia das Faculdades Anglo-Americano (unidade de Foz do Iguaçu, Paraná).


Fitoterapia: da tradição à ciência

Marcela Kropf¹

Outro dia, estava na obra de uma chácara e reparei o eletricista caminhando pelo terreno. Ao retornar, estava cheio de plantas em mãos. Perguntei para o que era e ouvi a resposta: é remédio. Então perguntei: para que serve? Ele respondeu: não sei, a mãe diz que é bom e eu tomo... é bom para o coração.

Provavelmente, você já ouviu alguém indicar chás e preparados com plantas para a cura de alguma doença e, sem dúvida, muitos já devem ter feito uso das receitas de avós, curandeiros, pajés, rezadeiras, dentre tantas outras figuras sábias e místicas que configuram o conhecimento denominado tradicional.

Na verdade, esses personagens trazem na bagagem uma mistura de conhecimentos passados de geração a geração há milênios. O fato é que em toda a história, o homem luta entre a saúde e a doença procurando meios efetivos para a cura, sendo que a utilização das plantas como medicamento provavelmente seja tão antiga quanto o aparecimento da espécie humana.

Atualmente, verificam-se diversas opiniões acerca do tema. Alguns acreditam que as plantas medicinais sejam um recurso mais barato, entretanto, menos eficiente que fármacos sintéticos. Outros pensam que correm menor risco de ter efeitos colaterais no uso de plantas medicinais, pensamento derivado do naturalismo.

Para dirimir essas dúvidas, dois conceitos são importantes: planta medicinal é aquela que administrada de alguma forma e por qualquer via, ao homem ou animal, exerce sobre eles uma ação farmacológica qualquer e, Fitoterapia é o tratamento das doenças, alterações orgânicas, por meio de drogas vegetais secas ou partes vegetais recém colhidas e seus extratos naturais.

Voltando ao tempo, vamos encontrar uma infinidade de povos que utilizavam plantas medicinais como terapêutica. Até o começo do século passado, as plantas medicinais eram o principal recurso para a produção de medicamentos e tratamento de enfermidades. O registro de uso é de 3000 anos a.C. entre chineses, egípcios, babilônios, persas, indianos, dentre outros povos antigos.

O primeiro grande médico conhecedor de plantas foi o grego Dioscórides que escreveu o tratado “De Matéria Medica” em que descreve a origem, características e usos de mais de 500 drogas vegetais. Nesta época, prevalecia a crença de que as plantas haviam sido criadas por Deus para servir ao homem e, desta maneira, as plantas poderiam apresentar sinais que indicavam suas “virtudes”, Assim, plantas que apresentassem forma de coração seriam úteis para doenças cardíacas. Os antigos também tinham o hábito de observar o comportamento de animais após a ingestão de plantas para descobrir os potenciais efeitos medicinais.

Um grande avanço na terapia foi dado por Paracelso quando começou a praticar a extração de substâncias no século XVI, denominando de Quinta Essentia, o poder curativo das plantas. Esse foi o primeiro passo para reconhecer que as propriedades medicinais das plantas eram devidas a princípios ativos, contidos no interior dos órgãos vegetais. Cada substância isolada presente entre os princípios ativos, com a sua estrutura claramente definida, constitui um fármaco.

Com o aprofundamento dos estudos de química, inicia-se a etapa de extração dos princípios ativos. O primeiro fármaco obtido de plantas foi a morfina, isolada em 1816. No século XX, os grandes laboratórios passaram a produzir medicamentos sob a forma sintética, a um custo menor do que se conseguia com o seu isolamento dos tecidos vegetais. Com todo esse progresso conseguiu-se o estágio atual de exploração das plantas medicinais na medicina alopática, que prevalece nos centros mais desenvolvidos do mundo e que movimenta o maior volume de recursos financeiros. Calcula-se que no ano 2000 os produtos a base de plantas medicinais movimentaram cerca de 30 bilhões de dólares (ENGELKE, 2003).

A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 80% da população mundial depende de plantas para o cuidado com a saúde, e 85% da medicina tradicional envolvem o uso de plantas medicinais, seus extratos vegetais e seus princípios ativos (IUCN 1993). Estima-se que o mercado atual de medicina tradicional movimenta 60 milhões de dólares nos EUA (OMS 2002).

A expansão da Fitoterapia pode ser atribuída a diversos fatores tais como aos efeitos adversos de fármacos sintéticos, um avanço no conhecimento científico do efeito, preparo, cultivo e administração e pelo menor custo se comparado com os fármacos sintéticos.

Apesar da eficácia da Fitoterapia é preciso ter cuidado com a afirmativa: "Se bem não fizer, mal também não fará." Sabemos que tanto fármacos sintéticos quanto plantas medicinais devem ter seu uso baseado em prescrição adequada de acordo com critérios bem definidos para se chegar ao efeito desejado e não causar intoxicações. Esses critérios se referem desde o cultivo orgânico da planta, de fontes idôneas, da correta identificação botânica, do diagnóstico preciso da doença e de uma adequada preparação.

A farmacopéia popular brasileira é muito diversa, resultado de uma miscigenação cultural envolvendo africanos, europeus e indígenas, com introdução de espécies exóticas pelos colonizadores e escravos. Além disso, o país possui a maior diversidade vegetal do planeta, aproximadamente 55 mil espécies de plantas superiores, muitas ainda não identificadas. Portanto, o uso de fitoterápicos tem ressurgido como uma opção medicamentosa bem aceita e acessível, e no caso do Brasil é adequada para as necessidades locais de centenas de municípios no atendimento primário à saúde.

A inserção da Fitoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) é regulamentada pela portaria nº 971 e, desde junho de 2008, Foz do Iguaçu conta com o atendimento fitoterápico especializado no Programa de Saúde da Família (PSF). O agendamento pode ser marcado por telefone no posto Ouro Verde a partir de encaminhamento do profissional de saúde e o atendimento realizado aos sábados no período da manhã no Centro Especializado de Medicina.

A Faculdade Anglo-Americano é parceira do Projeto Plantas Medicinais do Programa Cultivando Água Boa da ITAIPU Binacional que visa à promoção da Fitoterapia no SUS nos municípios da Bacia do Paraná III.

O uso de plantas medicinais é um exemplo claro como variados tipos de conhecimento (tradicional e científico) podem se unir para a melhoria da qualidade de vida da população.


ENGELKE, F. 2003. Fitoterápicos e Legislação. Jornal Brasileiro de Fitomedicina 1(1): 10-15.

IUCN 1993. Guidelines on the conservation of medicinal plants. IUCN, WHO and WWF, Gland, Switzerland.

Organização Mundial de Saúde (OMS). 2002. Estrategia de la OMS sobre medicina tradicional 2002-2005.

¹Marcela Stuker Kropf é bióloga, mestre em Botânica, professora de Fisiologia Vegetal, Farmacobotânica, Imunologia, Parasitologia e Micologia nos cursos de Ciências Biológicas e Farmácia e professora do Curso de Pós-Graduação em Análise Ambiental da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

Medicamentos e Política!?

Rodrigo Batista de Almeida

Um dos meus passatempos mais prazerosos e que me rende uma boa parcela de gargalhadas quase convulsivas é assistir à transmissão do horário eleitoral gratuito. E se a transmissão é obrigatória, obrigo-me a espiar a grande vitrine das pérolas do nosso povo, reflexo mais genuíno do nosso singelo modo de viver.

Perdoem-me os candidatos a prefeito, mas o meu gosto é um tanto quanto vulgar, pouco elitizado, de modo que a parte que eu realmente gosto é a exposição dos candidatos a vereador. E como a nossa tríplice fronteira está diversamente bem representada...!

Fenômeno quase nacional, figura batida em toda campanha é o nosso amigo da Farmácia. É o “Fulano” da Farmácia, o “Sicrano” da Farmácia e por aí vai. Foz do Iguaçu, apesar das suas características bem peculiares, não fugiria à regra e, também, oferece o seu candidato que se identifica em alusão à Farmácia, provavelmente por ter labutado toda a sua vida neste tipo de instituição.

Risadas à parte, preocupações pulsantes. De todos os candidatos cuja exposição tenho acompanhado no horário gratuito, nenhum esboça, mesmo que rapidamente pelos poucos e preciosos segundos destinados, um ponto fundamental na organização do sistema de saúde pública em todos os municípios do Brasil que é a questão da Assistência Farmacêutica. Nem mesmo o “Fulano” da Farmácia... No máximo, vem a dobradinha “saúde e educação”, que de tão batida, perde muito do seu significado quando não vem alicerçada em sérias propostas que definam as linhas de cada candidato.

O Brasil, como um todo, possui uma desigualdade no quesito medicamentos, sendo que cerca de dois terços da população não têm acesso regular a medicamentos essenciais. E isso é assustador! Por outro lado, faltam farmacêuticos na estrutura das secretarias municipais de saúde para gerir todo o ciclo de Assistência Farmacêutica, desde a aquisição destes produtos até a organização da prescrição e dispensação. No mais das vezes, este profissional, enquanto servidor público municipal, desempenha funções junto à Vigilância Sanitária ou em laboratório de análises clínicas. Por outro lado, o segundo fator que, infeliz, mas fatalmente, colabora de forma decisiva para o não acesso a medicamentos é o alto custo deste produto, responsável por parcelas consideráveis do orçamento de um sistema de saúde.

Caso essa realidade sanitária não seja conhecida por nossos egrégios candidatos, nenhuma proposta de ação mais robusta poderá ser delineada e o ciclo (vicioso) da Assistência Farmacêutica continuará.

Mas a preocupação é um tanto quanto mais séria no sentido de se indagar: “Isso dá voto?” “Será que a promessa, digo, proposta, de um hospital, de uma escola, de um viaduto, não impressiona com muito mais propriedade que a simples garantia de medicamentos para as patologias prevalentes em um município?”

Fica a dica sobre um dos temas mais relevantes para sabatinar os candidatos, tanto a vereador como a prefeito. Deixo até um roteiro simples de perguntas:

1) Como se apresenta o panorama de acesso (ou falta de acesso) de medicamentos no seu município?

2) Como está organizada a Assistência Farmacêutica no seu município?

3) Quais as estratégias você apresenta para garantir o acesso regular da população a medicamentos essenciais?

4) Qual a viabilidade de se incorporar farmacêuticos destinados à Assistência Farmacêutica?

Respostas nulas ou evasivas servem de alerta para identificar um candidato não comprometido com a Saúde Pública, de modo que as suas propostas, caso vinguem, certamente traduzir-se-ão em ações pouco resolutivas e ineficientes ou irresponsáveis e inviabilizadas do ponto de vista orçamentário. Embora o horário eleitoral gratuito seja muito divertido, não vai ser nada engraçado perpetuar os problemas de falta de acesso a medicamentos essenciais.

Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia, professor de Farmacologia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu, Paraná.


Ensino e formação superior – a quem interessa este tema?

Psic. Lisbeth S. Souza Paganotto

A fim de responder a esta pergunta entre outras, a ABEP- Associação Brasileira de Ensino de Psicologia, surge em 1998 como resultado da deliberação do Fórum Nacional das Entidades de Psicologia ocorrido em Ribeirão Preto-SP, fruto de várias discussões nacionais da categoria, emanadas da preocupação pertinente com a formação de um profissional que, a cada dia mais, tem diante de si desafios crescentes.

Em 1999, a ABEP então é criada estatutariamente, nascendo não como uma proposta de legislar, mas de funcionar como interlocutora de discussões sobre o Ensino de qualidade em Psicologia e sobre as novas exigências na formação, oportunizando um espaço para congregar e disponibilizar informações a quem precise. Desde a sua criação a ABEP tem efetuado uma série de esforços a fim de buscar respostas a uma série de questões que tem surgido face a esta nova “construção da formação em Psicologia”.

“A Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP) é uma entidade de âmbito nacional, que tem a sua natureza institucional voltada para a reflexão, o desenvolvimento e o aprimoramento da formação em Psicologia no Brasil. A ABEP compreende que a formação em Psicologia deve estar comprometida com a realidade social do país vinculado à ética e ao exercício da cidadania... Desta forma, a ABEP reflete o desejo de todos os segmentos da Psicologia Brasileira, constituindo-se em um espaço que estava descoberto na interseção entre o exercício profissional e as entidades científicas.” O que é ABEP? Dados da ABEP. Disponível em http://www.abepsi.org.br/web/oquee.aspx, acessado em 10/08/08.


Ensino e formação, diz respeito a todos nós: professores, acadêmicos, coordenadores, instituição, sociedade.

O coletivo da categoria de Psicólogos tem construído um projeto que, como nos alerta Bock (2005), traz como meta: o compromisso social da categoria com os problemas sociais brasileiros. Isto traz para os Cursos de formação sérias implicações e a necessidade de se abrir espaços que dêem respaldo e possibilitem esta construção.

Pensando desta forma, fiz representar a Faculdade Anglo-Americano, com o apoio da reitoria, no I Encontro da ABEP- PR (Associação Brasileira de Ensino de Psicologia do Paraná), que aconteceu no Departamento de Psicologia da UFPR em Curitiba, nos dias 1º e 02/08/08.

O Encontro foi bastante interessante e produtivo. O diálogo entre os pares, além de revitalizante, é esclarecedor.

Na ocasião discutiu-se questões como: o Ensino de Psicologia em outros cursos, a Implantação das Diretrizes Curriculares, Estágios Curriculares Básicos, Reinserção da Psicologia no Ensino Médio; Estágios básicos e profissionalizantes e Serviços-Escola.

Os acadêmicos presentes ao Encontro manifestaram suas inquietações em relação a identidade do estudante de Psicologia e a do futuro Profissional. O que reforça o que nos disse Duran ( in Conselho Federal de Psicologia,1995) quando salienta que o tema da formação “ocupa um espaço significativo no pensamento profissional e principalmente acadêmico.

Criou-se a partir daí um espaço de intercâmbio e discussão a respeito do tema por meio da constituição de um grupo na Internet, entre outras propostas.

Saio do Encontro com muitas questões esclarecidas e outras tantas a refletir e esclarecer. Passo a fazer parte do Núcleo da ABEP-PR em função de um convite e de interesses em comum, como a consolidação da Psicologia como ciência que tem uma contribuição efetiva para nossos problemas no campo social.

O curso da FAA nasceu sob lema: AD SUMUS, (expressão do latim que quer dizer “estamos presentes”), visando ocupar este espaço, buscando formar profissionais capazes de “estarem presentes” junto a questões sociais relevantes, emergentes, imprescindíveis. Chegando a um território infestado de sofrimento psíquico, do qual a Psicologia esteve distante tanto tempo.

Na militância que ora inicio, ou melhor, que ora oficializo minha participação, escolho como primeiro ato redigir este relatório, a fim de sensibilizar meus leitores e quem sabe ganhar adeptos à importância desta causa, que vai além das paredes de uma faculdade e pretende alcançar a sociedade, o país e principalmente quem precisa.

Participantes do I Encontro ABEP-PR, 1º e 2/08/08, UFPR – Curitiba.

Referências

Bock, A.M.B. (2005). Novo projeto para a profissão no Brasil: contribuições para a formação. Disponível em http://www.abepsi.org.br/web/artigos.aspx#4. Acessado em 10/08/08.

Duran, A. P. (1995) Alguns Dilemas na Formação do Psicólogo: Buscando sugestões para superá-los. In Conselho Federal de Psicologia. Psicólogo brasileiro: práticas emergentes e desafios para a profissão. São Paulo: Casa do Psicólogo.

http://www.abepsi.org.br/web/oquee.aspx. Acessado em 10/08/08.

 

QUÍMICA, FÁRMACOS E SAÚDE

Quando temos uma dor de cabeça, temos a certeza de que tomando uma aspirina provavelmente entre 15 e 30 minutos a dor acabará. E certamente, a menos que tomemos outra aspirina, em poucas horas, a dor voltará.

Neste fato corriqueiro, podemos notar a dinâmica do alívio da dor. Primeiramente, a administração e absorção do fármaco no organismo, em seguida a distribuição deste fármaco pelo corpo, subseqüentemente a interação do fármaco com o receptor no organismo, fato este responsável pela ação farmacológica, e então a eliminação do fármaco do organismo.

E o que a Química tem a ver com isso? A importância da análise dos mecanismos de ação dos fármacos está relacionada com o entendimento das interações químicas e físicas entre o fármaco e o seu alvo na célula (receptor biológico). Por meio de uma análise completa da doença em estudo, pode-se fornecer subsídios tanto para o uso terapêutico de um fármaco assim como para o planejamento de novos agentes terapêuticos.

A Química está presente em praticamente todos os medicamentos modernos. Sem ela, os cientistas não poderiam sintetizar novas moléculas, que curam doenças e fortalecem a saúde humana. Mas a aplicação da Química vai além dos medicamentos. Ela cerca o homem de outros cuidados que prolongam e protegem a vida. Fornecedor de uma quantidade fantástica de produtos básicos para outras indústrias, o setor químico também desenvolveu matérias-primas específicas para a Medicina. Válvulas cardíacas, próteses anatômicas, seringas descartáveis, luvas cirúrgicas, recipientes para soro, tubos flexíveis e atóxicos e embalagens para coleta e armazenamento de sangue são apenas alguns dos exemplos dos produtos de origem química que revolucionaram a Medicina. Hospitais, clínicas, laboratórios, enfermarias e unidades de terapia intensiva têm na Química uma parceira indispensável. Os modernos equipamentos utilizados em cirurgias ou diagnósticos foram fabricados com matérias-primas químicas. Avançados desinfetantes combatem o risco de infecções. Reagentes aceleram o resultado de exames laboratoriais. Na Medicina, mais do que em qualquer outra atividade, fica patente que Química é vida.

Fluoxetina
Entre os antidepressivos mais recentes, destaca-se a fluoxetina. É o princípio ativo do Prozac®, apelidado de "a droga da felicidade". Lançado em 1988, é um dos medicamentos mais vendidos no mundo. Desde seu surgimento, são prescritas cerca de 1.000.000 de receitas médicas por mês para este fármaco; tendo sido usado por mais de 35 milhões de pessoas no mundo! Com toxidade relativamente pequena e efeitos colaterais minimizados, a fluoxetina tem sido escolhida por milhões de pessoas que querem melhorar seu humor e combater a depressão. Como é um fármaco relativamente recente, ainda não se sabe sobre os efeitos de longo prazo. De qualquer forma, muitas pessoas estão consumindo este fármaco diariamente.

Carbonato de lítio
O sal denominado carbonato de lítio (Li2CO3) é uma substância iônica simples. Entretanto, sua ação no corpo humano é complexa e ainda algo misterioso. Muitas vezes chamado simplesmente de "lítio", o carbonato de lítio é considerado o fármaco mais efetivo para o tratamento de um tipo de doença mental denominada transtorno bipolar de humor.

As pessoas que sofrem desta doença tendem a ficar fortemente superativas ou profundamente deprimidas por semanas ou meses a fio. A mania é caracterizada por excitação, elação, superatividade e loquacidade. Por outro lado, a pessoa se sente desanimada durante os períodos de depressão, e tudo parece requerer tremendo esforço. Uma pessoa muito deprimida poderia até tentar suicídio.

Em contraste com outros fármacos que agem no sistema nervoso central, o lítio tem pouco efeito em pessoas normais. A maneira como este agente atua no corpo não é ainda bem conhecida. Sabemos que sinais são transmitidos no sistema nervoso por meio de um processo que depende de um balanço entre os íons de sódio e de potássio. Os íons de lítio, provenientes do carbonato de lítio, podem também afetar o modo como as células nervosas se comunicam. A terapia por lítio ajuda 70% das pessoas tratadas. Ela pode, porém, produzir sérios efeitos colaterais, e deve ser administrada sob rigoroso acompanhamento médico. O lítio representa um dos pontos altos no uso de fármacos para tratamento de doenças mentais. Usado há mais de 20 anos, a terapia por lítio já poupou cerca de quatro bilhões de dólares, com base no custo de tempo de trabalho perdido e no custo de métodos anteriores de tratamento.

Homeopatia e Química
A Homeopatia é um método terapêutico científico que se baseia em leis e princípios específicos. Muitas vezes o público e a comunidade científica não sabem o que é a Homeopatia. Por conseguinte, uns vêem-na como uma ciência mágica ou oculta, e outros como uma intrujice.

Os médicos homeopáticos aceitam que os órgãos e as funções do corpo humano estão sujeitos a uma certa hierarquia. O cérebro é o órgão mais importante e sensível do corpo, enquanto a pele é o menos importante. Por conseguinte, considera-se que um tratamento corre bem quando a doença se afasta dos órgãos importantes e aparece em órgãos que estejam numa posição inferior na escala hierárquica.

Conforme mencionei acima, o tratamento homeopático é realizado pelo uso de medicamentos homeopáticos. Os mesmos provêm dos reinos vegetal, animal e mineral. Por meio do processo da sua potenciação, mesmo o uso de substância tóxicas é possível, sem provocar efeitos secundários. Hoje em dia, mais de 5000 medicamentos são utilizados na Homeopatia e são produzidos com várias potências.

Uma grande percentagem desses medicamentos (80-85%) é de origem vegetal e a matéria-prima utilizada para a sua preparação é a tintura (extrato alcooólico) das ervas de que derivam. Os restantes 15% de medicamentos homeopáticos são de “origem química, inorgânica ou animal” e a matéria-prima utilizada para a sua preparação deve ter um elevado grau de pureza.

Hamenon Martins de Sá é químico e engenheiro químico, professor de diversas disciplinas da área de Química no curso de Farmácia da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.


A inclusão da Ética e do Senso no Estudo da Anatomia Humana

A Anatomia Humana, ciência que estuda a morfologia do corpo humano, analisando nossos órgãos e sistemas, é uma disciplina que gera curiosidade e desperta interesse e reflexões em seus estudantes. É umas das disciplinas básicas estudadas nos cursos da área da saúde.

Estudada com auxílio de aulas práticas, que visam à contextualização da teoria, se utiliza de estruturas sintéticas artificiais para visualização dos órgãos, ou estruturas humanas naturais. Em Anatomia, nomeamos essas estruturas de peças anatômicas.

O estudo da Anatomia Humana inicia a inclusão da ética, do senso de respeito e de vida em sociedade nos futuros profissionais. Essas virtudes são de extrema importância na formação do profissional da saúde.

Nas aulas práticas, os alunos exercitam os relacionamentos e o estudo em grupo. Além disso, as aulas práticas de Anatomia Humana são capazes de despertar reflexões sobre a fragilidade do corpo humano, seus mecanismos e estruturas perfeitas e os benefícios em se ter uma vida saudável.

O senso de respeito pelo ambiente do laboratório também é algo marcado nas aulas expositivas. O convívio com estruturas do corpo humano infunde no aluno responsabilidade na execução de procedimentos e respeito pelo próprio ser humano.

