Jornal do Anglo







 

 

A não obrigatoriedade do diploma para o jornalismo: um golpe duro à democracia


O ministro Gilmar Mendes apresentou, recentemente, seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. O mais curioso é que, em determinado trecho, ele mencionou as atividades de culinária e corte e costura, para as quais não é exigido diploma. Essa argumentação é, no mínimo, uma barbaridade com os profissionais de jornalismo, não querendo, é claro, desmerecer os profissionais de culinária, corte e costura. São atividades totalmente diferentes e que não servem para comparativos. A supressão das normas relativas à atividade não atende aos princípios da liberdade de expressão e de imprensa consignados na Constituição brasileira nem aos interesses da sociedade. Cabe aqui ressaltar a lucidez do Ministro Marco Aurélio Mello, único da corte, que, em seu voto, defendeu a permanência da obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Mais do que uma punição ou coerção ao trabalho da imprensa, essa decisão é um duro golpe à qualidade da informação jornalística. A exigência do diploma não impede ninguém de escrever em jornal ou revista. Não é exigido diploma para escrever em jornal, mas sim para exercer em período integral a profissão de jornalista.

A Associação Brasileira de Imprensa, obviamente, repudiou a decisão do Supremo, declarando que tem razões especiais para lamentar esse fato porque, já em 1918, há mais de 90 anos, portanto, a associação organizou o 1º Congresso Brasileiro de Jornalistas e aprovou como uma das teses principais a necessidade de que os jornalistas tivessem formação de nível universitário. Creio que não interessa a ninguém um jornalismo menos qualificado, pois seria um grave prejuízo ao país, mas também não consegui entender como as maiores empresas de jornalismo apoiaram essa decisão, já que ameaça as bases da própria democracia brasileira.

De acordo com o último Censo da Educação Superior produzido pelo Ministério da Educação, o Brasil tem, atualmente, cerca de 220 mil alunos matriculados nos cursos de comunicação social. Esse número demonstra, claramente, o interesse de milhares de jovens pela profissão. Os alunos do curso de jornalismo também repudiaram a decisão do STF, já que ingressaram nas universidades, buscando obter, nos bancos escolares, uma formação mais ampla que lhe permitissem exercer com mais capacidade intelectual a profissão que escolheram. Daí, tantas manifestações em todas as partes do Brasil, por parte dos estudantes. Eles não imaginavam que a mais alta Corte de Justiça do país fosse, por maioria absoluta, oito votos a um, derrubar a exigência do diploma, com as justificativas apresentadas, que contrastam com o exercício do profissional. Foi um duro golpe à democracia.

E é justamente das universidades que partem anualmente dezenas de bons profissionais, que, empenhados e sempre querendo buscar superar-se, acabam se tornando bons repórteres, redatores, chefes de reportagem e editores. Nas universidades, não se estuda apenas disciplinas específicas de jornalismo impresso, televisivo ou radiofônico, mas profundos conceitos de antropologia, filosofia, sociologia e psicologia. E esse conjunto de disciplinas que faz a diferença na formação de um profissional egresso de uma faculdade de jornalismo. Esse profissional é, por motivos óbvios, muito mais completo e possui, conseqüentemente, uma visão de mundo muito mais profunda, com olhar mais crítico.

Diferentemente do passado em que os profissionais que atuavam no jornalismo eram ligados, por exemplo, ao direito, dentre outras carreiras, os cursos de jornalismo surgiram para oferecer uma formação mais específica a quem quisesse atuar nessa área. Desde a criação desses cursos, muitas modificações têm sido implementadas nas estruturas curriculares dos cursos de jornalismo, visando torná-los cada vez mais sintonizados com a realidade mundial. Dessa forma, disciplinas com conteúdos específicos, tais como jornalismo econômico, jornalismo ambiental e jornalismo esportivo, para citar apenas algumas, foram inseridas nessas estruturas curriculares. Podemos constatar que a formação do egresso de uma universidade é muito mais completa, justamente pelo conhecimento que adquiriu em quatro anos de estudo teórico, prático, específico e de pesquisa, do que a de um cidadão, que não se graduou ou que se formou em outra área do conhecimento. Um cidadão que escreve artigos, nem sempre possui a noção exata do que é ser um jornalista. Uma coisa é ser articulista, por exemplo, da área financeira, outra, e bem diferente, é possuir uma formação humanística e com conhecimentos específicos de funcionamento e de concepção de um veículo de comunicação.

A desprofissionalização, com o passar do tempo e com a contratação de cidadãos sem uma formação específica, acarretará em um enfraquecimento da categoria, influenciando diretamente nos salários e com uma queda, em conseqüente, acentuada na qualidade da informação que hoje é veiculada. O aluno diplomado em jornalismo sempre estará mais bem preparado, com a formação obtida na universidade, para disputar uma vaga no cada vez mais competitivo mercado de trabalho

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

 

Índice mede qualidade das escolas


O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007 para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do INEP e em taxas de aprovação. Assim, para que o Ideb de uma escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita de ano e freqüente a sala de aula. Para que pais e responsáveis acompanhem o desempenho da escola de seus filhos, basta verificar o Ideb da instituição, que é apresentado numa escala de zero a dez. Da mesma forma, gestores acompanham o trabalho das secretarias municipais e estaduais pela melhoria da educação. O índice é medido a cada dois anos e o objetivo é que o país, a partir do alcance das metas municipais e estaduais, tenha nota 6 em 2022 – correspondente à qualidade do ensino em países desenvolvidos.

Esse indicador, que mede a qualidade da educação, foi pensado para facilitar o entendimento de todos e estabelecido numa escala que vai de zero a dez. A partir deste instrumento, o Ministério da Educação traçou metas de desempenho bianuais para cada escola e cada rede até 2022. O novo indicador utilizou na primeira medição dados que foram levantados em 2005. Dois anos mais tarde, em 2007, ficou provado que unir o país em torno da educação pode trazer resultados efetivos. A média nacional do Ideb em 2005 foi 3,8 nos primeiros anos do ensino fundamental. Em 2007, essa nota subiu para 4,2, ultrapassando as projeções, que indicavam um crescimento para 3,9 nesse período. O indicador já alcançou a meta para 2009. Se o ritmo for mantido, o Brasil chegará a uma média superior a 6,0, em 2022. É o mesmo que dizer que teremos uma educação compatível com países de primeiro mundo antes do previsto.

Com o Ideb, os sistemas municipais, estaduais e o federal de ensino têm metas de qualidade para atingir. O índice, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep /MEC), mostra as condições de ensino no Brasil. A fixação da média seis a ser alcançada considerou o resultado obtido pelos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), quando se aplica a metodologia do Ideb em seus resultados educacionais. Seis foi a nota obtida pelos países desenvolvidos que ficaram entre os 20 mais bem colocados do mundo.

A partir da análise dos indicadores do Ideb, o MEC ofereceu apoio técnico ou financeiro aos municípios com índices insuficientes de qualidade de ensino. O aporte de recursos se deu a partir da adesão ao Compromisso Todos pela Educação e da elaboração do Plano de Ações Articuladas (PAR).

Em 2008, todos os 5.563 municípios brasileiros aderiram ao compromisso. Assim, todos os municípios e estados do Brasil se comprometeram a atingir metas como a alfabetização de todas as crianças até, no máximo, oito anos de idade. O MEC dispõe de recursos adicionais aos do Fundo da Educação Básica (Fundeb) para investir nas ações de melhoria do Ideb. O Compromisso Todos pela Educação propõe diretrizes e estabelece metas para o Ideb das escolas e das redes municipais e estaduais de ensino.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

Avaliação Institucional sem mistério

O Professor Eduardo Cordeiro de Souza, Diretor de Desenvolvimento Institucional do Grupo Anglo-Americano, escreve artigo sobre Avaliação Institucional.

A avaliação institucional produz efeitos? Por que avaliar? O que se busca com a avaliação? Quais são as finalidades da avaliação? As perguntas são muitas.

Um dos grandes desafios das instituições de ensino superior (IES) do país nos dias atuais reside na implantação de um sistema de avaliação interna que permita a toda comunidade acadêmica conhecer a sua realidade institucional. Tarefa simples, diriam alguns, que ainda acreditam que o processo avaliativo limita-se a levantar dados e informações, apenas, apresentando a quem interessar uma gama considerável de elementos estatísticos, expressos em gráficos, quadros e tabelas, que disponibilizam números sem correlação direta, tampouco com algum significado produzido a partir de uma análise reflexiva.

A forma de raciocinar descrita acima caracteriza uma das concepções de avaliação que se tem conhecimento, bastante contestada na literatura específica. A fim de contribuir para o devido enquadramento, vale informar que alguns dos modelos e concepções de avaliação existentes podem ser resumidamente caracterizados por duas grandes tendências principais, com funções distintas, a saber:

A primeira grande tendência é a avaliação de natureza somativa, centrada no objeto (produto) e mais voltada para a regulação, o controle e a hierarquização ou classificação dos indivíduos, grupos ou instituições. É orientada para o cumprimento de normas e requisitos (verifica a conformidade pela norma, demonstrando certa dose de conservadorismo, pois não discute se a norma é boa ou ruim) e voltada para o estabelecimento de padrões de status e excelência. Tem ênfase quantitativa e monorreferencial (separa o objeto). Por somativa, portanto, entende-se a avaliação que permite determinar em que medida foram alcançados os objetivos ou produzidos os efeitos pretendidos, o valor do projeto em relação às necessidades dos beneficiários, julgando se o mesmo deve ou não ser mantido.

A segunda grande tendência é a avaliação de natureza formativa, mais comumente interna e centrada no processo e no sujeito (envolve todos os protagonistas), com vistas à melhoria da qualidade. É orientada por uma lógica de transformação, voltada para a efetividade científica e social. Tem ênfase qualitativa e plurirreferencial. Dessa forma, serve para partilhar informações com os envolvidos no projeto, de modo a que eles saibam como está sendo feita a avaliação e quais os julgamentos que estão sendo atribuídos no decorrer da atividade. A chamada avaliação formativa, deste modo, é contínua e participativa, uma vez que pretende garantir a liberdade comunicativa e desenvolver o compromisso coletivo com a aprendizagem. De forma quase grosseira, pode-se dizer que este é um modelo mais moderno de avaliação.

Cabe apontar os objetivos básicos que se pretende atingir com a utilização do modelo de avaliação formativa nos processos de auto-avaliação institucional: o autoconhecimento e a tomada de decisão. O autoconhecimento significa identificar os acertos e as ineficiências e envolve um processo de reflexão sobre as razões, as causas das situações positivas e das insuficiências. A tomada de decisão pode ser entendida como uma ação conseqüente à avaliação, disseminando as estratégias de sucesso e modificando o que funciona mal, deixando de reproduzir o que não vem dando certo. A partir daí, a finalidade das ações avaliativas decorrentes do processo estará voltada para a reconstrução dos instrumentos de avaliação e para o aperfeiçoamento da instituição, ou seja, a avaliação aplicada não visa a punição e nem a premiação dos indivíduos ou grupos objetos de análise.

Uma característica marcante do processo avaliativo de natureza formativa parte do princípio de que o modelo adotado pode garantir o envolvimento de todas as instâncias da instituição na auto-avaliação de forma processual, contínua e sistemática. Por esse motivo, reconhece ser fundamental conscientizar os sujeitos envolvidos na avaliação sobre a importância de que os mesmos assumam o processo como parte de seu cotidiano, de forma a criar uma cultura institucional de avaliação, incorporada na rotina e internalizada em cada um desses sujeitos.

Entende-se que a avaliação formativa, para cumprir seu papel de estratégia de aperfeiçoamento institucional, tem de ser eticamente sustentável, tecnicamente competente e politicamente legítima. Para tanto, é indispensável que a comunidade interna à instituição, assim como as instâncias governamentais e a sociedade civil, reconheçam que a estratégia de avaliação, os procedimentos avaliativos e o uso de seus resultados sejam assertivos. Da mesma forma, a legitimidade dos condutores do processo de avaliação, no caso a CPA, deve ser reconhecida por todos. Percebe-se, portanto, que a sustentabilidade ética, a qualidade técnica e a legitimidade política do processo avaliativo são fundamentais para que os seus resultados possam ser transformados em ações efetivamente relevantes e transformadoras.

A avaliação institucional pretende fazer um levantamento detalhado de informações com finalidade diagnóstica. A comunidade acadêmica precisa estar comprometida com a produção de dados fidedignos. O processo avaliativo é, antes de tudo, um processo educativo. A intenção implícita dos instrumentos de pesquisa na coleta de informações é forçar os sujeitos, ora avaliados, ora avaliadores, a repensarem sua prática, muitas vezes sobre temas e questões que passam despercebidos no exercício cotidiano de suas funções. A avaliação não tem pretensão de ser punitiva, mas não pode, por outro lado, ser confundida com omissão. Se necessário for, intervenções devem ser sugeridas pela comunidade acadêmica e pela CPA aos gestores da IES.

Foco no Plano de Ações

Analisando os relatórios de avaliação institucional produzidos por grande parte das instituições de ensino superior, percebe-se a predominância do foco na produção documental, ou seja, no registro detalhado das informações colhidas através dos mais diversos instrumentos de pesquisa. Essa prática de avaliação, de natureza somativa, pode ser equivocada, uma vez que tende a ser reducionista, considerando os objetivos que se pretendem alcançar. Uma constatação infeliz, diga-se de passagem.

A avaliação institucional não deve focar-se apenas no registro das informações. Não que as informações não sejam importantes, longe disso. Elas são fundamentais. Porém, muito mais importante do que gerar as informações é aquilo que se faz com elas. Se forem apenas registradas, estarão condenadas a virar estatística.

As informações devem ser organizadas, analisadas, discutidas e relativizadas. Deste processo, deve surgir um plano de ações. E o plano não pode ser essencialmente corretivo. O que está dando errado precisa ser mudado, é evidente. Mas é importante, também, que o plano de ações esteja, repita-se, comprometido com a manutenção das práticas que vem dando certo. O plano de ações sempre deve ser o resultado de uma construção coletiva, com a participação efetiva de todos os sujeitos envolvidos. Se não for desta forma, o ato de avaliar não faz sentido, não produz efeitos e não transforma.


 

 

Revalidação de diplomas


Atualmente, para ter validade nacional, o diploma de graduação tem que ser revalidado por uma universidade brasileira pública que tenha curso igual ou similar, reconhecido pelo governo. Para obter a revalidação, é necessário, de acordo com a legislação atual, que o candidato: a) entre com um requerimento de revalidação em uma instituição pública de ensino superior do Brasil. De acordo com a regulamentação, apenas as universidades públicas podem revalidar diplomas: “São competentes para processar e conceder as revalidações de diplomas de graduação as universidades públicas que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim.” (Artigo 3º, Resolução Nº 1, de 29 de Janeiro de 2002);

b) apresente, além do requerimento, cópia do diploma a ser revalidado, instruído com documentos referentes à instituição de origem, duração e currículo do curso, conteúdo programático, bibliografia e histórico escolar; c) pague uma taxa referente ao custeio das despesas administrativas. O valor da taxa não é pré-fixado pelo Conselho Nacional de Educação e pode variar de instituição para instituição.

Para o julgamento da equivalência, para efeito de revalidação de diploma, será constituída uma Comissão Especial, composta por professores da própria universidade ou de outros estabelecimentos, que tenham qualificação compatível com a área do conhecimento e com o nível do título a ser revalidado. Se houver dúvida quanto à similaridade do curso, a Comissão poderá determinar a realização de exames e provas (prestados em Língua Portuguesa) com o objetivo de caracterizar a equivalência.

O requerente poderá ainda realizar estudos complementares, se na comparação dos títulos, exames e provas ficar comprovado o não preenchimento das condições mínimas exigidas pela legislação educacional vigente.

O prazo para a universidade se manifestar sobre o requerimento de revalidação é de seis meses, a contar da data de entrada do documento em uma universidade federal.

O Brasil não possui nenhum acordo de reconhecimento automático de diplomas, Sendo assim, as regras são as mesmas para todos os países.

A revalidação de diploma de graduação expedido por instituições de ensino estrangeiras é regulamentada pela Resolução CNE/CES nº 01, de 28 de janeiro de 2002, alterada pela Resolução CNE/CES nº 8, de 4 de outubro de 2007.

A revalidação é feita pelas universidades públicas, que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim. Caso haja dúvida quanto à similaridade do curso, a universidade pode solicitar a realização de exames e provas, com o objetivo de caracterizar a equivalência.

Os diplomas de mestrado e doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades brasileiras que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior, desde que obedecidos os mesmos critérios e parâmetros exigidos para as convalidações dos cursos de graduação.


 

 

Saudade de Zora Seljan

Três anos já se passaram desde que Zora Seljan partiu, numa manhã ensolarada de a bril, deixando seus incontáveis leitores despidos do seu talento literário. Ensaísta, dramaturga, romancista e escritora de ficção científica, Zora, filha do arqueólogo croata Stevo Seljan, veio para o Brasil com seu irmão, Mirko, para explorar a Amazônia e aqui ficou durante a Segunda Guerra Mundial, foi uma figura marcante nas rodas culturais, nas quais sempre esbanjou sabedoria, humor e, principalmente, sedução.

Do final da década de trinta ao início dos anos cinqüenta, Zora foi casada com o notável escritor Rubem Braga, falecido em 1990. Seu segundo marido foi Antonio Olinto, membro da Academia Brasileira de Letras. Eles se casaram em 1955. A partir de então, os dois trabalharam juntos em atividades culturais e literárias. Quando Antonio Olinto foi crítico literário de O Globo, Zora Seljan assinava a crítica de teatro no mesmo jornal, sendo que às vezes as duas colunas saíam lado a lado na mesma página.

Antes de os dois seguirem para a Nigéria, já Zora havia escrito a maioria de suas peças de teatro afro-brasileiras, das quais, mais tarde, em Londres, uma delas, Exu, Cavaleiro da Encruzilhada, seria levada em inglês por um grupo de atores ingleses e norte-americanos sob a direção de Ray Shell, que participara de produção de Jesus Christ Superstar. Na Nigéria Zora Seljan foi leitora na Universidade de Lagos. De volta da África, Antonio Olinto publicaria um relato de sua missão ali, Brasileiros na África, e Zora Seljan lançaria dois livros: A Educação na Nigéria e No Brasil ainda Tem Gente da Minha Cor? Em 1973, os dois fundaram um jornal, em Londres e em inglês, The Brazilian Gazette.

Ela foi uma de um punhado de escritoras pioneiras dentro da ficção científica, em atividade durante os anos sessenta e setenta. Além de escrever ficção científica, foi autora de vários livros sobre a cultura africana e de estudos afro-brasileiros e de peças com assuntos relacionados - um interesse compartilhado por seu segundo marido, Olinto.

Até a sua morte, Zora foi a principal entrevistadora de figuras literárias publicadas no Jornal de Letras. Sua obra estará sendo reeditada ainda este ano. Assim sendo, os seus livros, maioria deles esgotados editorialmente, poderão ser novamente lidos e percebidos. Melhor, sobretudo, para os mestrandos e doutorandos dos cursos de antropologia, ciências sociais e sociologia que se servem desses textos para o desenvolvimento de suas pesquisas stricto sensu. Que esse relançamento seja de fato breve.

A cultura afro-brasileira agradece.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 

Coréia do Sul, um exemplo a ser seguido


Visitar a Ásia, o maior continente do planeta e onde moram 60% da população do mundo, significa ampliar os sentidos, enxergar novas cores, experimentar outros sabores, perceber novos costumes e se confundir, algumas vezes, com modos de vida totalmente diferentes dos ocidentais. Visitar a Ásia é, na realidade, como abrir a Caixa de Pandora. Uma verdadeira surpresa. E é justamente em Seul, uma cidade de 11 milhões de habitantes, capital da Coréia do Sul, país cercado pela China, Rússia e Japão, que o viajante descobre uma metrópole rigorosamente segura, com um povo muito bem educado e culto e com um padrão de vida de dar inveja aos países mais desenvolvidos do mundo.

Seul abriga enormes letreiros em neón, prédios altíssimos, shoppings centers aberto quase que 24h (Coex Mall), rios com águas cristalinas correndo pelas calçadas e avenidas, muito consumo e uma produção hi-tech absolutamente fantástica. Mesmo com todo esse movimento feérico, o turista pode descansar nos seus numerosos parques sossegados, lindamente arborizados, como o Namsan,  e curtir a natureza, contemplando o Templo de Jogyesa, os Palácios de Gyeongbokgung, de Changdeokgung e Deoksugung, e imensas torres, sempre com a hospitalidade do sul-coreano – uma marca registrada desse povo.

Em Insadong, a cultura tecnológica dá lugar ao velho continente. Ali não há prédios altos. Ao contrário, suas pequenas ruas abrigam o que existe de mais genuíno nessa capital. São tavernas da tradicional gastronomia coreana, casas com especiarias sempre muito perfumadas, dezenas de antiquários e uma infinidade de galerias de arte. Um prato que não pode ser desprezado é o ppeondaegi. Na realidade, larva de bicho-da-seda frita. Eles são comercializadas em saquinhos de amendoim. Uma delícia!

Muitos comparam Seul com Tóquio. E essa comparação é natural, uma vez que o Japão dominou a Coréia por três décadas. Durante a Segunda Guerra Mundial, homens coreanos foram obrigados  a lutar pelos japoneses e mulheres foram feitas prostitutas. A violência foi tanta que até mesmo o hangeul, a escrita coreana, foi por eles proibida. Na realidade, as duas Coréias foram uma só até o final da guerra. Com a derrota, os soviéticos ocuparam o norte e os americanos e ingleses se estabeleceram no sul. E desde 1953, vive dividida em duas: a República Popular da Coréia, ou Coréia do Norte, acima do paralelo 38, e a República da Coréia, mais conhecida como Coréia do Sul. A fronteira entre os dois países está apenas a 55 quilômetros de Seul, que, inclusive, já foi atacada algumas vezes pela Coréia do Norte, que escavou três gigantescos túneis para chegar a Seul. Nessa fronteira encontra-se a Zona Desmilitarizada, uma das mais fortificadas de todo o mundo. Para se chegar até lá, todo o cuidado é pouco. Necessário levar passaporte, assinar um termo de responsabilidade em caso de ataque inimigo e não ir de bermuda, chinelo e camiseta com estampa provocativa. Policiais entram nos ônibus de turismo, checam as fotos e os passaportes e impedem o uso de câmeras de vídeo e ou de fotografias...

Não são só as belezas de Seul, suas tradições milenares, seus costumes e sua gente que fascinam os visitantes. Na realidade, a Coréia do Sul, esse Tigre Asiático, é um exemplo para o mundo, na área da expansão e do desenvolvimento educacional. Suas autoridades enviaram muitos dos seus estudantes ao exterior com bolsas de estudo, para que buscassem formação e informação. Em 2007, haviam quase 200 mil alunos cursando universidades em nível de graduação e nos programas de mestrado e de doutorado, especialmente nos Estados Unidos, Japão e Inglaterra. E assim, além de incentivar e manter universidades de ponta, com cerca de 4 milhões de estudantes matriculados na educação superior, a Coréia do Sul cria tecnologia em todos os setores e mantém as mais altas taxas de produtividade do planeta. Esse feito glorioso levou menos de quatro décadas para se consumar.

A educação superior da Coréia do Sul experimentou todo esse progresso com a ajuda de políticas reformistas criativas e eficazes e de efetivos planos para a melhoria da qualidade. Os dirigentes da Coréia do Sul acreditam que é necessário que a educação universitária do Século XXI seja considerada no quadro geral da globalização em que o mundo vive, uma vez que a educação se tornará transnacional e que a tendência é a mobilidade do aprendizado e, em consequência, a educação sem fronteiras. E para atender a essas necessidades, universidades reformistas renovaram seu sistema curricular para, primeiramente, incorporar a capacidade do estudante para a ciência da informação e línguas estrangeiras como pré-requisitos para a graduação e, segundo, para permitir intercâmbio de recursos humanos e materiais com as demais universidades sul-coreanas e as de outros países.

A Coréia do Sul demonstra ao mundo que o seu espantoso desenvolvimento se deve ao fato de ter apostado na educação como ferramenta imprescindível ao seu projeto sócio-político-educacional e ainda por ter inserido a educação e a saúde pública como prioridades na agenda nacional.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



 


Educação recebeu R$ 117 bilhões


Pelo segundo ano consecutivo, o Inep realizou estudo sobre a quantidade de recursos públicos investidos nos diferentes níveis da educação brasileira, incluindo as etapas da educação básica (educação infantil e ensinos fundamental e médio) e educação superior.

O investimento público na educação brasileira em 2007 foi de 4,6% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em números absolutos, isso representa um aporte de R$ 117,4 bilhões. A pesquisa apurou dados de 2000 a 2007 e inclui investimentos dos governos federal, estaduais e municipais. O percentual de investimento público em educação subiu de 4,4% em 2006 para 4,6%, em 2007. Os dados estão comparados ao PIB. Em 2005, o índice foi de 3,9%. O valor se aproxima do padrão de Investimento dos países desenvolvidos – de 5%, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O maior incremento financeiro se concentra na educação básica, que reúne 3,9% do total de Investimento em relação ao PIB. Em 2006, o percentual era de 3,7%. Nos demais níveis de ensino, o investimento se manteve constante entre 2006 e 2007, inclusive na educação superior que ficou estabilizado em 0,7%. De acordo com o estudo, foram verificadas pequenas variações, como no caso da educação infantil, que teve investimento direto igual a 0,3% do PIB em 2006 e, em 2007, de 0,4%.

São considerados investimentos diretos os recursos aplicados nas instituições de ensino, como, por exemplo, para a aquisição de livros didáticos, merenda e transporte escolar, pagamento de professores, obras e instalações para a melhoria das escolas.

Em termos de investimento total, o maior crescimento novamente foi verificado na educação básica, que teve 4,3% de investimentos relativos ao PIB em 2006, sendo que em 2004 este percentual era de 3,6. Os especialistas justificam o aumento 0,7 pontos percentuais neste período à adoção de políticas públicas voltadas para esse nível de ensino. Em contrapartida, os investimentos na educação superior mantiveram-se constantes, sendo que o índice de 0,8% em relação ao PIB foi mantido de 2006 para 2007.

Nos demais níveis de ensino, o índice também apresentou estabilidade entre 2000 e 2007. No ensino médio, o investimento em 2000 foi de 0,6% do PIB e de 0,7%, em 2007. Já na educação infantil ele variou de 0,4% a 0,5 % do PIB entre 2000 e 2007.

No item de investimento total em educação são coletadas informações sobre pessoal ativo e seus encargos sociais, ajuda financeira aos estudantes (bolsas de estudos e financiamento estudantil), despesas com pesquisas e desenvolvimento, transferências ao setor privado, estimativa para complemento da aposentadoria futura de pessoal ativo (cota patronal), além de outras despesas correntes e de capital.

O estudo também aponta os dados de investimento em educação por aluno. Em 2007, o investimento p úblico anual em um aluno da educação básica foi de R$ 2.005. Em 2006, este custo era de R$ 1.852 e, em 2000, era de R$ 1.310. Os valores apresentados no estudo estão corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Dentro da educação básica, o estudo revelou significativo crescimento nos ensinos fundamental e médio. O gasto por aluno no ensino médio era de R$ 902 em 2003, enquanto que em 2007 passou para R$ 1.572. Já nas primeiras séries do ensino fundamental, o valor apurado em 2007 foi de R$ 2.166 por aluno, sendo que em 2000 era de apenas R$ 1.289.

A pesquisa apura ainda a relação entre o que se investiu por aluno no ensino superior em relação ao ensino básico. Em 2000, a proporção do que se investia por aluno no ensino superior era 11 vezes maior que na educação básica. Sete anos depois, diminuiu para pouco mais de seis. Segundo especialistas, esta diminuição é explicada por dois motivos: elevado aumento de investimento na educação básica de 2000 para 2007 e ampliação do número de matrículas na educação superior no mesmo período. A meta do Ministério da Educação é reduzir para quatro essa proporção, como ocorre nos países desenvolvidos.

O estudo sobre os indicadores do investimento público na educação é resultado de uma parceria entre Inep, MEC, Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Para sua realização foi criado um grupo de trabalho, sob a coordenação do Inep, que compatibilizou os dados de investimento educacional com base na metodologia utilizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Desta forma, adotou-se a mesma metodologia usada por organismos internacionais em estudos similares. Assim, será possível a comparação dos dados nacionais com aqueles que são produzidos por outros países.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



 

Novo Enem não terá língua estrangeira, filosofia e sociologia

A primeira edição do vestibular unificado não terá prova de língua estrangeira, sociologia e filosofia. Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Reynaldo Fernandes, as matrizes para a elaboração dessas provas não estão prontas, e o prazo é insuficiente para a sua realização. A decisão vale apenas para este ano e afeta a seleção das universidades que aderirem ao novo Enem. O Inep utilizará na elaboração da primeira edição do vestibular unificado a matriz do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Já na segunda edição, em 2010, O Inep incluirá essas matérias.

O anúncio feito pelo presidente do Inep gerou algumas manifestações contrárias ao não oferecimento, por exemplo, de língua estrangeira. Recentemente, a coordenadora de ensino e graduação da UnB, Márcia A brahão, declarou que uma seleção para universidade sem língua inglesa representa um retrocesso.

A mesma opinião tem o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal, Amábile Pacios. De acordo com ele, o processo estará sendo sucateado e a qualidade da seleção sofrerá perdas. Para Amábile é difícil imaginar uma prova de vestibular sem língua estrangeira, uma vez que a disciplina é obrigatória na grade das escolas.

No Rio, o Conselho de Ensino e Pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) aprovou por unanimidade um novo modelo de vestibular para 2010, incluindo as questões objetivas do novo Enem como forma de avaliação na primeira fase, que continua sendo eliminatória. O Enem valerá metade da nota.
As questões desta fase serão objetivas de múltipla escolha. Nessa fase, os candidatos farão provas com perguntas pertinentes à grande área de conhecimento a que pertence o curso escolhido, sendo que as questões de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa serão comuns a todas as áreas.

A segunda etapa de provas da UFF vai permanecer igual com questões específicas e discursivas. Os alunos da rede pública de ensino que passarem para a segunda fase terão um bônus de 10%. O candidato que tiver nota igual ou superior a 7 do Enem vai ter mais 5% sobre a nota final.

O vestibulando para passar na segunda fase deverá ter um número de acertos igual ou superior à média aritmética da prova e do novo Enem, respeitado o limite máximo de oito e o mínimo de três vezes o número de vagas oferecido pelos cursos.

Os professores da rede pública terão reserva de 20% das vagas em cursos de licenciatura.

A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) decidiu abolir de vez seu vestibular e optar pelo novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a partir deste ano como única forma de ingresso do aluno na instituição.

A Unirio é a segunda instituição de ensino federal do Estado do Rio de Janeiro a aderir ao novo Enem - a primeira foi o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ). Desde 2001, a Unirio utilizava o Enem como uma das maneiras de acesso a seus cursos de graduação, sendo que há dois anos passou a destinar 50% das vagas a quem decidisse usar as notas do exame. Da mesma forma, a UniverCidade aderiu ao Enem, como parte do seu processo seletivo.

Pesquisa da Unirio mostra que, no período entre 2004 e 2008, a taxa de evasão da instituição foi de cerca de 25%; sendo que 79,8% desse total era de alunos que fizeram vestibular e apenas 13% de estudantes que ingressaram pelo Enem. A universidade ainda vai definir de que forma serão aplicadas as provas de habilidade específica, como os de artes cênicas e música.

As provas do Enem deverão, ainda, passar por pré-testes, antes da aplicação. O novo Enem deve ser realizado nos dias 3 e 4 de outubro e, mesmo diante de insistentes pedidos de reitores para adiar a data, o presidente do Inep garante que o prazo será mantido.

A expectativa é que 4 milhões de pessoas façam o exame. Todas as redações serão corrigidas, uma vez que a prova tem o intuito de avaliar o ensino médio e não só selecionar para as universidades.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

 

MEC quer mudar currículo do Ensino Médio

O Ministério da Educação pretende acabar com a divisão por disciplinas presente no atual currículo do ensino médio. A proposta, que está sendo discutida na Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, é distribuir o conteúdo das atuais 12 matérias em quatro grandes grupos: línguas estrangeiras, matemática; ciências humanas; e ciências exatas e biológicas. Atualmente, o currículo é muito fragmentado e o aluno não vê aplicabilidade no programa ministrado, o que reduz o interesse do jovem pela escola, levando-o muitas vezes à evasão. A mudança ocorrerá por meio de incentivo financeiro e técnico do MEC aos Estados da Federação, pois a União não pode impor o sistema. O novo Enem, Exame Nacional do Ensino Médio, que deverá substituir o vestibular das universidades federais, será outro indutor, pois também não terá divisão por disciplinas. Segundo a proposta, as escolas terão liberdade para organizar suas próprias estruturas curriculares, o que é um sinal claro de inovação, desde que seus currículos sigam as diretrizes federais e apresentem uma base comum.


Os últimos resultados do Enem mostraram que 60% dos nossos alunos estudam em escolas abaixo da média nacional, o que vai de encontro com o progresso e o desenvolvimento da própria nação brasileira. A idéia é não oferecer mais um currículo enciclopédico, rígido, com 12 disciplinas, em que os alunos dominam muito pouco a leitura, o entorno e a própria vida prática.

Para também tentar garantir mais qualidade, está previsto o aumento da carga horária, das atuais 2.400 horas para 3.000 horas, em um acréscimo total de 25%. Com essa mudança de paradigma, será preciso que as escolas reorganizem os seus espaços e, mais do que isso, será necessário criar no professor uma nova mentalidade, mais moderna, arrojada e empreendedora.

Afinal, os atuais docentes foram preparados, ao longo das décadas, para ensinar em disciplinas e não em módulos. Treinamentos e capacitações serão requeridos para que os professores, a partir dessa implantação, possam mudar sua didática, inovando-a.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 

 

MEC divulga calendário de avaliação da educação superior em 2009

Iniciou-se, recentemente, as visitas ao segundo grupo de Instituições de Ensino Superior e de cursos de graduação que serão avaliados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, neste ano de 2009. O cronograma de avaliações divulgado indica que 95 instituições receberão a visita de avaliação institucional externa e 41 cursos de graduação serão avaliados para a renovação de reconhecimento. Também serão avaliados oito cursos remanescentes de grupos anteriores.

Os avaliadores já iniciaram as visitas às IES, desde o último dia 31 de março. No caso dos cursos, as visitas começaram no dia 18 de março.

Além das datas, o cronograma apresenta ainda a relação nominal das instituições e cursos que serão avaliados. Conforme a diretora de Avaliação da Educação Superior do Inep, Iguatemy Lucena, esta nova medida serve para reforçar a transparência do processo, possibilitando que as instituições conheçam a composição de cada grupo de avaliação no momento da sua divulgação.

Na definição das instituições incluídas no segundo grupo de 2009 foram levados em conta a existência na IES de cursos avaliados no Enade 2007 e que estejam, simultaneamente, em processo de renovação de reconhecimento.

No caso dos cursos, foram selecionados aqueles das áreas avaliadas pelo Enade em 2007, que obtiveram Conceitos Preliminares (CPC) menores do que três ou que ficaram sem conceito. O CPC é um indicador de qualidade da educação que varia de um a cinco, sendo que um é a nota mínima, e cinco, a máxima.

A avaliação institucional externa é uma das três dimensões do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). O sistema compreende ainda a avaliação de cursos e de desempenho dos estudantes A avaliação externa é realizada por comissões designadas pelo Inep e tem como referência os padrões de qualidade para a educação superior expressos nos instrumentos de avaliação e no relatório de auto-avaliação.

Por meio do cronograma de avaliações estabelecido para 2009, o Inep pretende garantir, ainda no primeiro semestre do ano, os resultados do primeiro ciclo de avaliação do Sinaes. Para o Inep, a implementação do Sinaes, em todas as suas dimensões, é um desafio que exige ações articuladas. A complexidade do sistema impõe a necessidade de uma articulação efetiva entre as diretrizes da Conaes (Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior), os instrumentos de avaliação, as ações e os respectivos prazos a serem observados pelas IES em cada fase que antecede a visita das comissões.

O INEP conta com um banco de avaliadores ad hoc, capacitados regularmente, e que visitam cursos e instituições, objetivando autorizar, reconhecer ou renovar reconhecimento de cursos ou credenciar ou recredenciar instituições de ensino superior. Essa recapacitação se faz necessária, em virtude de os instrumentos avaliativos estarem, vez por outra, sendo readequados, para permitir, dessa forma, avaliações ainda mais criteriosas e que possam evidenciar fortalezas e fraquezas das IES e/ou cursos, buscando sua melhoria permanente, em prol da própria educação do Brasil.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-AmericanoProf. Dra. Cynthia Borges de Moura e Psicóloga Bruna de Moraes Aguiar.

Palestrante e acadêmicos do Curso de Psicologia

 

 

No Nepal, contrastes culturais


Caos. Contrastes. Pobreza absoluta. Buzinaço alucinante pelas vielas, becos e “avenidas”. Vacas e macacos pelas ruas, sem placas de sinalização. Gente hospitaleira. Templos exuberantes. Paisagens inesquecíveis. Terra do Monte Everest. País aonde nasceu Buda. Essas são apenas algumas das muitas considerações que podem ser feitas ao Nepal, país encravado na encosta da Cordilheira do Himalaia e situado entre a China e a Índia, no centro-sul da Ásia, com cerca de 27 milhões de habitantes, em uma área de menos de 141 mil quilômetros quadrados, mas, em altura, é recordista mundial, pois abriga oito das dez maiores montanhas do mundo.

 Antigo reino, tornou-se  república, recentemente, mas o antigo soberano, que subiu ao trono depois de assassinar seus pais, apesar de deposto, continua vivendo em Kathamandu, em uma residência que ocupa um quarteirão, bem perto do Palácio Real, onde viveu toda a sua vida. A atual República ainda não teve condições de promover mudanças no país, que sofre com o desemprego, com a ausência de saneamento básico, com a falta de moradia e com poucas escolas e raras universidades. Os problemas políticos, sociais, militares e econômicos são, talvez, do tamanho do próprio país e é muito improvável que tais mazelas possam ser ultrapassadas ainda neste século.

