Jornal do Anglo







 

Desemprego triplica no Brasil

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, IPEA, acaba de divulgar um importante trabalho e o seu resultado é preocupante, pois a falta de investimento em relação à formação da juventude brasileira é dos maiores nos últimos anos. Dentre várias situações abordadas, o estudo exibe que, entre 1987 e 2007, o desemprego triplicou entre os jovens, passando de 7% para 20% na faixa etária dos 16 aos 20 anos. E na faixa dos 21 aos 29 anos, o desemprego mais que dobrou, passando de 5% para 11% no mesmo período. Em 2007, havia 4,8 milhões de jovens desempregados, 60,74% do total dos desempregados no Brasil. Especialmente alto, 19,8%, era o número de jovens que não estudavam e nem trabalhavam. Os resultados do IPEA deixam claro que não existem ações do governo coordenadas para os jovens.

Importante ressaltar que os fenômenos com as altas taxas de evasão escolar, índices alarmantes de morte precoce ou reprodução de desigualdades centenárias entre as novas gerações confirmam uma trajetória absolutamente irregular e de fracassos visíveis na faixa etária entre 15 e 29 anos. Ainda de acordo com o IPEA, o Brasil não está tirando proveito do bônus demográfico que a onda jovem possibilita. Isso quer dizer que as políticas públicas para a juventude chegaram muito tarde. Todavia, poderão ser implementadas, se houver de fato vontade política e estratégias reais para que se possa alcançar tal finalidade. Convém ressaltar que o jovem negro e pobre é uma das maiores vítimas da atual falta dessas políticas específicas.

Os dados do IPEA revelam ainda que o desemprego atinge 20% da população de 16 a 20 anos e 11%, de 21 a 29 anos. O percentual de trabalhadores sem carteira assinada, de 18 a 24 anos, atinge 50%, e de 25 a 29 anos, 30%. O Brasil tem 1,7% de jovens analfabetos, de 15 a 17 anos; 2,4%, de 18 a 24 anos, e 4,3%, de 25 a 29 anos. Poucos alunos conseguem chegar ao ensino superior, pois apenas 13%, na faixa de 18 a 24 anos, encontram-se nas universidades, sendo que 31% têm acesso à escola. O fracasso escolar, na população de jovens entre 15 e 17 anos, é real. Quarenta e oito por cento freqüentam o ensino médio; 44% não concluíram o ensino fundamental e 18% estão fora da escola. As causas do abandono escolar, entre os homens jovens e que tiveram oportunidade de trabalho, situam-se 42,2%; e entre as mulheres jovens, 21,1%, ficaram grávidas.

Das mortes precoces de jovens do sexo masculino, as provocadas por homicídios e acidentes de trânsito são 78%. Já na faixa entre 15 e 29 anos, são provocadas por AIDS transmitidas sexualmente, 30%. Os índices de mortes dos jovens no trânsito são alarmantes: 26,5% de vítimas fatais na faixa de 18 a 29 anos e 36,9% das vítimas não fatais entre 18 a 29 anos, contra 17,3% em todas as faixas de idade.

Outro “relatório também recém-divulgado, ‘Alcançando os Marginalizados”, pela UNESCO em Nova Iorque, mostra que o Brasil continua sendo o país com o maior numero de crianças fora da escola na America Latina e no Caribe. O país também teve os piores números de repetência na escola primária, de 19% em 2007, enquanto os dos vizinhos latino-americanos e caribenhos giraram em torno de 4%. Esse estudo é elaborado anualmente por uma equipe independente e publicado pela UNESCO.

Essa pesquisa avaliou ainda o tipo de educação, com testes de leitura em alunos com oito anos de escola. Entre 36% e 58% dos estudantes do Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e argentina não demonstraram a capacidade de leitura que alunos de países desenvolvidos alcançam no meio da escola primária. Programas como o Bolsa Família e o Brasil Alfabetizado foram reconhecidos como formas de combater problemas na educação, mas não suficientes em suas abrangências.

Dessa forma, faz-se mister que a educação seja uma bandeira permanente e uma política de Estado, para que esses índices sejam de fato revertidos e com urgência.



Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano

 

Zilda Arns, um belo e raro exemplo de vida

Um terremoto de magnitude sete, na Escala Richter, e considerado, pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, o mais forte nos últimos 200 anos, atingiu Porto Príncipe, capital do Haiti, deixando mais de 200 mil mortos, dentre os quais a fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, além de militares brasileiros da missão de paz das Nações Unidas. O mundo ainda encontra-se chocado e perplexo com a situação em que se encontra o povo do Haiti e os brasileiros, em especial, choram a morte de uma mulher que, com seu olhar meigo e fraterno, sorriso discreto e fala mansa, conseguiu levar aos quatro cantos do mundo palavras de paz, de amor, de sabedoria. Zilda Arns foi atingida pelo terremoto, enquanto ministrava uma palestra na Igreja do Sagrado Coração. Como sempre, pregava fé, esperança e caridade. Suas palavras serviam de balsamo e de esperança. Uma verdadeira e incansável missionária que, aos 75 anos, continuava à frente de um trabalho dos mais espetaculares em prol das crianças.

Zilda Arns foi uma cidadã do mundo, um exemplo de cidadania e de solidariedade e certamente o maior ícone brasileiro da ajuda humanitária de todos os tempos em nosso país. Formada em medicina, aprofundou-se em saúde pública, pediatria e sanitarismo, visando a salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário. Compreendendo que a educação revelou-se a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a marginalidade das crianças, para otimizar a sua ação, desenvolveu uma metodologia própria de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João. Zilda Arns era uma líder inconfundível, estava sempre pronta a servir, independente, suprapartidária e dona de uma fé contagiante. Deixa um legado dos mais nobres e, por seu trabalho, dedicação e nobreza de espírito insere-se no Panteão dos Heróis Nacionais, com distinção e louvor.

Irmã do Cardeal Arcebispo Emérito de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, prima de D. Leonardo Ulrich Steiner, Bispo de São Félix do Araguaia e tia do Senador Flávio Arns, PSDB-PR, Zilda era viúva, teve seis filhos e era avó de nove netos.
Sua experiência fez com que, em 1980, fosse convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin, para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória, no Paraná, criando um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde. Três anos mais tarde, a pedido da CNBB, criou a Pastoral da Criança juntamente com o presidente da CNBB, dom Geraldo Magella, Cardeal Agnelo, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, que, à época, era Arcebispo de Londrina. No mesmo ano, deu início à experiência a partir de um projeto-piloto em Florestópolis, Paraná. Após vinte e cinco anos, a pastoral acompanhou 1 816 261 crianças menores de seis anos e 1 407 743 de famílias pobres em 4060 municípios brasileiros. Neste período, mais de 261 962 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres, criando condições para que elas se tornem protagonistas de sua própria transformação social.


Pelo trabalho desenvolvido e reconhecido mundialmente, Zilda Arns recebeu diversas menções internacionais e títulos importantes, como os de cidadã honorária de várias cidades do Brasil, assim como os de Doutora Honoris Causa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, da Universidade Federal do Paraná, da Universidade do Extremo-Sul Catarinense de Criciúma, da Universidade Federal de Santa Catarina e da Universidade do Sul de Santa Catarina. Em 2001, 2002, 2003 e 2005,  a Pastoral da Criança foi indicada pelo Governo Brasileiro ao Prêmio Nobel da Paz. Em 2006, Zilda Arns foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz.


Zilda Arns morreu em uma missão, no interior de um templo católico, levando sua palavra de otimismo aos que dela precisavam. Lembrando Brecht, “há homens que lutam muitos anos e são melhores, mas há os que lutam toda a vida, esses são os imprescindíveis”. Zilda Arns deixa uma imensa saudade, um enorme vazio, uma tristeza profunda, mas uma esperança renovada, pois seu belo e raro exemplo de vida será sempre venerado.



Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano

 

A Estrela Dalva
A mistura do amor puro de uma cantora pelo autor de seus sucessos com sua decepção por ser tratada como mera fonte de renda foi o enredo de Dalva e Herivelto, Uma Canção de Amor, uma minissérie exibida pela TV Globo. Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, ícones brasileiros da "Era do Rádio", marcaram época não só com suas vozes e letras, mas também pelos conflitos conjugais. A autora Maria Adelaide do Amaral soube com grande talento escrever essa história de vida, carregada de ingredientes fascinantes: paixão, traição, ciúme, agressão e momentos de alta dramaticidade. O resultado foi um dos maiores espetáculos da televisão brasileira, sob a direção competente e segura de Dennis Carvalho. Adriana Esteves e Fábio Assunção deram uma demonstração de talento e de profissionalismo, ao incorporarem Dalva e Herivelto. Certamente, esses personagens ficarão para sempre nas mentes e nos corações dos telespectadores.

A minissérie retrocede no tempo a partir de 1972, quando Dalva, em seu leito de morte, aguarda uma visita do primeiro marido e único e verdadeiro amor, Herivelto. A partir daí, o público confere a trajetória do casal desde a época em que se conheceram, em 1936, no Teatro Pátria, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. Apesar de fazer questão de cuidar de todos os detalhes de Dalva na carreira musical, Herivelto não dá atenção à mulher fora dos palcos. Mulherengo, coleciona conquistas extraconjugais, até que se apaixona pela aeromoça Lurdes, de Maria Fernanda Cândido, que conhece durante um voo. Começa aí a tumultuada separação dos músicos, que ganhou as páginas dos jornais, as letras de músicas da época e atraiu a curiosidade de multidões no fim da década de 40. Tanto que o casal chegou a perder a guarda dos dois filhos. A relação, na verdade, teria findado antes, não fosse o medo de Herivelto de destruir a própria carreira e, é claro, deixar de ganhar os cachês gordos pelas apresentações do Trio de Ouro, do qual fazia parte com a mulher e o cantor Nilo Chagas. Para garantir a coerência com a história dos músicos e as épocas retratadas, foram pesquisadas biografias não só dos personagens principais, mas de todos os que apareceram na minissérie, como Rick Valdez, Linda Batista, Grande Otelo, Dercy Gonçalves, Francisco Alves, os filhos Billy e Pery Ribeiro, César Ladeira, Marlene, Emilinha Borba e Orlando Silva. Além disso, a equipe teve acesso às correspondências amorosas trocadas por Herivelto e Lurdes e aos artigos publicados na série Por Que Deixei Dalva de Oliveira, que o compositor escreveu para o jornal de David Nasser. Poucas cantoras atingiram uma escala de empatia com o público como Dalva.

Dalva morreu no 31 de agosto de 1972, deixando uma multidão de fans tristes. Já Herivelto Martins tem sua trajetória dividida em duas partes: antes e depois de Dalva de Oliveira, de 1936 até 1950, quando se separaram definitivamente. A vida conjugal de Herivelto e Dalva foi sempre muito tumultuada. Após 10 anos de casamento e dois filhos Pery (Ribeiro, que fez muito sucesso bem mais tarde) e Ubiratan, separaram-se, protagonizando um escândalo nacional, divulgado pela imprensa. Esse episódio serviu para fortalecer a carreira de Herivelto, pois, diante do sofrimento da separação, fez letras que eram maravilhosas, retratando fielmente, a crise que estava vivendo. A partir daí houve um verdadeiro duelo musical, ele de um lado, juntamente com David Nasser (jornalista e compositor) e Dalva de outro, sustentada por letras/músicas de Ataulfo Alves, Nelson Cavaquinho, Mário Rossi, J. Piedade e Marino Pinto.Tudo começou com o samba de Herivelto "Cabelos Brancos", respondido por Dalva com o "Tudo acabado", de J. Piedade e Osvaldo Martins. Herivelto respondia com outras canções como "Caminhemos", "Quarto Vazio", "Caminho Certo" e "Segredo". Dalva rebatia com "Calúnia", "Errei sim" e "Mentira de Amor". E o público brasileiro era quem ganhava. A época era de viver uma boa fossa e as música embalavam os suspiros a favor, ora de Herivelto, ora de Dalva. Mas, a vida não deixa barato e ele conheceu Lurdes Torelly, seu grande amor e companheira pelo resto da vida. A morena de olhos verdes viveu com ele por quase 40 anos e lhe deu três filhos: Fernando, Yaçanã e Herivelto Filho. Para ela foi composta a música "Pensando em ti", que acirrou mais ainda o duelo musical com Dalva. Algum tempo depois Dalva e Lurdes tornaram-se muito amigas, sendo Lurdes o esteio de Dalva até o fim de sua vida. A minissérie exibida pela Globo serviu para resgatar as importantes carreiras de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins e ainda para fazer com que as novas gerações pudesse conhecer um pouco sobre esses dois grandes astros brasileiros de tempos passados.


Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano

 

 

Hoje é Dia de Reis. Você sabe o que é isso?


No Brasil, o Dia de Reis perdeu muito do significado religioso. Em algumas localidades da Europa, contudo, a data é mais solene até mesmo do que o Natal. Hoje é Dia de Reis Magos, Festa de Reis ou, mais tecnicamente, Epifania. Mas, o que exatamente significa essa data e a cele bração ligada a ela? É o dia em que Jesus se manifesta para outros povos. Diz a tradição que foi nesse dia que os Reis Magos viram a Estrela de Belém no céu e foram ao encontro de Jesus que havia nascido há pouco. Segundo a Bíblia, tendo Jesus nascido em Belém, no tempo do Rei Herodes, os Magos do Oriente chegaram a Jerusalém perguntando: "Onde está o Rei dos Judeus, recém-nascido? Vimos sua estrela e viemos adorá-lo".

A designação "Mago" era dada, entre os orientais, à classe dos sábios ou eruditos. Ignora-se a proveniência dos Reis Magos, mas supõe-se que fossem da Arábia, tendo em conta os presentes ofertados ao Menino Jesus: ouro, incenso e mirra - prendas que simbolizavam a realeza, a divindade e a imortalidade do novo Rei.

A Bíblia não menciona a palavra Reis. Ela menciona como os “Magos” vindos do Oriente, e também não diz três, mas como Jesus recebeu três presentes, criou-se a tradição de falar que são três pessoas, cada uma deles dando-lhe um presente.

Segundo a tradição, um era negro (africano), o outro branco (europeu) e o terceiro moreno (assírio ou persa) e representavam toda a humanidade conhecida daquela época. Quanto aos nomes dos três, foi Beda, um cronista inglês que viveu entre 673 e 735 d.C., quem deu nome aos magos: Gaspar, Belchior e Baltazar.

Essa festa se tornou uma grande celebração na igreja ortodoxa, tanto católica quanto russa. E tanto isso é verdade que, em determinados países, as pessoas ganham presentes no dia 6 de janeiro. Na Espanha, a data é chamada de Festa de Reis. Na Itália, eles chamam a festa da "Befana", que seria uma velha bruxinha boa que dá presente para as crianças. Essa tradição é seguida até hoje por lá: ninguém recebe presente no dia 25 de dezembro e, sim, no dia 6 de janeiro. Na Europa inteira é feriado no Dia de Reis.

Além das comemorações descritas, é justamente no dia de hoje que as decorações natalinas são desfeitas. Os enfeites são tirados das árvores, as guirlandas retiradas das portas, os presépios desmontados.

Apesar de a maioria dos brasileiros não estar tão ligada quanto aos europeus à Festa de Reis, inúmeras comunidades, principalmente no interior do Brasil, promovem os chamados Reisados ou Folias de Reis, festas folclóricas que receberam a influência das origens européias da celebração mas que adotaram formas, cores e significados locais bastantes próprios de nosso povo na expressão que virou parte de nossa cultura.

Os Reisados brasileiros envolvem música, dança, celebração religiosa, orações, com elementos específicos mais marcantes dependendo da região do país, e acrescenta a tradição de que aqueles que recebem a visita do Reisado em suas casas (na realidade, o simbolismo representa a visita dos Reis Magos a Jesus) devem oferecer graciosamente comida a seus integrantes, que realizam toda sua performance de tradição folclórico-religiosa local, enaltecem o hospedeiro, agradecem pela comida e seguem para o próximo destino.

Afinal, que estranha estrela seria essa que teria guiado os Reis Magos?

No final do ano de 1572, o astrônomo dinamarquês Tycho-Brahe descobriu uma estrela muito brilhante na constelação de Cassiopéia. Na verdade, o seu brilho era tanto que o novo astro podia ser visto mesmo à luz do dia, durante quase 20 meses. Mais tarde, esse fenômeno seria batizado de nova e supernova, denominações usadas em Astronomia para designar as estrelas que explodem, aumentando assustadoramente de brilho e, depois de algum tempo, quase desaparecem do firmamento.

Contemporâneos de Tycho-Brahe viram no astro a mesma estrela que teria guiado os Magos, enquanto outros afirmavam que o fenômeno anunciava a chegada de um segundo Salvador. Outra versão proposta pelo filósofo grego Orígenes (que viveu de 183 a 254 d.C.) supõe que o agora conhecido cometa Halley teria sido o astro visto pelos Magos. Alguns acreditam que a visão da estrela pode ter sido consequência de uma conjugação planetária.

Atualmente, ainda não existe nenhum consenso. O astrônomo britânico Patrick Moore avança mais uma hipótese para o ocorrido. Segundo ele, a luz intensa vista naquelas localidades do Oriente não passou de uma chuva de meteoros.

A data, todavia, marca, para os católicos, o dia para a veneração aos Reis Magos, que a tradição surgida no Século VIII converteu nos santos Melquior, Gaspar e Baltazar.

 

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano

 

Curiosidades sobre o Ano Novo


E Você sabia que o Ano Novo se consolidou na maioria dos países há 500 anos? Desde os calendários babilônicos (2.800 a.C.) até o calendário gregoriano, o réveillon mudou muitas vezes de data.

A primeira comemoração, chamada de "Festival de ano-novo" ocorreu na Mesopotâmia por volta de 2.000 a. C. Na Babilônia, a festa começava na ocasião da lua nova indicando o equinócio da primavera, ou seja, um dos momentos em que o Sol se aproxima da linha do Equador onde os dias e noites têm a mesma duração. No calendário atual, isto ocorre em meados de março (mais precisamente em 19 de março, data que os espiritualistas comemoram o ano-novo esotérico).

Os assírios, persas, fenícios e egípcios comemoravam o ano-novo no mês de setembro (dia 23). Já os gregos, celebravam o início de um novo ciclo entre os dias 21 ou 22 do mês de dezembro.

Os romanos foram os primeiros há estabelecerem um dia no calendário para a comemoração desta grande festa (753 a.C. - 476 d.C.) O ano começava em 1º de março, mas foi trocado em 153 a. C. para 1º de janeiro e mantido no calendário Juliano, adotado em 46 a. C. Em 1582 a Igreja consolidou a comemoração, quando adotou o calendário gregoriano.

Alguns povos e países comemoram em datas diferentes. Ainda hoje, na China, a festa da passagem do ano começa em fins de janeiro ou princípio de fevereiro. Durante os festejos, os chineses realizam desfiles e shows pirotécnicos. No Japão, o ano-novo é comemorado do dia 1º de janeiro ao dia 3 de janeiro.

A comunidade judaica tem um calendário próprio e sua festa de ano-novo ou Rosh Hashaná, - "A festa das trombetas" -, dura dois dias do mês Tishrê, que ocorre em meados de setembro ao início de outubro do calendário gregoriano. Para os islâmicos, o ano-novo é celebrado em meados de maio, marcando um novo início. A contagem corresponde ao aniversário da Hégira (em árabe, emigração), cujo Ano Zero corresponde ao nosso ano de 622, pois nesta ocasião, o profeta Maomé, deixou a cidade de Meca estabelecendo-se em Medina.

Tradições no mundo:

Itália: O ano novo é a mais pagã das festas, sendo recebido com Fogos de artifícios, que deixam todas as pessoas acordadas. Em várias partes do país, dois pratos são considerados essenciais. O pé de porco e as lentilhas. Os italianos se reúnem na Piazza Navona, Fontana di Trevi, Trinitá dei Monit e Piazza del Popolo.

Estados Unidos: A mais famosa passagem de Ano Novo nos EUA é em Nova Iorque, na Time Square, onde o povo se encontra para beber, dançar, correr e gritar. Durante a contagem regressiva, uma grande maçã vai descendo no meio da praça e explode exatamente à meia-noite, jogando balas e bombons para todos os lados.

Austrália: Em Sydney, três horas antes da meia-noite, há uma queima de fogos na frente da Opera House e da Golden Bridge, o principal cartão postal da cidade. Para assistir ao espetáculo, os australianos se juntam no porto

França: O principal ponto é a avenida Champs-Elysées, em Paris, próximo ao Arco do Triunfo. Os franceses assistem à queima de fogos, cada um com sua garrafa de champanhe (para as crianças sumos e refrigerantes).

Brasil: No Rio de Janeiro, na praia de Copacabana, onde a passagem do Ano Novo reúne milhares de pessoas para verem os fogos de artifício. As tradições consistem em usar branco e jogar flores para “Yemanjá”, rainha do mar para os brasileiros.

Inglaterra: Grande parte dos londrinos passa a meia-noite em suas casas, com a família e amigos. Outros vão à Trafalgar Square, umas das praças mais belas da cidade. Lá, assistem à queima de fogos.

Alemanha: As pessoas reúnem-se no Portal de Brandemburgo, no centro, perto de onde ficava o Muro de Berlim.

 

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano

 

Uma árvore de Natal para você


E chegamos ao mês de dezembro! Um Mês de festas, de comemorações...
Um Mês Santo. Nascimento de Jesus.
Tempo para pensarmos, refletirmos. Avaliarmos atos e ações.
Projetarmos o nosso futuro, com base nos bons acontecimentos e nos nem tão bons assim havidos neste ano que está por se encerrar.
O importante mesmo é cultivar amizades, armazenar sabedoria, amar o próximo, realizar, fazer acontecer, com ética, seriedade e verdade.