Patrícia Giona é fisioterapeuta, especialista em Acupuntura, professora de Anatomia Humana no curso de Farmácia e de Psicologia da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

 

Fitoterapia pode ser usada na Atenção Básica à Saúde

O uso de plantas medicinais pela população mundial tem sido muito significativo nos últimos tempos. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que cerca de 80% de toda a população fez uso de algum tipo de erva na busca da cura e prevenção de alguma doença.

Uma das vantagens da Fitoterapia é a possibilidade de se utilizar uma única erva para tratar diferentes males ao mesmo tempo. No entanto, é muito importante conhecer cada detalhe da planta a ser utilizada, já que, às vezes, diferentes partes de uma mesma planta servem para tratar diferentes males, além de existirem ervas tóxicas e combinações de ervas que não são aconselhadas.

Outro cuidado que se deve ter é com relação à manipulação dessas ervas em casa. A colheita de plantas medicinais deve ser realizada em local longe de contaminações, tais como rios poluídos, estradas, lixo, locais que contenham excrementos de animais, uso de agrotóxicos, etc. Todas as plantas devem ser lavadas e rasuradas antes do preparo da infusão ou decocção e deve-se ter especial atenção à quantidade que pode ser usada de acordo com a planta e idade da pessoa.

Mesmo com todo o conhecimento popular e, nos dias de hoje, científico, a Fitoterapia não conseguiu manter-se ao lado da medicina oficial e integrar-se a um conceito global de suprimento medicamentoso estabelecido. As razões são tanto por receios da medicina oficial como, parcialmente, pela grande deficiência da qualidade em relação à padronização e à eficácia dos fitofármacos. Por isso foi realizado um grande esforço nos últimos anos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para fechar as lacunas referentes à qualidade dos medicamentos fitoterápicos, que culminou com a publicação da RDC nº 48/2004. De acordo com a RDC 48, só é considerado medicamento fitoterápico aquele que possui segurança e eficácia comprovadas e ainda a padronização dos seus princípios ativos por meio da quantificação de um marcador, ou seja, um princípio ativo ou uma classe de princípios ativos que deverá ser determinada através de análises químicas.

Em relação às posturas pré-concebidas, todas elas apresentam prejuízos potenciais para os pacientes. A resistência absoluta a um fitoterápico com ação comprovada pode privar determinado paciente de uma medicação eficaz. Por outro lado, uma postura de entusiasmo não fundamentado em estudos clínicos controlados pode privar o paciente de um tratamento realmente eficaz em detrimento de um fitoterápico ineficaz e com efeitos adversos. Mesmo uma atitude mais neutra, de descrença com certa benevolência ("não tem efeito, mas não faz mal" ou "é um placebo sem riscos") também pode acarretar prejuízos para o paciente, pois muitos fitoterápicos apresentam importantes efeitos adversos, assim como a possibilidade de interações medicamentosas.

O Brasil também incorporou essa tendência mundial e o Ministério da Saúde recomendou fortemente a implantação do Programa de Fitoterapia na rede pública. Da mesma forma, em 22 de junho de 2006, por decreto presidencial foi lançada a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que é composta de 17 diretrizes que visam estimular a cadeia produtiva e garantir à população o uso seguro e correto das plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos.

Camila Garcia Salvador é farmacêutica-bioquímica, farmacêutica industrial especialista em Controle de Qualidade de Medicamentos, Fitoterápicos e Cosméticos, responsável técnica pela indústria de medicamentos fitoterápicos “Laboratório Yanten”, professora de Estágio Observacional, Farmacognosia e Deontologia e Legislação Farmacêutica no Curso de Farmácia da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

 

O FARMACÊUTICO E SEU PAPEL PROFISSIONAL E SOCIAL

Entre as áreas do conhecimento humano, a Farmácia assume um papel social de relevada importância por ser o campo de pesquisa científica e tecnológica para a produção e controle de medicamentos, dos quais depende, em grande parte, a recuperação da saúde.

Com a fundação das primeiras Faculdades de Farmácia (1839 - 1898), o boticário foi lentamente sendo substituído pelo Farmacêutico. A botica, onde o boticário pesquisava e manipulava fórmulas extemporâneas, originou dois novos tipos de estabelecimentos: a Farmácia e o Laboratório Industrial Farmacêutico.

Até a década de 30, a indústria nacional de medicamentos se fazia presente no cenário brasileiro, sendo que as unidades de produção existentes eram em sua maioria de reduzidas dimensões e tinham uma origem familiar. Esta indústria baseava-se no emprego de matérias-primas de origem vegetal e mineral, apresentando condições adequadas ao suprimento do mercado existente, àquela época bastante reduzida. Embora a produção de medicamentos satisfizesse o mercado, é imperioso ressaltar que isto se deve ao fato de que grande parte da população não tinha acesso aos serviços de saúde.

Entretanto, com o advento da industrialização, com a introdução bastante rápida dos antibióticos e produtos de síntese no campo da terapêutica e com a abertura de nossa economia ao capital estrangeiro, esta indústria nacional emergente foi totalmente absorvida pelos oligopólios internacionais do medicamento.

O rápido processo de desnacionalização pode ser caracterizado como conseqüência direta da rápida evolução tecnológica, da dificuldade de competição frente ao aumento do mercado interno, da ausência de uma indústria química nacional de base e da adoção de políticas econômicas totalmente desvinculadas dos interesses da maioria do povo brasileiro e nitidamente favorecedoras da manutenção da "lucrativa indústria da doença".

Assim, o farmacêutico foi sendo preparado em diversos âmbitos para ser capaz de orientar o paciente e atuar como agente sanitário, de acesso fácil para a população. Por isso, é o profissional que dispensa as prescrições, fornece informação e assessora a respeito do uso correto de medicamentos, como também orienta sobre hábitos alimentares, para garantir a eficácia do tratamento. As funções do farmacêutico, portanto, não se limitam à dispensação, devendo abranger um ato profissional muito mais amplo, em que deve expor todo seu conhecimento especializado. Os cuidados e a dispensação de medicamentos pelos farmacêuticos na atenção primária à saúde são vantajosos para o Estado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os farmacêuticos, em geral, têm a preferência de grande parte da população, quando comparados a outros serviços. Na condição de estabelecimento que integra os sistemas de saúde, a farmácia apresenta inúmeras vantagens: fácil acesso a um profissional de saúde; condições adequadas para participação em campanhas sanitárias (vacinação, por exemplo); redução de gastos com tratamentos, por possibilitar intervenção primária e encaminhamento à assistência médica; aumento na adesão à terapêutica farmacológica prescrita, com conseqüente melhora na qualidade de vida do usuário.

Na farmácia comunitária, a existência ou a possibilidade de acesso a um Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) constitui instrumento de fundamental importância para a melhoria da qualidade das atividades desempenhadas pelos farmacêuticos. Em estudo realizado no Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos (CEBRIM), do Conselho Federal de Farmácia (CFF), os farmacêuticos avaliaram positivamente as informações fornecidas pelo serviço. Dispensar um medicamento envolve orientação ao paciente, para que este o utilize corretamente. Se o paciente cumpre as instruções do prescritor e as orientações do farmacêutico, é muito mais provável que a terapêutica seja eficaz. Ao contrário, se usa mal o medicamento, por desconhecimento ou porque não está bem informado, o tratamento poderá ser ineficaz e até nocivo.

Amauri de Andrade Júnior é engenheiro químico, farmacêutico, mestre e doutor em Farmácia Clínica, proprietário da CLINUPAR, empresa de Nutrição Parenteral, e professor do curso de Farmácia e Pós-Graduação em Farmacologia para Profissionais de Saúde da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

publicado em 21 de maio

 

O Segredo da Juventude

A professora de Cosmetologia do Curso de Farmácia das Faculdades Anglo-Americano - Unidade de Foz do Iguaçu, Andrea Dantas, escreve artigo atualíssimo sobre beleza e, ainda, dá dicas sobre o assunto.

A pele do rosto é um sistema de revestimento muito parecido com o do aparelho digestivo, porém difere das outras estruturas epiteliais pelo fato de ficar continuamente exposta a um ambiente externo agressivo. Vento, poeira, poluição, ar condicionado e, principalmente, radiação solar fazem a "miséria" da nossa pele.

A luz solar é composta por ondas eletromagnéticas com diferentes níveis energéticos, desde o infravermelho, de maior comprimento, até o ultravioleta C, de menor comprimento. Essas radiações penetram de forma diferenciada na pele, interagindo com as células da epiderme e derme e conduzindo aos processos degenerativos, que acabam com a aparência de jovialidade de qualquer pessoa.

Que os sinais da idade são inevitáveis, todos nós sabemos, afinal de contas, com o passar do tempo a pele vai perdendo o colágeno e tornando a formação de rugas inevitável. Sem contar a ação dos radicais livres, que nada mais são do que substâncias instáveis que atingem as membranas celulares provocando a degeneração das células. Eles são produzidos por processos do nosso organismo como a digestão e a respiração.

O motivo do surgimento de manchas e rugas deve-se a alterações decorrentes do envelhecimento intrínseco e extrínseco da pele.

O envelhecimento intrínseco é decorrente do desgaste natural do organismo, causado pelo passar dos anos, sem a interferência de agentes externos e equivale ao envelhecimento de todos os órgãos, inclusive a pele. A aparência é a da pele idosa encontrada na face interna do braço, próxima à axila. É uma pele fina, com pouca elasticidade, mais flácida e apresentando finas rugas, porém sem manchas ou alterações da sua superfície.

O envelhecimento extrínseco, ou fotoenvelhecimento é aquele decorrente do efeito da radiação ultravioleta do sol sobre a pele durante toda a vida. O sol, que propicia momentos de lazer e que dá o bronzeado que aprendemos a considerar como modelo de saúde e beleza, é também o principal responsável pelo envelhecimento cutâneo, pois é a sua ação cumulativa sobre a pele que faz surgir os sinais da pele envelhecida.

A foto acima mostra uma pele bastante envelhecida no dorso da mão e uma pele de aspecto jovem no abdômen. Parece que são peles de pessoas diferentes, mas é a mesma pessoa. Trata-se de uma senhora cujo abdômen esteve sempre protegido do sol pelas roupas. Seus braços, no entanto, sofreram a ação do sol durante o dia a dia, pois sempre usou roupas de mangas curtas. Percebe-se, claramente, que a pele do dorso da mão, que recebeu a exposição solar, tem aspecto bem envelhecido. Isto não acontece com a pele do abdômen, que sempre ficou protegida pela roupa, não sofrendo a ação direta da radiação solar, e mantém características de uma pele bem mais jovem.

Apesar de tantos fatores contribuindo para acelerar o processo de envelhecimento, graças aos recursos oferecidos pela Cosmetologia, atualmente, existem no mercado vários produtos formulados com ativos ricos em propriedades antioxidantes que atenuam as marcas de expressão, retardando assim os sinais da idade.

Os primeiros ativos aplicados em formulações cosméticas com funções rejuvenescedoras foram o alfa/ beta hidroxiácidos e o ácido retinóico que, por possuírem ação esfoliante, causam descamação na pele, afinam a camada córnea, proporcionam brilho e ainda melhoram a tonalidade do rosto. Sem contar, que estes ativos possuem também ação hidratante, clareadora (despigmentante) e estimulantes da produção de colágeno e elastina, elementos fundamentais para dar firmeza, melhorar o tônus e a elasticidade da pele.

Outros dois grandes poderosos antioxidantes usados para neutralizar a ação dos radicais livres são a vitamina C e o matryxil que também clareiam a pele e aceleram a produção de colágeno e elastina..

O DMAE, por exemplo, é uma das substâncias que vem tendo grande destaque nos tratamentos cosméticos e, definitivamente, conquistando os profissionais da área. Naturalmente encontrado em alguns peixes, especialmente o salmão, ele é sintetizado em laboratório e aplicado em fórmulas de produtos para aumentar a firmeza da pele, melhorar o contorno do rosto, busto e bumbum; reduzir as bolsas embaixo dos olhos, a papada e a flacidez em geral, entre outros benefícios.

Entre tantas e constantes novidades, apenas uma coisa não muda: a presença dos filtros solares que são fundamentais para atuar contra os efeitos nocivos do sol na pele.

Na hora de escolher um Fator de Proteção Solar lembrar que:

+ São produtos com a capacidade de proteger a pele contra a queimadura solar, além de prevenir ou minimizar os efeitos maléficos tardios resultantes de exposições repetidas à luz solar, tais como o envelhecimento precoce (fotoenvelhecimento) e o câncer de pele.

Ao comprar um filtro solar, é importante verificar no rótulo:
1) Prova d'água: conferem proteção de até 40 minutos de imersão contínua.
2) Resistente à água: ideal para crianças e quem pratica esportes, permitem a imersão por até seis horas.
3) Proteção contra a radiação UVA e UVB
4) Não comedogênico: não induz a formação de cravos e espinhas
5) Hipoalergênico

É importante saber que
:FPS 2: protege contra 50% da radiação solar
:FPS 4: protege contra 75% da radiação solar
:FPS 8: protege contra 87,5% da radiação solar
:FPS 15: protege contra 93,3% da radiação solar
:FPS 30: protege contra 96,5% da radiação solar
:FPS 64: protege contra aproximadamente 98,6% da radiação solar.

Isto significa que o aumento do FPS não significa um aumento substancial na sua eficácia.

Beleza é uma questão de atitude! Não há mulheres feias - apenas mulheres que não se cuidam ou que não acreditam ser atraentes". Estée Lauder

Andrea Dantas é farmacêutica, especialista em Manipulação de Cosméticos e Cosmecêuticos, mestranda em Fisioterapia Dermato-Funcional, professora do Curso Técnico em Estética, Coordenadora Técnica da Vita Derm – Foz do Iguaçu, chefe do Serviço de Assistência Farmacêutica da Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu e professora de Cosmetologia do Curso de Farmácia da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

publicado dia 07 de maio

 

Ensino Farmacêutico em debate – parte I
Formação Generalista

Contrariando Pio XII, que afirmou certa vez que “a Farmácia é uma profissão muda”, inúmeros farmacêuticos atuantes na docência estiveram reunidos em Brasília na V Conferência Nacional de Educação Farmacêutica ocorrida entre os dias 10 e 12 de abril deste ano. E os farmacêuticos falaram, e muito! Compartilhamos diversas experiências pedagógicas desenvolvidas nas várias IES (instituições de ensino superior) do país entre coordenadores de cursos de Farmácia, representando a grande maioria dos presentes, além de professores, estudantes e outros profissionais ligados à área.

O evento foi enriquecedor por trazer representantes do Ministério da Saúde, Ministério da Educação (MEC), Conselho Federal de Farmácia (CFF), Conselhos Regionais de Farmácia (CRFs) e Associação Brasileira de Ensino Farmacêutico e Bioquímico (ABENFARBIO).

A educação farmacêutica, formal e como profissão de nível superior, teve o seu berço no Brasil no ano de 1832, com a criação da Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia, derivada da “Escola de Cirurgia”, que funcionava no antigo Colégio dos Jesuítas, no Terreiro de Jesus, em Salvador. Em 1839 foi criada a Escola de Farmácia em Ouro Preto, pioneira para o ensino exclusivo da profissão no país. Na seqüência, surge em Porto Alegre a Escola de Farmácia em 1896, célula-mãe da atual Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e, em 1898, em São Paulo.

Os diversos cursos de Farmácia sempre acompanharam a mudança no perfil do profissional farmacêutico, intrinsecamente atrelada aos anseios da comunidade sobre a questão dos medicamentos, além dos outros serviços e produtos produzidos e desenvolvidos pelos farmacêuticos.

No século XX, que abrigou os primeiros cursos de Farmácia no Brasil, a composição dos medicamentos era constituída, basicamente, por uma série de drogas vegetais, além de algumas partes de animais e também poucas substâncias minerais. Outro detalhe importante era a inexistência de produtos industrializados. Nestas condições, cabia ao farmacêutico a função de, por um lado, cuidar do estoque de substâncias para que as mesmas não se deteriorassem, haja vista a origem natural das drogas e o fato de muitas plantas cruzarem o Atlântico em condições nem sempre “sanitárias” e, por outro, preparar as misturas ideais para manipular os medicamentos.

Neste cenário, o início da formação farmacêutica no país trazia uma estrutura curricular que visava desenvolver habilidades e competências em termos de reconhecimento de drogas (era muito comum drogas adulteradas), manutenção das condições propícias de armazenamento e a arte da manipulação.

Embora essas atribuições ainda sejam de competência do profissional farmacêutico, mudanças ocorreram. Com a importância conferida aos agentes microscópicos na etiologia de diversas doenças, bem como o surgimento das novas técnicas de análises clínicas, as quais naturalmente foram incorporadas nas diversas clínicas médicas como auxílio diagnóstico, os cursos viram-se obrigados a se adaptar no sentido de permitir que o farmacêutico aprofundasse o seu conhecimento, também, nas análises clínicas. Novos tempos, novo perfil profissional, novo curso de Farmácia.

As mudanças cristalizaram-se em 1965 com a divisão do Curso de Farmácia em três habilitações: medicamentos, análises clínicas e alimentos. O estudante cursava três, quatro, até cinco anos para obter o grau de farmacêutico e, de forma adicional e opcional, havia três habilitações possíveis, com duração de um ou dois anos, permitindo ao já farmacêutico atuar em análises clínicas, alimentos e indústria de medicamentos e cosméticos.

Sinalizando as novas mudanças na sociedade contemporânea, o MEC instituiu as novas diretrizes curriculares para os cursos de Farmácia em 2002, unificando as três habilitações existentes até então. O curso passou a se chamar somente “Farmácia”, e o egresso, por conseqüência, “farmacêutico”, extinguindo-se os termos farmacêutico-bioquímico ou farmacêutico industrial, embora ainda equivocadamente utilizados. O novo norte da formação farmacêutica é definido pelo conceito do egresso conferido pelas diretrizes curriculares como tendo uma formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, pautada pelo rigor científico e intelectual.

Sendo este o perfil de farmacêutico exigido pela sociedade atual, às IES resta a tarefa de implementar as atuais diretrizes curriculares de forma a “entregar” à comunidade o seu produto “farmacêutico” que seja generalista, humano, crítico e reflexivo, com base no rigor científico e intelectual. Ufa...! Não dá para formar apenas um sujeito generalista, sem ser crítico e reflexivo? Não! Mas e um indivíduo que atue com o mais alto nível técnico, científico e intelectual, mas pouco humano? Não! E um farmacêutico com profundos valores humanos, mas tecnicamente meio ruinzinho? Também não!

Eis aí o desafio de “acertar o ponto” na criação de um curso com uma estrutura curricular, com uma cultura docente e com um aporte institucional que garanta a formação literalmente mais próxima da exigida pelas novas diretrizes curriculares. E não se trata de mera adequação legal, mas, muito mais importante, de uma reorganização das práticas docentes referentes ao ensino farmacêutico que permita que o egresso esteja mais bem preparado para atuar segundo a demanda da própria sociedade.

Alguns farmacêuticos formados “à antiga” são muito desconfiados quando ouvem falar do “farmacêutico generalista”. Termo, este, também inadequado, assim como farmacêutico-bioquímico, farmacêutico industrial, etc. É farmacêutico, e ponto! Mas, sem nos atermos à simples denominação ora vigente ou já em desuso, o mais importante a se analisar é a incredulidade na qualidade apresentada por este novo farmacêutico. Alega-se que é impossível um estudante aprender e apreender em quatro ou cinco anos todos os conceitos, todas as técnicas necessários para atuar de forma competente e responsável nas diversas modalidades de farmácia, na indústria de medicamentos e cosméticos, nas análises clínicas e na área de alimentos.

Da parte dos discentes, certa confusão também é gerada, pois os mesmos, sendo membros da sociedade, trazem consigo os conceitos e classificações desta mesma sociedade. E no imaginário coletivo, o profissional que trabalha em uma farmácia é “farmacêutico”, distinto do “bioquímico”, cujo espaço laboral é um laboratório de análises clínicas.

Outro grande desafio para o “novo” curso de Farmácia é o fato de todos, exatamente todos, os professores hoje atuantes terem sido “formatados” sob outra perspectiva e em uma outra época. Formamos farmacêuticos de caráter generalista, mas somos profissionais habilitados em indústria, ou análises clínicas ou alimentos. Será que o conhecimento e as habilidades dos professores vão ao encontro ou vão de encontro ao conhecimento e às habilidades dos nossos estudantes? Creio que, em muitas IES, a segunda opção seja a mais acertada. E isso cria um abismo grande e perigoso distanciando a prática docente do interesse dos estudantes.

O presidente do CFF, Jaldo de Souza Santos, na abertura do evento apresentou dados muito preocupantes no cenário da educação farmacêutica no país. Dos 190 cursos de Farmácia analisados pelo CFF, num universo de 306 existentes na atualidade, 34 não oferecem a disciplina de Farmacotécnica Homeopática, 29 não apresentam conteúdos relacionados aos alimentos, dois não oferecem a disciplina de Farmacotécnica, além de um curso reduzir as análises clínicas em uma disciplina intitulada “Noções em Análises Clínicas” de somente 120 horas-aula e outro oferecer apenas a disciplina “Tópicos em Análises Clínicas” em meras 72 horas-aula.

Estes dados são assustadores! Você faria um exame de sangue em um laboratório cujo responsável técnico investiu apenas 72 horas-aula na sua formação clínico-analítica? Eu não. O Curso de Farmácia da Faculdade Anglo-Americano (FAA), unidade de Foz do Iguaçu, por exemplo, oferece um total de 660 horas-aula de forma específica na formação dentro do eixo das análises clínicas. Mas tanto o meu egresso quanto o egresso daquela instituição que oferece “Tópicos em Análises Clínicas” será o mesmo, ambos legalmente habilitados a proceder exames de sangue, urina, fezes e outros fluidos biológicos.

Pergunto-me como um curso com essas distorções obteve autorização para funcionar. E mais: como um curso com esta irresponsabilidade junto à sociedade, a qual irá se servir do profissional egresso, obtém o reconhecimento? Estas distorções assustam e destacam a grande missão do MEC para reorientar a concepção da formação generalista dos diversos cursos do país, focada nos cursos com déficits grosseiros em termos de conteúdo.

Na contramão da idéia de que é necessária a limitação de abertura de novos cursos, muito propagada inclusive entre meus pares, defendo uma ampliação significativa de novos cursos, principalmente nas regiões com mais carência pelo profissional farmacêutico. O estado do Paraná está no terceiro lugar no ranking dos estados com mais cursos de Farmácia, totalizando 30, atrás de Minas Gerais com 49 e São Paulo com 82. Mas no outro extremo, temos os estados do Amapá, Piauí e Roraima que possuem apenas um curso cada um, além do Acre, que não possui um único curso de Farmácia.

Precisamos, sim, de novos cursos. Porém estes devem ser criados na fiel obediência às diretrizes curriculares, adequados às realidades regionais e alicerçados na maior responsabilidade da IES e do corpo docente.