Apesar dessa situação verdadeiramente dramática em que está mergulhado esse país, é absolutamente fascinante visitá-lo. Lá, a vida cruel nos leva a reflexões, a uma viagem para dentro de nós mesmos. Nos triciclos, ou “tuc-tucs como são chamados, passear pelo bairro de Thamel é uma aventura. São centenas de tendas e pequenas lojas espalhadas por quarteirões de vielas completamente esburacadas, sob um colorido de legumes, verduras, frutas e flores. Centenas de indigentes estão jogados pelo caminho, assim como dezenas de sandhus (homens pobres com suas caras pintadas, verdadeiras máscaras) são vistos. Encontrar um sandhu e não dar-lhe algum dinheiro pode trazer má sorte reza a crendice local.

Bem próximo de Thamel encontra-se a Praça Durbar, a mais visitada da capital. A confusão de turistas, nepalenses, táxis e vendedores de qualquer coisa não esconde a beleza arquitetônica dos templos. Pechinchar é uma arte em Kathmandu. “Galerias” de arte são ali também verificadas. E a maioria delas  exibe pinturas de excelente qualidade, com destaque para as que apresentam o nascimento e vida do Buda, feitas com fios de  ouro de 24 quilates.

Nada, todavia, pode ser comparado aos grandes templos de Swayambunath, Pashupatinath e Boudhanath. O  Swayambunath é o principal santuário budista de Kathmandu. Arqueólogos acreditam que esse templo exista há pelo menos 2 mil anos.  Em uma área de quase 65 quilômetros quadrados, o visitante percorre até o topo da montanha, local onde se encontra o templo, mais de 40 degraus, cercado de gigantescas estátuas de budas, de macacos e de jardins.

Já o  Pashupatinath está construído as margens do Rio Bagmati, considerado sagrado pelos nepalenses. É o principal templo hinduísta do país e é também conhecido pelas cerimônias de cremação públicas. De um lado, os corpos da população pobre são queimados na plataforma, entre galhos de árvores, carvão, na presença de familiares homens; do outro lado, os ricos são cremados em plataformas em um ritual sofisticado e em sândalo.  As cinzas e sobras das fogueiras são jogadas ao rio. Curioso é que crianças e até adultos ficam por ali naquelas águas poluídas, com a intenção de pescar dentes de ouro para, após, revendê-los.  Maior mausoléu do país, o Boudhanath é parecido com o Swayambunath, mas sua majestosa construção branca e imensa cúpula dourada, ainda mais agigantada devido às construções dos prédios baixos ao seu redor, é bem mais impressionante.

O antigo Palácio Real, na Avenida Durbar Mag, transformou-se em museu e é aberto a visitação. Os prédios da Suprema Corte de Justiça, o Parlamento, as Torres dos Relógios e Branca, o Portão Dourado e a Praça Indrachowk, endereço do Templo Akash Bhairab e do mercado antigo merecem ser, da mesma forma, visitados. As modernas edificações das embaixadas dos Estados Unidos, Japão e França são destaques nas paisagens de Kathmandu. O Brasil não possui representação diplomática no Nepal.

O Nepal é daquelas viagens mágicas que não terminam jamais, nem quando chegamos de volta ao Brasil. E prova que há maneiras e formas diferentes de se encarar a vida, de ver e lidar com as coisas e com as pessoas. Viajar ao Nepal é, antes de mais nada, um grande aprendizado.


 Paulo Alonso é jornalista e Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

Mulheres são maioria na Educação Básica


O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira, o INEP, acaba de divulgar uma pesquisa sobre a presença da mulher brasileira no sistema educacional e mostra números crescentes, em termos absolutos, em todos os níveis de ensino. Na comparação com a presença masculina, na Educação Básica, elas constituem minoria nas creches e no Ensino Fundamental, mas são maioria no Ensino Médio.

De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica, levantamento realizado anualmente pelo Inep, em 2005 estavam matriculadas no Ensino Fundamental 16.367.401 meninas, o que representa 48,80% do total de matrículas naquele ano. Esse percentual manteve-se praticamente o mesmo no ano seguinte, com matrículas de mulheres representando 48,66% do total. Já no Ensino Médio, a proporção de matrículas de mulheres aumentou nesse período. Em 2005, elas representam 53,99% e, em 2006, o 54,06%. Em 2007, do total de 31.733.198 estudantes do Ensino Fundamental, 5.394.707 ou 48,51% eram meninas. Já, no Ensino Médio, o percentual de meninas supera o de homens. Elas representavam 54,7% do total de 8.264.816 alunos.

Se há variação em termos de matrículas, quando o assunto é desempenho o rendimento feminino apresenta crescimento, inclusive em relação ao dos homens. De acordo com estudo produzido pelo Inep, o desempenho na prova de português do SAEB referente a 2007 revela um rendimento de 182,3 para as mulheres na 4ª série do Ensino Fundamental, enquanto os homens, nesta mesma série, obtiveram desempenho de 172,4, numa escala de 0 a 500. O levantamento foi feito em escolas públicas e privadas de todo o País.
A diferença de rendimento é ainda maior na 8ª série do Ensino Fundamental quando se trata de proficiência em língua portuguesa, sendo que as mulheres tiveram média de 240,7 e os homens, 228,7, uma diferença de 12 pontos. E, no 3º ano do Ensino Médio, a superioridade feminina em língua portuguesa é novamente comprovada. Elas tiveram aproveitamento de 263,5, enquanto os meninos ficaram com 259,9. Conforme mostra a tabela, os homens apresentam melhores médias em matemática nas três série avaliadas: 4ª e 8ª do Ensino Fundamental e 3º ano do Ensino Médio.

As mulheres do Sudeste são as que apresentam melhor rendimento médio. Mas são as mulheres do Distrito Federal que tiveram melhor desempenho em 2007 em Língua Portuguesa e Matemática, na 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental. Elas apresentaram média de 200,7 em Português e de 210,9, em Matemática. Já no 3º ano do Ensino Médio, são as gaúchas que apresentam maior desempenho em Português, com 286,3 de aproveitamento. Já em relação à disciplina de Matemática, novamente são as estudantes do sexo feminino do Distrito Federal que lideram com média de 291,8.

Da mesma forma, as mulheres já são também maioria nos bancos universitários. E não é à toa que, cada vez mais, as mulheres no Brasil estão ocupando cargos e funções de altíssimo relevo e importância nos Tribunais Superiores, nos Tribunais Estaduais, no Congresso Nacional, nas Academias de Letras, Artes e Cultura, no Esporte, na Música...em todos os setores da vida.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 


 

Instituto de Pesquisa Antártico é instalado

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT APA) foi instalado, no último dia 1º de abril, em solenidade realizada no Ministério do Meio Ambiente (MMA). O Instituto, criado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, constituiu-se em uma rede de pesquisa com a participação de mais de 40 pesquisadores ligados a 16 diferentes instituições, dentre elas o próprio MMA, parceiro no projeto.

O objetivo do Instituto é estudar as mudanças ambientais que ocorrem na Antártica, o continente mais preservado e, ao mesmo tempo, mais frágil do planeta. Sua atuação está focada na Ilha Rei George, onde está instalada a Estação Antártica Brasileira Comandante Ferraz, que tive a oportunidade de visitar quando matriculado no Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra. Essa região é a mais sensível do planeta às variações climáticas. Suas peculiaridades permitem que se detecte, precocemente, a resposta do ambiente às mudanças globais. Registros meteorológicos indicam um rápido aumento na temperatura atmosférica local ao longo dos últimos 50 anos, quatro vezes maior que a média mundial. Nesse período, a ilha perdeu 7% de sua cobertura de gelo. As maiores perdas de gelo já observadas no planeta – com destruição de mais de 7000 quilômetros quadrados - ocorreram nos últimos oito anos a apenas 350 quilômetros da Ilha Rei George.

Outra tarefa importante do INCT APA será o monitoramento ambiental da Baía do Almirantado, com estudos sobre o impacto que as atividades humanas têm causado sobre o ambiente.

Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia foram criados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia que, por meio do CNPq, lançou edital convocando a comunidade científica nacional a realizar pesquisas. A criação dos institutos conta com parceria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) e as Fundações de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), do Pará (Fapespa), de São Paulo (Fapesp), Minas Gerais (Fapemig), Rio de Janeiro (Faperj) e Santa Catarina (Fapesc), Ministério da Saúde e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Foram criados 123 projetos que terão recursos de R$ R$ 581 milhões para os próximos cinco anos.
Com a implantação de um Instituto com essa dimensão, importância, finalidade e responsabilidade, espera-se que o Brasil possa, por meio dos seus pesquisadores e das suas consequentes pesquisas, ter dados ainda mais consistentes para o diagnóstico dos impactos que as atividades desenvolvidas pelo homem causam e prejudicam o meio ambiente em que vivemos.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

   
Trabalho desenvolvido na Clínica-Escola é publicado na revista Fisioterapia e Pesquisa - da USP (B2 Nacional)  

Sob o tema “Estudo comparativo preliminar entre os alongamentos proprioceptivo e estático passivo em pacientes com seqüelas de hanseníase”, o artigo da última edição da Revista Fisioterapia e Pesquisa da USP abordou o estudo realizado nas Faculdades Anglo-Americano – Unidade de Foz do Iguaçu. A proposta do trabalho foi comparar a aplicação de alongamento estático passivo e alongamento proprioceptivo no tratamento de seqüelas de hanseníase. Doze pacientes com essas seqüelas participaram da pesquisa, separados aleatoriamente em dois grupos. Clique aqui e leia o artigo na íntegra.


 

Listão de dispensados do Enade 2008

O Diário Oficial da União publicou recentemente  uma portaria com os dispensados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, Enade, relativo ao ano de 2008. Os estudantes concluintes dispensados do exame realizado no dia 9 de novembro do ano passado podem procurar sua Instituição de Ensino Superior e requerer o diploma de conclusão de seu curso.

Em 2007, foram avaliadas as áreas de Arquitetura e Urbanismo, Biologia, Ciências Sociais, Computação, Engenharia, Filosofia, Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Química; e cursos superiores de tecnologia em: Construção de Edifícios, Alimentos, Automação Industrial, Gestão da Produção Industrial, Manutenção Industrial, Processos Químicos, Fabricação Mecânica, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores e Saneamento Ambiental.
Os faltosos ao Enade tiveram um prazo no ano passado para entregar suas justificativas de ausência. Todas as solicitações de dispensa foram avaliadas por uma comissão especial constituída e designada pelo Ministério da Educação (MEC). Os alunos que não tiveram aceitas suas justificativas continuam em situação irregular e devem prestar o exame neste ano para regularizar a situação acadêmica. Sem o exame, não poderão receber os seus diplomas, mesmo que concluído o curso universitário. O prazo para as IES inscreverem seus alunos nessa situação é de 1º a 19 de junho, de acordo com o texto da Portaria Normativa 1/2009.

O Enade 2009 será realizado no dia 8 de novembro e participarão da prova  estudantes do final do primeiro ano de curso e do último ano de curso das áreas selecionadas. São considerados ingressantes aqueles estudantes que, até o dia 1º de agosto, tiverem concluído entre 7% e 22% da carga horária mínima do currículo do curso da Instituição em que está matriculado, já  os concluintes são aqueles que, até o dia 1º de agosto, tiverem concluído pelo menos 80% da carga horária mínima do currículo do curso da sua IES ou aquele estudante que tenha condições acadêmicas de conclusão do curso no decorrer do no ano letivo de 2009.

Assim sendo, as IES de todo o Brasil e os estudantes universitários que se enquadrarem nessas normas devem ficar atentos. Na realidade, o Ministério da EDucação, ao instituir um processo avaliativo nacional, deseja saber objetivamente como está sendo a transmissão do conhecimento aos alunos, avaliando ainda organização didático-pedagógica da IES, seu corpo docente e infra-estrutura. Não podemos imaginar que as avaliações sejam punitivas, mas esperando sempre que sejam construtivas para, assim, melhor qualificar os nossos alunos que se matriculam nas várias instituições nacionais, visando o seu crescimento intelectual e apostando, com o conhecimento recebido, um lugar no cada vez mais restrito mercado de trabalho.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

Dubai, um lugar único no planeta

Ao chegar ao Aeroporto Sheik Rachid, em Dubai, a maior cidade dos Emirados Árabes Unidos, com cerca de 1,6 milhão habitantes, o passageiro logo se impressiona. O aeroporto mais parece um gigantesco e sofisticado shopping - center. Mesmo diante dessa imensidão, ainda está sendo construído outro, o  Dubai World Central International Airport, planejado para ser o maior do mundo, com capacidade para 120 milhões de passageiros por ano. Não é um equívoco afirmar que Dubai possui 30% dos guindastes de construção de todo o mundo. A cidade, um verdadeiro canteiro de o bras, impressiona pela expansão, pela altura dos edifícios e pela arquitetura arrojada dos prédios e, sobretudo, pela grandiosidade dessa metrópole que está sendo projetada sobre o enorme Deserto de Larbad. Ao contrário dos demais Emirados Árabes Unidos, a economia de Dubai não se baseia primordialmente na exploração do petróleo. Apenas 7% da renda do emirado são obtidas dessa fonte. A maior parte dos recursos é proveniente da Zona Franca Jebel Ali, onde se localiza o porto de Dubai, o 13° mais movimentado do mundo, e empresas multinacionais, sobretudo canadenses, austríacas, norte-americanas e suíças, que gozam de vantajosas isenções comerciais e fiscais. As atividades relacionadas ao turismo, 33% das divisas, também têm aumentado sua participação na economia. O crescimento do PIB gira em torno de 19%, mais que o dobro da China. A população nativa de Dubai é absolutamente minoritária, daí a cidade ainda não ter identidade própria. Mais de três quartos dos seus habitantes são originários de outros países, em especial, do Paquistão, do Cazaquistão, da Malásia, das Filipinas e da Índia. Sem impostos sobre pessoas física e jurídica e com um código legal que favorece a propriedade e a iniciativa privada, Dubai incorpora o lema do velho Sheik Rashid: "O que é bom para os comerciantes é bom para Dubai".

Tudo em Dubai é grandioso. Lá está, por exemplo, localizado o único hotel sete estrelas do mundo, o Burj Al Arab, situado em uma ilha e com uma infra-estrutura tecnológica de última geração, em formato de vela. Não muito distante dele, pode ser contemplado O Burj Dubai, a Torre de Dubai. É o arranha-céu mais alto do mundo, embora ainda esteja em final de construção. Não se sabe qual será a altura exata do edifício, mas acredita-se que ele terá aproximadamente entre 700 e 800 metros de altura, o que o fará não somente o arranha-céu mais alto do mundo, bem como a estrutura mais alta do mundo, com um custo estimado de oito bilhões de dólares. Ao atingir sua altura máxima, o Burj Dubai deverá superar não somente o arranha-céu mais alto do mundo da atualidade, o Taipei 101, bem como a estrutura não sustentada por cabos em terra firme mais alta do mundo, a Torre CN, e a estrutura mais alta do mundo, a Torre da KVLY-TV

Já a Dubailand, na Sheik Zayed Road, é um outro projeto altamente arrojado, situada em uma área  do tamanho da Cingapura. Promete ser a grande atração de entretenimento, ainda este ano, quando será inaugurada. Todavia, uma atração imperdível e, ao mesmo tempo, surreal, é visitar o Shopping dos Emirados, o maior de Dubai, com 500 lojas e uma enorme estação de esqui coberta. Inquestionavelmente, é uma das idéias locais mais estranhas, já que a visão de uma enorme pista de esqui interna coberta de neve, com menos 4º C, a primeira do Oriente Médio, é algo esquisito no calor úmido do Golfo Pérsico, onde o espetáculo dos emirenses esquiando e vestidos de burcas e/ou canduras, falando o árabe é, no mínimo, curioso. Esse complexo encerra o maior parque de neve interno do mundo, com três mil metros quadrados de encostas “alpinas” cobertas de neve, com teleférico, pistas de esqui e de trenós.

Dubai guarda um perfil de Manhattan e de Las Vegas, um porto de classe internacional e gigantescos centros de compra livres de impostos aduaneiros. Atrai mais turistas do que toda a Índia, mais navios do que a Cingapura e mais capital estrangeiro do que muitos países europeus. Pessoas de 150 nacionalidades foram viver e trabalhar ali. Dubai tem até ilhas artificiais, algumas em forma de palmeira, para acomodar os milionários. David Beckham, Rod Stewart e Michael Schumacher estão construindo suas mansões na Ilha Palmeira de Jumeirah, onde existe uma bela marina e hotéis simplesmente maravilhosos.  Uma segunda ilha artificial com o mesmo formato da palmeira já está fase final de construção.

Em Dubai celulares incrustados de diamantes custam 10 mil dólares e vendem como água. Milhões de pessoas voam para lá só para fazer compras. O Gold Souk, mercado de ouro, é algo mágico e mítico. São quilos e quilos de ouro nas centenas de lojas esperando por compradores e por preços vantajosos. Fica na parte norte, conhecida como Deira, maior centro comercial e turístico, com vários mercados, escolas, hotéis, clubes e o aeroporto.

Dubai é um lugar único no planeta. Apontada por muitos como a cidade que mais cresce no mundo, este centro de comércio cravado no Golfo Pérsico, às margens do Oceano Índico, transformou-se em um dos destinos urbanos mais cheios de glamour, espetaculares e futuristas do mundo.

Existe também um novo projeto para a construção de outra ilha artificial em que, ao contrário de um desenho de palmeira, será o desenho do mapa mundo.  Um hotel deve ficar com o conjunto formado por várias ilhas que, se olhadas por cima, mostram o mundo. The World também será um arquipélago artificial onde a maior parte das ilhas já foi comprada por investidores de todo o mundo, que estão desembolsando de 7 a 30 milhões de dólares por suas mansões.

Contrastando com a vida movimentada dos cafés e restaurantes, dos iates luxuosos e dos prédios sofisticados da cidade, encontra-se o deserto, de onde se pode contemplar um maravilhoso por do sol, sob o vento das areias finas e avermelhadas e sob o olhar dos dromedários e camelos, em suas reservas.

Caminhar pelo deserto e navegar pelas águas cristalinas e verdes do Golfo Pérsico são dois dos mais belos e inesquecíveis passeios em Dubai. Imagens que certamente permanecerão por toda a vida na memória e nos corações daqueles que têm a oportunidade de conhecer essa única e tão fantástica cidade do Oriente Médio.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



Senadores resistem às cotas raciais

As Discordâncias são muitas e em vários pontos. Assim sendo, a questão da reserva de cotas raciais nas universidades ainda demandará muita discussão no Parlamento do Brasil. E é claro que no que depender da disposição dos mem bros da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) dos Deputados nº 180/2008, que impõe reserva de vagas em todas as universidades públicas, está longe, muito longe de ser aprovado. Ao menos da forma como fora concebido.

Um levantamento feito recentemente junto aos 81 Senadores da República deixa claro que a maioria desses parlamentares é contra a implantação de cotas étnicas para o acesso de estudantes negros, pardos e indígenas às escolas técnicas e às universidades federais. Até mesmo os senadores do bloco de apoio ao governo se mostram reticentes na hora de aderir às cotas raciais. No plenário e na própria CCJ, Os debates são muitos e sempre acalorados.

Dos 24 senadores – 23 titulares mais a relatora, a suplente Serys Slhessarenko (PT-MT) – que decidirão sobre a questão, apenas três se declaram favoráveis às cotas étnicas, enquanto 11 são contra a aprovação do projeto incluindo critérios raciais. Quatro outros senadores ainda estão indecisos e seis preferiram não informar os seus votos. Se a reserva de vagas por critérios étnicos incomoda aos parlamentares, sobretudo os da oposição, a possibilidade de se estabelecer cotas sociais conta com a simpatia da maioria.

Dos 11 contrários ao PLC, dois recusam qualquer tipo de cota e nove a defendem com base apenas em critérios sociais, como a obrigatoriedade de o aluno ter feito a educação básica em escola pública ou pertencer à família com renda mensal que não ultrapasse um salário mínimo e meio per capita. A discussão promete ainda muito barulho no dia de hoje, 1º de abril, data da audiência pública que vai contar com a presença do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, de reitores de universidades públicas e de representantes da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). A expectativa é de que o parecer da Senadora Serys, favorável à aprovação do projeto, seja apresentado no mesmo dia.

O Senador tucano Álvaro Dias, do Paraná, apresentou emenda ao projeto para que ele estabeleça apenas a cota social. Mas a relatora já avisou que não aceita a retirada do que para ela é a “essência” do projeto, a cota racial.

Tudo indica que o parecer da Senadora Serys será pela cota considerando três cortes: ter frequentado escolas públicas, renda e etnia. Se continuar a pensar dessa forma, fica, desde já, confirmado que Serys rejeitará emendas como a de Álvaro Dias.

A passionalidade tem marcado o discurso dos parlamentares que já se posicionaram sobre o tema. Quem defende a cota social argumenta que ela é mais abrangente, pois inclui automaticamente negros, pardos e indígenas, quase sempre alunos das escolas públicas, e também os brancos menos favorecidos. E, ainda, evitaria um problema futuro na hora de suspender a política de cotas.

Já o Senador Gilvam Borges, do PMDB-AP, acredita que o problema não está na cor da pele, mas na base da pirâmide, por isso, de acordo com ele, é imprescindível tratar o assunto como uma questão social – afirma o senador Gilvam Borges (PMDB-AP).

A questão tem suscitado dúvidas até em parlamentares do PT, como o Senador Eduardo Suplicy (SP) que ainda não sabe de que forma votará.

Convicto, o Senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) demonstra a mesma paixão pelo tema que aqueles que pretendem retirar os holofotes da questão racial. Para ele, é uma grande balela esse argumento de criar um novo problema. Problema, para Simon, é o que existe hoje, com 80% dos negros nas favelas, nas cadeias e não nas universidades.

Autora de uma das propostas que deram origem ao PLC, a petista Idelli Salvatti (SC) julga desnecessário o critério de renda, que viria sobrepor-se à obrigação de o estudante ter frequentado escola pública. Para Salvatti, há muitos cortes, o que torna o projeto complexo. O melhor, ainda de acordo com Salvatti, deve prevalecer o critério da proporcionalidade étnica aliado ao de escola pública.

Enfim, o dia de hoje promete muita discussão, muitas brigas e disputas e talvez não se chegue a nenhum consenso. O tema é o da vez e a Esplanada dos Ministérios e o Palácio do Planalto acompanham os desdobramentos dessa questão, que, sem dúvida, é de grande interesse para a vida nacional.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano



Nova ortografia da Língua Portuguesa

Paulo Alonso

Depois de quase duas décadas, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está saindo do papel e passando a ser empregado. O Brasil é o primeiro país entre os que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, a adotar oficialmente a nova ortografia, neste ano de 2009. Essas regras ortográficas que constam no acordo serão obrigatórias em todos os documentos governamentais, mas nos estabelecimentos educacionais o prazo será mais dilatado, em face do cronograma de compras de livros didáticos pelo Ministério da Educação. As mudanças mais importantes alteram a acentuação de várias palavras, extinguindo, por exemplo, o uso do trema e ainda sistematizando a utilização do hífen. O acadêmico Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, será o guardião pelo uso correto da nova ortografia e ainda será o responsável em emitir pareceres sobre eventuais dúvidas sobre a utilização da nova ortografia.

No Brasil, as alterações atingem aproximadamente 0,5% das palavras, contudo nos demais países, que adotam a ortografia de Portugal, o percentual sobe para 1,6%. Dentre os países da CPLP, o acordo já foi ratificado pelo Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Já Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor Leste ainda não definiram quando irão ratificar o documento.

A mudança ortográfica que, além do trema, acaba com os acentos de vôo, lêem, heróico e muitas outras palavras, também altera as regras do hífen e incorpora ao alfabeto as letras k, w e y, passando, assim, a ter 26 letras. A utilização dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus derivados, como “Kafka, por exemplo. As alterações foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa, com população de cerca de 230 milhões. Esse acordo, na realidade, tem também como objetivo aproximar essas culturas.

O embaixador Lauro Moreira, representante brasileiro na CPLP, não tem dúvida de que a que, “quando a nova ortografia chegar às escolas, toda a sociedade se adequará”. Levará um tempo para que as pessoas se acostumem com a nova grafia, como ocorreu com a reforma ortográfica de 1971, mas ela entrará em vigor aos poucos.

Até então, era preciso redigir dois documentos nas entidades internacionais, um com a grafia de Portugal e o outro, com a do Brasil. Essa situação não fazia qualquer sentido e ainda servia para burocratizar ações, processos e procedimentos.

O MEC já iniciou o processo de adoção da nova ortografia. Entre 2010 e 2012 será o período de transição estipulado pela Pasta da Educação para a nova ortografia passar a ser obrigatória nos livros de todas as áreas do conhecimento.

Convém esclarecer que a unificação da nova ortografia não será total. Como privilegiou mais critérios fonéticos, pronúncia, em lugar de etimológicos, origem, para algumas palavras será permitida a dupla grafia. Essa situação será permitida principalmente em palavras paroxítonas cuja entonação entre brasileiros e portugueses é diferente, com inflexões mais abertas ou mais fechadas. Enquanto no Brasil as palavras são acentuadas com o acento circunflexo, em Portugal, ao contrário, utiliza-se o agudo. Assim sendo, ambas as grafias serão aceitas, como em fenômeno ou fenómeno; tênis ou ténis. Essa mesma regra valerá também para algumas oxítonas, como caratê e crochê, que também serão aceitas como caraté ou croché.

As regras para a utilização do hífen receberam nova sistematização. O objetivo é simplesmente simplificar a utilização do sinal gráfico, cujas regras estão entre as mais complexas da nova ortografia. Esse sinal foi abolido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento também começa com outra vogal, como em aeroespacial e extraescolar. É conveniente ressaltar que, quando o primeiro elemento finalizar com uma vogal igual à do segundo elemento, o hífen deverá ser utilizado, como nas palavras micro-ondas e anti-inflamatório.

Ainda, de acordo com a reforma, nos casos em que a primeira palavra terminar em vogal e a segunda começar por r ou s, essas letras deverão ser duplicadas, como na conjunção anti + semita: antissemita. A única exceção se dará quando o primeiro elemento terminar em r e o segundo elemento começar com a mesma letra. Nesse caso, a palavra deverá ser grafada com hífen, como em hiper-requintado e inter-racial.

Com a entrada em vigor da nova ortografia, as pessoas terão de fazer um pequeno esforço para reaprender a escrever algumas palavras. O melhor é fazer o quanto antes, embora haja um prazo de três anos para que essa readaptação ocorra na sua íntegra.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


Mulheres estão em maior número nas universidades

Paulo Alonso

O Dia Internacional da Mulher foi comemorado oficialmente pela 34ª vez no último domingo, dia 8 de março, mas essa justa homenagem às mulheres já tem quase um século. Em 1911, quando as mulheres não tinham nem direito ao voto em praticamente todo o mundo, o dia delas começava a ganhar o planeta.

Ainda no final do século XVIII, a escritora britânica Mary Wollstonecraft levantava a questão de como a mulher era tratada. Condições subumanas, carga horária pesada e salários bem mais baixos do que o dos homens já eram apontados para mostrar o quanto as mulheres eram consideradas de forma diferente e, pior, como são em alguns países, até hoje.

Assim, menos de 70 anos após a Revolução Industrial, em 1857, trabalhadoras de uma fábrica têxtil, apelidadas então de ‘funcionárias das vestimentas’, protestaram por melhores condições de trabalho em Nova York e o que ganharam em curto prazo foi uma violenta resposta de policiais.  Essa data, todavia, não passou em branco pela história. Dois anos depois, também em 8 de março, mais mulheres fizeram uma força única e começaram a obter os primeiros direitos de trabalho, por intermédio de uma associação recém-criada que defenderia os seus direitos.  Em 1908 (também em 8 de março), 15 mil mulheres se juntaram na cidade de Nova York e fizeram novo protesto reclamando por seus direitos e também protestando contra o trabalho infantil.

Em maio do mesmo ano, o Partido Socialista da América estabeleceu que oúltimo domingo de fevereiro fosse o “Dia Nacional das Mulheres”, data mantida até 1913. 

A data de 8 de março, porém, ganhou força na antiga Rússia. E em 23 de fevereiro de 1917, pelo calendário Juliano, que coincidentemente caiu em 8 de março pelo calendário gregoriano, o czar russo Nicolau II foi obrigado a deixar o governo e a garantir, em um de seus derradeiros atos, o direito ao voto das mulheres.

Somente em 1975, 64 anos depois da convenção socialista e 30 após a sua criação, as Organização das Nações Unidas resolveram adotar a data como oficial para celebrar o Dia Internacional da Mulher.

Dos primeiros movimentos espalhados por todo o mundo aos dias atuais, a situação da mulher mudou bastante, não o suficiente ainda, pois sabemos que as mulheres ainda continuam, em muitas ocasiões, sendo tratadas de forma aviltante, daí a necessidade de, no Brasil, ter sido criada, por exemplo, a Lei Maria da Penha. 

Na educação superior, contudo, o quadro, atualmente, é francamente favorável às mulheres. E, conforme os dados do Censo da Educação Superior, coletados pelo Inep, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, as mulheres estão em maior número também nas universidades.

A participação masculina cresceu percentualmente de 2006 para 2007, mas o número de mulheres ainda é maior. De 2000 a 2007, houve um aumento de 81,14% no número total de matrículas na educação superior. A participação das mulheres aumentou 76,92% no mesmo período, o que demonstra o quando a educação superior vem sendo requisitada.

Os resultados do Enade mostram um equilíbrio no desempenho de mulheres e homens. Em 2005, do total de 268.425 participantes do Enade, mais da metade era do sexo feminino (153.575). A média alcançada por homens e mulheres foi muito próxima: entre as 20 grandes áreas avaliadas, as mulheres alcançaram a média total de 38,63, contra 38,11 pontos obtidos pelos homens.

No ano seguinte, 2006, o número total de participantes do Enade subiu para 380.969. Desse total, 223.537 eram mulheres. A participação feminina foi numericamente maior, mas o desempenho entre homens e mulheres foi bastante equilibrado: 39,61 de média para elas e 39,25 para eles.

Em 2007, foram avaliadas 16 áreas. Um total de 185.039 estudantes fez o Exame. Desses, 123.649 eram mulheres e 61.390, homens. Dessa vez, a média delas foi menor: 40,94, contra 42,57 deles. As ingressantes tiveram melhor rendimento nas áreas de Agronomia, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia e Tecnologia em Agroindústria. As mulheres que estavam terminando o ensino superior alcançaram médias maiores nos cursos de Educação Física, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Odontologia, Tecnologia em Agroindústria e Terapia ocupacional.

Podemos constatar que a presença e a importância das mulheres no Brasil e no Mundo é cada vez maior e mais percebida e também aplaudida. Apenas citando algumas em nosso país: Esther de Figueiredo Ferraz, Raquel de Queiróz, Chiquinha Gonzaga, Elis Regina, Irmã Dulce, Fernanda Montenegro, Marta Suplicy, Benedita da Silva e Rosena Sarney marcaram e marcam a presença feminina em nosso cenário. Já no exterior, Indira Gandhi, Benazir, Golda Meir, Marylin Monroe, Rita Hayworth, Madre Teresa de Calcutá, Jackie Kennedy, Rainha Elizabeth II e Angela Merkel são emblemáticas.

A força da mulher, o seu carisma, encanto e sedução são apreciáveis e admirados, não somente pela força de trabalho, pelo espírito guerreiro, pela bravura, mas, sobretudo, pela opção de sempre procurar fazer bem e melhor.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 
O educador Dom Lourenço de Almeida Prado

Paulo Alonso

A educação brasileira perdeu, na última semana, uma das suas maiores referências. Morreu aos 97 anos, o reitor emérito do tradicional Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, Dom Lourenço de Almeida Prado. O monge beneditino atuou como reitor da instituição, que em 2008 comemorou 150 anos de atividades, por quase meio século.

Comecei a manter contato com Dom Lourenço, quando, aos oito anos de idade, ingressei no São Bento. Durante minha permanência nesse estabelecimento recebi os mais importantes ensinamentos da minha vida e posso afirmar que a rigorosa disciplina imposta pelo então reitor; a obrigatoriedade da leitura de dez livros anualmente; os conceitos apreendidos sobre os valores humanos e éticos; o aprendizado de música e artes, bem como conceitos religiosos católicos e ecumênicos me permitiram chegar ao estudo universitário, ancorado em uma formação sólida. Os vários anos passados nesse colégio me possibilitaram enxergar o mundo de uma forma muito mais lúcida e realista. E todo esse aprendizado se deve ao trabalho que Dom Lourenço desenvolveu em favor da construção do conhecimento e de sua imensa preocupação com a formação do caráter da juventude.

Essa mesma preocupação foi por ele também demonstrada no tempo em que, em Brasília, integrou o então Conselho Federal de Educação. Seus pareceres continuam servindo como fonte de inspiração para vários dos atuais conselheiros. Participou, ainda, do Conselho Estadual de Educação e era, dentre várias, titular das Academias Brasileira e Internacional de Educação.

Nascido em Bica da Pedra, formado em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, nos anos 30, Nelson de Almeida Prado, oriundo de uma família quatrocentona de São Paulo, ingressou no Mosteiro de São Bento, em 1940, adotando o nome religioso de Lourenço. Esse nome marcaria sua história como monge e, principalmente, como educador de reconhecida relevância na cultura brasileira.

Afastado da reitoria por vontade própria, já que completara 45 anos à frente da instituição, recebeu o título de reitor emérito, em reconhecimento ao magnífico trabalho desenvolvido. Dom Lourenço deixou uma vastíssima bibliografia versando sobre a Educação da Juventude.

De acordo com ele, a formação humana é essencial no processo educacional e deve ser tratada, fundamentalmente, no ensino médio. Ele também defendia que “a escola é, no tempo moderno, algo indispensável. No primeiro momento da vida é educada em casa; depois, para o desenvolvimento cultural, ela precisa de pessoas especializadas para ajudá-la a crescer e aprender”.

Apesar de idoso, Dom Lourenço jamais deixou de acompanhar a evolução do mundo e sublinhava que, na era do hipertexto, do predomínio da linguagem virtual, digital entre os jovens, “a escola deve cuidar de não pensar que nós vivemos de fato no delírio da imagem e, agora, do digital. O aprendizado é feito pelas coisas que chegam à inteligência, de forma que é o aluno que aprende, não é o mestre que transmite. Ele tem que se servir desses elementos como meios, como recursos, mas não fazer disso o próprio ensino”.

Muito me orgulho de ter passado a integrar, há dois anos, a Galeria dos Grandes Educadores Brasileiros, por votação direta realizada pela Associação Brasileira de Educação, e estar ao lado de emblemáticas figuras como o próprio Dom Lourenço, o professor Cristovam Buarque, ex-reitor da Universidade de Brasília, primeiro Ministro da Educação do Governo Lula e atual Senador da República, e os acadêmicos Arnaldo Niskier e Evanildo Bechara, ambos da ABL. Orgulho maior foi receber essa láurea das mãos do atual Reitor do São Bento, Dom Tadeu Albuquerque, meu antigo mestre, e que representou, na ocasião, Dom Lourenço.

Sua morte será sempre muito sentida e sua obra sempre lembrada no meio acadêmico, já que sua vida foi um exemplo de sabedoria e de pregação. Dom Lourenço foi um fraterno amigo, um educador brilhante e um homem que acreditou vivamente que a educação é o começo, o meio e o fim para a construção de uma sociedade mais justa, mais ética e, sobretudo, mais humana.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


Em Macau, uma universidade multicultural e multiracial

Macau é um “país” da República Popular da China que impressiona. Muito próxima de Hong Kong e de Manilha, nas Filipinas, é uma cidade que guarda contrastes absolutamente incríveis. Independente de Portugal, desde 1999, suas ruas e avenidas ostentam placas de sinalização em português, mas também em chinês e em inglês. Mas se você pensa que a população fala o português, está enganado. Somente os muito antigos é que usam o português como idioma, mas é raríssimo ouvir essa língua pelas ruas, lojas e becos. O chinês e o inglês são as mais usuais. E até 2015, o português, ainda que seja uma das três línguas oficiais de Macau, será banido dos papéis timbrados e das organizações governamentais e não governamentais. Da mesma forma que Hong Kong, Macau adota moeda própria, a pataca, e só está diretamente vinculada ao governo de Pequim, no que tange à diplomacia e à defesa nacional. É estranho andar pelos parques, pelas ruínas da Igreja de São Paulo e observar as sinalizações em português, mas, ao mesmo tempo, não se poder pronunciar essa mesma língua. Afinal, somente 2% da população entenderiam o que estaríamos dizendo...

Dentro desse cenário até mágico, com imensos neons instalados nos mais de 30 cassinos (parece até Las Vegas!), com praças largas e arborizadas e prédios coloniais portugueses, a Universidade de Macau é um dos mais belos postais dessa bela cidade e, por essa razão, merece ser visitada. Foi criada em 1981, quando a empresa Ricci Island West Limited fundou a Universidade da Ásia Oriental, a primeira universidade em Macau e sua antecessora, em terreno concedido pelo Governo de Macau. A fundação da Universidade da Ásia Oriental, privada, constitui o início da oferta do ensino superior moderno em Macau.

Durante os primeiros anos, após o estabelecimento dessa instituição, seus alunos, na sua maioria, eram provenientes de Hong Kong. Posteriormente, a então Administração Portuguesa de Macau, atendendo às necessidades de formar recursos humanos locais para o período de transição antes da transferência da soberania de Macau à China, procedeu à aquisição da Universidade da Ásia Oriental, por meio da Fundação Macau, em 1988. Realizou igualmente uma reestruturação com o estabelecimento das faculdades de Letras, Gestão de Empresas, Ciências Sociais, Ciências e Tecnologia, tendo modificado a duração dos cursos de licenciatura de três anos para quatro anos. Após, foram criadas as Faculdades de Direito e de Ciências da Educação, mantendo-se o inglês como a língua principal do ensino.

Em 1991, a Universidade da Ásia Oriental tornou-se oficialmente em uma universidade pública e passou a chamar-se Universidade de Macau, assumindo como  missão formar quadros locais qualificados. Na sequência desta transformação, o número de estudantes tem aumentado acentuadamente, de algumas centenas logo no começo para mais de seis mil em dezembro de 2007, tendo a percentagem de alunos locais subido de 39% para 80%.
A Universidade de Macau está situada na Ilha da Taipa. O campus nessa ilha cresceu bastante nos últimos anos como resultado do rápido desenvolvimento econômico local, sobretudo por causa do incremento do turismo e ainda devido à criação e instalação de mais de 30 cassinos nessa cidade, localizada à beira do Mar da China. A Universidade de Macau é a maior da Cidade.