Paz
União
Alegrias
Esperanças
Amor Sucesso
Realizações Luz
Respeito Harmonia
Saúde Solidariedade
Felicidade Humildade
Confraternização Pureza
Amizade Sabedoria Perdão
Igualdade Liberdade Boa Sorte
Sinceridade Estima Fraternidade
Equilíbrio Dignidade Benevolência Fé Bondade

Paciência Gratidão
Força Tenacidade
Prosperidade
Reconhecimento


Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano

 

No Vale dos Caídos, a História da Espanha


A poucos quilômetros de Madri e a apenas 14 km da Cidade de San Lorenzo de El Escorial está situado o Valle de los Caídos (Vale dos Caídos). Trata-se de um monumento de grandes dimensões construído em 1940, por ordem do ditador espanhol Francisco Franco. A sua construção demorou 18 anos para ser concluída, formando um complexo composto por uma basílica, abadia e hospedaria, em memória dos mortos na Guerra Civil Espanhola, de 1936-1939. Apesar de não ter sido vítima dessa guerra, Franco está enterrado no Vale, assim como José Antonio Primo de Rivera, outro ditador, e mais 33.872 combatentes. Em 1975, após a morte de Franco, o local foi designado pelo governo interino como o local de sepultamento para ele que, na verdade, nunca manifestara desejo de ser ali sepultado, mas em Madri. Franco está sepultado dentro da igreja e seu túmulo é uma simples lápide gravada com seu nome, ao lado da coroa do altar-mor. Apesar das fortes conotações e lembranças histórico-políticas, o monumento é regido como um cemitério, onde é proibido exprimir qualquer tipo de ideologia.

Elevando-se acima do vale encontra-se a Basílica de la Santa Cruz del Valle de los Caídos, uma das maiores do mundo, e também a cruz mais alta do mundo, com 152,4 metros. Em 1960, o Papa João XXIII declarou a cripta subterrânea uma basílica. Acontece, porém, que as dimensões da basílica subterrânea seriam maiores do que aquelas da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Para evitar que isso acontecesse, uma parede de separação foi construída perto da entrada. Nenhuma basílica pode ser maior do que a situada no Vaticano.

O santuário, um marco na arquitetura espanhola do século passado, foi concebido por Pedro Muguruza e Méndez Diego em uma escala de igualdade, de acordo com Franco, com "a grandeza dos monumentos da antiguidade, que desafiam o tempo e esquecimento". As esculturas monumentais sobre o portão principal e a base da cruz culminou com a carreira de Juan de Ávalos. O monumento consiste em uma ampla esplanada com uma espetacular vista do vale e dos arredores de Madri. Embora o vale abrigue sepulturas de nacionalistas e de republicanos, ele é nitidamente nacionalista e anticomunista, contendo a inscrição "Por Dios y Caídos por Espana”, refletindo, assim, as estreitas relações do regime nacionalista de Franco com a Igreja Católica.

Hoje, o Governo socialista da Espanha pensa em tornar o Vale dos Caídos em um "monumento à Democracia". O Vale é um dos mais visitados locais turísticos de toda a Espanha, pela sua história social e política e também pela sua grandiosidade. Comum se verificar a presença de estudantes universitários ou do ensino básico, fazendo pesquisas no local, tirando fotos e entrevistando os turistas e espanhóis que ali se encontram. Pela beleza e suntuosidade do local, artistas plásticos também se inspiram nas paisagens da serra e no próprio monumento, um dos mais conhecidos postais de toda a Espanha.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Noruega, país mais desenvolvido do mundo


A Noruega é um país do norte da Europa, situada na Escandinávia. Belíssimas paisagens e cidades marcam o país como os Fiordes e a bela capital, Oslo. É segundo a Organização das Nações Unidas, o país mais desenvolvido do mundo há seis anos. É bastante conhecida por seus vikings e peixes, especialmente o bacalhau, e sua população é baixa, aproximadamente 4.6 Milhões de habitantes.

Nas duas primeiras décadas após a Segunda Guerra Mundial, o país experimentou um rápido crescimento econômico devido ao transporte marítimo, a marinha mercante norueguesa e pela industrialização doméstica. Já a partir da década de 1970, o crescimento foi resultado da descoberta de grandes jazidas de petróleo no Mar do Norte e no Mar da Noruega. O país é dotado de ricos recursos naturais - petróleo, energia hidroelétrica, peixes, florestas, e minerais - e está altamente dependente da sua produção e dos preços internacionais do petróleo. Somente a Arábia Saudita e a Rússia exportam mais petróleo do que a Noruega.

Hoje o país é classificado como o mais rico do mundo, com a maior reserva de capital per capita do que qualquer outra nação. Em agosto último, o fundo de riqueza da nação anunciou que possuía cerca de 1% de todas as ações de bolsas de valores do mundo, provavelmente referindo-se a ações negociadas publicamente. A Noruega é o sétimo maior exportador de petróleo do mundo e a indústria do petróleo representa cerca de um quarto do PIB do país. Depois da Crise econômica de 2008-2009, os banqueiros têm considerado a coroa norueguesa uma das mais sólidas moedas do mundo.

A Noruega também possui ricos recursos em campos de gás, hidroeletricidade, peixes, florestas e minerais. O país mantém o modelo social escandinavo baseado na saúde universal, no ensino superior subsidiado e em um regime compreensivo de previdência social. A Universidade de Oslo é a mais antiga das universidades norueguesas e foi fundada em 1881, quando o país encontrava-se em domínio dinamarquês. Ela conta com cerca de trinta e oito mil estudantes. A Universidade de Oslo faz parte da Rede de Universidades das Capitais da Europa, uma organização que envolve 24 unversidades e que dá uma ênfase particular a políticas no âmbito de temáticas urbanas e de gestão universitária. A Universidade de Oslo está organizada em oito faculdades (Teologia, Direito, Medicina, Humanidades, Matemática e Ciências Naturais, Medicina Dentária, Ciências Sociais e Educação), oferecendo formação em vinte áreas do conhecimento. O campus central da universidade, onde apenas a Faculdade de Direito está localizada, é espetacular. Próximo do Castelo Real, do Parlamento e do Teatro Nacional, esses prédios foram inspirados pelas famosas construções do arquieto prussiano Karl Friedrich Schinkel. A universidade, além disso, integra 17 museus, 4 hospitais, uma estação biológica em Drøbak, uma estação ecológica de alta montanha em Finse, a Estação Arqueológica de Isegran e os Institutos Noruegueses de Roma e de Atenas. Cinco vencedores do Prêmio Nobel estudaram na instituição, o que indica a altíssima qualidade de seu ensino. São eles: Fridtjof Nansen, Ragnar Frisch, Odd Hassel, Ivar Giaever e Trygve Haavelmo.

A Noruega foi classificada como o melhor país do mundo em desenvolvimento humano entre 2001 e 2007. E este ano, o país foi novamente classificado pela ONU como o melhor país do mundo para se viver. A Noruega também foi avaliada como o país mais pacífico do mundo em uma pesquisa realizada em 2007 pelo Índice Global da Paz.

Com a qualidade de vida mais elevada do mundo, os noruegueses preocupam-se bastante com as duas décadas seguintes quando o petróleo e o gás começarem a acabar. Consequentemente, a Noruega tem acumulado os seus excedentes orçamentais, derivados do petróleo, num fundo governamental que investiu no exterior e que em 2003 foi avaliado em 114 bilhões de dólares americanos. Por todas as suas características, a Noruega é um exemplo para todo o mundo.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Ensino superior tem quase 1,5 milhão de vagas ociosas


O crescimento do número de matrículas no ensino superior entre 2007 e 2008 não acompanhou a expansão das vagas. Em todo o país, foram registradas 1.479.318 vagas não preenchidas, de acordo com informações do Censo da Educação Superior, divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério da Educação (MEC).

As instituições privadas respondem por 98% dessas vagas. Entre 2007 e 2008, o aumento de vagas ociosas foi de 10%. Apesar de alto, ainda é menor do que o registrado no período anterior, de 13%. O relatório aponta que é preciso analisar as razões para um número tão grande de vagas desocupadas, pois "a oferta deve refletir a capacidade instalada do setor para atender à demanda por cursos de graduação".

O censo revelou ainda que o país tinha 5.808.017 estudantes de graduação no ano passado. Deste total de universitários, 727.961 frequentavam cursos de graduação à distância e os demais 5.080.056, cursos presenciais. O censo revela que o crescimento das matrículas presenciais foi de 4,1%, em relação a 2007, enquanto na educação à distância o salto foi de 96,9% no mesmo período.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, julga que o Brasil não conseguirá atingir a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação para 2011, de que pelo menos 30% da população de 18 a 24 anos frequente a universidade. Em 2008, essa taxa, calculada com base em dados da Pnad, era de 13,71%. Considerando-se todos os universitários brasileiros, independentemente da idade, a taxa bruta de matrículas era de 25,52%. Para a secretária de Educação Superior, Maria Paula Dallari Bucci, é "legítimo" que o país leve em conta essa taxa bruta, já que o país convive com atraso escolar em todos os níveis de ensino. Reynaldo Fernandes acredita que, nos países desenvolvidos, a taxa bruta costuma ser praticamente a mesma da taxa líquida.

Nas instituições federais de ensino superior, houve aumento de 21.513 novas vagas presenciais e à distância, um incremento de 12,2% - somadas as duas modalidades de ensino - em relação a 2007.

Maria Paula apresentou, em Brasília na última semana, balanço do Reuni, o programa de expansão das universidades federais. Segundo ela, no primeiro ano de vigência do programa, até o primeiro semestre de 2008, foram criadas cerca de 15 mil vagas presenciais. O investimento federal foi de 415 milhões. Até 2012, o investimento previsto é de R$ 3,5 bilhões. A secretária disse que as universidades contrataram 9.489 professores e 6.355 técnico-administrativos.

Esse número, segundo a Secretária, é quase mais importante do que todo o resto. A transformação da universidade federal está nessa renovação. São profissionais qualificados. Daqui a alguns anos, isso vai significar uma transformação de A a Z na universidade.

Já os resultados consolidados do Censo Escolar da Educação Básica de 2009 estão no Diário Oficial da União desde a última segunda-feira. Os dados são relativos aos segmentos que servem de base para o cálculo da distribuição dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

Os dados completos, com informações sobre infraestrutura e instituições federais e privadas, por município, serão brevemente divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

De acordo com os dados preliminares do censo, divulgados em setembro, as matrículas na educação básica tiveram uma queda de 2,1% de 2008 para 2009.

O censo realizado em parceria com as redes municipais e estaduais é o mais abrangente levantamento estatístico sobre a educação básica no país. As informações são usadas pelo Ministério da Educação (MEC) para a formulação de políticas e também para definir os critérios de repasse de recursos a escolas, estados e municípios.

Os dados do censo também servem de base para o cálculo dos indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que serve de referência para as metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).

O Censo Escolar de 2009 levantou dados sobre escolas, turmas, professores e alunos de todas as etapas e modalidades da educação básica em todo o país. Com essas informações, os pesquisadores e órgãos de governo podem verificar tanto a situação atual e a evolução da educação básica quanto os resultados das políticas em curso.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Ministério da Saúde e CNBB incentivam testagem de HIV


O Ministério da Saúde, por meio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se uniram em uma ação inédita e histórica. A Igreja Católica mobilizará suas pastorais e movimentos religiosos, além da rede de saúde e meios de comunicação, para sensibilizar os fiéis sobre a importância da testagem para aids na população geral e para sífilis entre as gestantes. Com slogan Declare seu amor por você, a campanha será veiculada para o público em geral.

A parceria, de acordo com o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, tem forte conteúdo de humanização na abordagem do problema. O desafio de ampliar a testagem, necessariamente esbarra em temas como o receio, o medo e o preconceito. Os trabalhos que as pastorais realizam são fortes na defesa da luta pela vida. O anúncio feito na última semana, durante o lançamento da iniciativa em Brasília. O evento contou com a presença do secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, e o bispo referencial da Pastoral da DST/Aids, Dom Eugênio Rixen, entre outros representantes da Igreja.

A parceria da CNBB com o Ministério da Saúde começa com um projeto piloto em cinco capitais: Manaus, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre e João Pessoa. A iniciativa tem o objetivo de fazer com que as pessoas compreendam a necessidade de conhecer sua sorologia e busquem o teste antes que a doença se desenvolva. As paróquias que quiserem fazer mobilizações para testagem poderão contar com a rede pública de saúde que disponibilizará profissionais qualificados, testes, aconselhamento pré e pós-exame e encaminhamento à rede de assistência para os casos positivos.

Está prevista também a capacitação de integrantes das pastorais que aderirem à articulação. A Pastoral da Aids, por exemplo, está presente em 142 das 272 dioceses do Brasil e possui 13 mil agentes capacitados e envolvidos no trabalho de acompanhamento das pessoas com HIV e seus familiares. Na Pastoral da Criança são 260 mil agentes e na da Saúde 80 mil. Eles também poderão apoiar as ações de incentivo à testagem. Além da estrutura de mobilização social favorável à Saúde, a Igreja alcança populações em áreas de vulnerabilidade e é um formador de opinião pública de grande credibilidade.

A partir das reflexões feitas no VII Seminário Nacional de Prevenção, realizado em outubro de 2008 em Brasília, a Pastoral da Aids, por meio da CNBB, entregou ao Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais uma série de recomendações. O documento mencionava a importância do incentivo ao diagnóstico precoce e sugere sua ampliação do teste de aids. Em função das sugestões, o Ministério da Saúde estabeleceu a parceria com a Igreja para oferecer a testagem ao público católico.

Embora o teste seja gratuito e esteja disponível na rede de saúde, as pessoas têm dificuldades para se testar. O diagnóstico precoce, associado ao tratamento, é um dos principais fatores para aumentar a sobrevida e a qualidade de vida dos soropositivos. Dados do Ministério da Saúde de 2008 mostram que cerca de 60% da população brasileira jamais se testou para o HIV.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, entre 2003 e 2006, 43,7% dos pacientes soropositivos que chegaram aos serviços de saúde já apresentavam deficiência imunológica ou quadro clínico de sintomas da aids. Desse total, 28,7% evoluíram para quadro clínico mais grave e morreram no início do tratamento. Atualmente, são cerca de 630 mil pessoas vivendo com HIV e aids no país. Deste total, estima-se que 225 mil pessoas no Brasil sejam portadoras do HIV e desconhecem sua condição sorológica.

Essa parceria do Ministério da Saúde e a CNBB é importantíssima para a sociedade brasileira, uma vez que dará oportunidades efetivas para que aqueles que necessitam de um atendimento médico e ainda psicológico possam ser tratados com mais dignidade, preservando, assim, os direitos fundamentais do Homem.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Programa de apoio ao ensino em Defesa Nacional


O Programa de Apoio ao Ensino e à Pesquisa Científica e Tecnológica em Defesa Nacional – Pró-Defesa, constitui-se em uma ação do governo brasileiro destinada a fomentar a cooperação entre instituições civis e militares para implementar projetos voltados ao ensino, à produção de pesquisas científicas e tecnológicas e à formação de recursos humanos qualificados na área de Defesa Nacional.

O Programa é executado por meio de parceria entre o Ministério da Defesa (MD) e a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), estabelecida na Portaria Interministerial n.º 2.674/05. O Programa enquadra-se nas diretrizes da Capes de indução temporária de áreas estratégicas da política brasileira de ciência e tecnologia e consiste em conceder apoio financeiro aos projetos selecionados de acordo com os critérios definidos em Edital.

O Pró-Defesa objetiva estimular o ensino, a produção de pesquisas científicas e tecnológicas e a formação de recursos humanos pós-graduados em Defesa Nacional, contribuindo para desenvolver e consolidar o pensamento brasileiro na área.

E dentre os seus objetivos, cumpre destaca:

Contribuir para a criação, o fortalecimento e a ampliação de áreas de concentração, linhas de pesquisa e programas de pós-graduação stricto sensu no País que tratem de assuntos de interesse da Defesa Nacional.
Ampliar e disseminar a produção científica sobre questões relacionadas à Defesa Nacional.

Promover o intercâmbio de conhecimentos e o estabelecimento de parcerias entre Instituições de Ensino Superior (IES), Instituições Militares de Ensino, Centros de Estudo Estratégicos e outras instituições, visando a desenvolver estudos acadêmicos conjuntos na área de Defesa Nacional.

Apoiar a formação de recursos humanos pós-graduados capacitados para atuar na área de Defesa Nacional.
Estimular o diálogo entre especialistas civis e militares sobre assuntos atinentes à Defesa.

O Pró-Defesa foi implementado no ano de 2005, graças à percepção dos dirigentes do Ministério da Educação e da Defesa acerca da importância do tema para o conjunto de sociedade brasileira. Desta forma, a Coordenação de Aperfeiçoamento de pessoal de Nível Superior (CAPES/MEC) uniu-se ao Ministério da Defesa, em mútua cooperação, para executar esse Programa, cujos resultados têm contribuído significativamente para o desenvolvimento e consolidação da área de Defesa Nacional.

Devido ao sucesso da iniciativa e à grande aceitação por parte da comunidade acadêmica, os dois Órgãos envidaram esforços no sentido de dar continuidade ao Programa, lançando em 2008 o segundo edital para a seleção de novos projetos, ampliando a duração do Pró-Defesa até 2012 e elevando os recursos aplicados a cifras superiores a 10 milhões de reais.

Estão em execução, no âmbito do Pró-Defesa, 27 projetos envolvendo 26 instituições civis e 16 instituições militares, entre líderes e associadas, que participaram dos últimos processos de seleção. Instituições públicas e privadas brasileiras podem participar, desde que:

a) possuam, em seus programas de Pós-Graduação stricto sensu reconhecidos pelo MEC, área(s) de concentração ou linha(s) de pesquisa em Defesa Nacional. Poderão também concorrer as instituições que apresentem projeto viável de implantação dessas linhas de pesquisa; e

b) demonstrem comprometimento institucional inequívoco com o desenvolvimento das ações do projeto apresentado e com o fortalecimento do ensino e da pesquisa sobre Defesa Nacional, mesmo após o encerramento do projeto.

Admitir-se-á a participação de Instituições Militares de Ensino e Pesquisa em nível de Pós-Graduação que não possuam programas de pós-graduação stricto sensu, mas que estabeleçam associação com IES, respeitados os termos do edital pertinente.

Esse programa, desenvolvido no âmbito do Ministério da Defesa, é, na verdade, uma real possibilidade para o fomento de parcerias de cooperação entre instituições civis e militares para implementar projetos voltados à realização de pesquisas científicas e à formação de recursos humanos mais qualificados na área de Defesa Nacional.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

A encantadora Bibi Ferreira (II)


Nos anos 90, Bibi Ferreira revive seus maiores sucessos remontando Brasileiro, Profissão: Esperança e fazendo um espetáculo em que canta canções e conta histórias de Piaf. Em Bibi in Concert, comemora 50 anos de carreira e, depois de anos de temporada, faz o Bibi in Concert 2. Em 1996 recebe o Prêmio Sharp de Teatro, encena Roque Santeiro, de Dias Gomes, em versão musical, e dirige pela primeira vez uma ópera, Carmen, de Bizet, 1999.

Trabalhando sem parar e sendo sempre reconhecida pela crítica e pelo público, Bibi, em 2001, estréia no Rio de Janeiro o espetáculo Bibi Vive Amália, no qual contava e cantava a vida da fadista portuguesa Amália Rodrigues. Em 2003 dirigiu Antonio Fagundes em Sete Minutos. Em 2004, lançou CD e DVD do show Bibi Canta Piaf, em que a artista interpretava a cantora francesa Edith Piaf. Em outubro de 2005, Bibi Ferreira estreou o show Bibi in Concert III - Pop, em São Paulo.

Em 2007 Bibi voltou ao teatro de prosa em Às favas com os escrúpulos, de autoria de Juca de Oliveira e dirigida por Jô Soares. Este ano, em pleno Ano da França no Brasil, voltou aos palcos do Teatro João Caetano e Maison de France para uma curtíssima temporada de Bibi canta e conta Piaf, quando cantou Piaf e La Marseillaise, além do Chant des partisans.

Bibi Ferreira, essa diva do teatro brasileiro, segue incansável aos 87 anos, brilhando em tudo o que faz. Além de estar dirigindo no momento, já planeja, com o Maestro Flávio, encenar o espetáculo Bibi in Concert IV, em 2010.

E no regresso do Colégio Anglo-Americano, na Barra, ao Flamengo, bairro em que vive a artista, a conversa foi longa e espontânea. Conversamos sobre o momento atual do teatro, sobre a bela Adriane Galisteu, que Bibi a dirigiu e não lhe poupou elogios, “ela é uma atriz nata”, sobre os projetos para o futuro e sobre Piaf. “Sempre achei Piaf uma cantora depressiva e eu não gosto de tristezas e de depressões. Foi por muita insistência que fui cantar e encenar Piaf e isso só aconteceu depois de um ano de muita discussão e de ouvir todas as canções que ela já havia interpretado. E Piaf se incorporou à minha vida”, brinca a divertida Bibi, que, por alguns instantes, ainda no carro, cantou versos do Hino ao Amor...

Vivendo em um confortável apartamento, onde se destaca uma biblioteca com quase cinco mil volumes, e a paisagem do Pão de Açúcar, um dos mais lindos postais do país, Bibi é mesmo extraordinária. Com sete décadas de profissão, Bibi já fez de tudo. Ela é uma atriz de recursos absolutos, além de ser uma excepcional intérprete, uma cantora popular absolutamente fora dos padrões, mas que também opera muito bem no canto lírico. A versatilidade da artista que canta, dança, toca instrumentos, piano e violino, dirige e representa reflete-se em sua vida e seus gostos. “Gosto de tudo que se torna popular”, explica. Repetiu o exemplo do pai e foi enredo de escola de samba, desfilando na Viradouro, em 2003, quando foi ovacionada nas arquibancadas, pelas pessoas que gritavam seu nome em coro. “Uma das maiores emoções da minha vida”. Escrever não é seu forte. Ela prefere ler ou assistir a filmes comendo jujuba e acompanhada de seus gatos. “Não sei escrever bem, mas também não se pode ser perfeita em tudo”, diverte-se Bibi que, vaidosa e mesmo em casa, não dispensa um salto 15, para disfarçar seu 1,57 metro de altura.

