Jornal do Anglo







 

 

A não obrigatoriedade do diploma para o jornalismo: um golpe duro à democracia


O ministro Gilmar Mendes apresentou, recentemente, seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. O mais curioso é que, em determinado trecho, ele mencionou as atividades de culinária e corte e costura, para as quais não é exigido diploma. Essa argumentação é, no mínimo, uma barbaridade com os profissionais de jornalismo, não querendo, é claro, desmerecer os profissionais de culinária, corte e costura. São atividades totalmente diferentes e que não servem para comparativos. A supressão das normas relativas à atividade não atende aos princípios da liberdade de expressão e de imprensa consignados na Constituição brasileira nem aos interesses da sociedade. Cabe aqui ressaltar a lucidez do Ministro Marco Aurélio Mello, único da corte, que, em seu voto, defendeu a permanência da obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Mais do que uma punição ou coerção ao trabalho da imprensa, essa decisão é um duro golpe à qualidade da informação jornalística. A exigência do diploma não impede ninguém de escrever em jornal ou revista. Não é exigido diploma para escrever em jornal, mas sim para exercer em período integral a profissão de jornalista.

A Associação Brasileira de Imprensa, obviamente, repudiou a decisão do Supremo, declarando que tem razões especiais para lamentar esse fato porque, já em 1918, há mais de 90 anos, portanto, a associação organizou o 1º Congresso Brasileiro de Jornalistas e aprovou como uma das teses principais a necessidade de que os jornalistas tivessem formação de nível universitário. Creio que não interessa a ninguém um jornalismo menos qualificado, pois seria um grave prejuízo ao país, mas também não consegui entender como as maiores empresas de jornalismo apoiaram essa decisão, já que ameaça as bases da própria democracia brasileira.

De acordo com o último Censo da Educação Superior produzido pelo Ministério da Educação, o Brasil tem, atualmente, cerca de 220 mil alunos matriculados nos cursos de comunicação social. Esse número demonstra, claramente, o interesse de milhares de jovens pela profissão. Os alunos do curso de jornalismo também repudiaram a decisão do STF, já que ingressaram nas universidades, buscando obter, nos bancos escolares, uma formação mais ampla que lhe permitissem exercer com mais capacidade intelectual a profissão que escolheram. Daí, tantas manifestações em todas as partes do Brasil, por parte dos estudantes. Eles não imaginavam que a mais alta Corte de Justiça do país fosse, por maioria absoluta, oito votos a um, derrubar a exigência do diploma, com as justificativas apresentadas, que contrastam com o exercício do profissional. Foi um duro golpe à democracia.

E é justamente das universidades que partem anualmente dezenas de bons profissionais, que, empenhados e sempre querendo buscar superar-se, acabam se tornando bons repórteres, redatores, chefes de reportagem e editores. Nas universidades, não se estuda apenas disciplinas específicas de jornalismo impresso, televisivo ou radiofônico, mas profundos conceitos de antropologia, filosofia, sociologia e psicologia. E esse conjunto de disciplinas que faz a diferença na formação de um profissional egresso de uma faculdade de jornalismo. Esse profissional é, por motivos óbvios, muito mais completo e possui, conseqüentemente, uma visão de mundo muito mais profunda, com olhar mais crítico.

Diferentemente do passado em que os profissionais que atuavam no jornalismo eram ligados, por exemplo, ao direito, dentre outras carreiras, os cursos de jornalismo surgiram para oferecer uma formação mais específica a quem quisesse atuar nessa área. Desde a criação desses cursos, muitas modificações têm sido implementadas nas estruturas curriculares dos cursos de jornalismo, visando torná-los cada vez mais sintonizados com a realidade mundial. Dessa forma, disciplinas com conteúdos específicos, tais como jornalismo econômico, jornalismo ambiental e jornalismo esportivo, para citar apenas algumas, foram inseridas nessas estruturas curriculares. Podemos constatar que a formação do egresso de uma universidade é muito mais completa, justamente pelo conhecimento que adquiriu em quatro anos de estudo teórico, prático, específico e de pesquisa, do que a de um cidadão, que não se graduou ou que se formou em outra área do conhecimento. Um cidadão que escreve artigos, nem sempre possui a noção exata do que é ser um jornalista. Uma coisa é ser articulista, por exemplo, da área financeira, outra, e bem diferente, é possuir uma formação humanística e com conhecimentos específicos de funcionamento e de concepção de um veículo de comunicação.

A desprofissionalização, com o passar do tempo e com a contratação de cidadãos sem uma formação específica, acarretará em um enfraquecimento da categoria, influenciando diretamente nos salários e com uma queda, em conseqüente, acentuada na qualidade da informação que hoje é veiculada. O aluno diplomado em jornalismo sempre estará mais bem preparado, com a formação obtida na universidade, para disputar uma vaga no cada vez mais competitivo mercado de trabalho

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

 

Índice mede qualidade das escolas


O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007 para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do INEP e em taxas de aprovação. Assim, para que o Ideb de uma escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita de ano e freqüente a sala de aula. Para que pais e responsáveis acompanhem o desempenho da escola de seus filhos, basta verificar o Ideb da instituição, que é apresentado numa escala de zero a dez. Da mesma forma, gestores acompanham o trabalho das secretarias municipais e estaduais pela melhoria da educação. O índice é medido a cada dois anos e o objetivo é que o país, a partir do alcance das metas municipais e estaduais, tenha nota 6 em 2022 – correspondente à qualidade do ensino em países desenvolvidos.

Esse indicador, que mede a qualidade da educação, foi pensado para facilitar o entendimento de todos e estabelecido numa escala que vai de zero a dez. A partir deste instrumento, o Ministério da Educação traçou metas de desempenho bianuais para cada escola e cada rede até 2022. O novo indicador utilizou na primeira medição dados que foram levantados em 2005. Dois anos mais tarde, em 2007, ficou provado que unir o país em torno da educação pode trazer resultados efetivos. A média nacional do Ideb em 2005 foi 3,8 nos primeiros anos do ensino fundamental. Em 2007, essa nota subiu para 4,2, ultrapassando as projeções, que indicavam um crescimento para 3,9 nesse período. O indicador já alcançou a meta para 2009. Se o ritmo for mantido, o Brasil chegará a uma média superior a 6,0, em 2022. É o mesmo que dizer que teremos uma educação compatível com países de primeiro mundo antes do previsto.

Com o Ideb, os sistemas municipais, estaduais e o federal de ensino têm metas de qualidade para atingir. O índice, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep /MEC), mostra as condições de ensino no Brasil. A fixação da média seis a ser alcançada considerou o resultado obtido pelos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), quando se aplica a metodologia do Ideb em seus resultados educacionais. Seis foi a nota obtida pelos países desenvolvidos que ficaram entre os 20 mais bem colocados do mundo.

A partir da análise dos indicadores do Ideb, o MEC ofereceu apoio técnico ou financeiro aos municípios com índices insuficientes de qualidade de ensino. O aporte de recursos se deu a partir da adesão ao Compromisso Todos pela Educação e da elaboração do Plano de Ações Articuladas (PAR).

Em 2008, todos os 5.563 municípios brasileiros aderiram ao compromisso. Assim, todos os municípios e estados do Brasil se comprometeram a atingir metas como a alfabetização de todas as crianças até, no máximo, oito anos de idade. O MEC dispõe de recursos adicionais aos do Fundo da Educação Básica (Fundeb) para investir nas ações de melhoria do Ideb. O Compromisso Todos pela Educação propõe diretrizes e estabelece metas para o Ideb das escolas e das redes municipais e estaduais de ensino.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

Avaliação Institucional sem mistério

O Professor Eduardo Cordeiro de Souza, Diretor de Desenvolvimento Institucional do Grupo Anglo-Americano, escreve artigo sobre Avaliação Institucional.

A avaliação institucional produz efeitos? Por que avaliar? O que se busca com a avaliação? Quais são as finalidades da avaliação? As perguntas são muitas.

Um dos grandes desafios das instituições de ensino superior (IES) do país nos dias atuais reside na implantação de um sistema de avaliação interna que permita a toda comunidade acadêmica conhecer a sua realidade institucional. Tarefa simples, diriam alguns, que ainda acreditam que o processo avaliativo limita-se a levantar dados e informações, apenas, apresentando a quem interessar uma gama considerável de elementos estatísticos, expressos em gráficos, quadros e tabelas, que disponibilizam números sem correlação direta, tampouco com algum significado produzido a partir de uma análise reflexiva.

A forma de raciocinar descrita acima caracteriza uma das concepções de avaliação que se tem conhecimento, bastante contestada na literatura específica. A fim de contribuir para o devido enquadramento, vale informar que alguns dos modelos e concepções de avaliação existentes podem ser resumidamente caracterizados por duas grandes tendências principais, com funções distintas, a saber:

A primeira grande tendência é a avaliação de natureza somativa, centrada no objeto (produto) e mais voltada para a regulação, o controle e a hierarquização ou classificação dos indivíduos, grupos ou instituições. É orientada para o cumprimento de normas e requisitos (verifica a conformidade pela norma, demonstrando certa dose de conservadorismo, pois não discute se a norma é boa ou ruim) e voltada para o estabelecimento de padrões de status e excelência. Tem ênfase quantitativa e monorreferencial (separa o objeto). Por somativa, portanto, entende-se a avaliação que permite determinar em que medida foram alcançados os objetivos ou produzidos os efeitos pretendidos, o valor do projeto em relação às necessidades dos beneficiários, julgando se o mesmo deve ou não ser mantido.

A segunda grande tendência é a avaliação de natureza formativa, mais comumente interna e centrada no processo e no sujeito (envolve todos os protagonistas), com vistas à melhoria da qualidade. É orientada por uma lógica de transformação, voltada para a efetividade científica e social. Tem ênfase qualitativa e plurirreferencial. Dessa forma, serve para partilhar informações com os envolvidos no projeto, de modo a que eles saibam como está sendo feita a avaliação e quais os julgamentos que estão sendo atribuídos no decorrer da atividade. A chamada avaliação formativa, deste modo, é contínua e participativa, uma vez que pretende garantir a liberdade comunicativa e desenvolver o compromisso coletivo com a aprendizagem. De forma quase grosseira, pode-se dizer que este é um modelo mais moderno de avaliação.

Cabe apontar os objetivos básicos que se pretende atingir com a utilização do modelo de avaliação formativa nos processos de auto-avaliação institucional: o autoconhecimento e a tomada de decisão. O autoconhecimento significa identificar os acertos e as ineficiências e envolve um processo de reflexão sobre as razões, as causas das situações positivas e das insuficiências. A tomada de decisão pode ser entendida como uma ação conseqüente à avaliação, disseminando as estratégias de sucesso e modificando o que funciona mal, deixando de reproduzir o que não vem dando certo. A partir daí, a finalidade das ações avaliativas decorrentes do processo estará voltada para a reconstrução dos instrumentos de avaliação e para o aperfeiçoamento da instituição, ou seja, a avaliação aplicada não visa a punição e nem a premiação dos indivíduos ou grupos objetos de análise.

Uma característica marcante do processo avaliativo de natureza formativa parte do princípio de que o modelo adotado pode garantir o envolvimento de todas as instâncias da instituição na auto-avaliação de forma processual, contínua e sistemática. Por esse motivo, reconhece ser fundamental conscientizar os sujeitos envolvidos na avaliação sobre a importância de que os mesmos assumam o processo como parte de seu cotidiano, de forma a criar uma cultura institucional de avaliação, incorporada na rotina e internalizada em cada um desses sujeitos.

Entende-se que a avaliação formativa, para cumprir seu papel de estratégia de aperfeiçoamento institucional, tem de ser eticamente sustentável, tecnicamente competente e politicamente legítima. Para tanto, é indispensável que a comunidade interna à instituição, assim como as instâncias governamentais e a sociedade civil, reconheçam que a estratégia de avaliação, os procedimentos avaliativos e o uso de seus resultados sejam assertivos. Da mesma forma, a legitimidade dos condutores do processo de avaliação, no caso a CPA, deve ser reconhecida por todos. Percebe-se, portanto, que a sustentabilidade ética, a qualidade técnica e a legitimidade política do processo avaliativo são fundamentais para que os seus resultados possam ser transformados em ações efetivamente relevantes e transformadoras.

A avaliação institucional pretende fazer um levantamento detalhado de informações com finalidade diagnóstica. A comunidade acadêmica precisa estar comprometida com a produção de dados fidedignos. O processo avaliativo é, antes de tudo, um processo educativo. A intenção implícita dos instrumentos de pesquisa na coleta de informações é forçar os sujeitos, ora avaliados, ora avaliadores, a repensarem sua prática, muitas vezes sobre temas e questões que passam despercebidos no exercício cotidiano de suas funções. A avaliação não tem pretensão de ser punitiva, mas não pode, por outro lado, ser confundida com omissão. Se necessário for, intervenções devem ser sugeridas pela comunidade acadêmica e pela CPA aos gestores da IES.

Foco no Plano de Ações

Analisando os relatórios de avaliação institucional produzidos por grande parte das instituições de ensino superior, percebe-se a predominância do foco na produção documental, ou seja, no registro detalhado das informações colhidas através dos mais diversos instrumentos de pesquisa. Essa prática de avaliação, de natureza somativa, pode ser equivocada, uma vez que tende a ser reducionista, considerando os objetivos que se pretendem alcançar. Uma constatação infeliz, diga-se de passagem.

A avaliação institucional não deve focar-se apenas no registro das informações. Não que as informações não sejam importantes, longe disso. Elas são fundamentais. Porém, muito mais importante do que gerar as informações é aquilo que se faz com elas. Se forem apenas registradas, estarão condenadas a virar estatística.

As informações devem ser organizadas, analisadas, discutidas e relativizadas. Deste processo, deve surgir um plano de ações. E o plano não pode ser essencialmente corretivo. O que está dando errado precisa ser mudado, é evidente. Mas é importante, também, que o plano de ações esteja, repita-se, comprometido com a manutenção das práticas que vem dando certo. O plano de ações sempre deve ser o resultado de uma construção coletiva, com a participação efetiva de todos os sujeitos envolvidos. Se não for desta forma, o ato de avaliar não faz sentido, não produz efeitos e não transforma.


 

 

Revalidação de diplomas


Atualmente, para ter validade nacional, o diploma de graduação tem que ser revalidado por uma universidade brasileira pública que tenha curso igual ou similar, reconhecido pelo governo. Para obter a revalidação, é necessário, de acordo com a legislação atual, que o candidato: a) entre com um requerimento de revalidação em uma instituição pública de ensino superior do Brasil. De acordo com a regulamentação, apenas as universidades públicas podem revalidar diplomas: “São competentes para processar e conceder as revalidações de diplomas de graduação as universidades públicas que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim.” (Artigo 3º, Resolução Nº 1, de 29 de Janeiro de 2002);

b) apresente, além do requerimento, cópia do diploma a ser revalidado, instruído com documentos referentes à instituição de origem, duração e currículo do curso, conteúdo programático, bibliografia e histórico escolar; c) pague uma taxa referente ao custeio das despesas administrativas. O valor da taxa não é pré-fixado pelo Conselho Nacional de Educação e pode variar de instituição para instituição.