Apesar de dar grande atenção à educação e aos seus alunos, a Universidade de Macau ainda não conseguiu cobrir todas as  áreas do conhecimento, como medicina, arquitetura, filosofia e ciência política.

Um fator importante é que Macau, devido à sua História muita longa e em especial à presença e a administração portuguesa desde o século XVI e até 1999, é um espaço multicultural e multiracial. Esta situação não podia deixar de se refletir no ensino. Assim, são usadas várias línguas na oferta dos cursos, como o chinês, o português e o inglês, mas nem em todas as faculdades.

Deve notar-se que, dependendo das faculdades e dos cursos, o chinês oral usado é umas vezes o cantonense (o dialeto local de Macau) e outras vezes o mandarim (a língua oficial da República Popular da China). O português, quando empregado, é o de Portugal e não o do Brasil.

A Universidade de Macau tem como missão a promoção da ciência e do ensino no domínio das humanidades, das ciências sociais, da tecnologia e da cultura. Suas edificações são muito bem projetadas e o ensino ministrado é o mais moderno de Macau.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano



Antonio Olinto, um raro exemplo de vida

Paulo Alonso

E lá se vão anos... muitos ou vários, nem sei mais quantos... Suficientes, por certo, para cada vez mais admirá-lo, apreciá-lo, amá-lo e com ele aprender verdadeiras lições de amor, de vida... lições de bem servir ao próximo.... Lições nem sempre escritas, mas transmitidas oralmente, em poesias, em trovas e/ou em prosas. Apreendidas e assimiladas em nossos permanentes diálogos, em nossas intermináveis conversas sobre a gente brasileira, sobre a cultura da nossa gente, sobre os destinos do nosso país...

E é justamente em seu apartamento-biblioteca-museu da Duvivier, de onde se pode avistar um pedaço do Atlântico, que, juntos, refletimos e buscamos, de alguma forma, encontrar saídas para tantas mazelas que afligem o Rio, o Brasil e o Mundo... quanta utopia! Utopia que nos faz bem e alimenta as nossas mentes e os nossos corações.

Antonio é um homem especialíssimo; uma figura notável; um patrimônio cultural do Brasil; um escritor de rara inteligência e dono de uma lucidez magnífica. E, sublinhemos, está comemorando 90 anos de vida. Quase um século de atividades intensas e permanentes em defesa da língua portuguesa, da literatura brasileira, da propagação, por meio de textos jornalísticos ou dos seus incontáveis livros publicados, e traduzidos em mais de 45 idiomas, das suas idéias e pensamentos, da sua criatividade intelectual, da sua vontade em fazer construir um mundo mais digno e mais saudável. Um raro exemplo a ser seguido.

Nascido em Ubá, batizado em Piau, lá nas Minas Gerais, esse Antonio, de olhar meigo, terno, com o colorido da cor do céu, conquistou o mundo, com suas andanças pelos cinco continentes, ora proferindo palestras e conferências, ora organizando seminários internacionais, ora lançando livros e muitas vezes recebendo prêmios e láureas importantes, que traduzem o reconhecimento da sua devoção à arte de escrever.

Dono de uma formação sólida estudou Filosofia e Teologia e quase se ordenou sacerdote. Desistiu dos seminários e resolveu ser Mestre de Latim, Português, História da Literatura, Francês, Inglês e História da Civilização, em colégios do Rio de Janeiro e em instituições universitárias nacionais, como o Centro Universitário da Cidade, que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa, e na Faculdade de Letras do Centro Universitário de Ubá, que também lhe agraciou com idêntica honraria ou nas mais importantes e tradicionais instituições estrangeiras, como as Universidades de Columbia, Yale, Harvard, Indiana, UCLA ou Essex.

Fez conferências sobre Cultura Brasileira em universidade e centros de pesquisas em Tóquio, Seul, Sidney, Maputo, Dacar, Lagos, Abidjan, Tanger, Buenos Aires, Lisboa, Coimbra, Porto, Madri, Santiago do Chile, Barcelona, Paris, Milão, Pádua, Veneza, Roma, Zagreb, Bucareste, Sofia, Varsóvia, Cracóvia, Moscou, Estocolmo, Copenhagen, Londres, Oxford, Cambridge e Dublin, dentre muitas outras. O Diploma de Excelência da Universidade de Vasile Goldis, de Arad, lhe foi ofertado em razão da difusão da cultura brasileira na Romênia. Nessa mesma ocasião, a Embaixada do Brasil nesse país inaugurou, em Bucareste, a Biblioteca Antonio Olinto. Um verdadeiro homem do mundo!
Nomeado Adido Cultural em Lagos, Nigéria, pelo governo parlamentarista de 1962, em três anos de atividade, fez cerca de 200 conferências na África Ocidental, promovendo uma grande exposição de pintura brasileira sobre motivos afro-brasileiros e enfronhando-se nos assuntos da nova África independente. Como resultado, escreveu uma trilogia de romances, "A Casa da Água", uma das obras-primas da literatura do Brasil, "O Rei de Keto" e "Trono de Vidro".

Em 1968 foi nomeado Adido Cultural em Londres e passa a participar também das atividades do PEN Internacional. Mora no Reino Unido por quase 37 anos, onde juntamente com sua mulher a escritora e jornalista Zora Seljan, falecida em 2006, fundam o jornal "The Brazilian Gazette".

Recebeu em 1994 o "Prêmio Machado de Assis", por conjunto de obras, da Academia Brasileira de Letras, a mais alta láurea literária do Brasil. Três anos mais tarde, foi eleito para Academia Brasileira de Letras, cadeira nº 8, sucedendo ao escritor Antonio Callado.

Além de poeta, romancista, ensaísta, crítico literário, Antonio é também artista plástico, pinta e faz esculturas. Nas paredes de seu apartamento, cobertas por pelas máscaras africanas, selecionadas em suas muitas e fantásticas viagens, respiramos arte, literatura e nos abastecemos da boa prosa, dos causos que conta com simplicidade, elegância e empolgação. É uma verdadeira biblioteca. Sabe e discute qualquer assunto e sempre com uma argumentação viva e rica.

Ao comemorar 90 anos de vida, merece todos os nossos mais vivos aplausos e todas as nossas maiores e mais sinceras homenagens. Afinal, Antonio Olinto é para ser lembrado e festejado hoje e sempre. Por toda a vida. Toda e qualquer homenagem, por maior que lhe seja prestada, será sempre muito pequenina, diante da grandeza do espetacular escritor que é. Seu nome está gravado, e definitivamente, na História da Literatura do Brasil. E não por ser um imortal, pertencente a tantas academias, mas pela sua própria natureza e, sobretudo, capacidade invulgar de conquistar, de agregar e de ser.




Em Varsóvia, universidade é símbolo de resistência

Paulo Alonso

É verdadeiramente impressionante visitar a Universidade de Varsóvia. Em 1816, o Tsar Alexander I permitiu que as autoridades polacas criassem uma universidade composta pelos departamentos de Direito e Administração, Medicina, Filosofia, Teologia, e Arte e Ciências Humanas. Sua trajetória, ao longo desses quase 200 anos, é marcada por invasões, lutas sangrentas, fechamentos e reestruturação.

Após a maioria dos estudantes e professores universitários terem participado na Revolta de 1830, a universidade foi impedida de funcionar. Depois da Guerra da Criméia, a Rússia entrou em um breve período de liberalização, permitindo a criação da Academia Médico-cirúrgica da universidade. No entanto, em janeiro de 1863, com a Revolta dos Liberais, novamente todas as escolas foram fechadas. Durante sua curta existência, mais de 3000 alunos por ela passaram, constituindo a inteligência polaca. Na realidade, os russos não queriam incentivar o debate de idéias. O czar russo queria difundir o idioma e a cultura russos por toda a parte, sobretudo por que desejava que sua guarnição militar, em Varsóvia, não deixasse de conviver com os seus costumes e realidades. Foi, para tanto, reaberta a universidade e criada a Escola de Língua Russa, obrigando, inclusive, os poloneses a estudarem o idioma. A insatisfação dos polacos cresceu de forma surpreendente e alguns desses alunos se tornaram líderes em Varsóvia. Esse grupo de jovens aderiu às fileiras da Revolução de 1905, objetivando independência.

Durante a I Guerra Mundial, Varsóvia foi capturada pela Alemanha, em 1915. Três anos mais tarde, a Polônia recuperou sua independência e a partir daí a Universidade de Varsóvia começou a crescer rapidamente. A instituição passa por uma grande reforma e o Estado investe, então, em infra-estrutura, laboratórios e biblioteca e moderniza os projetos dos cursos. Muitos professores, que regressavam do exílio na Europa Ocidental, colaboraram para a sua reconstrução.

Em 1930, a Universidade de Varsóvia tinha se tornado a maior universidade da Polônia, com mais de 250 professores e 10 mil alunos. No entanto, os problemas financeiros do recém-renascido Estado não permitiam a educação gratuita e os estudantes tinham de pagar mensalidades. Além disso, o número de bolsas de estudo era muito limitada, e apenas cerca de 3% dos alunos foram capazes de obter uma.

Uma nova onda de agitações marca o destino da universidade. Em 1937, o tema que fervilha no país, nas salas e corredores da instituição é o anti-semitismo. Com o início da II Guerra Mundial, em 1939, a Polônia é invadida e as autoridades alemãs fecham as instituições de ensino superior no país. Todos os equipamentos, livros e maioria dos laboratórios são enviados à Alemanha, enquanto o principal campus da universidade é transformado em um quartel-general. Teorias racistas alemãs pregam que não era necessária uma educação de polacos, já que estariam sob o comando das forças da Alemanha. Entretanto, muitos professores organizaram manifestações secretas e realizavam palestras em apartamentos para que pudessem pensar em caminhos e alternativas para a Polônia invadida. Acontece aí a Revolta de Varsóvia. Pesados combates no campus da universidade são travados e 63 professores morrem. A universidade perdeu 60% de seus edifícios durante os combates em 1944. Até 80% das coleções (incluindo inestimáveis obras de arte e de livros doados à universidade) foram destruídas. Após a II Guerra Mundial, não era claro se a universidade seria restaurada; se Varsóvia seria reconstruída. Todavia, muitos professores que tinham sobrevivido à guerra retornaram à Polônia e começaram a organizar a universidade, novamente.

Em dezembro de 1945, palestras para quase 4 mil estudantes começavam a ser ministradas nas ruínas do campus. Os edifícios gradativamente eram reconstruídos e a universidade permanece relativamente independente. Logo as autoridades comunistas da Polônia passaram a impor controles, iniciando o período de estalinismo. Dezenas de professores foram detidos pela Urząd Bezpieczeństwa (polícia secreta) e os livros que escreviam ou indicavam eram censurados. Por outro lado, a educação torna-se gratuita.

Após Władysław Gomułka subir ao poder na Polônia, em 1956, um breve período de liberalização passa a ser verificado, apesar da ideologia comunista ainda desempenhar um papel importante na maioria das faculdades, principalmente nas de História, Direito, Economia e Ciência Política. Foi retomada a cooperação internacional e o nível de escolaridade aumentou, mas logo o governo começou a reprimir a liberdade de pensamento, o que levou à crescente inquietação entre os estudantes e docentes.

Mais uma vez, uma nova campanha pela liberdade, em 1968, fez com que centenas de estudantes promovessem manifestações pelas ruas de Varsóvia. Tais manifestações foram brutalmente esmagadas pela polícia. Um grande número de alunos e professores foram expulsos da universidade. A maioria dos professores de ascendência judaica foram forçados a emigrar, enquanto os líderes do movimento democrático foram condenados a prisão. A universidade, no entanto, permaneceu como centro de liberdade de pensamento e de educação. O que professores não poderiam dizer durante palestras, eles expressavam nas reuniões informais com os seus alunos. Muitos deles tornaram-se líderes e membros do movimento Solidariedade e outras sociedades e associações da oposição democrática.

Do movimento Solidariedade aos dias atuais, a situação do país mudou muito, inclusive passou a integrar o Mercado Comum Europeu. Nas ruas de Varsóvia não mais se encontram vestígios de combates, lutas e guerras, já que a capital foi totalmente reconstruída. E o campus da Universidade de Varsóvia é de uma rara beleza. Os quatro pilares que sustentam o seu prédio principal é fantástico e nos seus porões são encontrados livros, filmes, fotos, jornais da época e muitos objetos que mostram os embates havidos no país e, sobretudo, a forma como os professores se posicionaram frente a tantos atos de barbaridade e de negação à liberdade de pensamento e de expressão.

A universidade é, atualmente, uma referência para toda a Europa e continua sendo o maior celeiro da inteligência polaca. Sua biblioteca reúne cerca de 5,5 milhões de livros, sendo uma das maiores e mais importantes de todo o mundo. O principal campus da Universidade de Varsóvia fica localizado em Krakowskie Przedmiescie e é composto por vários palácios históricos, restaurados, muitos dos quais haviam sido nacionalizados no Século 19. Há também uma nova biblioteca, instalada em um impressionante edifício, com telhado de vidros, jardins, bem como vários campi menores em outros locais da cidade. A Universidade de Varsóvia possui 126 imóveis. Visitar os campi da universidade, conversar com seus funcionários, alunos e professores é, sem dúvida, uma aula de Geopolítica e de História. Não é à toa que o sentimento dos poloneses em relação a Universidade de Varsóvia é de amor e de preservação. Preservação não da História de um país, mas da História Universal Contemporânea.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

publicado dia 24 de novembro.


A universidade sonhada

Paulo Alonso

A educação precisa se tornar efetivamente uma prioridade do Estado Brasileiro. Não pode e nem deve ser encarada como uma política de governo, pois os governos, em razão de possuírem mandatos, têm "prazo de validade". A educação, um bem fundamental, é absolutamente necessária para a ordem, o progresso, o desenvolvimento e a expansão de um país. O Brasil ainda precisa avançar, e em muito, nessa área e nunca é demais lembrar que, se comparado aos vizinhos da América do Sul, o Brasil, com uma população de 187.193.862 milhões, necessita melhorar a taxa de escolarização no Ensino Superior, uma das mais baixas do continente sul-americano. Menos de 12% da população brasileira, de 18 a 24 anos, tem acesso ao Ensino Superior, diferente do que ocorre com os seus vizinhos mais próximos. A nossa taxa é, por exemplo, inferior à da Argentina com 39%; à do Chile, 27%, e à da Bolívia, 23%. O Plano Nacional de Educação (2001/2010) prevê uma taxa de escolarização de 30% da população. O Estado Brasileiro deve continuar a promover políticas efetivas que garantam o acesso de jovens de baixa renda ao Ensino Superior, expandindo não somente as instituições federais, inclusive com a oferta de cursos noturnos, para regiões que careçam de escolas superiores, mas, também, possibilitando o credenciamento de novas instituições privadas.

O ensino não é mercadoria e sabemos ser um bem público. A Constituição prevê, inclusive, a educação como dever do Estado, garantindo também a participação da iniciativa privada, hoje com 2.147 instituições, de um total de 2.404 e atingindo mais de 80% das matrículas universitárias. Ao exercer uma função pública delegada, o setor privado está buscando cada vez mais a qualidade como centro de sua ação. E esse resultado pode ser facilmente comprovado pelas avaliações dos cursos e das instituições privadas promovidas pelo Inep.

No século em que vivemos, é imprescindível expandir a oferta do Ensino Superior, sem prejuízo da qualidade, não somente pela diversificação das modalidades de instituições, como pela diversificação da modalidade de ofertas de vagas. Na Era do Conhecimento em que o mundo vive, cada vez mais as instituições e os indivíduos valerão pelo que fazem com e para a sociedade, com qualidade e eficiência, avaliada, atestada e acreditada pela própria sociedade organizada.

Assim sendo, a universidade deve orientar os resultados de todas as suas ações para o planejamento e o desenvolvimento do conhecimento que não sejam divorciados da necessidade e interesses da população. E para desenvolver-se e projetar-se, cumprindo o seu papel social e político, a universidade precisa manter-se todo o tempo a serviço da sociedade como um dos fatores dinâmicos da vida intelectual e da própria evolução cultural. É a universidade o lugar que se universaliza, se preconiza e se impulsiona a sociedade para o novo, para o mais justo, para uma organização social mais integral. E a universidade é o grande espaço da busca, do aperfeiçoamento e da renovação constante e imprescindível do conhecimento. Daí a razão de se perceber e de se entender que não há desenvolvimento sem educação, que a educação será sempre investimento e jamais custo; e que desenvolvimento deve ser feito necessariamente com justiça e inclusão social.

A universidade, em conseqüência, tem um papel preponderante no cenário histórico de um país, já que é uma instituição que reúne a capacidade de fazer a síntese histórica da sociedade e de provocar os homens para que criem vontades ou energias para a organização social. Dessa forma, educar, atualmente, mais do que acumular habilidade e informações, é aprimorar a consciência, órgão do sentido, e preparar a pessoa para responder sobre seu destino e sobre o sentido de sua vida.

Paulo Alonso é reitor do Grupo Anglo-Americano


Em Hong Kong, uma universidade bilíngüe

Paulo Alonso

Hong Kong é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China, localizada na costa sudeste e possui uma das economias mais liberai do mundo, sendo um grande centro internacional de finanças e comécio. Antiga colônia britânica, é administrada há dez anos pela República Popular da China sob a política "um país, dois sistemas". Algumas curiosidades podem ser obervadas em Hong Kong. O “país” é detentor de direito constitucional autônomo; moeda, alfândega, direitos de negociação de tratados (como tráfego aéreo e permissão de aterragem de aviões) e leis de imigração próprias. Hong Kong mantém até suas próprias regras de trânsito, com toda a frota de automóveis dirigindo no lado esquerdo. Apenas a defesa nacional e as relações diplomáticas são de responsabilidade do governo central, em Pequim.

O que mais chama a atenção em Hong Hong é, certamente, a atenção que a educação recebe dos seus governantes. O sistema universitário chinês é ainda pouco conhecido no mundo ocidental, mas aos poucos vai sendo descoberto, principalmente pelos estudantes estrangeiros interessados em estudar nesse país, sobretudo os canadenses, australianos e ingleses.

Visitar a Universidade Chinesa de Hong Kong é algo verdadeiramente impressionante. Seus objetivos principais são ajudar na preservação, difusão, comunicação e aumento do conhecimento; fornecer cursos regulares de ensino nas diversas áreas do conhecimento e de outros ramos da aprendizagem dentro de um altíssimo padrão de ensino-aprendizagem; estimular o desenvolvimento intelectual e cultural do povo de Hong Kong e, assim, auxiliar na promoção do seu bem-estar econômico e social. Lá, existe um Centro de Língua e Literatura Portuguesa, que atrai dezenas de estudantes do Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Timor Leste, Moçambique, Guiné-Bissau, São Thomé e Príncipe e Goa, na Índia.
Um portfólio de cursos de graduação, sempre oferecidos em tempo integral, é ofertado aos seus quase 22 mil alunos, que estudam Artes, Administração Empresarial, Educação, Educação Física, Engenharias, Medicina, Ciências Sociais e Direito, além de quase duas dezenas de programas de mestrado e de doutorado, vários dos quais ministrados por docentes oriundos dos quatro cantos do mundo.

Desde a sua fundação na década de 60, a universidade adotou o bilingüismo e biculturalismo, como base de seu ensino, dando ênfase à igualdade do inglês e do chinês, privilegiando tanto a cultura oriental, como a ocidental. A maioria do corpo docente é bilíngüe (chinês e inglês) e um percentual expressivo desses docentes já ensinou nas principais universidades de todo o mundo. A Universidade Chinesa de Hong Kong mantém uma estreita associação com várias universidades, fundações e organizações estrangeiras, devido aos convênios interinstitucionais sempre celebrados.

O total de matrículas da universidade, em dezembro de 2007, foi de 21.508 alunos, dos quais 11.222 eram estudantes universitários e 10.386 eram discentes dos cursos de pós-graduação. A instituição abriga 23 institutos de pesquisa.

A área destinada à biblioteca central da universidade é espetacular e fica no centro do campus. Na realidade, está instalada em um prédio de quatro andares. Além da central, outras bibliotecas setoriais são visitadas nos vários campi. Os alunos podem emprestar livros e revistas, a partir de qualquer biblioteca e pesquisar itens no Catálogo On-line de Acesso Público da Biblioteca Central Universitária. Além disso, a Biblioteca Universitária possui uma grande coleção de materiais multimídia, microfilmes, mais de 75 mil títulos de revistas eletrônicas e mais de 630 títulos de bases de dados eletrônicas. Um acervo de livros com um número incalculável de títulos e de exemplares.

Já o Centro de Tecnologia de Informação fornece o que existe de mais moderno em tecnologia. Do registro de cursos, verificando os resultados de reserva de vagas por disciplina, exame clínico e de instalações desportivas e serviços de acesso à biblioteca, tudo pode ser feito com poucos cliques, já que todas as suas dependências estão equipadas com computadores, scanners, remetentes digitais e impressoras a laser. O sistema de wireless está instalado em todos os campi.

Totalmente ajardinada, com chafarizes, luminárias gigantes, sinalizações contemporâneas, museus, alojamentos bem equipados, restaurantes, cantinas, estação de metrô e ônibus circulando por todos os seus campi e gratuitamente para alunos, professores e funcionários, a Universidade Chinesa de Hong Kong é uma instituição simplesmente surpreendente. Tudo funciona e seus alunos adoram estar matriculados nessa instituição, que ostenta e conserva uma qualidade extraordinária em sua infra-estrutura, reúne um elenco de docentes com altíssima qualificação e ainda adota projetos pedagógicos antenados ao que existe de mais atual no mundo moderno. Não é sem razão que a Universidade Chinesa de Hong Hong alcançou a 18ª posição no Top World Universities, no ano passado.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 

Plantas Medicinais e Etnofarmacologia em Discussão

Rodrigo Batista de Almeida*

No último mês de setembro, estudantes e profissionais de diversas áreas, do Brasil e do mundo, encontraram-se em São Paulo para a discussão sobre plantas medicinais e Etnofarmacologia durante o XX Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil (XX SPMB) e X International Congress of Ethnopharmacology (X ICE).

Cabe aqui apresentar a ciência denominada “Etnofarmacologia”. Iniciemos pelo entendimento do seu objeto de estudo, que são os remédios tradicionais. Os remédios tradicionais são preparações desenvolvidas por comunidades tradicionais, geralmente à base de espécies vegetais, mas podendo conter também partes de animais e algumas substâncias minerais.

Por “comunidades tradicionais” entende-se como sendo um grupo de indivíduos que habitam há várias gerações uma mesma região geográfica e possuem modos rústicos de vida. Esses dois fatores associados (permanência por um longo período em uma mesma região e o emprego de tecnologia simples) possibilitam um profundo conhecimento sobre o ecossistema no qual a comunidade está inserida, pois a mesma utiliza a natureza ao seu entorno como fonte de materiais utilizados para a construção das moradias, para a vestimenta, para a alimentação e, como não poderia deixar de ser, para o alívio de suas doenças. Neste sentido, extraem da natureza substâncias úteis do ponto de vista terapêutico e utilizadas no preparo dos chamados “remédios tradicionais”. No Brasil podemos considerar como comunidades tradicionais as diversas etnias indígenas, os quilombolas, os caiçaras, populações ribeirinhas, comunidades de pescadores, entre outras.

A Etnofarmacologia objetiva o levantamento e registro dos preparados tradicionais como passo inicial na obtenção de novos medicamentos. A grande vantagem do método etnofarmacológico é a garantia de encontrar substâncias tanto eficazes quanto seguras, já que foram e são usadas por diversas gerações. E nenhum grupo humano iria utilizar um remédio caso ele fosse ineficaz ou apresentasse toxicidade.

Uma outra vantagem deste método de identificação de novos fármacos em potencial é a garantia da biodisponibilidade conferida pela preparação tradicional, ou seja, que o modo de preparo possibilita que as substâncias ativas presentes no preparado realmente sejam absorvidas em quantidade e tempo adequados para que ocorra o efeito esperado. Este é o “pulo do gato”, haja vista que inúmeras substâncias que possam se mostrar úteis em testes in vitro são completamente destituídas de eficácia (ou podem apresentar até uma toxicidade proibitiva de uso) ao serem administradas em um organismo vivo, com as suas múltiplas nuances bioquímicas, impossíveis de ser reproduzidas em uma metodologia in vitro. De forma adicional, a segurança na utilização das plantas é garantida pela fiel obediência das especificações no modo de preparo destes remédios.

A relação da Etnofarmacologia com as plantas medicinais se dá pela predominância de espécies vegetais contidas nos remédios tradicionais, fato que possibilitou a integração dos dois eventos diferentes, citados anteriormente. O Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil, nos seus quarenta anos de existência, é o principal evento da área no Brasil, pelo qual é divulgado o que e como está sendo investigado sobre o assunto no âmbito nacional. Quanto ao Congresso Internacional de Etnofarmacologia, trata-se do principal encontro da área no âmbito mundial. Parte do sucesso destes dois eventos se deu pela organização, ficando o SPMB sob a responsabilidade do professor Elisaldo Carlini (UNIFESP), uma das maiores autoridades de plantas medicinais do Brasil, e o ICE a cargo da professora Elaine Elisabetsky (UFRGS), uma das etnofarmacólogas de maior relevância em termos mundiais.

A minha participação neste evento serviu tanto para rever velhos conhecidos e colegas que conheci ou convivi ao longo dos treze anos que desenvolvo pequenas colaborações na área em questão, como apresentar parte do trabalho desenvolvido sobre Fitoterapia na Bacia do Paraná III, região em que se situa a unidade de Foz do Iguaçu das Faculdades Anglo-Americano. Este trabalho foi (e está sendo) desenvolvido com o apoio da ITAIPU Binacional, a qual desenvolve desde 2003 o Projeto Plantas Medicinais (inserido do Programa Cultivando Água Boa), congregando diversas instituições públicas e privadas na iniciativa de implementar a Fitoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) nos municípios da região.

A área de plantas medicinais é um dos carros chefes do Curso de Farmácia das FAA, encontrando subsídio na experiência prévia de diversos professores (inclusive da idealizadora e ex-coordenadora do Curso de Farmácia, professora Gisely Lopes, com contribuições científicas relevantes na área, sendo revisora de monografias da Farmacopéia Brasileira) e em projetos como o da ITAIPU, por exemplo.

A partir de 2006, a utilização de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos foi incentivada pela Política Nacional de Plantas Medicinais e Medicamentos Fitoterápicos, constituindo-se em um recurso complementar aos demais agentes terapêuticos. Desta maneira, os estudantes de Farmácia das FAA têm a possibilidade de conhecer uma prática terapêutica de tamanha importância no cenário atual do SUS.

Utilizando o SBPM e ICE como “termômetro”, os trabalhos do Curso de Farmácia, bem como os da ITAIPU Binacional, sinalizam a postura responsável de Foz do Iguaçu e região no que concerne à utilização de espécies vegetais como recursos terapêuticos.

O próximo SPMB ocorrerá na Paraíba e espero poder levar outras boas experiências que iremos desenvolver nestes próximos dois anos.

*Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia, professor de Farmacologia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde das Faculdades Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu, Paraná.

 

 

O pioneirismo de Esther Ferraz

Paulo Alonso

Não é muito fácil escrever sobre uma mulher, uma jurista, uma educadora, uma pessoa tão especial como Esther de Figueiredo Ferraz. Uma pioneira, uma mulher que sempre esteve à frente do seu tempo. Esther deixa uma saudade imensa em todos os que tiveram o raro privilégio de com ela conviver e compartilhar do seu talento incomum, da sua brilhante inteligência, da sua capacidade de fazer amigos, da sua generosidade em servir, da sua simplicidade, da sua fidalguia e, sobretudo, dos seus sábios aconselhamentos. Eu tive esse privilégio e me sinto feliz, por ter não somente a conhecido, mas como ter sido amigo da professora Esther, que, ao morrer recentemente aos 93 anos de idade, deixou numerosos e importantes feitos no cenário jurídico-sócio-político-educacional, ao longo de tantas décadas de dedicação e de construção de um trabalho simplesmente magnífico e, por essa razão, memorável. Suas ações, muitas delas, ficarão guardadas para sempre em minha mente e em meu coração. Sua obra é um legado e sua vida, um exemplo de dignidade e de perseverança.

Estava viajando, quando soube do seu falecimento. Não pude, conseqüentemente, dar o meu adeus e externar minha saudade em seu velório na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, o que lamento profundamente. Nossa amizade era antiga. E os nossos contatos e convivência foram, em determinado momento das nossas vidas, freqüentes. Costumava ir ao seu apartamento à Avenida Franca, em São Paulo, não só para visitá-la, mas, confesso, para também absorver um pouco do seu conhecimento. E conversávamos sobre os destinos do Brasil, sobre a educação em nosso país, sobre o ser humano, sobre normas da educação superior. Conversávamos sobre a vida, enfim. Com ela, aprendi muito, até mesmo a conceber um regimento universitário. E nessas visitas não faltavam, além da atenção extrema, um bom suco de frutas e salgadinhos. Os santos barrocos, o piano de cauda e os óleos sobre tela, assim como as fotos dos familiares e sobrinhos dispostas sobre os móveis, são testemunhas de tantos e tão bons momentos.

E por tudo o que ela representou para o Brasil, o Conselho Universitário da UniverCidade resolveu prestar-lhe uma homenagem, quando completava os seus 90 anos. E coube a mim, no exercício da Reitoria da UniverCidade, entregar-lhe o título de Doutor Honoris Causa, em solenidade realizada em seu apartamento, já que Esther preferiu que essa manifestação de apreço e de reconhecimento não fosse pública. Ela era uma mulher avessa às vaidades, às vitrines. Sua sobrinha Gilda Ferraz lhe fez uma surpresa, convidando amigos e parentes e ainda providenciando um belo coquetel para os que foram até lá prestigiá-la. Do alto dos seus 90 anos, Esther discursou, de improviso, por quase 20 minutos, traçando uma trajetória esplêndida sobre a sua vida pública, demonstrando estar antenada com o que acontecia no mundo e enaltecendo às novas gerações. Um discurso que muito emocionou a todos os que foram saudá-la. Após, Esther me confidenciaria: “quando começamos a ser muito homenageada pode ser um sinal de que estamos na reta final...”

Primeira mulher a ser Ministra de Estado do Brasil, ocupando a pasta da Educação (1982/85, no Governo João Figueiredo), Esther, nesse período, foi à responsável pela regulamentação da Emenda Constitucional Calmon, que estabeleceu os percentuais mínimos de investimentos com recursos da União em educação. Segundo a alteração constitucional, os recursos da União destinados à educação não poderiam ser inferiores a 13% e os de estados, municípios e Distrito Federal não menos do que 25% do que seria arrecadado em impostos. A regulamentação desses percentuais foi o emblema da sua gestão à frente do Ministério da Educação.

Antes de ser nomeada ministra, Esther integrou o então Conselho Federal de Educação, o Conselho Estadual de Educação de São Paulo, ocupou o cargo de Diretora do Ensino Superior do MEC e foi ainda Secretária de Estado da Educação do governo paulista, na gestão do Governador Laudo Natal. Também foi a primeira mulher a integrar o Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, o Instituto dos Advogados de São Paulo e a primeira a prestar concurso público para livre docência da Faculdade de Direito, na Universidade de São Paulo, assim como foi a primeira reitora do país, tendo sido dirigente da Universidade Mackenzie, em duas ocasiões. Ao que parece, a marca do pioneirismo é hereditária, pois sua mãe, em 1907, foi a primeira mulher a formar-se em dentista no Brasil, conforme ela mesma contava. Esther advogou, até aos 89 anos e ainda se dirigia ao seu escritório guiando o seu próprio automóvel. Escreveu mais de uma dezena de obras jurídicas, várias das quais são utilizadas até hoje pelos estudantes de Direito. Membro da Academia Paulista de Letras, cujo patrono é Euclides da Cunha, Esther, em uma das nossas muitas conversas, aconselhou-me: “faça a releitura da obra de Euclides, pois com ele aprendemos nas diversas releituras. Seus livros são essenciais para todos os que querem compreender melhor a vida e os seus ensinamentos são sempre atuais”. Esse conselho me foi dado, no carro quando deixávamos a reitoria da UniverCidade, depois de uma palestra proferida por ela para os alunos de Direito e a caminho do Hospital São José, onde visitaríamos, de surpresa, o ex-presidente Figueiredo, que lá se encontrava internado. Ao encontrarmos o general, foi nítida a felicidade de ambos. De lá, seguimos para o Aeroporto Santos Dumont, de onde ela embarcaria para sua tão querida São Paulo. E eram assim os nossos encontros, que passariam a ser ainda mais rotineiros, quando cursei dois mestrados, em São Paulo, um em Cooperação Internacional e outro, em Educação, Comunicação e Administração. Aos sábados, antes de regressar ao Rio, costumava dar uma passada, mesmo que rapidamente, em sua residência, onde ia buscar carinho, em suas palavras sempre meigas e gentis, e ainda aprendizado.

E é justamente por toda essa convivência fraterna e intensa e é justamente por tudo o que ela representou para o Brasil e para mim, especialmente, que a saudade da professora Esther de Figueiredo Ferraz será sempre muito sentida. Afinal, são raras, muito raras as pessoas realmente especiais como Esther. Adeus!

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

publicado dia 14 de outubro.

 

AUTOMEDICAÇÃO RESPONSÁVEL

Amauri de Andrade Júnior*

“O farmacêutico é um parceiro privilegiado do sistema de saúde, da indústria farmacêutica e do consumidor. Aliás, o farmacêutico é o único profissional formado pela sociedade, que conhece todos os aspectos do medicamento e, portanto, pode dar uma informação privilegiada às pessoas que o procuram, na farmácia”.

Embora o farmacêutico seja citado nessa relação, habitualmente a maneira de saber fazer a auto-medicação não é enfatizada, mas o que é notável é a inclusão do farmacêutico no processo de auto-medicação responsável. Normalmente, o modelo que conduz à auto-medicação inicia-se com a percepção do problema de saúde pelo usuário, onde se apresentam duas opções:

a) não tratar;

b) tratar com remédio caseiro ou auto-medicação com medicamentos.

Na maioria das vezes, o usuário procura uma farmácia. Ela é uma instituição de saúde, de acesso fácil e gratuito, na qual o usuário, muitas vezes, procura, em primeiro lugar, o conselho amigo, desinteressado, mas seguro, do farmacêutico.

Torna-se imprescindível para o farmacêutico ter a noção exata de sua competência e dos limites de sua intervenção no processo saúde-doença, para que assuma a atitude correta, no momento oportuno, avaliando a situação do doente, conduzindo-o, se necessário, a uma consulta médica ou ao hospital, em caso de urgência.

Para que possa desempenhar esta função, o farmacêutico deverá possuir os conhecimentos, em áreas de sua competência, que permitam indicar, desaconselhar, ou informar, em situações de auto-medicação ou sintomatologia simples; aliás, o farmacêutico é o único profissional formado pela sociedade, que conhece todos os aspectos do medicamento e, portanto, ele pode dar uma informação privilegiada às pessoas que o procuram, na farmácia.

Para uma auto-medicação responsável é necessário em primeiro lugar avaliar a situação patológica individual, entrevistando o paciente, com vista à identificação correta da sintomatologia, para o aconselhamento no uso dos medicamentos. Para isso, é necessário saber perguntar, como e quando perguntar.

Em síntese, estabelecer um protocolo de questões, de modo a obter as respostas que nos permitem atuar, de maneira coerente. Na análise de sua intervenção no processo saúde-doença, deve o farmacêutico obter as seguintes informações em relação aos sintomas apresentados pelo paciente: o começo do problema, a duração, a severidade, a descrição, se é aguda ou crônica, se tem sintomas concomitantes, se tem fatores agravantes ou que aliviam, e a presença ou não de tratamentos anteriores.

É evidente que nem todas as situações são passíveis de aconselhamento na auto-medicação responsável.

Entre uma gama diversa de medicamentos, torna-se fundamental averiguar as vantagens ou desvantagens de determinadas formulações, o custo do medicamento e, ainda, detectar eventuais defeitos de fabricação, julgando, nessa análise, a credibilidade do fabricante.

Não podemos esquecer, também, da noção de dose máxima em todas as especialidades farmacêuticas. Uma seleção adequada deve observar estes parâmetros, pois é este conjunto de conhecimentos que deve encabeçar o aconselhamento, que acompanha a dispensação, no balcão de farmácia, dos medicamentos de venda livre.

Um aspecto não menos importante na seleção de medicamentos não prescritos envolve o “perfil do doente”. O farmacêutico deve dedicar uma atenção muito especial às várias situações que, em geral, nos permite dividir os doentes em grupos particularmente sensíveis ao consumo de medicamentos, neste caso, principalmente o aconselhamento em situações de gravidez, aleitamento, pediatria e idosos.

Fatores econômicos, políticos e culturais têm contribuído para o crescimento e a difusão da auto-medicação no mundo, tornando-a um problema de saúde pública, quando não feita de forma responsável. O aconselhamento na seleção e uso de medicamento pelo farmacêutico é de fundamental importância.

Apesar dos cuidados que devem cercar a auto-medicação responsável, ela apresenta os seguintes aspectos positivos:

1) a auto-medicação é mais cômoda para o doente que a receita médica;

2) a auto-medicação é mais barata para o doente e também para o sistema público de saúde;

3) a auto-medicação permite desenvolver situações que, de outra forma, provocaria uma incapacidade do doente ou, pelo menos, um grau muito maior de doenças;

4) se não existisse a auto-medicação, o Sistema Único de Saúde (SUS) ver-se ia completamente bloqueado, em pouco tempo;

5) a auto-medicação estimula as pessoas a terem responsabilidade sobre a sua própria saúde.

Ante estas afirmações, é preciso salientar que a auto-medicação é um direito do consumidor e os profissionais de saúde são prestadores de serviços de saúde, quando solicitados.

Os farmacêuticos têm que ser encorajados a fazer a educação continuada a respeito do assunto. Se nós queremos ver reconhecida a auto-medicação responsável, é bom iniciar, desde a universidade, os alunos de graduação dos cursos da área de saúde, especialmente do curso de Farmácia, para que sejam partícipes desta atividade, de forma a desenvolver a auto-medicação responsável no dia em que estiverem no mercado de trabalho. O objetivo a ser atingido é a desmistificação da auto-medicação.

Amauri de Andrade Júnior é farmacêutico, mestre e doutor em Farmácia Clínica, proprietário da CLINUPAR, empresa de Nutrição Parenteral, professor de Atenção e Assistência Farmacêutica no Curso de Farmácia, professor no Curso de Pós-graduação em Farmacologia para Profissionais de Saúde das Faculdades Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

publicado em 1 de outubro

“Lei Seca” para usuários de medicamentos: como implementá-la?