Depois de dois casamentos e quatro “ligações amorosas”, Bibi tem uma única filha, Teresa Cristina, dois netos e dois bisnetos sempre por perto. Ela curte recebê-los e com eles trocar impressões sobre os mais variados assuntos.

A memória, tão boa quanto na juventude, lhe permite decorar textos, pontos de marcação nos palcos e seus extensos repertórios. E parar, para a alegria dos seus milhares de fãs, não faz parte dos planos dessa notável artista, enquanto a saúde continuar jogando a favor. E saúde e disposição não lhe faltam. Graças a Deus!

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

A inigualável Bibi Ferreira (I)


Filha do ator Procópio Ferreira e da bailarina e cantora espanhola Aída Izquierdo, Bibi Ferreira, 87 anos, contabiliza em seu extenso e diversificado currículo 54 peças e shows como atriz e intérprete e outros 61 trabalhos como diretora. Dentre troféus, medalhas e placas, soma quase uma centena de prêmios, entre os quais dois Molière de melhor atriz. A vivacidade de Bibi, sua forma carinhosa de se relacionar com as pessoas, sua voz espetacular, sua lucidez invejável e, sobretudo, sua vontade de criar e realizar espetáculos merece aplausos efusivos. Na verdade, esse é o seu maior combustível. Na semana passada, Bibi esteve em São Paulo, para inaugurar um novo teatro, recebeu mais um prêmio de melhor atriz, concedido pela Revista Contigo, e ainda foi a grande homenageada nos festejos dos 90 anos do Colégio Anglo-Americano, no Rio de Janeiro. E foi justamente nessa memorável comemoração, que reuniu cerca de três mil alunos e ex-alunos, professores e ex-professores, que Bibi, representando os discentes de todas as gerações fez um belo e emocionado discurso relembrando sua infância e adolescência e, como não poderia deixar de ser, cantou e interpretou canções para uma platéia atenta e que a aplaudiu de pé. Aos nove anos teve negada a matrícula no Colégio Sion, em Laranjeiras, por ser filha de um ator de teatro. Foi aí que seus pais a matricularam no Colégio Anglo Americano.

Bibi fez sua estréia teatral aos 24 dias de vida, na peça Manhãs de Sol, de Oduvaldo Vianna substituindo uma boneca que desaparecera pouco antes do início do espetáculo. Logo após, os pais se separaram e Bibi passou a viver com a mãe, que foi trabalhar na Companhia Velasco, uma companhia espanhola. Seu primeiro idioma, até os quatro anos, foi o espanhol. O idioma português e o grande amor pela ópera, Bibi herdaria do pai famoso. De volta ao Brasil, tornou-se a atriz mirim mais festejada do Rio de Janeiro. Entrou para o Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde permaneceu por longo tempo, até estrear na Companhia Procópio Ferreira.

Abigail Izquierdo Ferreira, a Bibi, desenvolveu ao longo de sua carreira um reconhecido talento como atriz e diretora de musicais de todos os tipos. Sua pequena estatura se transforma na interpretação de personagens como Joana, de Gota d'Água, ou Piaf.

Estréia profissionalmente, pelas mãos do pai, na comédia La Locandiera, de Carlo Goldoni, no papel-protagonista de Mirandolina, em 1941. Três anos depois, Bibi inaugura a própria companhia com Sétimo Céu, e contrata Maria Della Costa e Cacilda Becker, e a diretora Henriette Morineau. Em 1946, vai para Londres estudar direção na Royal Academy of Dramatics Arts. Na Inglaterra, estuda e trabalha em cinema. De volta ao Brasil, um ano mais tarde, estréia como diretora em Divórcio, de Clemence Dane, em que também atua, como filha do personagem interpretado por Procópio. Em 1949 interpreta Carlos, protagonista de O Noviço, de Martins Pena.

Na década de 50, recebe o prêmio dos críticos do Rio de Janeiro pela direção de A Herdeira, de Henry James, 1952. Contratada pela Companhia Dramática Nacional, dirige Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues, em 1954. Nomeada diretora da Companhia de Comédia do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, revela peças brasileiras como A Casa Fechada e Sonho de Uma Noite de Luar, ambas de Roberto Gomes, em 1955. Simultaneamente a essas atividades, mantém a regularidade de suas produções e viagens pelo Brasil e pelo exterior. Em Portugal, é contratada como atriz de teatro de revista. Sua interpretação da música Tic-Tac - gravada no disco Quando Bate Um Coração - é considerada antológica pelo comediógrafo César de Oliveira.

Na década de 60, além de atuar em musicais de teatro e televisão, trabalha em teleteatro. Por sua atuação em My Fair Lady, de Alan Jay Lerner e Frederich Lowe, na temporada paulista do espetáculo, em 1964, ao lado de Paulo Autran, Jaime Costa , Sérgio Viotti e Elza Gomes, recebe o Prêmio Saci, em São Paulo. Em 1968, apresenta na TV Tupi o Programa Bibi ao Vivo, que durante dois anos leva à televisão os maiores nomes do teatro. Em sua passagem pela televisão, comandou os programas Brasil 60, que inaugurou a TV Excelsior, Brasil 61 (líder de audiência) e Bibi Sempre aos Domingos. Na TV Tupi, Bibi Especial e Bibi ao Vivo, além do Curso de Alfabetização para Adultos, pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Comunicadora, no Festival Internacional da Cultura do Japão.

Na década de 70, o musical Brasileiro, Profissão: Esperança, de Paulo Pontes, dirigido por Bibi, é um sucesso, tanto com Maria Bethânia e Ítalo Rossi, em 1970, quanto com Paulo Gracindo e Clara Nunes, em 1974, quando bate recordes de público no Canecão. Em 1972, atua em O Homem de La Mancha, traduzido por Paulo Pontes e Flávio Rangel, com versão das canções feitas por Chico Buarque e Ruy Guerra, que permanece em temporada, em diversas cidades, durante três anos. Em 1975, estréia em Gota d'Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes, sob a direção de Gianni Ratto, que permanece em cartaz até 1977 e recebe os prêmios Molière e Associação Paulista dos Críticos de Artes, pela interpretação de Joana. Em 1976, dirige Walmor Chagas, Marília Pêra, Marco Nanini e 50 artistas em Deus lhe Pague, de Joracy Camargo.

Nos anos 80, a notoriedade de Bibi Ferreira faz com que receba os mais diferentes convites. Dirige desde textos comerciais a peças de dramaturgia sofisticada, de musicais de grande porte a dramas intimistas. Assim, em 1980, ela dirige Toalhas Quentes, de Marc Camoletti; em 1981, Um Rubi no Umbigo, de Ferreira Gullar, e Calúnia, de Lillian Hellmann, como Gay Fantasy, revista com travestis que permanece um ano em cartaz no Teatro Alaska, Rio de Janeiro. Com sua produção e direção, estréia O Melhor dos Pecados, de Sérgio Viotti, ainda em 1981, em que promove a volta aos palcos de Dulcina de Morais, após duas décadas de ausência. Em 1983 retorna aos palcos com Piaf, A Vida de Uma Estrela da Canção, espetáculo de grande sucesso de público e crítica. Por sua atuação recebe os prêmios Mambembe e Molière, em 1984, e, no ano seguinte, da Associação Paulista de Empresários Teatrais e Governador do Estado. O espetáculo permaneceria seis anos em cartaz e, em quatro anos, atingiria um milhão de espectadores, incluindo uma temporada em Portugal, com atores portugueses no elenco. A platéia é, virtualmente, dominada pelo magnetismo de Bibi Ferreira, que ocupa o palco como se estivesse se apropriando do que sempre lhe pertenceu. Mas essa força teatral não se pode atribuir apenas a um talento brilhante, mas a uma preparação técnica como poucos. Dirigiu ainda inúmeros programas de televisão e shows de artistas da música popular brasileira, como o da cantora Maria Bethânia, nos anos 70 e 80.

Nos anos 90, Bibi Ferreira revive seus maiores sucessos remontando Brasileiro, Profissão: Esperança e fazendo um espetáculo em que canta canções e conta histórias de Piaf. Em Bibi in Concert, comemora 50 anos de carreira e, depois de anos de temporada, faz o Bibi in Concert 2. Em 1996 recebe o Prêmio Sharp de Teatro, encena Roque Santeiro, de Dias Gomes, em versão musical, e dirige pela primeira vez uma ópera, Carmen, de Bizet, 1999.

Este artigo continua na próxima semana.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Melhora segurança nos Territórios de Paz


Um importante estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que a percepção a respeito da segurança melhorou sensivelmente nas regiões atendidas pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). A população ouvida anseia por uma participação mais ativa por parte do governo federal na melhoria da segurança e, em média, 84,15% acreditam que o Pronasci é o caminho para se atingir este objetivo.

A pesquisa foi realizada com moradores dos sete Territórios de Paz – projeto que reúne, em uma comunidade, até 30 ações de prevenção e enfrentamento à violência do Pronasci.

A maioria dos entrevistados acredita que as ações realizadas pelo Programa em suas comunidades reduziram a violência. Foi o que responderam 76,79% dos moradores de Santo Amaro (Recife/PE), 72,34% de Itapoã (Brasília/DF), 63,89% do Complexo do Alemão/Nova Brasília (Rio de Janeiro/RJ) e 61,90% de ZAP-5/Santa Inês (Rio Branco/AC).

Nos bairros de São Pedro (Vitória/ES) e Vila Bom Jesus (Porto Alegre/RS), 56,73% e 52,23% dos participantes, respectivamente, disseram perceber melhoria na segurança pública. A exceção se deu em Benedito Bentes (Maceió/AL), onde 35,42% dos moradores percebem redução na violência, enquanto 50% afirmam ainda não verificar essa mudança.

O bairro de Santo Amaro, que apresenta o melhor índice, foi o primeiro a receber o Território de Paz do Pronasci. Em Recife, o projeto foi instalado em 2 de dezembro de 2008.

Apesar de os trabalhos estarem em fase inicial em três das quatro regiões, as expectativas em relação ao programa são positivas. Em média, 84,15% dos moradores das sete comunidades que contam com os Territórios de Paz acreditam que as ações do Pronasci serão capazes de melhorar a situação de segurança em suas comunidades.

Esta é a segunda avaliação do Programa nos Territórios de Paz. A primeira foi realizada em março deste ano, também pela FGV, que firmou parceria com o Ministério da Justiça para coordenar o Sistema de Monitoramento e Avaliação das Ações do Pronasci (Simap).

O estudo mais recente foi feito entre junho e julho deste ano e ouviu 2.850 chefes de domicílio, sendo 450 no Rio de Janeiro (15,8% do total), 301 em Recife (10,53% do total), 390 em Rio Branco (13,7% do total) e 400 no Distrito Federal (14% do total). Foram incluídas três novas regiões: Vitória com 400 entrevistados (14% do total), 400 pessoas em Porto Alegre (14% do total) e 450 em Maceió (15,8% do total).

Também foi realizada a segunda pesquisa de opinião com os profissionais de segurança pública a respeito de seu cotidiano e do Pronasci. Foram entrevistados 55.533 profissionais distribuídos por todas as unidades da federação. Dentre as questões levantadas, destaca-se a avaliação a respeito da segurança pública em sua área de atuação: 56,31% dos entrevistados a consideram como tensa e com enfrentamentos ocasionais; 24,5% a definem como dentro dos limites normais e tranqüila; e 16,15% a vêem como crítica e de difícil contenção da ordem (3,03% não responderam a nenhuma das alternativas possíveis).

A pesquisa também revela a opinião dos profissionais a respeito do policiamento comunitário. Do total dos entrevistados, 50,14% consideram uma ótima alternativa de estratégia das polícias, pois interage com a comunidade. Já 36,05% não entendem como possível o policiamento comunitário ser executado em regiões com forte presença do tráfico de drogas. Somente 7,16% afirmaram que essa estratégia diminui a autoridade da polícia, podendo ter algum efeito paliativo (6,64% não responderam à pergunta).

O Pronasci é visto como uma ação que impactará muito fortemente as políticas de segurança e cidadania por 65,71% dos entrevistados, ao passo que 32,14% consideram o programa como de impacto moderado e somente 2,15% afirmam ter quase nenhum impacto.

O efeito do Programa em relação à autoestima do profissional de segurança também pode ser observado na pesquisa. Dos entrevistados, 75,33% consideram o Pronasci muito relevante para o crescimento profissional e para a autoestima do profissional da área; 20,70% afirmam ser razoavelmente relevante; 2,49% o consideram pouco relevante; e 0,64% sem relevância alguma (0,84% não responderam).

A valorização do profissional de segurança também é outro ponto de destaque na pesquisa. Para 61,56%, o profissional de segurança será muito valorizado com o programa; 31,55% entendem que o profissional será razoavelmente valorizado e 5,71% pouco valorizado (1,18% não responderam). Como exemplo, pode-se destacar a avaliação do programa Bolsa-Formação, uma das principais ações do Pronasci, que é considerado extremamente positivo, sendo avaliado com nota média de 9,3 (em uma escala de zero a dez).

O Pronasci foi criado há dois anos pelo Ministério da Justiça e inova ao articular as políticas públicas de segurança com programas sociais. Prioriza ações preventivas, o apoio das comunidades para o combate à violência, a reestruturação penitenciária e a valorização das instituições de segurança.

O Programa é considerado um modelo mundial de política pública de segurança contra a criminalidade. Foi criado para diminuir a criminalidade das regiões metropolitanas que apresentam os mais altos índices de homicídio. Atualmente, fazem parte 21 estados, o Distrito Federal e 109 municípios.

Com a chegada do Pronasci, os recursos destinados à segurança duplicaram. Em 2007, todo o orçamento do Ministério da Justiça (incluindo polícias Federal e Rodoviária Federal, fundos Penitenciário e de Segurança) foi de R$ 1,7 bilhão. No primeiro ano do Pronasci, em 2008, R$ 1,026 bilhão foi investido somente nas ações do Programa. Neste ano, mais R$ 1,1 bilhão deverá ser repassado aos estados e municípios integrantes.

Ao todo, já foram instalados oito Territórios de Paz no país: Santo Amaro, Recife (PE); Complexo do Alemão, Rio de Janeiro (RJ); Zona de Atendimento Prioritário 5, Rio Branco (AC); Itapoã, Brasília (DF); São Pedro, Vitória (ES); Benedito Bentes, Maceió (AL); Bom Jesus, Porto Alegre (RS); e Tancredo Neves, Salvador (BA).

A parceria entre Ministério da Justiça e FGV Projetos para o desenvolvimento de uma metodologia de monitoramento das ações do Pronasci pretende fornecer, periodicamente, elementos para que o Ministério da Justiça possa acompanhar e avaliar constantemente a execução das medidas propostas pelo Programa. Pretende, dessa forma, dar ao Ministério a capacidade de calibrar constantemente suas políticas, aferindo também sua execução nas pontas, promovendo grande transparência e eficácia.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Anglo-Americano comemora 90 anos


O Grupo Educacional Anglo-Americano é uma organização sólida e que vem expandindo sua ação por várias cidades deste imenso Brasil. Tudo começou, é certo, com o surgimento de um colégio, ainda no século passado, devido ao olhar crítico, sensível e patriótico da educadora inglesa Margareth Coney que resolveu fundar, em plena Praia de Botafogo, em um dos mais belos dos postais da Cidade Maravilhosa, um estabelecimento bilíngüe de real qualidade. No próximo sábado, dia 24 de outubro, haverá o lançamento do livro "Anglo-Americano: 90 anos", em uma cerimônia que contará com a presença de mais de dois mil convidados na sede do Grupo, no Rio de Janeiro. A diretora, atriz, cantora e dramaturga Bibi Ferreira, ex-aluna do Colégio, representará os antigos discentes.

Da fundação desse colégio aos dias em que vivemos, o Grupo Educacional Anglo-Americano tem, por meio dos seus dirigentes, pautado todas as suas ações em prol de uma educação de efetiva qualidade, seja na Educação Infantil ou no Ensino Fundamental ou Médio ou na Educação Superior, com a oferta de cursos de graduação e de pós-graduação em todas as áreas do conhecimento. Na realidade, o que sempre se fez foi estimular o desenvolvimento da Educação Continuada, tão em voga, atualmente. O Anglo-Americano foi precursor dessa matéria.

A seriedade do trabalho desenvolvido por esse Grupo Educacional pode ser constatada pela extensa
lista de egressos dos seus estabelecimentos educacionais. São intelectuais, artistas, profissionais liberais, magistrados, membros do Ministério Público e até mesmo Ministros de Tribunais Superiores. Um orgulho
certamente para os que passaram pelo Anglo, para os que hoje estão nele e ainda para os que irão atuar em seus colégios e faculdades. Sempre buscando oferecer o que existe de melhor em metodologias inovadoras,
tecnologias de informática e práticas pedagógicas, o Grupo resolveu expandir suas atividades também na educação superior, restrita, até 2005, ao Rio de Janeiro, onde começou sua atuação na década de 70, ofertando o primeiro curso superior de processamento de dados do país.

Em 2005, uma pequena equipe foi contratada pela Entidade Mantenedora para criar um Plano de Desenvolvimento Institucional que pudesse atingir vários Estados da Federação. Aprovado o projeto, esses
profissionais identificaram possibilidades para abertura de novos campi, do Nordeste ao Sul. E assim começou o surgimento de faculdades em João Pessoa e Campina Grande, na Paraíba; em Caxias do Sul, Passo Fundo e Bagé (em fase de credenciamento) no Rio Grande do Sul; em Chapecó, Santa Catarina, por exemplo. Credenciadas pelo Poder Público, essas faculdades colocaram à disposição dessas comunidades cursos das áreas da saúde, das ciências humanas, das ciências sociais aplicadas e das ciências exatas.

Ao mesmo tempo, foram iniciados cursos de extensão e de pós-graduação, lato sensu, em todas as áreas do conhecimento. Todos os campi foram credenciados e todos os cursos autorizados com os conceitos máximos do Ministério da Educação, depois de várias visitas in loco de avaliadores designados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Anísio Teixeira, INEP.

Em Foz do Iguaçu, foram, da mesma forma, autorizados outros 14 cursos que se juntaram aos quatro que já estavam em funcionamento, quando da chegada ao Grupo dessa pequena, mas atuante equipe. No Rio de Janeiro, outros 11 cursos foram igualmente autorizados.

Vale sublinhar que, em menos de quatro anos, foram credenciadas cinco instituições universitárias, 65 cursos de graduação autorizados (licenciaturas, bacharelados e tecnológicos) e quatro outros reconhecidos pelo Ministério da Educação.

O Colégio, por sua vez, também não deixou de expandir e de se desenvolver. Além dos colégios existentes na Barra da Tijuca e em Nova Ipanema, no Rio de Janeiro, o de Foz do Iguaçu, no Paraná, e o de Cidade do Leste, no Paraguai, O Grupo Educacional Anglo-Americano criou outro em Resende, no início deste ano, também no Rio de Janeiro, e está prestes a inaugurar mais dois: em Volta Redonda e em Itaperuna, nesse mesmo Estado.

O Grupo Educacional Anglo-Americano pretende continuar sendo uma referência no ensino. Para tanto, além de contratar professores titulados e com vasta experiência profissional, dotou todos os seus campi com uma infra-estrutura condizente com as exigências dos órgãos governamentais.

As ações empreendidas pelo Grupo Educacional Anglo-Americano foram percebidas e reconhecidas internacionalmente. O Consejo Iberocamericano, no Equador, lhe concedeu o título de Acreditacion Ibero-americana de Calidad Educativa, em 2008, e a Organización de las Americas, no Peru, também no
ano passado, honrou o Grupo com a outorga do Diploma de Membro Preferencial e ainda com o Troféu de Calidad Total em Educacion. Em novembro, na Cidade do Panamá, lhe será outorgado o Troféu Latin American Quality Awards. Será a única instituição brasileira a receber tal honraria neste ano de 2009.

Por ser justo e oportuno, faz-se mister destacar o profissionalismo, a organização e a disciplina de todos os seus professores e funcionários técnico-administrativos que, com muito entusiasmo e empenho, ajudam a
construir, a consolidar e a fazer crescer esse Grupo Educacional.

Assim, o Grupo Educacional Anglo-Americano vem contribuindo na formação dos seus alunos
para, com o conhecimento apreendido em suas salas de aula, possam colaborar para a construção de um Brasil mais justo, mais humano e mais ético, com ordem e progresso.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Número de mães doadoras de leite sobe 83%


As mães brasileiras colaboram cada vez mais com os bancos de leite do país. O número de doadoras aumentou 83% em cinco anos. Em 2008, 110.648 mulheres foram aos postos de coleta contra 60.441, em 2003. Os dados são do Ministério da Saúde, que lançou, recentemente, a Campanha Nacional de Doação de Leite Humano. O objetivo é incentivar as mães a doarem leite e sensibilizar a população sobre a importância do alimento para as crianças.

O volume de leite coletado subiu 49,5% em cinco anos, passou de 99.000 litros em 2003 para 148.052 litros, em 2008. No mesmo período, a quantidade de recém-nascidos que receberam o alimento materno aumentou 47%. Em 2008, foram 157.282 crianças beneficiadas contra 107.000, em 2003.

A expectativa para 2009 é aumentar em 10% o volume de leite materno coletado nos postos distribuídos no país e a quantidade de crianças atendidas pelos bancos de leite nacionais. Até junho deste ano, 48.444 mulheres fizeram a doação. Esse número deverá mais que dobrar até dezembro. “A cada ano, registramos um aumento no número de doadoras e na quantidade de crianças beneficiadas. A campanha gera mobilização social em torno do tema, orientando a população”, avalia o coordenador da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, João Aprígio Almeida.