Para o julgamento da equivalência, para efeito de revalidação de diploma, será constituída uma Comissão Especial, composta por professores da própria universidade ou de outros estabelecimentos, que tenham qualificação compatível com a área do conhecimento e com o nível do título a ser revalidado. Se houver dúvida quanto à similaridade do curso, a Comissão poderá determinar a realização de exames e provas (prestados em Língua Portuguesa) com o objetivo de caracterizar a equivalência.

O requerente poderá ainda realizar estudos complementares, se na comparação dos títulos, exames e provas ficar comprovado o não preenchimento das condições mínimas exigidas pela legislação educacional vigente.

O prazo para a universidade se manifestar sobre o requerimento de revalidação é de seis meses, a contar da data de entrada do documento em uma universidade federal.

O Brasil não possui nenhum acordo de reconhecimento automático de diplomas, Sendo assim, as regras são as mesmas para todos os países.

A revalidação de diploma de graduação expedido por instituições de ensino estrangeiras é regulamentada pela Resolução CNE/CES nº 01, de 28 de janeiro de 2002, alterada pela Resolução CNE/CES nº 8, de 4 de outubro de 2007.

A revalidação é feita pelas universidades públicas, que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim. Caso haja dúvida quanto à similaridade do curso, a universidade pode solicitar a realização de exames e provas, com o objetivo de caracterizar a equivalência.

Os diplomas de mestrado e doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades brasileiras que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior, desde que obedecidos os mesmos critérios e parâmetros exigidos para as convalidações dos cursos de graduação.


 

 

Saudade de Zora Seljan

Três anos já se passaram desde que Zora Seljan partiu, numa manhã ensolarada de a bril, deixando seus incontáveis leitores despidos do seu talento literário. Ensaísta, dramaturga, romancista e escritora de ficção científica, Zora, filha do arqueólogo croata Stevo Seljan, veio para o Brasil com seu irmão, Mirko, para explorar a Amazônia e aqui ficou durante a Segunda Guerra Mundial, foi uma figura marcante nas rodas culturais, nas quais sempre esbanjou sabedoria, humor e, principalmente, sedução.

Do final da década de trinta ao início dos anos cinqüenta, Zora foi casada com o notável escritor Rubem Braga, falecido em 1990. Seu segundo marido foi Antonio Olinto, membro da Academia Brasileira de Letras. Eles se casaram em 1955. A partir de então, os dois trabalharam juntos em atividades culturais e literárias. Quando Antonio Olinto foi crítico literário de O Globo, Zora Seljan assinava a crítica de teatro no mesmo jornal, sendo que às vezes as duas colunas saíam lado a lado na mesma página.

Antes de os dois seguirem para a Nigéria, já Zora havia escrito a maioria de suas peças de teatro afro-brasileiras, das quais, mais tarde, em Londres, uma delas, Exu, Cavaleiro da Encruzilhada, seria levada em inglês por um grupo de atores ingleses e norte-americanos sob a direção de Ray Shell, que participara de produção de Jesus Christ Superstar. Na Nigéria Zora Seljan foi leitora na Universidade de Lagos. De volta da África, Antonio Olinto publicaria um relato de sua missão ali, Brasileiros na África, e Zora Seljan lançaria dois livros: A Educação na Nigéria e No Brasil ainda Tem Gente da Minha Cor? Em 1973, os dois fundaram um jornal, em Londres e em inglês, The Brazilian Gazette.

Ela foi uma de um punhado de escritoras pioneiras dentro da ficção científica, em atividade durante os anos sessenta e setenta. Além de escrever ficção científica, foi autora de vários livros sobre a cultura africana e de estudos afro-brasileiros e de peças com assuntos relacionados - um interesse compartilhado por seu segundo marido, Olinto.

Até a sua morte, Zora foi a principal entrevistadora de figuras literárias publicadas no Jornal de Letras. Sua obra estará sendo reeditada ainda este ano. Assim sendo, os seus livros, maioria deles esgotados editorialmente, poderão ser novamente lidos e percebidos. Melhor, sobretudo, para os mestrandos e doutorandos dos cursos de antropologia, ciências sociais e sociologia que se servem desses textos para o desenvolvimento de suas pesquisas stricto sensu. Que esse relançamento seja de fato breve.

A cultura afro-brasileira agradece.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 

Coréia do Sul, um exemplo a ser seguido


Visitar a Ásia, o maior continente do planeta e onde moram 60% da população do mundo, significa ampliar os sentidos, enxergar novas cores, experimentar outros sabores, perceber novos costumes e se confundir, algumas vezes, com modos de vida totalmente diferentes dos ocidentais. Visitar a Ásia é, na realidade, como abrir a Caixa de Pandora. Uma verdadeira surpresa. E é justamente em Seul, uma cidade de 11 milhões de habitantes, capital da Coréia do Sul, país cercado pela China, Rússia e Japão, que o viajante descobre uma metrópole rigorosamente segura, com um povo muito bem educado e culto e com um padrão de vida de dar inveja aos países mais desenvolvidos do mundo.

Seul abriga enormes letreiros em neón, prédios altíssimos, shoppings centers aberto quase que 24h (Coex Mall), rios com águas cristalinas correndo pelas calçadas e avenidas, muito consumo e uma produção hi-tech absolutamente fantástica. Mesmo com todo esse movimento feérico, o turista pode descansar nos seus numerosos parques sossegados, lindamente arborizados, como o Namsan,  e curtir a natureza, contemplando o Templo de Jogyesa, os Palácios de Gyeongbokgung, de Changdeokgung e Deoksugung, e imensas torres, sempre com a hospitalidade do sul-coreano – uma marca registrada desse povo.

Em Insadong, a cultura tecnológica dá lugar ao velho continente. Ali não há prédios altos. Ao contrário, suas pequenas ruas abrigam o que existe de mais genuíno nessa capital. São tavernas da tradicional gastronomia coreana, casas com especiarias sempre muito perfumadas, dezenas de antiquários e uma infinidade de galerias de arte. Um prato que não pode ser desprezado é o ppeondaegi. Na realidade, larva de bicho-da-seda frita. Eles são comercializadas em saquinhos de amendoim. Uma delícia!

Muitos comparam Seul com Tóquio. E essa comparação é natural, uma vez que o Japão dominou a Coréia por três décadas. Durante a Segunda Guerra Mundial, homens coreanos foram obrigados  a lutar pelos japoneses e mulheres foram feitas prostitutas. A violência foi tanta que até mesmo o hangeul, a escrita coreana, foi por eles proibida. Na realidade, as duas Coréias foram uma só até o final da guerra. Com a derrota, os soviéticos ocuparam o norte e os americanos e ingleses se estabeleceram no sul. E desde 1953, vive dividida em duas: a República Popular da Coréia, ou Coréia do Norte, acima do paralelo 38, e a República da Coréia, mais conhecida como Coréia do Sul. A fronteira entre os dois países está apenas a 55 quilômetros de Seul, que, inclusive, já foi atacada algumas vezes pela Coréia do Norte, que escavou três gigantescos túneis para chegar a Seul. Nessa fronteira encontra-se a Zona Desmilitarizada, uma das mais fortificadas de todo o mundo. Para se chegar até lá, todo o cuidado é pouco. Necessário levar passaporte, assinar um termo de responsabilidade em caso de ataque inimigo e não ir de bermuda, chinelo e camiseta com estampa provocativa. Policiais entram nos ônibus de turismo, checam as fotos e os passaportes e impedem o uso de câmeras de vídeo e ou de fotografias...

Não são só as belezas de Seul, suas tradições milenares, seus costumes e sua gente que fascinam os visitantes. Na realidade, a Coréia do Sul, esse Tigre Asiático, é um exemplo para o mundo, na área da expansão e do desenvolvimento educacional. Suas autoridades enviaram muitos dos seus estudantes ao exterior com bolsas de estudo, para que buscassem formação e informação. Em 2007, haviam quase 200 mil alunos cursando universidades em nível de graduação e nos programas de mestrado e de doutorado, especialmente nos Estados Unidos, Japão e Inglaterra. E assim, além de incentivar e manter universidades de ponta, com cerca de 4 milhões de estudantes matriculados na educação superior, a Coréia do Sul cria tecnologia em todos os setores e mantém as mais altas taxas de produtividade do planeta. Esse feito glorioso levou menos de quatro décadas para se consumar.

A educação superior da Coréia do Sul experimentou todo esse progresso com a ajuda de políticas reformistas criativas e eficazes e de efetivos planos para a melhoria da qualidade. Os dirigentes da Coréia do Sul acreditam que é necessário que a educação universitária do Século XXI seja considerada no quadro geral da globalização em que o mundo vive, uma vez que a educação se tornará transnacional e que a tendência é a mobilidade do aprendizado e, em consequência, a educação sem fronteiras. E para atender a essas necessidades, universidades reformistas renovaram seu sistema curricular para, primeiramente, incorporar a capacidade do estudante para a ciência da informação e línguas estrangeiras como pré-requisitos para a graduação e, segundo, para permitir intercâmbio de recursos humanos e materiais com as demais universidades sul-coreanas e as de outros países.

A Coréia do Sul demonstra ao mundo que o seu espantoso desenvolvimento se deve ao fato de ter apostado na educação como ferramenta imprescindível ao seu projeto sócio-político-educacional e ainda por ter inserido a educação e a saúde pública como prioridades na agenda nacional.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



 

Educação recebeu R$ 117 bilhões

Pelo segundo ano consecutivo, o Inep realizou estudo sobre a quantidade de recursos públicos investidos nos diferentes níveis da educação brasileira, incluindo as etapas da educação básica (educação infantil e ensinos fundamental e médio) e educação superior.

O investimento público na educação brasileira em 2007 foi de 4,6% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em números absolutos, isso representa um aporte de R$ 117,4 bilhões. A pesquisa apurou dados de 2000 a 2007 e inclui investimentos dos governos federal, estaduais e municipais. O percentual de investimento público em educação subiu de 4,4% em 2006 para 4,6%, em 2007. Os dados estão comparados ao PIB. Em 2005, o índice foi de 3,9%. O valor se aproxima do padrão de Investimento dos países desenvolvidos – de 5%, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O maior incremento financeiro se concentra na educação básica, que reúne 3,9% do total de Investimento em relação ao PIB. Em 2006, o percentual era de 3,7%. Nos demais níveis de ensino, o investimento se manteve constante entre 2006 e 2007, inclusive na educação superior que ficou estabilizado em 0,7%. De acordo com o estudo, foram verificadas pequenas variações, como no caso da educação infantil, que teve investimento direto igual a 0,3% do PIB em 2006 e, em 2007, de 0,4%.

São considerados investimentos diretos os recursos aplicados nas instituições de ensino, como, por exemplo, para a aquisição de livros didáticos, merenda e transporte escolar, pagamento de professores, obras e instalações para a melhoria das escolas.

Em termos de investimento total, o maior crescimento novamente foi verificado na educação básica, que teve 4,3% de investimentos relativos ao PIB em 2006, sendo que em 2004 este percentual era de 3,6. Os especialistas justificam o aumento 0,7 pontos percentuais neste período à adoção de políticas públicas voltadas para esse nível de ensino. Em contrapartida, os investimentos na educação superior mantiveram-se constantes, sendo que o índice de 0,8% em relação ao PIB foi mantido de 2006 para 2007.

Nos demais níveis de ensino, o índice também apresentou estabilidade entre 2000 e 2007. No ensino médio, o investimento em 2000 foi de 0,6% do PIB e de 0,7%, em 2007. Já na educação infantil ele variou de 0,4% a 0,5 % do PIB entre 2000 e 2007.

No item de investimento total em educação são coletadas informações sobre pessoal ativo e seus encargos sociais, ajuda financeira aos estudantes (bolsas de estudos e financiamento estudantil), despesas com pesquisas e desenvolvimento, transferências ao setor privado, estimativa para complemento da aposentadoria futura de pessoal ativo (cota patronal), além de outras despesas correntes e de capital.

O estudo também aponta os dados de investimento em educação por aluno. Em 2007, o investimento p úblico anual em um aluno da educação básica foi de R$ 2.005. Em 2006, este custo era de R$ 1.852 e, em 2000, era de R$ 1.310. Os valores apresentados no estudo estão corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Dentro da educação básica, o estudo revelou significativo crescimento nos ensinos fundamental e médio. O gasto por aluno no ensino médio era de R$ 902 em 2003, enquanto que em 2007 passou para R$ 1.572. Já nas primeiras séries do ensino fundamental, o valor apurado em 2007 foi de R$ 2.166 por aluno, sendo que em 2000 era de apenas R$ 1.289.

A pesquisa apura ainda a relação entre o que se investiu por aluno no ensino superior em relação ao ensino básico. Em 2000, a proporção do que se investia por aluno no ensino superior era 11 vezes maior que na educação básica. Sete anos depois, diminuiu para pouco mais de seis. Segundo especialistas, esta diminuição é explicada por dois motivos: elevado aumento de investimento na educação básica de 2000 para 2007 e ampliação do número de matrículas na educação superior no mesmo período. A meta do Ministério da Educação é reduzir para quatro essa proporção, como ocorre nos países desenvolvidos.

O estudo sobre os indicadores do investimento público na educação é resultado de uma parceria entre Inep, MEC, Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Para sua realização foi criado um grupo de trabalho, sob a coordenação do Inep, que compatibilizou os dados de investimento educacional com base na metodologia utilizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Desta forma, adotou-se a mesma metodologia usada por organismos internacionais em estudos similares. Assim, será possível a comparação dos dados nacionais com aqueles que são produzidos por outros países.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



 

Novo Enem não terá língua estrangeira, filosofia e sociologia

A primeira edição do vestibular unificado não terá prova de língua estrangeira, sociologia e filosofia. Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Reynaldo Fernandes, as matrizes para a elaboração dessas provas não estão prontas, e o prazo é insuficiente para a sua realização. A decisão vale apenas para este ano e afeta a seleção das universidades que aderirem ao novo Enem. O Inep utilizará na elaboração da primeira edição do vestibular unificado a matriz do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Já na segunda edição, em 2010, O Inep incluirá essas matérias.

O anúncio feito pelo presidente do Inep gerou algumas manifestações contrárias ao não oferecimento, por exemplo, de língua estrangeira. Recentemente, a coordenadora de ensino e graduação da UnB, Márcia A brahão, declarou que uma seleção para universidade sem língua inglesa representa um retrocesso.