Rodrigo Batista de Almeida*

O ministro Márcio Fortes encaminhou uma proposta ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), às Camâras Técnicas e ao Comitê de Saúde e Segurança no Trânsito contemplando uma “lei seca” para os usuários de medicamentos que causam algum prejuízo ao dirigir. Defende até um slogan para a campanha: “Se tomar remédio, não dirija!”.

Esta proposta vem em um momento oportuno ao chamar a atenção para uma questão pouco discutida e pouco compreendida na sua totalidade. Não é desconhecida pelos profissionais de saúde a lista de inúmeros fármacos capazes de alterar a atenção ou prejudicar a visão de usuários de medicamentos que os contêm. Estimativas internacionais apontam que 6% das colisões sejam causadas por usuários de medicamentos. Entretanto, no Brasil, não há uma definição para o panorama, mas uma das poucas pesquisas realizadas avaliou que de 662 executivos paulistanos, 73% eram usuários de ansiolíticos e 32% faziam uso de antidepressivos, grupos farmacológicos com forte potencial para causar sedação.

A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) defende que profissionais médicos de todas as especialidades alertem os pacientes sobre o problema no momento da prescrição de medicamentos. Na dúvida, o ideal é espaçar por pelo menos seis horas a ingestão do medicamento do ato de dirigir um veículo. Outra recomendação da entidade é a impressão na embalagem dos medicamentos de avisos sobre precauções para motoristas, como já ocorre em alguns estados norte-americanos.

Como várias entidades, governamentais e não-governamentais, já se declararam favoráveis à proposta, resta definir o modus operandi, para efetivar a boa intenção de tal medida.

Primeiramente, uma profunda discussão sobre o assunto, permeando diferentes setores deve nortear a consulta pública. Na seqüência, a normativa deve ser definida como resolução, portaria ou lei, atentando para a constitucionalidade de tal norma.

A definição de parâmetros técnicos deve ser discutida por profissionais ligados ao medicamento, dentre os quais se destacam o farmacêutico e os profissionais prescritores, médicos e odontólogos.

Entidades, governamentais e não-governamentais, ligados ao trânsito devem participar ativamente desta discussão.

Por fim, campanhas maciças de Educação em Saúde e Trânsito devem ser elaboradas para divulgar a nova “lei seca” e orientar motoristas usuários de medicamentos a fazer o uso responsável deste importante agente terapêutico. O recurso orçamentário poderia vir do Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (Funset), criado em 1998 e composto por 5% do total arrecadado com multas em todo o país, que arrecadou em 2007 o montante de R$ 800 milhões.

Tarefa fácil? Muito pelo contrário... Tentemos imaginar algumas dificuldades para se efetivar tal normativa. Em primeiro lugar, como seria feita a avaliação de um motorista para caracterizá-lo como “incapacitado temporariamente ao ato de dirigir veículos por uso de medicamento potencialmente sedativo ou comprometedor da visão”? O profissional para esta tarefa é o médico, mas encontra-se em número insuficiente para esta atividade. Outro problema é a base diagnóstica. O exame seria apenas clínico, pelos sintomas apresentados pelo condutor ou seria disponibilizada uma investigação analítica do sangue (ou de outro material biológico) para auxiliar o médico no diagnóstico?

O chefe do Departamento de Medicina Preventiva da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) já defende a notificação compulsória de pacientes que fazem uso de medicamentos de tarja preta por psiquiatras, para que suas carteiras de habilitação (CNH) sejam suspensas durante o tratamento.

Querendo colaborar com a discussão, faço aqui a parte de advogado do diabo. Temos alguns problemas. A meu ver, a suspensão temporária da carteira de habilitação seria uma medida extremamente radical, haja vista que um motorista usuário de medicamento sedativo pode conciliar a direção com o medicamento desde que dirija após seis horas da tomada do medicamento. Uma medida como esta é similar a suspender a carteira de habilitação de um indivíduo que irá a uma festa consumir álcool. Ele pode ir à festa de táxi, pedir para um amigo dirigir o carro ou pernoitar no local da festa, garantindo que não esteja alcoolizado ao dirigir.

Por outro lado, não haveria suporte tecnológico suficiente para um banco de dados, alimentado pelos médicos psiquiatras, para ser acessado em tempo hábil por autoridades de trânsito em serviço.

E um outro grande empecilho: o que fazer com os medicamentos “tarja preta” receitados sem a devida notificação, ou dispensados mediante apresentação de receita falsa, ou roubados ou dispensados sem receita médica? E quanto aos outros medicamentos que não apresentam “tarja preta”, mas apresentam grande potencial em causar sedação ou prejudicar a visão? No mercado farmacêutico brasileiro, inúmeros medicamentos potencialmente sedativos, como simples antigripais, são vendidos sem nenhum controle, até mesmo, de forma inadvertida, por comércios não-farmacêuticos, como postos de gasolina, lojas de conveniência e outros estabelecimentos, configurando uma nítida infração.

Percebe-se que a implementação de uma legislação que “controle” condutores usuários de medicamentos é uma tarefa árdua dada a complexidade da questão. Como tarefa de casa fica o aprofundamento da discussão de modo a elaborar estratégias que viabilizem a implementação de tal medida de extrema relevância sanitária.

*Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia, professor de Farmacologia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu, Paraná.

 

Castração Química como Alternativa para Criminosos Sexuais

Rodrigo Batista de Almeida*

Castração é a extirpação ou inutilização dos órgãos reprodutores, acarretando a perda da função dos testículos, no homem, e dos ovários, na mulher. Na Antiguidade era utilizada para impor humilhações a vencidos em guerra e para garantir a origem da prole ao deixar o harém vigiado por um eunuco. Na Veneza dos séculos XVII e XVIII era utilizada para manter a voz de soprano ou de contralto nos castrati, modalidade de cantor muito apreciada na época. No século passado teve o objetivo de “purificar a raça”, tornando vários tipos de criminosos estéreis. Hoje, possui utilização terapêutica no manejo de alguns tipos de câncer testicular ou de próstata ou ainda para a mudança de sexo. De forma controversa, também está sendo aplicada como pena a criminosos sexuais.

A castração pode ser física ou química, consistindo a primeira na retirada dos testículos, de forma irreversível e, a segunda, obtida por administrações de hormônios que diminuam os níveis de testosterona cujos efeitos se mantêm enquanto durar o tratamento.

O estado norte-americano da Califórnia adotou a castração química em 1997 para os sex ofenders, facultando ao condenado por crimes sexuais em liberdade condicional o tratamento de castração por administração intramuscular de acetato de medroxiprogesterona (fármaco do Depo-Provera®). Diversos outros países como Suécia, Itália e Alemanha já possuem dispositivos semelhantes.

A castração química provoca uma diminuição plasmática de testosterona a níveis pré-puberdade, reduzindo a libido, à custa de diversos efeitos colaterais como depressão, desenvolvimento de diabetes, alterações na coagulação sanguínea, perda de massa muscular, etc.

A testosterona é o hormônio tanto ligado à sexualidade como à violência, sendo que a maioria dos homicidas são homens na faixa etária de 15 a 39 anos, período em que os níveis de testosterona são 15 a 20 vezes maiores que nas mulheres. Uma estatística interessante nos crimes sexuais é a redução da reincidência de 75 para 2% dentre aqueles que foram submetidos ao tratamento de castração química. Entretanto, os aspectos biológicos não são os únicos fatores que desencadeiam um ato criminoso. Fatores culturais, educacionais e mesmo psicológicos têm forte influência na prática de crimes sexuais.

Em Santo André, São Paulo, o Ambulatório de Transtornos de Sexualidade da Faculdade de Medicina do ABC criou o serviço ABCSex em 2003 para atender a indivíduos com diagnóstico de pedofilia. O paciente, neste caso, assina um termo de consentimento sobre a realização do procedimento. O responsável pelo serviço, o psiquiatra Danilo Baltieri, tem um forte argumento: “Ou faço isso ou eles farão sexo com crianças”.

Em 2002, o deputado Wigberto Tartuce (PPB-DF) apresentou o projeto de lei n. 7.021 propondo a fixação da pena de castração química para os crimes de estupro e atentado violento ao pudor. Muito criticado, este projeto apresentava várias imperfeições. Em primeiro lugar, não definia o fármaco nem o regime posológico a ser utilizado. Em segundo, previa a pena de forma imposta e não facultada, como ocorre na Lei da Califórnia, contrariando a doutrina nacional, a qual considera cruel qualquer pena que atinja o corpo do condenado.

No meu ponto de vista, este projeto serviu como pontapé inicial para uma discussão mais aprofundada, de modo a aparar as arestas e construir um projeto mais específico e constitucional. Um ponto importante a ser garantido é dar opção ao apenado em ser tratado como doente ou como criminoso.

Uma alternativa que respeitaria os direitos constitucionais do condenado seria transformar a castração química em um benefício com uma redução da pena que poderia variar entre um e dois terços, período em que se submeteria a constantes administrações do hormônio. Uma medida de grande importância é o acompanhamento psicológico, de modo a contribuir com a ressocialização e impedir a reincidência, já que o medicamento apenas reduz os níveis de testosterona, diminuindo a libido, mas não muda a atitude em relação ao comportamento sexual. Ao fim do prazo para a condenação, o criminoso não seria mais submetido ao tratamento, exceto sob requisição expressa e voluntária do próprio apenado, haja vista a Constituição impedir pena de caráter perpétuo.

*Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia, coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde e professor de Farmacologia das Faculdades Anglo-Americano (unidade de Foz do Iguaçu, Paraná).


Fitoterapia: da tradição à ciência

Marcela Kropf¹

Outro dia, estava na obra de uma chácara e reparei o eletricista caminhando pelo terreno. Ao retornar, estava cheio de plantas em mãos. Perguntei para o que era e ouvi a resposta: é remédio. Então perguntei: para que serve? Ele respondeu: não sei, a mãe diz que é bom e eu tomo... é bom para o coração.

Provavelmente, você já ouviu alguém indicar chás e preparados com plantas para a cura de alguma doença e, sem dúvida, muitos já devem ter feito uso das receitas de avós, curandeiros, pajés, rezadeiras, dentre tantas outras figuras sábias e místicas que configuram o conhecimento denominado tradicional.

Na verdade, esses personagens trazem na bagagem uma mistura de conhecimentos passados de geração a geração há milênios. O fato é que em toda a história, o homem luta entre a saúde e a doença procurando meios efetivos para a cura, sendo que a utilização das plantas como medicamento provavelmente seja tão antiga quanto o aparecimento da espécie humana.

Atualmente, verificam-se diversas opiniões acerca do tema. Alguns acreditam que as plantas medicinais sejam um recurso mais barato, entretanto, menos eficiente que fármacos sintéticos. Outros pensam que correm menor risco de ter efeitos colaterais no uso de plantas medicinais, pensamento derivado do naturalismo.

Para dirimir essas dúvidas, dois conceitos são importantes: planta medicinal é aquela que administrada de alguma forma e por qualquer via, ao homem ou animal, exerce sobre eles uma ação farmacológica qualquer e, Fitoterapia é o tratamento das doenças, alterações orgânicas, por meio de drogas vegetais secas ou partes vegetais recém colhidas e seus extratos naturais.

Voltando ao tempo, vamos encontrar uma infinidade de povos que utilizavam plantas medicinais como terapêutica. Até o começo do século passado, as plantas medicinais eram o principal recurso para a produção de medicamentos e tratamento de enfermidades. O registro de uso é de 3000 anos a.C. entre chineses, egípcios, babilônios, persas, indianos, dentre outros povos antigos.

O primeiro grande médico conhecedor de plantas foi o grego Dioscórides que escreveu o tratado “De Matéria Medica” em que descreve a origem, características e usos de mais de 500 drogas vegetais. Nesta época, prevalecia a crença de que as plantas haviam sido criadas por Deus para servir ao homem e, desta maneira, as plantas poderiam apresentar sinais que indicavam suas “virtudes”, Assim, plantas que apresentassem forma de coração seriam úteis para doenças cardíacas. Os antigos também tinham o hábito de observar o comportamento de animais após a ingestão de plantas para descobrir os potenciais efeitos medicinais.

Um grande avanço na terapia foi dado por Paracelso quando começou a praticar a extração de substâncias no século XVI, denominando de Quinta Essentia, o poder curativo das plantas. Esse foi o primeiro passo para reconhecer que as propriedades medicinais das plantas eram devidas a princípios ativos, contidos no interior dos órgãos vegetais. Cada substância isolada presente entre os princípios ativos, com a sua estrutura claramente definida, constitui um fármaco.

Com o aprofundamento dos estudos de química, inicia-se a etapa de extração dos princípios ativos. O primeiro fármaco obtido de plantas foi a morfina, isolada em 1816. No século XX, os grandes laboratórios passaram a produzir medicamentos sob a forma sintética, a um custo menor do que se conseguia com o seu isolamento dos tecidos vegetais. Com todo esse progresso conseguiu-se o estágio atual de exploração das plantas medicinais na medicina alopática, que prevalece nos centros mais desenvolvidos do mundo e que movimenta o maior volume de recursos financeiros. Calcula-se que no ano 2000 os produtos a base de plantas medicinais movimentaram cerca de 30 bilhões de dólares (ENGELKE, 2003).

A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 80% da população mundial depende de plantas para o cuidado com a saúde, e 85% da medicina tradicional envolvem o uso de plantas medicinais, seus extratos vegetais e seus princípios ativos (IUCN 1993). Estima-se que o mercado atual de medicina tradicional movimenta 60 milhões de dólares nos EUA (OMS 2002).

A expansão da Fitoterapia pode ser atribuída a diversos fatores tais como aos efeitos adversos de fármacos sintéticos, um avanço no conhecimento científico do efeito, preparo, cultivo e administração e pelo menor custo se comparado com os fármacos sintéticos.

Apesar da eficácia da Fitoterapia é preciso ter cuidado com a afirmativa: "Se bem não fizer, mal também não fará." Sabemos que tanto fármacos sintéticos quanto plantas medicinais devem ter seu uso baseado em prescrição adequada de acordo com critérios bem definidos para se chegar ao efeito desejado e não causar intoxicações. Esses critérios se referem desde o cultivo orgânico da planta, de fontes idôneas, da correta identificação botânica, do diagnóstico preciso da doença e de uma adequada preparação.

A farmacopéia popular brasileira é muito diversa, resultado de uma miscigenação cultural envolvendo africanos, europeus e indígenas, com introdução de espécies exóticas pelos colonizadores e escravos. Além disso, o país possui a maior diversidade vegetal do planeta, aproximadamente 55 mil espécies de plantas superiores, muitas ainda não identificadas. Portanto, o uso de fitoterápicos tem ressurgido como uma opção medicamentosa bem aceita e acessível, e no caso do Brasil é adequada para as necessidades locais de centenas de municípios no atendimento primário à saúde.

A inserção da Fitoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS) é regulamentada pela portaria nº 971 e, desde junho de 2008, Foz do Iguaçu conta com o atendimento fitoterápico especializado no Programa de Saúde da Família (PSF). O agendamento pode ser marcado por telefone no posto Ouro Verde a partir de encaminhamento do profissional de saúde e o atendimento realizado aos sábados no período da manhã no Centro Especializado de Medicina.

A Faculdade Anglo-Americano é parceira do Projeto Plantas Medicinais do Programa Cultivando Água Boa da ITAIPU Binacional que visa à promoção da Fitoterapia no SUS nos municípios da Bacia do Paraná III.

O uso de plantas medicinais é um exemplo claro como variados tipos de conhecimento (tradicional e científico) podem se unir para a melhoria da qualidade de vida da população.


ENGELKE, F. 2003. Fitoterápicos e Legislação. Jornal Brasileiro de Fitomedicina 1(1): 10-15.

IUCN 1993. Guidelines on the conservation of medicinal plants. IUCN, WHO and WWF, Gland, Switzerland.

Organização Mundial de Saúde (OMS). 2002. Estrategia de la OMS sobre medicina tradicional 2002-2005.

¹Marcela Stuker Kropf é bióloga, mestre em Botânica, professora de Fisiologia Vegetal, Farmacobotânica, Imunologia, Parasitologia e Micologia nos cursos de Ciências Biológicas e Farmácia e professora do Curso de Pós-Graduação em Análise Ambiental da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

Medicamentos e Política!?

Rodrigo Batista de Almeida

Um dos meus passatempos mais prazerosos e que me rende uma boa parcela de gargalhadas quase convulsivas é assistir à transmissão do horário eleitoral gratuito. E se a transmissão é obrigatória, obrigo-me a espiar a grande vitrine das pérolas do nosso povo, reflexo mais genuíno do nosso singelo modo de viver.

Perdoem-me os candidatos a prefeito, mas o meu gosto é um tanto quanto vulgar, pouco elitizado, de modo que a parte que eu realmente gosto é a exposição dos candidatos a vereador. E como a nossa tríplice fronteira está diversamente bem representada...!

Fenômeno quase nacional, figura batida em toda campanha é o nosso amigo da Farmácia. É o “Fulano” da Farmácia, o “Sicrano” da Farmácia e por aí vai. Foz do Iguaçu, apesar das suas características bem peculiares, não fugiria à regra e, também, oferece o seu candidato que se identifica em alusão à Farmácia, provavelmente por ter labutado toda a sua vida neste tipo de instituição.

Risadas à parte, preocupações pulsantes. De todos os candidatos cuja exposição tenho acompanhado no horário gratuito, nenhum esboça, mesmo que rapidamente pelos poucos e preciosos segundos destinados, um ponto fundamental na organização do sistema de saúde pública em todos os municípios do Brasil que é a questão da Assistência Farmacêutica. Nem mesmo o “Fulano” da Farmácia... No máximo, vem a dobradinha “saúde e educação”, que de tão batida, perde muito do seu significado quando não vem alicerçada em sérias propostas que definam as linhas de cada candidato.

O Brasil, como um todo, possui uma desigualdade no quesito medicamentos, sendo que cerca de dois terços da população não têm acesso regular a medicamentos essenciais. E isso é assustador! Por outro lado, faltam farmacêuticos na estrutura das secretarias municipais de saúde para gerir todo o ciclo de Assistência Farmacêutica, desde a aquisição destes produtos até a organização da prescrição e dispensação. No mais das vezes, este profissional, enquanto servidor público municipal, desempenha funções junto à Vigilância Sanitária ou em laboratório de análises clínicas. Por outro lado, o segundo fator que, infeliz, mas fatalmente, colabora de forma decisiva para o não acesso a medicamentos é o alto custo deste produto, responsável por parcelas consideráveis do orçamento de um sistema de saúde.

Caso essa realidade sanitária não seja conhecida por nossos egrégios candidatos, nenhuma proposta de ação mais robusta poderá ser delineada e o ciclo (vicioso) da Assistência Farmacêutica continuará.

Mas a preocupação é um tanto quanto mais séria no sentido de se indagar: “Isso dá voto?” “Será que a promessa, digo, proposta, de um hospital, de uma escola, de um viaduto, não impressiona com muito mais propriedade que a simples garantia de medicamentos para as patologias prevalentes em um município?”

Fica a dica sobre um dos temas mais relevantes para sabatinar os candidatos, tanto a vereador como a prefeito. Deixo até um roteiro simples de perguntas:

1) Como se apresenta o panorama de acesso (ou falta de acesso) de medicamentos no seu município?

2) Como está organizada a Assistência Farmacêutica no seu município?

3) Quais as estratégias você apresenta para garantir o acesso regular da população a medicamentos essenciais?

4) Qual a viabilidade de se incorporar farmacêuticos destinados à Assistência Farmacêutica?

Respostas nulas ou evasivas servem de alerta para identificar um candidato não comprometido com a Saúde Pública, de modo que as suas propostas, caso vinguem, certamente traduzir-se-ão em ações pouco resolutivas e ineficientes ou irresponsáveis e inviabilizadas do ponto de vista orçamentário. Embora o horário eleitoral gratuito seja muito divertido, não vai ser nada engraçado perpetuar os problemas de falta de acesso a medicamentos essenciais.

Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia, professor de Farmacologia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu, Paraná.


Ensino e formação superior – a quem interessa este tema?

Psic. Lisbeth S. Souza Paganotto

A fim de responder a esta pergunta entre outras, a ABEP- Associação Brasileira de Ensino de Psicologia, surge em 1998 como resultado da deliberação do Fórum Nacional das Entidades de Psicologia ocorrido em Ribeirão Preto-SP, fruto de várias discussões nacionais da categoria, emanadas da preocupação pertinente com a formação de um profissional que, a cada dia mais, tem diante de si desafios crescentes.

Em 1999, a ABEP então é criada estatutariamente, nascendo não como uma proposta de legislar, mas de funcionar como interlocutora de discussões sobre o Ensino de qualidade em Psicologia e sobre as novas exigências na formação, oportunizando um espaço para congregar e disponibilizar informações a quem precise. Desde a sua criação a ABEP tem efetuado uma série de esforços a fim de buscar respostas a uma série de questões que tem surgido face a esta nova “construção da formação em Psicologia”.

“A Associação Brasileira de Ensino de Psicologia (ABEP) é uma entidade de âmbito nacional, que tem a sua natureza institucional voltada para a reflexão, o desenvolvimento e o aprimoramento da formação em Psicologia no Brasil. A ABEP compreende que a formação em Psicologia deve estar comprometida com a realidade social do país vinculado à ética e ao exercício da cidadania... Desta forma, a ABEP reflete o desejo de todos os segmentos da Psicologia Brasileira, constituindo-se em um espaço que estava descoberto na interseção entre o exercício profissional e as entidades científicas.” O que é ABEP? Dados da ABEP. Disponível em http://www.abepsi.org.br/web/oquee.aspx, acessado em 10/08/08.


Ensino e formação, diz respeito a todos nós: professores, acadêmicos, coordenadores, instituição, sociedade.

O coletivo da categoria de Psicólogos tem construído um projeto que, como nos alerta Bock (2005), traz como meta: o compromisso social da categoria com os problemas sociais brasileiros. Isto traz para os Cursos de formação sérias implicações e a necessidade de se abrir espaços que dêem respaldo e possibilitem esta construção.

Pensando desta forma, fiz representar a Faculdade Anglo-Americano, com o apoio da reitoria, no I Encontro da ABEP- PR (Associação Brasileira de Ensino de Psicologia do Paraná), que aconteceu no Departamento de Psicologia da UFPR em Curitiba, nos dias 1º e 02/08/08.

O Encontro foi bastante interessante e produtivo. O diálogo entre os pares, além de revitalizante, é esclarecedor.

Na ocasião discutiu-se questões como: o Ensino de Psicologia em outros cursos, a Implantação das Diretrizes Curriculares, Estágios Curriculares Básicos, Reinserção da Psicologia no Ensino Médio; Estágios básicos e profissionalizantes e Serviços-Escola.

Os acadêmicos presentes ao Encontro manifestaram suas inquietações em relação a identidade do estudante de Psicologia e a do futuro Profissional. O que reforça o que nos disse Duran ( in Conselho Federal de Psicologia,1995) quando salienta que o tema da formação “ocupa um espaço significativo no pensamento profissional e principalmente acadêmico.

Criou-se a partir daí um espaço de intercâmbio e discussão a respeito do tema por meio da constituição de um grupo na Internet, entre outras propostas.

Saio do Encontro com muitas questões esclarecidas e outras tantas a refletir e esclarecer. Passo a fazer parte do Núcleo da ABEP-PR em função de um convite e de interesses em comum, como a consolidação da Psicologia como ciência que tem uma contribuição efetiva para nossos problemas no campo social.

O curso da FAA nasceu sob lema: AD SUMUS, (expressão do latim que quer dizer “estamos presentes”), visando ocupar este espaço, buscando formar profissionais capazes de “estarem presentes” junto a questões sociais relevantes, emergentes, imprescindíveis. Chegando a um território infestado de sofrimento psíquico, do qual a Psicologia esteve distante tanto tempo.

Na militância que ora inicio, ou melhor, que ora oficializo minha participação, escolho como primeiro ato redigir este relatório, a fim de sensibilizar meus leitores e quem sabe ganhar adeptos à importância desta causa, que vai além das paredes de uma faculdade e pretende alcançar a sociedade, o país e principalmente quem precisa.

Participantes do I Encontro ABEP-PR, 1º e 2/08/08, UFPR – Curitiba.

Referências

Bock, A.M.B. (2005). Novo projeto para a profissão no Brasil: contribuições para a formação. Disponível em http://www.abepsi.org.br/web/artigos.aspx#4. Acessado em 10/08/08.

Duran, A. P. (1995) Alguns Dilemas na Formação do Psicólogo: Buscando sugestões para superá-los. In Conselho Federal de Psicologia. Psicólogo brasileiro: práticas emergentes e desafios para a profissão. São Paulo: Casa do Psicólogo.

http://www.abepsi.org.br/web/oquee.aspx. Acessado em 10/08/08.

 

QUÍMICA, FÁRMACOS E SAÚDE

Quando temos uma dor de cabeça, temos a certeza de que tomando uma aspirina provavelmente entre 15 e 30 minutos a dor acabará. E certamente, a menos que tomemos outra aspirina, em poucas horas, a dor voltará.

Neste fato corriqueiro, podemos notar a dinâmica do alívio da dor. Primeiramente, a administração e absorção do fármaco no organismo, em seguida a distribuição deste fármaco pelo corpo, subseqüentemente a interação do fármaco com o receptor no organismo, fato este responsável pela ação farmacológica, e então a eliminação do fármaco do organismo.

E o que a Química tem a ver com isso? A importância da análise dos mecanismos de ação dos fármacos está relacionada com o entendimento das interações químicas e físicas entre o fármaco e o seu alvo na célula (receptor biológico). Por meio de uma análise completa da doença em estudo, pode-se fornecer subsídios tanto para o uso terapêutico de um fármaco assim como para o planejamento de novos agentes terapêuticos.

A Química está presente em praticamente todos os medicamentos modernos. Sem ela, os cientistas não poderiam sintetizar novas moléculas, que curam doenças e fortalecem a saúde humana. Mas a aplicação da Química vai além dos medicamentos. Ela cerca o homem de outros cuidados que prolongam e protegem a vida. Fornecedor de uma quantidade fantástica de produtos básicos para outras indústrias, o setor químico também desenvolveu matérias-primas específicas para a Medicina. Válvulas cardíacas, próteses anatômicas, seringas descartáveis, luvas cirúrgicas, recipientes para soro, tubos flexíveis e atóxicos e embalagens para coleta e armazenamento de sangue são apenas alguns dos exemplos dos produtos de origem química que revolucionaram a Medicina. Hospitais, clínicas, laboratórios, enfermarias e unidades de terapia intensiva têm na Química uma parceira indispensável. Os modernos equipamentos utilizados em cirurgias ou diagnósticos foram fabricados com matérias-primas químicas. Avançados desinfetantes combatem o risco de infecções. Reagentes aceleram o resultado de exames laboratoriais. Na Medicina, mais do que em qualquer outra atividade, fica patente que Química é vida.

Fluoxetina
Entre os antidepressivos mais recentes, destaca-se a fluoxetina. É o princípio ativo do Prozac®, apelidado de "a droga da felicidade". Lançado em 1988, é um dos medicamentos mais vendidos no mundo. Desde seu surgimento, são prescritas cerca de 1.000.000 de receitas médicas por mês para este fármaco; tendo sido usado por mais de 35 milhões de pessoas no mundo! Com toxidade relativamente pequena e efeitos colaterais minimizados, a fluoxetina tem sido escolhida por milhões de pessoas que querem melhorar seu humor e combater a depressão. Como é um fármaco relativamente recente, ainda não se sabe sobre os efeitos de longo prazo. De qualquer forma, muitas pessoas estão consumindo este fármaco diariamente.

Carbonato de lítio
O sal denominado carbonato de lítio (Li2CO3) é uma substância iônica simples. Entretanto, sua ação no corpo humano é complexa e ainda algo misterioso. Muitas vezes chamado simplesmente de "lítio", o carbonato de lítio é considerado o fármaco mais efetivo para o tratamento de um tipo de doença mental denominada transtorno bipolar de humor.

As pessoas que sofrem desta doença tendem a ficar fortemente superativas ou profundamente deprimidas por semanas ou meses a fio. A mania é caracterizada por excitação, elação, superatividade e loquacidade. Por outro lado, a pessoa se sente desanimada durante os períodos de depressão, e tudo parece requerer tremendo esforço. Uma pessoa muito deprimida poderia até tentar suicídio.

Em contraste com outros fármacos que agem no sistema nervoso central, o lítio tem pouco efeito em pessoas normais. A maneira como este agente atua no corpo não é ainda bem conhecida. Sabemos que sinais são transmitidos no sistema nervoso por meio de um processo que depende de um balanço entre os íons de sódio e de potássio. Os íons de lítio, provenientes do carbonato de lítio, podem também afetar o modo como as células nervosas se comunicam. A terapia por lítio ajuda 70% das pessoas tratadas. Ela pode, porém, produzir sérios efeitos colaterais, e deve ser administrada sob rigoroso acompanhamento médico. O lítio representa um dos pontos altos no uso de fármacos para tratamento de doenças mentais. Usado há mais de 20 anos, a terapia por lítio já poupou cerca de quatro bilhões de dólares, com base no custo de tempo de trabalho perdido e no custo de métodos anteriores de tratamento.

Homeopatia e Química
A Homeopatia é um método terapêutico científico que se baseia em leis e princípios específicos. Muitas vezes o público e a comunidade científica não sabem o que é a Homeopatia. Por conseguinte, uns vêem-na como uma ciência mágica ou oculta, e outros como uma intrujice.

Os médicos homeopáticos aceitam que os órgãos e as funções do corpo humano estão sujeitos a uma certa hierarquia. O cérebro é o órgão mais importante e sensível do corpo, enquanto a pele é o menos importante. Por conseguinte, considera-se que um tratamento corre bem quando a doença se afasta dos órgãos importantes e aparece em órgãos que estejam numa posição inferior na escala hierárquica.

Conforme mencionei acima, o tratamento homeopático é realizado pelo uso de medicamentos homeopáticos. Os mesmos provêm dos reinos vegetal, animal e mineral. Por meio do processo da sua potenciação, mesmo o uso de substância tóxicas é possível, sem provocar efeitos secundários. Hoje em dia, mais de 5000 medicamentos são utilizados na Homeopatia e são produzidos com várias potências.

Uma grande percentagem desses medicamentos (80-85%) é de origem vegetal e a matéria-prima utilizada para a sua preparação é a tintura (extrato alcooólico) das ervas de que derivam. Os restantes 15% de medicamentos homeopáticos são de “origem química, inorgânica ou animal” e a matéria-prima utilizada para a sua preparação deve ter um elevado grau de pureza.

Hamenon Martins de Sá é químico e engenheiro químico, professor de diversas disciplinas da área de Química no curso de Farmácia da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.


A inclusão da Ética e do Senso no Estudo da Anatomia Humana

A Anatomia Humana, ciência que estuda a morfologia do corpo humano, analisando nossos órgãos e sistemas, é uma disciplina que gera curiosidade e desperta interesse e reflexões em seus estudantes. É umas das disciplinas básicas estudadas nos cursos da área da saúde.

Estudada com auxílio de aulas práticas, que visam à contextualização da teoria, se utiliza de estruturas sintéticas artificiais para visualização dos órgãos, ou estruturas humanas naturais. Em Anatomia, nomeamos essas estruturas de peças anatômicas.

O estudo da Anatomia Humana inicia a inclusão da ética, do senso de respeito e de vida em sociedade nos futuros profissionais. Essas virtudes são de extrema importância na formação do profissional da saúde.

Nas aulas práticas, os alunos exercitam os relacionamentos e o estudo em grupo. Além disso, as aulas práticas de Anatomia Humana são capazes de despertar reflexões sobre a fragilidade do corpo humano, seus mecanismos e estruturas perfeitas e os benefícios em se ter uma vida saudável.

O senso de respeito pelo ambiente do laboratório também é algo marcado nas aulas expositivas. O convívio com estruturas do corpo humano infunde no aluno responsabilidade na execução de procedimentos e respeito pelo próprio ser humano.

Patrícia Giona é fisioterapeuta, especialista em Acupuntura, professora de Anatomia Humana no curso de Farmácia e de Psicologia da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

 

Fitoterapia pode ser usada na Atenção Básica à Saúde

O uso de plantas medicinais pela população mundial tem sido muito significativo nos últimos tempos. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que cerca de 80% de toda a população fez uso de algum tipo de erva na busca da cura e prevenção de alguma doença.

Uma das vantagens da Fitoterapia é a possibilidade de se utilizar uma única erva para tratar diferentes males ao mesmo tempo. No entanto, é muito importante conhecer cada detalhe da planta a ser utilizada, já que, às vezes, diferentes partes de uma mesma planta servem para tratar diferentes males, além de existirem ervas tóxicas e combinações de ervas que não são aconselhadas.

Outro cuidado que se deve ter é com relação à manipulação dessas ervas em casa. A colheita de plantas medicinais deve ser realizada em local longe de contaminações, tais como rios poluídos, estradas, lixo, locais que contenham excrementos de animais, uso de agrotóxicos, etc. Todas as plantas devem ser lavadas e rasuradas antes do preparo da infusão ou decocção e deve-se ter especial atenção à quantidade que pode ser usada de acordo com a planta e idade da pessoa.

Mesmo com todo o conhecimento popular e, nos dias de hoje, científico, a Fitoterapia não conseguiu manter-se ao lado da medicina oficial e integrar-se a um conceito global de suprimento medicamentoso estabelecido. As razões são tanto por receios da medicina oficial como, parcialmente, pela grande deficiência da qualidade em relação à padronização e à eficácia dos fitofármacos. Por isso foi realizado um grande esforço nos últimos anos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para fechar as lacunas referentes à qualidade dos medicamentos fitoterápicos, que culminou com a publicação da RDC nº 48/2004. De acordo com a RDC 48, só é considerado medicamento fitoterápico aquele que possui segurança e eficácia comprovadas e ainda a padronização dos seus princípios ativos por meio da quantificação de um marcador, ou seja, um princípio ativo ou uma classe de princípios ativos que deverá ser determinada através de análises químicas.

Em relação às posturas pré-concebidas, todas elas apresentam prejuízos potenciais para os pacientes. A resistência absoluta a um fitoterápico com ação comprovada pode privar determinado paciente de uma medicação eficaz. Por outro lado, uma postura de entusiasmo não fundamentado em estudos clínicos controlados pode privar o paciente de um tratamento realmente eficaz em detrimento de um fitoterápico ineficaz e com efeitos adversos. Mesmo uma atitude mais neutra, de descrença com certa benevolência ("não tem efeito, mas não faz mal" ou "é um placebo sem riscos") também pode acarretar prejuízos para o paciente, pois muitos fitoterápicos apresentam importantes efeitos adversos, assim como a possibilidade de interações medicamentosas.

O Brasil também incorporou essa tendência mundial e o Ministério da Saúde recomendou fortemente a implantação do Programa de Fitoterapia na rede pública. Da mesma forma, em 22 de junho de 2006, por decreto presidencial foi lançada a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que é composta de 17 diretrizes que visam estimular a cadeia produtiva e garantir à população o uso seguro e correto das plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos.

Camila Garcia Salvador é farmacêutica-bioquímica, farmacêutica industrial especialista em Controle de Qualidade de Medicamentos, Fitoterápicos e Cosméticos, responsável técnica pela indústria de medicamentos fitoterápicos “Laboratório Yanten”, professora de Estágio Observacional, Farmacognosia e Deontologia e Legislação Farmacêutica no Curso de Farmácia da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

 

O FARMACÊUTICO E SEU PAPEL PROFISSIONAL E SOCIAL

Entre as áreas do conhecimento humano, a Farmácia assume um papel social de relevada importância por ser o campo de pesquisa científica e tecnológica para a produção e controle de medicamentos, dos quais depende, em grande parte, a recuperação da saúde.

Com a fundação das primeiras Faculdades de Farmácia (1839 - 1898), o boticário foi lentamente sendo substituído pelo Farmacêutico. A botica, onde o boticário pesquisava e manipulava fórmulas extemporâneas, originou dois novos tipos de estabelecimentos: a Farmácia e o Laboratório Industrial Farmacêutico.

Até a década de 30, a indústria nacional de medicamentos se fazia presente no cenário brasileiro, sendo que as unidades de produção existentes eram em sua maioria de reduzidas dimensões e tinham uma origem familiar. Esta indústria baseava-se no emprego de matérias-primas de origem vegetal e mineral, apresentando condições adequadas ao suprimento do mercado existente, àquela época bastante reduzida. Embora a produção de medicamentos satisfizesse o mercado, é imperioso ressaltar que isto se deve ao fato de que grande parte da população não tinha acesso aos serviços de saúde.

Entretanto, com o advento da industrialização, com a introdução bastante rápida dos antibióticos e produtos de síntese no campo da terapêutica e com a abertura de nossa economia ao capital estrangeiro, esta indústria nacional emergente foi totalmente absorvida pelos oligopólios internacionais do medicamento.

O rápido processo de desnacionalização pode ser caracterizado como conseqüência direta da rápida evolução tecnológica, da dificuldade de competição frente ao aumento do mercado interno, da ausência de uma indústria química nacional de base e da adoção de políticas econômicas totalmente desvinculadas dos interesses da maioria do povo brasileiro e nitidamente favorecedoras da manutenção da "lucrativa indústria da doença".

Assim, o farmacêutico foi sendo preparado em diversos âmbitos para ser capaz de orientar o paciente e atuar como agente sanitário, de acesso fácil para a população. Por isso, é o profissional que dispensa as prescrições, fornece informação e assessora a respeito do uso correto de medicamentos, como também orienta sobre hábitos alimentares, para garantir a eficácia do tratamento. As funções do farmacêutico, portanto, não se limitam à dispensação, devendo abranger um ato profissional muito mais amplo, em que deve expor todo seu conhecimento especializado. Os cuidados e a dispensação de medicamentos pelos farmacêuticos na atenção primária à saúde são vantajosos para o Estado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os farmacêuticos, em geral, têm a preferência de grande parte da população, quando comparados a outros serviços. Na condição de estabelecimento que integra os sistemas de saúde, a farmácia apresenta inúmeras vantagens: fácil acesso a um profissional de saúde; condições adequadas para participação em campanhas sanitárias (vacinação, por exemplo); redução de gastos com tratamentos, por possibilitar intervenção primária e encaminhamento à assistência médica; aumento na adesão à terapêutica farmacológica prescrita, com conseqüente melhora na qualidade de vida do usuário.