A escolhida para ser a madrinha da campanha nacional de doação de leite materno este ano foi a atriz Samara Felippo. Ela e a sua filha Alícia, hoje com três meses, ilustram os 40.154 cartazes e um milhão de folderes que trazem o slogan “Para você é leite, para a criança é vida. Doe leite, a vida agradece”. O material será distribuído a todos os bancos de leite do país, postos de coleta, Hospitais Amigos da Criança e secretarias estaduais de saúde.

Feliz por estar contribuindo com a campnha, Samara espera ajudar a sensibilizar as mães doadoras e incentivá-las a doar cada vez mais seu leite. A atriz afirma ter doado leite quando sua filha era mais nova. Atualmente, a bebê mama tudo o que ela produz. As duas participaram do lançamento da campanha em Brasília.

Nos estados e no Distrito Federal, o Dia Nacional de Doação de Leite (1º de outubro) foi marcado por atividades de incentivo à participação de mães no projeto. Na cidade do Rio de Janeiro, a Câmara Municipal de Niterói entregou, no dia 2 de outubro, 300 moções aos profissionais dos bancos de leite e às mães que já doaram o alimento, por exemplo. Em Brasília, o banco de leite do Hospital Regional da Asa Sul foi reinaugurado na semana passada, depois de passar por reforma nos últimos seis meses, e em São Paulo e Porto Alegre vários eventos marcaram o início da campanha.

A rede nacional conta hoje com 196 bancos de leite materno e 73 postos de coleta em funcionamento. O Ministério da Saúde repassou este ano R$ 1,15 milhão para a implantação de mais 16 bancos de leite humano e 11 postos de coleta. O recurso será destinado à compra de equipamentos e à capacitação de pessoal.

As novas unidades funcionarão nos 17 estados do Nordeste e da Amazônia Legal, regiões priorizadas no Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil por apresentarem altos índices de óbitos em menores de um ano. Além disso, a partir de outubro, o governo federal iniciará a implantação de um sistema de registro mais eficiente, em que as notificações serão feitas em tempo real.

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a maior e com tecnologia mais complexa do mundo. O Brasil coordena a Rede Íbero-americana de Bancos de Leite Humano e repassa conhecimento sobre controle de qualidade e processamento de leite materno para 22 países da América Latina, Caribe, África e para Portugal e Espanha, na Europa. O banco de leite implantado em Madrid, por exemplo, foi desenvolvimento totalmente com ferramentas brasileiras.

Desde que o país passou a liderar a Rede Ibero-americana de Bancos de Leite Humano, foram coletados, fora do território brasileiro, 82.048 litros de leite materno, beneficiando 85.961 crianças. O modelo brasileiro de banco de leite não armazena apenas o alimento. Além de coletar e distribuir, as unidades nacionais compõem uma rede de apoio ao aleitamento materno, que orienta as mães com dificuldade ou qualquer problema que impeça a amamentação.

Os bancos de leite têm como missão incentivar, proteger e promover o aleitamento materno para diminuir os índices de mortalidade infantil e melhorar a qualidade de vida dos bebês, nos casos em que a própria mãe não pode amamentá-los. Em todo o mundo, o leite materno pode reduzir em 13% as mortes de crianças menores de cinco anos. No Brasil, um estudo feito em 14 municípios da Grande São Paulo, em 2003, apontou que a estimativa média de impacto da amamentação sobre o Coeficiente de Mortalidade Infantil foi de 9,3%.

Levantamento do Ministério da Saúde divulgado em agosto deste ano mostrou aumento de um mês e meio no tempo médio de aleitamento materno no país: passou de 296 dias, em 1999, para 342 dias, em 2008. A II Pesquisa de Prevalência do Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e DF (PPAM), feita nas capitais, Distrito Federal e em outros 239 municípios, reuniu informações de 118 mil crianças, aproximadamente.

Pela relevância do tema, as escolas e universidades deveriam, aproveitando o momento, promover palestras e simpósios visando transmitir aos alunos e às comunidades nas quais estão inseridas a importância do aleitamento materno, assim como conscientizar a doção desse leite.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Prova Brasil, um diagnóstico da educação do Brasil


A Prova Brasil e o Saeb constituem a base para a definição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), desde o lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), em a bril de 2007. A Prova Brasil avalia todas as turmas da 4ª (5º ano) e 8ª (9º) séries do ensino fundamental com mais de 20 alunos das escolas públicas, urbanas e rurais. As avaliações da Prova Brasil e do Saeb são construídas tendo por referência os parâmetros curriculares nacionais (PCN), consultas sobre currículos das redes estaduais e municipais, além de diálogo com especialistas das áreas de língua portuguesa e matemática. As provas serão aplicadas, simultaneamente, no período de 19 a 30 de outubro.

O Saeb foi criado em 1995, na gestão Paulo Renato Souza, e se mantém até hoje como prova por amostragem, já a Prova Brasil, também criada no mesmo ano, tem como objetivo avaliar a classe inteira. Ao conhecer o desempenho dos alunos, o diretor tem como saber a real situação da escola em relação às demais. Os resultados da Prova Brasil permitem aos dirigentes das escolas, inclusive, trocarem experiências de boas práticas pedagógicas. Além disso, secretários estaduais e municipais de educação podem, a partir do desempenho das escolas de sua jurisdição, elaborar políticas para reforçar a aprendizagem em sua localidade. Além disso, secretários estaduais e municipais de educação podem, a partir do desempenho das escolas de sua jurisdição, elaborar políticas para reforçar a aprendizagem em sua localidade. As questões da prova são elaboradas com base nas habilidades de leitura e interpretação e de raciocínio diante de problemas lógicos. Além dos testes, os alunos respondem a questionários para opinar sobre os professores, o diretor e a própria escola. A Prova Brasil visa avaliar o desempenho em língua portuguesa e matemática de estudantes de 4ª e 8ª séries (5° e 9° ano) de escolas públicas. Com os resultados do exame, é possível fazer um diagnóstico da situação nacional e regional da educação no país. Os dados são utilizados para calcular o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e melhorar a qualidade do ensino básico, uma das metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).

Seus resultados não seguem a lógica das provas clássicas que avaliam conteúdos. Por exemplo, essas avaliações não vão de zero a dez e não têm relação direta com a quantidade de questões acertadas. Suas médias são apresentadas em uma escala de desempenho. A escala descreve as competências e as habilidades que os alunos são capazes de demonstrar e é única para as séries avaliadas, em cada disciplina. Ela apresenta os resultados de desempenho dos estudantes de cada uma dessas séries, em uma mesma métrica. A escala é numérica e varia de 0 a 500. Como os números indicam apenas uma posição, é feita uma interpretação pedagógica dos resultados por meio da descrição, em cada nível, do grupo de habilidades que os alunos demonstraram ter desenvolvido, ao responderem às provas.

É possível saber, pela localização numérica do desempenho na escala, quais habilidades os alunos já construíram, quais eles estão desenvolvendo e quais ainda faltam ser alcançadas. Não se espera que alunos da 4ª série alcancem os níveis finais da escala, pois estes representam as habilidades desenvolvidas ao longo de todo o percurso da educação básica.

A avaliação é quase universal: todos os estudantes das séries avaliadas, de todas as escolas públicas urbanas do Brasil com mais de 20 alunos na série, devem fazer a prova. Por ser universal, expande o alcance dos resultados oferecidos pelo Saeb. Como resultado, fornece as médias de desempenho para o Brasil, regiões e unidades da Federação, para cada um dos municípios e escolas participantes. Parte das escolas que participarem da Prova Brasil ajudará a construir também os resultados do Saeb, por meio de recorte amostral. E como esses resultados, novas políticas publicar surgem para que, aplicadas, possam reverter o sombrio quadro educacional do país.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

Lei obriga execução do Hino Nacional nas escolas


O Presidente da República, em exercício, José Alencar, sancionou, na última semana, a Lei que obriga todos os colégios públicos e privados de Ensino Fundamental, do primeiro ao nono ano, a executarem, pelo menos uma vez por semana, o Hino Nacional.

A lei, de autoria do deputado Lincoln Portela (PR-MG), não prevê data e nem horário para a execução do hino, ficando a critério dos próprios estabelecimentos de ensino. O projeto não prevê também punição a quem não cumprir a lei. Tramitam, entretanto, em várias Assembléias Legislativas do país projetos de lei estabelecendo tal obrigatoriedade. Com a sanção presidencial, a obrigatoriedade passa a valer automaticamente, sem necessidade de estar prevista em legislações estaduais ou municipais.

Em 1936, o governo Getúlio Vargas determinou pela primeira vez a obrigatoriedade da execução do Hino Nacional nas escolas públicas e privadas de todo o país. Em 1971, durante o regime militar, passou a vigorar lei que trata dos símbolos nacionais, também obrigando à execução do hino nas escolas durante o hasteamento da bandeira, mas ela não definia a freqüência com que o hino deveria ser cantado pelos alunos.

No Estado do Paraná, por iniciativa do Deputado Caito Quintana, ficou determinada a obrigatoriedade de execução do Hino do Estado do Paraná em jogos colegiais e demais jogos oficiais promovidos pela Secretaria de Educação e outros órgãos do governo.

De fato, os nossos alunos precisam conhecer a letra do Hino Nacional, seu significado e importância. E mais, necessitam da mesma maneira saber quais são os símbolos nacionais. Para que se possa exercer a cidadania, faz-se mister associar direitos e deveres e ainda se fazer reflexões sobre esse binômio. O patriotismo deve ser incentivado nas escolas, para que nossas crianças cresçam sabendo que têm um papel de relevo na sociedade em que vivem.

O conceito de cidadania sempre esteve fortemente atrelado à noção de direitos, especialmente aos direitos políticos, que permitem ao indivíduo intervir na direção dos negócios públicos do Estado, participando de modo direto ou indireto na formação do governo e na sua administração. Em uma democracia, a própria definição de Direito pressupõe a contrapartida de deveres, uma vez que em uma coletividade os direitos de um indivíduo são garantidos a partir do cumprimento dos deveres dos demais componentes da sociedade.

E a palavra patriotismo, que deriva de pátria, significa o amor e o respeito que se tem pela terra natal. Este patriotismo pode ser manifestado pela valorização efetiva da cultura de um país, suas belezas naturais e seus símbolos nacionais, como bandeiras, brasões e hinos, por exemplo.

Assim sendo, é altamente positiva a lei que obriga a execução do Hino Nacional nas escolas, para despertar nos estudantes a importância da cidadania e do patriotismo.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


 

ABE, 85 anos de relevantes serviços ao Brasil


A Associação Brasileira de Educação está comemorando 85 anos de existência e de lutas em prol da melhoria da educação nacional. Na última terça-feira, o Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro realizou uma sessão plenária especial para comemorar essa data. Na ocasião, o professor Edson Nunes, Conselheiro da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, falou so bre “Profissionalização precoce, acesso restrito e futuro incerto: a Universidade tem jeito ?”, para uma platéia crítica, atenciosa, curiosa, questionadora e reflexiva. O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro, no 6º Congresso Rio de Educação, também prestou justa homenagem à ABE, na pessoa do presidente, João Pessoa de Albuquerque. Durante o congresso, a ABE homenageou os descendentes dos seus ex-presidentes, ofertando-lhes um exemplar dos originais, guardados em sua preciosa biblioteca, do Manifesto dos Pioneiros, que, em 1932, lançou as bases da Escola Nova, constituindo-se no mais importante documento da História educacional brasileira.

Sempre vigilantes, os abeanos promovem reuniões, simpósios, seminários e congressos nacionais e internacionais, com a intenção de trocar experiências pedagógicas com docentes e pesquisadores de outros Estados e Nações, perseguindo, dessa forma, o que preconizava seu fundador, Heitor Lyra da Silva, na ata da sua criação. Nesse texto histórico, ficou consagrado que a ABE nasceria com a finalidade de congregar educadores, pessoas físicas e jurídicas interessadas no estudo e no debate de temas relacionados à Educação (de qualquer nível) e à Cultura brasileira. É a mais antiga associação educacional existente no país e uma instituição que, pela sua relevância no cenário educacional, presta relevantes serviços à construção do país, correspondendo-se com as mais importantes instituições educacionais do mundo e mantendo, com esse procedimento, um valioso intercâmbio de informações.
Sociedade Civil, sem finalidade lucrativa, de utilidade pública federal e estadual, apartidária e pluralista, a ABE é membro nato do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, órgão do Ministério da Justiça, desde 1964, e é constituída por 40 Sócios Titulares eleitos por sua Assembléia Geral, com mandato de dois anos.

Sua sede é no Rio de Janeiro, todavia sua fundação ocorreu em Natal, por ocasião do banquete oferecido ao parlamentar José Augusto Bezerra de Medeiros, pelo então presidente eleito do Estado do Rio Grande do Norte. Assim, no anfiteatro da antiga Escola Politécnica, nasceu a Associação Brasileira de Educação, em 15 de outubro de 1924. Foram fundadores, dentre outros, Heitor Lyra da Silva, Fernando Laboriau, Isabel Lacombe, Roquette Pinto, Artur Moses, Gustavo Lessa e Miguel Couto, que pronunciou  uma célebre conferência ressaltando que "no Brasil só existe um problema: o da educação de seu povo". Estava, pois, deflagrada a bandeira da nova instituição: A Educação é um direito de todos os  brasileiros. Anísio Teixeira, Lourenço Filho, Fernando de Azevedo, Juracy Silveira e Basílio de Magalhães juntaram-se também ao grupo.

O pensamento e a inteligência abeanos tiveram grande influência na elaboração de leis que traçaram diretrizes e bases da educação e de planos nacionais de educação. Por todos esses fatos, a ABE foi construindo sua história, enriquecendo sua tradição e promovendo ações que refletem de forma efetiva a preocupação com os destinos da educação brasileira.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

Morre o acadêmico Antonio Olinto


E lá se vão anos... muitos ou vários, nem sei mais quantos... Suficientes, por certo, para cada vez mais admirá-lo, apreciá-lo, amá-lo e com ele ter aprendido verdadeiras lições de amor, de vida... lições de bem servir ao próximo.... Lições nem sempre escritas, mas transmitidas oralmente, em poesias, em trovas e/ou em prosas. Apreendidas e assimiladas em nossos permanentes diálogos, em nossas intermináveis conversas sobre a gente brasileira, sobre a cultura da nossa gente, sobre os destinos do nosso país... E todo esse convívio foi encerrado na madrugada do último sábado, quando sua assessora Beth Almeida, que com ele trabalhou por mais de vinte anos, me comunicou sua morte. Olinto morreu em seu apartamento-biblioteca-museu de Copacabana, de onde se podia avistar um pedaço do Atlântico e onde, juntos, refletíamos e buscávamos, de alguma forma, encontrar saídas para tantas mazelas que afligem o Rio, o Brasil e o Mundo. Sua morte, no dia em que completava 12 anos do seu ingresso na Academia Brasileira de Letras, deixou os seus incontáveis amigos muito tristes e o mundo literário, mais pobre.

Olinto era um homem especialíssimo; uma figura notável; um patrimônio cultural do Brasil; um escritor de rara inteligência e dono de uma lucidez magnífica. E, sublinhemos, viveu longos e saudáveis 90 anos. Quase um século de atividades intensas e permanentes em defesa da língua portuguesa, da literatura brasileira, da propagação, por meio de textos jornalísticos ou dos seus incontáveis livros publicados, e traduzidos em mais de 45 idiomas, das suas idéias e pensamentos, da sua criatividade intelectual, da sua vontade em fazer construir um mundo mais digno e mais saudável.

Nascido em Ubá, batizado em Piau, lá nas Minas Gerais, esse Antonio, de olhar meigo, terno, com o colorido da cor do céu, conquistou o mundo, com suas andanças pelos cinco continentes, ora proferindo palestras e conferências, ora organizando seminários internacionais, ora lançando livros e muitas vezes recebendo prêmios e láureas importantes, que traduziam o reconhecimento da sua devoção à arte de bem escrever.

Dono de uma formação sólida estudou Filosofia e Teologia e quase se ordenou sacerdote. Desistiu dos seminários e resolveu ser Mestre de Latim, Português, História da Literatura, Francês, Inglês e História da Civilização, em colégios do Rio de Janeiro e em instituições universitárias nacionais, como o Centro Universitário da Cidade, que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa, e na Faculdade de Letras do Centro Universitário de Ubá, que também lhe agraciou com idêntica honraria ou nas mais importantes e tradicionais instituições estrangeiras, como as Universidades de Columbia, Yale, Harvard, Indiana, UCLA ou Essex.

Fez conferências sobre Cultura Brasileira em universidades e em centros de pesquisas de Tóquio, Seul, Sidney, Maputo, Dacar, Lagos, Abidjan, Tanger, Buenos Aires, Lisboa, Coimbra, Porto, Madri, Santiago do Chile, Barcelona, Paris, Milão, Pádua, Veneza, Roma, Zagreb, Bucareste, Sofia, Varsóvia, Cracóvia, Moscou, Estocolmo, Copenhagen, Londres, Oxford, Cambridge e Dublin, dentre outras. O Diploma de Excelência da Universidade de Vasile Goldis, de Arad, lhe foi ofertado em razão da difusão da cultura brasileira na Romênia. Nessa mesma ocasião, a Embaixada do Brasil nesse país inaugurou, em Bucareste, a Biblioteca Antonio Olinto. Um verdadeiro homem do mundo!

Nomeado Adido Cultural em Lagos, Nigéria, pelo governo parlamentarista de 1962, em três anos de atividade, fez cerca de 200 conferências na África Ocidental. Como resultado, escreveu uma trilogia de romances, "A Casa da Água", uma das obras-primas da literatura do Brasil, "O Rei de Keto" e "Trono de Vidro".

Em 1968 foi nomeado Adido Cultural em Londres e passou a participar também das atividades do PEN Internacional. Morou no Reino Unido por quase 37 anos, onde juntamente com sua mulher a escritora e jornalista Zora Seljan, falecida em 2006, fundaram o jornal "The Brazilian Gazette".

Recebeu em 1994 o "Prêmio Machado de Assis", por conjunto de obras, da Academia Brasileira de Letras, a mais alta láurea literária do Brasil. Três anos mais tarde, foi eleito para Academia Brasileira de Letras, cadeira nº 8, sucedendo ao escritor Antonio Callado.

Além de poeta, romancista, ensaísta, crítico literário, Olinto era também artista plástico, pintava e fazia esculturas. Nas paredes de seu apartamento, cobertas por belas máscaras africanas, selecionadas em suas muitas e fantásticas viagens, respirávamos arte, literatura e nos abastecíamos da boa prosa, dos causos que contava com simplicidade, eloqüência, elegância e empolgação. Sabia e discutia qualquer assunto e sempre com uma argumentação viva, rica e verdadeiramente encantadora.

Olinto, neste momento de partida, merece todos os nossos mais vivos aplausos e todas as nossas maiores e mais sinceras homenagens. Como imortal, será lembrado e festejado pela eternidade. Seu nome está gravado, e definitivamente, na História da Literatura do Brasil. E não por ser um imortal, pertencente a tantas academias, mas pela sua própria natureza e, sobretudo, pela sua capacidade invulgar de conquistar, de agregar e de ser.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano e Titular das Academias Carioca de Letras, Internacional de Educação, de Letras do Estado do Rio de Janeiro e de Semiologia e Direito de São Paulo


 

José Alencar, exemplo de vida


O Vice-Presidente da República, José Alencar, é um exemplo de força, fé e perseverança. Um homem raro, com certeza. Sua luta contra o câncer e seus depoimentos em relação aos tratamentos e operações e, ao mesmo tempo, sua convicção de que ficará curado dessa maldita doença impressionam e o elevam a um patamar de um dos homens públicos mais apreciados, nos últimos tempos. E não é à toa que o povo brasileiro, do Oiapoqué ao Chui, acompanha, passo a passo, sua trajetória e disposição em vencer lutas, batalhas e o seu desejo reiterado de afastar do seu caminho pedras e obstáculos. Se fossem as pedras de Drummond seriam certamente mais fáceis....

De qualquer forma, José Alencar não nos dá um raro exemplo apenas pelas reações que demonstra em relação ao seu estado de saúde. Nos dias atuais, quando a ética e valores humanos são desprezados, José Alencar, do alto da sua sabedoria, dá exemplos de dignidade, honradez e caráter. Dá e é um belíssimo exemplo de vida.

Nascido em Muriaé em outrubro de 1931, Alencar é um dos maiores e mais conceituados empresários das Minas Gerais, tendo construído a Conteminas, um império no ramo têxtil. Eleito Senador com quase 3 milhões de votos, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infra-Estrutura, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e da Comissão Permanente de Assuntos Sociais. É, desde 2003, Vice-Presidente da República, desempenhando seu papel de forma serena, mas, ao mesmo tempo, presente nos momentos em que precisava expressar sua opinião de forma mais veemente, tendo sido uma voz discordante no próprio governo contra a então política econômica defendida pelo Ministro Palocci.

Transparente em suas ações e externando sempre o seu pensamento, crítico, lúcido e inteligente com sinceridade, Alencar, em 2004, passou a acumular a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa. Em várias ocasiões, teve a oportunidade de demonstrar um certo incômodo com o fato de permanecer em um cargo tão diferente dos seus vastos e reconhecidos conhecimentos empresariais, mas mesmo assim, e atendendo a um pedido do Presidente da República, exerceu sua função com discrição e bom senso na função por dois anos.

Alencar começou cedo a trabalhar, ainda aos sete anos, ajudando o pai, Antonio, em sua loja. Aos quinze, atuou como balconista na loja “A Sedutora”. Dois anos mais tarde, em Caratinga, trabalhou na “Casa Bonfim”. Sempre foi considerado pelos amigos como um grande vendedor.