A mesma opinião tem o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal, Amábile Pacios. De acordo com ele, o processo estará sendo sucateado e a qualidade da seleção sofrerá perdas. Para Amábile é difícil imaginar uma prova de vestibular sem língua estrangeira, uma vez que a disciplina é obrigatória na grade das escolas.

No Rio, o Conselho de Ensino e Pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) aprovou por unanimidade um novo modelo de vestibular para 2010, incluindo as questões objetivas do novo Enem como forma de avaliação na primeira fase, que continua sendo eliminatória. O Enem valerá metade da nota.
As questões desta fase serão objetivas de múltipla escolha. Nessa fase, os candidatos farão provas com perguntas pertinentes à grande área de conhecimento a que pertence o curso escolhido, sendo que as questões de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa serão comuns a todas as áreas.

A segunda etapa de provas da UFF vai permanecer igual com questões específicas e discursivas. Os alunos da rede pública de ensino que passarem para a segunda fase terão um bônus de 10%. O candidato que tiver nota igual ou superior a 7 do Enem vai ter mais 5% sobre a nota final.

O vestibulando para passar na segunda fase deverá ter um número de acertos igual ou superior à média aritmética da prova e do novo Enem, respeitado o limite máximo de oito e o mínimo de três vezes o número de vagas oferecido pelos cursos.

Os professores da rede pública terão reserva de 20% das vagas em cursos de licenciatura.

A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) decidiu abolir de vez seu vestibular e optar pelo novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a partir deste ano como única forma de ingresso do aluno na instituição.

A Unirio é a segunda instituição de ensino federal do Estado do Rio de Janeiro a aderir ao novo Enem - a primeira foi o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ). Desde 2001, a Unirio utilizava o Enem como uma das maneiras de acesso a seus cursos de graduação, sendo que há dois anos passou a destinar 50% das vagas a quem decidisse usar as notas do exame. Da mesma forma, a UniverCidade aderiu ao Enem, como parte do seu processo seletivo.

Pesquisa da Unirio mostra que, no período entre 2004 e 2008, a taxa de evasão da instituição foi de cerca de 25%; sendo que 79,8% desse total era de alunos que fizeram vestibular e apenas 13% de estudantes que ingressaram pelo Enem. A universidade ainda vai definir de que forma serão aplicadas as provas de habilidade específica, como os de artes cênicas e música.

As provas do Enem deverão, ainda, passar por pré-testes, antes da aplicação. O novo Enem deve ser realizado nos dias 3 e 4 de outubro e, mesmo diante de insistentes pedidos de reitores para adiar a data, o presidente do Inep garante que o prazo será mantido.

A expectativa é que 4 milhões de pessoas façam o exame. Todas as redações serão corrigidas, uma vez que a prova tem o intuito de avaliar o ensino médio e não só selecionar para as universidades.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

 

MEC quer mudar currículo do Ensino Médio

O Ministério da Educação pretende acabar com a divisão por disciplinas presente no atual currículo do ensino médio. A proposta, que está sendo discutida na Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, é distribuir o conteúdo das atuais 12 matérias em quatro grandes grupos: línguas estrangeiras, matemática; ciências humanas; e ciências exatas e biológicas. Atualmente, o currículo é muito fragmentado e o aluno não vê aplicabilidade no programa ministrado, o que reduz o interesse do jovem pela escola, levando-o muitas vezes à evasão. A mudança ocorrerá por meio de incentivo financeiro e técnico do MEC aos Estados da Federação, pois a União não pode impor o sistema. O novo Enem, Exame Nacional do Ensino Médio, que deverá substituir o vestibular das universidades federais, será outro indutor, pois também não terá divisão por disciplinas. Segundo a proposta, as escolas terão liberdade para organizar suas próprias estruturas curriculares, o que é um sinal claro de inovação, desde que seus currículos sigam as diretrizes federais e apresentem uma base comum.


Os últimos resultados do Enem mostraram que 60% dos nossos alunos estudam em escolas abaixo da média nacional, o que vai de encontro com o progresso e o desenvolvimento da própria nação brasileira. A idéia é não oferecer mais um currículo enciclopédico, rígido, com 12 disciplinas, em que os alunos dominam muito pouco a leitura, o entorno e a própria vida prática.

Para também tentar garantir mais qualidade, está previsto o aumento da carga horária, das atuais 2.400 horas para 3.000 horas, em um acréscimo total de 25%. Com essa mudança de paradigma, será preciso que as escolas reorganizem os seus espaços e, mais do que isso, será necessário criar no professor uma nova mentalidade, mais moderna, arrojada e empreendedora.

Afinal, os atuais docentes foram preparados, ao longo das décadas, para ensinar em disciplinas e não em módulos. Treinamentos e capacitações serão requeridos para que os professores, a partir dessa implantação, possam mudar sua didática, inovando-a.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 

 

MEC divulga calendário de avaliação da educação superior em 2009

Iniciou-se, recentemente, as visitas ao segundo grupo de Instituições de Ensino Superior e de cursos de graduação que serão avaliados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, neste ano de 2009. O cronograma de avaliações divulgado indica que 95 instituições receberão a visita de avaliação institucional externa e 41 cursos de graduação serão avaliados para a renovação de reconhecimento. Também serão avaliados oito cursos remanescentes de grupos anteriores.

Os avaliadores já iniciaram as visitas às IES, desde o último dia 31 de março. No caso dos cursos, as visitas começaram no dia 18 de março.

Além das datas, o cronograma apresenta ainda a relação nominal das instituições e cursos que serão avaliados. Conforme a diretora de Avaliação da Educação Superior do Inep, Iguatemy Lucena, esta nova medida serve para reforçar a transparência do processo, possibilitando que as instituições conheçam a composição de cada grupo de avaliação no momento da sua divulgação.

Na definição das instituições incluídas no segundo grupo de 2009 foram levados em conta a existência na IES de cursos avaliados no Enade 2007 e que estejam, simultaneamente, em processo de renovação de reconhecimento.

No caso dos cursos, foram selecionados aqueles das áreas avaliadas pelo Enade em 2007, que obtiveram Conceitos Preliminares (CPC) menores do que três ou que ficaram sem conceito. O CPC é um indicador de qualidade da educação que varia de um a cinco, sendo que um é a nota mínima, e cinco, a máxima.

A avaliação institucional externa é uma das três dimensões do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). O sistema compreende ainda a avaliação de cursos e de desempenho dos estudantes A avaliação externa é realizada por comissões designadas pelo Inep e tem como referência os padrões de qualidade para a educação superior expressos nos instrumentos de avaliação e no relatório de auto-avaliação.

Por meio do cronograma de avaliações estabelecido para 2009, o Inep pretende garantir, ainda no primeiro semestre do ano, os resultados do primeiro ciclo de avaliação do Sinaes. Para o Inep, a implementação do Sinaes, em todas as suas dimensões, é um desafio que exige ações articuladas. A complexidade do sistema impõe a necessidade de uma articulação efetiva entre as diretrizes da Conaes (Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior), os instrumentos de avaliação, as ações e os respectivos prazos a serem observados pelas IES em cada fase que antecede a visita das comissões.

O INEP conta com um banco de avaliadores ad hoc, capacitados regularmente, e que visitam cursos e instituições, objetivando autorizar, reconhecer ou renovar reconhecimento de cursos ou credenciar ou recredenciar instituições de ensino superior. Essa recapacitação se faz necessária, em virtude de os instrumentos avaliativos estarem, vez por outra, sendo readequados, para permitir, dessa forma, avaliações ainda mais criteriosas e que possam evidenciar fortalezas e fraquezas das IES e/ou cursos, buscando sua melhoria permanente, em prol da própria educação do Brasil.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-AmericanoProf. Dra. Cynthia Borges de Moura e Psicóloga Bruna de Moraes Aguiar.

Palestrante e acadêmicos do Curso de Psicologia

 

 

No Nepal, contrastes culturais


Caos. Contrastes. Pobreza absoluta. Buzinaço alucinante pelas vielas, becos e “avenidas”. Vacas e macacos pelas ruas, sem placas de sinalização. Gente hospitaleira. Templos exuberantes. Paisagens inesquecíveis. Terra do Monte Everest. País aonde nasceu Buda. Essas são apenas algumas das muitas considerações que podem ser feitas ao Nepal, país encravado na encosta da Cordilheira do Himalaia e situado entre a China e a Índia, no centro-sul da Ásia, com cerca de 27 milhões de habitantes, em uma área de menos de 141 mil quilômetros quadrados, mas, em altura, é recordista mundial, pois abriga oito das dez maiores montanhas do mundo.

 Antigo reino, tornou-se  república, recentemente, mas o antigo soberano, que subiu ao trono depois de assassinar seus pais, apesar de deposto, continua vivendo em Kathamandu, em uma residência que ocupa um quarteirão, bem perto do Palácio Real, onde viveu toda a sua vida. A atual República ainda não teve condições de promover mudanças no país, que sofre com o desemprego, com a ausência de saneamento básico, com a falta de moradia e com poucas escolas e raras universidades. Os problemas políticos, sociais, militares e econômicos são, talvez, do tamanho do próprio país e é muito improvável que tais mazelas possam ser ultrapassadas ainda neste século.

Apesar dessa situação verdadeiramente dramática em que está mergulhado esse país, é absolutamente fascinante visitá-lo. Lá, a vida cruel nos leva a reflexões, a uma viagem para dentro de nós mesmos. Nos triciclos, ou “tuc-tucs como são chamados, passear pelo bairro de Thamel é uma aventura. São centenas de tendas e pequenas lojas espalhadas por quarteirões de vielas completamente esburacadas, sob um colorido de legumes, verduras, frutas e flores. Centenas de indigentes estão jogados pelo caminho, assim como dezenas de sandhus (homens pobres com suas caras pintadas, verdadeiras máscaras) são vistos. Encontrar um sandhu e não dar-lhe algum dinheiro pode trazer má sorte reza a crendice local.

Bem próximo de Thamel encontra-se a Praça Durbar, a mais visitada da capital. A confusão de turistas, nepalenses, táxis e vendedores de qualquer coisa não esconde a beleza arquitetônica dos templos. Pechinchar é uma arte em Kathmandu. “Galerias” de arte são ali também verificadas. E a maioria delas  exibe pinturas de excelente qualidade, com destaque para as que apresentam o nascimento e vida do Buda, feitas com fios de  ouro de 24 quilates.

Nada, todavia, pode ser comparado aos grandes templos de Swayambunath, Pashupatinath e Boudhanath. O  Swayambunath é o principal santuário budista de Kathmandu. Arqueólogos acreditam que esse templo exista há pelo menos 2 mil anos.  Em uma área de quase 65 quilômetros quadrados, o visitante percorre até o topo da montanha, local onde se encontra o templo, mais de 40 degraus, cercado de gigantescas estátuas de budas, de macacos e de jardins.

Já o  Pashupatinath está construído as margens do Rio Bagmati, considerado sagrado pelos nepalenses. É o principal templo hinduísta do país e é também conhecido pelas cerimônias de cremação públicas. De um lado, os corpos da população pobre são queimados na plataforma, entre galhos de árvores, carvão, na presença de familiares homens; do outro lado, os ricos são cremados em plataformas em um ritual sofisticado e em sândalo.  As cinzas e sobras das fogueiras são jogadas ao rio. Curioso é que crianças e até adultos ficam por ali naquelas águas poluídas, com a intenção de pescar dentes de ouro para, após, revendê-los.  Maior mausoléu do país, o Boudhanath é parecido com o Swayambunath, mas sua majestosa construção branca e imensa cúpula dourada, ainda mais agigantada devido às construções dos prédios baixos ao seu redor, é bem mais impressionante.

O antigo Palácio Real, na Avenida Durbar Mag, transformou-se em museu e é aberto a visitação. Os prédios da Suprema Corte de Justiça, o Parlamento, as Torres dos Relógios e Branca, o Portão Dourado e a Praça Indrachowk, endereço do Templo Akash Bhairab e do mercado antigo merecem ser, da mesma forma, visitados. As modernas edificações das embaixadas dos Estados Unidos, Japão e França são destaques nas paisagens de Kathmandu. O Brasil não possui representação diplomática no Nepal.

O Nepal é daquelas viagens mágicas que não terminam jamais, nem quando chegamos de volta ao Brasil. E prova que há maneiras e formas diferentes de se encarar a vida, de ver e lidar com as coisas e com as pessoas. Viajar ao Nepal é, antes de mais nada, um grande aprendizado.


 Paulo Alonso é jornalista e Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

 
Mulheres são maioria na Educação Básica


O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira, o INEP, acaba de divulgar uma pesquisa sobre a presença da mulher brasileira no sistema educacional e mostra números crescentes, em termos absolutos, em todos os níveis de ensino. Na comparação com a presença masculina, na Educação Básica, elas constituem minoria nas creches e no Ensino Fundamental, mas são maioria no Ensino Médio.

De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica, levantamento realizado anualmente pelo Inep, em 2005 estavam matriculadas no Ensino Fundamental 16.367.401 meninas, o que representa 48,80% do total de matrículas naquele ano. Esse percentual manteve-se praticamente o mesmo no ano seguinte, com matrículas de mulheres representando 48,66% do total. Já no Ensino Médio, a proporção de matrículas de mulheres aumentou nesse período. Em 2005, elas representam 53,99% e, em 2006, o 54,06%. Em 2007, do total de 31.733.198 estudantes do Ensino Fundamental, 5.394.707 ou 48,51% eram meninas. Já, no Ensino Médio, o percentual de meninas supera o de homens. Elas representavam 54,7% do total de 8.264.816 alunos.

Se há variação em termos de matrículas, quando o assunto é desempenho o rendimento feminino apresenta crescimento, inclusive em relação ao dos homens. De acordo com estudo produzido pelo Inep, o desempenho na prova de português do SAEB referente a 2007 revela um rendimento de 182,3 para as mulheres na 4ª série do Ensino Fundamental, enquanto os homens, nesta mesma série, obtiveram desempenho de 172,4, numa escala de 0 a 500. O levantamento foi feito em escolas públicas e privadas de todo o País.
A diferença de rendimento é ainda maior na 8ª série do Ensino Fundamental quando se trata de proficiência em língua portuguesa, sendo que as mulheres tiveram média de 240,7 e os homens, 228,7, uma diferença de 12 pontos. E, no 3º ano do Ensino Médio, a superioridade feminina em língua portuguesa é novamente comprovada. Elas tiveram aproveitamento de 263,5, enquanto os meninos ficaram com 259,9. Conforme mostra a tabela, os homens apresentam melhores médias em matemática nas três série avaliadas: 4ª e 8ª do Ensino Fundamental e 3º ano do Ensino Médio.