O Curso de Farmácia da FAA, ainda novo, com dois anos de funcionamento, mostra-se completo pela variedade dos conteúdos trabalhados, atual por trazer aos estudantes práticas profissionais inovadoras por meio de professores que “trabalham”, exercendo a Farmácia nas mais diversas áreas de atuação e, responsável, pela fiel obediência às diretrizes curriculares nacionais.

Cabe apontar, numa próxima oportunidade, os nossos acertos aqui em Foz do Iguaçu, bem como experiências de grande criatividade e responsabilidade que tive acesso na conferência. De forma resumida, volto de Brasília motivado e satisfeito pela noção de “acerto” que me impregna, baseada na nossa prática docente, na responsabilidade da instituição mantenedora e na atenção às questões atuais e regionais.

Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde, professor de Farmacologia nos cursos de Farmácia e Fisioterapia da Faculdade Anglo-Americano (unidade de Foz do Iguaçu, Paraná)

publicado em 23/04/2008


A POLÊMICA DO USO DE ANIMAIS EM PESQUISAS

Os medicamentos que vemos na prateleira de uma farmácia possuem uma história e um longo período de pesquisa para que possam estar lá nesse momento. A colocação de um novo medicamento no mercado é um trabalho árduo, que exige muitos estudos visando garantir efeitos desejáveis com o mínimo de problemas decorrentes do seu uso.

Mundialmente, a cada ano, diversos medicamentos novos são lançados no mercado, sob as mais variadas fórmulas ou princípios-ativos que visam dar mais uma opção à comunidade médica e à população para o tratamento dos seus problemas de saúde.

Contudo, antes de ser lançado no mercado, todo medicamento passou por numerosos estudos com o objetivo de garantir a máxima eficácia e segurança na sua utilização. Tudo se inicia com a pesquisa básica, na qual ocorre a descoberta do novo composto que se mostra promissor para o combate de determinada doença. O próximo passo é a pesquisa pré-clínica, que busca avaliar os parâmetros de eficácia e segurança dos novos compostos por meio de testes em animais. Se os resultados da pesquisa pré-clínica forem favoráveis, iniciam-se os testes em seres humanos, o que chamamos de pesquisa clínica, os quais realizam estudos em pessoas sadias e, posteriormente, em pacientes, em que se avalia a atividade do novo composto para o combate da doença, assim como sua segurança e possíveis restrições. Somente após todos estes processos, que podem durar anos, o novo composto pode ser registrado com fins de comercialização e estar disponível para o uso pela população.

A utilização de animais em pesquisas de medicamentos (pesquisa pré-clínica) é algo corriqueiro na comunidade científica nacional e internacional. Além do uso destes para pesquisas de medicamentos, ocorrem também para pesquisas de cosméticos e capacitação de alunos e novos pesquisadores em universidades de todo o mundo.

No Brasil, não há dados sobre a quantidade de animais utilizados em pesquisas, porém crê-se que o número aumente ano a ano em decorrência do maior número de Instituições de Ensino Superior e do incremento em pesquisas que o país vem observando. Nos Estados Unidos, país com um dos maiores índices de pesquisas em todo o mundo, utilizam-se anualmente de 17 a 23 milhões de animais, dentre camundongos (Mus musculus), ratos (Rattus rattus), coelhos (Oryctolagus cuniculus), porquinhos-da-índia ou cobaias (Cavia porcellus), e também cães-domésticos (Canis familiaris), gatos-domésticos (Felis catus) e primatas não-humanos. Na União Européia a quantidade atinge os 10 milhões anuais.

A polêmica do uso de animais de experimentação aumenta diariamente em todo o mundo, na qual diversas instituições de proteção animal discutem o assunto e entram em confronto ideológico direto com instituições de pesquisa, universidades, indústrias farmacêuticas e de cosméticos, objetivando o fim da prática por meio do questionamento dos métodos empregados e a utilidade dos dados obtidos, assim como a possibilidade de utilização de métodos alternativos de pesquisa, como meios de cultivo celular, e de ensino, por simulações em programas de computador e utilização de modelos anatômicos para algumas aulas de cirurgia.

Apesar de que em alguns casos a experimentação com animais não tenha previsto problemas dos efeitos colaterais causados por alguns medicamentos em humanos, como no caso da indução de problemas fetais pela administração de talidomida em mulheres em início de gestação, o ponto de vista expressado pelos laboratórios de medicamentos é que houve uma grande contribuição da pesquisa com animais para a busca de novos medicamentos. A utilização destes promoveu um grande avanço para a resolução de centenas de doenças e que sem os quais provavelmente a medicina e a ciência não teriam evoluído tanto no mesmo período de tempo.

Enquanto a comunidade científica não chega a uma conclusão quanto a uma possível proibição da experimentação animal, a recomendação para todos os centros de pesquisa, laboratórios de medicamentos e afins é a minimização do número de animais utilizados em experimentos e que todos os experimentos a serem realizados passem por aprovação em comitês de ética em experimentação animal, que avaliarão a verdadeira importância da implementação de tais pesquisas. Para o ensino em universidades, o recomendável é a utilização de simuladores de computador e outros métodos alternativos que avaliem, com a mesma qualidade, os efeitos que seriam observados pela utilização em animais.

Enfim, expressar opinião sobre o assunto experimentação animal exige muita pesquisa e reflexão e para isso temos que considerar muitos pontos a favor e contra, que estão disponíveis em todos os meios de comunicação. O fato é que assunto é polêmico e envolve diversos setores da sociedade e da economia e provavelmente continuará sendo polêmico por muito tempo.

 

Anderson Carvalho é médico veterinário do Güira-Oga (Centro de Rescate, Rehabilitación y Recria de Fauna Silvestre – Argentina); mestrando em Zootecnia; responsável técnico pelo biotério e professor de Farmacologia Experimental no Curso de Farmácia e de Análise de Recursos Naturais do Curso de Gestão Ambiental da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

publicado em 09 de abril de 2008

 

 

Atrasados para a vida moderna

 

Rodrigo Batista de Almeida

Fui assistir ao filme 10.000 a.C., do diretor Roland Emmerich. Como não poderia contrariar os meus genes, cheguei atrasado ao cinema, perdendo as cenas iniciais, embora isso não tenha comprometido o entendimento do filme, até mesmo porque era mais um espetáculo de efeitos especiais, do que uma trama de histórias paralelas, com alto teor de subjetividade, em que se abrem múltiplos caminhos para o entendimento e conclusão da história. Não que eu não tenha gostado. Pelo contrário, as cenas com os mamutes e tigres dentes-de-sabre me impressionaram muito. Tanto que fiquei pensando em alguns problemas que temos, de forma incisiva, nos dias de hoje, em que diminuímos sobremaneira a nossa qualidade de vida por transtornos de ansiedade dos quais somos vítimas ou por patologias como obesidade, diabetes, hipertensão e infartos do miocárdio.

Há 10.000 anos atrás, as preocupações eram outras, como fugir de mamutes, escapar de um tigre dentes-de-sabre ou conseguir alimentos em quantidade suficiente para toda uma comunidade.

Na escala evolutiva do tempo, 2008 ou 10.000 a.C. não significa muita diferença, já que o projeto de vida neste planeta teve os seus primeiros rabiscos iniciados há quase quatro bilhões de anos, com seres dotados de apenas uma célula. Uma única celulazinha! Seres (um pouco) mais complexos, compostos por agrupamentos de algumas células, vieram há 600 milhões de anos, quando se iniciou uma lenta e incrível diversificação de espécies. A nossa, proprietária do sistema nervoso central mais complexo dentre as 30 milhões de espécies que povoam atualmente o planeta, teve o seu berço há cinco milhões de anos, com o nascimento dos nossos antepassados diretos nas savanas da África. Fica claro, então, que 12 mil anos é um piscar de olhos frente ao tempo estimado de vida por aqui.

Durante toda a evolução da nossa espécie, e das espécies que nos antecederam, desenvolvemos uma capacidade para, tão logo detectemos uma situação de perigo, como se fosse mágica, termos os nossos corpos “formatados” para a luta ou, o que é mais comum, para a fuga, já que não temos condições de lutar em todas as situações, como, por exemplo, com um tigre dentes-de-sabre.

O background de todas essas reações é o Sistema Nervoso Autônomo (SNA) Simpático, o que utiliza noradrenalina como mensageiro químico, embora outros sistemas neuronais de neurotransmissores também possam estar envolvidos. Passados 12 mil anos da época retratada pelo filme, sofremos com um SNA simpático excessivamente atuante. O problema é a descarga de noradrenalina, justificada em resposta a algumas situações, porém de forma equivocada em outras, pela grande intensidade ou duração, de modo que a resposta é proporcionalmente muito maior que o evento que a desencadeou. Muitas destas situações enfrentadas hoje nem de longe lembram àquelas passadas por D’Leh, protagonista do filme, em que, quando menos se espera, está tête-à-tête com um tigre dentes-de sabre. Vivemos várias situações nítidas de inadaptação fisiológica. Mudamos os hábitos de vida e muitas situações do meio onde vivemos, mas ainda temos a mesma formatação fisiológica que há doze mil anos, tempo este que é um instante na história natural.

Claro que há situações que você precisa ter o seu sistema noradrenérgico bem atuante, por trazer um perigo grande, real e iminente. Por exemplo, quando você se depara com um assaltante armado, você instantaneamente é, desculpem-me o neologismo, noradrenalinergizado. Se bem que aqui não seria interessante nem fugir, nem tentar lutar. Mas, nas situações em que você, ou melhor, o seu sistema nervoso autônomo simpático superestima alguns eventos cotidianos considerando-os superperigosos, quando muitos não o são, você desenvolve uma série reações que caracterizam os transtornos da ansiedade, tão prejudiciais, por comprometer a vida afetiva, laboral, escolar, sexual, familiar e financeira do indivíduo. E isso tudo por culpa do tempo em que nos deparávamos, quase que todos os dias, com perigos bem aterrorizantes, muitos dos quais a fuga seria a melhor opção.

Um outro problema atual é a capacidade de acumularmos energia na forma de tecido adiposo. Apesar de a fome ser um problema real em muitas áreas geográficas, inclusive no Brasil, ela é gerada muito mais por problemas políticos e sociais do que pela incapacidade de produzir os alimentos, já que tecnicamente é possível produzir este bem de consumo em quantidade mais que suficiente para alimentar todos os habitantes deste planeta. Há 12 mil anos, além de problemas como disputas territoriais, havia a incapacidade de produzir alimentos em quantidade suficiente, sendo a caça e a coleta indispensáveis para o abastecimento das comunidades. Nesta época, a capacidade de aumentar robustamente as reservas adipócitas conferia uma grande vantagem, no sentido de que o intervalo entre duas refeições poderia levar dias.

A indústria farmacêutica percebe este filão de mercado carente por balas mágicas capazes de resolver o nosso excesso de adipócitos ou a nossa crônica situação de estresse. Entretanto, os medicamentos desenvolvidos, assim como nós, não conseguem resolver problemas que têm raízes no processo maciço e recente de urbanização que tanto influenciam a gênese destes problemas. Trazem-nos efeitos adversos e não resultam em resposta clínica a todos os pacientes que os utilizam. Entretanto, a busca por medicamentos eficazes, desprovidos de reações adversas, ou com reações toleráveis, e que tenham um custo de produção suportável pelos países, é uma proposta factível, em médio prazo, já que uma alteração evolutiva pode levar milhares de anos.

Fico pensando em alguns chavões muito utilizados que remetem aos tempos modernos. Entusiastas comemoram o quase ápice da nossa espécie cultuando o ser humano como o dominador do planeta. Pura balela! Estamos, na verdade, muito mal adaptados ao cenário hodierno. Assim como cheguei atrasado ao filme, creio que estamos atrasados para os dias de hoje. Estamos formatados para viver há 12 mil anos atrás.

 

Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde, professor de Farmacologia nos cursos de Farmácia e Fisioterapia da Faculdade Anglo-Americano (unidade de Foz do Iguaçu, Paraná)

publicado em 09 de abril de 2008

 

 

DENGUE
“O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER.”
VOCÊ É O MAIOR RESPONSÁVEL!


André de Souza Leandro

Publicado em 2 de abril de 2008.

Há quem acredite que os efeitos do aquecimento global só serão percebidos pelas gerações futuras. Grande engano! As doenças transmitidas por mosquitos são um grande exemplo de efeitos percebidos hoje, entre as quais se destaca a dengue.

A ocupação desordenada do ambiente urbano, a poluição pelo do destino inadequado dos resíduos sólidos (lixo) e o desmatamento são citados como alguns fatores determinantes de conseqüências danosas à saúde humana. Mas o principal fator é o que dá origem aos outros: a falta de consciência que leva à falta de compromisso da sociedade, própria do homem que se dá ao luxo de destruir o ambiente que foi feito com perfeição para que ele pudesse viver, e viver bem.

O pior de tudo é que hoje todos sabem o que têm que fazer e insistem em fazer o contrário e a resposta imediata é o aparecimento de doenças que resultam, muitas das vezes, em epidemias, ceifando vidas que certamente seriam preservadas caso houvesse compromisso em fazer aquilo que já se sabe.

A Dengue veio para ficar, e pior, a cada ano vai se agravar caso não haja inversão do modelo de comportamento social hoje observado. A tendência face ao constatado em termos de comportamento da sociedade, que gera o aumento da quantidade de mosquito, que por sua vez se favorece das condições climáticas, somado ao grande número de doentes que existem no mundo, inclusive no Brasil, é que a gravidade da doença venha a aumentar com inevitáveis óbitos por dengue hemorrágica.

Mas há solução, ela é simples e todos já ouviram falar: “basta eliminar água parada ou evitar o acesso do mosquito até à água”.

Apesar de simples, encontramos como principal obstáculo o próprio homem, que contraditoriamente já sabe tudo o que é necessário saber, mas insiste em não fazer. Falta consciência, falta compromisso, falta atitude. Não dependemos do governo para limparmos nossos quintais, dependemos, sim, é de assumirmos nossas responsabilidades e as ações governamentais serem complementares, como devem ser.

Precisamos enxergar nossas responsabilidades social, ambiental, familiar e religiosa, vivermos o “...amar ao próximo como a ti mesmo...” e pararmos de nos queixar e procurar culpados, e iniciarmos agora uma campanha de restauração do planeta e preservação dos seus habitantes, simplesmente começando pela nossa casa, alcançando a nossa rua e nosso bairro. E naturalmente, à medida que cada um faça a sua parte, alcançaremos nossa cidade, estado, país, continente e o mundo.

Comece agora, ou suporte a catástrofe que da mesma forma pode começar pela sua casa e sobre sua família. Basta abrir os olhos e ver. A dengue mata, mas você pode acabar com ela, comece agora pelo seu quintal e nos ambientes onde você permanece.

Faça!

* André de Souza Leandro é médico veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, chefe do Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu – PR, professor de Biologia, Microbiologia e Saúde Pública nos cursos de Ciências Biológicas, Farmácia, Fisioterapia e Gestão Ambiental da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

 

 

Pero la garantia soy jo


Rodrigo Batista de Almeida
Publicado em 26 de março 2008.

Denúncias feitas pelo presidente da Federación Farmacéutica Venezolana, Edgar Salas, de que a Venezuela sofre pela escassez de 30 a 35% dos medicamentos, além da introdução pelo Ministério da Saúde de fármacos de má qualidade, põem em dúvida o processo de Assistência Farmacêutica levada a cabo no país.

Do lado do governo, Francisco Griffin, diretor do Servicio Autónomo de Elaboraciones Farmacéuticas (SEFAR) do Ministerio de Sanidad y Desarollo Social (MSDS) afirma que o desabastecimento não ultrapassa os 10%, sendo restrito a medicamentos sob proteção patentária e, inclusive, avalia positivamente o desabastecimento, por entendê-lo como fator que acelererará a implantação do Programa de Medicamentos Essenciais na Venezuela, a qual já possui uma lista organizada com cerca de 300 fármacos desde o final de 2002. Mais enfático que Griffin, Stefano Zampa, presidente da Cámara Venezolana de Medicamentos (Caveme), contesta as denúncias, alegando que as cinco mil farmácias do país estão sendo abastecidas normalmente, não havendo escassez de nenhum medicamento.

A academia manifesta-se contrária à postura do governo, pela crítica de Anna Alfieri, catedrática de Farmacologia da Faculdade de Farmácia da Universidade Central da Venezuela (UCV) condenando a criação das Boticas Populares, as quais se caracterizam por pontos de distribuição de medicamentos que diferem de farmácias propriamente ditas por prescindirem do serviço do profissional farmacêutico. Em relação às denúncias da aquisição de medicamentos sem registro sanitário provenientes de países nos quais o controle de qualidade é baixo ou inexistente, Alfieri afirma que a Venezuela já foi reconhecida na região como um país com um dos controles mais rigorosos para o registro de medicamentos, independente de governos ou de tendências políticas.

Segundo dados disponibilizados pelo próprio governo da Venezuela, o país aumentará em 57,7% a aquisição de medicamentos, elevando para 22 unidades de medicamentos utilizadas por habitante neste ano, em comparação às 18 unidades em 2007 e às 14 no ano de 1998.

O Brasil, apesar do longo caminho ainda a ser trilhado rumo a um cenário de acesso universal a medicamentos seguros, eficazes e de qualidade, tem muito a ensinar ao nosso colega latino-americano. Um exemplo muito pertinente é a garantia dos medicamentos necessários para o controle da AIDS a todos os seus portadores, melhorando a qualidade de vida e evitando a ocorrência de infecções oportunistas. Em números, isso significa uma redução de 27,5% na mortalidade e de 80% nas internações hospitalares relacionadas à doença no período compreendido entre os anos de 1996 e 2004, o que implicou em 635 mil internações a menos e redução de custos de saúde de US$ 1,7 bilhão.

O Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, do Ministério da Saúde do Brasil, que garante o acesso universal dos medicamentos anti-retrovirais a 180 mil pessoas, foi considerado um dos mais complexos e de sucesso do mundo pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/AIDS. O fator preponderante que levou ao sucesso brasileiro foi uma forte iniciativa política, combinando financiamento oficial para a produção de medicamentos genéricos e de uma decidida negociação com os grandes laboratórios internacionais para a redução dos preços. Reduções que variaram de 40 a 60% contribuíram para a economia de dezenas de milhões de dólares aos cofres públicos, garantindo a continuidade no acesso aos anti-retrovirais.

Com um enredo composto por vários episódios polêmicos, o caso de maior repercussão ocorreu no ano passado, quando o governo brasileiro foi pioneiro na América Latina ao declarar o fármaco efavirenz, sob proteção patentária pela indústria farmacêutica Merck, de interesse público, diante do fracasso das novas negociações para a redução no preço do produto. Declarar um produto como de interesse público é o primeiro passo para o licenciamento compulsório de patente, conhecido popularmente como “quebra de patente”. A estratégia funcionou, tendo o laboratório reduzido o preço praticado.

Nem sempre dá certo. A Tailândia, por exemplo, recebeu fortes retaliações por parte do laboratório Abbott pela emissão de licença compulsória do medicamento Kaletra (lopinavir/ ritonavir), fato que marcou o dia 26 de abril como o “Dia Internacional de Ação contra Abbott”.

Já pelo lado da Venezuela, o nosso amigo Hugo Chávez mete os pés pelas mãos ao criar as falsas farmácias, las Boticas Populares, nas quais não há o profissional farmacêutico coordenando tecnicamente a aquisição, armazenamento e dispensação de medicamentos. Não basta a rebeldia política, mesmo bem intencionada, se não vier acompanhada de estratégias responsáveis e racionais que garantam uma Assistência Farmacêutica de qualidade. Neste sentido, o Brasil foi ousado, porém lúcido nas suas negociações, ao contrário, infelizmente, da Venezuela de Chávez, leviana e amadora.

Problemas relacionados a medicamentos, tanto pela falta de qualidade de alguns deles quanto pela subversão do conceito de farmácia pela criação das Boticas Populares, certamente vitimarão cidadãos venezuelanos. Cabe a instituições ligadas à saúde (hospitais, clínicas, universidades, etc.) o papel de registrar e documentar todos os casos de problemas relacionados a medicamentos para que, de posse de informações precisas, Hugo Chávez possa reorientar as suas políticas públicas e seus programas de saúde. Isso se ele tiver a capacidade de reconhecer a relevância dos dados levantados e responsabilidade sobre o povo venezuelano.

* Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde da Faculdade Anglo-Americano (unidade de Foz do Iguaçu, Paraná).

 

 

MATEMÁTICA PARA FARMACÊUTICOS. COMO? E POR QUE SIM!?

Laura Sella*

Podemos dizer que a Matemática é a ciência que une a clareza do raciocínio e a síntese da linguagem. Seu grande desafio na atual sociedade do conhecimento está em preparar os educandos para serem sujeitos do processo, no qual a combinação de um espírito combativo, com uma personalidade harmoniosa e capacidades cognitivas é um capital extraordinário, num mundo onde se exige cada vez mais criatividade e capacidade de inovar. Não bastando a capacidade de cálculo, é preciso entender e comunicar os resultados. Nesse sentido busca-se a atenção dos acadêmicos do curso de Farmácia para a importância da disciplina de Matemática Aplicada na futura profissão.

O grande objetivo da disciplina é oportunizar situações que desenvolvam a capacidade de cálculos aplicados à Farmácia, desenvolvendo o raciocínio lógico, a interpretação e a capacidade de resolver problemas que envolvem, entre eles, dosagem de medicamentos.

Cálculos como de gotejamento, concentração de soluções e administração de medicamentos, são cálculos imprescindíveis e corriqueiros no cotidiano de vários segmentos da Farmácia. Para se ter uma idéia da importância e aplicação que a matemática representa para os farmacêuticos basta refletir sobre os efeitos que uma dosagem errada poderá causar. Varia desde o comprometimento do tratamento até danos muito mais sérios à saúde, incluindo a letalidade dos usuários.

O conhecimento matemático está cada vez mais notável das séries iniciais à faculdade, seguindo inclusive as diretrizes e orientações do MEC nas mais diversas áreas do conhecimento. É muito utilizada nos cursos das ciências exatas, e aplicada nas ciências naturais, humanas e da saúde. Costuma-se dizer que a Matemática nada mais é do que o refinamento do raciocínio da vida diária.

Mesmo sendo uma ciência muito utilizada é comum no mundo acadêmico ouvirmos comentários sobre as dificuldades de aprendizagem que a disciplina apresenta. Contudo esse não pode ser motivo para deixá-la de lado, pelo contrário, é um incentivo a mais para inovar e investir em novas metodologias com o intuito de melhorar o aproveitamento e desenvolver as habilidades matemáticas fundamentais para o exercício profissional.

Para qualquer especificidade acadêmica, defende-se a importância de se trabalhar por uma educação matemática que contemple o desenvolvimento de exemplos aplicados a cada área do conhecimento, e não apenas um roteiro tecnicista único, com exemplos generalizados para todos os cursos. A adoção desta metodologia aplicada facilitará a compreensão da linguagem matemática, ganhará a atenção e o envolvimento dos acadêmicos, mesmo nos cursos que não tenham grande afinidade com a área das exatas, pois, sentir-se-ão atraídos, mesmo que pela necessidade de aprender, visualizando as aplicabilidades futuras.