Querendo vencer na vida, resolveu, ao completar 18 anos, abrir um negócio. Para tanto, recebeu do irmão Geraldo um empréstimo e, assim, pôde abrir “A Queimadeira”, Comercializava chapéus, calçados, tecidos, guarda-chuvas... De lá para cá, teve uma fábrica de macarrão, de cereais e, em 1963, inaugurou a Companhia de Roupas União dos Cometas, que mais tarde passaria a se chamar, Wembley Roupas. Em 1967, fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas. Em 1975, inaugurava a mais moderna fábrica de fiação e tecidos do Brasil.

A Coteminas fabrica e distribui seus produtos, tais como fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis, para o mercado interno, Estados Unidos, Europa e Mercosul.

E foi justamente em uma solenidade no Tribunal Superior do Trabalho que tive a honra de conhecer pessoalmente esse notável homem-guerreiro. Sua simpatia, afabilidade e simplicidade me surpreenderam. Poucas, muito poucas são as pessoas que agem e são como José Alencar. Depois, mantivemos alguns contatos, por intermédio do nosso amigo comum Antonio Olinto.

Ao ler a Veja desta semana, deparo-me com uma entrevista absolutamente franca, na qual Alencar expõe suas convicções, sofrimentos e esperanças e se diz pronto para partit e que relata que “um dia desses me disseram que, ao morrer, iria encontrar meu pai, falecido há mais de cinquenta anos. Aquilo me emocionou profundamente. Se for para me encontrar com mamãe e papai, quero morrer agora". Ao mesmo tempo declara que se recebesse a notícia de que obtivera cura, abraçaria e diria à Dona Marisa, “Muito obrigado por ter cuidado tão bem de mim".

José Alencar é um homem positivo, de bem com a vida, com muita fé. Sua pressão, temperatura, coração e memória, como ele mesmo revela, estão ótimos. Com consciência plena de que seu estado inspira cuidados, por ser grave, ele não desanima e repete sistematicamente “como para Deus nada é impossível, estou entregue em Suas mãos.”

José Alencar precisa vencer o câncer, para continuar a cumprir com sua missão política, social, humana e empresarial. Assim, continuará a contribuir, com toda a sua grandeza pessoal e profissional, para ajudar na construção deste imenso Brasil, com ordem e progresso. Sua visão de mundo e sua inteligência viva e brilhante e o seu tom sereno são componentes e características desse grande e ilustre homem público. Por essa razão, todos os que têm o privilégio de conhecê-lo pessoalmente ou todos os que acompanham sua trajetória sabem que José Alencar é de fato um exemplo raro para a atual geração e para as gerações do futuro.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

Las Vegas, fascínio e sedução 24h


Visitar Las Vegas é, ao mesmo tempo, viajar aos mais variados países. Em um determinado momento, o visitante pode se sentir em Luxor ou no Cairo; duas quadras adiante tem se a impressão de estar em Nova York, ou em Mônaco, ou em Veneza, ou, quem sabe, na deslumbrante Paris. A atmosfera contagiante e sedutora dessa cosmopolita e feérica cidade, no Condado de Clark, em Nevada, nos dá a impressão de que estamos passando por vários “mundos”, mas com a vantagem de não ter de sair de uma mesma rua. A cidade, nomeada “Parque das Diversões das Américas” ou a “Cidade do Pecado”, reúne na Las Vegas Boulevard, mais conhecida como Strip, uma rua com apenas seis quilômetros de extensão, os cassinos mais imponentes do mundo, como o Stratosphere, Treasure Island, The Venetian, Paris, Bellagio, MGM Grand, Monte Carlo, New York, New York, Luxor, Mandalay Bay, Mirage e Excalibur.

A fama de Las Vegas fez com que a cidade fosse utilizada como cenário para vários filmes, como o Diamonds Are Forever, Ocean's Eleven, Miss Congeniality 2, Looney Tunes Back in Action, além das séries de televisão CSI e Las Vegas. As bandas The Killers, Panic! at the Disco e Escape the Fate são também dessa cidade. A cidade é uma referência em todo o mundo, principalmente pelos seus luxuosos cassinos, hotéis, feiras, shows (abriga cinco Cirque du Soleil com apresentações permanentes) eventos e convenções. Com isso, boa parte de sua economia é gerada pelo turismo. A cidade, com 600 mil habitantes, ainda concentra grandes e importantes empresas, além de indústrias, fazendo com que seja um dos mais destacados pólos econômicos dos Estados Unidos.

Las Vegas, que significa “pradarias” em espanhol, pode ser estafante, considerando-se que é uma cidade que não dorme jamais. Desde lojas de doces até capelas de casamento ficam abertas 24 horas por dia/7 dias da semana. Mas se o visitante estiver procurando uma saída discreta, uma das melhores maneiras de espairecer é ir até a área do Red Rock Canyon National Conservation, onde poderá observar as estrelas e respirar o ar fresco do deserto a menos de uma hora de carro de distância do centro.

Não são apenas os cassinos e shows, com os de Celine John, Eric Clapton, Rod Stewart, Barbra Streissand ou do mágico Copperfield, que fascinam os seus visitantes, mas as atrações da vida selvagem que vêm sendo votadas como opções interessantes. O Lion Habitat, por exemplo, no MGM Grand; o Siegfried e Roy's Secret Garden, o Dolphin Habitat, o Shark Reef, no Mandalay Bay, e o observatório de pássaros no Parque Estadual Wetlands são bons programas. O Aquarium, no Silverton Hotel, é um aquário com 440 mil litros de água salgada que contém mais de 5 mil peixes exóticos e três espécies de arraias e tubarões. O King Tutankhamun's Tomb e Museum, no Luxor Hotel, é uma reprodução autêntica da tumba do menino-faraó. O Fountains, no Bellagio, jorra água precisamente enquanto ouve-se a música Fly me to the moon, de Frank Sinatra. Essas fontes foram mostradas no fim do filme Onze Homens e Um Segredo, com George Clooney, Brad Pitt e Julia Roberts. Para testar os nervos e pulmões, o XScream do The Stratosphere Hotel é a dica. O carrinho vai até o topo da Stratosphere Tower (263 m), depois, uma extensão da pista prolonga o carrinho além do final do trilho cerca de 9,5 m. Dessa forma, fica-se dependurado em um ângulo de 30º. O Vulcão, no Mirage, entra em erupção de hora em hora das 20 h à meia-noite.

Há muitas informações que a maioria das pessoas não conhece sobre Las Vegas. E existe um lado sensível que permeia sua história repleta de estrelas. Colonizadores mórmons vieram de Salt Lake City em meados do Século 19, e trabalhadores de ferrovias construíram estradas para Las Vegas, ainda em 1890. Uma vila começou a se formar, e a cidade foi fundada em 1905, com uma parada da ferrovia para aqueles que seguiam rumo ao oeste. Hoje, a renda média anual de uma residência ocupada é de 44 069 dólares, e a renda média anual de uma família é de 50 465 dólares. A renda per capita da cidade é de 22 060 dólares.
A educação é também um ponto forte na cidade. A Universidade de Las Vegas é uma referência nos Estados Unidos pelos programas de alta qualidade que ministra em História, Engenharia, Estudos Ambientais, Hotelaria, Administração, Belas Artes e Gestão de Informação. A universidade é classificada como uma das conceituadas nos seus programas de doutorado e de mestrado, pela Fundação Carnegie para o Avanço de Ensino.
Las Vegas é tudo isso e muito mais.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

Ler livros é a melhor opção



No mundo em que vivemos, cada vez mais ligado ao computador, as crianças e jovens fazem uso intenso e diário do computador e, conseqüentemente, da internet, ficando horas e horas de bruçados em suas escrivaninhas, às vezes deitados nas camas, encostados nas paredes ouvindo programas musicais, assistindo aos filmes e/ou verificando temas e assuntos que lhes serão cobrados nas escolas, por seus professores. Alguns preferem copiar e colar textos nos trabalhos que apresentam aos seus mestres, ao em vez de fazerem pesquisas sobre os mais variados assuntos que lhes são solicitados. Os casos de plágio proliferam.

Os pais, sempre ocupados e cada vez mais fora de suas casas, em busca de trabalho e de realizações profissionais, muitas vezes se esquecem, ou se “permitem esquecer”, e não verificam, como deveriam, o que efetivamente fazem tanto seus filhos em seus computadores. Notícias são veiculadas nas rádios, jornais e televisões com denúncias de situações nas quais expressam o quanto pode ser perigoso a uma criança ou a um jovem ou até mesmo a um adulto permanecer por tanto tempo em frente a um computador.

Ainda que saibamos que a internet seja um instrumento eficaz e eficiente para pesquisas e informações, é preciso cuidar para que as pessoas, sejam crianças ou adultas, continuem tendo no livro um instrumento imprescindível, certamente um dos mais importantes, para a construção do conhecimento. Assim sendo, cabe aos pais e responsáveis verificar o que fazem os seus filhos nas telas dos computadores e lhes orientem em relação a um bom título e a um bom autor, estimulando-os à leitura permanente. Especialistas franceses, americanos, ingleses e canadenses produziram recentemente uma pesquisa na qual listam as dez principais descobertas sobre quando e como os pais podem ajudar a despertar nos filhos a curiosidade intelectual e fazê-los alcançar um desempenho melhor nos estudos. Esse estudo deverá ser brevemente publicado em português e comercializado no Brasil, além dos demais países de Língua Portuguesa.

1. Ter livros em casa:
E, no caso de filhos pequenos, ler para eles. O hábito, cultivado desde cedo, faz aumentar o vocabulário de forma espantosa. Segundo estudo do americano James Heckman, prêmio Nobel de economia, uma criança de oito anos que recebeu esse tipo de estímulo a partir dos três domina cerca de 12 000 palavras – o triplo de um aluno sem o mesmo empurrão. A diferença se faz sentir na assimilação de conhecimento em todas as áreas. Ao analisar o fato de a Finlândia aparecer sempre na primeira posição nos rankings de educação, um estudo da OCDE confirma: o incentivo precoce à leitura em casa tem um papel decisivo.

2. Reservar um lugar tranqüilo para os estudos:
A idéia é cuidar para que o ambiente ofereça o mínimo necessário: mesa, cadeira, boa iluminação e distância da televisão. Já na pré-escola, os pais podem definir o local e incentivar seu uso diário. Os benefícios, já quantificados, são os esperados: concentrado, o aluno aprende mais e erra menos.

3. Zelar pelo cumprimento da lição:
Ainda que a criança seja pequena e a tarefa, bem fácil, é importante mostrar a relevância dela com gestos simples, como pedir para olhar o dever pronto ao chegar a casa. Até cerca de 10 anos, monitorar diariamente a execução da lição não é excessivo. Ao contrário. Esse é o momento de começar a sedimentar uma rotina de estudos, com horário e local, mesmo que seja mais uma brincadeira. Um relatório da OCDE não deixa dúvidas quanto às vantagens. Os melhores alunos no mundo todo levam a sério o dever de casa.

4. Orientar, mas jamais dar a resposta certa:
Solucionar o problema é uma tentação freqüente dos pais quando são acionados a ajudar na tarefa de casa. Não funciona. O que dá certo, isso sim, é recomendar uma leitura mais atenta do enunciado, tentar provocar uma nova reflexão sobre o assunto e, no caso de filhos mais velhos, sugerir uma boa fonte de pesquisas. Se o erro persistir, deixe-o lá. Já se sabe que a correção do professor é decisiva para a fixação da resposta certa.

5. Preservar o tempo livre:
Muitos pais, ávidos por proporcionar o maior número de oportunidades aos filhos, lotam sua agenda de atividades fora da escola. O resultado é que sobra pouco tempo para brincar, esse também um momento sabidamente precioso para o aprendizado. Na escola, por sua vez, crianças com rotinas atribuladas demais costumam demonstrar cansaço, o que freqüentemente compromete o próprio rendimento.

6. Comparecer à reunião de pais:
Mesmo que seja muitas vezes enfadonha, ela proporciona no mínimo uma chance de sentir o ambiente na escola, saber da experiência dos demais alunos e tomar contato com a visão de outros pais. A ida a esses encontros tem ainda um efeito colateral menos visível, mas já bastante estudado: a presença dos pais é uma demonstração de interesse que contribui para o envolvimento dos filhos com a escola.

7. Conversar sobre a escola:
A manifestação de interesse, por si só, é um indicativo do valor dado à educação pela família. Os efeitos são ainda maiores quando o estudo é tratado como algo agradável e aplicável à vida prática, e não um fardo. Uma recente compilação de estudos, consolidada por um centro de pesquisas do governo americano, mostra que um pai que consegue produzir esse tipo de ambiente em casa aumenta em até 40% as chances de o filho se tornar um bom aluno.

8. Monitorar o boletim:
No caso de um resultado ruim, o melhor a fazer é definir um plano para melhorar o desempenho – mas não sem antes consultar a escola e avisar o filho de que está fazendo isso. O objetivo aí é estabelecer, junto com o colégio, uma estratégia para reverter à situação e saber qual será, exatamente, sua participação. Está mais do que provado que castigo, nesse caso, não funciona. Só diminui o grau de autoconfiança, já baixa, e agrava o desinteresse pelos estudos.

9. Procurar o colégio no começo do ano:
É a ocasião em que cabe perguntar, pelo menos em linhas gerais, o que a escola pretende ensinar em cada matéria. Trata-se do mínimo para poder acompanhar tais metas e, se preciso cobrar sua execução.

10. Não fazer pressão na hora do vestibular:
O excesso de pressão por parte da família só atrapalha no momento mais tenso na vida de um estudante. À mesa do jantar, os pais darão uma boa contribuição ao evitar falar apenas disso. Mas podem ajudar mais, principalmente zelando para que o ambiente de casa na hora do estudo não fique barulhento demais e para que o filho não se comprometa com muitas atividades. O lazer, no entanto, não deve ser suprimido. É o que dizem os especialistas e os próprios campeões no vestibular: em 2008, os mais bem colocados em dez áreas mantiveram uma pesada rotina de estudos, mas, pelo menos no fim de semana, preservaram algum tempo livre.

Se esses dez “mandamentos” forem observados e colocados em prática pelos pais, estaremos, dessa forma, ajudando a construir uma juventude muito mais bem preparada para o mundo que enfrentará. Afinal, leitura permanente e educação são dois binômios de fundamental importância para elevar uma criança à uma condição social, política e humana, quando adulta, muito mais favorável.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano



 

Divulgados os resultados do Encceja 2008


Estão disponíveis, na página eletrônica do Inep, os resultados do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos, Encceja 2008. O sistema com as notas finais obtidas pelos participantes pode ser acessado de três maneiras: mediante o número de inscrição; por meio do nome completo do participante, data de nascimento e Unidade da Federação (UF – estado ou Distrito Federal) do seu endereço; ou ainda pelo número do seu CPF ou RG e UF da carteira de identidade.

O participante poderá acessar os seus resultados de três maneiras: informando o seu número de inscrição; preenchendo o seu nome completo, data de nascimento e Unidade da Federação (UF – estado ou Distrito Federal) do seu endereço ou ainda informando o número do seu CPF ou RG e UF da carteira de identidade.

Para ter acesso às notas, o participante também deverá informar a senha de inscrição, que lhe foi entregue durante o ato de inscrição. Quem não estiver de posse dessa senha poderá cadastrar uma nova pelo sistema.

O participante terá acesso à sua avaliação individual comparada com a média nacional de desempenho. Quem prestou o exame também receberá, pelos Correios, o Boletim Individual de Desempenho no endereço indicado no ato de inscrição.

Na edição 2008, o Encceja apresentou número recorde de inscritos, cerca de 780 mil, sendo 60% para o ensino médio e 40% para o ensino fundamental. As provas foram aplicadas nos dias 13 e 14 de dezembro em 2.300 unidades educacionais, de aproximadamente 800 municípios brasileiros.

Certificação – As certificações serão feitas diretamente nas secretarias municipais e estaduais de educação que aderiram ao exame. O participante deve entrar em contato com a secretaria de educação da sua região para obter o documento de sua certificação. As secretarias são as responsáveis pela forma e pelos critérios de utilização das notas, com total autonomia para realizar as certificações. Cabe lembrar que o participante do Encceja se inscreve em cada uma das áreas avaliadas, sendo que é possível obter certificação em cada prova.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano



 

Diretores brasileiros têm menos autonomia que no resto do mundo


Diferentemente da situação em outros países, no Brasil as mulheres ocupam mais cargos de direção nas escolas que os homens, os contratos de trabalho são menos estáveis e apenas 26,6% dos professores estão em escolas em que os diretores têm autonomia para contratação de docentes. Essas são algumas das constatações da pesquisa Talis – Teaching and Learning International Survey, realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e coordenada no Brasil pelo Inep/MEC, lançada hoje.

A pesquisa foi realizada por amostragem, nos anos de 2007 e 2008, em 24 países: Austrália, Áustria, Bélgica (Comunidade Flamenga), Brasil, Bulgária, Dinamarca, Eslovênia, Estônia, Holanda, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Coréia, Lituânia, Malta, Malásia, México, Noruega, Polônia, Portugal e Turquia. No caso do Brasil, a amostra foi composta por 400 escolas, sendo que nas bases de dados internacionais foram consideradas 380 escolas e 5.834 professores.

A Talis foi a primeira pesquisa internacional a levantar dados sobre o ambiente de aprendizagem e as condições de trabalho que as escolas oferecem aos professores. Foram coletadas informações sobre liderança escolar, avaliação dos professores e feedback, desenvolvimento profissional e atitudes, crenças e práticas educacionais dos professores das séries/anos finais do ensino fundamental (5ª a 8ª série ou 6º ao 9º ano) e dos diretores das escolas da amostra.

Outras questões abordadas pela pesquisa foram o tamanho das turmas, proporção de professores em relação ao pessoal administrativo e proporção de professores em relação a pessoal de apoio pedagógico.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

Sinaes, panorama da Educação Superior


Os dados da educação superior brasileira coletados pelo Inep estão disponíveis a toda a sociedade. Para garantir o acesso a essas informações, foi lançado, no final do ano passado, o Portal Sinaes (http://sinaes.inep.gov.br:8080/sinaes), contendo estatísticas produzidas desde 1991 e atualizadas permanentemente. Alguns dos números de 2007 já estão inclusive disponíveis.

O portal possibilita ao cidadão comum a consulta e compreensão de dados até então acessíveis apenas a especialistas, estatísticos e gestores. A navegação é bastante simples. Logo na página de abertura, do lado direito da tela, o internauta recebe a orientação: “Este é o espaço público onde você acessa informações sobre cursos, instituições e docentes da Educação Superior do Brasil”. Logo abaixo, três opções: indicadores para conhecer o perfil de uma instituição ou de um curso específico; indicadores gerais sobre a Educação Superior brasileira e, ainda, o sistema de buscas, que possibilita encontrar os docentes, os cursos e as instituições de educação superior.

Também nessa primeira página, há opção para entrada no Ambiente Docente, um espaço de interlocução do professor com o Inep. Ali, ele preenche seus dados pessoais e atualiza permanentemente seu cadastro. Essas informações são utilizadas pelo Inep quando do processo de escolha de novos avaliadores ou para agregar os dados do Cadastro Nacional de Docentes.

O docente tem acesso às mesmas informações que os demais. A todos, o Portal Sinaes possibilita consultas como números de cursos e o tipo de profissionais que se formam em cada cidade, estado, região ou em todo o País. Permite ainda que o interessado encontre uma graduação a distância dentro de seu interesse, bem como análises comparativas da qualidade dos cursos.

Estão integrados, no Portal Sinaes, o Cadastro Nacional de Docentes da Educação Superior, os últimos 15 anos do Censo da Educação Superior, o Currículo Lattes do CNPq, o Cadastro Nacional de Cursos Lato Sensu, o Cadastro de Cursos de Graduação e Instituições de Educação Superior e o Banco de Avaliadores do Sinaes. Em breve serão agregados ainda os dados do Enade e do extinto Provão: resultados, relatórios finais e as estatísticas do questionário sócio-econômico aplicado anualmente aos participantes do exame e aos coordenadores dos cursos pertencentes às áreas avaliadas em cada edição. Todos os pareceres e conceitos das avaliações in loco de cursos e instituições também estão disponíveis.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

A não obrigatoriedade do diploma para o jornalismo: um golpe duro à democracia


O ministro Gilmar Mendes apresentou, recentemente, seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. O mais curioso é que, em determinado trecho, ele mencionou as atividades de culinária e corte e costura, para as quais não é exigido diploma. Essa argumentação é, no mínimo, uma barbaridade com os profissionais de jornalismo, não querendo, é claro, desmerecer os profissionais de culinária, corte e costura. São atividades totalmente diferentes e que não servem para comparativos. A supressão das normas relativas à atividade não atende aos princípios da liberdade de expressão e de imprensa consignados na Constituição brasileira nem aos interesses da sociedade. Cabe aqui ressaltar a lucidez do Ministro Marco Aurélio Mello, único da corte, que, em seu voto, defendeu a permanência da obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Mais do que uma punição ou coerção ao trabalho da imprensa, essa decisão é um duro golpe à qualidade da informação jornalística. A exigência do diploma não impede ninguém de escrever em jornal ou revista. Não é exigido diploma para escrever em jornal, mas sim para exercer em período integral a profissão de jornalista.

A Associação Brasileira de Imprensa, obviamente, repudiou a decisão do Supremo, declarando que tem razões especiais para lamentar esse fato porque, já em 1918, há mais de 90 anos, portanto, a associação organizou o 1º Congresso Brasileiro de Jornalistas e aprovou como uma das teses principais a necessidade de que os jornalistas tivessem formação de nível universitário. Creio que não interessa a ninguém um jornalismo menos qualificado, pois seria um grave prejuízo ao país, mas também não consegui entender como as maiores empresas de jornalismo apoiaram essa decisão, já que ameaça as bases da própria democracia brasileira.