Na farmácia comunitária, a existência ou a possibilidade de acesso a um Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) constitui instrumento de fundamental importância para a melhoria da qualidade das atividades desempenhadas pelos farmacêuticos. Em estudo realizado no Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos (CEBRIM), do Conselho Federal de Farmácia (CFF), os farmacêuticos avaliaram positivamente as informações fornecidas pelo serviço. Dispensar um medicamento envolve orientação ao paciente, para que este o utilize corretamente. Se o paciente cumpre as instruções do prescritor e as orientações do farmacêutico, é muito mais provável que a terapêutica seja eficaz. Ao contrário, se usa mal o medicamento, por desconhecimento ou porque não está bem informado, o tratamento poderá ser ineficaz e até nocivo.

Amauri de Andrade Júnior é engenheiro químico, farmacêutico, mestre e doutor em Farmácia Clínica, proprietário da CLINUPAR, empresa de Nutrição Parenteral, e professor do curso de Farmácia e Pós-Graduação em Farmacologia para Profissionais de Saúde da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

publicado em 21 de maio

 

O Segredo da Juventude

A professora de Cosmetologia do Curso de Farmácia das Faculdades Anglo-Americano - Unidade de Foz do Iguaçu, Andrea Dantas, escreve artigo atualíssimo sobre beleza e, ainda, dá dicas sobre o assunto.

A pele do rosto é um sistema de revestimento muito parecido com o do aparelho digestivo, porém difere das outras estruturas epiteliais pelo fato de ficar continuamente exposta a um ambiente externo agressivo. Vento, poeira, poluição, ar condicionado e, principalmente, radiação solar fazem a "miséria" da nossa pele.

A luz solar é composta por ondas eletromagnéticas com diferentes níveis energéticos, desde o infravermelho, de maior comprimento, até o ultravioleta C, de menor comprimento. Essas radiações penetram de forma diferenciada na pele, interagindo com as células da epiderme e derme e conduzindo aos processos degenerativos, que acabam com a aparência de jovialidade de qualquer pessoa.

Que os sinais da idade são inevitáveis, todos nós sabemos, afinal de contas, com o passar do tempo a pele vai perdendo o colágeno e tornando a formação de rugas inevitável. Sem contar a ação dos radicais livres, que nada mais são do que substâncias instáveis que atingem as membranas celulares provocando a degeneração das células. Eles são produzidos por processos do nosso organismo como a digestão e a respiração.

O motivo do surgimento de manchas e rugas deve-se a alterações decorrentes do envelhecimento intrínseco e extrínseco da pele.

O envelhecimento intrínseco é decorrente do desgaste natural do organismo, causado pelo passar dos anos, sem a interferência de agentes externos e equivale ao envelhecimento de todos os órgãos, inclusive a pele. A aparência é a da pele idosa encontrada na face interna do braço, próxima à axila. É uma pele fina, com pouca elasticidade, mais flácida e apresentando finas rugas, porém sem manchas ou alterações da sua superfície.

O envelhecimento extrínseco, ou fotoenvelhecimento é aquele decorrente do efeito da radiação ultravioleta do sol sobre a pele durante toda a vida. O sol, que propicia momentos de lazer e que dá o bronzeado que aprendemos a considerar como modelo de saúde e beleza, é também o principal responsável pelo envelhecimento cutâneo, pois é a sua ação cumulativa sobre a pele que faz surgir os sinais da pele envelhecida.

A foto acima mostra uma pele bastante envelhecida no dorso da mão e uma pele de aspecto jovem no abdômen. Parece que são peles de pessoas diferentes, mas é a mesma pessoa. Trata-se de uma senhora cujo abdômen esteve sempre protegido do sol pelas roupas. Seus braços, no entanto, sofreram a ação do sol durante o dia a dia, pois sempre usou roupas de mangas curtas. Percebe-se, claramente, que a pele do dorso da mão, que recebeu a exposição solar, tem aspecto bem envelhecido. Isto não acontece com a pele do abdômen, que sempre ficou protegida pela roupa, não sofrendo a ação direta da radiação solar, e mantém características de uma pele bem mais jovem.

Apesar de tantos fatores contribuindo para acelerar o processo de envelhecimento, graças aos recursos oferecidos pela Cosmetologia, atualmente, existem no mercado vários produtos formulados com ativos ricos em propriedades antioxidantes que atenuam as marcas de expressão, retardando assim os sinais da idade.

Os primeiros ativos aplicados em formulações cosméticas com funções rejuvenescedoras foram o alfa/ beta hidroxiácidos e o ácido retinóico que, por possuírem ação esfoliante, causam descamação na pele, afinam a camada córnea, proporcionam brilho e ainda melhoram a tonalidade do rosto. Sem contar, que estes ativos possuem também ação hidratante, clareadora (despigmentante) e estimulantes da produção de colágeno e elastina, elementos fundamentais para dar firmeza, melhorar o tônus e a elasticidade da pele.

Outros dois grandes poderosos antioxidantes usados para neutralizar a ação dos radicais livres são a vitamina C e o matryxil que também clareiam a pele e aceleram a produção de colágeno e elastina..

O DMAE, por exemplo, é uma das substâncias que vem tendo grande destaque nos tratamentos cosméticos e, definitivamente, conquistando os profissionais da área. Naturalmente encontrado em alguns peixes, especialmente o salmão, ele é sintetizado em laboratório e aplicado em fórmulas de produtos para aumentar a firmeza da pele, melhorar o contorno do rosto, busto e bumbum; reduzir as bolsas embaixo dos olhos, a papada e a flacidez em geral, entre outros benefícios.

Entre tantas e constantes novidades, apenas uma coisa não muda: a presença dos filtros solares que são fundamentais para atuar contra os efeitos nocivos do sol na pele.

Na hora de escolher um Fator de Proteção Solar lembrar que:

+ São produtos com a capacidade de proteger a pele contra a queimadura solar, além de prevenir ou minimizar os efeitos maléficos tardios resultantes de exposições repetidas à luz solar, tais como o envelhecimento precoce (fotoenvelhecimento) e o câncer de pele.

Ao comprar um filtro solar, é importante verificar no rótulo:
1) Prova d'água: conferem proteção de até 40 minutos de imersão contínua.
2) Resistente à água: ideal para crianças e quem pratica esportes, permitem a imersão por até seis horas.
3) Proteção contra a radiação UVA e UVB
4) Não comedogênico: não induz a formação de cravos e espinhas
5) Hipoalergênico

É importante saber que
:FPS 2: protege contra 50% da radiação solar
:FPS 4: protege contra 75% da radiação solar
:FPS 8: protege contra 87,5% da radiação solar
:FPS 15: protege contra 93,3% da radiação solar
:FPS 30: protege contra 96,5% da radiação solar
:FPS 64: protege contra aproximadamente 98,6% da radiação solar.

Isto significa que o aumento do FPS não significa um aumento substancial na sua eficácia.

Beleza é uma questão de atitude! Não há mulheres feias - apenas mulheres que não se cuidam ou que não acreditam ser atraentes". Estée Lauder

Andrea Dantas é farmacêutica, especialista em Manipulação de Cosméticos e Cosmecêuticos, mestranda em Fisioterapia Dermato-Funcional, professora do Curso Técnico em Estética, Coordenadora Técnica da Vita Derm – Foz do Iguaçu, chefe do Serviço de Assistência Farmacêutica da Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu e professora de Cosmetologia do Curso de Farmácia da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

publicado dia 07 de maio

 

Ensino Farmacêutico em debate – parte I
Formação Generalista

Contrariando Pio XII, que afirmou certa vez que “a Farmácia é uma profissão muda”, inúmeros farmacêuticos atuantes na docência estiveram reunidos em Brasília na V Conferência Nacional de Educação Farmacêutica ocorrida entre os dias 10 e 12 de abril deste ano. E os farmacêuticos falaram, e muito! Compartilhamos diversas experiências pedagógicas desenvolvidas nas várias IES (instituições de ensino superior) do país entre coordenadores de cursos de Farmácia, representando a grande maioria dos presentes, além de professores, estudantes e outros profissionais ligados à área.

O evento foi enriquecedor por trazer representantes do Ministério da Saúde, Ministério da Educação (MEC), Conselho Federal de Farmácia (CFF), Conselhos Regionais de Farmácia (CRFs) e Associação Brasileira de Ensino Farmacêutico e Bioquímico (ABENFARBIO).

A educação farmacêutica, formal e como profissão de nível superior, teve o seu berço no Brasil no ano de 1832, com a criação da Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia, derivada da “Escola de Cirurgia”, que funcionava no antigo Colégio dos Jesuítas, no Terreiro de Jesus, em Salvador. Em 1839 foi criada a Escola de Farmácia em Ouro Preto, pioneira para o ensino exclusivo da profissão no país. Na seqüência, surge em Porto Alegre a Escola de Farmácia em 1896, célula-mãe da atual Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e, em 1898, em São Paulo.

Os diversos cursos de Farmácia sempre acompanharam a mudança no perfil do profissional farmacêutico, intrinsecamente atrelada aos anseios da comunidade sobre a questão dos medicamentos, além dos outros serviços e produtos produzidos e desenvolvidos pelos farmacêuticos.

No século XX, que abrigou os primeiros cursos de Farmácia no Brasil, a composição dos medicamentos era constituída, basicamente, por uma série de drogas vegetais, além de algumas partes de animais e também poucas substâncias minerais. Outro detalhe importante era a inexistência de produtos industrializados. Nestas condições, cabia ao farmacêutico a função de, por um lado, cuidar do estoque de substâncias para que as mesmas não se deteriorassem, haja vista a origem natural das drogas e o fato de muitas plantas cruzarem o Atlântico em condições nem sempre “sanitárias” e, por outro, preparar as misturas ideais para manipular os medicamentos.

Neste cenário, o início da formação farmacêutica no país trazia uma estrutura curricular que visava desenvolver habilidades e competências em termos de reconhecimento de drogas (era muito comum drogas adulteradas), manutenção das condições propícias de armazenamento e a arte da manipulação.

Embora essas atribuições ainda sejam de competência do profissional farmacêutico, mudanças ocorreram. Com a importância conferida aos agentes microscópicos na etiologia de diversas doenças, bem como o surgimento das novas técnicas de análises clínicas, as quais naturalmente foram incorporadas nas diversas clínicas médicas como auxílio diagnóstico, os cursos viram-se obrigados a se adaptar no sentido de permitir que o farmacêutico aprofundasse o seu conhecimento, também, nas análises clínicas. Novos tempos, novo perfil profissional, novo curso de Farmácia.

As mudanças cristalizaram-se em 1965 com a divisão do Curso de Farmácia em três habilitações: medicamentos, análises clínicas e alimentos. O estudante cursava três, quatro, até cinco anos para obter o grau de farmacêutico e, de forma adicional e opcional, havia três habilitações possíveis, com duração de um ou dois anos, permitindo ao já farmacêutico atuar em análises clínicas, alimentos e indústria de medicamentos e cosméticos.

Sinalizando as novas mudanças na sociedade contemporânea, o MEC instituiu as novas diretrizes curriculares para os cursos de Farmácia em 2002, unificando as três habilitações existentes até então. O curso passou a se chamar somente “Farmácia”, e o egresso, por conseqüência, “farmacêutico”, extinguindo-se os termos farmacêutico-bioquímico ou farmacêutico industrial, embora ainda equivocadamente utilizados. O novo norte da formação farmacêutica é definido pelo conceito do egresso conferido pelas diretrizes curriculares como tendo uma formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, pautada pelo rigor científico e intelectual.

Sendo este o perfil de farmacêutico exigido pela sociedade atual, às IES resta a tarefa de implementar as atuais diretrizes curriculares de forma a “entregar” à comunidade o seu produto “farmacêutico” que seja generalista, humano, crítico e reflexivo, com base no rigor científico e intelectual. Ufa...! Não dá para formar apenas um sujeito generalista, sem ser crítico e reflexivo? Não! Mas e um indivíduo que atue com o mais alto nível técnico, científico e intelectual, mas pouco humano? Não! E um farmacêutico com profundos valores humanos, mas tecnicamente meio ruinzinho? Também não!

Eis aí o desafio de “acertar o ponto” na criação de um curso com uma estrutura curricular, com uma cultura docente e com um aporte institucional que garanta a formação literalmente mais próxima da exigida pelas novas diretrizes curriculares. E não se trata de mera adequação legal, mas, muito mais importante, de uma reorganização das práticas docentes referentes ao ensino farmacêutico que permita que o egresso esteja mais bem preparado para atuar segundo a demanda da própria sociedade.

Alguns farmacêuticos formados “à antiga” são muito desconfiados quando ouvem falar do “farmacêutico generalista”. Termo, este, também inadequado, assim como farmacêutico-bioquímico, farmacêutico industrial, etc. É farmacêutico, e ponto! Mas, sem nos atermos à simples denominação ora vigente ou já em desuso, o mais importante a se analisar é a incredulidade na qualidade apresentada por este novo farmacêutico. Alega-se que é impossível um estudante aprender e apreender em quatro ou cinco anos todos os conceitos, todas as técnicas necessários para atuar de forma competente e responsável nas diversas modalidades de farmácia, na indústria de medicamentos e cosméticos, nas análises clínicas e na área de alimentos.

Da parte dos discentes, certa confusão também é gerada, pois os mesmos, sendo membros da sociedade, trazem consigo os conceitos e classificações desta mesma sociedade. E no imaginário coletivo, o profissional que trabalha em uma farmácia é “farmacêutico”, distinto do “bioquímico”, cujo espaço laboral é um laboratório de análises clínicas.

Outro grande desafio para o “novo” curso de Farmácia é o fato de todos, exatamente todos, os professores hoje atuantes terem sido “formatados” sob outra perspectiva e em uma outra época. Formamos farmacêuticos de caráter generalista, mas somos profissionais habilitados em indústria, ou análises clínicas ou alimentos. Será que o conhecimento e as habilidades dos professores vão ao encontro ou vão de encontro ao conhecimento e às habilidades dos nossos estudantes? Creio que, em muitas IES, a segunda opção seja a mais acertada. E isso cria um abismo grande e perigoso distanciando a prática docente do interesse dos estudantes.

O presidente do CFF, Jaldo de Souza Santos, na abertura do evento apresentou dados muito preocupantes no cenário da educação farmacêutica no país. Dos 190 cursos de Farmácia analisados pelo CFF, num universo de 306 existentes na atualidade, 34 não oferecem a disciplina de Farmacotécnica Homeopática, 29 não apresentam conteúdos relacionados aos alimentos, dois não oferecem a disciplina de Farmacotécnica, além de um curso reduzir as análises clínicas em uma disciplina intitulada “Noções em Análises Clínicas” de somente 120 horas-aula e outro oferecer apenas a disciplina “Tópicos em Análises Clínicas” em meras 72 horas-aula.

Estes dados são assustadores! Você faria um exame de sangue em um laboratório cujo responsável técnico investiu apenas 72 horas-aula na sua formação clínico-analítica? Eu não. O Curso de Farmácia da Faculdade Anglo-Americano (FAA), unidade de Foz do Iguaçu, por exemplo, oferece um total de 660 horas-aula de forma específica na formação dentro do eixo das análises clínicas. Mas tanto o meu egresso quanto o egresso daquela instituição que oferece “Tópicos em Análises Clínicas” será o mesmo, ambos legalmente habilitados a proceder exames de sangue, urina, fezes e outros fluidos biológicos.

Pergunto-me como um curso com essas distorções obteve autorização para funcionar. E mais: como um curso com esta irresponsabilidade junto à sociedade, a qual irá se servir do profissional egresso, obtém o reconhecimento? Estas distorções assustam e destacam a grande missão do MEC para reorientar a concepção da formação generalista dos diversos cursos do país, focada nos cursos com déficits grosseiros em termos de conteúdo.

Na contramão da idéia de que é necessária a limitação de abertura de novos cursos, muito propagada inclusive entre meus pares, defendo uma ampliação significativa de novos cursos, principalmente nas regiões com mais carência pelo profissional farmacêutico. O estado do Paraná está no terceiro lugar no ranking dos estados com mais cursos de Farmácia, totalizando 30, atrás de Minas Gerais com 49 e São Paulo com 82. Mas no outro extremo, temos os estados do Amapá, Piauí e Roraima que possuem apenas um curso cada um, além do Acre, que não possui um único curso de Farmácia.

Precisamos, sim, de novos cursos. Porém estes devem ser criados na fiel obediência às diretrizes curriculares, adequados às realidades regionais e alicerçados na maior responsabilidade da IES e do corpo docente.

O Curso de Farmácia da FAA, ainda novo, com dois anos de funcionamento, mostra-se completo pela variedade dos conteúdos trabalhados, atual por trazer aos estudantes práticas profissionais inovadoras por meio de professores que “trabalham”, exercendo a Farmácia nas mais diversas áreas de atuação e, responsável, pela fiel obediência às diretrizes curriculares nacionais.

Cabe apontar, numa próxima oportunidade, os nossos acertos aqui em Foz do Iguaçu, bem como experiências de grande criatividade e responsabilidade que tive acesso na conferência. De forma resumida, volto de Brasília motivado e satisfeito pela noção de “acerto” que me impregna, baseada na nossa prática docente, na responsabilidade da instituição mantenedora e na atenção às questões atuais e regionais.

Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde, professor de Farmacologia nos cursos de Farmácia e Fisioterapia da Faculdade Anglo-Americano (unidade de Foz do Iguaçu, Paraná)

publicado em 23/04/2008


A POLÊMICA DO USO DE ANIMAIS EM PESQUISAS

Os medicamentos que vemos na prateleira de uma farmácia possuem uma história e um longo período de pesquisa para que possam estar lá nesse momento. A colocação de um novo medicamento no mercado é um trabalho árduo, que exige muitos estudos visando garantir efeitos desejáveis com o mínimo de problemas decorrentes do seu uso.

Mundialmente, a cada ano, diversos medicamentos novos são lançados no mercado, sob as mais variadas fórmulas ou princípios-ativos que visam dar mais uma opção à comunidade médica e à população para o tratamento dos seus problemas de saúde.

Contudo, antes de ser lançado no mercado, todo medicamento passou por numerosos estudos com o objetivo de garantir a máxima eficácia e segurança na sua utilização. Tudo se inicia com a pesquisa básica, na qual ocorre a descoberta do novo composto que se mostra promissor para o combate de determinada doença. O próximo passo é a pesquisa pré-clínica, que busca avaliar os parâmetros de eficácia e segurança dos novos compostos por meio de testes em animais. Se os resultados da pesquisa pré-clínica forem favoráveis, iniciam-se os testes em seres humanos, o que chamamos de pesquisa clínica, os quais realizam estudos em pessoas sadias e, posteriormente, em pacientes, em que se avalia a atividade do novo composto para o combate da doença, assim como sua segurança e possíveis restrições. Somente após todos estes processos, que podem durar anos, o novo composto pode ser registrado com fins de comercialização e estar disponível para o uso pela população.

A utilização de animais em pesquisas de medicamentos (pesquisa pré-clínica) é algo corriqueiro na comunidade científica nacional e internacional. Além do uso destes para pesquisas de medicamentos, ocorrem também para pesquisas de cosméticos e capacitação de alunos e novos pesquisadores em universidades de todo o mundo.

No Brasil, não há dados sobre a quantidade de animais utilizados em pesquisas, porém crê-se que o número aumente ano a ano em decorrência do maior número de Instituições de Ensino Superior e do incremento em pesquisas que o país vem observando. Nos Estados Unidos, país com um dos maiores índices de pesquisas em todo o mundo, utilizam-se anualmente de 17 a 23 milhões de animais, dentre camundongos (Mus musculus), ratos (Rattus rattus), coelhos (Oryctolagus cuniculus), porquinhos-da-índia ou cobaias (Cavia porcellus), e também cães-domésticos (Canis familiaris), gatos-domésticos (Felis catus) e primatas não-humanos. Na União Européia a quantidade atinge os 10 milhões anuais.

A polêmica do uso de animais de experimentação aumenta diariamente em todo o mundo, na qual diversas instituições de proteção animal discutem o assunto e entram em confronto ideológico direto com instituições de pesquisa, universidades, indústrias farmacêuticas e de cosméticos, objetivando o fim da prática por meio do questionamento dos métodos empregados e a utilidade dos dados obtidos, assim como a possibilidade de utilização de métodos alternativos de pesquisa, como meios de cultivo celular, e de ensino, por simulações em programas de computador e utilização de modelos anatômicos para algumas aulas de cirurgia.

Apesar de que em alguns casos a experimentação com animais não tenha previsto problemas dos efeitos colaterais causados por alguns medicamentos em humanos, como no caso da indução de problemas fetais pela administração de talidomida em mulheres em início de gestação, o ponto de vista expressado pelos laboratórios de medicamentos é que houve uma grande contribuição da pesquisa com animais para a busca de novos medicamentos. A utilização destes promoveu um grande avanço para a resolução de centenas de doenças e que sem os quais provavelmente a medicina e a ciência não teriam evoluído tanto no mesmo período de tempo.

Enquanto a comunidade científica não chega a uma conclusão quanto a uma possível proibição da experimentação animal, a recomendação para todos os centros de pesquisa, laboratórios de medicamentos e afins é a minimização do número de animais utilizados em experimentos e que todos os experimentos a serem realizados passem por aprovação em comitês de ética em experimentação animal, que avaliarão a verdadeira importância da implementação de tais pesquisas. Para o ensino em universidades, o recomendável é a utilização de simuladores de computador e outros métodos alternativos que avaliem, com a mesma qualidade, os efeitos que seriam observados pela utilização em animais.

Enfim, expressar opinião sobre o assunto experimentação animal exige muita pesquisa e reflexão e para isso temos que considerar muitos pontos a favor e contra, que estão disponíveis em todos os meios de comunicação. O fato é que assunto é polêmico e envolve diversos setores da sociedade e da economia e provavelmente continuará sendo polêmico por muito tempo.

 

Anderson Carvalho é médico veterinário do Güira-Oga (Centro de Rescate, Rehabilitación y Recria de Fauna Silvestre – Argentina); mestrando em Zootecnia; responsável técnico pelo biotério e professor de Farmacologia Experimental no Curso de Farmácia e de Análise de Recursos Naturais do Curso de Gestão Ambiental da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

publicado em 09 de abril de 2008

 

 

Atrasados para a vida moderna

 

Rodrigo Batista de Almeida

Fui assistir ao filme 10.000 a.C., do diretor Roland Emmerich. Como não poderia contrariar os meus genes, cheguei atrasado ao cinema, perdendo as cenas iniciais, embora isso não tenha comprometido o entendimento do filme, até mesmo porque era mais um espetáculo de efeitos especiais, do que uma trama de histórias paralelas, com alto teor de subjetividade, em que se abrem múltiplos caminhos para o entendimento e conclusão da história. Não que eu não tenha gostado. Pelo contrário, as cenas com os mamutes e tigres dentes-de-sabre me impressionaram muito. Tanto que fiquei pensando em alguns problemas que temos, de forma incisiva, nos dias de hoje, em que diminuímos sobremaneira a nossa qualidade de vida por transtornos de ansiedade dos quais somos vítimas ou por patologias como obesidade, diabetes, hipertensão e infartos do miocárdio.

Há 10.000 anos atrás, as preocupações eram outras, como fugir de mamutes, escapar de um tigre dentes-de-sabre ou conseguir alimentos em quantidade suficiente para toda uma comunidade.

Na escala evolutiva do tempo, 2008 ou 10.000 a.C. não significa muita diferença, já que o projeto de vida neste planeta teve os seus primeiros rabiscos iniciados há quase quatro bilhões de anos, com seres dotados de apenas uma célula. Uma única celulazinha! Seres (um pouco) mais complexos, compostos por agrupamentos de algumas células, vieram há 600 milhões de anos, quando se iniciou uma lenta e incrível diversificação de espécies. A nossa, proprietária do sistema nervoso central mais complexo dentre as 30 milhões de espécies que povoam atualmente o planeta, teve o seu berço há cinco milhões de anos, com o nascimento dos nossos antepassados diretos nas savanas da África. Fica claro, então, que 12 mil anos é um piscar de olhos frente ao tempo estimado de vida por aqui.

Durante toda a evolução da nossa espécie, e das espécies que nos antecederam, desenvolvemos uma capacidade para, tão logo detectemos uma situação de perigo, como se fosse mágica, termos os nossos corpos “formatados” para a luta ou, o que é mais comum, para a fuga, já que não temos condições de lutar em todas as situações, como, por exemplo, com um tigre dentes-de-sabre.

O background de todas essas reações é o Sistema Nervoso Autônomo (SNA) Simpático, o que utiliza noradrenalina como mensageiro químico, embora outros sistemas neuronais de neurotransmissores também possam estar envolvidos. Passados 12 mil anos da época retratada pelo filme, sofremos com um SNA simpático excessivamente atuante. O problema é a descarga de noradrenalina, justificada em resposta a algumas situações, porém de forma equivocada em outras, pela grande intensidade ou duração, de modo que a resposta é proporcionalmente muito maior que o evento que a desencadeou. Muitas destas situações enfrentadas hoje nem de longe lembram àquelas passadas por D’Leh, protagonista do filme, em que, quando menos se espera, está tête-à-tête com um tigre dentes-de sabre. Vivemos várias situações nítidas de inadaptação fisiológica. Mudamos os hábitos de vida e muitas situações do meio onde vivemos, mas ainda temos a mesma formatação fisiológica que há doze mil anos, tempo este que é um instante na história natural.

Claro que há situações que você precisa ter o seu sistema noradrenérgico bem atuante, por trazer um perigo grande, real e iminente. Por exemplo, quando você se depara com um assaltante armado, você instantaneamente é, desculpem-me o neologismo, noradrenalinergizado. Se bem que aqui não seria interessante nem fugir, nem tentar lutar. Mas, nas situações em que você, ou melhor, o seu sistema nervoso autônomo simpático superestima alguns eventos cotidianos considerando-os superperigosos, quando muitos não o são, você desenvolve uma série reações que caracterizam os transtornos da ansiedade, tão prejudiciais, por comprometer a vida afetiva, laboral, escolar, sexual, familiar e financeira do indivíduo. E isso tudo por culpa do tempo em que nos deparávamos, quase que todos os dias, com perigos bem aterrorizantes, muitos dos quais a fuga seria a melhor opção.

Um outro problema atual é a capacidade de acumularmos energia na forma de tecido adiposo. Apesar de a fome ser um problema real em muitas áreas geográficas, inclusive no Brasil, ela é gerada muito mais por problemas políticos e sociais do que pela incapacidade de produzir os alimentos, já que tecnicamente é possível produzir este bem de consumo em quantidade mais que suficiente para alimentar todos os habitantes deste planeta. Há 12 mil anos, além de problemas como disputas territoriais, havia a incapacidade de produzir alimentos em quantidade suficiente, sendo a caça e a coleta indispensáveis para o abastecimento das comunidades. Nesta época, a capacidade de aumentar robustamente as reservas adipócitas conferia uma grande vantagem, no sentido de que o intervalo entre duas refeições poderia levar dias.

A indústria farmacêutica percebe este filão de mercado carente por balas mágicas capazes de resolver o nosso excesso de adipócitos ou a nossa crônica situação de estresse. Entretanto, os medicamentos desenvolvidos, assim como nós, não conseguem resolver problemas que têm raízes no processo maciço e recente de urbanização que tanto influenciam a gênese destes problemas. Trazem-nos efeitos adversos e não resultam em resposta clínica a todos os pacientes que os utilizam. Entretanto, a busca por medicamentos eficazes, desprovidos de reações adversas, ou com reações toleráveis, e que tenham um custo de produção suportável pelos países, é uma proposta factível, em médio prazo, já que uma alteração evolutiva pode levar milhares de anos.

Fico pensando em alguns chavões muito utilizados que remetem aos tempos modernos. Entusiastas comemoram o quase ápice da nossa espécie cultuando o ser humano como o dominador do planeta. Pura balela! Estamos, na verdade, muito mal adaptados ao cenário hodierno. Assim como cheguei atrasado ao filme, creio que estamos atrasados para os dias de hoje. Estamos formatados para viver há 12 mil anos atrás.

 

Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde, professor de Farmacologia nos cursos de Farmácia e Fisioterapia da Faculdade Anglo-Americano (unidade de Foz do Iguaçu, Paraná)

publicado em 09 de abril de 2008

 

 

DENGUE
“O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER.”
VOCÊ É O MAIOR RESPONSÁVEL!


André de Souza Leandro

Publicado em 2 de abril de 2008.

Há quem acredite que os efeitos do aquecimento global só serão percebidos pelas gerações futuras. Grande engano! As doenças transmitidas por mosquitos são um grande exemplo de efeitos percebidos hoje, entre as quais se destaca a dengue.

A ocupação desordenada do ambiente urbano, a poluição pelo do destino inadequado dos resíduos sólidos (lixo) e o desmatamento são citados como alguns fatores determinantes de conseqüências danosas à saúde humana. Mas o principal fator é o que dá origem aos outros: a falta de consciência que leva à falta de compromisso da sociedade, própria do homem que se dá ao luxo de destruir o ambiente que foi feito com perfeição para que ele pudesse viver, e viver bem.

O pior de tudo é que hoje todos sabem o que têm que fazer e insistem em fazer o contrário e a resposta imediata é o aparecimento de doenças que resultam, muitas das vezes, em epidemias, ceifando vidas que certamente seriam preservadas caso houvesse compromisso em fazer aquilo que já se sabe.

A Dengue veio para ficar, e pior, a cada ano vai se agravar caso não haja inversão do modelo de comportamento social hoje observado. A tendência face ao constatado em termos de comportamento da sociedade, que gera o aumento da quantidade de mosquito, que por sua vez se favorece das condições climáticas, somado ao grande número de doentes que existem no mundo, inclusive no Brasil, é que a gravidade da doença venha a aumentar com inevitáveis óbitos por dengue hemorrágica.

Mas há solução, ela é simples e todos já ouviram falar: “basta eliminar água parada ou evitar o acesso do mosquito até à água”.

Apesar de simples, encontramos como principal obstáculo o próprio homem, que contraditoriamente já sabe tudo o que é necessário saber, mas insiste em não fazer. Falta consciência, falta compromisso, falta atitude. Não dependemos do governo para limparmos nossos quintais, dependemos, sim, é de assumirmos nossas responsabilidades e as ações governamentais serem complementares, como devem ser.

Precisamos enxergar nossas responsabilidades social, ambiental, familiar e religiosa, vivermos o “...amar ao próximo como a ti mesmo...” e pararmos de nos queixar e procurar culpados, e iniciarmos agora uma campanha de restauração do planeta e preservação dos seus habitantes, simplesmente começando pela nossa casa, alcançando a nossa rua e nosso bairro. E naturalmente, à medida que cada um faça a sua parte, alcançaremos nossa cidade, estado, país, continente e o mundo.

Comece agora, ou suporte a catástrofe que da mesma forma pode começar pela sua casa e sobre sua família. Basta abrir os olhos e ver. A dengue mata, mas você pode acabar com ela, comece agora pelo seu quintal e nos ambientes onde você permanece.

Faça!

* André de Souza Leandro é médico veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, chefe do Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu – PR, professor de Biologia, Microbiologia e Saúde Pública nos cursos de Ciências Biológicas, Farmácia, Fisioterapia e Gestão Ambiental da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.

 

 

Pero la garantia soy jo


Rodrigo Batista de Almeida
Publicado em 26 de março 2008.

Denúncias feitas pelo presidente da Federación Farmacéutica Venezolana, Edgar Salas, de que a Venezuela sofre pela escassez de 30 a 35% dos medicamentos, além da introdução pelo Ministério da Saúde de fármacos de má qualidade, põem em dúvida o processo de Assistência Farmacêutica levada a cabo no país.

Do lado do governo, Francisco Griffin, diretor do Servicio Autónomo de Elaboraciones Farmacéuticas (SEFAR) do Ministerio de Sanidad y Desarollo Social (MSDS) afirma que o desabastecimento não ultrapassa os 10%, sendo restrito a medicamentos sob proteção patentária e, inclusive, avalia positivamente o desabastecimento, por entendê-lo como fator que acelererará a implantação do Programa de Medicamentos Essenciais na Venezuela, a qual já possui uma lista organizada com cerca de 300 fármacos desde o final de 2002. Mais enfático que Griffin, Stefano Zampa, presidente da Cámara Venezolana de Medicamentos (Caveme), contesta as denúncias, alegando que as cinco mil farmácias do país estão sendo abastecidas normalmente, não havendo escassez de nenhum medicamento.

A academia manifesta-se contrária à postura do governo, pela crítica de Anna Alfieri, catedrática de Farmacologia da Faculdade de Farmácia da Universidade Central da Venezuela (UCV) condenando a criação das Boticas Populares, as quais se caracterizam por pontos de distribuição de medicamentos que diferem de farmácias propriamente ditas por prescindirem do serviço do profissional farmacêutico. Em relação às denúncias da aquisição de medicamentos sem registro sanitário provenientes de países nos quais o controle de qualidade é baixo ou inexistente, Alfieri afirma que a Venezuela já foi reconhecida na região como um país com um dos controles mais rigorosos para o registro de medicamentos, independente de governos ou de tendências políticas.

Segundo dados disponibilizados pelo próprio governo da Venezuela, o país aumentará em 57,7% a aquisição de medicamentos, elevando para 22 unidades de medicamentos utilizadas por habitante neste ano, em comparação às 18 unidades em 2007 e às 14 no ano de 1998.

O Brasil, apesar do longo caminho ainda a ser trilhado rumo a um cenário de acesso universal a medicamentos seguros, eficazes e de qualidade, tem muito a ensinar ao nosso colega latino-americano. Um exemplo muito pertinente é a garantia dos medicamentos necessários para o controle da AIDS a todos os seus portadores, melhorando a qualidade de vida e evitando a ocorrência de infecções oportunistas. Em números, isso significa uma redução de 27,5% na mortalidade e de 80% nas internações hospitalares relacionadas à doença no período compreendido entre os anos de 1996 e 2004, o que implicou em 635 mil internações a menos e redução de custos de saúde de US$ 1,7 bilhão.

O Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, do Ministério da Saúde do Brasil, que garante o acesso universal dos medicamentos anti-retrovirais a 180 mil pessoas, foi considerado um dos mais complexos e de sucesso do mundo pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/AIDS. O fator preponderante que levou ao sucesso brasileiro foi uma forte iniciativa política, combinando financiamento oficial para a produção de medicamentos genéricos e de uma decidida negociação com os grandes laboratórios internacionais para a redução dos preços. Reduções que variaram de 40 a 60% contribuíram para a economia de dezenas de milhões de dólares aos cofres públicos, garantindo a continuidade no acesso aos anti-retrovirais.

Com um enredo composto por vários episódios polêmicos, o caso de maior repercussão ocorreu no ano passado, quando o governo brasileiro foi pioneiro na América Latina ao declarar o fármaco efavirenz, sob proteção patentária pela indústria farmacêutica Merck, de interesse público, diante do fracasso das novas negociações para a redução no preço do produto. Declarar um produto como de interesse público é o primeiro passo para o licenciamento compulsório de patente, conhecido popularmente como “quebra de patente”. A estratégia funcionou, tendo o laboratório reduzido o preço praticado.

Nem sempre dá certo. A Tailândia, por exemplo, recebeu fortes retaliações por parte do laboratório Abbott pela emissão de licença compulsória do medicamento Kaletra (lopinavir/ ritonavir), fato que marcou o dia 26 de abril como o “Dia Internacional de Ação contra Abbott”.

Já pelo lado da Venezuela, o nosso amigo Hugo Chávez mete os pés pelas mãos ao criar as falsas farmácias, las Boticas Populares, nas quais não há o profissional farmacêutico coordenando tecnicamente a aquisição, armazenamento e dispensação de medicamentos. Não basta a rebeldia política, mesmo bem intencionada, se não vier acompanhada de estratégias responsáveis e racionais que garantam uma Assistência Farmacêutica de qualidade. Neste sentido, o Brasil foi ousado, porém lúcido nas suas negociações, ao contrário, infelizmente, da Venezuela de Chávez, leviana e amadora.

Problemas relacionados a medicamentos, tanto pela falta de qualidade de alguns deles quanto pela subversão do conceito de farmácia pela criação das Boticas Populares, certamente vitimarão cidadãos venezuelanos. Cabe a instituições ligadas à saúde (hospitais, clínicas, universidades, etc.) o papel de registrar e documentar todos os casos de problemas relacionados a medicamentos para que, de posse de informações precisas, Hugo Chávez possa reorientar as suas políticas públicas e seus programas de saúde. Isso se ele tiver a capacidade de reconhecer a relevância dos dados levantados e responsabilidade sobre o povo venezuelano.

* Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde da Faculdade Anglo-Americano (unidade de Foz do Iguaçu, Paraná).

 

 

MATEMÁTICA PARA FARMACÊUTICOS. COMO? E POR QUE SIM!?

Laura Sella*

Podemos dizer que a Matemática é a ciência que une a clareza do raciocínio e a síntese da linguagem. Seu grande desafio na atual sociedade do conhecimento está em preparar os educandos para serem sujeitos do processo, no qual a combinação de um espírito combativo, com uma personalidade harmoniosa e capacidades cognitivas é um capital extraordinário, num mundo onde se exige cada vez mais criatividade e capacidade de inovar. Não bastando a capacidade de cálculo, é preciso entender e comunicar os resultados. Nesse sentido busca-se a atenção dos acadêmicos do curso de Farmácia para a importância da disciplina de Matemática Aplicada na futura profissão.

O grande objetivo da disciplina é oportunizar situações que desenvolvam a capacidade de cálculos aplicados à Farmácia, desenvolvendo o raciocínio lógico, a interpretação e a capacidade de resolver problemas que envolvem, entre eles, dosagem de medicamentos.

Cálculos como de gotejamento, concentração de soluções e administração de medicamentos, são cálculos imprescindíveis e corriqueiros no cotidiano de vários segmentos da Farmácia. Para se ter uma idéia da importância e aplicação que a matemática representa para os farmacêuticos basta refletir sobre os efeitos que uma dosagem errada poderá causar. Varia desde o comprometimento do tratamento até danos muito mais sérios à saúde, incluindo a letalidade dos usuários.