As mulheres do Sudeste são as que apresentam melhor rendimento médio. Mas são as mulheres do Distrito Federal que tiveram melhor desempenho em 2007 em Língua Portuguesa e Matemática, na 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental. Elas apresentaram média de 200,7 em Português e de 210,9, em Matemática. Já no 3º ano do Ensino Médio, são as gaúchas que apresentam maior desempenho em Português, com 286,3 de aproveitamento. Já em relação à disciplina de Matemática, novamente são as estudantes do sexo feminino do Distrito Federal que lideram com média de 291,8.

Da mesma forma, as mulheres já são também maioria nos bancos universitários. E não é à toa que, cada vez mais, as mulheres no Brasil estão ocupando cargos e funções de altíssimo relevo e importância nos Tribunais Superiores, nos Tribunais Estaduais, no Congresso Nacional, nas Academias de Letras, Artes e Cultura, no Esporte, na Música...em todos os setores da vida.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 


 

Instituto de Pesquisa Antártico é instalado

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT APA) foi instalado, no último dia 1º de abril, em solenidade realizada no Ministério do Meio Ambiente (MMA). O Instituto, criado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, constituiu-se em uma rede de pesquisa com a participação de mais de 40 pesquisadores ligados a 16 diferentes instituições, dentre elas o próprio MMA, parceiro no projeto.

O objetivo do Instituto é estudar as mudanças ambientais que ocorrem na Antártica, o continente mais preservado e, ao mesmo tempo, mais frágil do planeta. Sua atuação está focada na Ilha Rei George, onde está instalada a Estação Antártica Brasileira Comandante Ferraz, que tive a oportunidade de visitar quando matriculado no Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra. Essa região é a mais sensível do planeta às variações climáticas. Suas peculiaridades permitem que se detecte, precocemente, a resposta do ambiente às mudanças globais. Registros meteorológicos indicam um rápido aumento na temperatura atmosférica local ao longo dos últimos 50 anos, quatro vezes maior que a média mundial. Nesse período, a ilha perdeu 7% de sua cobertura de gelo. As maiores perdas de gelo já observadas no planeta – com destruição de mais de 7000 quilômetros quadrados - ocorreram nos últimos oito anos a apenas 350 quilômetros da Ilha Rei George.

Outra tarefa importante do INCT APA será o monitoramento ambiental da Baía do Almirantado, com estudos sobre o impacto que as atividades humanas têm causado sobre o ambiente.

Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia foram criados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia que, por meio do CNPq, lançou edital convocando a comunidade científica nacional a realizar pesquisas. A criação dos institutos conta com parceria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) e as Fundações de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), do Pará (Fapespa), de São Paulo (Fapesp), Minas Gerais (Fapemig), Rio de Janeiro (Faperj) e Santa Catarina (Fapesc), Ministério da Saúde e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Foram criados 123 projetos que terão recursos de R$ R$ 581 milhões para os próximos cinco anos.
Com a implantação de um Instituto com essa dimensão, importância, finalidade e responsabilidade, espera-se que o Brasil possa, por meio dos seus pesquisadores e das suas consequentes pesquisas, ter dados ainda mais consistentes para o diagnóstico dos impactos que as atividades desenvolvidas pelo homem causam e prejudicam o meio ambiente em que vivemos.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

   
Listão de dispensados do Enade 2008

O Diário Oficial da União publicou recentemente  uma portaria com os dispensados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, Enade, relativo ao ano de 2008. Os estudantes concluintes dispensados do exame realizado no dia 9 de novembro do ano passado podem procurar sua Instituição de Ensino Superior e requerer o diploma de conclusão de seu curso.

Em 2007, foram avaliadas as áreas de Arquitetura e Urbanismo, Biologia, Ciências Sociais, Computação, Engenharia, Filosofia, Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Química; e cursos superiores de tecnologia em: Construção de Edifícios, Alimentos, Automação Industrial, Gestão da Produção Industrial, Manutenção Industrial, Processos Químicos, Fabricação Mecânica, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores e Saneamento Ambiental.
Os faltosos ao Enade tiveram um prazo no ano passado para entregar suas justificativas de ausência. Todas as solicitações de dispensa foram avaliadas por uma comissão especial constituída e designada pelo Ministério da Educação (MEC). Os alunos que não tiveram aceitas suas justificativas continuam em situação irregular e devem prestar o exame neste ano para regularizar a situação acadêmica. Sem o exame, não poderão receber os seus diplomas, mesmo que concluído o curso universitário. O prazo para as IES inscreverem seus alunos nessa situação é de 1º a 19 de junho, de acordo com o texto da Portaria Normativa 1/2009.

O Enade 2009 será realizado no dia 8 de novembro e participarão da prova  estudantes do final do primeiro ano de curso e do último ano de curso das áreas selecionadas. São considerados ingressantes aqueles estudantes que, até o dia 1º de agosto, tiverem concluído entre 7% e 22% da carga horária mínima do currículo do curso da Instituição em que está matriculado, já  os concluintes são aqueles que, até o dia 1º de agosto, tiverem concluído pelo menos 80% da carga horária mínima do currículo do curso da sua IES ou aquele estudante que tenha condições acadêmicas de conclusão do curso no decorrer do no ano letivo de 2009.

Assim sendo, as IES de todo o Brasil e os estudantes universitários que se enquadrarem nessas normas devem ficar atentos. Na realidade, o Ministério da EDucação, ao instituir um processo avaliativo nacional, deseja saber objetivamente como está sendo a transmissão do conhecimento aos alunos, avaliando ainda organização didático-pedagógica da IES, seu corpo docente e infra-estrutura. Não podemos imaginar que as avaliações sejam punitivas, mas esperando sempre que sejam construtivas para, assim, melhor qualificar os nossos alunos que se matriculam nas várias instituições nacionais, visando o seu crescimento intelectual e apostando, com o conhecimento recebido, um lugar no cada vez mais restrito mercado de trabalho.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

   
Dubai, um lugar único no planeta

Ao chegar ao Aeroporto Sheik Rachid, em Dubai, a maior cidade dos Emirados Árabes Unidos, com cerca de 1,6 milhão habitantes, o passageiro logo se impressiona. O aeroporto mais parece um gigantesco e sofisticado shopping - center. Mesmo diante dessa imensidão, ainda está sendo construído outro, o  Dubai World Central International Airport, planejado para ser o maior do mundo, com capacidade para 120 milhões de passageiros por ano. Não é um equívoco afirmar que Dubai possui 30% dos guindastes de construção de todo o mundo. A cidade, um verdadeiro canteiro de o bras, impressiona pela expansão, pela altura dos edifícios e pela arquitetura arrojada dos prédios e, sobretudo, pela grandiosidade dessa metrópole que está sendo projetada sobre o enorme Deserto de Larbad. Ao contrário dos demais Emirados Árabes Unidos, a economia de Dubai não se baseia primordialmente na exploração do petróleo. Apenas 7% da renda do emirado são obtidas dessa fonte. A maior parte dos recursos é proveniente da Zona Franca Jebel Ali, onde se localiza o porto de Dubai, o 13° mais movimentado do mundo, e empresas multinacionais, sobretudo canadenses, austríacas, norte-americanas e suíças, que gozam de vantajosas isenções comerciais e fiscais. As atividades relacionadas ao turismo, 33% das divisas, também têm aumentado sua participação na economia. O crescimento do PIB gira em torno de 19%, mais que o dobro da China. A população nativa de Dubai é absolutamente minoritária, daí a cidade ainda não ter identidade própria. Mais de três quartos dos seus habitantes são originários de outros países, em especial, do Paquistão, do Cazaquistão, da Malásia, das Filipinas e da Índia. Sem impostos sobre pessoas física e jurídica e com um código legal que favorece a propriedade e a iniciativa privada, Dubai incorpora o lema do velho Sheik Rashid: "O que é bom para os comerciantes é bom para Dubai".

Tudo em Dubai é grandioso. Lá está, por exemplo, localizado o único hotel sete estrelas do mundo, o Burj Al Arab, situado em uma ilha e com uma infra-estrutura tecnológica de última geração, em formato de vela. Não muito distante dele, pode ser contemplado O Burj Dubai, a Torre de Dubai. É o arranha-céu mais alto do mundo, embora ainda esteja em final de construção. Não se sabe qual será a altura exata do edifício, mas acredita-se que ele terá aproximadamente entre 700 e 800 metros de altura, o que o fará não somente o arranha-céu mais alto do mundo, bem como a estrutura mais alta do mundo, com um custo estimado de oito bilhões de dólares. Ao atingir sua altura máxima, o Burj Dubai deverá superar não somente o arranha-céu mais alto do mundo da atualidade, o Taipei 101, bem como a estrutura não sustentada por cabos em terra firme mais alta do mundo, a Torre CN, e a estrutura mais alta do mundo, a Torre da KVLY-TV

Já a Dubailand, na Sheik Zayed Road, é um outro projeto altamente arrojado, situada em uma área  do tamanho da Cingapura. Promete ser a grande atração de entretenimento, ainda este ano, quando será inaugurada. Todavia, uma atração imperdível e, ao mesmo tempo, surreal, é visitar o Shopping dos Emirados, o maior de Dubai, com 500 lojas e uma enorme estação de esqui coberta. Inquestionavelmente, é uma das idéias locais mais estranhas, já que a visão de uma enorme pista de esqui interna coberta de neve, com menos 4º C, a primeira do Oriente Médio, é algo esquisito no calor úmido do Golfo Pérsico, onde o espetáculo dos emirenses esquiando e vestidos de burcas e/ou canduras, falando o árabe é, no mínimo, curioso. Esse complexo encerra o maior parque de neve interno do mundo, com três mil metros quadrados de encostas “alpinas” cobertas de neve, com teleférico, pistas de esqui e de trenós.

Dubai guarda um perfil de Manhattan e de Las Vegas, um porto de classe internacional e gigantescos centros de compra livres de impostos aduaneiros. Atrai mais turistas do que toda a Índia, mais navios do que a Cingapura e mais capital estrangeiro do que muitos países europeus. Pessoas de 150 nacionalidades foram viver e trabalhar ali. Dubai tem até ilhas artificiais, algumas em forma de palmeira, para acomodar os milionários. David Beckham, Rod Stewart e Michael Schumacher estão construindo suas mansões na Ilha Palmeira de Jumeirah, onde existe uma bela marina e hotéis simplesmente maravilhosos.  Uma segunda ilha artificial com o mesmo formato da palmeira já está fase final de construção.

Em Dubai celulares incrustados de diamantes custam 10 mil dólares e vendem como água. Milhões de pessoas voam para lá só para fazer compras. O Gold Souk, mercado de ouro, é algo mágico e mítico. São quilos e quilos de ouro nas centenas de lojas esperando por compradores e por preços vantajosos. Fica na parte norte, conhecida como Deira, maior centro comercial e turístico, com vários mercados, escolas, hotéis, clubes e o aeroporto.

Dubai é um lugar único no planeta. Apontada por muitos como a cidade que mais cresce no mundo, este centro de comércio cravado no Golfo Pérsico, às margens do Oceano Índico, transformou-se em um dos destinos urbanos mais cheios de glamour, espetaculares e futuristas do mundo.

Existe também um novo projeto para a construção de outra ilha artificial em que, ao contrário de um desenho de palmeira, será o desenho do mapa mundo.  Um hotel deve ficar com o conjunto formado por várias ilhas que, se olhadas por cima, mostram o mundo. The World também será um arquipélago artificial onde a maior parte das ilhas já foi comprada por investidores de todo o mundo, que estão desembolsando de 7 a 30 milhões de dólares por suas mansões.

Contrastando com a vida movimentada dos cafés e restaurantes, dos iates luxuosos e dos prédios sofisticados da cidade, encontra-se o deserto, de onde se pode contemplar um maravilhoso por do sol, sob o vento das areias finas e avermelhadas e sob o olhar dos dromedários e camelos, em suas reservas.

Caminhar pelo deserto e navegar pelas águas cristalinas e verdes do Golfo Pérsico são dois dos mais belos e inesquecíveis passeios em Dubai. Imagens que certamente permanecerão por toda a vida na memória e nos corações daqueles que têm a oportunidade de conhecer essa única e tão fantástica cidade do Oriente Médio.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



 

Senadores resistem às cotas raciais

As Discordâncias são muitas e em vários pontos. Assim sendo, a questão da reserva de cotas raciais nas universidades ainda demandará muita discussão no Parlamento do Brasil. E é claro que no que depender da disposição dos mem bros da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) dos Deputados nº 180/2008, que impõe reserva de vagas em todas as universidades públicas, está longe, muito longe de ser aprovado. Ao menos da forma como fora concebido.

Um levantamento feito recentemente junto aos 81 Senadores da República deixa claro que a maioria desses parlamentares é contra a implantação de cotas étnicas para o acesso de estudantes negros, pardos e indígenas às escolas técnicas e às universidades federais. Até mesmo os senadores do bloco de apoio ao governo se mostram reticentes na hora de aderir às cotas raciais. No plenário e na própria CCJ, Os debates são muitos e sempre acalorados.

Dos 24 senadores – 23 titulares mais a relatora, a suplente Serys Slhessarenko (PT-MT) – que decidirão sobre a questão, apenas três se declaram favoráveis às cotas étnicas, enquanto 11 são contra a aprovação do projeto incluindo critérios raciais. Quatro outros senadores ainda estão indecisos e seis preferiram não informar os seus votos. Se a reserva de vagas por critérios étnicos incomoda aos parlamentares, sobretudo os da oposição, a possibilidade de se estabelecer cotas sociais conta com a simpatia da maioria.

Dos 11 contrários ao PLC, dois recusam qualquer tipo de cota e nove a defendem com base apenas em critérios sociais, como a obrigatoriedade de o aluno ter feito a educação básica em escola pública ou pertencer à família com renda mensal que não ultrapasse um salário mínimo e meio per capita. A discussão promete ainda muito barulho no dia de hoje, 1º de abril, data da audiência pública que vai contar com a presença do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, de reitores de universidades públicas e de representantes da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). A expectativa é de que o parecer da Senadora Serys, favorável à aprovação do projeto, seja apresentado no mesmo dia.

O Senador tucano Álvaro Dias, do Paraná, apresentou emenda ao projeto para que ele estabeleça apenas a cota social. Mas a relatora já avisou que não aceita a retirada do que para ela é a “essência” do projeto, a cota racial.

Tudo indica que o parecer da Senadora Serys será pela cota considerando três cortes: ter frequentado escolas públicas, renda e etnia. Se continuar a pensar dessa forma, fica, desde já, confirmado que Serys rejeitará emendas como a de Álvaro Dias.

A passionalidade tem marcado o discurso dos parlamentares que já se posicionaram sobre o tema. Quem defende a cota social argumenta que ela é mais abrangente, pois inclui automaticamente negros, pardos e indígenas, quase sempre alunos das escolas públicas, e também os brancos menos favorecidos. E, ainda, evitaria um problema futuro na hora de suspender a política de cotas.