De acordo com o último Censo da Educação Superior produzido pelo Ministério da Educação, o Brasil tem, atualmente, cerca de 220 mil alunos matriculados nos cursos de comunicação social. Esse número demonstra, claramente, o interesse de milhares de jovens pela profissão. Os alunos do curso de jornalismo também repudiaram a decisão do STF, já que ingressaram nas universidades, buscando obter, nos bancos escolares, uma formação mais ampla que lhe permitissem exercer com mais capacidade intelectual a profissão que escolheram. Daí, tantas manifestações em todas as partes do Brasil, por parte dos estudantes. Eles não imaginavam que a mais alta Corte de Justiça do país fosse, por maioria absoluta, oito votos a um, derrubar a exigência do diploma, com as justificativas apresentadas, que contrastam com o exercício do profissional. Foi um duro golpe à democracia.

E é justamente das universidades que partem anualmente dezenas de bons profissionais, que, empenhados e sempre querendo buscar superar-se, acabam se tornando bons repórteres, redatores, chefes de reportagem e editores. Nas universidades, não se estuda apenas disciplinas específicas de jornalismo impresso, televisivo ou radiofônico, mas profundos conceitos de antropologia, filosofia, sociologia e psicologia. E esse conjunto de disciplinas que faz a diferença na formação de um profissional egresso de uma faculdade de jornalismo. Esse profissional é, por motivos óbvios, muito mais completo e possui, conseqüentemente, uma visão de mundo muito mais profunda, com olhar mais crítico.

Diferentemente do passado em que os profissionais que atuavam no jornalismo eram ligados, por exemplo, ao direito, dentre outras carreiras, os cursos de jornalismo surgiram para oferecer uma formação mais específica a quem quisesse atuar nessa área. Desde a criação desses cursos, muitas modificações têm sido implementadas nas estruturas curriculares dos cursos de jornalismo, visando torná-los cada vez mais sintonizados com a realidade mundial. Dessa forma, disciplinas com conteúdos específicos, tais como jornalismo econômico, jornalismo ambiental e jornalismo esportivo, para citar apenas algumas, foram inseridas nessas estruturas curriculares. Podemos constatar que a formação do egresso de uma universidade é muito mais completa, justamente pelo conhecimento que adquiriu em quatro anos de estudo teórico, prático, específico e de pesquisa, do que a de um cidadão, que não se graduou ou que se formou em outra área do conhecimento. Um cidadão que escreve artigos, nem sempre possui a noção exata do que é ser um jornalista. Uma coisa é ser articulista, por exemplo, da área financeira, outra, e bem diferente, é possuir uma formação humanística e com conhecimentos específicos de funcionamento e de concepção de um veículo de comunicação.

A desprofissionalização, com o passar do tempo e com a contratação de cidadãos sem uma formação específica, acarretará em um enfraquecimento da categoria, influenciando diretamente nos salários e com uma queda, em conseqüente, acentuada na qualidade da informação que hoje é veiculada. O aluno diplomado em jornalismo sempre estará mais bem preparado, com a formação obtida na universidade, para disputar uma vaga no cada vez mais competitivo mercado de trabalho

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

 

Índice mede qualidade das escolas


O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007 para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do INEP e em taxas de aprovação. Assim, para que o Ideb de uma escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita de ano e freqüente a sala de aula. Para que pais e responsáveis acompanhem o desempenho da escola de seus filhos, basta verificar o Ideb da instituição, que é apresentado numa escala de zero a dez. Da mesma forma, gestores acompanham o trabalho das secretarias municipais e estaduais pela melhoria da educação. O índice é medido a cada dois anos e o objetivo é que o país, a partir do alcance das metas municipais e estaduais, tenha nota 6 em 2022 – correspondente à qualidade do ensino em países desenvolvidos.

Esse indicador, que mede a qualidade da educação, foi pensado para facilitar o entendimento de todos e estabelecido numa escala que vai de zero a dez. A partir deste instrumento, o Ministério da Educação traçou metas de desempenho bianuais para cada escola e cada rede até 2022. O novo indicador utilizou na primeira medição dados que foram levantados em 2005. Dois anos mais tarde, em 2007, ficou provado que unir o país em torno da educação pode trazer resultados efetivos. A média nacional do Ideb em 2005 foi 3,8 nos primeiros anos do ensino fundamental. Em 2007, essa nota subiu para 4,2, ultrapassando as projeções, que indicavam um crescimento para 3,9 nesse período. O indicador já alcançou a meta para 2009. Se o ritmo for mantido, o Brasil chegará a uma média superior a 6,0, em 2022. É o mesmo que dizer que teremos uma educação compatível com países de primeiro mundo antes do previsto.

Com o Ideb, os sistemas municipais, estaduais e o federal de ensino têm metas de qualidade para atingir. O índice, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep /MEC), mostra as condições de ensino no Brasil. A fixação da média seis a ser alcançada considerou o resultado obtido pelos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), quando se aplica a metodologia do Ideb em seus resultados educacionais. Seis foi a nota obtida pelos países desenvolvidos que ficaram entre os 20 mais bem colocados do mundo.

A partir da análise dos indicadores do Ideb, o MEC ofereceu apoio técnico ou financeiro aos municípios com índices insuficientes de qualidade de ensino. O aporte de recursos se deu a partir da adesão ao Compromisso Todos pela Educação e da elaboração do Plano de Ações Articuladas (PAR).

Em 2008, todos os 5.563 municípios brasileiros aderiram ao compromisso. Assim, todos os municípios e estados do Brasil se comprometeram a atingir metas como a alfabetização de todas as crianças até, no máximo, oito anos de idade. O MEC dispõe de recursos adicionais aos do Fundo da Educação Básica (Fundeb) para investir nas ações de melhoria do Ideb. O Compromisso Todos pela Educação propõe diretrizes e estabelece metas para o Ideb das escolas e das redes municipais e estaduais de ensino.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 

Revalidação de diplomas


Atualmente, para ter validade nacional, o diploma de graduação tem que ser revalidado por uma universidade brasileira pública que tenha curso igual ou similar, reconhecido pelo governo. Para obter a revalidação, é necessário, de acordo com a legislação atual, que o candidato: a) entre com um requerimento de revalidação em uma instituição pública de ensino superior do Brasil. De acordo com a regulamentação, apenas as universidades públicas podem revalidar diplomas: “São competentes para processar e conceder as revalidações de diplomas de graduação as universidades públicas que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim.” (Artigo 3º, Resolução Nº 1, de 29 de Janeiro de 2002);

b) apresente, além do requerimento, cópia do diploma a ser revalidado, instruído com documentos referentes à instituição de origem, duração e currículo do curso, conteúdo programático, bibliografia e histórico escolar; c) pague uma taxa referente ao custeio das despesas administrativas. O valor da taxa não é pré-fixado pelo Conselho Nacional de Educação e pode variar de instituição para instituição.

Para o julgamento da equivalência, para efeito de revalidação de diploma, será constituída uma Comissão Especial, composta por professores da própria universidade ou de outros estabelecimentos, que tenham qualificação compatível com a área do conhecimento e com o nível do título a ser revalidado. Se houver dúvida quanto à similaridade do curso, a Comissão poderá determinar a realização de exames e provas (prestados em Língua Portuguesa) com o objetivo de caracterizar a equivalência.

O requerente poderá ainda realizar estudos complementares, se na comparação dos títulos, exames e provas ficar comprovado o não preenchimento das condições mínimas exigidas pela legislação educacional vigente.

O prazo para a universidade se manifestar sobre o requerimento de revalidação é de seis meses, a contar da data de entrada do documento em uma universidade federal.

O Brasil não possui nenhum acordo de reconhecimento automático de diplomas, Sendo assim, as regras são as mesmas para todos os países.

A revalidação de diploma de graduação expedido por instituições de ensino estrangeiras é regulamentada pela Resolução CNE/CES nº 01, de 28 de janeiro de 2002, alterada pela Resolução CNE/CES nº 8, de 4 de outubro de 2007.

A revalidação é feita pelas universidades públicas, que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim. Caso haja dúvida quanto à similaridade do curso, a universidade pode solicitar a realização de exames e provas, com o objetivo de caracterizar a equivalência.

Os diplomas de mestrado e doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades brasileiras que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior, desde que obedecidos os mesmos critérios e parâmetros exigidos para as convalidações dos cursos de graduação.


 

 

Saudade de Zora Seljan

Três anos já se passaram desde que Zora Seljan partiu, numa manhã ensolarada de a bril, deixando seus incontáveis leitores despidos do seu talento literário. Ensaísta, dramaturga, romancista e escritora de ficção científica, Zora, filha do arqueólogo croata Stevo Seljan, veio para o Brasil com seu irmão, Mirko, para explorar a Amazônia e aqui ficou durante a Segunda Guerra Mundial, foi uma figura marcante nas rodas culturais, nas quais sempre esbanjou sabedoria, humor e, principalmente, sedução.

Do final da década de trinta ao início dos anos cinqüenta, Zora foi casada com o notável escritor Rubem Braga, falecido em 1990. Seu segundo marido foi Antonio Olinto, membro da Academia Brasileira de Letras. Eles se casaram em 1955. A partir de então, os dois trabalharam juntos em atividades culturais e literárias. Quando Antonio Olinto foi crítico literário de O Globo, Zora Seljan assinava a crítica de teatro no mesmo jornal, sendo que às vezes as duas colunas saíam lado a lado na mesma página.

Antes de os dois seguirem para a Nigéria, já Zora havia escrito a maioria de suas peças de teatro afro-brasileiras, das quais, mais tarde, em Londres, uma delas, Exu, Cavaleiro da Encruzilhada, seria levada em inglês por um grupo de atores ingleses e norte-americanos sob a direção de Ray Shell, que participara de produção de Jesus Christ Superstar. Na Nigéria Zora Seljan foi leitora na Universidade de Lagos. De volta da África, Antonio Olinto publicaria um relato de sua missão ali, Brasileiros na África, e Zora Seljan lançaria dois livros: A Educação na Nigéria e No Brasil ainda Tem Gente da Minha Cor? Em 1973, os dois fundaram um jornal, em Londres e em inglês, The Brazilian Gazette.

Ela foi uma de um punhado de escritoras pioneiras dentro da ficção científica, em atividade durante os anos sessenta e setenta. Além de escrever ficção científica, foi autora de vários livros sobre a cultura africana e de estudos afro-brasileiros e de peças com assuntos relacionados - um interesse compartilhado por seu segundo marido, Olinto.

Até a sua morte, Zora foi a principal entrevistadora de figuras literárias publicadas no Jornal de Letras. Sua obra estará sendo reeditada ainda este ano. Assim sendo, os seus livros, maioria deles esgotados editorialmente, poderão ser novamente lidos e percebidos. Melhor, sobretudo, para os mestrandos e doutorandos dos cursos de antropologia, ciências sociais e sociologia que se servem desses textos para o desenvolvimento de suas pesquisas stricto sensu. Que esse relançamento seja de fato breve.

A cultura afro-brasileira agradece.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 

Coréia do Sul, um exemplo a ser seguido


Visitar a Ásia, o maior continente do planeta e onde moram 60% da população do mundo, significa ampliar os sentidos, enxergar novas cores, experimentar outros sabores, perceber novos costumes e se confundir, algumas vezes, com modos de vida totalmente diferentes dos ocidentais. Visitar a Ásia é, na realidade, como abrir a Caixa de Pandora. Uma verdadeira surpresa. E é justamente em Seul, uma cidade de 11 milhões de habitantes, capital da Coréia do Sul, país cercado pela China, Rússia e Japão, que o viajante descobre uma metrópole rigorosamente segura, com um povo muito bem educado e culto e com um padrão de vida de dar inveja aos países mais desenvolvidos do mundo.

Seul abriga enormes letreiros em neón, prédios altíssimos, shoppings centers aberto quase que 24h (Coex Mall), rios com águas cristalinas correndo pelas calçadas e avenidas, muito consumo e uma produção hi-tech absolutamente fantástica. Mesmo com todo esse movimento feérico, o turista pode descansar nos seus numerosos parques sossegados, lindamente arborizados, como o Namsan,  e curtir a natureza, contemplando o Templo de Jogyesa, os Palácios de Gyeongbokgung, de Changdeokgung e Deoksugung, e imensas torres, sempre com a hospitalidade do sul-coreano – uma marca registrada desse povo.

Em Insadong, a cultura tecnológica dá lugar ao velho continente. Ali não há prédios altos. Ao contrário, suas pequenas ruas abrigam o que existe de mais genuíno nessa capital. São tavernas da tradicional gastronomia coreana, casas com especiarias sempre muito perfumadas, dezenas de antiquários e uma infinidade de galerias de arte. Um prato que não pode ser desprezado é o ppeondaegi. Na realidade, larva de bicho-da-seda frita. Eles são comercializadas em saquinhos de amendoim. Uma delícia!

Muitos comparam Seul com Tóquio. E essa comparação é natural, uma vez que o Japão dominou a Coréia por três décadas. Durante a Segunda Guerra Mundial, homens coreanos foram obrigados  a lutar pelos japoneses e mulheres foram feitas prostitutas. A violência foi tanta que até mesmo o hangeul, a escrita coreana, foi por eles proibida. Na realidade, as duas Coréias foram uma só até o final da guerra. Com a derrota, os soviéticos ocuparam o norte e os americanos e ingleses se estabeleceram no sul. E desde 1953, vive dividida em duas: a República Popular da Coréia, ou Coréia do Norte, acima do paralelo 38, e a República da Coréia, mais conhecida como Coréia do Sul. A fronteira entre os dois países está apenas a 55 quilômetros de Seul, que, inclusive, já foi atacada algumas vezes pela Coréia do Norte, que escavou três gigantescos túneis para chegar a Seul. Nessa fronteira encontra-se a Zona Desmilitarizada, uma das mais fortificadas de todo o mundo. Para se chegar até lá, todo o cuidado é pouco. Necessário levar passaporte, assinar um termo de responsabilidade em caso de ataque inimigo e não ir de bermuda, chinelo e camiseta com estampa provocativa. Policiais entram nos ônibus de turismo, checam as fotos e os passaportes e impedem o uso de câmeras de vídeo e ou de fotografias...

Não são só as belezas de Seul, suas tradições milenares, seus costumes e sua gente que fascinam os visitantes. Na realidade, a Coréia do Sul, esse Tigre Asiático, é um exemplo para o mundo, na área da expansão e do desenvolvimento educacional. Suas autoridades enviaram muitos dos seus estudantes ao exterior com bolsas de estudo, para que buscassem formação e informação. Em 2007, haviam quase 200 mil alunos cursando universidades em nível de graduação e nos programas de mestrado e de doutorado, especialmente nos Estados Unidos, Japão e Inglaterra. E assim, além de incentivar e manter universidades de ponta, com cerca de 4 milhões de estudantes matriculados na educação superior, a Coréia do Sul cria tecnologia em todos os setores e mantém as mais altas taxas de produtividade do planeta. Esse feito glorioso levou menos de quatro décadas para se consumar.

A educação superior da Coréia do Sul experimentou todo esse progresso com a ajuda de políticas reformistas criativas e eficazes e de efetivos planos para a melhoria da qualidade. Os dirigentes da Coréia do Sul acreditam que é necessário que a educação universitária do Século XXI seja considerada no quadro geral da globalização em que o mundo vive, uma vez que a educação se tornará transnacional e que a tendência é a mobilidade do aprendizado e, em consequência, a educação sem fronteiras. E para atender a essas necessidades, universidades reformistas renovaram seu sistema curricular para, primeiramente, incorporar a capacidade do estudante para a ciência da informação e línguas estrangeiras como pré-requisitos para a graduação e, segundo, para permitir intercâmbio de recursos humanos e materiais com as demais universidades sul-coreanas e as de outros países.

A Coréia do Sul demonstra ao mundo que o seu espantoso desenvolvimento se deve ao fato de ter apostado na educação como ferramenta imprescindível ao seu projeto sócio-político-educacional e ainda por ter inserido a educação e a saúde pública como prioridades na agenda nacional.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



 

Educação recebeu R$ 117 bilhões

Pelo segundo ano consecutivo, o Inep realizou estudo sobre a quantidade de recursos públicos investidos nos diferentes níveis da educação brasileira, incluindo as etapas da educação básica (educação infantil e ensinos fundamental e médio) e educação superior.

O investimento público na educação brasileira em 2007 foi de 4,6% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em números absolutos, isso representa um aporte de R$ 117,4 bilhões. A pesquisa apurou dados de 2000 a 2007 e inclui investimentos dos governos federal, estaduais e municipais. O percentual de investimento público em educação subiu de 4,4% em 2006 para 4,6%, em 2007. Os dados estão comparados ao PIB. Em 2005, o índice foi de 3,9%. O valor se aproxima do padrão de Investimento dos países desenvolvidos – de 5%, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O maior incremento financeiro se concentra na educação básica, que reúne 3,9% do total de Investimento em relação ao PIB. Em 2006, o percentual era de 3,7%. Nos demais níveis de ensino, o investimento se manteve constante entre 2006 e 2007, inclusive na educação superior que ficou estabilizado em 0,7%. De acordo com o estudo, foram verificadas pequenas variações, como no caso da educação infantil, que teve investimento direto igual a 0,3% do PIB em 2006 e, em 2007, de 0,4%.

São considerados investimentos diretos os recursos aplicados nas instituições de ensino, como, por exemplo, para a aquisição de livros didáticos, merenda e transporte escolar, pagamento de professores, obras e instalações para a melhoria das escolas.

Em termos de investimento total, o maior crescimento novamente foi verificado na educação básica, que teve 4,3% de investimentos relativos ao PIB em 2006, sendo que em 2004 este percentual era de 3,6. Os especialistas justificam o aumento 0,7 pontos percentuais neste período à adoção de políticas públicas voltadas para esse nível de ensino. Em contrapartida, os investimentos na educação superior mantiveram-se constantes, sendo que o índice de 0,8% em relação ao PIB foi mantido de 2006 para 2007.

Nos demais níveis de ensino, o índice também apresentou estabilidade entre 2000 e 2007. No ensino médio, o investimento em 2000 foi de 0,6% do PIB e de 0,7%, em 2007. Já na educação infantil ele variou de 0,4% a 0,5 % do PIB entre 2000 e 2007.

No item de investimento total em educação são coletadas informações sobre pessoal ativo e seus encargos sociais, ajuda financeira aos estudantes (bolsas de estudos e financiamento estudantil), despesas com pesquisas e desenvolvimento, transferências ao setor privado, estimativa para complemento da aposentadoria futura de pessoal ativo (cota patronal), além de outras despesas correntes e de capital.

O estudo também aponta os dados de investimento em educação por aluno. Em 2007, o investimento p úblico anual em um aluno da educação básica foi de R$ 2.005. Em 2006, este custo era de R$ 1.852 e, em 2000, era de R$ 1.310. Os valores apresentados no estudo estão corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Dentro da educação básica, o estudo revelou significativo crescimento nos ensinos fundamental e médio. O gasto por aluno no ensino médio era de R$ 902 em 2003, enquanto que em 2007 passou para R$ 1.572. Já nas primeiras séries do ensino fundamental, o valor apurado em 2007 foi de R$ 2.166 por aluno, sendo que em 2000 era de apenas R$ 1.289.

A pesquisa apura ainda a relação entre o que se investiu por aluno no ensino superior em relação ao ensino básico. Em 2000, a proporção do que se investia por aluno no ensino superior era 11 vezes maior que na educação básica. Sete anos depois, diminuiu para pouco mais de seis. Segundo especialistas, esta diminuição é explicada por dois motivos: elevado aumento de investimento na educação básica de 2000 para 2007 e ampliação do número de matrículas na educação superior no mesmo período. A meta do Ministério da Educação é reduzir para quatro essa proporção, como ocorre nos países desenvolvidos.

O estudo sobre os indicadores do investimento público na educação é resultado de uma parceria entre Inep, MEC, Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Para sua realização foi criado um grupo de trabalho, sob a coordenação do Inep, que compatibilizou os dados de investimento educacional com base na metodologia utilizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Desta forma, adotou-se a mesma metodologia usada por organismos internacionais em estudos similares. Assim, será possível a comparação dos dados nacionais com aqueles que são produzidos por outros países.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 

Novo Enem não terá língua estrangeira, filosofia e sociologia

A primeira edição do vestibular unificado não terá prova de língua estrangeira, sociologia e filosofia. Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Reynaldo Fernandes, as matrizes para a elaboração dessas provas não estão prontas, e o prazo é insuficiente para a sua realização. A decisão vale apenas para este ano e afeta a seleção das universidades que aderirem ao novo Enem. O Inep utilizará na elaboração da primeira edição do vestibular unificado a matriz do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Já na segunda edição, em 2010, O Inep incluirá essas matérias.

O anúncio feito pelo presidente do Inep gerou algumas manifestações contrárias ao não oferecimento, por exemplo, de língua estrangeira. Recentemente, a coordenadora de ensino e graduação da UnB, Márcia A brahão, declarou que uma seleção para universidade sem língua inglesa representa um retrocesso.

A mesma opinião tem o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal, Amábile Pacios. De acordo com ele, o processo estará sendo sucateado e a qualidade da seleção sofrerá perdas. Para Amábile é difícil imaginar uma prova de vestibular sem língua estrangeira, uma vez que a disciplina é obrigatória na grade das escolas.

No Rio, o Conselho de Ensino e Pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) aprovou por unanimidade um novo modelo de vestibular para 2010, incluindo as questões objetivas do novo Enem como forma de avaliação na primeira fase, que continua sendo eliminatória. O Enem valerá metade da nota.
As questões desta fase serão objetivas de múltipla escolha. Nessa fase, os candidatos farão provas com perguntas pertinentes à grande área de conhecimento a que pertence o curso escolhido, sendo que as questões de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa serão comuns a todas as áreas.

A segunda etapa de provas da UFF vai permanecer igual com questões específicas e discursivas. Os alunos da rede pública de ensino que passarem para a segunda fase terão um bônus de 10%. O candidato que tiver nota igual ou superior a 7 do Enem vai ter mais 5% sobre a nota final.