Devido às profundas modificações no mundo do trabalho, exigem-se inovações maiores que em décadas passadas. Por isso, têm-se promulgado mudanças nos métodos de ensinar Matemática. Advoga-se uma maior ênfase na análise de dados e uma diminuição do rigor matemático. Contudo, nas ciências farmacêuticas, nas quais é pesado e medido o volume dos componentes solicitados em uma prescrição para manipulação e preparo de fórmulas farmacêuticas, a exatidão nas medidas é uma habilidade fundamental.

Aos profissionais farmacêuticos cabe a interpretação correta das mensagens prescritas na realização de um trabalho de elevada técnica, que inclui cálculos precisos, bem como, ética e coerência nas ações dando uma assistência segura que todo ser humano merece.

*Laura Sella é graduada em Matemática, mestre em Educação e professora de Matemática e Estatística da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.


Medicina Tradicional Chinesa e Acupuntura Estética  

Amauri de Andrade

A Medicina Tradicional Chinesa (doravante designada MTC) é muito mais do que uma prática médica. Consideramos aqui a palavra médica dentro do conceito ocidental que significa "arte ou ciência de evitar, curar ou atenuar as doenças (segundo o dicionário Aurélio)". Também dizemos que a MTC é um conjunto de recursos terapêuticos, mas não a define bem. Na verdade o seu conceito é muito mais amplo. Quando entramos em contato com a MTC, ela se mostra como um caminho de tratamento, mas logo em seguida percebemos que para se tratar a doença precisamos desenvolver o nosso auto-conhecimento e finalmente percebemos que a MTC é um caminho de transformação e uma opção de vida.

Na realidade, quando estudamos profundamente a MTC percebemos que suas raízes encontram-se fundamentadas no "Livro das Mutações" ( I Ching ). Este influenciou a ciência, a filosofia, a arte e toda a sabedoria do povo chinês. O I Ching é uma ciência numerológica, em que se classificam todos os eventos nos 64 hexagramas. Também é muito utilizado como um oráculo de sabedoria. Influenciou o confucionismo, o taoísmo e o budismo na China.

Como podemos observar a MTC está baseada em princípios filosóficos, na observação dos fenômenos da natureza e sua influência energética no ser humano e em suas relações internas e externas, na astrologia chinesa, na compreensão do princípio único ( Tao ) e sua dualidade energética ( Yin e Yang ).

O objetivo das práticas terapêuticas baseadas na MTC é compreender os fatores que propiciaram ao indivíduo o seu desequilíbrio energético e tentar estabelecer a fluidez energética obtendo o equilíbrio. Para tanto, o seu diagnóstico (mais corretamente, avaliação energética) procura estabelecer relações do seu comportamento, alimentação, analisa odores, transpiração, pulso, língua, condições da natureza às quais o paciente esteve exposto, entre outras coisas para determinar qual é o princípio de tratamento a ser realizado.

Este tratamento energético pode ser obtido através de diversas práticas terapêuticas orientais:

Acupuntura: técnica de inserir agulhas finíssimas em pontos específicos dos meridianos com o objetivo de restabelecer o fluxo natural de energia (doravante denominada tchi ). A acupuntura pode ser dividida em sistêmica (aquela que utiliza agulhas no corpo inteiro), auriculoacupuntura (utiliza o pavilhão auricular com agulhas, sementes, esferas e magnetos), Koryo Sooji Chim (insere agulhas nas mãos), Colorpuntura (utilização das cores) entre outras técnicas.

Moxabustão: técnica que consiste em aquecer ou queimar os pontos, ativando o fluxo de tchi ; também muito utilizada para expulsar o frio dos canais.

Ventosa: técnica que se utiliza de copos que produzem o vácuo sobre uma determinada região (pressão negativa), promovendo, assim, que o sangue se superficialize, com isto desfaz a estagnação de sangue. Muitas vezes também utilizada para promover a sangria da região.

Massagem: através de toques, pressões e deslizamentos, tem como objetivo ativar o fluxo energético. Há diversos tipos de massagem ( shiatsu , tui-ná , an-ma, seitai, jão tche do entre outras).

Fitoterapia: através da utilização de plantas, propicia a ativação, eliminação e o fortalecimento do tchi .

Tchi Kun : técnica que se utiliza de exercícios, posturas e meditações baseados na respiração; tem como objetivo desenvolver a consciência e o aprimoramento do tchi.

Feng Shui : estudo das moradias, tem como objetivo desde escolher o local onde devemos morar até definir o tipo de construção.

I Ching : técnica cabalística que tende, por meio da sabedoria dos hexagramas e sua interpretação, mostrar as opções do caminho a seguir.

Astrologia Chinesa: por meio das influências das energias no momento (hora, dia, mês e ano do seu nascimento) tenta ajudar na compreensão da sua personalidade e tendências.

Um erro comum no ocidente é acreditar que as práticas terapêuticas orientais são uma maneira apenas de tratamento das doenças. Estas práticas são uma ciência com conceitos próprios diferentes e independentes dos conceitos da medicina ocidental.

HISTÓRICO DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

Em 1970 na China, arqueologistas descobriram uma tumba antiga da Dinastia Han (206- 220 a .C.) na região de Ma Dui , província Hunan . Dentro da tumba, foi descoberto um tratado médico escrito durante o período da "Guerra entre os Estados" (403- 221 a .C.). O nome deste tratado é "Fórmulas para o tratamento de cinqüenta e duas doenças". Outro tratado fundamental da MTC foi escrito por Zhang Zhong-jing (150-219) o Shang Han Lun (Tratado do Frio Nocivo).

O mais antigo livro de medicina que ainda hoje se mantém em uso é o " HUANG DI NEI JING " (Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo), tendo sido encontrado um exemplar, em escavações arqueológicas, datado de cerca de 500 a .C. Atribui-se sua autoria a HUANG DI (Imperador Amarelo), que é mais um título do que o nome de uma pessoa.

HUANG DI foi um dos três imperadores míticos da China. Os outros dois foram FU SHI , a quem se atribui a criação dos trigramas, a primeira escrita chinesa, e o " YI JING " (ou " I Ching " como é mais conhecido), e SHEN NONG , a quem se atribui o ensino da agricultura. São míticos porque não há registros históricos de sua passagem, apenas a tradição oral. HUANG DI teria sido o unificador da China e reinado de 2.690 A 2.590 a .C, aproximadamente.

O " HUANG DI NEI JING " é dividido em dois volumes: " SOU WEN " e " LING SHU ". O primeiro é referido como sendo o Livro das Patologias e o segundo como o Livro da Acupuntura. Portanto, podemos assegurar uma história escrita de pelo menos 2.500 anos à MTC. Se considerarmos verdadeira sua autoria, poderíamos ampliar isso para 4.500 anos. Hipócrates, chamado o Pai da Medicina (ocidental), viveu por volta de 500 a .C., o que justifica dizermos que o livro que trata de MTC ser a mais antiga obra de medicina (mesmo que oriental) ainda hoje em uso, pois toda a literatura a respeito faz referência ao " NEI JING ".

As escavações arqueológicas revelaram também a utilização de antigas agulhas de pedra, chamadas " bian ", depois substituídas por outras de bambu e espinhas de peixe, até chegar-se às metálicas.

Como foram descobertos os canais de energia ( tchi ) e os pontos pelos quais estes poderiam ser estimulados, ninguém sabe ao certo. Acreditamos que grandes mestres de Tchi Kun visualizaram estes canais e pontos. Da mesma forma que descobriram as propriedades energéticas das plantas.

No início a MTC chegou ao ocidente através das viagens à China por comerciantes e posteriormente pela imigração Chinesa. Mas o grande crescimento da MTC no ocidente se deu ao fato das imigrações orientais para o ocidente e por meio de um diplomata francês " Soulie de Mornat " que se encantou com a prática da acupuntura e tornou-se um estudioso sobre a prática. Quando voltou à França, tornou-se um divulgador desta prática.

No Brasil, a MTC foi trazida principalmente pela imigração japonesa que introduziu aqui o Shiatsu e a Acupuntura, há 100 anos. A fitoterapia chinesa e o tchi kun foi introduzidos posteriormente pela imigração chinesa. Mas estas técnicas só começaram a ser amplamente divulgadas após a criação do Instituto Brasileiro de Chi Kung.

ACUPUNTURA NA MEDICINA ESTÉTICA

Não é de hoje que as mulheres cuidam da pele para conservar a beleza. A prática tem dado tão certo que até os homens já admitem fazer o mesmo. Supermercados, farmácias e lojas de cosméticos estão repletos de opções, que chegam a confundir quem vai às compras em busca de juventude.

O rosto e o pescoço são os maiores alvos de preocupação das mulheres, cuja pele em geral tende a envelhecer mais rapidamente do que a dos homens, por ser mais fina. Com o tempo, acontece uma atrofia da derme, a camada mais profunda da pele, em função de alterações nas fibras do colágeno e na elastina, substância responsável pela saúde das fibras que garantem a elasticidade da pele. A microcirculação sangüínea também tende a diminuir e o tecido passa a não receber tantos nutrientes. A conseqüência são as rugas.

Mas não é só isso. A partir dos 30 anos, as células que colorem a superfície da pele, chamadas de melanócitos, diminuem de 10 a 20% a cada década. Com isso, os melanócitos que ficam se coram mais. Os raios solares nocivos aumentam o número dessas células de maneira errada, causando as manchas senis, outro sinal do envelhecimento cutâneo.

Felizmente, temos hoje um grande número de produtos que podem atenuar os efeitos do tempo sobre a pele, organizando o colágeno e ativando a circulação local. Vitaminas também têm sido muito utilizadas, não só por via oral, mas também topicamente, aumentando a penetração dos ingredientes ativos dos cremes de beleza.

Tradicionalmente reconhecida como especialidade médica no tratamento de dores crônicas, a acupuntura agora está ganhando espaço em outra área: a estética. Cada vez mais mulheres procuram especialistas para tratar celulite, gordura localizada, estrias, acne, rugas de expressão e outros incômodos que fazem toda a diferença na vaidade feminina.

Usar as agulhas da acupuntura em benefício da beleza não é uma técnica nova. Foi descoberta na década de 70 por um médico chinês durante o tratamento de um paciente com paralisia facial. O médico observou que o lado do rosto tratado com as agulhas ficou mais sedoso e mais macio que o lado não tratado. Foi assim que a técnica chinesa mais uma vez ganhou mais adeptos.

Tratamento estético costuma ser sinônimo de sofrimento. Vermelhidão e descamação da pele, impedimento da exposição ao sol, longos períodos de cicatrização e recuperação.

O que pouca gente sabe é que, para evitar o desconforto, existe uma opção eficaz, praticamente indolor e livre de efeitos colaterais. É a acupuntura estética.

Pode soar estranho para quem está acostumado a pensar em acupuntura como tratamento de dores e doenças. Mas o lado estético da técnica, apesar de não muito difundido no Brasil, é utilizado há bastante tempo.
O tratamento, indicado para rugas, flacidez, olheiras, celulites, gordura localizada, manchas e cicatrizes, é feito da mesma maneira que as sessões de acupuntura para doenças. Com agulhas ou com laser , o especialista estimula pontos de energia do corpo que não estão em harmonia. O laser ajuda também na reconstituição de tecidos danificados.
A principal diferença dos tratamentos comuns, além de não necessitar tempo de recuperação, é que a acupuntura considera o paciente como um todo. Os problemas estéticos normalmente têm ligação com o desequilíbrio da energia de órgãos internos.
As rugas, ligadas ao envelhecimento, podem ser sinal de desarmonia dos músculos da face. A acupuntura atua harmonizando essa musculatura, provoca renovação e retorno da elasticidade da pele. E isso sem contar no tratamento de gordura localizada, que pode substituir uma lipoescultura simples.

Menos invasiva que os tratamentos comuns, a acupuntura estética pode não ser tão eficaz. Sabe-se que a acupuntura tem seu limite de ação. Não tira rugas profundas, nem excessos de pele.

Na visão da medicina chinesa, qualquer alteração no organismo humano é vista como um desequilíbrio energético que aumenta a probabilidade de a pessoa desenvolver patologias que variam de dores crônicas à celulite. A acupuntura trata o conjunto do organismo.

Assim sendo deve-se também orientar o paciente sobre como deve limpar sempre o rosto mesmo se ele não usa maquiagem, fazer esfoliação para retirar a camada superficial da pele e acelerar a renovação celular, hidratar sempre a pele para manter a camada natural de proteção e um teor adequado de água na epiderme, cuidar bem do intestino, proteger-se dos raios ultravioleta, certamente os grandes responsáveis pelo envelhecimento cutâneo.

Referências Bibliográficas:

BRODSKY, G . - Do Jardim do Éden à Era de Aquárius – São Paulo: Ground, 6. ed. , 1994. 354 p.
LAO-TZU - Tao Te King - Texto e comentário Richard Wilhelm, Tradução: Margit Martincic - São Paulo: Pensamento, 1978. 206 p.
SUSSMAN, D.J. - Que é a Acupuntura? Cidade: editora? 1971. 272p.
XI WENBU - Tratado de Medicina Chinesa. Tradução: Ysao Yamamura. São Paulo: Roca, 1993. 691p.

Amauri de Andrade Júnior é farmacêutico, mestre e doutor em Farmácia Clínica , proprietário da CLINUPAR, empresa de Nutrição Parenteral, e professor do curso de Farmácia e Pós-Graduação em Farmacologia para Profissionais de Saúde das Faculdades Anglo-Americano, Unidade de Foz do Iguaçu.


 

O que são “medicamentos essenciais”?
Rodrigo Batista de Almeida

Se você tem, já teve ou, quem sabe, terá alguma dessas doenças bem comuns, essas que todo mundo tem, já teve ou terá (hipertensão arterial, diabetes, depressão, infecções bacterianas ou asma, por exemplo), é bom saber o que são os medicamentos essenciais, pois pode precisar deles. Calma, não precisa se assustar! Ninguém vai mexer no seu bolso. Pelo menos não diretamente, já que a conta é paga pelo governo, tanto federal, quanto estadual e municipal também, cada um com a sua parcela de obrigações. Mas afinal de contas, o que são os medicamentos essenciais? Como dizia Jack, o estripador, vamos por partes!

Tudo começou lá nos idos de 1975, com a Organização Mundial de Saúde (OMS), braço da Organização das Nações Unidas (ONU), estabelecendo que alguns medicamentos seriam indispensáveis, portanto essenciais, em um sistema de saúde pública, visando garantir tratamento farmacológico para a maioria das doenças, aquelas mais prevalentes, ou seja, as mais comuns em uma população. Quer dizer que nem todas as patologias são cobertas pelo conceito de medicamentos essenciais? Correto. Mas a idéia não é mesmo cobrir 100% das doenças possíveis e imagináveis em fazer vítimas em um país ou região. Entretanto, a grande vantagem do conceito de medicamentos essenciais, é fornecer subsídios para que um país, um estado ou um município elabore uma lista das doenças mais prevalentes (baseada em dados epidemiológicos, os quais são informações que retratam o perfil das doenças que acometem uma dada população – quais doenças, em qual época, qual o número de portadores, etc.) e, a partir do ranking das doenças, inicie a construção de uma lista com os medicamentos que conseguiriam tratar todos estes males.

Deste modo, fica claro que patologias mais raras, por exemplo, ficarão fora da lista, levando à não inclusão de medicamentos específicos para estas doenças. Mas e os acometidos por essas doenças mais raras, ficarão sem tratamento? Não. Apesar de a idéia da lista de medicamentos essenciais ser a de planejar as ações de aquisição, armazenamento, prescrição e dispensação apenas dos medicamentos que vão tratar a maior parte da população, para os casos que não encontrem o auxílio medicamentoso na lista, é indicado que o sistema possua uma forma alternativa de garantir a aquisição destes produtos, que como serão usados em casos esporádicos, configurando a exceção à regra, não irão desestabilizar a harmonia de um sistema bem planejado de Assistência Farmacêutica.

Como a questão foi levantada pela OMS, ela própria elaborou a sua primeira lista de medicamentos essenciais em 1977, a qual continha cerca de 200 medicamentos e foi indicada para ser utilizada como referência para os países membros criarem as suas próprias listas, baseadas na realidade epidemiológica local. A idéia pegou e na atualidade mais de cem países adotam esta prática.

O Brasil já havia organizado uma listagem com fármacos considerados indispensáveis à população em 1964, denominada Relação Básica e Prioritária de Produtos Biológicos e Materiais para Uso Farmacêutico Humano e Veterinário, tendo sido atualizada em 1972, 1975 (quando recebeu a denominação atual de Rename – Relação Nacional de Medicamentos Essenciais), 1989, 1993, 2000, 2002 e 2006, sua última versão, esta baseada na 14ª Lista-Modelo de Medicamentos Essenciais da OMS, de 2005.

Atualmente a Rename é revista e atualizada pela Comissão Técnica e Multidisciplinar de Atualização da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Comare), sob coordenação do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (DAF), da Secretaria de Ciência e Tecnologia de Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

Assim como cada país deve elencar os medicamentos que julgue ser os mais indispensáveis, utilizando a listagem da OMS apenas como ponto de partida, adequando-a à realidade epidemiológica local, como é o caso do Brasil com a elaboração da Rename, cada estado deve, utilizando agora a Rename como base, criar as suas próprias listas de medicamentos essenciais. Isso é muito lógico e pertinente se você imaginar que doenças que encontram milhares de vítimas no interior da selva amazônica, possam não atingir nem dez casos por ano na região sul do Brasil. Cada doença faz a sua história em uma região geográfica dependendo de diversos fatores, entre os quais se destacam clima, umidade relativa do ar, temperatura média anual, serviços de saneamento básico, hábitos alimentares da população, nível de escolaridade média, condições de moradia, atividades laborais, e por aí vai a enorme fila dos fatores que determinam quais doenças uma população terá o azar de ter que conviver.

Na mesma linha de raciocínio, é inadmissível que todos os municípios de um estado utilizem a mesma lista padronizada, já que não existe uma equalização epidemiológica entre municípios, apenas por fazerem parte de mesmo estado da federação. Vale, novamente, uma definição de quais os medicamentos serão os mais necessários para cada município, agora tomando como base a listagem estadual.

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o desenvolvimento de uma política integral de medicamentos essenciais requer compromisso político do governo e a alocação de recursos financeiros e de pessoal necessários para sua execução. Quanto aos recursos financeiros, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou a liberação de R$ 754 milhões para a aquisição de medicamentos da Atenção Básica, referentes à responsabilidade da União na garantia ao acesso aos medicamentos essenciais. Outros R$ 550 milhões deverão ser disponibilizados pelos estados e municípios, completando o orçamento específico para este produto terapêutico.

Entretanto, além da efetivação do investimento financeiro tripartite, para que ações como a construção de uma lista de medicamentos essenciais possam ser traduzidas em garantia de acesso a medicamentos, o profissional farmacêutico é imprescindível na gestão da Assistência Farmacêutica, no sentido de melhor planejar todas as ações, culminando com a máxima oferta de medicamentos ao maior número de indivíduos. Este é o ponto crucial, principalmente para municípios pequenos, em que muitos dos quais não contam com a ajuda profissional do farmacêutico.

Neste sentido, o Curso de Farmácia da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu, Paraná, envolve os alunos em diversas atividades práticas e teóricas relacionadas ao assunto. Disciplinas como Estágio de Vivência I (ambientada em unidades básicas de saúde), Saúde Pública e Farmacovigilância, bem como Assistência e Atenção Farmacêutica criam um fórum permanente de estudo, análise e discussão de propostas que garantem, ou tentam garantir, o acesso da população aos medicamentos essenciais, os quais devem ser eficazes, seguros e de qualidade, ao menor custo possível.

Um dos objetivos do nosso curso é criar recursos humanos com alto nível técnico, com espírito crítico, capazes de assumir a gestão da Assistência Farmacêutica nos mais variados municípios onde forem atuar. Esta é a nossa contribuição para a efetivação da Política Nacional de Medicamentos, colaborando para que cada vez mais um maior número de portadores das doenças mais prevalentes encontrem o auxílio medicamentoso tão útil na cura destes males ou, quando isto for impossível, na estabilização destas patologias, bem como na supressão ou minimização dos sintomas, tão incomodativos ao paciente.

Mesmo correndo o risco de ser considerado piegas, e talvez até sendo, tenho convicção em afirmar que, assim como existe o conceito de medicamento essencial, há o correlato para o profissional farmacêutico: o farmacêutico essencial, aquele que traria o auxílio para toda uma população, revertendo a situação caótica atual de falta de acesso a medicamentos úteis para as mais variadas finalidades.

Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde da Faculdade Anglo-Americano (unidade de Foz do Iguaçu, Paraná).


CONTRIBUIÇÕES E VIDA DE ADAM SMITH
(1723-1790)

- AS ORIGENS DA CIÊNCIA ECONÔMICA -

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador Geral
Faculdade Anglo-Americano – Foz do Iguaçu

O Reino Unido, do tempo de Adam Smith, vivia seu período de grande atividade marítima, que antecedeu a Revolução Industrial. Além disso, duas grandes revoluções, fruto do pensamento iluminista, tiveram lugar durante a vida de Smith: a Revolução Americana e a Revolução Francesa.

Conhecido por sua obra An Inquiry Into the Nature and Causes of the Wealth of Nations ("Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações"), de 1776, Adam Smith foi, na verdade, mais um filósofo social do que um economista. Quando se examina o contexto de seu pensamento, que inclui o seu The Theory of Moral Sentiments ("A teoria dos sentimentos morais"), de 1759, vê-se que sua obra-prima "A riqueza das nações" não é só um tratado de economia, mas, uma peça dentro de um sistema filosófico amplo que parte de uma teoria da natureza humana para uma concepção de organização política e de evolução histórica.

Adam Smith, filho de outro Adam Smith e sua segunda mulher, Margarete Douglas, foi batizado em 5 de junho de 1723, em Kirkcaldy, na Escócia. Seu pai era fiscal da alfândega e sua mãe era filha de um bem aquinhoado proprietário de terras. Viveu na capital escocesa, porém, depois de graduar-se, em 1740, Smith conseguiu uma bolsa para estudar em Oxford.

Devido às boas relações da família de sua mãe, abriu-se, para Smith, a oportunidade para uma ocupação provisória de conferencista público. As boas impressões causadas por suas conferências resultaram em sua nomeação, em 1751, na idade de 27 anos, a professor de lógica na Universidade de Glasgow.

Membro da faculdade, Smith entrou em um período de intensa atividade. Além de lecionar pela manhã, ocupava-se de assuntos acadêmicos e administrativos na parte da tarde, tudo isto combinado com uma também intensa vida intelectual. Ainda, foi eleito reitor, em 1758.