Já o Senador Gilvam Borges, do PMDB-AP, acredita que o problema não está na cor da pele, mas na base da pirâmide, por isso, de acordo com ele, é imprescindível tratar o assunto como uma questão social – afirma o senador Gilvam Borges (PMDB-AP).

A questão tem suscitado dúvidas até em parlamentares do PT, como o Senador Eduardo Suplicy (SP) que ainda não sabe de que forma votará.

Convicto, o Senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) demonstra a mesma paixão pelo tema que aqueles que pretendem retirar os holofotes da questão racial. Para ele, é uma grande balela esse argumento de criar um novo problema. Problema, para Simon, é o que existe hoje, com 80% dos negros nas favelas, nas cadeias e não nas universidades.

Autora de uma das propostas que deram origem ao PLC, a petista Idelli Salvatti (SC) julga desnecessário o critério de renda, que viria sobrepor-se à obrigação de o estudante ter frequentado escola pública. Para Salvatti, há muitos cortes, o que torna o projeto complexo. O melhor, ainda de acordo com Salvatti, deve prevalecer o critério da proporcionalidade étnica aliado ao de escola pública.

Enfim, o dia de hoje promete muita discussão, muitas brigas e disputas e talvez não se chegue a nenhum consenso. O tema é o da vez e a Esplanada dos Ministérios e o Palácio do Planalto acompanham os desdobramentos dessa questão, que, sem dúvida, é de grande interesse para a vida nacional.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano



Nova ortografia da Língua Portuguesa

Paulo Alonso

Depois de quase duas décadas, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está saindo do papel e passando a ser empregado. O Brasil é o primeiro país entre os que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, a adotar oficialmente a nova ortografia, neste ano de 2009. Essas regras ortográficas que constam no acordo serão obrigatórias em todos os documentos governamentais, mas nos estabelecimentos educacionais o prazo será mais dilatado, em face do cronograma de compras de livros didáticos pelo Ministério da Educação. As mudanças mais importantes alteram a acentuação de várias palavras, extinguindo, por exemplo, o uso do trema e ainda sistematizando a utilização do hífen. O acadêmico Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, será o guardião pelo uso correto da nova ortografia e ainda será o responsável em emitir pareceres sobre eventuais dúvidas sobre a utilização da nova ortografia.

No Brasil, as alterações atingem aproximadamente 0,5% das palavras, contudo nos demais países, que adotam a ortografia de Portugal, o percentual sobe para 1,6%. Dentre os países da CPLP, o acordo já foi ratificado pelo Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Já Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor Leste ainda não definiram quando irão ratificar o documento.

A mudança ortográfica que, além do trema, acaba com os acentos de vôo, lêem, heróico e muitas outras palavras, também altera as regras do hífen e incorpora ao alfabeto as letras k, w e y, passando, assim, a ter 26 letras. A utilização dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus derivados, como “Kafka, por exemplo. As alterações foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa, com população de cerca de 230 milhões. Esse acordo, na realidade, tem também como objetivo aproximar essas culturas.

O embaixador Lauro Moreira, representante brasileiro na CPLP, não tem dúvida de que a que, “quando a nova ortografia chegar às escolas, toda a sociedade se adequará”. Levará um tempo para que as pessoas se acostumem com a nova grafia, como ocorreu com a reforma ortográfica de 1971, mas ela entrará em vigor aos poucos.

Até então, era preciso redigir dois documentos nas entidades internacionais, um com a grafia de Portugal e o outro, com a do Brasil. Essa situação não fazia qualquer sentido e ainda servia para burocratizar ações, processos e procedimentos.

O MEC já iniciou o processo de adoção da nova ortografia. Entre 2010 e 2012 será o período de transição estipulado pela Pasta da Educação para a nova ortografia passar a ser obrigatória nos livros de todas as áreas do conhecimento.

Convém esclarecer que a unificação da nova ortografia não será total. Como privilegiou mais critérios fonéticos, pronúncia, em lugar de etimológicos, origem, para algumas palavras será permitida a dupla grafia. Essa situação será permitida principalmente em palavras paroxítonas cuja entonação entre brasileiros e portugueses é diferente, com inflexões mais abertas ou mais fechadas. Enquanto no Brasil as palavras são acentuadas com o acento circunflexo, em Portugal, ao contrário, utiliza-se o agudo. Assim sendo, ambas as grafias serão aceitas, como em fenômeno ou fenómeno; tênis ou ténis. Essa mesma regra valerá também para algumas oxítonas, como caratê e crochê, que também serão aceitas como caraté ou croché.

As regras para a utilização do hífen receberam nova sistematização. O objetivo é simplesmente simplificar a utilização do sinal gráfico, cujas regras estão entre as mais complexas da nova ortografia. Esse sinal foi abolido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento também começa com outra vogal, como em aeroespacial e extraescolar. É conveniente ressaltar que, quando o primeiro elemento finalizar com uma vogal igual à do segundo elemento, o hífen deverá ser utilizado, como nas palavras micro-ondas e anti-inflamatório.

Ainda, de acordo com a reforma, nos casos em que a primeira palavra terminar em vogal e a segunda começar por r ou s, essas letras deverão ser duplicadas, como na conjunção anti + semita: antissemita. A única exceção se dará quando o primeiro elemento terminar em r e o segundo elemento começar com a mesma letra. Nesse caso, a palavra deverá ser grafada com hífen, como em hiper-requintado e inter-racial.

Com a entrada em vigor da nova ortografia, as pessoas terão de fazer um pequeno esforço para reaprender a escrever algumas palavras. O melhor é fazer o quanto antes, embora haja um prazo de três anos para que essa readaptação ocorra na sua íntegra.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


Mulheres estão em maior número nas universidades

Paulo Alonso

O Dia Internacional da Mulher foi comemorado oficialmente pela 34ª vez no último domingo, dia 8 de março, mas essa justa homenagem às mulheres já tem quase um século. Em 1911, quando as mulheres não tinham nem direito ao voto em praticamente todo o mundo, o dia delas começava a ganhar o planeta.

Ainda no final do século XVIII, a escritora britânica Mary Wollstonecraft levantava a questão de como a mulher era tratada. Condições subumanas, carga horária pesada e salários bem mais baixos do que o dos homens já eram apontados para mostrar o quanto as mulheres eram consideradas de forma diferente e, pior, como são em alguns países, até hoje.

Assim, menos de 70 anos após a Revolução Industrial, em 1857, trabalhadoras de uma fábrica têxtil, apelidadas então de ‘funcionárias das vestimentas’, protestaram por melhores condições de trabalho em Nova York e o que ganharam em curto prazo foi uma violenta resposta de policiais.  Essa data, todavia, não passou em branco pela história. Dois anos depois, também em 8 de março, mais mulheres fizeram uma força única e começaram a obter os primeiros direitos de trabalho, por intermédio de uma associação recém-criada que defenderia os seus direitos.  Em 1908 (também em 8 de março), 15 mil mulheres se juntaram na cidade de Nova York e fizeram novo protesto reclamando por seus direitos e também protestando contra o trabalho infantil.

Em maio do mesmo ano, o Partido Socialista da América estabeleceu que oúltimo domingo de fevereiro fosse o “Dia Nacional das Mulheres”, data mantida até 1913. 

A data de 8 de março, porém, ganhou força na antiga Rússia. E em 23 de fevereiro de 1917, pelo calendário Juliano, que coincidentemente caiu em 8 de março pelo calendário gregoriano, o czar russo Nicolau II foi obrigado a deixar o governo e a garantir, em um de seus derradeiros atos, o direito ao voto das mulheres.

Somente em 1975, 64 anos depois da convenção socialista e 30 após a sua criação, as Organização das Nações Unidas resolveram adotar a data como oficial para celebrar o Dia Internacional da Mulher.

Dos primeiros movimentos espalhados por todo o mundo aos dias atuais, a situação da mulher mudou bastante, não o suficiente ainda, pois sabemos que as mulheres ainda continuam, em muitas ocasiões, sendo tratadas de forma aviltante, daí a necessidade de, no Brasil, ter sido criada, por exemplo, a Lei Maria da Penha. 

Na educação superior, contudo, o quadro, atualmente, é francamente favorável às mulheres. E, conforme os dados do Censo da Educação Superior, coletados pelo Inep, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, as mulheres estão em maior número também nas universidades.

A participação masculina cresceu percentualmente de 2006 para 2007, mas o número de mulheres ainda é maior. De 2000 a 2007, houve um aumento de 81,14% no número total de matrículas na educação superior. A participação das mulheres aumentou 76,92% no mesmo período, o que demonstra o quando a educação superior vem sendo requisitada.

Os resultados do Enade mostram um equilíbrio no desempenho de mulheres e homens. Em 2005, do total de 268.425 participantes do Enade, mais da metade era do sexo feminino (153.575). A média alcançada por homens e mulheres foi muito próxima: entre as 20 grandes áreas avaliadas, as mulheres alcançaram a média total de 38,63, contra 38,11 pontos obtidos pelos homens.

No ano seguinte, 2006, o número total de participantes do Enade subiu para 380.969. Desse total, 223.537 eram mulheres. A participação feminina foi numericamente maior, mas o desempenho entre homens e mulheres foi bastante equilibrado: 39,61 de média para elas e 39,25 para eles.

Em 2007, foram avaliadas 16 áreas. Um total de 185.039 estudantes fez o Exame. Desses, 123.649 eram mulheres e 61.390, homens. Dessa vez, a média delas foi menor: 40,94, contra 42,57 deles. As ingressantes tiveram melhor rendimento nas áreas de Agronomia, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia e Tecnologia em Agroindústria. As mulheres que estavam terminando o ensino superior alcançaram médias maiores nos cursos de Educação Física, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Odontologia, Tecnologia em Agroindústria e Terapia ocupacional.

Podemos constatar que a presença e a importância das mulheres no Brasil e no Mundo é cada vez maior e mais percebida e também aplaudida. Apenas citando algumas em nosso país: Esther de Figueiredo Ferraz, Raquel de Queiróz, Chiquinha Gonzaga, Elis Regina, Irmã Dulce, Fernanda Montenegro, Marta Suplicy, Benedita da Silva e Rosena Sarney marcaram e marcam a presença feminina em nosso cenário. Já no exterior, Indira Gandhi, Benazir, Golda Meir, Marylin Monroe, Rita Hayworth, Madre Teresa de Calcutá, Jackie Kennedy, Rainha Elizabeth II e Angela Merkel são emblemáticas.

A força da mulher, o seu carisma, encanto e sedução são apreciáveis e admirados, não somente pela força de trabalho, pelo espírito guerreiro, pela bravura, mas, sobretudo, pela opção de sempre procurar fazer bem e melhor.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 
O educador Dom Lourenço de Almeida Prado

Paulo Alonso

A educação brasileira perdeu, na última semana, uma das suas maiores referências. Morreu aos 97 anos, o reitor emérito do tradicional Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, Dom Lourenço de Almeida Prado. O monge beneditino atuou como reitor da instituição, que em 2008 comemorou 150 anos de atividades, por quase meio século.

Comecei a manter contato com Dom Lourenço, quando, aos oito anos de idade, ingressei no São Bento. Durante minha permanência nesse estabelecimento recebi os mais importantes ensinamentos da minha vida e posso afirmar que a rigorosa disciplina imposta pelo então reitor; a obrigatoriedade da leitura de dez livros anualmente; os conceitos apreendidos sobre os valores humanos e éticos; o aprendizado de música e artes, bem como conceitos religiosos católicos e ecumênicos me permitiram chegar ao estudo universitário, ancorado em uma formação sólida. Os vários anos passados nesse colégio me possibilitaram enxergar o mundo de uma forma muito mais lúcida e realista. E todo esse aprendizado se deve ao trabalho que Dom Lourenço desenvolveu em favor da construção do conhecimento e de sua imensa preocupação com a formação do caráter da juventude.

Essa mesma preocupação foi por ele também demonstrada no tempo em que, em Brasília, integrou o então Conselho Federal de Educação. Seus pareceres continuam servindo como fonte de inspiração para vários dos atuais conselheiros. Participou, ainda, do Conselho Estadual de Educação e era, dentre várias, titular das Academias Brasileira e Internacional de Educação.

Nascido em Bica da Pedra, formado em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, nos anos 30, Nelson de Almeida Prado, oriundo de uma família quatrocentona de São Paulo, ingressou no Mosteiro de São Bento, em 1940, adotando o nome religioso de Lourenço. Esse nome marcaria sua história como monge e, principalmente, como educador de reconhecida relevância na cultura brasileira.

Afastado da reitoria por vontade própria, já que completara 45 anos à frente da instituição, recebeu o título de reitor emérito, em reconhecimento ao magnífico trabalho desenvolvido. Dom Lourenço deixou uma vastíssima bibliografia versando sobre a Educação da Juventude.

De acordo com ele, a formação humana é essencial no processo educacional e deve ser tratada, fundamentalmente, no ensino médio. Ele também defendia que “a escola é, no tempo moderno, algo indispensável. No primeiro momento da vida é educada em casa; depois, para o desenvolvimento cultural, ela precisa de pessoas especializadas para ajudá-la a crescer e aprender”.

Apesar de idoso, Dom Lourenço jamais deixou de acompanhar a evolução do mundo e sublinhava que, na era do hipertexto, do predomínio da linguagem virtual, digital entre os jovens, “a escola deve cuidar de não pensar que nós vivemos de fato no delírio da imagem e, agora, do digital. O aprendizado é feito pelas coisas que chegam à inteligência, de forma que é o aluno que aprende, não é o mestre que transmite. Ele tem que se servir desses elementos como meios, como recursos, mas não fazer disso o próprio ensino”.

Muito me orgulho de ter passado a integrar, há dois anos, a Galeria dos Grandes Educadores Brasileiros, por votação direta realizada pela Associação Brasileira de Educação, e estar ao lado de emblemáticas figuras como o próprio Dom Lourenço, o professor Cristovam Buarque, ex-reitor da Universidade de Brasília, primeiro Ministro da Educação do Governo Lula e atual Senador da República, e os acadêmicos Arnaldo Niskier e Evanildo Bechara, ambos da ABL. Orgulho maior foi receber essa láurea das mãos do atual Reitor do São Bento, Dom Tadeu Albuquerque, meu antigo mestre, e que representou, na ocasião, Dom Lourenço.