O conhecimento matemático está cada vez mais notável das séries iniciais à faculdade, seguindo inclusive as diretrizes e orientações do MEC nas mais diversas áreas do conhecimento. É muito utilizada nos cursos das ciências exatas, e aplicada nas ciências naturais, humanas e da saúde. Costuma-se dizer que a Matemática nada mais é do que o refinamento do raciocínio da vida diária.

Mesmo sendo uma ciência muito utilizada é comum no mundo acadêmico ouvirmos comentários sobre as dificuldades de aprendizagem que a disciplina apresenta. Contudo esse não pode ser motivo para deixá-la de lado, pelo contrário, é um incentivo a mais para inovar e investir em novas metodologias com o intuito de melhorar o aproveitamento e desenvolver as habilidades matemáticas fundamentais para o exercício profissional.

Para qualquer especificidade acadêmica, defende-se a importância de se trabalhar por uma educação matemática que contemple o desenvolvimento de exemplos aplicados a cada área do conhecimento, e não apenas um roteiro tecnicista único, com exemplos generalizados para todos os cursos. A adoção desta metodologia aplicada facilitará a compreensão da linguagem matemática, ganhará a atenção e o envolvimento dos acadêmicos, mesmo nos cursos que não tenham grande afinidade com a área das exatas, pois, sentir-se-ão atraídos, mesmo que pela necessidade de aprender, visualizando as aplicabilidades futuras.

Devido às profundas modificações no mundo do trabalho, exigem-se inovações maiores que em décadas passadas. Por isso, têm-se promulgado mudanças nos métodos de ensinar Matemática. Advoga-se uma maior ênfase na análise de dados e uma diminuição do rigor matemático. Contudo, nas ciências farmacêuticas, nas quais é pesado e medido o volume dos componentes solicitados em uma prescrição para manipulação e preparo de fórmulas farmacêuticas, a exatidão nas medidas é uma habilidade fundamental.

Aos profissionais farmacêuticos cabe a interpretação correta das mensagens prescritas na realização de um trabalho de elevada técnica, que inclui cálculos precisos, bem como, ética e coerência nas ações dando uma assistência segura que todo ser humano merece.

*Laura Sella é graduada em Matemática, mestre em Educação e professora de Matemática e Estatística da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu.


Medicina Tradicional Chinesa e Acupuntura Estética  

Amauri de Andrade

A Medicina Tradicional Chinesa (doravante designada MTC) é muito mais do que uma prática médica. Consideramos aqui a palavra médica dentro do conceito ocidental que significa "arte ou ciência de evitar, curar ou atenuar as doenças (segundo o dicionário Aurélio)". Também dizemos que a MTC é um conjunto de recursos terapêuticos, mas não a define bem. Na verdade o seu conceito é muito mais amplo. Quando entramos em contato com a MTC, ela se mostra como um caminho de tratamento, mas logo em seguida percebemos que para se tratar a doença precisamos desenvolver o nosso auto-conhecimento e finalmente percebemos que a MTC é um caminho de transformação e uma opção de vida.

Na realidade, quando estudamos profundamente a MTC percebemos que suas raízes encontram-se fundamentadas no "Livro das Mutações" ( I Ching ). Este influenciou a ciência, a filosofia, a arte e toda a sabedoria do povo chinês. O I Ching é uma ciência numerológica, em que se classificam todos os eventos nos 64 hexagramas. Também é muito utilizado como um oráculo de sabedoria. Influenciou o confucionismo, o taoísmo e o budismo na China.

Como podemos observar a MTC está baseada em princípios filosóficos, na observação dos fenômenos da natureza e sua influência energética no ser humano e em suas relações internas e externas, na astrologia chinesa, na compreensão do princípio único ( Tao ) e sua dualidade energética ( Yin e Yang ).

O objetivo das práticas terapêuticas baseadas na MTC é compreender os fatores que propiciaram ao indivíduo o seu desequilíbrio energético e tentar estabelecer a fluidez energética obtendo o equilíbrio. Para tanto, o seu diagnóstico (mais corretamente, avaliação energética) procura estabelecer relações do seu comportamento, alimentação, analisa odores, transpiração, pulso, língua, condições da natureza às quais o paciente esteve exposto, entre outras coisas para determinar qual é o princípio de tratamento a ser realizado.

Este tratamento energético pode ser obtido através de diversas práticas terapêuticas orientais:

Acupuntura: técnica de inserir agulhas finíssimas em pontos específicos dos meridianos com o objetivo de restabelecer o fluxo natural de energia (doravante denominada tchi ). A acupuntura pode ser dividida em sistêmica (aquela que utiliza agulhas no corpo inteiro), auriculoacupuntura (utiliza o pavilhão auricular com agulhas, sementes, esferas e magnetos), Koryo Sooji Chim (insere agulhas nas mãos), Colorpuntura (utilização das cores) entre outras técnicas.

Moxabustão: técnica que consiste em aquecer ou queimar os pontos, ativando o fluxo de tchi ; também muito utilizada para expulsar o frio dos canais.

Ventosa: técnica que se utiliza de copos que produzem o vácuo sobre uma determinada região (pressão negativa), promovendo, assim, que o sangue se superficialize, com isto desfaz a estagnação de sangue. Muitas vezes também utilizada para promover a sangria da região.

Massagem: através de toques, pressões e deslizamentos, tem como objetivo ativar o fluxo energético. Há diversos tipos de massagem ( shiatsu , tui-ná , an-ma, seitai, jão tche do entre outras).

Fitoterapia: através da utilização de plantas, propicia a ativação, eliminação e o fortalecimento do tchi .

Tchi Kun : técnica que se utiliza de exercícios, posturas e meditações baseados na respiração; tem como objetivo desenvolver a consciência e o aprimoramento do tchi.

Feng Shui : estudo das moradias, tem como objetivo desde escolher o local onde devemos morar até definir o tipo de construção.

I Ching : técnica cabalística que tende, por meio da sabedoria dos hexagramas e sua interpretação, mostrar as opções do caminho a seguir.

Astrologia Chinesa: por meio das influências das energias no momento (hora, dia, mês e ano do seu nascimento) tenta ajudar na compreensão da sua personalidade e tendências.

Um erro comum no ocidente é acreditar que as práticas terapêuticas orientais são uma maneira apenas de tratamento das doenças. Estas práticas são uma ciência com conceitos próprios diferentes e independentes dos conceitos da medicina ocidental.

HISTÓRICO DA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

Em 1970 na China, arqueologistas descobriram uma tumba antiga da Dinastia Han (206- 220 a .C.) na região de Ma Dui , província Hunan . Dentro da tumba, foi descoberto um tratado médico escrito durante o período da "Guerra entre os Estados" (403- 221 a .C.). O nome deste tratado é "Fórmulas para o tratamento de cinqüenta e duas doenças". Outro tratado fundamental da MTC foi escrito por Zhang Zhong-jing (150-219) o Shang Han Lun (Tratado do Frio Nocivo).

O mais antigo livro de medicina que ainda hoje se mantém em uso é o " HUANG DI NEI JING " (Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo), tendo sido encontrado um exemplar, em escavações arqueológicas, datado de cerca de 500 a .C. Atribui-se sua autoria a HUANG DI (Imperador Amarelo), que é mais um título do que o nome de uma pessoa.

HUANG DI foi um dos três imperadores míticos da China. Os outros dois foram FU SHI , a quem se atribui a criação dos trigramas, a primeira escrita chinesa, e o " YI JING " (ou " I Ching " como é mais conhecido), e SHEN NONG , a quem se atribui o ensino da agricultura. São míticos porque não há registros históricos de sua passagem, apenas a tradição oral. HUANG DI teria sido o unificador da China e reinado de 2.690 A 2.590 a .C, aproximadamente.

O " HUANG DI NEI JING " é dividido em dois volumes: " SOU WEN " e " LING SHU ". O primeiro é referido como sendo o Livro das Patologias e o segundo como o Livro da Acupuntura. Portanto, podemos assegurar uma história escrita de pelo menos 2.500 anos à MTC. Se considerarmos verdadeira sua autoria, poderíamos ampliar isso para 4.500 anos. Hipócrates, chamado o Pai da Medicina (ocidental), viveu por volta de 500 a .C., o que justifica dizermos que o livro que trata de MTC ser a mais antiga obra de medicina (mesmo que oriental) ainda hoje em uso, pois toda a literatura a respeito faz referência ao " NEI JING ".

As escavações arqueológicas revelaram também a utilização de antigas agulhas de pedra, chamadas " bian ", depois substituídas por outras de bambu e espinhas de peixe, até chegar-se às metálicas.

Como foram descobertos os canais de energia ( tchi ) e os pontos pelos quais estes poderiam ser estimulados, ninguém sabe ao certo. Acreditamos que grandes mestres de Tchi Kun visualizaram estes canais e pontos. Da mesma forma que descobriram as propriedades energéticas das plantas.

No início a MTC chegou ao ocidente através das viagens à China por comerciantes e posteriormente pela imigração Chinesa. Mas o grande crescimento da MTC no ocidente se deu ao fato das imigrações orientais para o ocidente e por meio de um diplomata francês " Soulie de Mornat " que se encantou com a prática da acupuntura e tornou-se um estudioso sobre a prática. Quando voltou à França, tornou-se um divulgador desta prática.

No Brasil, a MTC foi trazida principalmente pela imigração japonesa que introduziu aqui o Shiatsu e a Acupuntura, há 100 anos. A fitoterapia chinesa e o tchi kun foi introduzidos posteriormente pela imigração chinesa. Mas estas técnicas só começaram a ser amplamente divulgadas após a criação do Instituto Brasileiro de Chi Kung.

ACUPUNTURA NA MEDICINA ESTÉTICA

Não é de hoje que as mulheres cuidam da pele para conservar a beleza. A prática tem dado tão certo que até os homens já admitem fazer o mesmo. Supermercados, farmácias e lojas de cosméticos estão repletos de opções, que chegam a confundir quem vai às compras em busca de juventude.

O rosto e o pescoço são os maiores alvos de preocupação das mulheres, cuja pele em geral tende a envelhecer mais rapidamente do que a dos homens, por ser mais fina. Com o tempo, acontece uma atrofia da derme, a camada mais profunda da pele, em função de alterações nas fibras do colágeno e na elastina, substância responsável pela saúde das fibras que garantem a elasticidade da pele. A microcirculação sangüínea também tende a diminuir e o tecido passa a não receber tantos nutrientes. A conseqüência são as rugas.

Mas não é só isso. A partir dos 30 anos, as células que colorem a superfície da pele, chamadas de melanócitos, diminuem de 10 a 20% a cada década. Com isso, os melanócitos que ficam se coram mais. Os raios solares nocivos aumentam o número dessas células de maneira errada, causando as manchas senis, outro sinal do envelhecimento cutâneo.

Felizmente, temos hoje um grande número de produtos que podem atenuar os efeitos do tempo sobre a pele, organizando o colágeno e ativando a circulação local. Vitaminas também têm sido muito utilizadas, não só por via oral, mas também topicamente, aumentando a penetração dos ingredientes ativos dos cremes de beleza.

Tradicionalmente reconhecida como especialidade médica no tratamento de dores crônicas, a acupuntura agora está ganhando espaço em outra área: a estética. Cada vez mais mulheres procuram especialistas para tratar celulite, gordura localizada, estrias, acne, rugas de expressão e outros incômodos que fazem toda a diferença na vaidade feminina.

Usar as agulhas da acupuntura em benefício da beleza não é uma técnica nova. Foi descoberta na década de 70 por um médico chinês durante o tratamento de um paciente com paralisia facial. O médico observou que o lado do rosto tratado com as agulhas ficou mais sedoso e mais macio que o lado não tratado. Foi assim que a técnica chinesa mais uma vez ganhou mais adeptos.

Tratamento estético costuma ser sinônimo de sofrimento. Vermelhidão e descamação da pele, impedimento da exposição ao sol, longos períodos de cicatrização e recuperação.

O que pouca gente sabe é que, para evitar o desconforto, existe uma opção eficaz, praticamente indolor e livre de efeitos colaterais. É a acupuntura estética.

Pode soar estranho para quem está acostumado a pensar em acupuntura como tratamento de dores e doenças. Mas o lado estético da técnica, apesar de não muito difundido no Brasil, é utilizado há bastante tempo.
O tratamento, indicado para rugas, flacidez, olheiras, celulites, gordura localizada, manchas e cicatrizes, é feito da mesma maneira que as sessões de acupuntura para doenças. Com agulhas ou com laser , o especialista estimula pontos de energia do corpo que não estão em harmonia. O laser ajuda também na reconstituição de tecidos danificados.
A principal diferença dos tratamentos comuns, além de não necessitar tempo de recuperação, é que a acupuntura considera o paciente como um todo. Os problemas estéticos normalmente têm ligação com o desequilíbrio da energia de órgãos internos.
As rugas, ligadas ao envelhecimento, podem ser sinal de desarmonia dos músculos da face. A acupuntura atua harmonizando essa musculatura, provoca renovação e retorno da elasticidade da pele. E isso sem contar no tratamento de gordura localizada, que pode substituir uma lipoescultura simples.

Menos invasiva que os tratamentos comuns, a acupuntura estética pode não ser tão eficaz. Sabe-se que a acupuntura tem seu limite de ação. Não tira rugas profundas, nem excessos de pele.

Na visão da medicina chinesa, qualquer alteração no organismo humano é vista como um desequilíbrio energético que aumenta a probabilidade de a pessoa desenvolver patologias que variam de dores crônicas à celulite. A acupuntura trata o conjunto do organismo.

Assim sendo deve-se também orientar o paciente sobre como deve limpar sempre o rosto mesmo se ele não usa maquiagem, fazer esfoliação para retirar a camada superficial da pele e acelerar a renovação celular, hidratar sempre a pele para manter a camada natural de proteção e um teor adequado de água na epiderme, cuidar bem do intestino, proteger-se dos raios ultravioleta, certamente os grandes responsáveis pelo envelhecimento cutâneo.

Referências Bibliográficas:

BRODSKY, G . - Do Jardim do Éden à Era de Aquárius – São Paulo: Ground, 6. ed. , 1994. 354 p.
LAO-TZU - Tao Te King - Texto e comentário Richard Wilhelm, Tradução: Margit Martincic - São Paulo: Pensamento, 1978. 206 p.
SUSSMAN, D.J. - Que é a Acupuntura? Cidade: editora? 1971. 272p.
XI WENBU - Tratado de Medicina Chinesa. Tradução: Ysao Yamamura. São Paulo: Roca, 1993. 691p.

Amauri de Andrade Júnior é farmacêutico, mestre e doutor em Farmácia Clínica , proprietário da CLINUPAR, empresa de Nutrição Parenteral, e professor do curso de Farmácia e Pós-Graduação em Farmacologia para Profissionais de Saúde das Faculdades Anglo-Americano, Unidade de Foz do Iguaçu.


 

O que são “medicamentos essenciais”?
Rodrigo Batista de Almeida

Se você tem, já teve ou, quem sabe, terá alguma dessas doenças bem comuns, essas que todo mundo tem, já teve ou terá (hipertensão arterial, diabetes, depressão, infecções bacterianas ou asma, por exemplo), é bom saber o que são os medicamentos essenciais, pois pode precisar deles. Calma, não precisa se assustar! Ninguém vai mexer no seu bolso. Pelo menos não diretamente, já que a conta é paga pelo governo, tanto federal, quanto estadual e municipal também, cada um com a sua parcela de obrigações. Mas afinal de contas, o que são os medicamentos essenciais? Como dizia Jack, o estripador, vamos por partes!

Tudo começou lá nos idos de 1975, com a Organização Mundial de Saúde (OMS), braço da Organização das Nações Unidas (ONU), estabelecendo que alguns medicamentos seriam indispensáveis, portanto essenciais, em um sistema de saúde pública, visando garantir tratamento farmacológico para a maioria das doenças, aquelas mais prevalentes, ou seja, as mais comuns em uma população. Quer dizer que nem todas as patologias são cobertas pelo conceito de medicamentos essenciais? Correto. Mas a idéia não é mesmo cobrir 100% das doenças possíveis e imagináveis em fazer vítimas em um país ou região. Entretanto, a grande vantagem do conceito de medicamentos essenciais, é fornecer subsídios para que um país, um estado ou um município elabore uma lista das doenças mais prevalentes (baseada em dados epidemiológicos, os quais são informações que retratam o perfil das doenças que acometem uma dada população – quais doenças, em qual época, qual o número de portadores, etc.) e, a partir do ranking das doenças, inicie a construção de uma lista com os medicamentos que conseguiriam tratar todos estes males.

Deste modo, fica claro que patologias mais raras, por exemplo, ficarão fora da lista, levando à não inclusão de medicamentos específicos para estas doenças. Mas e os acometidos por essas doenças mais raras, ficarão sem tratamento? Não. Apesar de a idéia da lista de medicamentos essenciais ser a de planejar as ações de aquisição, armazenamento, prescrição e dispensação apenas dos medicamentos que vão tratar a maior parte da população, para os casos que não encontrem o auxílio medicamentoso na lista, é indicado que o sistema possua uma forma alternativa de garantir a aquisição destes produtos, que como serão usados em casos esporádicos, configurando a exceção à regra, não irão desestabilizar a harmonia de um sistema bem planejado de Assistência Farmacêutica.

Como a questão foi levantada pela OMS, ela própria elaborou a sua primeira lista de medicamentos essenciais em 1977, a qual continha cerca de 200 medicamentos e foi indicada para ser utilizada como referência para os países membros criarem as suas próprias listas, baseadas na realidade epidemiológica local. A idéia pegou e na atualidade mais de cem países adotam esta prática.

O Brasil já havia organizado uma listagem com fármacos considerados indispensáveis à população em 1964, denominada Relação Básica e Prioritária de Produtos Biológicos e Materiais para Uso Farmacêutico Humano e Veterinário, tendo sido atualizada em 1972, 1975 (quando recebeu a denominação atual de Rename – Relação Nacional de Medicamentos Essenciais), 1989, 1993, 2000, 2002 e 2006, sua última versão, esta baseada na 14ª Lista-Modelo de Medicamentos Essenciais da OMS, de 2005.

Atualmente a Rename é revista e atualizada pela Comissão Técnica e Multidisciplinar de Atualização da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Comare), sob coordenação do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (DAF), da Secretaria de Ciência e Tecnologia de Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

Assim como cada país deve elencar os medicamentos que julgue ser os mais indispensáveis, utilizando a listagem da OMS apenas como ponto de partida, adequando-a à realidade epidemiológica local, como é o caso do Brasil com a elaboração da Rename, cada estado deve, utilizando agora a Rename como base, criar as suas próprias listas de medicamentos essenciais. Isso é muito lógico e pertinente se você imaginar que doenças que encontram milhares de vítimas no interior da selva amazônica, possam não atingir nem dez casos por ano na região sul do Brasil. Cada doença faz a sua história em uma região geográfica dependendo de diversos fatores, entre os quais se destacam clima, umidade relativa do ar, temperatura média anual, serviços de saneamento básico, hábitos alimentares da população, nível de escolaridade média, condições de moradia, atividades laborais, e por aí vai a enorme fila dos fatores que determinam quais doenças uma população terá o azar de ter que conviver.

Na mesma linha de raciocínio, é inadmissível que todos os municípios de um estado utilizem a mesma lista padronizada, já que não existe uma equalização epidemiológica entre municípios, apenas por fazerem parte de mesmo estado da federação. Vale, novamente, uma definição de quais os medicamentos serão os mais necessários para cada município, agora tomando como base a listagem estadual.

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o desenvolvimento de uma política integral de medicamentos essenciais requer compromisso político do governo e a alocação de recursos financeiros e de pessoal necessários para sua execução. Quanto aos recursos financeiros, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou a liberação de R$ 754 milhões para a aquisição de medicamentos da Atenção Básica, referentes à responsabilidade da União na garantia ao acesso aos medicamentos essenciais. Outros R$ 550 milhões deverão ser disponibilizados pelos estados e municípios, completando o orçamento específico para este produto terapêutico.

Entretanto, além da efetivação do investimento financeiro tripartite, para que ações como a construção de uma lista de medicamentos essenciais possam ser traduzidas em garantia de acesso a medicamentos, o profissional farmacêutico é imprescindível na gestão da Assistência Farmacêutica, no sentido de melhor planejar todas as ações, culminando com a máxima oferta de medicamentos ao maior número de indivíduos. Este é o ponto crucial, principalmente para municípios pequenos, em que muitos dos quais não contam com a ajuda profissional do farmacêutico.

Neste sentido, o Curso de Farmácia da Faculdade Anglo-Americano, unidade de Foz do Iguaçu, Paraná, envolve os alunos em diversas atividades práticas e teóricas relacionadas ao assunto. Disciplinas como Estágio de Vivência I (ambientada em unidades básicas de saúde), Saúde Pública e Farmacovigilância, bem como Assistência e Atenção Farmacêutica criam um fórum permanente de estudo, análise e discussão de propostas que garantem, ou tentam garantir, o acesso da população aos medicamentos essenciais, os quais devem ser eficazes, seguros e de qualidade, ao menor custo possível.

Um dos objetivos do nosso curso é criar recursos humanos com alto nível técnico, com espírito crítico, capazes de assumir a gestão da Assistência Farmacêutica nos mais variados municípios onde forem atuar. Esta é a nossa contribuição para a efetivação da Política Nacional de Medicamentos, colaborando para que cada vez mais um maior número de portadores das doenças mais prevalentes encontrem o auxílio medicamentoso tão útil na cura destes males ou, quando isto for impossível, na estabilização destas patologias, bem como na supressão ou minimização dos sintomas, tão incomodativos ao paciente.

Mesmo correndo o risco de ser considerado piegas, e talvez até sendo, tenho convicção em afirmar que, assim como existe o conceito de medicamento essencial, há o correlato para o profissional farmacêutico: o farmacêutico essencial, aquele que traria o auxílio para toda uma população, revertendo a situação caótica atual de falta de acesso a medicamentos úteis para as mais variadas finalidades.

Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas, coordenador do Curso de Farmácia e coordenador do Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde da Faculdade Anglo-Americano (unidade de Foz do Iguaçu, Paraná).


CONTRIBUIÇÕES E VIDA DE ADAM SMITH
(1723-1790)

- AS ORIGENS DA CIÊNCIA ECONÔMICA -

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador Geral
Faculdade Anglo-Americano – Foz do Iguaçu

O Reino Unido, do tempo de Adam Smith, vivia seu período de grande atividade marítima, que antecedeu a Revolução Industrial. Além disso, duas grandes revoluções, fruto do pensamento iluminista, tiveram lugar durante a vida de Smith: a Revolução Americana e a Revolução Francesa.

Conhecido por sua obra An Inquiry Into the Nature and Causes of the Wealth of Nations ("Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações"), de 1776, Adam Smith foi, na verdade, mais um filósofo social do que um economista. Quando se examina o contexto de seu pensamento, que inclui o seu The Theory of Moral Sentiments ("A teoria dos sentimentos morais"), de 1759, vê-se que sua obra-prima "A riqueza das nações" não é só um tratado de economia, mas, uma peça dentro de um sistema filosófico amplo que parte de uma teoria da natureza humana para uma concepção de organização política e de evolução histórica.

Adam Smith, filho de outro Adam Smith e sua segunda mulher, Margarete Douglas, foi batizado em 5 de junho de 1723, em Kirkcaldy, na Escócia. Seu pai era fiscal da alfândega e sua mãe era filha de um bem aquinhoado proprietário de terras. Viveu na capital escocesa, porém, depois de graduar-se, em 1740, Smith conseguiu uma bolsa para estudar em Oxford.

Devido às boas relações da família de sua mãe, abriu-se, para Smith, a oportunidade para uma ocupação provisória de conferencista público. As boas impressões causadas por suas conferências resultaram em sua nomeação, em 1751, na idade de 27 anos, a professor de lógica na Universidade de Glasgow.

Membro da faculdade, Smith entrou em um período de intensa atividade. Além de lecionar pela manhã, ocupava-se de assuntos acadêmicos e administrativos na parte da tarde, tudo isto combinado com uma também intensa vida intelectual. Ainda, foi eleito reitor, em 1758.

Entre seus amigos, além de nobres e intelectuais, existiam mercadores ocupados com o comércio colonial e que o colocavam a par dos movimentos de mercado com informações detalhadas que Smith apresentara em "A riqueza das nações".

Em 1759, publicou seu primeiro trabalho, já referido, "A teoria dos sentimentos morais", em que toma uma natureza humana imutável como base para as instituições sociais. Ela é dominada pelas paixões e os instintos de autopreservação e auto-interesse, porém, controlada por uma capacidade de simpatia e por uma presença interior que aprova ou desaprova as ações do indivíduo. Essa estrutura joga os homens uns contra os outros, mas lhes dá também a faculdade de criar instituições por meio das quais esse conflito é mitigado e transformado em bem social. Neste trabalho, já aparece o pensamento que "os homens, voltados para seus próprios interesses, são conduzidos por uma mão invisível e, sem saber e sem pretender isto, realizam o interesse da sociedade".

Smith renunciou à sua carreira, em 1763, e partiu para a França, no ano seguinte, como tutor. Lá permaneceu por 18 meses e, nesse período, iniciou os manuscritos do "A riqueza das nações". Após, retornou à Inglaterra.

Ao final de 1767, Smith voltou para Kirkcaldy, onde os seis anos seguintes foram gastos ditando e revisando o "A riqueza das nações", seguidos por uma estada de três anos em Londres, onde o livro foi concluído e publicado, em 1776. Apesar de não ter sido um sucesso popular imediato, o "A riqueza das nações" foi recebido com admiração pelo seu largo círculo de amigos e admiradores.

Em 17 de julho de 1790, na idade de 67 anos, cheio de honras e reconhecimento, Smith morreu. Foi enterrado em Canongate.

Smith nunca se casou e quase nada se sabe de sua vida pessoal. Pode-se, porém, resumir dizendo que Adam Smith foi o protótipo do filósofo iluminista: esperançoso, porém, realista; especulativo e ao mesmo tempo prático, sempre respeitador do passado clássico, mas, dedicado com afinco à grande descoberta de sua época, o progresso liberal.

Apesar de ser considerada a primeira grande obra de economia, na verdade, o livro "A riqueza das nações" é a continuação do primeiro, "A teoria dos sentimentos morais". A questão abordada no "A riqueza" é da luta entre as paixões e o "espectador imparcial", ao longo da evolução da sociedade humana. Adam Smith concebeu uma organização dinâmica da sociedade no sentido de sua evolução para um sempre maior bem-estar coletivo, uma linha de pensamento que evoluiu, no século XIX, para o utilitarismo. Ele concebeu como agente desse movimento a própria "natureza humana" levada por uma forte inclinação à troca comercial e pelo desejo de melhoramento próprio, porém, susceptível de ser guiada pelas faculdades da razão. O problema a que Smith se endereçava era o da luta interior entre a paixão e o "espectador imparcial" revelado no "A teoria dos sentimentos morais". Essa luta tem quatro estágios de organização da sociedade, nos quais a história de todos os povos se desdobraria, não houvesse guerras, escassez ou intervencionismo do governo. Eles são: o estágio original "rude", o estágio dos caçadores; o estágio de agricultura nômade, com a criação de rebanhos; o estágio de fazendas, do latifúndio ou feudal; e, o estágio de interdependência comercial, estágio final de perfeita liberdade em que atua a famosa "mão invisível", capaz de levar a ação ambiciosa e egoísta do homem a criar o bem-estar geral da comunidade. Isto porque, havendo liberdade, o lucro dependerá da livre concorrência em apresentar ao público aquilo que o público espera de melhor. Ou seja, só obterá lucro quem melhor servir à sociedade. Vencer a concorrência não requer apenas a venda pelo menor preço, mas também a criatividade, as invenções que aperfeiçoam os produtos, os serviços e as artes.

Karl Marx usou, de Smith, esses estágios. A diferença é que Marx, como economista revolucionário, atribui a evolução à luta de classes; enquanto Adam Smith a atribui à própria natureza humana, dirigida pelo desejo de progresso pessoal e pelo uso da razão na procura de melhoramentos.


OS GRANDES ECONOMISTAS  

Nos artigos das próximas semanas falarei sobre um punhado de homens que têm um curioso direito à fama. Segundo as regras dos livros de História de um colegial, estes homens nunca existiram: não comandaram exércitos, não enviaram homens para a morte, não construíram impérios e tiveram pouco a ver com os tipos de decisões que fazem a História. Alguns deles conseguiram um certo renome, mas nenhum se tornou herói nacional; outros poucos foram claramente ofendidos, mas nenhum foi apontado como criminoso nacional. No entanto, o que eles fizeram foi mais decisivo para a História do que muitas ações de estadistas que foram envoltos em cintilante glória, pois, na maioria das vezes, perturbaram muito mais do que o ir e vir de exércitos de uma fronteira para outra, e tiveram mais poderes para o bem e para o mal do que os éditos de reis e legisladores. Isso porque eles moldaram e agitaram as mentes dos homens.

E como quem consegue atingir a mente do homem detém um poder maior do que o da espada e o do cetro, estes homens moldaram e agitaram o mundo. Poucos deles nem sequer ergueram um dedo em ação; na maior parte, trabalharam como estudiosos – quietamente, desapercebidos e sem dar muita importância ao que o mundo tinha a dizer ao seu respeito. Mas, em seu rastro, deixaram impérios abalados e continentes arrasados; fortaleceram e solaparam regimes políticos; colocaram classes contra classes e até mesmo nações contra nações – não com intrigas maldosas, mas com o extraordinário poder de suas idéias.

Quem foram esses homens? Nós os conhecemos como Grandes Economistas. E é sobre suas idéias que irei “falar” em muitos dos próximos artigos.

 


AUDITORIA AMBIENTAL EM ORGANIZAÇÕES: CONCEITOS INICIAIS COM UMA VISÃO ECONÔMICA

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador Geral
Faculdade Anglo-Americano - Foz do Iguaçu

A auditoria ambiental é um fator importante para uma efetiva política de minimização dos impactos ambientais das empresas e de redução de seus índices de poluição. Sua execução é um critério essencial para que investidores e acionistas possam avaliar o passivo ambiental da empresa e fazer sua projeção para sua situação no longo prazo. Algumas empresas multinacionais estão adotando essa prática no Brasil, em decorrência da experiência desenvolvida nos Estados Unidos e na Europa, porém, a perspectiva é que a auditoria ambiental seja adotada rapidamente, notadamente junto às empresas que atuam em áreas densamente urbanizadas e com grande poder de mobilização política.

Embora a maioria das organizações veja a auditoria ambiental dentro de uma perspectiva de legalidade e de estreita abordagem técnica, buscando adequar seu processo produtivo ao exigido pela legislação, seu aspecto de utilização é bem amplo, pois, possibilita a preocupação pró-ativa de buscar alternativas melhores em relação a insumos e produtos que sejam menos agressivos ao meio ambiente. Seu objetivo principal de assegurar que o sistema operacional funcione dentro dos padrões estabelecidos permite a utilização de mecanismos para melhorar essa performance.

Nos países avançados, as auditorias ambientais devem obedecer aos seguintes princípios: garantir o cumprimento da legislação; definir as obrigações a serem cumpridas; acompanhar e controlar os custos do cumprimento das obrigações; definir as responsabilidades dos gerentes; e, verificar a situação ambiental no caso de fusões e aquisições.

Nesse sentido, a auditoria ambiental é uma atividade administrativa que compreende uma sistemática e documentada avaliação de como a organização se encontra em relação à questão ambiental. Essa auditoria, que deve ser realizada periodicamente, visa facilitar a atuação e o controle da gestão ambiental da empresa e assegurar que a planta industrial esteja dentro dos padrões de emissão exigida pela legislação ambiental. Entre as atividades que são usualmente auditadas incluem-se as seguintes: política, responsabilidade e organização das tarefas; planejamento, acompanhamento e relatório das ações; treinamento e conscientização do pessoal; relação externa com os órgãos públicos e comunidade; adequação aos padrões legais; planejamento de emergência funcionalidade; fontes de poluição e sua minimização; tratamento da poluição e acompanhamento das descargas; economia de recursos; manutenção adequada; e, uso do solo.

Embora possa haver procedimentos diferentes de empresa para empresa, a Câmara de Comércio Internacional (CCI), em 1999, adotou alguns passos básicos para a execução de auditorias ambientais na empresa, os quais dividem a auditoria em 3 partes básicas: atividades pré-auditoria; atividades de campo (a auditoria propriamente dita); e, atividades pós-auditoria.

Certamente, as condições ambientais são, destacadamente na atualidade, um fator-chave ao desenvolvimento econômico sustentável.

 


Transgênicos em Pauta

Fonte: Portal de Tecnologia, Ciências y Biologia (http://www.tcb.cl/)

Desde que surgiram, ou pelo menos, desde que chegou ao conhecimento do público comum, os Organismos Geneticamente Modificados ou OGMs têm sido sistematicamente objeto de polêmica. Tal fato pode ser explicado por se tratar de um conhecimento tecnológico muito recente e que, por isso, gera muitas dúvidas. Especialmente no que diz respeito aos OGMs usados na agricultura, discussões acirradas têm sido travadas devido aos diversos setores da sociedade influenciados pela nova tecnologia, mas principalmente agricultura, saúde e meio ambiente.

Para entender melhor esta problemática, a professora Eloíse Helena Rodrigues – Faculdade Anglo-Americano, Foz do Iguaçu –, mestre em Genética e Melhoramento pela Universidade Estadual de Maringá, organizou um seminário sobre organismos geneticamente modificados (OGMs) que ocorreu no dia 26 de junho (2007), tendo como participantes os alunos do quinto período do curso de Gestão Ambiental. O seminário também teve como colaborador o professor Leon Maximiliano Rodrigues – Faculdade Anglo-Americano, Foz do Iguaçu, mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O evento trouxe para debate os aspectos tecnológicos, econômicos, sociais, ambientais e de saúde associados aos OGMs. A interação desses diferentes enfoques, normalmente tratados independentemente, possibilitou uma visão abrangente da problemática.

O desenvolvimento do evento se deu na forma de debate, onde os participantes apresentaram suas opiniões, seguidos de comentários e questionamentos. Foram abordados assuntos como os impactos dos OGMs sobre a saúde humana e sobre o meio ambiente, temas mais conhecidos. Também foram discutidos problemas menos perceptíveis, mas importantes, como domínio de mercado e de tecnológia e impactos sociais da adoção da transgenia na agricultura.

Uma das principais conclusões resultantes do debate foi o fato dos OGMs constituírem uma tecnologia ainda em desenvolvimento e, consequentemente, qualquer conclusão sobre seus benefícios e malefícios torna-se prematura. Mesmo assim, foi consenso o fato da transgenia constituir uma tecnologia promissora e que deve continuar a ser estudada. Também foi unânime a idéia de que as principais incógnitas sobre os OGMs estão relacionadas ao uso da tecnologia na agricultura. Esse último tema foi o principal foco de polêmica durante o seminário, sendo o tema mais debatido. Esse aspecto reflete o interesse direto que o ser humano tem na produção de alimentos e a disputa, já conhecida através da mídia, entre multinacionais produtoras de sementes e agroquímicos e os ambientalistas.

Com relação aos riscos à saúde humana e ao meio ambiente, pouco se avançou na discussão devido à escassez de informações. No primeiro caso, os poucos exemplos de alergia ou reações adversas aos alimentos levantados pelos debatedores podem não representar necessariamente algum tipo de problema, já que diversos tipos de alimentos (não transgênicos) causam reações alérgicas, ou outro tipo de comprometimento da saúde humana, como por exemplo, o camarão, cereais com glutem, etc.

Por outro lado, com relação ao meio ambiente muito pouco se sabe para que se possa falar sobre um prognóstico do problema. De fato, testes para verificar os impactos da tecnologia nos ecossistemas exigiriam anos para que se pudesse avaliar, em longo prazo, os efeitos dos OGMs. Mesmo assim, em diversas outras áreas os OGMs já vêm sendo utilizados de forma controlada em laboratório, como para a produção de antibióticos. Portanto, se trata de uma tecnologia promissora e, como outras tecnologias, existem problemas associados, aos quais devemos estar atentos para viabilizar seu desenvolvimento de forma positiva.

Leon Maximiliano Rodrigues



A tributação brasileira: algumas considerações econômicas  
Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Talvez muitos nunca tenham somado todos os impostos (tributos) que recolheram, direta e indiretamente, aos cofres de sua cidade, Estado e país. Até porque a maior parte deles vem disfarçadamente embutido no preço final de produtos e serviços consumidos no seu dia-a-dia.

Mas, veja que já durante o século XVIII, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% da produção. Essa taxação altíssima, absurda, era chamada de "o quinto". Este imposto recaía, principalmente, sobre a produção de ouro. O quinto era tão odiado pelas pessoas que foi apelidado de "o quinto dos infernos".

Portugal quis, em determinado momento, cobrar os quintos atrasados de uma única vez no episódio conhecido como a derrama. Este ato revoltou a população do Brasil gerando a Inconfidência Mineira, que teve seu ponto culminante no enforcamento do líder Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes).

Essa história nos faz pensar no presente. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar, ao final deste ano, em 38% do PIB, praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Calcula-se que nossa capacidade tributária é de 24% do Produto Interno Bruto.

Hoje, a carga tributária é o dobro daquela época da inconfidência mineira, ou seja, pagamos hoje “dois quintos dos infernos”!

A carga tributária brasileira é a mais alta da América Latina, e um dos mais altos do mundo. Nos EUA a carga tributária efetiva representa aproximadamente 29% do PIB, mas, em contrapartida, a renda per capita é cinco vezes maior que a do Brasil. Enquanto que no Japão, a carga tributária é ainda menor, cerca de 27% do PIB, para uma respeitável renda per capita, também, de aproximadamente cinco vezes maior que a do Brasil.

Uma outra crítica que se faz ao atual sistema tributário brasileiro é que ele é injusto e não devolve aos cidadãos a adequada diversidade e qualidade de determinados serviços básicos garantidos em países com carga tributária semelhante.

Outro aspecto que espanta é o fato da carga tributária, tão criticada na Europa, em média, ser inferior à carga tributária brasileira. Analisando que o governo brasileiro continua batendo recordes de arrecadação, a carga brasileira é superior à carga dos seguintes países: Portugal (34%); Espanha (35,6%); Suíça (31,3%); Irlanda (28%); Reino Unido (35,9%); Islândia (36,7%); Holanda (39,3%); Alemanha (36,2%); República Tcheca (39,2%); Hungria (37,7%); República Eslovaca (33,8%); Polônia (34,3%); Grécia (34,8%); além das duas maiores economias do mundo, ou seja, Estados Unidos (28,9%) e Japão (27,3%).