Entre seus amigos, além de nobres e intelectuais, existiam mercadores ocupados com o comércio colonial e que o colocavam a par dos movimentos de mercado com informações detalhadas que Smith apresentara em "A riqueza das nações".

Em 1759, publicou seu primeiro trabalho, já referido, "A teoria dos sentimentos morais", em que toma uma natureza humana imutável como base para as instituições sociais. Ela é dominada pelas paixões e os instintos de autopreservação e auto-interesse, porém, controlada por uma capacidade de simpatia e por uma presença interior que aprova ou desaprova as ações do indivíduo. Essa estrutura joga os homens uns contra os outros, mas lhes dá também a faculdade de criar instituições por meio das quais esse conflito é mitigado e transformado em bem social. Neste trabalho, já aparece o pensamento que "os homens, voltados para seus próprios interesses, são conduzidos por uma mão invisível e, sem saber e sem pretender isto, realizam o interesse da sociedade".

Smith renunciou à sua carreira, em 1763, e partiu para a França, no ano seguinte, como tutor. Lá permaneceu por 18 meses e, nesse período, iniciou os manuscritos do "A riqueza das nações". Após, retornou à Inglaterra.

Ao final de 1767, Smith voltou para Kirkcaldy, onde os seis anos seguintes foram gastos ditando e revisando o "A riqueza das nações", seguidos por uma estada de três anos em Londres, onde o livro foi concluído e publicado, em 1776. Apesar de não ter sido um sucesso popular imediato, o "A riqueza das nações" foi recebido com admiração pelo seu largo círculo de amigos e admiradores.

Em 17 de julho de 1790, na idade de 67 anos, cheio de honras e reconhecimento, Smith morreu. Foi enterrado em Canongate.

Smith nunca se casou e quase nada se sabe de sua vida pessoal. Pode-se, porém, resumir dizendo que Adam Smith foi o protótipo do filósofo iluminista: esperançoso, porém, realista; especulativo e ao mesmo tempo prático, sempre respeitador do passado clássico, mas, dedicado com afinco à grande descoberta de sua época, o progresso liberal.

Apesar de ser considerada a primeira grande obra de economia, na verdade, o livro "A riqueza das nações" é a continuação do primeiro, "A teoria dos sentimentos morais". A questão abordada no "A riqueza" é da luta entre as paixões e o "espectador imparcial", ao longo da evolução da sociedade humana. Adam Smith concebeu uma organização dinâmica da sociedade no sentido de sua evolução para um sempre maior bem-estar coletivo, uma linha de pensamento que evoluiu, no século XIX, para o utilitarismo. Ele concebeu como agente desse movimento a própria "natureza humana" levada por uma forte inclinação à troca comercial e pelo desejo de melhoramento próprio, porém, susceptível de ser guiada pelas faculdades da razão. O problema a que Smith se endereçava era o da luta interior entre a paixão e o "espectador imparcial" revelado no "A teoria dos sentimentos morais". Essa luta tem quatro estágios de organização da sociedade, nos quais a história de todos os povos se desdobraria, não houvesse guerras, escassez ou intervencionismo do governo. Eles são: o estágio original "rude", o estágio dos caçadores; o estágio de agricultura nômade, com a criação de rebanhos; o estágio de fazendas, do latifúndio ou feudal; e, o estágio de interdependência comercial, estágio final de perfeita liberdade em que atua a famosa "mão invisível", capaz de levar a ação ambiciosa e egoísta do homem a criar o bem-estar geral da comunidade. Isto porque, havendo liberdade, o lucro dependerá da livre concorrência em apresentar ao público aquilo que o público espera de melhor. Ou seja, só obterá lucro quem melhor servir à sociedade. Vencer a concorrência não requer apenas a venda pelo menor preço, mas também a criatividade, as invenções que aperfeiçoam os produtos, os serviços e as artes.

Karl Marx usou, de Smith, esses estágios. A diferença é que Marx, como economista revolucionário, atribui a evolução à luta de classes; enquanto Adam Smith a atribui à própria natureza humana, dirigida pelo desejo de progresso pessoal e pelo uso da razão na procura de melhoramentos.


OS GRANDES ECONOMISTAS  

Nos artigos das próximas semanas falarei sobre um punhado de homens que têm um curioso direito à fama. Segundo as regras dos livros de História de um colegial, estes homens nunca existiram: não comandaram exércitos, não enviaram homens para a morte, não construíram impérios e tiveram pouco a ver com os tipos de decisões que fazem a História. Alguns deles conseguiram um certo renome, mas nenhum se tornou herói nacional; outros poucos foram claramente ofendidos, mas nenhum foi apontado como criminoso nacional. No entanto, o que eles fizeram foi mais decisivo para a História do que muitas ações de estadistas que foram envoltos em cintilante glória, pois, na maioria das vezes, perturbaram muito mais do que o ir e vir de exércitos de uma fronteira para outra, e tiveram mais poderes para o bem e para o mal do que os éditos de reis e legisladores. Isso porque eles moldaram e agitaram as mentes dos homens.

E como quem consegue atingir a mente do homem detém um poder maior do que o da espada e o do cetro, estes homens moldaram e agitaram o mundo. Poucos deles nem sequer ergueram um dedo em ação; na maior parte, trabalharam como estudiosos – quietamente, desapercebidos e sem dar muita importância ao que o mundo tinha a dizer ao seu respeito. Mas, em seu rastro, deixaram impérios abalados e continentes arrasados; fortaleceram e solaparam regimes políticos; colocaram classes contra classes e até mesmo nações contra nações – não com intrigas maldosas, mas com o extraordinário poder de suas idéias.

Quem foram esses homens? Nós os conhecemos como Grandes Economistas. E é sobre suas idéias que irei “falar” em muitos dos próximos artigos.

 


AUDITORIA AMBIENTAL EM ORGANIZAÇÕES: CONCEITOS INICIAIS COM UMA VISÃO ECONÔMICA

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador Geral
Faculdade Anglo-Americano - Foz do Iguaçu

A auditoria ambiental é um fator importante para uma efetiva política de minimização dos impactos ambientais das empresas e de redução de seus índices de poluição. Sua execução é um critério essencial para que investidores e acionistas possam avaliar o passivo ambiental da empresa e fazer sua projeção para sua situação no longo prazo. Algumas empresas multinacionais estão adotando essa prática no Brasil, em decorrência da experiência desenvolvida nos Estados Unidos e na Europa, porém, a perspectiva é que a auditoria ambiental seja adotada rapidamente, notadamente junto às empresas que atuam em áreas densamente urbanizadas e com grande poder de mobilização política.

Embora a maioria das organizações veja a auditoria ambiental dentro de uma perspectiva de legalidade e de estreita abordagem técnica, buscando adequar seu processo produtivo ao exigido pela legislação, seu aspecto de utilização é bem amplo, pois, possibilita a preocupação pró-ativa de buscar alternativas melhores em relação a insumos e produtos que sejam menos agressivos ao meio ambiente. Seu objetivo principal de assegurar que o sistema operacional funcione dentro dos padrões estabelecidos permite a utilização de mecanismos para melhorar essa performance.

Nos países avançados, as auditorias ambientais devem obedecer aos seguintes princípios: garantir o cumprimento da legislação; definir as obrigações a serem cumpridas; acompanhar e controlar os custos do cumprimento das obrigações; definir as responsabilidades dos gerentes; e, verificar a situação ambiental no caso de fusões e aquisições.

Nesse sentido, a auditoria ambiental é uma atividade administrativa que compreende uma sistemática e documentada avaliação de como a organização se encontra em relação à questão ambiental. Essa auditoria, que deve ser realizada periodicamente, visa facilitar a atuação e o controle da gestão ambiental da empresa e assegurar que a planta industrial esteja dentro dos padrões de emissão exigida pela legislação ambiental. Entre as atividades que são usualmente auditadas incluem-se as seguintes: política, responsabilidade e organização das tarefas; planejamento, acompanhamento e relatório das ações; treinamento e conscientização do pessoal; relação externa com os órgãos públicos e comunidade; adequação aos padrões legais; planejamento de emergência funcionalidade; fontes de poluição e sua minimização; tratamento da poluição e acompanhamento das descargas; economia de recursos; manutenção adequada; e, uso do solo.

Embora possa haver procedimentos diferentes de empresa para empresa, a Câmara de Comércio Internacional (CCI), em 1999, adotou alguns passos básicos para a execução de auditorias ambientais na empresa, os quais dividem a auditoria em 3 partes básicas: atividades pré-auditoria; atividades de campo (a auditoria propriamente dita); e, atividades pós-auditoria.

Certamente, as condições ambientais são, destacadamente na atualidade, um fator-chave ao desenvolvimento econômico sustentável.

 


Transgênicos em Pauta

Fonte: Portal de Tecnologia, Ciências y Biologia (http://www.tcb.cl/)

Desde que surgiram, ou pelo menos, desde que chegou ao conhecimento do público comum, os Organismos Geneticamente Modificados ou OGMs têm sido sistematicamente objeto de polêmica. Tal fato pode ser explicado por se tratar de um conhecimento tecnológico muito recente e que, por isso, gera muitas dúvidas. Especialmente no que diz respeito aos OGMs usados na agricultura, discussões acirradas têm sido travadas devido aos diversos setores da sociedade influenciados pela nova tecnologia, mas principalmente agricultura, saúde e meio ambiente.

Para entender melhor esta problemática, a professora Eloíse Helena Rodrigues – Faculdade Anglo-Americano, Foz do Iguaçu –, mestre em Genética e Melhoramento pela Universidade Estadual de Maringá, organizou um seminário sobre organismos geneticamente modificados (OGMs) que ocorreu no dia 26 de junho (2007), tendo como participantes os alunos do quinto período do curso de Gestão Ambiental. O seminário também teve como colaborador o professor Leon Maximiliano Rodrigues – Faculdade Anglo-Americano, Foz do Iguaçu, mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O evento trouxe para debate os aspectos tecnológicos, econômicos, sociais, ambientais e de saúde associados aos OGMs. A interação desses diferentes enfoques, normalmente tratados independentemente, possibilitou uma visão abrangente da problemática.

O desenvolvimento do evento se deu na forma de debate, onde os participantes apresentaram suas opiniões, seguidos de comentários e questionamentos. Foram abordados assuntos como os impactos dos OGMs sobre a saúde humana e sobre o meio ambiente, temas mais conhecidos. Também foram discutidos problemas menos perceptíveis, mas importantes, como domínio de mercado e de tecnológia e impactos sociais da adoção da transgenia na agricultura.

Uma das principais conclusões resultantes do debate foi o fato dos OGMs constituírem uma tecnologia ainda em desenvolvimento e, consequentemente, qualquer conclusão sobre seus benefícios e malefícios torna-se prematura. Mesmo assim, foi consenso o fato da transgenia constituir uma tecnologia promissora e que deve continuar a ser estudada. Também foi unânime a idéia de que as principais incógnitas sobre os OGMs estão relacionadas ao uso da tecnologia na agricultura. Esse último tema foi o principal foco de polêmica durante o seminário, sendo o tema mais debatido. Esse aspecto reflete o interesse direto que o ser humano tem na produção de alimentos e a disputa, já conhecida através da mídia, entre multinacionais produtoras de sementes e agroquímicos e os ambientalistas.

Com relação aos riscos à saúde humana e ao meio ambiente, pouco se avançou na discussão devido à escassez de informações. No primeiro caso, os poucos exemplos de alergia ou reações adversas aos alimentos levantados pelos debatedores podem não representar necessariamente algum tipo de problema, já que diversos tipos de alimentos (não transgênicos) causam reações alérgicas, ou outro tipo de comprometimento da saúde humana, como por exemplo, o camarão, cereais com glutem, etc.

Por outro lado, com relação ao meio ambiente muito pouco se sabe para que se possa falar sobre um prognóstico do problema. De fato, testes para verificar os impactos da tecnologia nos ecossistemas exigiriam anos para que se pudesse avaliar, em longo prazo, os efeitos dos OGMs. Mesmo assim, em diversas outras áreas os OGMs já vêm sendo utilizados de forma controlada em laboratório, como para a produção de antibióticos. Portanto, se trata de uma tecnologia promissora e, como outras tecnologias, existem problemas associados, aos quais devemos estar atentos para viabilizar seu desenvolvimento de forma positiva.

Leon Maximiliano Rodrigues



A tributação brasileira: algumas considerações econômicas  
Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Talvez muitos nunca tenham somado todos os impostos (tributos) que recolheram, direta e indiretamente, aos cofres de sua cidade, Estado e país. Até porque a maior parte deles vem disfarçadamente embutido no preço final de produtos e serviços consumidos no seu dia-a-dia.

Mas, veja que já durante o século XVIII, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% da produção. Essa taxação altíssima, absurda, era chamada de "o quinto". Este imposto recaía, principalmente, sobre a produção de ouro. O quinto era tão odiado pelas pessoas que foi apelidado de "o quinto dos infernos".

Portugal quis, em determinado momento, cobrar os quintos atrasados de uma única vez no episódio conhecido como a derrama. Este ato revoltou a população do Brasil gerando a Inconfidência Mineira, que teve seu ponto culminante no enforcamento do líder Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes).

Essa história nos faz pensar no presente. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar, ao final deste ano, em 38% do PIB, praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Calcula-se que nossa capacidade tributária é de 24% do Produto Interno Bruto.

Hoje, a carga tributária é o dobro daquela época da inconfidência mineira, ou seja, pagamos hoje “dois quintos dos infernos”!

A carga tributária brasileira é a mais alta da América Latina, e um dos mais altos do mundo. Nos EUA a carga tributária efetiva representa aproximadamente 29% do PIB, mas, em contrapartida, a renda per capita é cinco vezes maior que a do Brasil. Enquanto que no Japão, a carga tributária é ainda menor, cerca de 27% do PIB, para uma respeitável renda per capita, também, de aproximadamente cinco vezes maior que a do Brasil.

Uma outra crítica que se faz ao atual sistema tributário brasileiro é que ele é injusto e não devolve aos cidadãos a adequada diversidade e qualidade de determinados serviços básicos garantidos em países com carga tributária semelhante.

Outro aspecto que espanta é o fato da carga tributária, tão criticada na Europa, em média, ser inferior à carga tributária brasileira. Analisando que o governo brasileiro continua batendo recordes de arrecadação, a carga brasileira é superior à carga dos seguintes países: Portugal (34%); Espanha (35,6%); Suíça (31,3%); Irlanda (28%); Reino Unido (35,9%); Islândia (36,7%); Holanda (39,3%); Alemanha (36,2%); República Tcheca (39,2%); Hungria (37,7%); República Eslovaca (33,8%); Polônia (34,3%); Grécia (34,8%); além das duas maiores economias do mundo, ou seja, Estados Unidos (28,9%) e Japão (27,3%).

Perde o Brasil, apenas para a França (44,2%), Itália (41,1 %), Áustria (44,1%), Bélgica (46,2%), Dinamarca (49,4%), Noruega (43,1%), Suécia (50,6%) e Finlândia (45,9%), países onde o cidadão, ao nascer, quase não mais precisa se preocupar com o futuro, visto que escola, saúde, seguridade, etc. são garantidos pelo Governo, principalmente nos países nórdicos.

Ainda, é importante destacar que o sistema tributário vigente no Brasil tem ênfase na tributação sobre o segmento de produção, vendas e consumo, além do segmento de renda, lucros e ganhos. Observa-se que, embora paguemos mais impostos proporcionais ao PIB do que os norte-americanos, quem paga o importo, no Brasil, não pode contar com as garantias elementares asseguradas por países desenvolvidos no campo da educação, saúde e previdência, para citar as mais essenciais. Será que para mudar precisamos encontrar um novo Tiradentes?

Início do segundo semestre de 2007

Cursos de Administração e Relações Internacionais

A Coordenação, os professores e os alunos dos Cursos de Administração e Relações Internacionais realizaram uma série de atividades acadêmicas, desde o dia 23/07/2007 (início do segundo semestre letivo do ano) até o dia 26/07/2007.

Foi realizada uma Palestra, no dia 23/07/2007, proferida pelo Coordenador dos Cursos (o Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos) sobre as atividades acadêmicas que serão desenvolvidas, ao longo do semestre 2007.2.

Também, o Prof. Msc. Kleber Vanolli falou, no dia 25/07/2007, sobre Gestão Social e Administração Moderna.

Todas as atividades foram realizadas no anfiteatro da Faculdade Anglo-Americano da cidade de Foz do Iguaçu e contaram com público de cerca de 100 alunos, por noite.

 


O Golpe do Remédio

Rodrigo Almeida

Fui surpreendido, há menos de um mês, por um trio de assaltantes em Buenos Aires, mais especificamente no La Boca, em frente ao La Bombonera, reduto do Boca Juniors. Para minha surpresa maior, a arma mais eficiente que utilizaram foi um cachorro que cravou seus caninos em minha perna, obrigando-me a entregar os meus pertences aos seus comparsas bípedes.

Outro crime, outra arma. Em Londrina, município do norte do Paraná, a arma alternativa utilizada por um criminoso nada se assemelha ao cão que me obrigou a me submeter ao esquema vacinal anti-rábico, mas apresenta a mesma eficiência em termos de coação. Trata-se de um medicamento ansiolítico/ hipnótico, administrado a inocentes idosos de um bairro da cidade. Fazendo-se passar por um agente comunitário de saúde em campanha, o larápio ganha a permissão de entrada nas moradias juntamente com a confiança dos bons velhinhos. A partir deste momento, com o fundamental auxílio da sua arma-medicamento, consegue provocar um variado estado de entorpecimento nas vítimas que os mesmos entram em um sono profundo. Nesse meio tempo, o marginal vasculha a residência, levando consigo dinheiro, além de objetos de valor. Uma simples pílula transformada em uma arma! Vítimas, que se somam às dezenas, auxiliaram as autoridades policiais a montar um retrato falado. Uma delas, porém, não pode contribuir, pois o efeito do medicamento levou-a a óbito.
Mais um problema envolvendo violência, vítimas e roubo tendo como pano de fundo uma cidade de porte médio a grande. Entretanto, algumas considerações são pertinentes, principalmente a facilidade com que marginais adentram residências, o acesso aos medicamentos “controlados”, que deveria ser restrito aos legítimos usuários e à confiança tão rapidamente depositada por pessoas da terceira idade.

Com a única alegação de ser funcionário de empresas de eletricidade, de telefonia, de saneamento, ou, neste caso particular, de unidades básicas de saúde, uma parcela considerável de residências abre as suas portas sem a devida verificação da autenticidade das informações, ou dos motivos apresentadas pelo suposto trabalhador “em exercício”. Este panorama facilita o furto de objetos e dinheiro, que seria, talvez, ironicamente, utilizado para a aquisição de medicamentos, tão necessários nesta fase da vida para tentar um retorno, por mais que passageiro ou parcial, a condições prévias de saúde. Para esta faixa etária, o acesso aos medicamentos normalmente já é dificultado pelo aumento na necessidade destes produtos de saúde, utilizados no manejo de diversas condições patológicas típicas da senilidade. Em 2001, nos Estados Unidos, quase um em cada quatro idosos relatou ter saltado doses ou ter deixado de adquirir medicamentos prescritos por causa do custo. No Brasil, a situação deve seguir a mesma tendência, provavelmente de forma mais incisiva.

Um outro ponto é o “estado de velhice”, situação mal compreendida por muitos e, que pode vir acompanhada de um sentimento de tristeza e solidão, salientado pelo acúmulo de perdas, como a vitalidade, o ofício, o cônjuge. Para estas pessoas (14,5 milhões apenas no Brasil, correspondendo a 9% da população), a proposta de uma companhia, mesmo que fortuita, mesmo que efêmera, já é demasiada encantadora para levantar suspeita.

Finalmente, em relação aos medicamentos, a atenção especial que se deve ter neste caso reside no fato de que estes medicamentos utilizados na prática delituosa são sujeitos a controle especial, ou seja, medicamentos nos quais todos os aspectos relacionados com a prescrição, guarda e, principalmente, a distribuição ao consumidor obedece a “rígidos” mecanismos de controle, no qual cada uma destas etapas são registradas por documentos balizando tais práticas. É de conhecimento de todos os envolvidos com o medicamento, tanto os de forma direta, profissionais prescritores (médico, médico veterinário e cirurgião dentista), profissionais que administram os medicamentos (enfermeiros) e os que os dispensam ao usuário (farmacêutico), quanto os de forma indireta (outros profissionais de saúde), que não há um controle efetivo capaz de restringir o acesso aos medicamentos entorpecentes ou psicotrópicos aos cidadãos comuns.
Este é um dos motivos que levou a ANVISA a criar o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), programa informatizado de controle de medicamentos relacionados na portaria 344 (do Ministério da Saúde, de 1998, que regula os vários aspectos relacionados à prescrição, armazenamento e dispensação dos medicamentos ditos entorpecentes e psicotrópicos). O prazo para a implantação obrigatória nas drogarias e farmácias finda em outubro deste ano e espera-se resolver, ou melhor, contribuir para o efetivo cumprimento da portaria 344.

Caso esta medida seja efetiva, situações como a descrita, na qual é evidente o uso irracional de um fármaco, poderão ser evitadas, ou dificultadas.

Tal qual vale a máxima que aconselha uma criança a nunca aceitar doces de um desconhecido e um adulto a não aceitar bebida de estranhos em uma festa, vale advertir igualmente os idosos a não aceitarem medicamentos de ninguém, sob risco de perder dinheiro, produtos ou sofrer efeitos nocivos, até mesmo fatais, oriundos da utilização criminosa e irresponsável de um medicamento.

Assim como fui coagido pela arma-cão, numerosos idosos estão sendo vitimados em Londrina, sob o efeito da arma-remédio, pela qual podem adquirir danos irreparáveis, até mesmo permanentes.

Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas e coordena o Curso de Farmácia e o Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde da Faculdade Anglo-Americano de Foz do Iguaçu

 

 


TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL: UMA VISÃO A PARTIR DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Retomemos um tema já iniciado em Artigo anterior.

A reconstrução e o crescimento, desde 1945, foram desiguais nas várias partes do mundo. Durante a Segunda Guerra Mundial os únicos países que tiveram um aumento substancial na sua produção foram os Estados Unidos, a Austrália e a África do Sul, além dos países que não guerrearam. Tal como em 1918, a recuperação das economias européias dependeu das decisões políticas dos aliados vitoriosos. O programa de empréstimos por parte dos Estados Unidos iniciou um novo programa de crédito e assistência externa direcionados à Grã-Bretanha, inicialmente, e logo depois, estabelecendo o Plano Marshall, em 1947, com a ajuda financeira se estendendo pelo resto da Europa (inclusive com ajuda à Alemanha derrotada).

Em 1950, a Inglaterra já tinha se recuperado do choque financeiro. A França precisou suprir a base tecnológica para o crescimento econômico. A partir de metade da década de 1950, a Europa não era mais uma convalescente e as nações européias pareceram ter aprendido o segredo da prosperidade e da realização.