Sua morte será sempre muito sentida e sua obra sempre lembrada no meio acadêmico, já que sua vida foi um exemplo de sabedoria e de pregação. Dom Lourenço foi um fraterno amigo, um educador brilhante e um homem que acreditou vivamente que a educação é o começo, o meio e o fim para a construção de uma sociedade mais justa, mais ética e, sobretudo, mais humana.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


Em Macau, uma universidade multicultural e multiracial

Macau é um “país” da República Popular da China que impressiona. Muito próxima de Hong Kong e de Manilha, nas Filipinas, é uma cidade que guarda contrastes absolutamente incríveis. Independente de Portugal, desde 1999, suas ruas e avenidas ostentam placas de sinalização em português, mas também em chinês e em inglês. Mas se você pensa que a população fala o português, está enganado. Somente os muito antigos é que usam o português como idioma, mas é raríssimo ouvir essa língua pelas ruas, lojas e becos. O chinês e o inglês são as mais usuais. E até 2015, o português, ainda que seja uma das três línguas oficiais de Macau, será banido dos papéis timbrados e das organizações governamentais e não governamentais. Da mesma forma que Hong Kong, Macau adota moeda própria, a pataca, e só está diretamente vinculada ao governo de Pequim, no que tange à diplomacia e à defesa nacional. É estranho andar pelos parques, pelas ruínas da Igreja de São Paulo e observar as sinalizações em português, mas, ao mesmo tempo, não se poder pronunciar essa mesma língua. Afinal, somente 2% da população entenderiam o que estaríamos dizendo...

Dentro desse cenário até mágico, com imensos neons instalados nos mais de 30 cassinos (parece até Las Vegas!), com praças largas e arborizadas e prédios coloniais portugueses, a Universidade de Macau é um dos mais belos postais dessa bela cidade e, por essa razão, merece ser visitada. Foi criada em 1981, quando a empresa Ricci Island West Limited fundou a Universidade da Ásia Oriental, a primeira universidade em Macau e sua antecessora, em terreno concedido pelo Governo de Macau. A fundação da Universidade da Ásia Oriental, privada, constitui o início da oferta do ensino superior moderno em Macau.

Durante os primeiros anos, após o estabelecimento dessa instituição, seus alunos, na sua maioria, eram provenientes de Hong Kong. Posteriormente, a então Administração Portuguesa de Macau, atendendo às necessidades de formar recursos humanos locais para o período de transição antes da transferência da soberania de Macau à China, procedeu à aquisição da Universidade da Ásia Oriental, por meio da Fundação Macau, em 1988. Realizou igualmente uma reestruturação com o estabelecimento das faculdades de Letras, Gestão de Empresas, Ciências Sociais, Ciências e Tecnologia, tendo modificado a duração dos cursos de licenciatura de três anos para quatro anos. Após, foram criadas as Faculdades de Direito e de Ciências da Educação, mantendo-se o inglês como a língua principal do ensino.

Em 1991, a Universidade da Ásia Oriental tornou-se oficialmente em uma universidade pública e passou a chamar-se Universidade de Macau, assumindo como  missão formar quadros locais qualificados. Na sequência desta transformação, o número de estudantes tem aumentado acentuadamente, de algumas centenas logo no começo para mais de seis mil em dezembro de 2007, tendo a percentagem de alunos locais subido de 39% para 80%.
A Universidade de Macau está situada na Ilha da Taipa. O campus nessa ilha cresceu bastante nos últimos anos como resultado do rápido desenvolvimento econômico local, sobretudo por causa do incremento do turismo e ainda devido à criação e instalação de mais de 30 cassinos nessa cidade, localizada à beira do Mar da China. A Universidade de Macau é a maior da Cidade.

Apesar de dar grande atenção à educação e aos seus alunos, a Universidade de Macau ainda não conseguiu cobrir todas as  áreas do conhecimento, como medicina, arquitetura, filosofia e ciência política.

Um fator importante é que Macau, devido à sua História muita longa e em especial à presença e a administração portuguesa desde o século XVI e até 1999, é um espaço multicultural e multiracial. Esta situação não podia deixar de se refletir no ensino. Assim, são usadas várias línguas na oferta dos cursos, como o chinês, o português e o inglês, mas nem em todas as faculdades.

Deve notar-se que, dependendo das faculdades e dos cursos, o chinês oral usado é umas vezes o cantonense (o dialeto local de Macau) e outras vezes o mandarim (a língua oficial da República Popular da China). O português, quando empregado, é o de Portugal e não o do Brasil.

A Universidade de Macau tem como missão a promoção da ciência e do ensino no domínio das humanidades, das ciências sociais, da tecnologia e da cultura. Suas edificações são muito bem projetadas e o ensino ministrado é o mais moderno de Macau.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

Antonio Olinto, um raro exemplo de vida

Paulo Alonso

E lá se vão anos... muitos ou vários, nem sei mais quantos... Suficientes, por certo, para cada vez mais admirá-lo, apreciá-lo, amá-lo e com ele aprender verdadeiras lições de amor, de vida... lições de bem servir ao próximo.... Lições nem sempre escritas, mas transmitidas oralmente, em poesias, em trovas e/ou em prosas. Apreendidas e assimiladas em nossos permanentes diálogos, em nossas intermináveis conversas sobre a gente brasileira, sobre a cultura da nossa gente, sobre os destinos do nosso país...

E é justamente em seu apartamento-biblioteca-museu da Duvivier, de onde se pode avistar um pedaço do Atlântico, que, juntos, refletimos e buscamos, de alguma forma, encontrar saídas para tantas mazelas que afligem o Rio, o Brasil e o Mundo... quanta utopia! Utopia que nos faz bem e alimenta as nossas mentes e os nossos corações.

Antonio é um homem especialíssimo; uma figura notável; um patrimônio cultural do Brasil; um escritor de rara inteligência e dono de uma lucidez magnífica. E, sublinhemos, está comemorando 90 anos de vida. Quase um século de atividades intensas e permanentes em defesa da língua portuguesa, da literatura brasileira, da propagação, por meio de textos jornalísticos ou dos seus incontáveis livros publicados, e traduzidos em mais de 45 idiomas, das suas idéias e pensamentos, da sua criatividade intelectual, da sua vontade em fazer construir um mundo mais digno e mais saudável. Um raro exemplo a ser seguido.

Nascido em Ubá, batizado em Piau, lá nas Minas Gerais, esse Antonio, de olhar meigo, terno, com o colorido da cor do céu, conquistou o mundo, com suas andanças pelos cinco continentes, ora proferindo palestras e conferências, ora organizando seminários internacionais, ora lançando livros e muitas vezes recebendo prêmios e láureas importantes, que traduzem o reconhecimento da sua devoção à arte de escrever.

Dono de uma formação sólida estudou Filosofia e Teologia e quase se ordenou sacerdote. Desistiu dos seminários e resolveu ser Mestre de Latim, Português, História da Literatura, Francês, Inglês e História da Civilização, em colégios do Rio de Janeiro e em instituições universitárias nacionais, como o Centro Universitário da Cidade, que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa, e na Faculdade de Letras do Centro Universitário de Ubá, que também lhe agraciou com idêntica honraria ou nas mais importantes e tradicionais instituições estrangeiras, como as Universidades de Columbia, Yale, Harvard, Indiana, UCLA ou Essex.

Fez conferências sobre Cultura Brasileira em universidade e centros de pesquisas em Tóquio, Seul, Sidney, Maputo, Dacar, Lagos, Abidjan, Tanger, Buenos Aires, Lisboa, Coimbra, Porto, Madri, Santiago do Chile, Barcelona, Paris, Milão, Pádua, Veneza, Roma, Zagreb, Bucareste, Sofia, Varsóvia, Cracóvia, Moscou, Estocolmo, Copenhagen, Londres, Oxford, Cambridge e Dublin, dentre muitas outras. O Diploma de Excelência da Universidade de Vasile Goldis, de Arad, lhe foi ofertado em razão da difusão da cultura brasileira na Romênia. Nessa mesma ocasião, a Embaixada do Brasil nesse país inaugurou, em Bucareste, a Biblioteca Antonio Olinto. Um verdadeiro homem do mundo!
Nomeado Adido Cultural em Lagos, Nigéria, pelo governo parlamentarista de 1962, em três anos de atividade, fez cerca de 200 conferências na África Ocidental, promovendo uma grande exposição de pintura brasileira sobre motivos afro-brasileiros e enfronhando-se nos assuntos da nova África independente. Como resultado, escreveu uma trilogia de romances, "A Casa da Água", uma das obras-primas da literatura do Brasil, "O Rei de Keto" e "Trono de Vidro".

Em 1968 foi nomeado Adido Cultural em Londres e passa a participar também das atividades do PEN Internacional. Mora no Reino Unido por quase 37 anos, onde juntamente com sua mulher a escritora e jornalista Zora Seljan, falecida em 2006, fundam o jornal "The Brazilian Gazette".

Recebeu em 1994 o "Prêmio Machado de Assis", por conjunto de obras, da Academia Brasileira de Letras, a mais alta láurea literária do Brasil. Três anos mais tarde, foi eleito para Academia Brasileira de Letras, cadeira nº 8, sucedendo ao escritor Antonio Callado.

Além de poeta, romancista, ensaísta, crítico literário, Antonio é também artista plástico, pinta e faz esculturas. Nas paredes de seu apartamento, cobertas por pelas máscaras africanas, selecionadas em suas muitas e fantásticas viagens, respiramos arte, literatura e nos abastecemos da boa prosa, dos causos que conta com simplicidade, elegância e empolgação. É uma verdadeira biblioteca. Sabe e discute qualquer assunto e sempre com uma argumentação viva e rica.

Ao comemorar 90 anos de vida, merece todos os nossos mais vivos aplausos e todas as nossas maiores e mais sinceras homenagens. Afinal, Antonio Olinto é para ser lembrado e festejado hoje e sempre. Por toda a vida. Toda e qualquer homenagem, por maior que lhe seja prestada, será sempre muito pequenina, diante da grandeza do espetacular escritor que é. Seu nome está gravado, e definitivamente, na História da Literatura do Brasil. E não por ser um imortal, pertencente a tantas academias, mas pela sua própria natureza e, sobretudo, capacidade invulgar de conquistar, de agregar e de ser.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


Em Varsóvia, universidade é símbolo de resistência

Paulo Alonso

É verdadeiramente impressionante visitar a Universidade de Varsóvia. Uma instituição que simboliza a resistência de um país marcado por invasões, guerras, conquistas, renascimento... Em 1816, o Tsar Alexander I permitiu que as autoridades polacas criassem uma universidade composta pelos departamentos de Direito e Administração, Medicina, Filosofia, Teologia, e Arte e Ciências Humanas. Sua trajetória, ao longo desses quase 200 anos, é marcada por invasões, lutas sangrentas, fechamentos e reestruturação.

Após a maioria dos estudantes e professores universitários terem participado na Revolta de 1830, a universidade foi impedida de funcionar. Depois da Guerra da Criméia, a Rússia entrou em um breve período de liberalização, permitindo a criação da Academia Médico-cirúrgica da universidade. No entanto, em janeiro de 1863, com a Revolta dos Liberais, novamente todas as escolas foram fechadas. O czar russo queria difundir o idioma e a cultura russos por toda a parte, sobretudo por que desejava que sua guarnição militar, em Varsóvia, não deixasse de conviver com os seus costumes e realidades. Foi, para tanto, reaberta a universidade e criada a Escola de Língua Russa, obrigando, inclusive, os poloneses a estudarem o idioma. A insatisfação dos polacos cresceu de forma surpreendente e alguns desses alunos se tornaram líderes em Varsóvia. Esse grupo de jovens aderiu às fileiras da Revolução de 1905, objetivando independência.

Durante a I Guerra Mundial, Varsóvia foi capturada pela Alemanha, em 1915. Três anos mais tarde, a Polônia recuperou sua independência e a partir daí a Universidade de Varsóvia começou a crescer rapidamente. A instituição passa por uma grande reforma e o Estado investe, então, em infra-estrutura, laboratórios e biblioteca e moderniza os projetos dos cursos. Muitos professores, que regressavam do exílio na Europa Ocidental, colaboraram para a sua reconstrução.

Em 1930, a Universidade de Varsóvia tinha se tornado a maior universidade da Polônia. No entanto, os problemas financeiros do recém-renascido Estado não permitiam a educação gratuita e os estudantes tinham de pagar mensalidades. Além disso, o número de bolsas de estudo era muito limitado.Uma nova onda de agitações marca o destino da universidade. Em 1937, o tema que fervilha no país, nas salas e corredores da instituição é o anti-semitismo. Com o início da II Guerra Mundial, em 1939, a Polônia é invadida e as autoridades alemãs fecham as instituições de ensino superior no país. Todos os equipamentos, livros e maioria dos laboratórios são enviados à Alemanha, enquanto o principal campus da universidade é transformado em um quartel-general. Teorias racistas alemãs pregam que não era necessária uma educação de polacos, já que estariam sob o comando das forças da Alemanha. Entretanto, muitos professores organizaram manifestações secretas e realizavam palestras em apartamentos para que pudessem pensar em caminhos e alternativas para a Polônia invadida. Acontece aí a Revolta de Varsóvia. Pesados combates no campus da universidade são travados e 63 professores morrem. A universidade perdeu 60% de seus edifícios durante os combates em 1944. Até 80% das coleções (incluindo inestimáveis obras de arte e de livros doados à universidade) foram destruídas. Após a II Guerra Mundial, não era claro se a universidade seria restaurada; se Varsóvia seria reconstruída. Todavia, muitos professores que tinham sobrevivido à guerra retornaram à Polônia e começaram a reorganizar a universidade. Em dezembro de 1945, palestras para quase 4 mil estudantes começavam a ser ministradas nas ruínas do campus. Os edifícios gradativamente eram reconstruídos e a universidade permanece relativamente independente. Logo as autoridades comunistas da Polônia passaram a impor controles, iniciando o período de estalinismo. Dezenas de professores foram detidas pela Urząd Bezpieczeństwa (polícia secreta) e os livros que escreviam ou indicavam eram censurados. Por outro lado, a educação torna-se gratuita.

Após Władysław Gomułka subir ao poder na Polônia, em 1956, um breve período de liberalização passa a ser verificado, apesar da ideologia comunista ainda desempenhar um papel importante na maioria das faculdades, principalmente nas de História, Direito, Economia e Ciência Política. Foi retomada a cooperação internacional e o nível de escolaridade aumentou, mas logo o governo começou a reprimir a liberdade de pensamento, o que levou à crescente inquietação entre os estudantes e docentes.

Mais uma vez, uma nova campanha pela liberdade, em 1968, fez com que centenas de estudantes promovessem manifestações pelas ruas de Varsóvia. Tais manifestações foram brutalmente esmagadas pela polícia. Um grande número de alunos e professores foi expulso da universidade. A maioria dos professores de ascendência judaica foi forçada a emigrar, enquanto os líderes do movimento democrático foram condenados a prisão. A universidade, no entanto, permaneceu como centro de liberdade de pensamento e de educação. O que professores não poderiam dizer durante palestras, eles expressavam nas reuniões informais com os seus alunos. Muitos deles tornaram-se líderes e membros do movimento Solidariedade e outras associações da oposição democrática.