O vestibulando para passar na segunda fase deverá ter um número de acertos igual ou superior à média aritmética da prova e do novo Enem, respeitado o limite máximo de oito e o mínimo de três vezes o número de vagas oferecido pelos cursos.

Os professores da rede pública terão reserva de 20% das vagas em cursos de licenciatura.

A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) decidiu abolir de vez seu vestibular e optar pelo novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a partir deste ano como única forma de ingresso do aluno na instituição.

A Unirio é a segunda instituição de ensino federal do Estado do Rio de Janeiro a aderir ao novo Enem - a primeira foi o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ). Desde 2001, a Unirio utilizava o Enem como uma das maneiras de acesso a seus cursos de graduação, sendo que há dois anos passou a destinar 50% das vagas a quem decidisse usar as notas do exame. Da mesma forma, a UniverCidade aderiu ao Enem, como parte do seu processo seletivo.

Pesquisa da Unirio mostra que, no período entre 2004 e 2008, a taxa de evasão da instituição foi de cerca de 25%; sendo que 79,8% desse total era de alunos que fizeram vestibular e apenas 13% de estudantes que ingressaram pelo Enem. A universidade ainda vai definir de que forma serão aplicadas as provas de habilidade específica, como os de artes cênicas e música.

As provas do Enem deverão, ainda, passar por pré-testes, antes da aplicação. O novo Enem deve ser realizado nos dias 3 e 4 de outubro e, mesmo diante de insistentes pedidos de reitores para adiar a data, o presidente do Inep garante que o prazo será mantido.

A expectativa é que 4 milhões de pessoas façam o exame. Todas as redações serão corrigidas, uma vez que a prova tem o intuito de avaliar o ensino médio e não só selecionar para as universidades.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

 

MEC quer mudar currículo do Ensino Médio

O Ministério da Educação pretende acabar com a divisão por disciplinas presente no atual currículo do ensino médio. A proposta, que está sendo discutida na Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, é distribuir o conteúdo das atuais 12 matérias em quatro grandes grupos: línguas estrangeiras, matemática; ciências humanas; e ciências exatas e biológicas. Atualmente, o currículo é muito fragmentado e o aluno não vê aplicabilidade no programa ministrado, o que reduz o interesse do jovem pela escola, levando-o muitas vezes à evasão. A mudança ocorrerá por meio de incentivo financeiro e técnico do MEC aos Estados da Federação, pois a União não pode impor o sistema. O novo Enem, Exame Nacional do Ensino Médio, que deverá substituir o vestibular das universidades federais, será outro indutor, pois também não terá divisão por disciplinas. Segundo a proposta, as escolas terão liberdade para organizar suas próprias estruturas curriculares, o que é um sinal claro de inovação, desde que seus currículos sigam as diretrizes federais e apresentem uma base comum.


Os últimos resultados do Enem mostraram que 60% dos nossos alunos estudam em escolas abaixo da média nacional, o que vai de encontro com o progresso e o desenvolvimento da própria nação brasileira. A idéia é não oferecer mais um currículo enciclopédico, rígido, com 12 disciplinas, em que os alunos dominam muito pouco a leitura, o entorno e a própria vida prática.

Para também tentar garantir mais qualidade, está previsto o aumento da carga horária, das atuais 2.400 horas para 3.000 horas, em um acréscimo total de 25%. Com essa mudança de paradigma, será preciso que as escolas reorganizem os seus espaços e, mais do que isso, será necessário criar no professor uma nova mentalidade, mais moderna, arrojada e empreendedora.

Afinal, os atuais docentes foram preparados, ao longo das décadas, para ensinar em disciplinas e não em módulos. Treinamentos e capacitações serão requeridos para que os professores, a partir dessa implantação, possam mudar sua didática, inovando-a.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 

 

 

No Nepal, contrastes culturais


Caos. Contrastes. Pobreza absoluta. Buzinaço alucinante pelas vielas, becos e “avenidas”. Vacas e macacos pelas ruas, sem placas de sinalização. Gente hospitaleira. Templos exuberantes. Paisagens inesquecíveis. Terra do Monte Everest. País aonde nasceu Buda. Essas são apenas algumas das muitas considerações que podem ser feitas ao Nepal, país encravado na encosta da Cordilheira do Himalaia e situado entre a China e a Índia, no centro-sul da Ásia, com cerca de 27 milhões de habitantes, em uma área de menos de 141 mil quilômetros quadrados, mas, em altura, é recordista mundial, pois abriga oito das dez maiores montanhas do mundo.

 Antigo reino, tornou-se  república, recentemente, mas o antigo soberano, que subiu ao trono depois de assassinar seus pais, apesar de deposto, continua vivendo em Kathamandu, em uma residência que ocupa um quarteirão, bem perto do Palácio Real, onde viveu toda a sua vida. A atual República ainda não teve condições de promover mudanças no país, que sofre com o desemprego, com a ausência de saneamento básico, com a falta de moradia e com poucas escolas e raras universidades. Os problemas políticos, sociais, militares e econômicos são, talvez, do tamanho do próprio país e é muito improvável que tais mazelas possam ser ultrapassadas ainda neste século.

Apesar dessa situação verdadeiramente dramática em que está mergulhado esse país, é absolutamente fascinante visitá-lo. Lá, a vida cruel nos leva a reflexões, a uma viagem para dentro de nós mesmos. Nos triciclos, ou “tuc-tucs como são chamados, passear pelo bairro de Thamel é uma aventura. São centenas de tendas e pequenas lojas espalhadas por quarteirões de vielas completamente esburacadas, sob um colorido de legumes, verduras, frutas e flores. Centenas de indigentes estão jogados pelo caminho, assim como dezenas de sandhus (homens pobres com suas caras pintadas, verdadeiras máscaras) são vistos. Encontrar um sandhu e não dar-lhe algum dinheiro pode trazer má sorte reza a crendice local.

Bem próximo de Thamel encontra-se a Praça Durbar, a mais visitada da capital. A confusão de turistas, nepalenses, táxis e vendedores de qualquer coisa não esconde a beleza arquitetônica dos templos. Pechinchar é uma arte em Kathmandu. “Galerias” de arte são ali também verificadas. E a maioria delas  exibe pinturas de excelente qualidade, com destaque para as que apresentam o nascimento e vida do Buda, feitas com fios de  ouro de 24 quilates.

Nada, todavia, pode ser comparado aos grandes templos de Swayambunath, Pashupatinath e Boudhanath. O  Swayambunath é o principal santuário budista de Kathmandu. Arqueólogos acreditam que esse templo exista há pelo menos 2 mil anos.  Em uma área de quase 65 quilômetros quadrados, o visitante percorre até o topo da montanha, local onde se encontra o templo, mais de 40 degraus, cercado de gigantescas estátuas de budas, de macacos e de jardins.

Já o  Pashupatinath está construído as margens do Rio Bagmati, considerado sagrado pelos nepalenses. É o principal templo hinduísta do país e é também conhecido pelas cerimônias de cremação públicas. De um lado, os corpos da população pobre são queimados na plataforma, entre galhos de árvores, carvão, na presença de familiares homens; do outro lado, os ricos são cremados em plataformas em um ritual sofisticado e em sândalo.  As cinzas e sobras das fogueiras são jogadas ao rio. Curioso é que crianças e até adultos ficam por ali naquelas águas poluídas, com a intenção de pescar dentes de ouro para, após, revendê-los.  Maior mausoléu do país, o Boudhanath é parecido com o Swayambunath, mas sua majestosa construção branca e imensa cúpula dourada, ainda mais agigantada devido às construções dos prédios baixos ao seu redor, é bem mais impressionante.

O antigo Palácio Real, na Avenida Durbar Mag, transformou-se em museu e é aberto a visitação. Os prédios da Suprema Corte de Justiça, o Parlamento, as Torres dos Relógios e Branca, o Portão Dourado e a Praça Indrachowk, endereço do Templo Akash Bhairab e do mercado antigo merecem ser, da mesma forma, visitados. As modernas edificações das embaixadas dos Estados Unidos, Japão e França são destaques nas paisagens de Kathmandu. O Brasil não possui representação diplomática no Nepal.

O Nepal é daquelas viagens mágicas que não terminam jamais, nem quando chegamos de volta ao Brasil. E prova que há maneiras e formas diferentes de se encarar a vida, de ver e lidar com as coisas e com as pessoas. Viajar ao Nepal é, antes de mais nada, um grande aprendizado.


 Paulo Alonso é jornalista e Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

Mulheres são maioria na Educação Básica


O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira, o INEP, acaba de divulgar uma pesquisa sobre a presença da mulher brasileira no sistema educacional e mostra números crescentes, em termos absolutos, em todos os níveis de ensino. Na comparação com a presença masculina, na Educação Básica, elas constituem minoria nas creches e no Ensino Fundamental, mas são maioria no Ensino Médio.

De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica, levantamento realizado anualmente pelo Inep, em 2005 estavam matriculadas no Ensino Fundamental 16.367.401 meninas, o que representa 48,80% do total de matrículas naquele ano. Esse percentual manteve-se praticamente o mesmo no ano seguinte, com matrículas de mulheres representando 48,66% do total. Já no Ensino Médio, a proporção de matrículas de mulheres aumentou nesse período. Em 2005, elas representam 53,99% e, em 2006, o 54,06%. Em 2007, do total de 31.733.198 estudantes do Ensino Fundamental, 5.394.707 ou 48,51% eram meninas. Já, no Ensino Médio, o percentual de meninas supera o de homens. Elas representavam 54,7% do total de 8.264.816 alunos.

Se há variação em termos de matrículas, quando o assunto é desempenho o rendimento feminino apresenta crescimento, inclusive em relação ao dos homens. De acordo com estudo produzido pelo Inep, o desempenho na prova de português do SAEB referente a 2007 revela um rendimento de 182,3 para as mulheres na 4ª série do Ensino Fundamental, enquanto os homens, nesta mesma série, obtiveram desempenho de 172,4, numa escala de 0 a 500. O levantamento foi feito em escolas públicas e privadas de todo o País.
A diferença de rendimento é ainda maior na 8ª série do Ensino Fundamental quando se trata de proficiência em língua portuguesa, sendo que as mulheres tiveram média de 240,7 e os homens, 228,7, uma diferença de 12 pontos. E, no 3º ano do Ensino Médio, a superioridade feminina em língua portuguesa é novamente comprovada. Elas tiveram aproveitamento de 263,5, enquanto os meninos ficaram com 259,9. Conforme mostra a tabela, os homens apresentam melhores médias em matemática nas três série avaliadas: 4ª e 8ª do Ensino Fundamental e 3º ano do Ensino Médio.

As mulheres do Sudeste são as que apresentam melhor rendimento médio. Mas são as mulheres do Distrito Federal que tiveram melhor desempenho em 2007 em Língua Portuguesa e Matemática, na 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental. Elas apresentaram média de 200,7 em Português e de 210,9, em Matemática. Já no 3º ano do Ensino Médio, são as gaúchas que apresentam maior desempenho em Português, com 286,3 de aproveitamento. Já em relação à disciplina de Matemática, novamente são as estudantes do sexo feminino do Distrito Federal que lideram com média de 291,8.

Da mesma forma, as mulheres já são também maioria nos bancos universitários. E não é à toa que, cada vez mais, as mulheres no Brasil estão ocupando cargos e funções de altíssimo relevo e importância nos Tribunais Superiores, nos Tribunais Estaduais, no Congresso Nacional, nas Academias de Letras, Artes e Cultura, no Esporte, na Música...em todos os setores da vida.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 


 

Instituto de Pesquisa Antártico é instalado

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT APA) foi instalado, no último dia 1º de abril, em solenidade realizada no Ministério do Meio Ambiente (MMA). O Instituto, criado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, constituiu-se em uma rede de pesquisa com a participação de mais de 40 pesquisadores ligados a 16 diferentes instituições, dentre elas o próprio MMA, parceiro no projeto.

O objetivo do Instituto é estudar as mudanças ambientais que ocorrem na Antártica, o continente mais preservado e, ao mesmo tempo, mais frágil do planeta. Sua atuação está focada na Ilha Rei George, onde está instalada a Estação Antártica Brasileira Comandante Ferraz, que tive a oportunidade de visitar quando matriculado no Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra. Essa região é a mais sensível do planeta às variações climáticas. Suas peculiaridades permitem que se detecte, precocemente, a resposta do ambiente às mudanças globais. Registros meteorológicos indicam um rápido aumento na temperatura atmosférica local ao longo dos últimos 50 anos, quatro vezes maior que a média mundial. Nesse período, a ilha perdeu 7% de sua cobertura de gelo. As maiores perdas de gelo já observadas no planeta – com destruição de mais de 7000 quilômetros quadrados - ocorreram nos últimos oito anos a apenas 350 quilômetros da Ilha Rei George.

Outra tarefa importante do INCT APA será o monitoramento ambiental da Baía do Almirantado, com estudos sobre o impacto que as atividades humanas têm causado sobre o ambiente.

Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia foram criados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia que, por meio do CNPq, lançou edital convocando a comunidade científica nacional a realizar pesquisas. A criação dos institutos conta com parceria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) e as Fundações de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), do Pará (Fapespa), de São Paulo (Fapesp), Minas Gerais (Fapemig), Rio de Janeiro (Faperj) e Santa Catarina (Fapesc), Ministério da Saúde e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Foram criados 123 projetos que terão recursos de R$ R$ 581 milhões para os próximos cinco anos.
Com a implantação de um Instituto com essa dimensão, importância, finalidade e responsabilidade, espera-se que o Brasil possa, por meio dos seus pesquisadores e das suas consequentes pesquisas, ter dados ainda mais consistentes para o diagnóstico dos impactos que as atividades desenvolvidas pelo homem causam e prejudicam o meio ambiente em que vivemos.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

   
Listão de dispensados do Enade 2008

O Diário Oficial da União publicou recentemente  uma portaria com os dispensados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, Enade, relativo ao ano de 2008. Os estudantes concluintes dispensados do exame realizado no dia 9 de novembro do ano passado podem procurar sua Instituição de Ensino Superior e requerer o diploma de conclusão de seu curso.

Em 2007, foram avaliadas as áreas de Arquitetura e Urbanismo, Biologia, Ciências Sociais, Computação, Engenharia, Filosofia, Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Química; e cursos superiores de tecnologia em: Construção de Edifícios, Alimentos, Automação Industrial, Gestão da Produção Industrial, Manutenção Industrial, Processos Químicos, Fabricação Mecânica, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores e Saneamento Ambiental.
Os faltosos ao Enade tiveram um prazo no ano passado para entregar suas justificativas de ausência. Todas as solicitações de dispensa foram avaliadas por uma comissão especial constituída e designada pelo Ministério da Educação (MEC). Os alunos que não tiveram aceitas suas justificativas continuam em situação irregular e devem prestar o exame neste ano para regularizar a situação acadêmica. Sem o exame, não poderão receber os seus diplomas, mesmo que concluído o curso universitário. O prazo para as IES inscreverem seus alunos nessa situação é de 1º a 19 de junho, de acordo com o texto da Portaria Normativa 1/2009.

O Enade 2009 será realizado no dia 8 de novembro e participarão da prova  estudantes do final do primeiro ano de curso e do último ano de curso das áreas selecionadas. São considerados ingressantes aqueles estudantes que, até o dia 1º de agosto, tiverem concluído entre 7% e 22% da carga horária mínima do currículo do curso da Instituição em que está matriculado, já  os concluintes são aqueles que, até o dia 1º de agosto, tiverem concluído pelo menos 80% da carga horária mínima do currículo do curso da sua IES ou aquele estudante que tenha condições acadêmicas de conclusão do curso no decorrer do no ano letivo de 2009.

Assim sendo, as IES de todo o Brasil e os estudantes universitários que se enquadrarem nessas normas devem ficar atentos. Na realidade, o Ministério da EDucação, ao instituir um processo avaliativo nacional, deseja saber objetivamente como está sendo a transmissão do conhecimento aos alunos, avaliando ainda organização didático-pedagógica da IES, seu corpo docente e infra-estrutura. Não podemos imaginar que as avaliações sejam punitivas, mas esperando sempre que sejam construtivas para, assim, melhor qualificar os nossos alunos que se matriculam nas várias instituições nacionais, visando o seu crescimento intelectual e apostando, com o conhecimento recebido, um lugar no cada vez mais restrito mercado de trabalho.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

   
Dubai, um lugar único no planeta

Ao chegar ao Aeroporto Sheik Rachid, em Dubai, a maior cidade dos Emirados Árabes Unidos, com cerca de 1,6 milhão habitantes, o passageiro logo se impressiona. O aeroporto mais parece um gigantesco e sofisticado shopping - center. Mesmo diante dessa imensidão, ainda está sendo construído outro, o  Dubai World Central International Airport, planejado para ser o maior do mundo, com capacidade para 120 milhões de passageiros por ano. Não é um equívoco afirmar que Dubai possui 30% dos guindastes de construção de todo o mundo. A cidade, um verdadeiro canteiro de o bras, impressiona pela expansão, pela altura dos edifícios e pela arquitetura arrojada dos prédios e, sobretudo, pela grandiosidade dessa metrópole que está sendo projetada sobre o enorme Deserto de Larbad. Ao contrário dos demais Emirados Árabes Unidos, a economia de Dubai não se baseia primordialmente na exploração do petróleo. Apenas 7% da renda do emirado são obtidas dessa fonte. A maior parte dos recursos é proveniente da Zona Franca Jebel Ali, onde se localiza o porto de Dubai, o 13° mais movimentado do mundo, e empresas multinacionais, sobretudo canadenses, austríacas, norte-americanas e suíças, que gozam de vantajosas isenções comerciais e fiscais. As atividades relacionadas ao turismo, 33% das divisas, também têm aumentado sua participação na economia. O crescimento do PIB gira em torno de 19%, mais que o dobro da China. A população nativa de Dubai é absolutamente minoritária, daí a cidade ainda não ter identidade própria. Mais de três quartos dos seus habitantes são originários de outros países, em especial, do Paquistão, do Cazaquistão, da Malásia, das Filipinas e da Índia. Sem impostos sobre pessoas física e jurídica e com um código legal que favorece a propriedade e a iniciativa privada, Dubai incorpora o lema do velho Sheik Rashid: "O que é bom para os comerciantes é bom para Dubai".

Tudo em Dubai é grandioso. Lá está, por exemplo, localizado o único hotel sete estrelas do mundo, o Burj Al Arab, situado em uma ilha e com uma infra-estrutura tecnológica de última geração, em formato de vela. Não muito distante dele, pode ser contemplado O Burj Dubai, a Torre de Dubai. É o arranha-céu mais alto do mundo, embora ainda esteja em final de construção. Não se sabe qual será a altura exata do edifício, mas acredita-se que ele terá aproximadamente entre 700 e 800 metros de altura, o que o fará não somente o arranha-céu mais alto do mundo, bem como a estrutura mais alta do mundo, com um custo estimado de oito bilhões de dólares. Ao atingir sua altura máxima, o Burj Dubai deverá superar não somente o arranha-céu mais alto do mundo da atualidade, o Taipei 101, bem como a estrutura não sustentada por cabos em terra firme mais alta do mundo, a Torre CN, e a estrutura mais alta do mundo, a Torre da KVLY-TV

Já a Dubailand, na Sheik Zayed Road, é um outro projeto altamente arrojado, situada em uma área  do tamanho da Cingapura. Promete ser a grande atração de entretenimento, ainda este ano, quando será inaugurada. Todavia, uma atração imperdível e, ao mesmo tempo, surreal, é visitar o Shopping dos Emirados, o maior de Dubai, com 500 lojas e uma enorme estação de esqui coberta. Inquestionavelmente, é uma das idéias locais mais estranhas, já que a visão de uma enorme pista de esqui interna coberta de neve, com menos 4º C, a primeira do Oriente Médio, é algo esquisito no calor úmido do Golfo Pérsico, onde o espetáculo dos emirenses esquiando e vestidos de burcas e/ou canduras, falando o árabe é, no mínimo, curioso. Esse complexo encerra o maior parque de neve interno do mundo, com três mil metros quadrados de encostas “alpinas” cobertas de neve, com teleférico, pistas de esqui e de trenós.

Dubai guarda um perfil de Manhattan e de Las Vegas, um porto de classe internacional e gigantescos centros de compra livres de impostos aduaneiros. Atrai mais turistas do que toda a Índia, mais navios do que a Cingapura e mais capital estrangeiro do que muitos países europeus. Pessoas de 150 nacionalidades foram viver e trabalhar ali. Dubai tem até ilhas artificiais, algumas em forma de palmeira, para acomodar os milionários. David Beckham, Rod Stewart e Michael Schumacher estão construindo suas mansões na Ilha Palmeira de Jumeirah, onde existe uma bela marina e hotéis simplesmente maravilhosos.  Uma segunda ilha artificial com o mesmo formato da palmeira já está fase final de construção.

Em Dubai celulares incrustados de diamantes custam 10 mil dólares e vendem como água. Milhões de pessoas voam para lá só para fazer compras. O Gold Souk, mercado de ouro, é algo mágico e mítico. São quilos e quilos de ouro nas centenas de lojas esperando por compradores e por preços vantajosos. Fica na parte norte, conhecida como Deira, maior centro comercial e turístico, com vários mercados, escolas, hotéis, clubes e o aeroporto.

Dubai é um lugar único no planeta. Apontada por muitos como a cidade que mais cresce no mundo, este centro de comércio cravado no Golfo Pérsico, às margens do Oceano Índico, transformou-se em um dos destinos urbanos mais cheios de glamour, espetaculares e futuristas do mundo.

Existe também um novo projeto para a construção de outra ilha artificial em que, ao contrário de um desenho de palmeira, será o desenho do mapa mundo.  Um hotel deve ficar com o conjunto formado por várias ilhas que, se olhadas por cima, mostram o mundo. The World também será um arquipélago artificial onde a maior parte das ilhas já foi comprada por investidores de todo o mundo, que estão desembolsando de 7 a 30 milhões de dólares por suas mansões.