Perde o Brasil, apenas para a França (44,2%), Itália (41,1 %), Áustria (44,1%), Bélgica (46,2%), Dinamarca (49,4%), Noruega (43,1%), Suécia (50,6%) e Finlândia (45,9%), países onde o cidadão, ao nascer, quase não mais precisa se preocupar com o futuro, visto que escola, saúde, seguridade, etc. são garantidos pelo Governo, principalmente nos países nórdicos.

Ainda, é importante destacar que o sistema tributário vigente no Brasil tem ênfase na tributação sobre o segmento de produção, vendas e consumo, além do segmento de renda, lucros e ganhos. Observa-se que, embora paguemos mais impostos proporcionais ao PIB do que os norte-americanos, quem paga o importo, no Brasil, não pode contar com as garantias elementares asseguradas por países desenvolvidos no campo da educação, saúde e previdência, para citar as mais essenciais. Será que para mudar precisamos encontrar um novo Tiradentes?

Início do segundo semestre de 2007

Cursos de Administração e Relações Internacionais

A Coordenação, os professores e os alunos dos Cursos de Administração e Relações Internacionais realizaram uma série de atividades acadêmicas, desde o dia 23/07/2007 (início do segundo semestre letivo do ano) até o dia 26/07/2007.

Foi realizada uma Palestra, no dia 23/07/2007, proferida pelo Coordenador dos Cursos (o Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos) sobre as atividades acadêmicas que serão desenvolvidas, ao longo do semestre 2007.2.

Também, o Prof. Msc. Kleber Vanolli falou, no dia 25/07/2007, sobre Gestão Social e Administração Moderna.

Todas as atividades foram realizadas no anfiteatro da Faculdade Anglo-Americano da cidade de Foz do Iguaçu e contaram com público de cerca de 100 alunos, por noite.

 


O Golpe do Remédio

Rodrigo Almeida

Fui surpreendido, há menos de um mês, por um trio de assaltantes em Buenos Aires, mais especificamente no La Boca, em frente ao La Bombonera, reduto do Boca Juniors. Para minha surpresa maior, a arma mais eficiente que utilizaram foi um cachorro que cravou seus caninos em minha perna, obrigando-me a entregar os meus pertences aos seus comparsas bípedes.

Outro crime, outra arma. Em Londrina, município do norte do Paraná, a arma alternativa utilizada por um criminoso nada se assemelha ao cão que me obrigou a me submeter ao esquema vacinal anti-rábico, mas apresenta a mesma eficiência em termos de coação. Trata-se de um medicamento ansiolítico/ hipnótico, administrado a inocentes idosos de um bairro da cidade. Fazendo-se passar por um agente comunitário de saúde em campanha, o larápio ganha a permissão de entrada nas moradias juntamente com a confiança dos bons velhinhos. A partir deste momento, com o fundamental auxílio da sua arma-medicamento, consegue provocar um variado estado de entorpecimento nas vítimas que os mesmos entram em um sono profundo. Nesse meio tempo, o marginal vasculha a residência, levando consigo dinheiro, além de objetos de valor. Uma simples pílula transformada em uma arma! Vítimas, que se somam às dezenas, auxiliaram as autoridades policiais a montar um retrato falado. Uma delas, porém, não pode contribuir, pois o efeito do medicamento levou-a a óbito.
Mais um problema envolvendo violência, vítimas e roubo tendo como pano de fundo uma cidade de porte médio a grande. Entretanto, algumas considerações são pertinentes, principalmente a facilidade com que marginais adentram residências, o acesso aos medicamentos “controlados”, que deveria ser restrito aos legítimos usuários e à confiança tão rapidamente depositada por pessoas da terceira idade.

Com a única alegação de ser funcionário de empresas de eletricidade, de telefonia, de saneamento, ou, neste caso particular, de unidades básicas de saúde, uma parcela considerável de residências abre as suas portas sem a devida verificação da autenticidade das informações, ou dos motivos apresentadas pelo suposto trabalhador “em exercício”. Este panorama facilita o furto de objetos e dinheiro, que seria, talvez, ironicamente, utilizado para a aquisição de medicamentos, tão necessários nesta fase da vida para tentar um retorno, por mais que passageiro ou parcial, a condições prévias de saúde. Para esta faixa etária, o acesso aos medicamentos normalmente já é dificultado pelo aumento na necessidade destes produtos de saúde, utilizados no manejo de diversas condições patológicas típicas da senilidade. Em 2001, nos Estados Unidos, quase um em cada quatro idosos relatou ter saltado doses ou ter deixado de adquirir medicamentos prescritos por causa do custo. No Brasil, a situação deve seguir a mesma tendência, provavelmente de forma mais incisiva.

Um outro ponto é o “estado de velhice”, situação mal compreendida por muitos e, que pode vir acompanhada de um sentimento de tristeza e solidão, salientado pelo acúmulo de perdas, como a vitalidade, o ofício, o cônjuge. Para estas pessoas (14,5 milhões apenas no Brasil, correspondendo a 9% da população), a proposta de uma companhia, mesmo que fortuita, mesmo que efêmera, já é demasiada encantadora para levantar suspeita.

Finalmente, em relação aos medicamentos, a atenção especial que se deve ter neste caso reside no fato de que estes medicamentos utilizados na prática delituosa são sujeitos a controle especial, ou seja, medicamentos nos quais todos os aspectos relacionados com a prescrição, guarda e, principalmente, a distribuição ao consumidor obedece a “rígidos” mecanismos de controle, no qual cada uma destas etapas são registradas por documentos balizando tais práticas. É de conhecimento de todos os envolvidos com o medicamento, tanto os de forma direta, profissionais prescritores (médico, médico veterinário e cirurgião dentista), profissionais que administram os medicamentos (enfermeiros) e os que os dispensam ao usuário (farmacêutico), quanto os de forma indireta (outros profissionais de saúde), que não há um controle efetivo capaz de restringir o acesso aos medicamentos entorpecentes ou psicotrópicos aos cidadãos comuns.
Este é um dos motivos que levou a ANVISA a criar o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), programa informatizado de controle de medicamentos relacionados na portaria 344 (do Ministério da Saúde, de 1998, que regula os vários aspectos relacionados à prescrição, armazenamento e dispensação dos medicamentos ditos entorpecentes e psicotrópicos). O prazo para a implantação obrigatória nas drogarias e farmácias finda em outubro deste ano e espera-se resolver, ou melhor, contribuir para o efetivo cumprimento da portaria 344.

Caso esta medida seja efetiva, situações como a descrita, na qual é evidente o uso irracional de um fármaco, poderão ser evitadas, ou dificultadas.

Tal qual vale a máxima que aconselha uma criança a nunca aceitar doces de um desconhecido e um adulto a não aceitar bebida de estranhos em uma festa, vale advertir igualmente os idosos a não aceitarem medicamentos de ninguém, sob risco de perder dinheiro, produtos ou sofrer efeitos nocivos, até mesmo fatais, oriundos da utilização criminosa e irresponsável de um medicamento.

Assim como fui coagido pela arma-cão, numerosos idosos estão sendo vitimados em Londrina, sob o efeito da arma-remédio, pela qual podem adquirir danos irreparáveis, até mesmo permanentes.

Rodrigo Batista de Almeida é farmacêutico, mestre em Ciências Farmacêuticas e coordena o Curso de Farmácia e o Curso de Especialização em Farmacologia para Profissionais de Saúde da Faculdade Anglo-Americano de Foz do Iguaçu

 

 


TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL: UMA VISÃO A PARTIR DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XX

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Retomemos um tema já iniciado em Artigo anterior.

A reconstrução e o crescimento, desde 1945, foram desiguais nas várias partes do mundo. Durante a Segunda Guerra Mundial os únicos países que tiveram um aumento substancial na sua produção foram os Estados Unidos, a Austrália e a África do Sul, além dos países que não guerrearam. Tal como em 1918, a recuperação das economias européias dependeu das decisões políticas dos aliados vitoriosos. O programa de empréstimos por parte dos Estados Unidos iniciou um novo programa de crédito e assistência externa direcionados à Grã-Bretanha, inicialmente, e logo depois, estabelecendo o Plano Marshall, em 1947, com a ajuda financeira se estendendo pelo resto da Europa (inclusive com ajuda à Alemanha derrotada).

Em 1950, a Inglaterra já tinha se recuperado do choque financeiro. A França precisou suprir a base tecnológica para o crescimento econômico. A partir de metade da década de 1950, a Europa não era mais uma convalescente e as nações européias pareceram ter aprendido o segredo da prosperidade e da realização.

A explicação para este fato pode ser visto de duas maneiras: a primeira sustenta que teria se encontrado o início de uma tendência de longo prazo; a segunda adota a postura cíclica, isto é, afirma que após a guerra teria havido um acúmulo de necessidades não satisfeitas, razão pela qual houve um fluxo de demanda importante. Associado a esta explicação, está a do lado da oferta, especialmente, nos fluxos de mão-de-obra proporcionados pelas correntes migratórias. Aliado a este fator, aponta-se à importância da cooperação e integração econômicas que tiveram como resultado a criação do FMI e do BIRD. Sob eles teriam se dado início ao processo de estabilização das paridades cambiais e à diminuição das barreiras comerciais. Além disso, criou-se a Organização para a Cooperação Econômica Européia, com a finalidade de diminuir as restrições ao fluxo de mercadorias entre os países membros. Os objetivos dessas medidas eram incentivar o livre comércio com tarifas igualitárias para todos os países (apesar da diferença posterior de taxas de crescimento entre os países membros).

O desenvolvimento, nessa época, pode ser explicado por: fontes educacionais e científicas de novos conhecimentos, as aplicações econômicas destes conhecimentos, a qualidade dos agentes envolvidos, os arranjos institucionais e as decisões empresariais. Estão no cerne do desenvolvimento econômico moderno fatores tais como: aumento do conhecimento técnico; o espírito de cooperação internacional; o aumento dos conhecimentos econômicos; e o compromisso com a mudança. Este último é crucial no sentido de implicar uma revolução das expectativas e dos valores.

Também, é importante destacar o papel empreendido pelas multinacionais (com sede nos Estados Unidos, Japão e principais países europeus) no processo de expansão da indústria aos países do hemisfério sul (tais como o Brasil). Esses movimentos se intensificaram, sobretudo, na segunda metade do século XX.

A Revolução Industrial e o subseqüente casamento da ciência com a tecnologia constituíram o clímax de milênios de avanço intelectual. Foram também um enorme esforço a favor do bem e do mal, e houve momentos em que o mal suplantou amplamente o bem. Mesmo assim, a marcha do conhecimento e da técnica continua e, com ela, a luta social e moral. Mas, isso será motivo de outros artigos.

 


A EDUCAÇÃO EM SAÚDE


João Ruaro

Atualmente, o panorama da educação brasileira configura-se em um cenário de metamorfose, com o governo federal investindo e instituindo índices de avaliação, como, por exemplo, o IDEB, Prova Brasil, ENEM, ENADE, dentre outros. Sem dúvida, a melhor forma de saber como está a realidade da educação é através da mensuração da qualidade das instituições de ensino, desde a educação infantil até o superior.

Sobre a formação dos profissionais da saúde, é necessário salientar que a boa formação desse indivíduo é fundamental. Essa formação adequada passa pela educação superior. Assim, é preciso a análise de indicadores consistentes a fim de obter uma visão racional da evolução dos cursos de graduação nessa área.
Os cursos de graduação em saúde hoje são os seguintes: Biologia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional. Ou seja, 14 áreas distintas que visam prevenir, promover e recuperar a saúde do indivíduo.

Dados estatísticos mostram algumas curiosidades, que foram apresentadas pela publicação conjunta dos Ministérios da Educação e da Saúde “A trajetória dos cursos de graduação na saúde”, exibindo dados entre 1991 a 2004.

Enquanto a população brasileira cresceu em torno de 25% nesse período, o crescimento dos cursos de graduação em saúde foi vertiginoso. A média ficou em 268,8%, indo desde a medicina (que cresceu 70%), passando pela odontologia (109,6%), farmácia (383,7%), fisioterapia (606,3%), até a biomedicina (671,4%), considerados, nesse caso, apenas os dados de 2000 a 2004.

Isto nos mostra duas realidades distintas: que o acesso ao ensino superior ficou facilitado, devido à maior oferta, o que é uma ótima notícia.

Contudo, o crescimento desenfreado pode se traduzir em pouca preocupação com a qualidade, o que é uma péssima notícia.

Com relação à categoria administrativa, os números também impressionam. As Instituições privadas representam (em dados oficiais de 2005), 89,3% do total de 2165 Instituições de Ensino Superior (IES). E 50% das suas vagas tendem a ficar ociosas.

Já as Instituições públicas representam apenas 10,7%.

Desse total, 8,1% das IES são Universidades. Os demais 91,9% são Faculdades ou Centros Universitários.

A interpretação destes dados leva à conclusão que, nesse período de explosão no ensino superior, principalmente no setor privado, um crescimento econômico na renda per capita média seria necessário para a ocupação dessas carteiras ociosas, visando qualificação profissional da população.

Se houver comparações com modelos educacionais que deram certo, como o da Coréia do Sul, pode-se classificar o sistema educacional brasileiro como fracassado. Porém, deve-se levar em consideração que, além do longo período de implantação, em todos os sistemas educacionais que obtiveram sucesso, observa- se um item em comum: eles levaram em consideração a realidade local. Assim sendo, se a metamorfose brasileira tivesse se iniciado há 15 ou 20 anos, sem dúvida a realidade seria outra. Sem copiar modelos ou estigmatizar paradigmas, o modelo educacional brasileiro deve ser proposto e implantado por educadores brasileiros.

Neste sentido, MEC, Inep e Ministério da Saúde dão bons exemplos em capacitar coordenadores de curso, com o objetivo de disseminar informações e novas orientações da educação em saúde em suas Instituições de origem.

Desta forma, os índices avaliativos já citados (ENEM, ENADE) devem ser consolidados no país e melhorados, pois, como as avaliações tão temidas pelos alunos não são a melhor forma de aferir o conhecimento, ninguém ainda conseguiu descobrir uma forma melhor de fazê-la.

 

João Ruaro é Mestre em Engenharia Biomédica, Coordenador do Curso de Bacharelado de Fisioterapia e Coordenador da Pós-Graduação em Anatomia e Fisiologia Humana da Faculdade Anglo-Americano de Foz do Iguaçu.

 


ÁGUA, O FIM DA ERA DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS E A ECONOMIA  


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Recentemente estive em uma Palestra (com o professor José Walter B. Vidal) sobre Água e soberania. Nela foi possível entender um pouco mais como vive a humanidade nesse fim da era (que vem durando 200 anos) de uso extensivo de combustíveis fósseis, como por exemplo: carvão mineral e petróleo (que levam eras geológicas para se formarem). Vi explicações de que nações hegemônicas, situadas em regiões temperadas e frias do planeta, pobres em energias renováveis e limpas, impuseram ao mundo as formas “fósseis”, armazenadas em campos de petróleo, como uma das principais fontes de energia.

Vi, também, que as grandes guerras sempre tiveram causas remotas e imediatas, tais como desavenças e necessidade de poder. Ainda, ocorrem guerras de conquistas e de expansão das fronteiras. Logo, guerra tem tido (ao longo da história) a razão de “mais terra”. O alvorecer do novo milênio pode trazer uma mudança radical no próprio paradigma da guerra, porque água tende a ser um recurso ainda mais escasso que a terra, se não for manejada adequadamente. Como se briga hoje por petróleo, por mais espaço de terra, ou qualquer outro motivo, pode-se brigar por água. É importante destacar, aqui, que a guerra (na maioria das vezes) é comercial e ocorre quando um recurso necessário se torna escasso, passando a ser motivo de divergências, e a ambição pela sua posse ou domínio, motivo suficiente para movimentar as forças persuasivas, desde o domínio econômico, por meio de trocas comerciais, até o uso da força, para atingir o objetivo ambicionado.

Foi debatido na Palestra que o crescente consumo de petróleo no mundo vem exaurindo as reservas existentes. A situação de países importantes no poder mundial é desesperadora devido às imensas necessidades de combustíveis fósseis para suas economias. Só os Estados Unidos, com apenas 6% da população mundial, consomem 25% da energia disponível no mundo. Estima-se que de seu volume original, de cerca de 190 bilhões de barris de petróleo, restam, hoje, menos de 20 bilhões, o que daria para pouco mais de três anos de consumo “normal”!

Tensões internacionais indicam aumento de conflitos em torno da questão do petróleo. Potências nucleares que dele dependem em suas economias irão intensificar o aumento do controle de acesso garantido ao combustível, no Oriente Médio e em outras partes. A perspectiva de garantir formas “diferentes” aos derivados do petróleo – como o etanol e o biodiesel – é alternativa para os grandes consumidores, como o Japão.

Apesar do tremendo esforço realizado por países como a Alemanha, que interrompeu seu programa nuclear que já abastecia 30% de sua energia elétrica e tornou-se a principal potência mundial em energia eólica, a questão mundial realmente crítica é a relacionada aos combustíveis líquidos, somente equacionados pelas regiões tropicais.

Por outro lado, a sangrenta disputa entre palestinos e israelenses, que há anos divide e incendeia o Oriente Médio, não se dá só por questões territoriais. O verdadeiro motivo escorre sob o solo crestado da Terra Santa, alheio às fronteiras políticas ou militares fincadas na superfície: são milhões de litros de água potável, divididos em três grandes aqüíferos, que garantem a continuidade da vida na região. O controle dessa reserva estratégica, por parte de Israel (que, em tese, detém 83% do volume, embora na prática esse índice pareça maior), seja por acordos diplomáticos como os de Oslo, seja pela ocupação militar, cristalizou o domínio sobre o destino de grande parte da população dos territórios árabes, denominado de: o ouro azul que divide o Oriente Médio.

Nessas circunstâncias, a única alternativa mundial é a energia renovável e limpa. Nesse contexto, o Brasil desponta como grande fornecedor (único dos trópicos com a maior proporção de água doce, essencial na formação dos hidratos de carbono pela fotossíntese das plantas). À medida que o Brasil oferece vantagens comparativas excepcionais na produção desses combustíveis renováveis e limpos, sua economia tem de preparar-se para desempenhar crucial papel no futuro energético do mundo.

Aqui, é importante lembrarmos que cerca de 97% de toda a água da terra está nos oceanos, que cobrem 70% da superfície do planeta. Somente 3% da água existente é água doce. Dessa água doce, 75% estão imobilizados nas capas ou calotas polares e 25% constituem as águas subterrâneas e somente 0,5% estão nos rios, lagos e na atmosfera. Nesse contexto, o Brasil possui 13,7% de toda a água doce do planeta!

Na atualidade, o Brasil também produz álcool etílico, sem qualquer subsídio, pela metade do preço do segundo produtor, os Estados Unidos. Esse país, por isso, impõe um subsídio de 100% sobre o seu álcool obtido a partir do milho, o que desmoraliza qualquer falaciosa propaganda de livre-mercado, sempre alardeado pelos norte-americanos.

A limitação dos recursos naturais para o crescimento econômico é preocupação do homem há séculos. Por exemplo, uma corrente econômica clássica de pensamento propõe que a existência da escassez absoluta dos recursos naturais pode limitar o desenvolvimento econômico das sociedades. A visão é que a disponibilidade de recursos representa uma séria limitação ao crescimento econômico, dada sua escassez frente à demanda requerida.

Dentro do contexto exposto, pode-se concluir que a água, seu bom tratamento e o aumento da importância das economias dos países que detém suas reservas deve ser tema central nas discussões da atualidade.


PLANEJAMENTO, GESTÃO E AUDITORIA AMBIENTAL EM ORGANIZAÇÕES: UMA VISÃO HISTÓRICA


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

As organizações interessadas em equacionar seu envolvimento com a questão ambiental necessitam incorporar em seu planejamento estratégico e operacional um adequado programa de gestão ambiental que possa compatibilizar os objetivos ambientais com os demais objetivos da organização (tais como o econômico e o financeiro, por exemplo).

Os programas de gestão ambiental estabelecem as atividades a serem desenvolvidas, as seqüências entre elas, bem como quem são os responsáveis pela sua execução. Normalmente, devem abranger os aspectos ambientais mais importantes e buscar uma melhoria contínua, ampliando seu escopo de atuação com o passar do tempo. Devem possuir dinamismo e flexibilidade suficientes para se adaptar a mudanças que podem ocorrer tanto no seu ambiente imediato quanto no seu ambiente futuro.

Existem várias propostas para o estabelecimento de um programa de gestão ambiental, dentre as quais citaremos algumas.

a - A primeira delas foi o Sistema Integrado de Gestão Ambiental, conhecido por modelo Winter, desenvolvido a partir de 1972 pela empresa Ernst Winter & Sohn Backer, com sede em Hamburgo e Norderstedt na Alemanha. A empresa tornou pública oficialmente a proteção do meio ambiente como um de seus objetivos. A partir daí ela passou a desenvolver uma série de atividades até chegar ao Sistema Integrado de Gestão Ambiental, que incorpora a questão ambiental em todos os setores da empresa, desde a política de programação até a área de P&D, da gestão de materiais até a produção e reciclagem, da construção de instalações industriais até o equipamento e seleção dos veículos da empresa, desde a formação de aprendizes até o treinamento e atualização dos empregados. Segundo enfatiza Winter, as atividades ambientais são parte integrante dos objetivos da empresa, o que significava que concomitantemente à atenção que a empresa dedica ao ambiente e à satisfação de seus recursos humanos, devem produzir mercadorias e serviços de alta qualidade de modo a atingir um resultado que justifique o investimento feito e coloque a empresa e os empregos que garante em bases seguras. Uma gestão ambiental sistemática não é algo que possa ser introduzido de imediato. Exige planificação, o estabelecimento de etapas, seqüências e vigor na sua implementação. Neste sentido, devem ser considerados os aspectos econômicos, a tecnologia utilizada, o processo produtivo, a organização, a cultura da empresa e seus recursos humanos. O modelo Winter, que pode ser implantado em qualquer empresa independentemente de seu esquema organizacional, procura descrever o Sistema Integrado de Gestão Ambiental por meio do estabelecimento de 20 módulos integrados, que têm por objetivo facilitar a sua implantação, a definição das prioridades e o respectivo cronograma de atuação;

b - Posteriormente (1995), Backer propôs planos de ação que devem ser estabelecidos em sintonia com o que denomina Estratégia Ecológica da Empresa. A Estratégia Ecológica deve partir de um diagnóstico inicial e, sobretudo, da análise do fator ambiental dentro da estratégia global da organização. Isso possibilitará quantificar o esforço necessário a ser desenvolvido na gestão ambiental e permitirá identificar as prioridades que deverão ser desenvolvidas nas diferentes unidades organizacionais. O diagnóstico global que permite identificar o papel da questão ambiental dentro da organização resume-se na análise de 6 tabelas que incluem: o peso ecológico na estratégia empresarial; a estratégia de comunicação e de marketing em relação ao meio ambiente; a estratégia de produção em matéria de meio ambiente; a estratégia de recursos humanos em questões ambientais; as estratégias jurídicas e financeiras em ralação ao meio ambiente; a estratégia de P&D relativa à questão ambiental;

c - No Brasil, a Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química propõe aos seus associados o Programa Atuação Responsável. Este programa é a versão brasileira do “Responsible Care Program”, desenvolvido pela Canadian Chemical Producers Association (CCPA) que foi implantada em diversos países a partir de 1985 e se encontra atualmente em mais de 40 países com indústrias químicas em operação. O “Responsible Care” que se propõe a ser um instrumento eficaz para o direcionamento do gerenciamento ambiental, além de preocupar-se com a questão ambiental de cada empresa, inclui recomendações para a segurança das instalações, processos e produtos e questões relativas à saúde e segurança dos trabalhadores, bem como relativas ao diálogo com a comunidade. O modelo proposto tem flexibilidade para se ajustar à situação específica que vive cada empresa, sem perder a característica de ser um Programa voltado para toda a indústria, onde quer que ela se localize. Tem como premissa básica o diálogo e a melhoria contínua que permitem o engajamento crescente da organização na questão ambiental. No Brasil, a adesão ao Atuação Responsável foi obrigatório em 1998;

d - A partir de 1996, a maneira mais adequada de estabelecer um programa de gestão ambiental para a empresa é obedecer às Normas ISO 14001 e 14004, da ABNT, que especificam diretrizes para o Sistema de Gestão Ambiental (SGA).
É fácil compreender a importância da auditoria ambiental para as organizações (e para toda a sociedade). Mas, devido as suas características complexas (e com destaque aos determinantes específicos das normas ISO série 14000), deixaremos para próximos artigos a continuação dessa empolgante conversa.


Em Londres, uma universidade multicultural
Paulo Alonso

Londres é uma das mais fascinantes, agitadas, dinâmicas, animadas e feéricas cidades da Europa Ocidental. Uma capital sedutora e repleta de atrações culturais. Cinemas, shows e peças teatrais são oferecidos nos seus quatro cantos, levando entretenimento a todos os que desejam adquirir mais conhecimento, uma melhor formação e muita informação. E é justamente na Corte de Saint James que se destaca a Universidade de Londres Leste, situada em Longbridge Road, bem no coração de Londres. Trata-se de uma universidade moderna, multicultural e equipada com a mais alta tecnologia. São mais de 18 mil alunos matriculados oriundos de mais de cem países. Muitos brasileiros fazem parte do seu corpo discente. Os interessados que queiram conhecer mais sobre as atividades desenvolvidas, podem, inclusive, fazer consultas ou pedidos de inscrição em língua portuguesa, pelo seu site. E para melhor divulgar os seus numerosos cursos de graduação ou os seus 250 cursos de pós-graduação lato e stricto sensu, a universidade resolveu investir em uma campanha de marketing arrojada e muito bem produzida. Além dos folhetos, portal e anúncios em mídia impressa, a instituição está fazendo veicular nas estações de metrô de Bond Street, Marble Arch, Westminster, Victoria Station e Oxford Circus, dentre outras, os seus produtos. Ao lado dos mapas indicativos das várias linhas do underground, podem ser visualizadas as fortalezas da universidade. Uma bela estratégia de marketing institucional.

E para dar à comunidade acadêmica as informações necessárias à sua formação, a instituição implantou em cada um de seus campi uma biblioteca, igualmente moderna e bem equipada, contendo em todas elas livros, periódicos nacionais e estrangeiros e materiais de estudo referentes aos cursos ministrados no campus onde está situada. Há salas reservadas aos estudantes que desejam estudar individualmente, internet para pesquisas e ainda um sistema de informação que abriga todo o seu acervo, além de bibliotecários que dão suporte aos trabalhos ali realizados. A informática é uma outra ferramenta imprescindível, nos dias atuais. E para atrair cada vez mais estudantes, a universidade criou um programa de capacitação e treinamento para os alunos. Grande parte dos programas da Universidade de Londres Leste é transmitido com a ajuda da informática. O objetivo é justamente o de ajudar a todos os discentes a aperfeiçoar os seus conhecimentos e a sua experiência neste ramo da informação. O Docklands Campus, o mais novo da universidade, encontra-se nas docas de Londres. Trata-se de um moderníssimo centro de programas especializados em artes, comunicação e estudos culturais, dotados de ateliês e estúdios e oficinas de última geração. Mas não são somente as atividades acadêmicas que se destacam na universidade. Em cada um dos seus campi são oferecidas práticas de desporto e de cultura física. Futebol, basquetebol, equitação, tênis, hóquei de campo e jujitsu são algumas das modalidades oferecidas. E para atrair mais alunos, a universidade investiu na construção de 1500 estúdios para estudantes, alguns dos quais nas residências universitárias, outros fora dos campi, como, por exemplo, em apartamentos e casa partilhadas.

A Universidade de Londres Leste é reconhecida por sua liderança na área de pesquisa acadêmica e está entre as 10 melhores universidades modernas que foram fundadas a partir de 1992. Ela possui uma excelente reputação na área de ensino e, atualmente, atingiu uma pontuação de 22 num total de 24 na sua Escola de Negócios, de acordo com o National Higher Education Quality Assurance Agency.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano.


Eduardo Campos, coragem para mudar
Paulo Alonso

Londres é uma das mais fascinantes, agitadas, dinâmicas, animadas e feéricas cidades da Europa Ocidental. Uma capital sedutora e repleta de atrações culturais. Cinemas, shows e peças teatrais são oferecidos nos seus quatro cantos, levando entretenimento a todos os que desejam adquirir mais conhecimento, uma melhor formação e muita informação. E é justamente na Corte de Saint James que se destaca a Universidade de Londres Leste, situada em Longbridge Road, bem no coração de Londres. Trata-se de uma universidade moderna, multicultural e equipada com a mais alta tecnologia. São mais de 18 mil alunos matriculados oriundos de mais de cem países. Muitos brasileiros fazem parte do seu corpo discente. Os interessados que queiram conhecer mais sobre as atividades desenvolvidas, podem, inclusive, fazer consultas ou pedidos de inscrição em língua portuguesa, pelo seu site. E para melhor divulgar os seus numerosos cursos de graduação ou os seus 250 cursos de pós-graduação lato e stricto sensu, a universidade resolveu investir em uma campanha de marketing arrojada e muito bem produzida. Além dos folhetos, portal e anúncios em mídia impressa, a instituição está fazendo veicular nas estações de metrô de Bond Street, Marble Arch, Westminster, Victoria Station e Oxford Circus, dentre outras, os seus produtos. Ao lado dos mapas indicativos das várias linhas do underground, podem ser visualizadas as fortalezas da universidade. Uma bela estratégia de marketing institucional.

E para dar à comunidade acadêmica as informações necessárias à sua formação, a instituição implantou em cada um de seus campi uma biblioteca, igualmente moderna e bem equipada, contendo em todas elas livros, periódicos nacionais e estrangeiros e materiais de estudo referentes aos cursos ministrados no campus onde está situada. Há salas reservadas aos estudantes que desejam estudar individualmente, internet para pesquisas e ainda um sistema de informação que abriga todo o seu acervo, além de bibliotecários que dão suporte aos trabalhos ali realizados. A informática é uma outra ferramenta imprescindível, nos dias atuais. E para atrair cada vez mais estudantes, a universidade criou um programa de capacitação e treinamento para os alunos. Grande parte dos programas da Universidade de Londres Leste é transmitido com a ajuda da informática. O objetivo é justamente o de ajudar a todos os discentes a aperfeiçoar os seus conhecimentos e a sua experiência neste ramo da informação. O Docklands Campus, o mais novo da universidade, encontra-se nas docas de Londres. Trata-se de um moderníssimo centro de programas especializados em artes, comunicação e estudos culturais, dotados de ateliês e estúdios e oficinas de última geração. Mas não são somente as atividades acadêmicas que se destacam na universidade. Em cada um dos seus campi são oferecidas práticas de desporto e de cultura física. Futebol, basquetebol, equitação, tênis, hóquei de campo e jujitsu são algumas das modalidades oferecidas. E para atrair mais alunos, a universidade investiu na construção de 1500 estúdios para estudantes, alguns dos quais nas residências universitárias, outros fora dos campi, como, por exemplo, em apartamentos e casa partilhadas.

A Universidade de Londres Leste é reconhecida por sua liderança na área de pesquisa acadêmica e está entre as 10 melhores universidades modernas que foram fundadas a partir de 1992. Ela possui uma excelente reputação na área de ensino e, atualmente, atingiu uma pontuação de 22 num total de 24 na sua Escola de Negócios, de acordo com o National Higher Education Quality Assurance Agency.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano.


Eduardo Campos, coragem para mudar

Paulo Alonso

Eduardo Campos é um político moderno, empreendedor, jovem, responsável e dinâmico. Ele não quer permanecer sendo conhecido apenas como o herdeiro político de seu avô, o lendário Miguel Arraes, mas quer provar que o seu talento e inteligência estão efetivamente a serviço da gente de Pernambuco.
Campos assumiu esse compromisso durante sua campanha ao Governo do Estado e dele não tem se afastado em qualquer momento de sua vida pública. Em sua sala de despachos do Palácio do Campo das Princesas, vive uma rotina intensa, buscando soluções para os vários problemas que precisa superar, para, dessa forma, proporcionar uma vida mais digna aos seus fiéis eleitores e ainda atingir suas metas à frente do Governo do Estado. Experiência, vontade política, habilidade, paciência e obstinação não lhe faltam. O que Campos quer, e certamente conseguirá, é, ao final de seu mandato, deixar gravado o seu nome e suas realizações na memória e na História desse tão importante Estado da Federação. Afinal de contas, foi eleito com 65,36% dos votos válidos, algo em torno de 2,6 milhões de votos. Por essa razão, precisa prestar contas do seu trabalho a esse formidável contingente de pessoas que lhe confiaram à liderança do Poder Executivo.

Nascido em Recife, Eduardo Campos, tratado pelos amigos e parentes como Dudu, começou sua militância política como presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Economia, da Universidade Federal de Pernambuco, nos anos 80. De lá para cá, jamais se ausentou da vida pública, tendo assumido o seu primeiro cargo público, como chefe de gabinete, no segundo governo de Arraes, em 1987, quando começou a ser considerado o herdeiro de um dos mais importantes políticos brasileiros. Três anos mais tarde, ingressou no PSB, sendo eleito deputado estadual. Deixou a Assembléia Legislativa para se eleger deputado federal em 1994. No terceiro governo de Miguel Arraes (1995), ocupou a Secretaria de Governo e, depois, a da Fazenda, já em 1996.
Foi reeleito deputado federal por mais duas vezes (1998 e 2002). Na Câmara dos Deputados, Eduardo Campos se destacou como um dos articuladores do apoio dos deputados ao governo do presidente Lula. Sua atuação lhe valeu um convite para ser ministro, em 2003, de Ciência e Tecnologia, cargo que ocupou até julho de 2005. Pela sua proximidade com Lula, Campos terá mais facilidade de implementar seus projetos, com apoio do governo federal, o que redundará em benefício para o próprio Estado.

Além da grande capacidade de articulação política e da inteligência viva e lúcida, qualidades apontadas por amigos e até por inimigos, Campos tem poder de sedução não somente pelos brilhantes olhos azuis, mas, sobretudo, pela grande capacidade de conquistar as pessoas, pela simpatia, pela gentileza, humor fino e pela fala mansa.

E foi justamente no vôo de Paris ao Rio de Janeiro, no último domingo, que pude comprovar o bom humor, a astúcia, a simplicidade e o senso de oportunidade de Eduardo Campos, certamente um dos mais promissores políticos da nova geração. Ao ser indagado sobre os desafios que enfrentou quando à frente do Ministério da Ciência e Tecnologia e os obstáculos naturais que enfrenta no Governo do Estado, Campos foi taxativo: "governar o meu Estado é, antes de tudo, um grande prazer e os desafios são todos eles decorrentes da minha vontade de fazer acontecer, de criar condições para que o povo do meu Estado possa viver com mais tranqüilidade, de forma mais saudável e digna, com educação, cultura, habitação, segurança e saúde". Para Campos, a política é o melhor instrumento para se mudar o mundo. Tem toda razão.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano e membro da Ordem dos Jornalistas do Brasil



Na Índia, educação é investimento


Paulo Alonso

A cultura da Índia é uma das mais antigas que se tem notícia. E alguns estudiosos afirmam ter mais de quatro mil anos. O povo indiano, apesar das diversidades como linguagem, arte, música e cinema, é extremamente ligado à nação e aos seus ancestrais, o que o torna uma sociedade muito tradicional. É, sem dúvida, o país mais místico do mundo, com cheiro de incenso em sua exuberante e misteriosa atmosfera, cheio de guirlandas, com vacas sagradas e elefantes vagando pelas ruas atormentadas pela permanente buzina dos carros e triciclos e ainda convivendo lado a lado com uma população progressista e moderna. A Índia é, realmente, um país fascinante e impressionante, por suas características tão peculiares. Caminhar por suas ruas e avenidas, refletir sobre sua cultura, conversar com os nativos e com os intelectuais são momentos inesquecíveis e de grande aprendizado.

Nos dias atuais, muito influência cultural ocidental tem permeado esta cultura. Quase tudo na Índia é espiritualidade. E o grande propósito da cultura indiana é justamente conhecer Deus, nos seus aspectos pessoal ou impessoal. O conceito do Zero nasceu na Índia e a primeira Universidade, com o seu significado atual, existiu em Nalanda, no Estado de Bihar, nos tempos ancestrais. A maior parte dos fundamentos da matemática do modo como entendemos deve-se ao conhecimento dos indianos, pois todo o sistema de numeração é indo-arábico. A fórmula de Bhaskara que foi criada na Índia é usada para resolver todas as equações de segundo grau.

A grande contribuição para o mundo além da filosofia, que faz parte da vida de todos os indianos, são os avanços na tecnologia da informação, pois a Índia hoje tem exportado Phd's na área de Softwares principalmente para a Europa e Estados Unidos. No Brasil, a Universidade de São Paulo, o Instituto de Pesquisas Espaciais e o Instituto de Pesquisas Nucleares abrigam profissionais indianos em cargos de destaque. Outra área importante é a biotecnologia, campo que a Índia domina com maestria.

A Universidade de Deli acabou se tornando conhecida mundialmente pelo seu altíssimo nível de ensino, pesquisa e extensão, nos moldes da universidade humboldiana. Em seu começo, em 1922, a Universidade de Deli teve um início modesto, com apenas três cursos, duas faculdades, de artes e ciências, com aproximadamente 750 estudantes.

A Universidade de Deli vem se desenvolvendo e, depois de várias décadas, reúne 79 faculdades em 86 departamentos, com cerca de 300 mil alunos matriculados. Por causa dessa enorme expansão, a Universidade de Deli, ainda nos anos 70, passou por uma reengenharia organizacional, estabelecendo-se como uma instituição multi-campi, para que, assim, pudesse atingir um maior contingente de alunos, nas várias áreas do conhecimento.

O campus sul da universidade, inaugurado em 1973, começou a oferecer programas de pós-graduação, nos departamentos das faculdades de artes e de ciências sociais. O campus leste da universidade abriga a faculdade de ciências médicas, enquanto que o campus oeste tem como foco os cursos de engenharia e de tecnologia.

Quando a Universidade de Deli criou os centros de estudos e de pesquisas avançados, os cursos de física, química, botânica, zoologia, economia e sociologia começaram igualmente a ser premiados, pela qualidade das suas estruturas curriculares e pelo ineditismo da metodologia de ensino que empregava.