Do movimento Solidariedade aos dias atuais, a situação do país mudou muito, inclusive passou a integrar o Mercado Comum Europeu. Nas ruas de Varsóvia não mais se encontram vestígios de combates, lutas e guerras, já que a capital foi totalmente reconstruída. E o campus da Universidade de Varsóvia é de uma rara beleza. Os quatro pilares que sustentam o seu prédio principal são fantásticos e nos seus porões são encontrados livros, filmes, fotos, jornais da época e muitos objetos que mostram os embates havidos no país e, sobretudo, a forma como os professores se posicionou frente a tantos atos de barbaridade e de negação à liberdade de pensamento e de expressão.

A universidade é, atualmente, uma referência para toda a Europa e continua sendo o maior celeiro da inteligência polaca. Sua biblioteca reúne cerca de 5,5 milhões de livros, sendo uma das maiores e mais importantes de todo o mundo. O principal campus da Universidade de Varsóvia fica localizado em Krakowskie Przedmiescie e é composto por vários palácios históricos, restaurados, muitos dos quais haviam sido nacionalizados no Século 19. Há também uma nova biblioteca, instalada em um impressionante edifício, com telhado de vidros, jardins, bem como vários campi menores em outros locais da cidade. A Universidade de Varsóvia possui 126 imóveis. Visitar os campi da universidade, conversar com seus funcionários, alunos e professores é, sem dúvida, uma aula de Geopolítica e de História. Não é à toa que o sentimento dos poloneses em relação à Universidade de Varsóvia é de amor e de preservação. Preservação não da História de um país, mas da História Universal Contemporânea.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

publicado dia 24 de novembro.


A universidade sonhada

Paulo Alonso

A educação precisa se tornar efetivamente uma prioridade do Estado Brasileiro. Não pode e nem deve ser encarada como uma política de governo, pois os governos, em razão de possuírem mandatos, têm "prazo de validade". A educação, um bem fundamental, é absolutamente necessária para a ordem, o progresso, o desenvolvimento e a expansão de um país. O Brasil ainda precisa avançar, e em muito, nessa área e nunca é demais lembrar que, se comparado aos vizinhos da América do Sul, o Brasil, com uma população de 187.193.862 milhões, necessita melhorar a taxa de escolarização no Ensino Superior, uma das mais baixas do continente sul-americano. Menos de 12% da população brasileira, de 18 a 24 anos, tem acesso ao Ensino Superior, diferente do que ocorre com os seus vizinhos mais próximos. A nossa taxa é, por exemplo, inferior à da Argentina com 39%; à do Chile, 27%, e à da Bolívia, 23%. O Plano Nacional de Educação (2001/2010) prevê uma taxa de escolarização de 30% da população. O Estado Brasileiro deve continuar a promover políticas efetivas que garantam o acesso de jovens de baixa renda ao Ensino Superior, expandindo não somente as instituições federais, inclusive com a oferta de cursos noturnos, para regiões que careçam de escolas superiores, mas, também, possibilitando o credenciamento de novas instituições privadas.

O ensino não é mercadoria e sabemos ser um bem público. A Constituição prevê, inclusive, a educação como dever do Estado, garantindo também a participação da iniciativa privada, hoje com 2.147 instituições, de um total de 2.404 e atingindo mais de 80% das matrículas universitárias. Ao exercer uma função pública delegada, o setor privado está buscando cada vez mais a qualidade como centro de sua ação. E esse resultado pode ser facilmente comprovado pelas avaliações dos cursos e das instituições privadas promovidas pelo Inep.

No século em que vivemos, é imprescindível expandir a oferta do Ensino Superior, sem prejuízo da qualidade, não somente pela diversificação das modalidades de instituições, como pela diversificação da modalidade de ofertas de vagas. Na Era do Conhecimento em que o mundo vive, cada vez mais as instituições e os indivíduos valerão pelo que fazem com e para a sociedade, com qualidade e eficiência, avaliada, atestada e acreditada pela própria sociedade organizada.

Assim sendo, a universidade deve orientar os resultados de todas as suas ações para o planejamento e o desenvolvimento do conhecimento que não sejam divorciados da necessidade e interesses da população. E para desenvolver-se e projetar-se, cumprindo o seu papel social e político, a universidade precisa manter-se todo o tempo a serviço da sociedade como um dos fatores dinâmicos da vida intelectual e da própria evolução cultural. É a universidade o lugar que se universaliza, se preconiza e se impulsiona a sociedade para o novo, para o mais justo, para uma organização social mais integral. E a universidade é o grande espaço da busca, do aperfeiçoamento e da renovação constante e imprescindível do conhecimento. Daí a razão de se perceber e de se entender que não há desenvolvimento sem educação, que a educação será sempre investimento e jamais custo; e que desenvolvimento deve ser feito necessariamente com justiça e inclusão social.

A universidade, em conseqüência, tem um papel preponderante no cenário histórico de um país, já que é uma instituição que reúne a capacidade de fazer a síntese histórica da sociedade e de provocar os homens para que criem vontades ou energias para a organização social. Dessa forma, educar, atualmente, mais do que acumular habilidade e informações, é aprimorar a consciência, órgão do sentido, e preparar a pessoa para responder sobre seu destino e sobre o sentido de sua vida.

Paulo Alonso é reitor do Grupo Anglo-Americano


Em Hong Kong, uma universidade bilíngüe

Paulo Alonso

Hong Kong é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China, localizada na costa sudeste e possui uma das economias mais liberai do mundo, sendo um grande centro internacional de finanças e comécio. Antiga colônia britânica, é administrada há dez anos pela República Popular da China sob a política "um país, dois sistemas". Algumas curiosidades podem ser obervadas em Hong Kong. O “país” é detentor de direito constitucional autônomo; moeda, alfândega, direitos de negociação de tratados (como tráfego aéreo e permissão de aterragem de aviões) e leis de imigração próprias. Hong Kong mantém até suas próprias regras de trânsito, com toda a frota de automóveis dirigindo no lado esquerdo. Apenas a defesa nacional e as relações diplomáticas são de responsabilidade do governo central, em Pequim.

O que mais chama a atenção em Hong Hong é, certamente, a atenção que a educação recebe dos seus governantes. O sistema universitário chinês é ainda pouco conhecido no mundo ocidental, mas aos poucos vai sendo descoberto, principalmente pelos estudantes estrangeiros interessados em estudar nesse país, sobretudo os canadenses, australianos e ingleses.

Visitar a Universidade Chinesa de Hong Kong é algo verdadeiramente impressionante. Seus objetivos principais são ajudar na preservação, difusão, comunicação e aumento do conhecimento; fornecer cursos regulares de ensino nas diversas áreas do conhecimento e de outros ramos da aprendizagem dentro de um altíssimo padrão de ensino-aprendizagem; estimular o desenvolvimento intelectual e cultural do povo de Hong Kong e, assim, auxiliar na promoção do seu bem-estar econômico e social. Lá, existe um Centro de Língua e Literatura Portuguesa, que atrai dezenas de estudantes do Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Timor Leste, Moçambique, Guiné-Bissau, São Thomé e Príncipe e Goa, na Índia.
Um portfólio de cursos de graduação, sempre oferecidos em tempo integral, é ofertado aos seus quase 22 mil alunos, que estudam Artes, Administração Empresarial, Educação, Educação Física, Engenharias, Medicina, Ciências Sociais e Direito, além de quase duas dezenas de programas de mestrado e de doutorado, vários dos quais ministrados por docentes oriundos dos quatro cantos do mundo.

Desde a sua fundação na década de 60, a universidade adotou o bilingüismo e biculturalismo, como base de seu ensino, dando ênfase à igualdade do inglês e do chinês, privilegiando tanto a cultura oriental, como a ocidental. A maioria do corpo docente é bilíngüe (chinês e inglês) e um percentual expressivo desses docentes já ensinou nas principais universidades de todo o mundo. A Universidade Chinesa de Hong Kong mantém uma estreita associação com várias universidades, fundações e organizações estrangeiras, devido aos convênios interinstitucionais sempre celebrados.

O total de matrículas da universidade, em dezembro de 2007, foi de 21.508 alunos, dos quais 11.222 eram estudantes universitários e 10.386 eram discentes dos cursos de pós-graduação. A instituição abriga 23 institutos de pesquisa.

A área destinada à biblioteca central da universidade é espetacular e fica no centro do campus. Na realidade, está instalada em um prédio de quatro andares. Além da central, outras bibliotecas setoriais são visitadas nos vários campi. Os alunos podem emprestar livros e revistas, a partir de qualquer biblioteca e pesquisar itens no Catálogo On-line de Acesso Público da Biblioteca Central Universitária. Além disso, a Biblioteca Universitária possui uma grande coleção de materiais multimídia, microfilmes, mais de 75 mil títulos de revistas eletrônicas e mais de 630 títulos de bases de dados eletrônicas. Um acervo de livros com um número incalculável de títulos e de exemplares.

Já o Centro de Tecnologia de Informação fornece o que existe de mais moderno em tecnologia. Do registro de cursos, verificando os resultados de reserva de vagas por disciplina, exame clínico e de instalações desportivas e serviços de acesso à biblioteca, tudo pode ser feito com poucos cliques, já que todas as suas dependências estão equipadas com computadores, scanners, remetentes digitais e impressoras a laser. O sistema de wireless está instalado em todos os campi.

Totalmente ajardinada, com chafarizes, luminárias gigantes, sinalizações contemporâneas, museus, alojamentos bem equipados, restaurantes, cantinas, estação de metrô e ônibus circulando por todos os seus campi e gratuitamente para alunos, professores e funcionários, a Universidade Chinesa de Hong Kong é uma instituição simplesmente surpreendente. Tudo funciona e seus alunos adoram estar matriculados nessa instituição, que ostenta e conserva uma qualidade extraordinária em sua infra-estrutura, reúne um elenco de docentes com altíssima qualificação e ainda adota projetos pedagógicos antenados ao que existe de mais atual no mundo moderno. Não é sem razão que a Universidade Chinesa de Hong Hong alcançou a 18ª posição no Top World Universities, no ano passado.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 

O pioneirismo de Esther Ferraz

Paulo Alonso

Não é muito fácil escrever sobre uma mulher, uma jurista, uma educadora, uma pessoa tão especial como Esther de Figueiredo Ferraz. Uma pioneira, uma mulher que sempre esteve à frente do seu tempo. Esther deixa uma saudade imensa em todos os que tiveram o raro privilégio de com ela conviver e compartilhar do seu talento incomum, da sua brilhante inteligência, da sua capacidade de fazer amigos, da sua generosidade em servir, da sua simplicidade, da sua fidalguia e, sobretudo, dos seus sábios aconselhamentos. Eu tive esse privilégio e me sinto feliz, por ter não somente a conhecido, mas como ter sido amigo da professora Esther, que, ao morrer recentemente aos 93 anos de idade, deixou numerosos e importantes feitos no cenário jurídico-sócio-político-educacional, ao longo de tantas décadas de dedicação e de construção de um trabalho simplesmente magnífico e, por essa razão, memorável. Suas ações, muitas delas, ficarão guardadas para sempre em minha mente e em meu coração. Sua obra é um legado e sua vida, um exemplo de dignidade e de perseverança.

Estava viajando, quando soube do seu falecimento. Não pude, conseqüentemente, dar o meu adeus e externar minha saudade em seu velório na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, o que lamento profundamente. Nossa amizade era antiga. E os nossos contatos e convivência foram, em determinado momento das nossas vidas, freqüentes. Costumava ir ao seu apartamento à Avenida Franca, em São Paulo, não só para visitá-la, mas, confesso, para também absorver um pouco do seu conhecimento. E conversávamos sobre os destinos do Brasil, sobre a educação em nosso país, sobre o ser humano, sobre normas da educação superior. Conversávamos sobre a vida, enfim. Com ela, aprendi muito, até mesmo a conceber um regimento universitário. E nessas visitas não faltavam, além da atenção extrema, um bom suco de frutas e salgadinhos. Os santos barrocos, o piano de cauda e os óleos sobre tela, assim como as fotos dos familiares e sobrinhos dispostas sobre os móveis, são testemunhas de tantos e tão bons momentos.

E por tudo o que ela representou para o Brasil, o Conselho Universitário da UniverCidade resolveu prestar-lhe uma homenagem, quando completava os seus 90 anos. E coube a mim, no exercício da Reitoria da UniverCidade, entregar-lhe o título de Doutor Honoris Causa, em solenidade realizada em seu apartamento, já que Esther preferiu que essa manifestação de apreço e de reconhecimento não fosse pública. Ela era uma mulher avessa às vaidades, às vitrines. Sua sobrinha Gilda Ferraz lhe fez uma surpresa, convidando amigos e parentes e ainda providenciando um belo coquetel para os que foram até lá prestigiá-la. Do alto dos seus 90 anos, Esther discursou, de improviso, por quase 20 minutos, traçando uma trajetória esplêndida sobre a sua vida pública, demonstrando estar antenada com o que acontecia no mundo e enaltecendo às novas gerações. Um discurso que muito emocionou a todos os que foram saudá-la. Após, Esther me confidenciaria: “quando começamos a ser muito homenageada pode ser um sinal de que estamos na reta final...”

Primeira mulher a ser Ministra de Estado do Brasil, ocupando a pasta da Educação (1982/85, no Governo João Figueiredo), Esther, nesse período, foi à responsável pela regulamentação da Emenda Constitucional Calmon, que estabeleceu os percentuais mínimos de investimentos com recursos da União em educação. Segundo a alteração constitucional, os recursos da União destinados à educação não poderiam ser inferiores a 13% e os de estados, municípios e Distrito Federal não menos do que 25% do que seria arrecadado em impostos. A regulamentação desses percentuais foi o emblema da sua gestão à frente do Ministério da Educação.