Contrastando com a vida movimentada dos cafés e restaurantes, dos iates luxuosos e dos prédios sofisticados da cidade, encontra-se o deserto, de onde se pode contemplar um maravilhoso por do sol, sob o vento das areias finas e avermelhadas e sob o olhar dos dromedários e camelos, em suas reservas.

Caminhar pelo deserto e navegar pelas águas cristalinas e verdes do Golfo Pérsico são dois dos mais belos e inesquecíveis passeios em Dubai. Imagens que certamente permanecerão por toda a vida na memória e nos corações daqueles que têm a oportunidade de conhecer essa única e tão fantástica cidade do Oriente Médio.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



 

Senadores resistem às cotas raciais

As Discordâncias são muitas e em vários pontos. Assim sendo, a questão da reserva de cotas raciais nas universidades ainda demandará muita discussão no Parlamento do Brasil. E é claro que no que depender da disposição dos mem bros da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) dos Deputados nº 180/2008, que impõe reserva de vagas em todas as universidades públicas, está longe, muito longe de ser aprovado. Ao menos da forma como fora concebido.

Um levantamento feito recentemente junto aos 81 Senadores da República deixa claro que a maioria desses parlamentares é contra a implantação de cotas étnicas para o acesso de estudantes negros, pardos e indígenas às escolas técnicas e às universidades federais. Até mesmo os senadores do bloco de apoio ao governo se mostram reticentes na hora de aderir às cotas raciais. No plenário e na própria CCJ, Os debates são muitos e sempre acalorados.

Dos 24 senadores – 23 titulares mais a relatora, a suplente Serys Slhessarenko (PT-MT) – que decidirão sobre a questão, apenas três se declaram favoráveis às cotas étnicas, enquanto 11 são contra a aprovação do projeto incluindo critérios raciais. Quatro outros senadores ainda estão indecisos e seis preferiram não informar os seus votos. Se a reserva de vagas por critérios étnicos incomoda aos parlamentares, sobretudo os da oposição, a possibilidade de se estabelecer cotas sociais conta com a simpatia da maioria.

Dos 11 contrários ao PLC, dois recusam qualquer tipo de cota e nove a defendem com base apenas em critérios sociais, como a obrigatoriedade de o aluno ter feito a educação básica em escola pública ou pertencer à família com renda mensal que não ultrapasse um salário mínimo e meio per capita. A discussão promete ainda muito barulho no dia de hoje, 1º de abril, data da audiência pública que vai contar com a presença do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, de reitores de universidades públicas e de representantes da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). A expectativa é de que o parecer da Senadora Serys, favorável à aprovação do projeto, seja apresentado no mesmo dia.

O Senador tucano Álvaro Dias, do Paraná, apresentou emenda ao projeto para que ele estabeleça apenas a cota social. Mas a relatora já avisou que não aceita a retirada do que para ela é a “essência” do projeto, a cota racial.

Tudo indica que o parecer da Senadora Serys será pela cota considerando três cortes: ter frequentado escolas públicas, renda e etnia. Se continuar a pensar dessa forma, fica, desde já, confirmado que Serys rejeitará emendas como a de Álvaro Dias.

A passionalidade tem marcado o discurso dos parlamentares que já se posicionaram sobre o tema. Quem defende a cota social argumenta que ela é mais abrangente, pois inclui automaticamente negros, pardos e indígenas, quase sempre alunos das escolas públicas, e também os brancos menos favorecidos. E, ainda, evitaria um problema futuro na hora de suspender a política de cotas.

Já o Senador Gilvam Borges, do PMDB-AP, acredita que o problema não está na cor da pele, mas na base da pirâmide, por isso, de acordo com ele, é imprescindível tratar o assunto como uma questão social – afirma o senador Gilvam Borges (PMDB-AP).

A questão tem suscitado dúvidas até em parlamentares do PT, como o Senador Eduardo Suplicy (SP) que ainda não sabe de que forma votará.

Convicto, o Senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) demonstra a mesma paixão pelo tema que aqueles que pretendem retirar os holofotes da questão racial. Para ele, é uma grande balela esse argumento de criar um novo problema. Problema, para Simon, é o que existe hoje, com 80% dos negros nas favelas, nas cadeias e não nas universidades.

Autora de uma das propostas que deram origem ao PLC, a petista Idelli Salvatti (SC) julga desnecessário o critério de renda, que viria sobrepor-se à obrigação de o estudante ter frequentado escola pública. Para Salvatti, há muitos cortes, o que torna o projeto complexo. O melhor, ainda de acordo com Salvatti, deve prevalecer o critério da proporcionalidade étnica aliado ao de escola pública.

Enfim, o dia de hoje promete muita discussão, muitas brigas e disputas e talvez não se chegue a nenhum consenso. O tema é o da vez e a Esplanada dos Ministérios e o Palácio do Planalto acompanham os desdobramentos dessa questão, que, sem dúvida, é de grande interesse para a vida nacional.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano



Cidadania

O vice-presidente do Grupo Anglo-Americano, professor João Pessoa de Albuquerque, escreve um belo artigo sobre Cidadania. Em seu texto, o professor declara que “todo exercício de cidadania tem duas mãos: a do poder público para o cidadão e a do cidadão para a sociedade. Ambas, em nosso país, deixam muito a desejar”.

Do poder público para o cidadão, há séculos, tem sido um desastre na medida em que aquele não assegura a este os direitos básicos de receber a educação de qualidade, a saúde digna e a segurança eficaz.

Quanto à cidadania de cidadão para o seu semelhante, ainda é precária, como, por exemplo, o abuso do barulho de vizinhança em escala crescente, a invasão de animais domésticos que, pelas mãos de pessoas, emporcalham vias públicas e áreas privadas, o comportamento marginal no trânsito, as transgressões praticadas nas praias e o pouco caso aos idosos nos transportes coletivos, entre outras mazelas de comportamento.

É o que bem posso chamar de “deseducação cidadã”.

Solidificam-se, entretanto, fortes bases de reação como o Ministério Público, as entidades sociais organizadas e a imprensa. Daí nasce a esperança de que o Brasil tenha, mesmo que a longo prazo, uma vigorosa prática de cidadania. Mas, por enquanto, ela, pelos nossos trópicos, ainda engatinha e muito me alegraria ainda estar vivo para vê-las chegar à puberdade...

João Pessoa de Albuquerque


Nova ortografia da Língua Portuguesa

Paulo Alonso

Depois de quase duas décadas, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está saindo do papel e passando a ser empregado. O Brasil é o primeiro país entre os que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, a adotar oficialmente a nova ortografia, neste ano de 2009. Essas regras ortográficas que constam no acordo serão obrigatórias em todos os documentos governamentais, mas nos estabelecimentos educacionais o prazo será mais dilatado, em face do cronograma de compras de livros didáticos pelo Ministério da Educação. As mudanças mais importantes alteram a acentuação de várias palavras, extinguindo, por exemplo, o uso do trema e ainda sistematizando a utilização do hífen. O acadêmico Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, será o guardião pelo uso correto da nova ortografia e ainda será o responsável em emitir pareceres sobre eventuais dúvidas sobre a utilização da nova ortografia.

No Brasil, as alterações atingem aproximadamente 0,5% das palavras, contudo nos demais países, que adotam a ortografia de Portugal, o percentual sobe para 1,6%. Dentre os países da CPLP, o acordo já foi ratificado pelo Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Já Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor Leste ainda não definiram quando irão ratificar o documento.

A mudança ortográfica que, além do trema, acaba com os acentos de vôo, lêem, heróico e muitas outras palavras, também altera as regras do hífen e incorpora ao alfabeto as letras k, w e y, passando, assim, a ter 26 letras. A utilização dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus derivados, como “Kafka, por exemplo. As alterações foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa, com população de cerca de 230 milhões. Esse acordo, na realidade, tem também como objetivo aproximar essas culturas.

O embaixador Lauro Moreira, representante brasileiro na CPLP, não tem dúvida de que a que, “quando a nova ortografia chegar às escolas, toda a sociedade se adequará”. Levará um tempo para que as pessoas se acostumem com a nova grafia, como ocorreu com a reforma ortográfica de 1971, mas ela entrará em vigor aos poucos.

Até então, era preciso redigir dois documentos nas entidades internacionais, um com a grafia de Portugal e o outro, com a do Brasil. Essa situação não fazia qualquer sentido e ainda servia para burocratizar ações, processos e procedimentos.

O MEC já iniciou o processo de adoção da nova ortografia. Entre 2010 e 2012 será o período de transição estipulado pela Pasta da Educação para a nova ortografia passar a ser obrigatória nos livros de todas as áreas do conhecimento.

Convém esclarecer que a unificação da nova ortografia não será total. Como privilegiou mais critérios fonéticos, pronúncia, em lugar de etimológicos, origem, para algumas palavras será permitida a dupla grafia. Essa situação será permitida principalmente em palavras paroxítonas cuja entonação entre brasileiros e portugueses é diferente, com inflexões mais abertas ou mais fechadas. Enquanto no Brasil as palavras são acentuadas com o acento circunflexo, em Portugal, ao contrário, utiliza-se o agudo. Assim sendo, ambas as grafias serão aceitas, como em fenômeno ou fenómeno; tênis ou ténis. Essa mesma regra valerá também para algumas oxítonas, como caratê e crochê, que também serão aceitas como caraté ou croché.

As regras para a utilização do hífen receberam nova sistematização. O objetivo é simplesmente simplificar a utilização do sinal gráfico, cujas regras estão entre as mais complexas da nova ortografia. Esse sinal foi abolido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento também começa com outra vogal, como em aeroespacial e extraescolar. É conveniente ressaltar que, quando o primeiro elemento finalizar com uma vogal igual à do segundo elemento, o hífen deverá ser utilizado, como nas palavras micro-ondas e anti-inflamatório.

Ainda, de acordo com a reforma, nos casos em que a primeira palavra terminar em vogal e a segunda começar por r ou s, essas letras deverão ser duplicadas, como na conjunção anti + semita: antissemita. A única exceção se dará quando o primeiro elemento terminar em r e o segundo elemento começar com a mesma letra. Nesse caso, a palavra deverá ser grafada com hífen, como em hiper-requintado e inter-racial.

Com a entrada em vigor da nova ortografia, as pessoas terão de fazer um pequeno esforço para reaprender a escrever algumas palavras. O melhor é fazer o quanto antes, embora haja um prazo de três anos para que essa readaptação ocorra na sua íntegra.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


Mulheres estão em maior número nas universidades

Paulo Alonso

O Dia Internacional da Mulher foi comemorado oficialmente pela 34ª vez no último domingo, dia 8 de março, mas essa justa homenagem às mulheres já tem quase um século. Em 1911, quando as mulheres não tinham nem direito ao voto em praticamente todo o mundo, o dia delas começava a ganhar o planeta.

Ainda no final do século XVIII, a escritora britânica Mary Wollstonecraft levantava a questão de como a mulher era tratada. Condições subumanas, carga horária pesada e salários bem mais baixos do que o dos homens já eram apontados para mostrar o quanto as mulheres eram consideradas de forma diferente e, pior, como são em alguns países, até hoje.

Assim, menos de 70 anos após a Revolução Industrial, em 1857, trabalhadoras de uma fábrica têxtil, apelidadas então de ‘funcionárias das vestimentas’, protestaram por melhores condições de trabalho em Nova York e o que ganharam em curto prazo foi uma violenta resposta de policiais.  Essa data, todavia, não passou em branco pela história. Dois anos depois, também em 8 de março, mais mulheres fizeram uma força única e começaram a obter os primeiros direitos de trabalho, por intermédio de uma associação recém-criada que defenderia os seus direitos.  Em 1908 (também em 8 de março), 15 mil mulheres se juntaram na cidade de Nova York e fizeram novo protesto reclamando por seus direitos e também protestando contra o trabalho infantil.

Em maio do mesmo ano, o Partido Socialista da América estabeleceu que oúltimo domingo de fevereiro fosse o “Dia Nacional das Mulheres”, data mantida até 1913. 

A data de 8 de março, porém, ganhou força na antiga Rússia. E em 23 de fevereiro de 1917, pelo calendário Juliano, que coincidentemente caiu em 8 de março pelo calendário gregoriano, o czar russo Nicolau II foi obrigado a deixar o governo e a garantir, em um de seus derradeiros atos, o direito ao voto das mulheres.

Somente em 1975, 64 anos depois da convenção socialista e 30 após a sua criação, as Organização das Nações Unidas resolveram adotar a data como oficial para celebrar o Dia Internacional da Mulher.

Dos primeiros movimentos espalhados por todo o mundo aos dias atuais, a situação da mulher mudou bastante, não o suficiente ainda, pois sabemos que as mulheres ainda continuam, em muitas ocasiões, sendo tratadas de forma aviltante, daí a necessidade de, no Brasil, ter sido criada, por exemplo, a Lei Maria da Penha. 

Na educação superior, contudo, o quadro, atualmente, é francamente favorável às mulheres. E, conforme os dados do Censo da Educação Superior, coletados pelo Inep, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, as mulheres estão em maior número também nas universidades.

A participação masculina cresceu percentualmente de 2006 para 2007, mas o número de mulheres ainda é maior. De 2000 a 2007, houve um aumento de 81,14% no número total de matrículas na educação superior. A participação das mulheres aumentou 76,92% no mesmo período, o que demonstra o quando a educação superior vem sendo requisitada.

Os resultados do Enade mostram um equilíbrio no desempenho de mulheres e homens. Em 2005, do total de 268.425 participantes do Enade, mais da metade era do sexo feminino (153.575). A média alcançada por homens e mulheres foi muito próxima: entre as 20 grandes áreas avaliadas, as mulheres alcançaram a média total de 38,63, contra 38,11 pontos obtidos pelos homens.

No ano seguinte, 2006, o número total de participantes do Enade subiu para 380.969. Desse total, 223.537 eram mulheres. A participação feminina foi numericamente maior, mas o desempenho entre homens e mulheres foi bastante equilibrado: 39,61 de média para elas e 39,25 para eles.

Em 2007, foram avaliadas 16 áreas. Um total de 185.039 estudantes fez o Exame. Desses, 123.649 eram mulheres e 61.390, homens. Dessa vez, a média delas foi menor: 40,94, contra 42,57 deles. As ingressantes tiveram melhor rendimento nas áreas de Agronomia, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia e Tecnologia em Agroindústria. As mulheres que estavam terminando o ensino superior alcançaram médias maiores nos cursos de Educação Física, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Odontologia, Tecnologia em Agroindústria e Terapia ocupacional.

Podemos constatar que a presença e a importância das mulheres no Brasil e no Mundo é cada vez maior e mais percebida e também aplaudida. Apenas citando algumas em nosso país: Esther de Figueiredo Ferraz, Raquel de Queiróz, Chiquinha Gonzaga, Elis Regina, Irmã Dulce, Fernanda Montenegro, Marta Suplicy, Benedita da Silva e Rosena Sarney marcaram e marcam a presença feminina em nosso cenário. Já no exterior, Indira Gandhi, Benazir, Golda Meir, Marylin Monroe, Rita Hayworth, Madre Teresa de Calcutá, Jackie Kennedy, Rainha Elizabeth II e Angela Merkel são emblemáticas.

A força da mulher, o seu carisma, encanto e sedução são apreciáveis e admirados, não somente pela força de trabalho, pelo espírito guerreiro, pela bravura, mas, sobretudo, pela opção de sempre procurar fazer bem e melhor.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

Artigo

Sob o tema “Ao Educador é vedado o ceticismo”, o vice-presidente do Grupo Anglo-Americano, professor João Pessoa de Albuquerque, escreve um belo artigo educacional.

AO EDUCADOR É VEDADO O CETICISMO

João Pessoa de Albuquerque

Se há algo que não pode morrer é a esperança.

Se isso ocorresse, mortos, psicologicamente, seríamos todos nós, pois, sem esse indispensável alimento do futuro, a subnutrição do presente exterminaria, fatalmente, o vigor das nossas vidas e secaria a maior fonte de nossas próprias inspirações.

Transportando esta hipótese para a nossa área – a educação -, teríamos, por lógica, de concluir que ela seria um enfermo sem cura.

Ora, admitir que o nosso país pudesse permanecer eternamente como está hoje

– pessimamente classificado em qualquer “ranking” educacional do mundo – seria, então, o caso de indagar-se:

- Para que continuar educando se a possibilidade de melhorar inexiste?

A esperança é a mola propulsora de qualquer ação humana: nas conquistas da saúde, na obtenção da paz entre nações, na ânsia da correspondência amorosa, no maravilhoso desejo de ter filhos e nos resultados da excelência - ainda que longínquo – da arte de bem educar.

Reconhecer o que hoje é ruim não significa que se extingue a nossa expectativa de se transformar o ruim no bom e o bom no ótimo.

Quando um ser vivo está, comprovadamente, em estado terminal, o sentimento de humanidade e o uso da razão nos induzem, naturalmente, a desligar os aparelhos para se dar fim ao sofrimento dessa irreversível sobrevida.

Será essa situação da educação brasileira: patologia sem cura?

É evidente que não!

O grande passo dos últimos anos foi, inclusive, dado nessa direção: a Universalização da Educação Básica. Universalização sem qualidade, é fato.

Mas, mil vezes atingir essa etapa quantitativa do que assegurar qualidade
apenas para as elites, como ocorria nos “Brasis” coloniais, imperiais e coronelísticos.

Ora, se a situação educacional deu um grande passo para frente – o quantitativo - provou-se que o passado foi passível de mudança e, por via de conseqüência, o presente não é imutável.

Sem esta perspectiva (sem sequer ela...), então seria o fim dos sonhos. E a Medicina, cientificamente, sentencia: o ser que não sonha, morre!


Em Macau, uma universidade multicultural e multiracial

Macau é um “país” da República Popular da China que impressiona. Muito próxima de Hong Kong e de Manilha, nas Filipinas, é uma cidade que guarda contrastes absolutamente incríveis. Independente de Portugal, desde 1999, suas ruas e avenidas ostentam placas de sinalização em português, mas também em chinês e em inglês. Mas se você pensa que a população fala o português, está enganado. Somente os muito antigos é que usam o português como idioma, mas é raríssimo ouvir essa língua pelas ruas, lojas e becos. O chinês e o inglês são as mais usuais. E até 2015, o português, ainda que seja uma das três línguas oficiais de Macau, será banido dos papéis timbrados e das organizações governamentais e não governamentais. Da mesma forma que Hong Kong, Macau adota moeda própria, a pataca, e só está diretamente vinculada ao governo de Pequim, no que tange à diplomacia e à defesa nacional. É estranho andar pelos parques, pelas ruínas da Igreja de São Paulo e observar as sinalizações em português, mas, ao mesmo tempo, não se poder pronunciar essa mesma língua. Afinal, somente 2% da população entenderiam o que estaríamos dizendo...

Dentro desse cenário até mágico, com imensos neons instalados nos mais de 30 cassinos (parece até Las Vegas!), com praças largas e arborizadas e prédios coloniais portugueses, a Universidade de Macau é um dos mais belos postais dessa bela cidade e, por essa razão, merece ser visitada. Foi criada em 1981, quando a empresa Ricci Island West Limited fundou a Universidade da Ásia Oriental, a primeira universidade em Macau e sua antecessora, em terreno concedido pelo Governo de Macau. A fundação da Universidade da Ásia Oriental, privada, constitui o início da oferta do ensino superior moderno em Macau.

Durante os primeiros anos, após o estabelecimento dessa instituição, seus alunos, na sua maioria, eram provenientes de Hong Kong. Posteriormente, a então Administração Portuguesa de Macau, atendendo às necessidades de formar recursos humanos locais para o período de transição antes da transferência da soberania de Macau à China, procedeu à aquisição da Universidade da Ásia Oriental, por meio da Fundação Macau, em 1988. Realizou igualmente uma reestruturação com o estabelecimento das faculdades de Letras, Gestão de Empresas, Ciências Sociais, Ciências e Tecnologia, tendo modificado a duração dos cursos de licenciatura de três anos para quatro anos. Após, foram criadas as Faculdades de Direito e de Ciências da Educação, mantendo-se o inglês como a língua principal do ensino.

Em 1991, a Universidade da Ásia Oriental tornou-se oficialmente em uma universidade pública e passou a chamar-se Universidade de Macau, assumindo como  missão formar quadros locais qualificados. Na sequência desta transformação, o número de estudantes tem aumentado acentuadamente, de algumas centenas logo no começo para mais de seis mil em dezembro de 2007, tendo a percentagem de alunos locais subido de 39% para 80%.
A Universidade de Macau está situada na Ilha da Taipa. O campus nessa ilha cresceu bastante nos últimos anos como resultado do rápido desenvolvimento econômico local, sobretudo por causa do incremento do turismo e ainda devido à criação e instalação de mais de 30 cassinos nessa cidade, localizada à beira do Mar da China. A Universidade de Macau é a maior da Cidade.

Apesar de dar grande atenção à educação e aos seus alunos, a Universidade de Macau ainda não conseguiu cobrir todas as  áreas do conhecimento, como medicina, arquitetura, filosofia e ciência política.

Um fator importante é que Macau, devido à sua História muita longa e em especial à presença e a administração portuguesa desde o século XVI e até 1999, é um espaço multicultural e multiracial. Esta situação não podia deixar de se refletir no ensino. Assim, são usadas várias línguas na oferta dos cursos, como o chinês, o português e o inglês, mas nem em todas as faculdades.

Deve notar-se que, dependendo das faculdades e dos cursos, o chinês oral usado é umas vezes o cantonense (o dialeto local de Macau) e outras vezes o mandarim (a língua oficial da República Popular da China). O português, quando empregado, é o de Portugal e não o do Brasil.

A Universidade de Macau tem como missão a promoção da ciência e do ensino no domínio das humanidades, das ciências sociais, da tecnologia e da cultura. Suas edificações são muito bem projetadas e o ensino ministrado é o mais moderno de Macau.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 



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