A explicação para este fato pode ser visto de duas maneiras: a primeira sustenta que teria se encontrado o início de uma tendência de longo prazo; a segunda adota a postura cíclica, isto é, afirma que após a guerra teria havido um acúmulo de necessidades não satisfeitas, razão pela qual houve um fluxo de demanda importante. Associado a esta explicação, está a do lado da oferta, especialmente, nos fluxos de mão-de-obra proporcionados pelas correntes migratórias. Aliado a este fator, aponta-se à importância da cooperação e integração econômicas que tiveram como resultado a criação do FMI e do BIRD. Sob eles teriam se dado início ao processo de estabilização das paridades cambiais e à diminuição das barreiras comerciais. Além disso, criou-se a Organização para a Cooperação Econômica Européia, com a finalidade de diminuir as restrições ao fluxo de mercadorias entre os países membros. Os objetivos dessas medidas eram incentivar o livre comércio com tarifas igualitárias para todos os países (apesar da diferença posterior de taxas de crescimento entre os países membros).

O desenvolvimento, nessa época, pode ser explicado por: fontes educacionais e científicas de novos conhecimentos, as aplicações econômicas destes conhecimentos, a qualidade dos agentes envolvidos, os arranjos institucionais e as decisões empresariais. Estão no cerne do desenvolvimento econômico moderno fatores tais como: aumento do conhecimento técnico; o espírito de cooperação internacional; o aumento dos conhecimentos econômicos; e o compromisso com a mudança. Este último é crucial no sentido de implicar uma revolução das expectativas e dos valores.

Também, é importante destacar o papel empreendido pelas multinacionais (com sede nos Estados Unidos, Japão e principais países europeus) no processo de expansão da indústria aos países do hemisfério sul (tais como o Brasil). Esses movimentos se intensificaram, sobretudo, na segunda metade do século XX.

A Revolução Industrial e o subseqüente casamento da ciência com a tecnologia constituíram o clímax de milênios de avanço intelectual. Foram também um enorme esforço a favor do bem e do mal, e houve momentos em que o mal suplantou amplamente o bem. Mesmo assim, a marcha do conhecimento e da técnica continua e, com ela, a luta social e moral. Mas, isso será motivo de outros artigos.

 


A EDUCAÇÃO EM SAÚDE


João Ruaro

Atualmente, o panorama da educação brasileira configura-se em um cenário de metamorfose, com o governo federal investindo e instituindo índices de avaliação, como, por exemplo, o IDEB, Prova Brasil, ENEM, ENADE, dentre outros. Sem dúvida, a melhor forma de saber como está a realidade da educação é através da mensuração da qualidade das instituições de ensino, desde a educação infantil até o superior.

Sobre a formação dos profissionais da saúde, é necessário salientar que a boa formação desse indivíduo é fundamental. Essa formação adequada passa pela educação superior. Assim, é preciso a análise de indicadores consistentes a fim de obter uma visão racional da evolução dos cursos de graduação nessa área.
Os cursos de graduação em saúde hoje são os seguintes: Biologia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional. Ou seja, 14 áreas distintas que visam prevenir, promover e recuperar a saúde do indivíduo.

Dados estatísticos mostram algumas curiosidades, que foram apresentadas pela publicação conjunta dos Ministérios da Educação e da Saúde “A trajetória dos cursos de graduação na saúde”, exibindo dados entre 1991 a 2004.

Enquanto a população brasileira cresceu em torno de 25% nesse período, o crescimento dos cursos de graduação em saúde foi vertiginoso. A média ficou em 268,8%, indo desde a medicina (que cresceu 70%), passando pela odontologia (109,6%), farmácia (383,7%), fisioterapia (606,3%), até a biomedicina (671,4%), considerados, nesse caso, apenas os dados de 2000 a 2004.

Isto nos mostra duas realidades distintas: que o acesso ao ensino superior ficou facilitado, devido à maior oferta, o que é uma ótima notícia.

Contudo, o crescimento desenfreado pode se traduzir em pouca preocupação com a qualidade, o que é uma péssima notícia.

Com relação à categoria administrativa, os números também impressionam. As Instituições privadas representam (em dados oficiais de 2005), 89,3% do total de 2165 Instituições de Ensino Superior (IES). E 50% das suas vagas tendem a ficar ociosas.

Já as Instituições públicas representam apenas 10,7%.

Desse total, 8,1% das IES são Universidades. Os demais 91,9% são Faculdades ou Centros Universitários.

A interpretação destes dados leva à conclusão que, nesse período de explosão no ensino superior, principalmente no setor privado, um crescimento econômico na renda per capita média seria necessário para a ocupação dessas carteiras ociosas, visando qualificação profissional da população.

Se houver comparações com modelos educacionais que deram certo, como o da Coréia do Sul, pode-se classificar o sistema educacional brasileiro como fracassado. Porém, deve-se levar em consideração que, além do longo período de implantação, em todos os sistemas educacionais que obtiveram sucesso, observa- se um item em comum: eles levaram em consideração a realidade local. Assim sendo, se a metamorfose brasileira tivesse se iniciado há 15 ou 20 anos, sem dúvida a realidade seria outra. Sem copiar modelos ou estigmatizar paradigmas, o modelo educacional brasileiro deve ser proposto e implantado por educadores brasileiros.

Neste sentido, MEC, Inep e Ministério da Saúde dão bons exemplos em capacitar coordenadores de curso, com o objetivo de disseminar informações e novas orientações da educação em saúde em suas Instituições de origem.

Desta forma, os índices avaliativos já citados (ENEM, ENADE) devem ser consolidados no país e melhorados, pois, como as avaliações tão temidas pelos alunos não são a melhor forma de aferir o conhecimento, ninguém ainda conseguiu descobrir uma forma melhor de fazê-la.

 

João Ruaro é Mestre em Engenharia Biomédica, Coordenador do Curso de Bacharelado de Fisioterapia e Coordenador da Pós-Graduação em Anatomia e Fisiologia Humana da Faculdade Anglo-Americano de Foz do Iguaçu.

 


ÁGUA, O FIM DA ERA DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS E A ECONOMIA  


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Recentemente estive em uma Palestra (com o professor José Walter B. Vidal) sobre Água e soberania. Nela foi possível entender um pouco mais como vive a humanidade nesse fim da era (que vem durando 200 anos) de uso extensivo de combustíveis fósseis, como por exemplo: carvão mineral e petróleo (que levam eras geológicas para se formarem). Vi explicações de que nações hegemônicas, situadas em regiões temperadas e frias do planeta, pobres em energias renováveis e limpas, impuseram ao mundo as formas “fósseis”, armazenadas em campos de petróleo, como uma das principais fontes de energia.

Vi, também, que as grandes guerras sempre tiveram causas remotas e imediatas, tais como desavenças e necessidade de poder. Ainda, ocorrem guerras de conquistas e de expansão das fronteiras. Logo, guerra tem tido (ao longo da história) a razão de “mais terra”. O alvorecer do novo milênio pode trazer uma mudança radical no próprio paradigma da guerra, porque água tende a ser um recurso ainda mais escasso que a terra, se não for manejada adequadamente. Como se briga hoje por petróleo, por mais espaço de terra, ou qualquer outro motivo, pode-se brigar por água. É importante destacar, aqui, que a guerra (na maioria das vezes) é comercial e ocorre quando um recurso necessário se torna escasso, passando a ser motivo de divergências, e a ambição pela sua posse ou domínio, motivo suficiente para movimentar as forças persuasivas, desde o domínio econômico, por meio de trocas comerciais, até o uso da força, para atingir o objetivo ambicionado.

Foi debatido na Palestra que o crescente consumo de petróleo no mundo vem exaurindo as reservas existentes. A situação de países importantes no poder mundial é desesperadora devido às imensas necessidades de combustíveis fósseis para suas economias. Só os Estados Unidos, com apenas 6% da população mundial, consomem 25% da energia disponível no mundo. Estima-se que de seu volume original, de cerca de 190 bilhões de barris de petróleo, restam, hoje, menos de 20 bilhões, o que daria para pouco mais de três anos de consumo “normal”!

Tensões internacionais indicam aumento de conflitos em torno da questão do petróleo. Potências nucleares que dele dependem em suas economias irão intensificar o aumento do controle de acesso garantido ao combustível, no Oriente Médio e em outras partes. A perspectiva de garantir formas “diferentes” aos derivados do petróleo – como o etanol e o biodiesel – é alternativa para os grandes consumidores, como o Japão.

Apesar do tremendo esforço realizado por países como a Alemanha, que interrompeu seu programa nuclear que já abastecia 30% de sua energia elétrica e tornou-se a principal potência mundial em energia eólica, a questão mundial realmente crítica é a relacionada aos combustíveis líquidos, somente equacionados pelas regiões tropicais.

Por outro lado, a sangrenta disputa entre palestinos e israelenses, que há anos divide e incendeia o Oriente Médio, não se dá só por questões territoriais. O verdadeiro motivo escorre sob o solo crestado da Terra Santa, alheio às fronteiras políticas ou militares fincadas na superfície: são milhões de litros de água potável, divididos em três grandes aqüíferos, que garantem a continuidade da vida na região. O controle dessa reserva estratégica, por parte de Israel (que, em tese, detém 83% do volume, embora na prática esse índice pareça maior), seja por acordos diplomáticos como os de Oslo, seja pela ocupação militar, cristalizou o domínio sobre o destino de grande parte da população dos territórios árabes, denominado de: o ouro azul que divide o Oriente Médio.

Nessas circunstâncias, a única alternativa mundial é a energia renovável e limpa. Nesse contexto, o Brasil desponta como grande fornecedor (único dos trópicos com a maior proporção de água doce, essencial na formação dos hidratos de carbono pela fotossíntese das plantas). À medida que o Brasil oferece vantagens comparativas excepcionais na produção desses combustíveis renováveis e limpos, sua economia tem de preparar-se para desempenhar crucial papel no futuro energético do mundo.

Aqui, é importante lembrarmos que cerca de 97% de toda a água da terra está nos oceanos, que cobrem 70% da superfície do planeta. Somente 3% da água existente é água doce. Dessa água doce, 75% estão imobilizados nas capas ou calotas polares e 25% constituem as águas subterrâneas e somente 0,5% estão nos rios, lagos e na atmosfera. Nesse contexto, o Brasil possui 13,7% de toda a água doce do planeta!

Na atualidade, o Brasil também produz álcool etílico, sem qualquer subsídio, pela metade do preço do segundo produtor, os Estados Unidos. Esse país, por isso, impõe um subsídio de 100% sobre o seu álcool obtido a partir do milho, o que desmoraliza qualquer falaciosa propaganda de livre-mercado, sempre alardeado pelos norte-americanos.

A limitação dos recursos naturais para o crescimento econômico é preocupação do homem há séculos. Por exemplo, uma corrente econômica clássica de pensamento propõe que a existência da escassez absoluta dos recursos naturais pode limitar o desenvolvimento econômico das sociedades. A visão é que a disponibilidade de recursos representa uma séria limitação ao crescimento econômico, dada sua escassez frente à demanda requerida.

Dentro do contexto exposto, pode-se concluir que a água, seu bom tratamento e o aumento da importância das economias dos países que detém suas reservas deve ser tema central nas discussões da atualidade.


PLANEJAMENTO, GESTÃO E AUDITORIA AMBIENTAL EM ORGANIZAÇÕES: UMA VISÃO HISTÓRICA


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

As organizações interessadas em equacionar seu envolvimento com a questão ambiental necessitam incorporar em seu planejamento estratégico e operacional um adequado programa de gestão ambiental que possa compatibilizar os objetivos ambientais com os demais objetivos da organização (tais como o econômico e o financeiro, por exemplo).

Os programas de gestão ambiental estabelecem as atividades a serem desenvolvidas, as seqüências entre elas, bem como quem são os responsáveis pela sua execução. Normalmente, devem abranger os aspectos ambientais mais importantes e buscar uma melhoria contínua, ampliando seu escopo de atuação com o passar do tempo. Devem possuir dinamismo e flexibilidade suficientes para se adaptar a mudanças que podem ocorrer tanto no seu ambiente imediato quanto no seu ambiente futuro.

Existem várias propostas para o estabelecimento de um programa de gestão ambiental, dentre as quais citaremos algumas.

a - A primeira delas foi o Sistema Integrado de Gestão Ambiental, conhecido por modelo Winter, desenvolvido a partir de 1972 pela empresa Ernst Winter & Sohn Backer, com sede em Hamburgo e Norderstedt na Alemanha. A empresa tornou pública oficialmente a proteção do meio ambiente como um de seus objetivos. A partir daí ela passou a desenvolver uma série de atividades até chegar ao Sistema Integrado de Gestão Ambiental, que incorpora a questão ambiental em todos os setores da empresa, desde a política de programação até a área de P&D, da gestão de materiais até a produção e reciclagem, da construção de instalações industriais até o equipamento e seleção dos veículos da empresa, desde a formação de aprendizes até o treinamento e atualização dos empregados. Segundo enfatiza Winter, as atividades ambientais são parte integrante dos objetivos da empresa, o que significava que concomitantemente à atenção que a empresa dedica ao ambiente e à satisfação de seus recursos humanos, devem produzir mercadorias e serviços de alta qualidade de modo a atingir um resultado que justifique o investimento feito e coloque a empresa e os empregos que garante em bases seguras. Uma gestão ambiental sistemática não é algo que possa ser introduzido de imediato. Exige planificação, o estabelecimento de etapas, seqüências e vigor na sua implementação. Neste sentido, devem ser considerados os aspectos econômicos, a tecnologia utilizada, o processo produtivo, a organização, a cultura da empresa e seus recursos humanos. O modelo Winter, que pode ser implantado em qualquer empresa independentemente de seu esquema organizacional, procura descrever o Sistema Integrado de Gestão Ambiental por meio do estabelecimento de 20 módulos integrados, que têm por objetivo facilitar a sua implantação, a definição das prioridades e o respectivo cronograma de atuação;

b - Posteriormente (1995), Backer propôs planos de ação que devem ser estabelecidos em sintonia com o que denomina Estratégia Ecológica da Empresa. A Estratégia Ecológica deve partir de um diagnóstico inicial e, sobretudo, da análise do fator ambiental dentro da estratégia global da organização. Isso possibilitará quantificar o esforço necessário a ser desenvolvido na gestão ambiental e permitirá identificar as prioridades que deverão ser desenvolvidas nas diferentes unidades organizacionais. O diagnóstico global que permite identificar o papel da questão ambiental dentro da organização resume-se na análise de 6 tabelas que incluem: o peso ecológico na estratégia empresarial; a estratégia de comunicação e de marketing em relação ao meio ambiente; a estratégia de produção em matéria de meio ambiente; a estratégia de recursos humanos em questões ambientais; as estratégias jurídicas e financeiras em ralação ao meio ambiente; a estratégia de P&D relativa à questão ambiental;

c - No Brasil, a Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química propõe aos seus associados o Programa Atuação Responsável. Este programa é a versão brasileira do “Responsible Care Program”, desenvolvido pela Canadian Chemical Producers Association (CCPA) que foi implantada em diversos países a partir de 1985 e se encontra atualmente em mais de 40 países com indústrias químicas em operação. O “Responsible Care” que se propõe a ser um instrumento eficaz para o direcionamento do gerenciamento ambiental, além de preocupar-se com a questão ambiental de cada empresa, inclui recomendações para a segurança das instalações, processos e produtos e questões relativas à saúde e segurança dos trabalhadores, bem como relativas ao diálogo com a comunidade. O modelo proposto tem flexibilidade para se ajustar à situação específica que vive cada empresa, sem perder a característica de ser um Programa voltado para toda a indústria, onde quer que ela se localize. Tem como premissa básica o diálogo e a melhoria contínua que permitem o engajamento crescente da organização na questão ambiental. No Brasil, a adesão ao Atuação Responsável foi obrigatório em 1998;

d - A partir de 1996, a maneira mais adequada de estabelecer um programa de gestão ambiental para a empresa é obedecer às Normas ISO 14001 e 14004, da ABNT, que especificam diretrizes para o Sistema de Gestão Ambiental (SGA).
É fácil compreender a importância da auditoria ambiental para as organizações (e para toda a sociedade). Mas, devido as suas características complexas (e com destaque aos determinantes específicos das normas ISO série 14000), deixaremos para próximos artigos a continuação dessa empolgante conversa.


Em Londres, uma universidade multicultural
Paulo Alonso

Londres é uma das mais fascinantes, agitadas, dinâmicas, animadas e feéricas cidades da Europa Ocidental. Uma capital sedutora e repleta de atrações culturais. Cinemas, shows e peças teatrais são oferecidos nos seus quatro cantos, levando entretenimento a todos os que desejam adquirir mais conhecimento, uma melhor formação e muita informação. E é justamente na Corte de Saint James que se destaca a Universidade de Londres Leste, situada em Longbridge Road, bem no coração de Londres. Trata-se de uma universidade moderna, multicultural e equipada com a mais alta tecnologia. São mais de 18 mil alunos matriculados oriundos de mais de cem países. Muitos brasileiros fazem parte do seu corpo discente. Os interessados que queiram conhecer mais sobre as atividades desenvolvidas, podem, inclusive, fazer consultas ou pedidos de inscrição em língua portuguesa, pelo seu site. E para melhor divulgar os seus numerosos cursos de graduação ou os seus 250 cursos de pós-graduação lato e stricto sensu, a universidade resolveu investir em uma campanha de marketing arrojada e muito bem produzida. Além dos folhetos, portal e anúncios em mídia impressa, a instituição está fazendo veicular nas estações de metrô de Bond Street, Marble Arch, Westminster, Victoria Station e Oxford Circus, dentre outras, os seus produtos. Ao lado dos mapas indicativos das várias linhas do underground, podem ser visualizadas as fortalezas da universidade. Uma bela estratégia de marketing institucional.

E para dar à comunidade acadêmica as informações necessárias à sua formação, a instituição implantou em cada um de seus campi uma biblioteca, igualmente moderna e bem equipada, contendo em todas elas livros, periódicos nacionais e estrangeiros e materiais de estudo referentes aos cursos ministrados no campus onde está situada. Há salas reservadas aos estudantes que desejam estudar individualmente, internet para pesquisas e ainda um sistema de informação que abriga todo o seu acervo, além de bibliotecários que dão suporte aos trabalhos ali realizados. A informática é uma outra ferramenta imprescindível, nos dias atuais. E para atrair cada vez mais estudantes, a universidade criou um programa de capacitação e treinamento para os alunos. Grande parte dos programas da Universidade de Londres Leste é transmitido com a ajuda da informática. O objetivo é justamente o de ajudar a todos os discentes a aperfeiçoar os seus conhecimentos e a sua experiência neste ramo da informação. O Docklands Campus, o mais novo da universidade, encontra-se nas docas de Londres. Trata-se de um moderníssimo centro de programas especializados em artes, comunicação e estudos culturais, dotados de ateliês e estúdios e oficinas de última geração. Mas não são somente as atividades acadêmicas que se destacam na universidade. Em cada um dos seus campi são oferecidas práticas de desporto e de cultura física. Futebol, basquetebol, equitação, tênis, hóquei de campo e jujitsu são algumas das modalidades oferecidas. E para atrair mais alunos, a universidade investiu na construção de 1500 estúdios para estudantes, alguns dos quais nas residências universitárias, outros fora dos campi, como, por exemplo, em apartamentos e casa partilhadas.

A Universidade de Londres Leste é reconhecida por sua liderança na área de pesquisa acadêmica e está entre as 10 melhores universidades modernas que foram fundadas a partir de 1992. Ela possui uma excelente reputação na área de ensino e, atualmente, atingiu uma pontuação de 22 num total de 24 na sua Escola de Negócios, de acordo com o National Higher Education Quality Assurance Agency.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano.


Eduardo Campos, coragem para mudar
Paulo Alonso

Londres é uma das mais fascinantes, agitadas, dinâmicas, animadas e feéricas cidades da Europa Ocidental. Uma capital sedutora e repleta de atrações culturais. Cinemas, shows e peças teatrais são oferecidos nos seus quatro cantos, levando entretenimento a todos os que desejam adquirir mais conhecimento, uma melhor formação e muita informação. E é justamente na Corte de Saint James que se destaca a Universidade de Londres Leste, situada em Longbridge Road, bem no coração de Londres. Trata-se de uma universidade moderna, multicultural e equipada com a mais alta tecnologia. São mais de 18 mil alunos matriculados oriundos de mais de cem países. Muitos brasileiros fazem parte do seu corpo discente. Os interessados que queiram conhecer mais sobre as atividades desenvolvidas, podem, inclusive, fazer consultas ou pedidos de inscrição em língua portuguesa, pelo seu site. E para melhor divulgar os seus numerosos cursos de graduação ou os seus 250 cursos de pós-graduação lato e stricto sensu, a universidade resolveu investir em uma campanha de marketing arrojada e muito bem produzida. Além dos folhetos, portal e anúncios em mídia impressa, a instituição está fazendo veicular nas estações de metrô de Bond Street, Marble Arch, Westminster, Victoria Station e Oxford Circus, dentre outras, os seus produtos. Ao lado dos mapas indicativos das várias linhas do underground, podem ser visualizadas as fortalezas da universidade. Uma bela estratégia de marketing institucional.

E para dar à comunidade acadêmica as informações necessárias à sua formação, a instituição implantou em cada um de seus campi uma biblioteca, igualmente moderna e bem equipada, contendo em todas elas livros, periódicos nacionais e estrangeiros e materiais de estudo referentes aos cursos ministrados no campus onde está situada. Há salas reservadas aos estudantes que desejam estudar individualmente, internet para pesquisas e ainda um sistema de informação que abriga todo o seu acervo, além de bibliotecários que dão suporte aos trabalhos ali realizados. A informática é uma outra ferramenta imprescindível, nos dias atuais. E para atrair cada vez mais estudantes, a universidade criou um programa de capacitação e treinamento para os alunos. Grande parte dos programas da Universidade de Londres Leste é transmitido com a ajuda da informática. O objetivo é justamente o de ajudar a todos os discentes a aperfeiçoar os seus conhecimentos e a sua experiência neste ramo da informação. O Docklands Campus, o mais novo da universidade, encontra-se nas docas de Londres. Trata-se de um moderníssimo centro de programas especializados em artes, comunicação e estudos culturais, dotados de ateliês e estúdios e oficinas de última geração. Mas não são somente as atividades acadêmicas que se destacam na universidade. Em cada um dos seus campi são oferecidas práticas de desporto e de cultura física. Futebol, basquetebol, equitação, tênis, hóquei de campo e jujitsu são algumas das modalidades oferecidas. E para atrair mais alunos, a universidade investiu na construção de 1500 estúdios para estudantes, alguns dos quais nas residências universitárias, outros fora dos campi, como, por exemplo, em apartamentos e casa partilhadas.