Por causa de sua qualidade, a universidade vem recebendo, cada vez mais, um maior número de alunos, oriundos, inclusive, de outras IES, para o seus programas acadêmicos. Pela sofisticação das suas ferramentas tecnológicas para o desenvolvimento do ensino e da pesquisa, a Universidade de Deli é sistematicamente procurada por associações e organizações instaladas nas proximidades dos seus campi. Para uma maior integração dos seus alunos, a universidade implementou uma rede de comunicação, em fibra ótica, ligando todos os seus campi, inclusive o do norte e o do sul, agilizando, assim, o necessário intercâmbio do conhecimento e da pesquisa aplicada.

Assim como a Índia, a Cingapura, a Tailândia, a Coréia do Sul e, mais recentemente, a China, estão também investindo em educação, ciência e tecnologia, visando ao desenvolvimento, à ordem e ao progresso de seus povos. Sabemos que sem um investimento seguro e planejado em educação, dificilmente
um povo consegue se superar e forjar novas gerações amparadas pelo conhecimento.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano de Educação Superior.




Tranformação Tecnológica: Desenvolvimento Industrial na primeira metade do século XX


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

As organizações interessadas em equacionar seu envolvimento com a questão ambiental necessitam incorporar em seu planejamento estratégico e operacional um adequado programa de gestão ambiental que possa compatibilizar os objetivos ambientais com os demais objetivos da organização (tais como o econômico e o financeiro, por exemplo).

Os programas de gestão ambiental estabelecem as atividades a serem desenvolvidas, as seqüências entre elas, bem como quem são os responsáveis pela sua execução. Normalmente, devem abranger os aspectos ambientais mais importantes e buscar uma melhoria contínua, ampliando seu escopo de atuação com o passar do tempo. Devem possuir dinamismo e flexibilidade suficientes para se adaptar a mudanças que podem ocorrer tanto no seu ambiente imediato quanto no seu ambiente futuro.

Existem várias propostas para o estabelecimento de um programa de gestão ambiental, dentre as quais citaremos algumas.

a - A primeira delas foi o Sistema Integrado de Gestão Ambiental, conhecido por modelo Winter, desenvolvido a partir de 1972 pela empresa Ernst Winter & Sohn Backer, com sede em Hamburgo e Norderstedt na Alemanha. A empresa tornou pública oficialmente a proteção do meio ambiente como um de seus objetivos. A partir daí ela passou a desenvolver uma série de atividades até chegar ao Sistema Integrado de Gestão Ambiental, que incorpora a questão ambiental em todos os setores da empresa, desde a política de programação até a área de P&D, da gestão de materiais até a produção e reciclagem, da construção de instalações industriais até o equipamento e seleção dos veículos da empresa, desde a formação de aprendizes até o treinamento e atualização dos empregados. Segundo enfatiza Winter, as atividades ambientais são parte integrante dos objetivos da empresa, o que significava que concomitantemente à atenção que a empresa dedica ao ambiente e à satisfação de seus recursos humanos, devem produzir mercadorias e serviços de alta qualidade de modo a atingir um resultado que justifique o investimento feito e coloque a empresa e os empregos que garante em bases seguras. Uma gestão ambiental sistemática não é algo que possa ser introduzido de imediato. Exige planificação, o estabelecimento de etapas, seqüências e vigor na sua implementação. Neste sentido, devem ser considerados os aspectos econômicos, a tecnologia utilizada, o processo produtivo, a organização, a cultura da empresa e seus recursos humanos. O modelo Winter, que pode ser implantado em qualquer empresa independentemente de seu esquema organizacional, procura descrever o Sistema Integrado de Gestão Ambiental por meio do estabelecimento de 20 módulos integrados, que têm por objetivo facilitar a sua implantação, a definição das prioridades e o respectivo cronograma de atuação;

b - Posteriormente (1995), Backer propôs planos de ação que devem ser estabelecidos em sintonia com o que denomina Estratégia Ecológica da Empresa.
A Estratégia Ecológica deve partir de um diagnóstico inicial e, sobretudo, da análise do fator ambiental dentro da estratégia global da organização. Isso possibilitará quantificar o esforço necessário a ser desenvolvido na gestão ambiental e permitirá identificar as prioridades que deverão ser desenvolvidas nas diferentes unidades organizacionais. O diagnóstico global que permite identificar o papel da questão ambiental dentro da organização resume-se na análise de 6 tabelas que incluem: o peso ecológico na estratégia empresarial; a estratégia de comunicação e de marketing em relação ao meio ambiente; a estratégia de produção em matéria de meio ambiente; a estratégia de recursos humanos em questões ambientais; as estratégias jurídicas e financeiras em ralação ao meio ambiente; a estratégia de P&D relativa à questão ambiental;

c - No Brasil, a Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química propõe aos seus associados o Programa Atuação Responsável. Este programa é a versão brasileira do “Responsible Care Program”, desenvolvido pela Canadian Chemical Producers Association (CCPA) que foi implantada em diversos países a partir de 1985 e se encontra atualmente em mais de 40 países com indústrias químicas em operação. O “Responsible Care” que se propõe a ser um instrumento eficaz para o direcionamento do gerenciamento ambiental, além de preocupar-se com a questão ambiental de cada empresa, inclui recomendações para a segurança das instalações, processos e produtos e questões relativas à saúde e segurança dos trabalhadores, bem como relativas ao diálogo com a comunidade. O modelo proposto tem flexibilidade para se ajustar à situação específica que vive cada empresa, sem perder a característica de ser um Programa voltado para toda a indústria, onde quer que ela se localize. Tem como premissa básica o diálogo e a melhoria contínua que permitem o engajamento crescente da organização na questão ambiental. No Brasil, a adesão ao Atuação Responsável foi obrigatório em 1998;

d - A partir de 1996, a maneira mais adequada de estabelecer um programa de gestão ambiental para a empresa é obedecer às Normas ISO 14001 e 14004, da ABNT, que especificam diretrizes para o Sistema de Gestão Ambiental (SGA).

É fácil compreender a importância da auditoria ambiental para as organizações (e para toda a sociedade). Mas, devido as suas características complexas (e com destaque aos determinantes específicos das normas ISO série 14000), deixaremos para próximos artigos a continuação dessa empolgante conversa.


Tranformação Tecnológica: Desenvolvimento Industrial na primeira metade do século XX


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Vamos voltar a falar sobre um assunto importante que comentamos nos últimos Artigos: o desenvolvimento industrial.

Pois bem, no início do século XX, o crescimento econômico passou a ser uma luta econômica. Foi a época das anexações. Por outro lado, o mercado interno adquiriu importância cada vez maior. A concorrência vinda de outros lugares provocou uma vigorosa resposta tecnológica de alguns setores da agricultura européia, por exemplo. O resultado foi o mais elevado padrão de alimentação que o mundo já experimentou. O apetite por bens materiais também teve aumento. No entanto, o exacerbado comércio deu lugar à formação de trustes e à volta do protecionismo. A corrida tecnológica se mantinha e se destacava em três áreas: novos materiais (adoção do aço, por exemplo), novas fontes de energia e a mecanização e divisão do trabalho.

Os melhores resultados, nessa época, vieram da Alemanha e dos Estados Unidos. Enquanto a Inglaterra deixava a instrução a cargo da iniciativa privada, os Estados Unidos e a Alemanha financiavam-na por meio do Estado.

Em 1915, a Inglaterra decidiu impor restrições ao fluxo comercial com outros países. Por outro lado, a Primeira Guerra Mundial tinha modificado o valor real de cada moeda e desequilibrou a estrutura dos preços relativos internacionais.

Após essa Guerra, viveu-se num ambiente intensamente inflacionário. A França ficou destruída e a Alemanha emitiu dinheiro para pagar os gastos de guerra. Apesar da Inglaterra ter retornado ao padrão ouro, em 1925, este sistema ficou obsoleto e nenhuma nação estava disposta a abrir mão de sua soberania para proteger outras moedas. Durante o período entre guerras vislumbraram-se os seguintes problemas: a condução dos negócios era difícil; desviavam-se recursos da atividade produtiva para a atividade especulativa; e, reforçavam-se os mecanismos protecionistas.

O crescimento que houve na Europa durante a década de 1920, além de desigual, teve bases pouco sólidas, pois, procurou-se, apenas, superar os desequilíbrios dos arranjos monetários internacionais. Por isso, a expansão da Alemanha já vinha em ritmo decrescente antes mesmo da queda econômica de 1929. Assim, quando os norte-americanos começaram a resgatar seus empréstimos, ocorreu uma recessão tremenda sobre o sistema bancário europeu. Os efeitos do choque da contração do crédito foram maiores devido à queda dos preços das ações industriais e à queda dos preços das mercadorias. Nesse período, a situação da Inglaterra também era crítica; somente a França (e os países do Leste europeu, por outros motivos) parecia gozar de um elevado acúmulo de reservas.

As idéias do lorde inglês J. M. Keynes (talvez o maior economista do século XX e, por muitos, considerado o “pai” da Macroeconomia) foram postas em prática. A produção industrial aumentou entre 1930 e 1935. As grandes indústrias inglesas prosperaram por causa de estímulos tecnológicos autônomos que estavam de frente a uma crescente demanda, no contexto de uma política monetária e de crédito adequadas.

Entre as respostas para aliviar a crise, a pior de todas foi a da Alemanha, dado, sobretudo pelo ressentimento provocado pela derrota durante a Primeira Guerra Mundial. O Estado alemão interveio na economia, assegurando o crescimento contínuo num clima social aparentemente pacífico. Porém, a intervenção que aconteceu no mercado de trabalho criou interferência na alocação dos recursos, da mesma maneira que a adoção do congelamento de preços. Diante do sistema presente que implicava numa longa e intensa jornada de trabalho, o PIB alemão cresceu entre 1933 e 1938. Ainda, a indústria química foi a que abriu caminho à necessidade de encontrar substitutos à importação dispendiosa e estratégica. E, para se associar a planos políticos-estratégicos, a maioria das mudanças dos ramos de produção esteve ligada à produção de armas.

No período entre guerras (até 1939) não houve nenhuma grande novidade tecnológica. Os ramos industriais que mais cresceram foram: energia e produtos elétricos, produtos químicos, produtos automotivos. Nesse período surgiu o rádio e a indústria de carros fazia o papel que antes fora da indústria ferroviária, no século XIX. Por fim, vale salientar que a indústria de algodão estava perdendo terreno para os sintéticos.

Mas, é o desenvolvimento industrial da segunda metade do século XX? Bem, conversaremos sobre isso, muito certamente, em um próximo Artigo. Até a próxima!


Mais vagas nas universidades

Paulo Alonso

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) acaba de divulgar o último censo da educação superior, no qual informa que o número de vagas nas instituições de Ensino Superior do Brasil cresceu 470%, pulando de 516.663, em 1991, para 2.429.737, em 2005.

Um dado importante e que precisa ser ressaltado é que esse crescimento foi também proporcionado, a partir da criação dos centros universitários em 1997, que, por causa de sua autonomia, podem instalar cursos e unidades, sem autorização do Ministério da Educação, em sua sede. Exceção somente para os cursos de Medicina, Odontologia, Psicologia e Direito. Cabe, ainda, enfatizar que os maiores índices de crescimento passaram a ser registrados em 1999, quando as diretrizes da Lei de Bases da Educação Nacional, promulgada em 1996, começaram a surtir efeito.

O censo de 2005 indica que as universidades concentram 44% (1.073.716) do total das 2.429.737 vagas disponíveis. Em seguida, aparecem as faculdades isoladas, integradas e institutos superiores com 36% (872.160 vagas) e os centros universitários, com 20% (483.861 vagas).

Um outro dado importante a ser destacado, em relação às categorias administrativas, é que as instituições privadas reúnem o maior percentual de vagas: 57%, ou sejam 1.3698.396; já as instituições privadas comunitárias, confessionais e filantrópicas abrigam 31%, ou seja, 748.053; enquanto as estaduais e federais estão tecnicamente empatadas com cerca de 5% das vagas, respectivamente com 128.948 e 126.254. As municipais possuem apenas 2% das vagas, com 57.086 alunos.

Pela análise do censo, pode ser igualmente observado que as instituições do interior e cursos noturnos oferecem um quantitativo maior de vagas. Em 2005, as instituições de ensino superior do interior ofereceram 1.337.060 vagas, enquanto as instituições sediadas nas capitais dos estados dispunham de 1.092.677, estabelecendo, dessa forma, uma diferença considerável de 22,36%.

A maior parte dessas vagas, segundo o censo, foi disponibilizada nos cursos noturnos, 1.598.183. Os cursos diurnos registraram 831.554 vagas, o que corresponde a 92,1% a menos. Mesmo com esse notável crescimento, o Brasil ainda precisa avançar em muito na educação superior, que reúne um contingente de matrículas menor do que os nossos vizinhos da América do Sul, como a Argentina, o Chile, a Bolívia e o Paraguai. Para que a educação superior consiga reverter esse quadro, é preciso que novas políticas públicas sejam estabelecidas e que a educação seja efetivamente uma prioridade do Estado, já que apenas 17% da população brasileira, entre os 17-24 anos, estão matriculados em uma instituição de Ensino Superior. Sabemos, perfeitamente, que sem educação não pode existir desenvolvimento sustentável, ordem e progresso.

Paulo Alonso é reitor do Grupo Anglo-Americano de Educação Superior.




TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA: DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL NO SÉCULO XIX


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Caros leitores, vamos continuar falando, mais esta semana, sobre desenvolvimento tecnológico.

Foi a pressão da demanda sobre o modo de produção que suscitou as novas técnicas industriais na Inglaterra, e foi a oferta abundante e receptiva dos fatores que possibilitaram sua rápida explosão e difusão. O processo de melhorias incrementais (destacadamente nas indústrias mecânicas, de engenharia e na indústria química) foi também pontuado por alguns grandes saltos à frente, cada qual marcada por uma inovação crucial (ou radical) que ampliava substancialmente a aplicabilidade comercial da produção. Esse desenvolvimento derivou (dentre outros) da pesquisa científica. Só que as máquinas e as novas técnicas, sozinhas, não constituem a Revolução Industrial. Elas representaram aumentos de produtividade e um deslocamento da importância relativa dos fatores de produção da mão-de-obra para o capital. Mas, a revolução também foi uma transformação tanto na organização quanto nos meios de produção. Em particular, quando congregou grande número de trabalhadores num único lugar, para ali executarem suas tarefas sob supervisão e com disciplina.

Por sua vez, até finais de 1850, a manufatura no continente europeu era caracterizada pela dispersão e pelo provincianismo. Havia grandes diferenças internacionais inter-regionais de produtividade. O custo da mão-de-obra e a pressão da concorrência inglesa foram, certamente, fatores que também criaram obstáculos à industrialização do continente. Por outro lado, houve o paternalismo dos Estados continentais. Portanto, a Revolução Industrial da Europa continental foi muita mais lenta do que a inglesa. Embora conseguissem estudar as novas máquinas e motores quase desde o início e, conseguissem adquiri-los, a despeito das proibições que incidiam sobre sua exportação, os países continentais levaram gerações para absorvê-los e um prazo ainda maior para alcançar o nível da prática britânica. Pode-se dizer que sua industrialização foi: uma resposta às pressões endógenas em direção à mudança; e uma reação aos novos métodos desenvolvidos do outro lado da Mancha.

Ente 1850 e 1873 houve um grande amadurecimento tecnológico no continente europeu. A indústria siderúrgica possibilitou a mudança do combustível vegetal para o mineral. A máquina a vapor triunfou sobre a roda d’água e a indústria química se estabeleceu fortemente. Neste período, as sociedades anônimas foram estimuladas, houve modificações legais que facilitaram a constituição de empresas mais livres. Além disso, cada vez mais empresas estrangeiras podiam atravessar as fronteiras e funcionar em bases de igualdade com as nacionais. Também, ocorreu um aumento das economias de escala e um aperfeiçoamento nos transportes principalmente através dos sistemas ferroviários. Novas fontes de energia e de matéria-prima apareceram.

Entre 1850 e 1860, a Europa Ocidental se equiparou com a Inglaterra no sentido de ter afastado os obstáculos institucionais ao crescimento e no empenho em transformar a tecnologia de suas indústrias básicas. Em 1870 a liderança inglesa começou a desaparecer em termos de sua capacidade de crescimento. Os anos decorridos entre 1873 e 1896 pareceram a muitos contemporâneos um assombroso desvio da experiência histórica. Os preços caíram de maneira desigual e esporádica, mas inexorável, através de crises e explosões de crescimento. A taxa de juros também caiu e os lucros encolheram, enquanto a “depressão periódica” se arrastava indefinidamente. O sistema econômico parecia estar desmoronando. Só que, nos últimos anos do século, tudo mudou: os preços começaram a subir, levando consigo os juros. Com a melhoria dos negócios a confiança voltou. Tudo parecia correr bem outra vez (era la belle époque). Porém, a economia internacional que se auto-ajustava serenamente cedeu lugar a um mecanismo atabalhoado e ineficiente, só mantido em operações através de ajustes e consertos reiterados. Na virada do século explodiu a Primeira Guerra Mundial que atuou como um catalisador das mudanças. A Inglaterra perdeu espaço para os Estados Unidos e para a Alemanha; mesmo assim, suas indústrias não ficaram paradas, pois, a mudança estava embutida no sistema e prosseguiram as inovações. Esses anos abriram espaço para o nascimento da energia elétrica, da química orgânica e dos sintéticos, do motor de combustão, da indústria de precisão e das linhas de montagem. A estes processos se denominou de Segunda Revolução Industrial.

Bem, por esta semana é isto. Até a próxima!



TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA E A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: O CASO DA INGLATERRA

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Caro leitor, recordemos:
O epicentro da Revolução Industrial foi à Inglaterra do século XVIII, onde uma série de invenções transformou a indústria do algodão e deu origem a um novo modo de produção – o sistema fabril. Durante esses anos, outros ramos da indústria realizaram avanços comparáveis, e todos juntos, reforçando-se mutuamente, possibilitaram novos benefícios, numa frente cada vez mais ampla.
A abundância e variedade dessas inovações podem ser agrupadas sob três princípios: a substituição da habilidade e esforços humanos pela máquina; a substituição das fontes animadas de energia por fontes inanimadas, em especial a introdução de máquinas para transformar o calor em trabalho, dando ao homem acesso a um suprimento novo e quase ilimitado de energia; e o uso de matérias-primas novas e muito mais abundantes, em particular a substituição das substâncias vegetais ou animais por minerais. Esses aperfeiçoamentos, que constituem a Revolução Industrial em seu núcleo, geraram um aumento sem precedentes na produtividade do trabalho e, com ele, uma elevação substancial da renda per capita. Além disso, esse crescimento rápido foi auto-sustentado.

Pela primeira vez na história, tanto a economia quanto o saber cresceram com rapidez suficiente para gerar um fluxo contínuo de investimentos e de inovações; um fluxo que elevou para além dos limites visíveis o teto dos entraves de tipo malthusiano (que limitava as possibilidades de crescimento da economia pelo fato da elevação do número de habitantes). Assim, a Revolução Industrial inaugurou uma era nova e promissora. Também transformou o equilíbrio do poder político dentro das nações, entre elas e entre as civilizações, revolucionou a ordem social, e tanto modificou a maneira de pensar como a de agir do homem.

As vantagens da Inglaterra de então eram muitas. Do lado da demanda, a indústria lanígera inglesa foi comparativamente favorecida. A população do reino não era grande, mas estava crescendo, em meados do século XVIII, provavelmente mais depressa que a de qualquer dos países do outro lado da Mancha. E mais, a inexistência de barreiras alfandegárias internas ou de tributos feudais criou, na Inglaterra, o maior mercado coeso da Europa. Essa união política era confirmada pela favorável geografia da ilha. Em contraste, barreiras alfandegárias internas dividiam países como a França, por exemplo.

No mercado da Inglaterra, o poder de compra per capita e o padrão de vida eram significativamente superiores aos da Europa Continental. Por seu turno, o comércio inglês do século XVIII, comparado ao do Continente, era impressionantemente ativo, empreendedor e aberto às inovações. Parte da explicação disso é institucional: os comerciantes ingleses estavam relativamente livres de restrições tradicionais ou legais quanto aos objetos ou ao caráter de sua atividade. Em longo prazo, este foi o forte da Inglaterra: a capacidade de fabricar com baixo custo justamente os artigos em relação aos quais a demanda estrangeira era mais elástica (ou seja, elevava-se com grande rapidez). Os mercados mais promissores da Inglaterra, nos séculos XVII e XVIII, não se situavam na Europa, cujas próprias indústrias estavam crescendo e cujos governantes mercantis eram cada vez mais hostis à importação de produtos manufaturados, mas nas terras de além-mar: no Novo Mundo, na África e no Oriente. O efeito do aumento das exportações, também, reforçou as pressões favoráveis à padronização e contrário à diferenciação, a quantidade em oposição à qualidade.

Do lado da oferta, havia facilidade de financiamento às invenções, as quais surgiram, em parte, porque o crescimento e a prosperidade da indústria tornaram-se imperativas; e o crescimento e a prosperidade da indústria contribuíram para possibilitar sua utilização precoce e amplamente disseminada. Não foi o capital, por si só, que possibilitou o rápido avanço da Inglaterra. A rigor, nesse aspecto, os empresários do Continente, que muitas vezes podiam contar com subsídios diretos ou privilégios monopolistas advindos do Estado, estavam em melhor situação que seus pares ingleses. O que distinguia a indústria britânica foi uma excepcional sensibilidade e receptividade às oportunidades pecuniárias. Tratava-se de um povo fascinado pela riqueza e pelo comércio, coletiva e individualmente. A estrutura da empresa era mais aberta e racional na Inglaterra do que nos países continentais. Por toda parte, a unidade empresarial fundamental era a propriedade individual ou a sociedade em família. Num país como a França, a empresa familiar era quase sempre fechada às pessoas de fora, enquanto os empresários britânicos tinham muito mais disposição de se associar com amigos ou amigos de amigos.
Como é possível perceber, existe muita a se falar sobre desenvolvimento industrial e econômico. Mas, guardemos mais um pouco para os próximos artigos.



ESTRATÉGIA, ECONOMIA E EMPREENDEDORISMO

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Não se pode reconstruir um todo simplesmente por suas partes, pois, ele é mais do que a soma delas. No entanto, para entender o todo é preciso conhecer cada uma das partes. Assim são, segundo Henry Mintzberg (um pensador em Administração), as dez escolas de estratégia. Elas são mais ou menos como um todo dividido em dez partes. As mesmas estão, ainda, divididas em três grandes
grupos: no grupo I estão a escola da concepção, a escola do planejamento e a escola do posicionamento; no grupo II estão a escola do espírito empreendedor, a escola cognitiva, a escola do aprendizado, a escola do poder, a escola da cultura empresarial e a escola do ambiente; e no grupo III está a escola da configuração.

Mas, o leitor deve estar se perguntando: o que é isto?
Pois bem, hoje em dia a estratégia é uma ferramenta gerencial imprescindível para as empresas. Neste texto, falarei da escola do espírito empreendedor (do grupo II). Esta escola apresenta a formulação de estratégia como um processo visionário. Aqui, o empreendedor tem um papel proeminente (como na Teoria Econômica. Só que no sentido estritamente econômico, o papel do empreendedor é limitado a decidir quais quantidades produzir e a que preços, já que a dinâmica competitiva cuida do resto). Mas, a ascensão das grandes empresas forçou os economistas a modificarem a Teoria Econômica, dando origem à teoria do oligopólio – que tem como base a suposição da existência de poucas empresas formando um mercado (a qual é a base da escola de posicionamento). Mas, mesmo aqui, o empreendedor ainda tem pouco a fazer além de calcular preços e quantidades.

Havia, entretanto, economistas que consideravam esta visão estreita do empreendedor como uma grande falha da Economia. Karl Marx (pensador, filósofo e economista do século XIX) foi um deles. Ele elogiava os empreendedores como agentes de mudanças econômicas e tecnológicas, mas, criticava fortemente os impactos das transformações técnico-econômicas sobre a sociedade em geral.
Todavia, a figura seminal que colocou o empreendedor em proeminência no pensamento econômico foi Joseph Schumpeter (economista do século XX). Para ele, não era a maximização de lucros que explicava o comportamento corporativo, mas sim as suas tentativas. Conseqüentemente, Schumpeter introduziu sua famosa noção de destruição criativa. Este conceito está ligado às inovações que são, para este autor, o motor que mantém o capitalismo em movimento para frente, e mais, quem dirige esse motor é o empreendedor. Para Schumpeter, o empreendedor não é necessariamente alguém que investe o capital inicial ou inventa o novo produto, mas sim a pessoa com a idéia do negócio.

Idéias são enganosas, mas nas mãos de empreendedores, elas se tornam poderosas e também lucrativas. Para aqueles que, como os economistas, focalizam as partes tangíveis da empresa, como dinheiro, maquinário e terras, a contribuição dos empreendedores pode parecer instável.

No entanto, a visão e criatividade são menos evidentes. Schumpeter procurou esclarecer isto da seguinte maneira: o que fizeram os empreendedores? Eles não acumularam nenhum tipo de bem, não criaram meios de produção, mas empregaram os meios de produção existentes de maneira diferente, mais apropriada, mais vantajosa. Eles implantaram novas combinações. E seu lucro, o excedente, ao qual não corresponde nenhuma dívida, é um “lucro empreendedor”.

Mas afinal, para Schumpeter, “novas combinações”, inclusive fazer coisas novas ou coisas que já são feitas de uma nova maneira, era vital. Além disso, embora um fundador possa permanecer no comando de sua organização, na visão de Schumpeter essa pessoa deixa de desempenhar uma função empreendedora tão logo para de inovar.

Para se ter uma noção da importância dos temas estratégia, inovação, empreendedorismo e economia, no Brasil, das quase seis milhões de empresas, 99% são consideradas micros e pequenas, ou seja, aquelas que possuem menos de 100 funcionários. O setor da indústria responde por cerca de 18% do total de empresas, o de comércio por 45% e o de serviços por 37%, conforme tabela
abaixo:

Branson, em seu livro Reflexões de um empreendedor diz: “o maior risco que qualquer um de nós pode assumir é investir dinheiro em um negócio que não conhece”. E ainda afirma que “à medida que as empresas crescem, devem ter cuidado para que a gerência não perca o contato com o básico – que é o cliente”.
Na atualidade, buscamos entender a evolução do empreendedorismo, suas características, sua tipologias, suas variáveis, a idéia é assumir “riscos calculados”.

Sejamos, pois, estrategistas e empreendedores.


O MERCADO ECONÔMICO

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Caros leitos, iremos discutir, hoje, sobre a principal instituição da vida econômica dos seres humanos (e, talvez, a principal instituição da vida humana moderna). Iremos falar sobre o mercado.

Os mercados podem ser, efetivamente, instrumentos de organização da Economia. Embora as diferentes estruturas de mercado não sejam igualmente eficientes do ponto de vista social, outros mecanismos de organização da economia não produziram resultados equivalentes aos que as modernas economias conseguiram por meio do mercado. Mercado e economia, na atualidade, são, portanto, quase sinônimos.

Mercados transparentes e “atomizados”, em que os preços são os parâmetros de informações e decisões, podem gerar eficiência econômica em escala ótima e maximização do bem-estar social. E, mesmo por mercados menos “perfeitos”, podem transitar resultados de interesse social, com a possibilidade, por exemplo, de progresso técnico.

Em sua acepção primitiva, a palavra mercado dizia respeito a um lugar determinado onde os agentes econômicos (consumidores, produtores, firmas, agencias do governo, etc.) realizavam suas transações. Os textos de história econômica citam os grandes mercados da antiguidade, como o de Marselha, no Mediterrâneo; de Bizâncio e de Calcedônia, na Ásia; de Náucratis, no Egito; de Veneza e Gênova, na Itália medieval.

Por tradição histórica, este conceito chegou até os dias atuais. Cidades interioranas tradicionais que têm, pelo menos, porte médio, ostentam a igreja, a praça pública, o coreto, a prefeitura e o mercado: aí estão os elementos essenciais da vida em sociedade. O mercado permanece, por tradição, como um lugar definido, especialmente edificado, para o encontro de produtores e consumidores. Nesses “mercados locais”, geralmente, o que mais se vende são produtos, também locais, destinados a suprimentos básicos.

Mas, o conceito de mercado, em sua acepção econômica mais ampla, está bem distante desta tradição. O mercado, agora, é uma abstração. Já não existe a conotação geográfica. Executivos de grandes empresas industriais, agroindustriais, financeiras falam de dificuldades com que eles se defrontam no mercado. E eles não estão se referindo a nenhum lugar, mas a uma abstração econômica. O mercado é definido pela existência de forças aparentemente antagônicas: as da procura e as da oferta. Quando ambas ocorrem, simultaneamente, definem um mercado. Quando há procura por trabalhadores e pessoas dispostas a trabalhar; ou então quando há pessoas aplicando e outras procurando por empréstimos nos bancos; quando empresas emitem debêntures ou ações e pessoas procuram por estes títulos; quando, enfim, recursos humanos, financeiros e de capital são ofertados e procurados, pode-se dizer que há um mercado.

Portanto, o termo mercado diz respeito ao conjunto de compradores e vendedores que interagem, assim com as vendas e compras que podem resultar dessas interações. O preço do mercado é determinado pela interação entre vendedores e compradores. Em mercados completamente “competitivos”, um único preço prevalece.

No mercado existe a lei da oferta e da demanda. A LEI GERAL DA OFERTA, diz que: “a oferta de um bem, em determinado período de tempo, varia na razão direta da variação de preços desse bem a partir de um nível de preços tal que seja suficiente para fazer face ao custo de produção e até o limite superior de pleno emprego dos fatores”; enquanto que a LEI GERAL DA PROCURA (DEMANDA), diz que: “a quantidade procurada de determinada mercadoria varia na razão inversa dos seus respectivos preços; mantidas as demais influências constantes”. Assim, a quantidade procurada de um bem e seu preço deve se comportar inversamente: toda vez que o preço diminui a quantidade procurada deve aumentar.

Logo, entender as flutuações dos preços na Economia constitui uma ferramenta na tomada de decisões e este entendimento está vinculado a percepções das leis da oferta e da procura.

Um grande abraço a todos e até o próximo Artigo.





A MICROECONOMIA E A MACROECONOMIA

Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos
Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano

Caros leitores. Iniciarei este Artigo ressaltando que a Economia está dividida em dois ramos principais: a Microeconomia e a Macroeconomia.
A Microeconomia trata do comportamento individual das “unidades econômicas”. Tais “unidades” abrangem consumidores, trabalhadores, investidores, entidades
do governo, proprietários de terra, empresas – na realidade, quaisquer agentes que tenham participação na produção e/ou distribuição de bens (riqueza). A Microeconomia explica como e por que essas unidades tomam decisões de produção e consumo. Por exemplo, ela esclarece como os consumidores tomam decisões de compra e de que forma suas escolhas são influenciadas pelas variações de preços e rendas; explica, também, de que maneira as empresas determinam o número de trabalhadores que contratarão e como os trabalhadores decidem onde e quanto trabalhar.

Outra importante preocupação da Microeconomia é saber como as empresas interagem para formar as unidades maiores – mercados e indústrias. A Microeconomia ajuda a compreender, por exemplo, por que razão a produção de soja no Brasil (e no Paraná) se desenvolveu da forma como se desenvolveu e como os produtores e consumidores interagem no mercado de soja (e nos demais mercados do agronegócio). Ela explica como são determinados os preços das sacas de soja, os montantes de investimento em sua produção e quantas toneladas de soja são produzidas a cada ano. Por meio do estudo do comportamento e da interação entre cada empresa e os consumidores, a Microeconomia revela como os setores e os mercados operam e se desenvolvem, por que são diferentes entre si e como são influenciados por políticas governamentais e condições de produção e consumo globais.

Logo, pode-se concluir que a Teoria Microeconômica (ou Teoria dos Preços, como também é conhecida) preocupa-se em estudar o comportamento econômico das unidades individuais, tais como consumidores, empresas e proprietários de recursos. Ela trata, basicamente, dos fluxos de bens e serviços das empresas para os consumidores, dos fluxos dos recursos produtivos (ou seus serviços) dos seus proprietários para as empresas, da composição desses fluxos e da formação dos preços dos componentes desses fluxos. Nesse sentido, alguns dos objetivos da Teoria Microeconômica é responder questões do tipo:

• o que determina o preço dos diversos tipos de bens e serviços?
• o que determina a remuneração de um trabalhador?
• o que determina o quanto de cada mercadoria será produzido?
• o que determina a maneira pela qual um indivíduo gasta sua renda
entre os mais diversos tipos de bens e serviços?

Por outro lado, a Macroeconomia é definida como sendo o estudo do comportamento agregado (global) de uma economia. Enquanto a vida econômica de uma nação depende de milhões de ações isoladas, realizadas por empresas, consumidores, trabalhadores e funcionários do governo, o foco da Macroeconomia é a análise das conseqüências globais dessas ações individuais. Por exemplo, em um certo mês, milhares de empresas aumentaram o preço de seus produtos, enquanto milhares de outras baixaram seus preços. Para compreender a alteração geral dos preços, os macroeconomistas vão analisar uma média das milhares de alterações individuais. Para fazer isso, criam e analisam um índice especial de preços, ou seja, uma média dos preços individuais, a fim de poderem calcular o valor geral da alteração de preços da economia.

A abordagem básica da Macroeconomia, portanto, consiste em observar as tendências gerais da economia, em vez de examinar as tendências que afetam isoladamente empresas, trabalhadores ou regiões. Medidas especiais e resumidas da atividade econômica (produto nacional bruto, taxa de poupança, índice de preços ao consumidor) revelam a “grande fotografia” das alterações e tendências econômicas gerais. Essas medidas macroeconômicas gerais são ferramentas com as quais os macroeconomistas analisam as principais alterações, em vez de as influências específicas que afetam somente as partes individuais dessa economia.

A Macroeconomia trata, portanto, das quantidades econômicas agregadas, tais como o nível e a taxa de crescimento do produto nacional, taxas de juros, desemprego, inflação e as transações externas de um país.

Porém, a fronteira entre a Macroeconomia e a Microeconomia não é tão clara ou fácil de se perceber. Isso ocorre porque a Macroeconomia também envolve análise de mercados – por exemplo, mercados agregados de bens e serviços, mão- de-obra e títulos de empresas. Para entender como operam tais mercados agregados é necessário que se compreenda o comportamento das empresas, dos consumidores, dos trabalhadores e dos investidores que os compõem. Dessa
maneira, os macroeconomistas têm se preocupado, cada vez mais, com os fundamentos microeconômicos dos fenômenos econômicos agregados e grande parte da Macroeconomia é, na realidade, uma extensão da análise microeconômica.

Ainda, caro leitor, é necessário integrar aos conceitos micro e macroeconômicos as definições sobre os mercados. Mas, isso será assunto para próximos Artigos.

Um grande abraço e até a próxima.


TRANSFORMAÇÃO TECNOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL


Prof. Dr. Fred Leite Siqueira Campos

Coordenador do Curso de Administração
Faculdade Anglo-Americano


Caro leitor, vamos, agora, a uma pequena aula de história econômica.
Pois bem, é sabido que a Revolução Industrial começou na Inglaterra no século XVIII, de onde se difundiu desigualmente para os países da Europa Continental e para algumas áreas de além-mar. No intervalo de duas gerações, transformou a vida do homem ocidental, a natureza de sua sociedade e seu relacionamento com os outros povos do mundo. Até então, os avanços do comércio e da indústria, por mais satisfatórios e impressionantes que fossem, tinham sido essencialmente superficiais: mais riqueza, mais mercadorias, cidades prósperas, nababos mercantis. O mundo havia assistido a outros períodos de prosperidade industrial – na Itália medieval e em Flandres, por exemplo – mas vira a fronteira do novo avanço econômico retroceder em cada um desses casos; inexistindo mudanças qualitativas e melhorias na produtividade não podia haver garantia de que os lucros meramente quantitativos se consolidassem. Foi a Revolução Industrial que deu início a um avanço cumulativo e auto-sustentado da tecnologia, cujas repercussões se fariam sentir em todos os aspectos da vida econômica. Esses avanços materiais provocaram e promoveram um grande complexo de mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais, que influenciaram reciprocamente a velocidade e o curso do desenvolvimento tecnológico.

A industrialização, por seu turno, está no coração de um processo maior e mais complexo, muitas vezes designado como modernização. Ela abrange avanços como a urbanização; a redução acentuada das taxas de mortalidade e natalidade; o estabelecimento de uma burocracia governamental eficaz e bastante centralizada; a criação de um sistema educacional capaz de formar e socializar as crianças e adultos (no qual o Anglo é um de seus resultados. Será que era pensável, há duas décadas passadas, a existência, em Foz do Iguaçu, por exemplo, de uma Faculdade com doutores e mestres de elevada formação?); e a aquisição da capacidade e dos meios de utilizar uma tecnologia atualizada.

Vários fatores concorrem para explicar a localização inicial da Revolução Industrial. A Europa Ocidental já era rica antes da Revolução Industrial – rica em comparação com outras partes do mundo naquela época e do mundo pré- industrial de hoje. Essa riqueza era produto de séculos de lenta acumulação, baseada, por sua vez, no investimento, na apropriação de recursos e de mão-de- obra extra-européia e num progresso tecnológico substancial, não apenas na produção de bens materiais, mas também na organização e financiamento de sua troca e distribuição. Também, o âmbito da atividade privada era muito maior na Europa Ocidental do que em outras partes do mundo, e aumentou à medida que a própria economia cresceu e abriu novas áreas de iniciativa não cercada por regras ou costumes. Essa tendência era auto-reforçadora: cresciam mais depressa as economias que eram mais livres. Ainda mais importante foi o impulso dado à inovação. Os valores cruciais da cultura e da sociedade européia que deram origem ao moderno mundo industrializado eram: de um lado, a racionalidade nos meios; de outro, fins cheios de energia, e não quietistas.

Mas, esses valores, isoladamente, não explicam toda a discrepância existente entre o desenvolvimento econômico ocidental e o dos principais centros da civilização em outras áreas.

Por fim, houve, também, o elemento da violência diferencial – a violência, primeiramente, no sentido das incursões destrutivas, e, em segundo lugar, no sentido da dominação e exploração de uma sociedade por outra.

É importante percebermos, caro leitor, que esses elementos foram decisivos para o início da Revolução Industrial (nos países “brancos” da Europa Ocidental). Sobre esse assunto temos muito que falar, mas, parte ficará para os próximos artigos. Até lá!


Copyright © 2005 Grupo Anglo-Americano