A Universidade de Londres Leste é reconhecida por sua liderança na área de pesquisa acadêmica e está entre as 10 melhores universidades modernas que foram fundadas a partir de 1992. Ela possui uma excelente reputação na área de ensino e, atualmente, atingiu uma pontuação de 22 num total de 24 na sua Escola de Negócios, de acordo com o National Higher Education Quality Assurance Agency.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano.


Eduardo Campos, coragem para mudar

Paulo Alonso

Eduardo Campos é um político moderno, empreendedor, jovem, responsável e dinâmico. Ele não quer permanecer sendo conhecido apenas como o herdeiro político de seu avô, o lendário Miguel Arraes, mas quer provar que o seu talento e inteligência estão efetivamente a serviço da gente de Pernambuco.
Campos assumiu esse compromisso durante sua campanha ao Governo do Estado e dele não tem se afastado em qualquer momento de sua vida pública. Em sua sala de despachos do Palácio do Campo das Princesas, vive uma rotina intensa, buscando soluções para os vários problemas que precisa superar, para, dessa forma, proporcionar uma vida mais digna aos seus fiéis eleitores e ainda atingir suas metas à frente do Governo do Estado. Experiência, vontade política, habilidade, paciência e obstinação não lhe faltam. O que Campos quer, e certamente conseguirá, é, ao final de seu mandato, deixar gravado o seu nome e suas realizações na memória e na História desse tão importante Estado da Federação. Afinal de contas, foi eleito com 65,36% dos votos válidos, algo em torno de 2,6 milhões de votos. Por essa razão, precisa prestar contas do seu trabalho a esse formidável contingente de pessoas que lhe confiaram à liderança do Poder Executivo.

Nascido em Recife, Eduardo Campos, tratado pelos amigos e parentes como Dudu, começou sua militância política como presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Economia, da Universidade Federal de Pernambuco, nos anos 80. De lá para cá, jamais se ausentou da vida pública, tendo assumido o seu primeiro cargo público, como chefe de gabinete, no segundo governo de Arraes, em 1987, quando começou a ser considerado o herdeiro de um dos mais importantes políticos brasileiros. Três anos mais tarde, ingressou no PSB, sendo eleito deputado estadual. Deixou a Assembléia Legislativa para se eleger deputado federal em 1994. No terceiro governo de Miguel Arraes (1995), ocupou a Secretaria de Governo e, depois, a da Fazenda, já em 1996.
Foi reeleito deputado federal por mais duas vezes (1998 e 2002). Na Câmara dos Deputados, Eduardo Campos se destacou como um dos articuladores do apoio dos deputados ao governo do presidente Lula. Sua atuação lhe valeu um convite para ser ministro, em 2003, de Ciência e Tecnologia, cargo que ocupou até julho de 2005. Pela sua proximidade com Lula, Campos terá mais facilidade de implementar seus projetos, com apoio do governo federal, o que redundará em benefício para o próprio Estado.

Além da grande capacidade de articulação política e da inteligência viva e lúcida, qualidades apontadas por amigos e até por inimigos, Campos tem poder de sedução não somente pelos brilhantes olhos azuis, mas, sobretudo, pela grande capacidade de conquistar as pessoas, pela simpatia, pela gentileza, humor fino e pela fala mansa.

E foi justamente no vôo de Paris ao Rio de Janeiro, no último domingo, que pude comprovar o bom humor, a astúcia, a simplicidade e o senso de oportunidade de Eduardo Campos, certamente um dos mais promissores políticos da nova geração. Ao ser indagado sobre os desafios que enfrentou quando à frente do Ministério da Ciência e Tecnologia e os obstáculos naturais que enfrenta no Governo do Estado, Campos foi taxativo: "governar o meu Estado é, antes de tudo, um grande prazer e os desafios são todos eles decorrentes da minha vontade de fazer acontecer, de criar condições para que o povo do meu Estado possa viver com mais tranqüilidade, de forma mais saudável e digna, com educação, cultura, habitação, segurança e saúde". Para Campos, a política é o melhor instrumento para se mudar o mundo. Tem toda razão.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano e membro da Ordem dos Jornalistas do Brasil



Na Índia, educação é investimento


Paulo Alonso

A cultura da Índia é uma das mais antigas que se tem notícia. E alguns estudiosos afirmam ter mais de quatro mil anos. O povo indiano, apesar das diversidades como linguagem, arte, música e cinema, é extremamente ligado à nação e aos seus ancestrais, o que o torna uma sociedade muito tradicional. É, sem dúvida, o país mais místico do mundo, com cheiro de incenso em sua exuberante e misteriosa atmosfera, cheio de guirlandas, com vacas sagradas e elefantes vagando pelas ruas atormentadas pela permanente buzina dos carros e triciclos e ainda convivendo lado a lado com uma população progressista e moderna. A Índia é, realmente, um país fascinante e impressionante, por suas características tão peculiares. Caminhar por suas ruas e avenidas, refletir sobre sua cultura, conversar com os nativos e com os intelectuais são momentos inesquecíveis e de grande aprendizado.

Nos dias atuais, muito influência cultural ocidental tem permeado esta cultura. Quase tudo na Índia é espiritualidade. E o grande propósito da cultura indiana é justamente conhecer Deus, nos seus aspectos pessoal ou impessoal. O conceito do Zero nasceu na Índia e a primeira Universidade, com o seu significado atual, existiu em Nalanda, no Estado de Bihar, nos tempos ancestrais. A maior parte dos fundamentos da matemática do modo como entendemos deve-se ao conhecimento dos indianos, pois todo o sistema de numeração é indo-arábico. A fórmula de Bhaskara que foi criada na Índia é usada para resolver todas as equações de segundo grau.

A grande contribuição para o mundo além da filosofia, que faz parte da vida de todos os indianos, são os avanços na tecnologia da informação, pois a Índia hoje tem exportado Phd's na área de Softwares principalmente para a Europa e Estados Unidos. No Brasil, a Universidade de São Paulo, o Instituto de Pesquisas Espaciais e o Instituto de Pesquisas Nucleares abrigam profissionais indianos em cargos de destaque. Outra área importante é a biotecnologia, campo que a Índia domina com maestria.

A Universidade de Deli acabou se tornando conhecida mundialmente pelo seu altíssimo nível de ensino, pesquisa e extensão, nos moldes da universidade humboldiana. Em seu começo, em 1922, a Universidade de Deli teve um início modesto, com apenas três cursos, duas faculdades, de artes e ciências, com aproximadamente 750 estudantes.

A Universidade de Deli vem se desenvolvendo e, depois de várias décadas, reúne 79 faculdades em 86 departamentos, com cerca de 300 mil alunos matriculados. Por causa dessa enorme expansão, a Universidade de Deli, ainda nos anos 70, passou por uma reengenharia organizacional, estabelecendo-se como uma instituição multi-campi, para que, assim, pudesse atingir um maior contingente de alunos, nas várias áreas do conhecimento.

O campus sul da universidade, inaugurado em 1973, começou a oferecer programas de pós-graduação, nos departamentos das faculdades de artes e de ciências sociais. O campus leste da universidade abriga a faculdade de ciências médicas, enquanto que o campus oeste tem como foco os cursos de engenharia e de tecnologia.

Quando a Universidade de Deli criou os centros de estudos e de pesquisas avançados, os cursos de física, química, botânica, zoologia, economia e sociologia começaram igualmente a ser premiados, pela qualidade das suas estruturas curriculares e pelo ineditismo da metodologia de ensino que empregava.

Por causa de sua qualidade, a universidade vem recebendo, cada vez mais, um maior número de alunos, oriundos, inclusive, de outras IES, para o seus programas acadêmicos. Pela sofisticação das suas ferramentas tecnológicas para o desenvolvimento do ensino e da pesquisa, a Universidade de Deli é sistematicamente procurada por associações e organizações instaladas nas proximidades dos seus campi. Para uma maior integração dos seus alunos, a universidade implementou uma rede de comunicação, em fibra ótica, ligando todos os seus campi, inclusive o do norte e o do sul, agilizando, assim, o necessário intercâmbio do conhecimento e da pesquisa aplicada.

Assim como a Índia, a Cingapura, a Tailândia, a Coréia do Sul e, mais recentemente, a China, estão também investindo em educação, ciência e tecnologia, visando ao desenvolvimento, à ordem e ao progresso de seus povos. Sabemos que sem um investimento seguro e planejado em educação, dificilmente
um povo consegue se superar e forjar novas gerações amparadas pelo conhecimento.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano de Educação Superior.




Tranformação Tecnológica: Desenvolvimento Industrial na primeira metade do século XX


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

As organizações interessadas em equacionar seu envolvimento com a questão ambiental necessitam incorporar em seu planejamento estratégico e operacional um adequado programa de gestão ambiental que possa compatibilizar os objetivos ambientais com os demais objetivos da organização (tais como o econômico e o financeiro, por exemplo).

Os programas de gestão ambiental estabelecem as atividades a serem desenvolvidas, as seqüências entre elas, bem como quem são os responsáveis pela sua execução. Normalmente, devem abranger os aspectos ambientais mais importantes e buscar uma melhoria contínua, ampliando seu escopo de atuação com o passar do tempo. Devem possuir dinamismo e flexibilidade suficientes para se adaptar a mudanças que podem ocorrer tanto no seu ambiente imediato quanto no seu ambiente futuro.

Existem várias propostas para o estabelecimento de um programa de gestão ambiental, dentre as quais citaremos algumas.

a - A primeira delas foi o Sistema Integrado de Gestão Ambiental, conhecido por modelo Winter, desenvolvido a partir de 1972 pela empresa Ernst Winter & Sohn Backer, com sede em Hamburgo e Norderstedt na Alemanha. A empresa tornou pública oficialmente a proteção do meio ambiente como um de seus objetivos. A partir daí ela passou a desenvolver uma série de atividades até chegar ao Sistema Integrado de Gestão Ambiental, que incorpora a questão ambiental em todos os setores da empresa, desde a política de programação até a área de P&D, da gestão de materiais até a produção e reciclagem, da construção de instalações industriais até o equipamento e seleção dos veículos da empresa, desde a formação de aprendizes até o treinamento e atualização dos empregados. Segundo enfatiza Winter, as atividades ambientais são parte integrante dos objetivos da empresa, o que significava que concomitantemente à atenção que a empresa dedica ao ambiente e à satisfação de seus recursos humanos, devem produzir mercadorias e serviços de alta qualidade de modo a atingir um resultado que justifique o investimento feito e coloque a empresa e os empregos que garante em bases seguras. Uma gestão ambiental sistemática não é algo que possa ser introduzido de imediato. Exige planificação, o estabelecimento de etapas, seqüências e vigor na sua implementação. Neste sentido, devem ser considerados os aspectos econômicos, a tecnologia utilizada, o processo produtivo, a organização, a cultura da empresa e seus recursos humanos. O modelo Winter, que pode ser implantado em qualquer empresa independentemente de seu esquema organizacional, procura descrever o Sistema Integrado de Gestão Ambiental por meio do estabelecimento de 20 módulos integrados, que têm por objetivo facilitar a sua implantação, a definição das prioridades e o respectivo cronograma de atuação;

b - Posteriormente (1995), Backer propôs planos de ação que devem ser estabelecidos em sintonia com o que denomina Estratégia Ecológica da Empresa.
A Estratégia Ecológica deve partir de um diagnóstico inicial e, sobretudo, da análise do fator ambiental dentro da estratégia global da organização. Isso possibilitará quantificar o esforço necessário a ser desenvolvido na gestão ambiental e permitirá identificar as prioridades que deverão ser desenvolvidas nas diferentes unidades organizacionais. O diagnóstico global que permite identificar o papel da questão ambiental dentro da organização resume-se na análise de 6 tabelas que incluem: o peso ecológico na estratégia empresarial; a estratégia de comunicação e de marketing em relação ao meio ambiente; a estratégia de produção em matéria de meio ambiente; a estratégia de recursos humanos em questões ambientais; as estratégias jurídicas e financeiras em ralação ao meio ambiente; a estratégia de P&D relativa à questão ambiental;

c - No Brasil, a Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química propõe aos seus associados o Programa Atuação Responsável. Este programa é a versão brasileira do “Responsible Care Program”, desenvolvido pela Canadian Chemical Producers Association (CCPA) que foi implantada em diversos países a partir de 1985 e se encontra atualmente em mais de 40 países com indústrias químicas em operação. O “Responsible Care” que se propõe a ser um instrumento eficaz para o direcionamento do gerenciamento ambiental, além de preocupar-se com a questão ambiental de cada empresa, inclui recomendações para a segurança das instalações, processos e produtos e questões relativas à saúde e segurança dos trabalhadores, bem como relativas ao diálogo com a comunidade. O modelo proposto tem flexibilidade para se ajustar à situação específica que vive cada empresa, sem perder a característica de ser um Programa voltado para toda a indústria, onde quer que ela se localize. Tem como premissa básica o diálogo e a melhoria contínua que permitem o engajamento crescente da organização na questão ambiental. No Brasil, a adesão ao Atuação Responsável foi obrigatório em 1998;

d - A partir de 1996, a maneira mais adequada de estabelecer um programa de gestão ambiental para a empresa é obedecer às Normas ISO 14001 e 14004, da ABNT, que especificam diretrizes para o Sistema de Gestão Ambiental (SGA).

É fácil compreender a importância da auditoria ambiental para as organizações (e para toda a sociedade). Mas, devido as suas características complexas (e com destaque aos determinantes específicos das normas ISO série 14000), deixaremos para próximos artigos a continuação dessa empolgante conversa.


Tranformação Tecnológica: Desenvolvimento Industrial na primeira metade do século XX


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Vamos voltar a falar sobre um assunto importante que comentamos nos últimos Artigos: o desenvolvimento industrial.

Pois bem, no início do século XX, o crescimento econômico passou a ser uma luta econômica. Foi a época das anexações. Por outro lado, o mercado interno adquiriu importância cada vez maior. A concorrência vinda de outros lugares provocou uma vigorosa resposta tecnológica de alguns setores da agricultura européia, por exemplo. O resultado foi o mais elevado padrão de alimentação que o mundo já experimentou. O apetite por bens materiais também teve aumento. No entanto, o exacerbado comércio deu lugar à formação de trustes e à volta do protecionismo. A corrida tecnológica se mantinha e se destacava em três áreas: novos materiais (adoção do aço, por exemplo), novas fontes de energia e a mecanização e divisão do trabalho.

Os melhores resultados, nessa época, vieram da Alemanha e dos Estados Unidos. Enquanto a Inglaterra deixava a instrução a cargo da iniciativa privada, os Estados Unidos e a Alemanha financiavam-na por meio do Estado.

Em 1915, a Inglaterra decidiu impor restrições ao fluxo comercial com outros países. Por outro lado, a Primeira Guerra Mundial tinha modificado o valor real de cada moeda e desequilibrou a estrutura dos preços relativos internacionais.

Após essa Guerra, viveu-se num ambiente intensamente inflacionário. A França ficou destruída e a Alemanha emitiu dinheiro para pagar os gastos de guerra. Apesar da Inglaterra ter retornado ao padrão ouro, em 1925, este sistema ficou obsoleto e nenhuma nação estava disposta a abrir mão de sua soberania para proteger outras moedas. Durante o período entre guerras vislumbraram-se os seguintes problemas: a condução dos negócios era difícil; desviavam-se recursos da atividade produtiva para a atividade especulativa; e, reforçavam-se os mecanismos protecionistas.

O crescimento que houve na Europa durante a década de 1920, além de desigual, teve bases pouco sólidas, pois, procurou-se, apenas, superar os desequilíbrios dos arranjos monetários internacionais. Por isso, a expansão da Alemanha já vinha em ritmo decrescente antes mesmo da queda econômica de 1929. Assim, quando os norte-americanos começaram a resgatar seus empréstimos, ocorreu uma recessão tremenda sobre o sistema bancário europeu. Os efeitos do choque da contração do crédito foram maiores devido à queda dos preços das ações industriais e à queda dos preços das mercadorias. Nesse período, a situação da Inglaterra também era crítica; somente a França (e os países do Leste europeu, por outros motivos) parecia gozar de um elevado acúmulo de reservas.

As idéias do lorde inglês J. M. Keynes (talvez o maior economista do século XX e, por muitos, considerado o “pai” da Macroeconomia) foram postas em prática. A produção industrial aumentou entre 1930 e 1935. As grandes indústrias inglesas prosperaram por causa de estímulos tecnológicos autônomos que estavam de frente a uma crescente demanda, no contexto de uma política monetária e de crédito adequadas.

Entre as respostas para aliviar a crise, a pior de todas foi a da Alemanha, dado, sobretudo pelo ressentimento provocado pela derrota durante a Primeira Guerra Mundial. O Estado alemão interveio na economia, assegurando o crescimento contínuo num clima social aparentemente pacífico. Porém, a intervenção que aconteceu no mercado de trabalho criou interferência na alocação dos recursos, da mesma maneira que a adoção do congelamento de preços. Diante do sistema presente que implicava numa longa e intensa jornada de trabalho, o PIB alemão cresceu entre 1933 e 1938. Ainda, a indústria química foi a que abriu caminho à necessidade de encontrar substitutos à importação dispendiosa e estratégica. E, para se associar a planos políticos-estratégicos, a maioria das mudanças dos ramos de produção esteve ligada à produção de armas.

No período entre guerras (até 1939) não houve nenhuma grande novidade tecnológica. Os ramos industriais que mais cresceram foram: energia e produtos elétricos, produtos químicos, produtos automotivos. Nesse período surgiu o rádio e a indústria de carros fazia o papel que antes fora da indústria ferroviária, no século XIX. Por fim, vale salientar que a indústria de algodão estava perdendo terreno para os sintéticos.

Mas, é o desenvolvimento industrial da segunda metade do século XX? Bem, conversaremos sobre isso, muito certamente, em um próximo Artigo. Até a próxima!


Mais vagas nas universidades

Paulo Alonso

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) acaba de divulgar o último censo da educação superior, no qual informa que o número de vagas nas instituições de Ensino Superior do Brasil cresceu 470%, pulando de 516.663, em 1991, para 2.429.737, em 2005.

Um dado importante e que precisa ser ressaltado é que esse crescimento foi também proporcionado, a partir da criação dos centros universitários em 1997, que, por causa de sua autonomia, podem instalar cursos e unidades, sem autorização do Ministério da Educação, em sua sede. Exceção somente para os cursos de Medicina, Odontologia, Psicologia e Direito. Cabe, ainda, enfatizar que os maiores índices de crescimento passaram a ser registrados em 1999, quando as diretrizes da Lei de Bases da Educação Nacional, promulgada em 1996, começaram a surtir efeito.

O censo de 2005 indica que as universidades concentram 44% (1.073.716) do total das 2.429.737 vagas disponíveis. Em seguida, aparecem as faculdades isoladas, integradas e institutos superiores com 36% (872.160 vagas) e os centros universitários, com 20% (483.861 vagas).

Um outro dado importante a ser destacado, em relação às categorias administrativas, é que as instituições privadas reúnem o maior percentual de vagas: 57%, ou sejam 1.3698.396; já as instituições privadas comunitárias, confessionais e filantrópicas abrigam 31%, ou seja, 748.053; enquanto as estaduais e federais estão tecnicamente empatadas com cerca de 5% das vagas, respectivamente com 128.948 e 126.254. As municipais possuem apenas 2% das vagas, com 57.086 alunos.

Pela análise do censo, pode ser igualmente observado que as instituições do interior e cursos noturnos oferecem um quantitativo maior de vagas. Em 2005, as instituições de ensino superior do interior ofereceram 1.337.060 vagas, enquanto as instituições sediadas nas capitais dos estados dispunham de 1.092.677, estabelecendo, dessa forma, uma diferença considerável de 22,36%.

A maior parte dessas vagas, segundo o censo, foi disponibilizada nos cursos noturnos, 1.598.183. Os cursos diurnos registraram 831.554 vagas, o que corresponde a 92,1% a menos. Mesmo com esse notável crescimento, o Brasil ainda precisa avançar em muito na educação superior, que reúne um contingente de matrículas menor do que os nossos vizinhos da América do Sul, como a Argentina, o Chile, a Bolívia e o Paraguai. Para que a educação superior consiga reverter esse quadro, é preciso que novas políticas públicas sejam estabelecidas e que a educação seja efetivamente uma prioridade do Estado, já que apenas 17% da população brasileira, entre os 17-24 anos, estão matriculados em uma instituição de Ensino Superior. Sabemos, perfeitamente, que sem educação não pode existir desenvolvimento sustentável, ordem e progresso.

Paulo Alonso é reitor do Grupo Anglo-Americano de Educação Superior.




TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA: DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL NO SÉCULO XIX


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Caros leitores, vamos continuar falando, mais esta semana, sobre desenvolvimento tecnológico.

Foi a pressão da demanda sobre o modo de produção que suscitou as novas técnicas industriais na Inglaterra, e foi a oferta abundante e receptiva dos fatores que possibilitaram sua rápida explosão e difusão. O processo de melhorias incrementais (destacadamente nas indústrias mecânicas, de engenharia e na indústria química) foi também pontuado por alguns grandes saltos à frente, cada qual marcada por uma inovação crucial (ou radical) que ampliava substancialmente a aplicabilidade comercial da produção. Esse desenvolvimento derivou (dentre outros) da pesquisa científica. Só que as máquinas e as novas técnicas, sozinhas, não constituem a Revolução Industrial. Elas representaram aumentos de produtividade e um deslocamento da importância relativa dos fatores de produção da mão-de-obra para o capital. Mas, a revolução também foi uma transformação tanto na organização quanto nos meios de produção. Em particular, quando congregou grande número de trabalhadores num único lugar, para ali executarem suas tarefas sob supervisão e com disciplina.

Por sua vez, até finais de 1850, a manufatura no continente europeu era caracterizada pela dispersão e pelo provincianismo. Havia grandes diferenças internacionais inter-regionais de produtividade. O custo da mão-de-obra e a pressão da concorrência inglesa foram, certamente, fatores que também criaram obstáculos à industrialização do continente. Por outro lado, houve o paternalismo dos Estados continentais. Portanto, a Revolução Industrial da Europa continental foi muita mais lenta do que a inglesa. Embora conseguissem estudar as novas máquinas e motores quase desde o início e, conseguissem adquiri-los, a despeito das proibições que incidiam sobre sua exportação, os países continentais levaram gerações para absorvê-los e um prazo ainda maior para alcançar o nível da prática britânica. Pode-se dizer que sua industrialização foi: uma resposta às pressões endógenas em direção à mudança; e uma reação aos novos métodos desenvolvidos do outro lado da Mancha.

Ente 1850 e 1873 houve um grande amadurecimento tecnológico no continente europeu. A indústria siderúrgica possibilitou a mudança do combustível vegetal para o mineral. A máquina a vapor triunfou sobre a roda d’água e a indústria química se estabeleceu fortemente. Neste período, as sociedades anônimas foram estimuladas, houve modificações legais que facilitaram a constituição de empresas mais livres. Além disso, cada vez mais empresas estrangeiras podiam atravessar as fronteiras e funcionar em bases de igualdade com as nacionais. Também, ocorreu um aumento das economias de escala e um aperfeiçoamento nos transportes principalmente através dos sistemas ferroviários. Novas fontes de energia e de matéria-prima apareceram.

Entre 1850 e 1860, a Europa Ocidental se equiparou com a Inglaterra no sentido de ter afastado os obstáculos institucionais ao crescimento e no empenho em transformar a tecnologia de suas indústrias básicas. Em 1870 a liderança inglesa começou a desaparecer em termos de sua capacidade de crescimento. Os anos decorridos entre 1873 e 1896 pareceram a muitos contemporâneos um assombroso desvio da experiência histórica. Os preços caíram de maneira desigual e esporádica, mas inexorável, através de crises e explosões de crescimento. A taxa de juros também caiu e os lucros encolheram, enquanto a “depressão periódica” se arrastava indefinidamente. O sistema econômico parecia estar desmoronando. Só que, nos últimos anos do século, tudo mudou: os preços começaram a subir, levando consigo os juros. Com a melhoria dos negócios a confiança voltou. Tudo parecia correr bem outra vez (era la belle époque). Porém, a economia internacional que se auto-ajustava serenamente cedeu lugar a um mecanismo atabalhoado e ineficiente, só mantido em operações através de ajustes e consertos reiterados. Na virada do século explodiu a Primeira Guerra Mundial que atuou como um catalisador das mudanças. A Inglaterra perdeu espaço para os Estados Unidos e para a Alemanha; mesmo assim, suas indústrias não ficaram paradas, pois, a mudança estava embutida no sistema e prosseguiram as inovações. Esses anos abriram espaço para o nascimento da energia elétrica, da química orgânica e dos sintéticos, do motor de combustão, da indústria de precisão e das linhas de montagem. A estes processos se denominou de Segunda Revolução Industrial.

Bem, por esta semana é isto. Até a próxima!



TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA E A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: O CASO DA INGLATERRA

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Caro leitor, recordemos:
O epicentro da Revolução Industrial foi à Inglaterra do século XVIII, onde uma série de invenções transformou a indústria do algodão e deu origem a um novo modo de produção – o sistema fabril. Durante esses anos, outros ramos da indústria realizaram avanços comparáveis, e todos juntos, reforçando-se mutuamente, possibilitaram novos benefícios, numa frente cada vez mais ampla.
A abundância e variedade dessas inovações podem ser agrupadas sob três princípios: a substituição da habilidade e esforços humanos pela máquina; a substituição das fontes animadas de energia por fontes inanimadas, em especial a introdução de máquinas para transformar o calor em trabalho, dando ao homem acesso a um suprimento novo e quase ilimitado de energia; e o uso de matérias-primas novas e muito mais abundantes, em particular a substituição das substâncias vegetais ou animais por minerais. Esses aperfeiçoamentos, que constituem a Revolução Industrial em seu núcleo, geraram um aumento sem precedentes na produtividade do trabalho e, com ele, uma elevação substancial da renda per capita. Além disso, esse crescimento rápido foi auto-sustentado.

Pela primeira vez na história, tanto a economia quanto o saber cresceram com rapidez suficiente para gerar um fluxo contínuo de investimentos e de inovações; um fluxo que elevou para além dos limites visíveis o teto dos entraves de tipo malthusiano (que limitava as possibilidades de crescimento da economia pelo fato da elevação do número de habitantes). Assim, a Revolução Industrial inaugurou uma era nova e promissora. Também transformou o equilíbrio do poder político dentro das nações, entre elas e entre as civilizações, revolucionou a ordem social, e tanto modificou a maneira de pensar como a de agir do homem.

As vantagens da Inglaterra de então eram muitas. Do lado da demanda, a indústria lanígera inglesa foi comparativamente favorecida. A população do reino não era grande, mas estava crescendo, em meados do século XVIII, provavelmente mais depressa que a de qualquer dos países do outro lado da Mancha. E mais, a inexistência de barreiras alfandegárias internas ou de tributos feudais criou, na Inglaterra, o maior mercado coeso da Europa. Essa união política era confirmada pela favorável geografia da ilha. Em contraste, barreiras alfandegárias internas dividiam países como a França, por exemplo.

No mercado da Inglaterra, o poder de compra per capita e o padrão de vida eram significativamente superiores aos da Europa Continental. Por seu turno, o comércio inglês do século XVIII, comparado ao do Continente, era impressionantemente ativo, empreendedor e aberto às inovações. Parte da explicação disso é institucional: os comerciantes ingleses estavam relativamente livres de restrições tradicionais ou legais quanto aos objetos ou ao caráter de sua atividade. Em longo prazo, este foi o forte da Inglaterra: a capacidade de fabricar com baixo custo justamente os artigos em relação aos quais a demanda estrangeira era mais elástica (ou seja, elevava-se com grande rapidez). Os mercados mais promissores da Inglaterra, nos séculos XVII e XVIII, não se situavam na Europa, cujas próprias indústrias estavam crescendo e cujos governantes mercantis eram cada vez mais hostis à importação de produtos manufaturados, mas nas terras de além-mar: no Novo Mundo, na África e no Oriente. O efeito do aumento das exportações, também, reforçou as pressões favoráveis à padronização e contrário à diferenciação, a quantidade em oposição à qualidade.

Do lado da oferta, havia facilidade de financiamento às invenções, as quais surgiram, em parte, porque o crescimento e a prosperidade da indústria tornaram-se imperativas; e o crescimento e a prosperidade da indústria contribuíram para possibilitar sua utilização precoce e amplamente disseminada. Não foi o capital, por si só, que possibilitou o rápido avanço da Inglaterra. A rigor, nesse aspecto, os empresários do Continente, que muitas vezes podiam contar com subsídios diretos ou privilégios monopolistas advindos do Estado, estavam em melhor situação que seus pares ingleses. O que distinguia a indústria britânica foi uma excepcional sensibilidade e receptividade às oportunidades pecuniárias. Tratava-se de um povo fascinado pela riqueza e pelo comércio, coletiva e individualmente. A estrutura da empresa era mais aberta e racional na Inglaterra do que nos países continentais. Por toda parte, a unidade empresarial fundamental era a propriedade individual ou a sociedade em família. Num país como a França, a empresa familiar era quase sempre fechada às pessoas de fora, enquanto os empresários britânicos tinham muito mais disposição de se associar com amigos ou amigos de amigos.
Como é possível perceber, existe muita a se falar sobre desenvolvimento industrial e econômico. Mas, guardemos mais um pouco para os próximos artigos.



ESTRATÉGIA, ECONOMIA E EMPREENDEDORISMO

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Não se pode reconstruir um todo simplesmente por suas partes, pois, ele é mais do que a soma delas. No entanto, para entender o todo é preciso conhecer cada uma das partes. Assim são, segundo Henry Mintzberg (um pensador em Administração), as dez escolas de estratégia. Elas são mais ou menos como um todo dividido em dez partes. As mesmas estão, ainda, divididas em três grandes
grupos: no grupo I estão a escola da concepção, a escola do planejamento e a escola do posicionamento; no grupo II estão a escola do espírito empreendedor, a escola cognitiva, a escola do aprendizado, a escola do poder, a escola da cultura empresarial e a escola do ambiente; e no grupo III está a escola da configuração.

Mas, o leitor deve estar se perguntando: o que é isto?
Pois bem, hoje em dia a estratégia é uma ferramenta gerencial imprescindível para as empresas. Neste texto, falarei da escola do espírito empreendedor (do grupo II). Esta escola apresenta a formulação de estratégia como um processo visionário. Aqui, o empreendedor tem um papel proeminente (como na Teoria Econômica. Só que no sentido estritamente econômico, o papel do empreendedor é limitado a decidir quais quantidades produzir e a que preços, já que a dinâmica competitiva cuida do resto). Mas, a ascensão das grandes empresas forçou os economistas a modificarem a Teoria Econômica, dando origem à teoria do oligopólio – que tem como base a suposição da existência de poucas empresas formando um mercado (a qual é a base da escola de posicionamento). Mas, mesmo aqui, o empreendedor ainda tem pouco a fazer além de calcular preços e quantidades.

Havia, entretanto, economistas que consideravam esta visão estreita do empreendedor como uma grande falha da Economia. Karl Marx (pensador, filósofo e economista do século XIX) foi um deles. Ele elogiava os empreendedores como agentes de mudanças econômicas e tecnológicas, mas, criticava fortemente os impactos das transformações técnico-econômicas sobre a sociedade em geral.
Todavia, a figura seminal que colocou o empreendedor em proeminência no pensamento econômico foi Joseph Schumpeter (economista do século XX). Para ele, não era a maximização de lucros que explicava o comportamento corporativo, mas sim as suas tentativas. Conseqüentemente, Schumpeter introduziu sua famosa noção de destruição criativa. Este conceito está ligado às inovações que são, para este autor, o motor que mantém o capitalismo em movimento para frente, e mais, quem dirige esse motor é o empreendedor. Para Schumpeter, o empreendedor não é necessariamente alguém que investe o capital inicial ou inventa o novo produto, mas sim a pessoa com a idéia do negócio.

Idéias são enganosas, mas nas mãos de empreendedores, elas se tornam poderosas e também lucrativas. Para aqueles que, como os economistas, focalizam as partes tangíveis da empresa, como dinheiro, maquinário e terras, a contribuição dos empreendedores pode parecer instável.

No entanto, a visão e criatividade são menos evidentes. Schumpeter procurou esclarecer isto da seguinte maneira: o que fizeram os empreendedores? Eles não acumularam nenhum tipo de bem, não criaram meios de produção, mas empregaram os meios de produção existentes de maneira diferente, mais apropriada, mais vantajosa. Eles implantaram novas combinações. E seu lucro, o excedente, ao qual não corresponde nenhuma dívida, é um “lucro empreendedor”.

Mas afinal, para Schumpeter, “novas combinações”, inclusive fazer coisas novas ou coisas que já são feitas de uma nova maneira, era vital. Além disso, embora um fundador possa permanecer no comando de sua organização, na visão de Schumpeter essa pessoa deixa de desempenhar uma função empreendedora tão logo para de inovar.

Para se ter uma noção da importância dos temas estratégia, inovação, empreendedorismo e economia, no Brasil, das quase seis milhões de empresas, 99% são consideradas micros e pequenas, ou seja, aquelas que possuem menos de 100 funcionários. O setor da indústria responde por cerca de 18% do total de empresas, o de comércio por 45% e o de serviços por 37%, conforme tabela
abaixo:

Branson, em seu livro Reflexões de um empreendedor diz: “o maior risco que qualquer um de nós pode assumir é investir dinheiro em um negócio que não conhece”. E ainda afirma que “à medida que as empresas crescem, devem ter cuidado para que a gerência não perca o contato com o básico – que é o cliente”.
Na atualidade, buscamos entender a evolução do empreendedorismo, suas características, sua tipologias, suas variáveis, a idéia é assumir “riscos calculados”.

Sejamos, pois, estrategistas e empreendedores.


O MERCADO ECONÔMICO

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Caros leitos, iremos discutir, hoje, sobre a principal instituição da vida econômica dos seres humanos (e, talvez, a principal instituição da vida humana moderna). Iremos falar sobre o mercado.

Os mercados podem ser, efetivamente, instrumentos de organização da Economia. Embora as diferentes estruturas de mercado não sejam igualmente eficientes do ponto de vista social, outros mecanismos de organização da economia não produziram resultados equivalentes aos que as modernas economias conseguiram por meio do mercado. Mercado e economia, na atualidade, são, portanto, quase sinônimos.

Mercados transparentes e “atomizados”, em que os preços são os parâmetros de informações e decisões, podem gerar eficiência econômica em escala ótima e maximização do bem-estar social. E, mesmo por mercados menos “perfeitos”, podem transitar resultados de interesse social, com a possibilidade, por exemplo, de progresso técnico.

Em sua acepção primitiva, a palavra mercado dizia respeito a um lugar determinado onde os agentes econômicos (consumidores, produtores, firmas, agencias do governo, etc.) realizavam suas transações. Os textos de história econômica citam os grandes mercados da antiguidade, como o de Marselha, no Mediterrâneo; de Bizâncio e de Calcedônia, na Ásia; de Náucratis, no Egito; de Veneza e Gênova, na Itália medieval.

Por tradição histórica, este conceito chegou até os dias atuais. Cidades interioranas tradicionais que têm, pelo menos, porte médio, ostentam a igreja, a praça pública, o coreto, a prefeitura e o mercado: aí estão os elementos essenciais da vida em sociedade. O mercado permanece, por tradição, como um lugar definido, especialmente edificado, para o encontro de produtores e consumidores. Nesses “mercados locais”, geralmente, o que mais se vende são produtos, também locais, destinados a suprimentos básicos.

Mas, o conceito de mercado, em sua acepção econômica mais ampla, está bem distante desta tradição. O mercado, agora, é uma abstração. Já não existe a conotação geográfica. Executivos de grandes empresas industriais, agroindustriais, financeiras falam de dificuldades com que eles se defrontam no mercado. E eles não estão se referindo a nenhum lugar, mas a uma abstração econômica. O mercado é definido pela existência de forças aparentemente antagônicas: as da procura e as da oferta. Quando ambas ocorrem, simultaneamente, definem um mercado. Quando há procura por trabalhadores e pessoas dispostas a trabalhar; ou então quando há pessoas aplicando e outras procurando por empréstimos nos bancos; quando empresas emitem debêntures ou ações e pessoas procuram por estes títulos; quando, enfim, recursos humanos, financeiros e de capital são ofertados e procurados, pode-se dizer que há um mercado.

Portanto, o termo mercado diz respeito ao conjunto de compradores e vendedores que interagem, assim com as vendas e compras que podem resultar dessas interações. O preço do mercado é determinado pela interação entre vendedores e compradores. Em mercados completamente “competitivos”, um único preço prevalece.

No mercado existe a lei da oferta e da demanda. A LEI GERAL DA OFERTA, diz que: “a oferta de um bem, em determinado período de tempo, varia na razão direta da variação de preços desse bem a partir de um nível de preços tal que seja suficiente para fazer face ao custo de produção e até o limite superior de pleno emprego dos fatores”; enquanto que a LEI GERAL DA PROCURA (DEMANDA), diz que: “a quantidade procurada de determinada mercadoria varia na razão inversa dos seus respectivos preços; mantidas as demais influências constantes”. Assim, a quantidade procurada de um bem e seu preço deve se comportar inversamente: toda vez que o preço diminui a quantidade procurada deve aumentar.

Logo, entender as flutuações dos preços na Economia constitui uma ferramenta na tomada de decisões e este entendimento está vinculado a percepções das leis da oferta e da procura.

Um grande abraço a todos e até o próximo Artigo.





A MICROECONOMIA E A MACROECONOMIA

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Caros leitores. Iniciarei este Artigo ressaltando que a Economia está dividida em dois ramos principais: a Microeconomia e a Macroeconomia.
A Microeconomia trata do comportamento individual das “unidades econômicas”. Tais “unidades” abrangem consumidores, trabalhadores, investidores, entidades
do governo, proprietários de terra, empresas – na realidade, quaisquer agentes que tenham participação na produção e/ou distribuição de bens (riqueza). A Microeconomia explica como e por que essas unidades tomam decisões de produção e consumo. Por exemplo, ela esclarece como os consumidores tomam decisões de compra e de que forma suas escolhas são influenciadas pelas variações de preços e rendas; explica, também, de que maneira as empresas determinam o número de trabalhadores que contratarão e como os trabalhadores decidem onde e quanto trabalhar.

Outra importante preocupação da Microeconomia é saber como as empresas interagem para formar as unidades maiores – mercados e indústrias. A Microeconomia ajuda a compreender, por exemplo, por que razão a produção de soja no Brasil (e no Paraná) se desenvolveu da forma como se desenvolveu e como os produtores e consumidores interagem no mercado de soja (e nos demais mercados do agronegócio). Ela explica como são determinados os preços das sacas de soja, os montantes de investimento em sua produção e quantas toneladas de soja são produzidas a cada ano. Por meio do estudo do comportamento e da interação entre cada empresa e os consumidores, a Microeconomia revela como os setores e os mercados operam e se desenvolvem, por que são diferentes entre si e como são influenciados por políticas governamentais e condições de produção e consumo globais.

Logo, pode-se concluir que a Teoria Microeconômica (ou Teoria dos Preços, como também é conhecida) preocupa-se em estudar o comportamento econômico das unidades individuais, tais como consumidores, empresas e proprietários de recursos. Ela trata, basicamente, dos fluxos de bens e serviços das empresas para os consumidores, dos fluxos dos recursos produtivos (ou seus serviços) dos seus proprietários para as empresas, da composição desses fluxos e da formação dos preços dos componentes desses fluxos. Nesse sentido, alguns dos objetivos da Teoria Microeconômica é responder questões do tipo:

• o que determina o preço dos diversos tipos de bens e serviços?
• o que determina a remuneração de um trabalhador?
• o que determina o quanto de cada mercadoria será produzido?
• o que determina a maneira pela qual um indivíduo gasta sua renda
entre os mais diversos tipos de bens e serviços?

Por outro lado, a Macroeconomia é definida como sendo o estudo do comportamento agregado (global) de uma economia. Enquanto a vida econômica de uma nação depende de milhões de ações isoladas, realizadas por empresas, consumidores, trabalhadores e funcionários do governo, o foco da Macroeconomia é a análise das conseqüências globais dessas ações individuais. Por exemplo, em um certo mês, milhares de empresas aumentaram o preço de seus produtos, enquanto milhares de outras baixaram seus preços. Para compreender a alteração geral dos preços, os macroeconomistas vão analisar uma média das milhares de alterações individuais. Para fazer isso, criam e analisam um índice especial de preços, ou seja, uma média dos preços individuais, a fim de poderem calcular o valor geral da alteração de preços da economia.

A abordagem básica da Macroeconomia, portanto, consiste em observar as tendências gerais da economia, em vez de examinar as tendências que afetam isoladamente empresas, trabalhadores ou regiões. Medidas especiais e resumidas da atividade econômica (produto nacional bruto, taxa de poupança, índice de preços ao consumidor) revelam a “grande fotografia” das alterações e tendências econômicas gerais. Essas medidas macroeconômicas gerais são ferramentas com as quais os macroeconomistas analisam as principais alterações, em vez de as influências específicas que afetam somente as partes individuais dessa economia.

A Macroeconomia trata, portanto, das quantidades econômicas agregadas, tais como o nível e a taxa de crescimento do produto nacional, taxas de juros, desemprego, inflação e as transações externas de um país.

Porém, a fronteira entre a Macroeconomia e a Microeconomia não é tão clara ou fácil de se perceber. Isso ocorre porque a Macroeconomia também envolve análise de mercados – por exemplo, mercados agregados de bens e serviços, mão- de-obra e títulos de empresas. Para entender como operam tais mercados agregados é necessário que se compreenda o comportamento das empresas, dos consumidores, dos trabalhadores e dos investidores que os compõem. Dessa
maneira, os macroeconomistas têm se preocupado, cada vez mais, com os fundamentos microeconômicos dos fenômenos econômicos agregados e grande parte da Macroeconomia é, na realidade, uma extensão da análise microeconômica.

Ainda, caro leitor, é necessário integrar aos conceitos micro e macroeconômicos as definições sobre os mercados. Mas, isso será assunto para próximos Artigos.

Um grande abraço e até a próxima.


TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano


Caro leitor, vamos, agora, a uma pequena aula de história econômica.
Pois bem, é sabido que a Revolução Industrial começou na Inglaterra no século XVIII, de onde se difundiu desigualmente para os países da Europa Continental e para algumas áreas de além-mar. No intervalo de duas gerações, transformou a vida do homem ocidental, a natureza de sua sociedade e seu relacionamento com os outros povos do mundo. Até então, os avanços do comércio e da indústria, por mais satisfatórios e impressionantes que fossem, tinham sido essencialmente superficiais: mais riqueza, mais mercadorias, cidades prósperas, nababos mercantis. O mundo havia assistido a outros períodos de prosperidade industrial – na Itália medieval e em Flandres, por exemplo – mas vira a fronteira do novo avanço econômico retroceder em cada um desses casos; inexistindo mudanças qualitativas e melhorias na produtividade não podia haver garantia de que os lucros meramente quantitativos se consolidassem. Foi a Revolução Industrial que deu início a um avanço cumulativo e auto-sustentado da tecnologia, cujas repercussões se fariam sentir em todos os aspectos da vida econômica. Esses avanços materiais provocaram e promoveram um grande complexo de mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais, que influenciaram reciprocamente a velocidade e o curso do desenvolvimento tecnológico.

A industrialização, por seu turno, está no coração de um processo maior e mais complexo, muitas vezes designado como modernização. Ela abrange avanços como a urbanização; a redução acentuada das taxas de mortalidade e natalidade; o estabelecimento de uma burocracia governamental eficaz e bastante centralizada; a criação de um sistema educacional capaz de formar e socializar as crianças e adultos (no qual o Anglo é um de seus resultados. Será que era pensável, há duas décadas passadas, a existência, em Foz do Iguaçu, por exemplo, de uma Faculdade com doutores e mestres de elevada formação?); e a aquisição da capacidade e dos meios de utilizar uma tecnologia atualizada.

Vários fatores concorrem para explicar a localização inicial da Revolução Industrial. A Europa Ocidental já era rica antes da Revolução Industrial – rica em comparação com outras partes do mundo naquela época e do mundo pré- industrial de hoje. Essa riqueza era produto de séculos de lenta acumulação, baseada, por sua vez, no investimento, na apropriação de recursos e de mão-de- obra extra-européia e num progresso tecnológico substancial, não apenas na produção de bens materiais, mas também na organização e financiamento de sua troca e distribuição. Também, o âmbito da atividade privada era muito maior na Europa Ocidental do que em outras partes do mundo, e aumentou à medida que a própria economia cresceu e abriu novas áreas de iniciativa não cercada por regras ou costumes. Essa tendência era auto-reforçadora: cresciam mais depressa as economias que eram mais livres. Ainda mais importante foi o impulso dado à inovação. Os valores cruciais da cultura e da sociedade européia que deram origem ao moderno mundo industrializado eram: de um lado, a racionalidade nos meios; de outro, fins cheios de energia, e não quietistas.

Mas, esses valores, isoladamente, não explicam toda a discrepância existente entre o desenvolvimento econômico ocidental e o dos principais centros da civilização em outras áreas.

Por fim, houve, também, o elemento da violência diferencial – a violência, primeiramente, no sentido das incursões destrutivas, e, em segundo lugar, no sentido da dominação e exploração de uma sociedade por outra.

É importante percebermos, caro leitor, que esses elementos foram decisivos para o início da Revolução Industrial (nos países “brancos” da Europa Ocidental). Sobre esse assunto temos muito que falar, mas, parte ficará para os próximos artigos. Até lá!


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