Antes de ser nomeada ministra, Esther integrou o então Conselho Federal de Educação, o Conselho Estadual de Educação de São Paulo, ocupou o cargo de Diretora do Ensino Superior do MEC e foi ainda Secretária de Estado da Educação do governo paulista, na gestão do Governador Laudo Natal. Também foi a primeira mulher a integrar o Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, o Instituto dos Advogados de São Paulo e a primeira a prestar concurso público para livre docência da Faculdade de Direito, na Universidade de São Paulo, assim como foi a primeira reitora do país, tendo sido dirigente da Universidade Mackenzie, em duas ocasiões. Ao que parece, a marca do pioneirismo é hereditária, pois sua mãe, em 1907, foi a primeira mulher a formar-se em dentista no Brasil, conforme ela mesma contava. Esther advogou, até aos 89 anos e ainda se dirigia ao seu escritório guiando o seu próprio automóvel. Escreveu mais de uma dezena de obras jurídicas, várias das quais são utilizadas até hoje pelos estudantes de Direito. Membro da Academia Paulista de Letras, cujo patrono é Euclides da Cunha, Esther, em uma das nossas muitas conversas, aconselhou-me: “faça a releitura da obra de Euclides, pois com ele aprendemos nas diversas releituras. Seus livros são essenciais para todos os que querem compreender melhor a vida e os seus ensinamentos são sempre atuais”. Esse conselho me foi dado, no carro quando deixávamos a reitoria da UniverCidade, depois de uma palestra proferida por ela para os alunos de Direito e a caminho do Hospital São José, onde visitaríamos, de surpresa, o ex-presidente Figueiredo, que lá se encontrava internado. Ao encontrarmos o general, foi nítida a felicidade de ambos. De lá, seguimos para o Aeroporto Santos Dumont, de onde ela embarcaria para sua tão querida São Paulo. E eram assim os nossos encontros, que passariam a ser ainda mais rotineiros, quando cursei dois mestrados, em São Paulo, um em Cooperação Internacional e outro, em Educação, Comunicação e Administração. Aos sábados, antes de regressar ao Rio, costumava dar uma passada, mesmo que rapidamente, em sua residência, onde ia buscar carinho, em suas palavras sempre meigas e gentis, e ainda aprendizado.

E é justamente por toda essa convivência fraterna e intensa e é justamente por tudo o que ela representou para o Brasil e para mim, especialmente, que a saudade da professora Esther de Figueiredo Ferraz será sempre muito sentida. Afinal, são raras, muito raras as pessoas realmente especiais como Esther. Adeus!

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

publicado dia 14 de outubro.

 

Em Londres, uma universidade multicultural
Paulo Alonso

Londres é uma das mais fascinantes, agitadas, dinâmicas, animadas e feéricas cidades da Europa Ocidental. Uma capital sedutora e repleta de atrações culturais. Cinemas, shows e peças teatrais são oferecidos nos seus quatro cantos, levando entretenimento a todos os que desejam adquirir mais conhecimento, uma melhor formação e muita informação. E é justamente na Corte de Saint James que se destaca a Universidade de Londres Leste, situada em Longbridge Road, bem no coração de Londres. Trata-se de uma universidade moderna, multicultural e equipada com a mais alta tecnologia. São mais de 18 mil alunos matriculados oriundos de mais de cem países. Muitos brasileiros fazem parte do seu corpo discente. Os interessados que queiram conhecer mais sobre as atividades desenvolvidas, podem, inclusive, fazer consultas ou pedidos de inscrição em língua portuguesa, pelo seu site. E para melhor divulgar os seus numerosos cursos de graduação ou os seus 250 cursos de pós-graduação lato e stricto sensu, a universidade resolveu investir em uma campanha de marketing arrojada e muito bem produzida. Além dos folhetos, portal e anúncios em mídia impressa, a instituição está fazendo veicular nas estações de metrô de Bond Street, Marble Arch, Westminster, Victoria Station e Oxford Circus, dentre outras, os seus produtos. Ao lado dos mapas indicativos das várias linhas do underground, podem ser visualizadas as fortalezas da universidade. Uma bela estratégia de marketing institucional.

E para dar à comunidade acadêmica as informações necessárias à sua formação, a instituição implantou em cada um de seus campi uma biblioteca, igualmente moderna e bem equipada, contendo em todas elas livros, periódicos nacionais e estrangeiros e materiais de estudo referentes aos cursos ministrados no campus onde está situada. Há salas reservadas aos estudantes que desejam estudar individualmente, internet para pesquisas e ainda um sistema de informação que abriga todo o seu acervo, além de bibliotecários que dão suporte aos trabalhos ali realizados. A informática é uma outra ferramenta imprescindível, nos dias atuais. E para atrair cada vez mais estudantes, a universidade criou um programa de capacitação e treinamento para os alunos. Grande parte dos programas da Universidade de Londres Leste é transmitido com a ajuda da informática. O objetivo é justamente o de ajudar a todos os discentes a aperfeiçoar os seus conhecimentos e a sua experiência neste ramo da informação. O Docklands Campus, o mais novo da universidade, encontra-se nas docas de Londres. Trata-se de um moderníssimo centro de programas especializados em artes, comunicação e estudos culturais, dotados de ateliês e estúdios e oficinas de última geração. Mas não são somente as atividades acadêmicas que se destacam na universidade. Em cada um dos seus campi são oferecidas práticas de desporto e de cultura física. Futebol, basquetebol, equitação, tênis, hóquei de campo e jujitsu são algumas das modalidades oferecidas. E para atrair mais alunos, a universidade investiu na construção de 1500 estúdios para estudantes, alguns dos quais nas residências universitárias, outros fora dos campi, como, por exemplo, em apartamentos e casa partilhadas.

A Universidade de Londres Leste é reconhecida por sua liderança na área de pesquisa acadêmica e está entre as 10 melhores universidades modernas que foram fundadas a partir de 1992. Ela possui uma excelente reputação na área de ensino e, atualmente, atingiu uma pontuação de 22 num total de 24 na sua Escola de Negócios, de acordo com o National Higher Education Quality Assurance Agency.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano.


Eduardo Campos, coragem para mudar

Paulo Alonso

Eduardo Campos é um político moderno, empreendedor, jovem, responsável e dinâmico. Ele não quer permanecer sendo conhecido apenas como o herdeiro político de seu avô, o lendário Miguel Arraes, mas quer provar que o seu talento e inteligência estão efetivamente a serviço da gente de Pernambuco.

Campos assumiu esse compromisso durante sua campanha ao Governo do Estado e dele não tem se afastado em qualquer momento de sua vida pública. Em sua sala de despachos do Palácio do Campo das Princesas, vive uma rotina intensa, buscando soluções para os vários problemas que precisa superar, para, dessa forma, proporcionar uma vida mais digna aos seus fiéis eleitores e ainda atingir suas metas à frente do Governo do Estado. Experiência, vontade política, habilidade, paciência e obstinação não lhe faltam. O que Campos quer, e certamente conseguirá, é, ao final de seu mandato, deixar gravado o seu nome e suas realizações na memória e na História desse tão importante Estado da Federação. Afinal de contas, foi eleito com 65,36% dos votos válidos, algo em torno de 2,6 milhões de votos. Por essa razão, precisa prestar contas do seu trabalho a esse formidável contingente de pessoas que lhe confiaram à liderança do Poder Executivo.

Nascido em Recife, Eduardo Campos, tratado pelos amigos e parentes como Dudu, começou sua militância política como presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Economia, da Universidade Federal de Pernambuco, nos anos 80. De lá para cá, jamais se ausentou da vida pública, tendo assumido o seu primeiro cargo público, como chefe de gabinete, no segundo governo de Arraes, em 1987, quando começou a ser considerado o herdeiro de um dos mais importantes políticos brasileiros. Três anos mais tarde, ingressou no PSB, sendo eleito deputado estadual. Deixou a Assembléia Legislativa para se eleger deputado federal em 1994. No terceiro governo de Miguel Arraes (1995), ocupou a Secretaria de Governo e, depois, a da Fazenda, já em 1996.

Foi reeleito deputado federal por mais duas vezes (1998 e 2002). Na Câmara dos Deputados, Eduardo Campos se destacou como um dos articuladores do apoio dos deputados ao governo do presidente Lula. Sua atuação lhe valeu um convite para ser ministro, em 2003, de Ciência e Tecnologia, cargo que ocupou até julho de 2005. Pela sua proximidade com Lula, Campos terá mais facilidade de implementar seus projetos, com apoio do governo federal, o que redundará em benefício para o próprio Estado.

Além da grande capacidade de articulação política e da inteligência viva e lúcida, qualidades apontadas por amigos e até por inimigos, Campos tem poder de sedução não somente pelos brilhantes olhos azuis, mas, sobretudo, pela grande capacidade de conquistar as pessoas, pela simpatia, pela gentileza, humor fino e pela fala mansa.

E foi justamente no vôo de Paris ao Rio de Janeiro, no último domingo, que pude comprovar o bom humor, a astúcia, a simplicidade e o senso de oportunidade de Eduardo Campos, certamente um dos mais promissores políticos da nova geração. Ao ser indagado sobre os desafios que enfrentou quando à frente do Ministério da Ciência e Tecnologia e os obstáculos naturais que enfrenta no Governo do Estado, Campos foi taxativo: "governar o meu Estado é, antes de tudo, um grande prazer e os desafios são todos eles decorrentes da minha vontade de fazer acontecer, de criar condições para que o povo do meu Estado possa viver com mais tranqüilidade, de forma mais saudável e digna, com educação, cultura, habitação, segurança e saúde". Para Campos, a política é o melhor instrumento para se mudar o mundo. Tem toda razão.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano e membro da Ordem dos Jornalistas do Brasil.



Na Índia, educação é investimento


Paulo Alonso

A cultura da Índia é uma das mais antigas que se tem notícia. E alguns estudiosos afirmam ter mais de quatro mil anos. O povo indiano, apesar das diversidades como linguagem, arte, música e cinema, é extremamente ligado à nação e aos seus ancestrais, o que o torna uma sociedade muito tradicional. É, sem dúvida, o país mais místico do mundo, com cheiro de incenso em sua exuberante e misteriosa atmosfera, cheio de guirlandas, com vacas sagradas e elefantes vagando pelas ruas atormentadas pela permanente buzina dos carros e triciclos e ainda convivendo lado a lado com uma população progressista e moderna. A Índia é, realmente, um país fascinante e impressionante, por suas características tão peculiares. Caminhar por suas ruas e avenidas, refletir sobre sua cultura, conversar com os nativos e com os intelectuais são momentos inesquecíveis e de grande aprendizado.

Nos dias atuais, muito influência cultural ocidental tem permeado esta cultura. Quase tudo na Índia é espiritualidade. E o grande propósito da cultura indiana é justamente conhecer Deus, nos seus aspectos pessoal ou impessoal. O conceito do Zero nasceu na Índia e a primeira Universidade, com o seu significado atual, existiu em Nalanda, no Estado de Bihar, nos tempos ancestrais. A maior parte dos fundamentos da matemática do modo como entendemos deve-se ao conhecimento dos indianos, pois todo o sistema de numeração é indo-arábico. A fórmula de Bhaskara que foi criada na Índia é usada para resolver todas as equações de segundo grau.

A grande contribuição para o mundo além da filosofia, que faz parte da vida de todos os indianos, são os avanços na tecnologia da informação, pois a Índia hoje tem exportado Phd's na área de Softwares principalmente para a Europa e Estados Unidos. No Brasil, a Universidade de São Paulo, o Instituto de Pesquisas Espaciais e o Instituto de Pesquisas Nucleares abrigam profissionais indianos em cargos de destaque. Outra área importante é a biotecnologia, campo que a Índia domina com maestria.

A Universidade de Deli acabou se tornando conhecida mundialmente pelo seu altíssimo nível de ensino, pesquisa e extensão, nos moldes da universidade humboldiana. Em seu começo, em 1922, a Universidade de Deli teve um início modesto, com apenas três cursos, duas faculdades, de artes e ciências, com aproximadamente 750 estudantes.

A Universidade de Deli vem se desenvolvendo e, depois de várias décadas, reúne 79 faculdades em 86 departamentos, com cerca de 300 mil alunos matriculados. Por causa dessa enorme expansão, a Universidade de Deli, ainda nos anos 70, passou por uma reengenharia organizacional, estabelecendo-se como uma instituição multi-campi, para que, assim, pudesse atingir um maior contingente de alunos, nas várias áreas do conhecimento.

O campus sul da universidade, inaugurado em 1973, começou a oferecer programas de pós-graduação, nos departamentos das faculdades de artes e de ciências sociais. O campus leste da universidade abriga a faculdade de ciências médicas, enquanto que o campus oeste tem como foco os cursos de engenharia e de tecnologia.

Quando a Universidade de Deli criou os centros de estudos e de pesquisas avançados, os cursos de física, química, botânica, zoologia, economia e sociologia começaram igualmente a ser premiados, pela qualidade das suas estruturas curriculares e pelo ineditismo da metodologia de ensino que empregava.

Por causa de sua qualidade, a universidade vem recebendo, cada vez mais, um maior número de alunos, oriundos, inclusive, de outras IES, para o seus programas acadêmicos. Pela sofisticação das suas ferramentas tecnológicas para o desenvolvimento do ensino e da pesquisa, a Universidade de Deli é sistematicamente procurada por associações e organizações instaladas nas proximidades dos seus campi. Para uma maior integração dos seus alunos, a universidade implementou uma rede de comunicação, em fibra ótica, ligando todos os seus campi, inclusive o do norte e o do sul, agilizando, assim, o necessário intercâmbio do conhecimento e da pesquisa aplicada.

Assim como a Índia, a Cingapura, a Tailândia, a Coréia do Sul e, mais recentemente, a China, estão também investindo em educação, ciência e tecnologia, visando ao desenvolvimento, à ordem e ao progresso de seus povos. Sabemos que sem um investimento seguro e planejado em educação, dificilmente
um povo consegue se superar e forjar novas gerações amparadas pelo conhecimento.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano de Educação Superior.




Mais vagas nas universidades


Paulo Alonso

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) acaba de divulgar o último censo da educação superior, no qual informa que o número de vagas nas instituições de Ensino Superior do Brasil cresceu 470%, pulando de 516.663, em 1991, para 2.429.737, em 2005.

Um dado importante e que precisa ser ressaltado é que esse crescimento foi também proporcionado, a partir da criação dos centros universitários em 1997, que, por causa de sua autonomia, podem instalar cursos e unidades, sem autorização do Ministério da Educação, em sua sede. Exceção somente para os cursos de Medicina, Odontologia, Psicologia e Direito. Cabe, ainda, enfatizar que os maiores índices de crescimento passaram a ser registrados em 1999, quando as diretrizes da Lei de Bases da Educação Nacional, promulgada em 1996, começaram a surtir efeito.

O censo de 2005 indica que as universidades concentram 44% (1.073.716) do total das 2.429.737 vagas disponíveis. Em seguida, aparecem as faculdades isoladas, integradas e institutos superiores com 36% (872.160 vagas) e os centros universitários, com 20% (483.861 vagas).

Um outro dado importante a ser destacado, em relação às categorias administrativas, é que as instituições privadas reúnem o maior percentual de vagas: 57%, ou sejam 1.3698.396; já as instituições privadas comunitárias, confessionais e filantrópicas abrigam 31%, ou seja, 748.053; enquanto as estaduais e federais estão tecnicamente empatadas com cerca de 5% das vagas, respectivamente com 128.948 e 126.254. As municipais possuem apenas 2% das vagas, com 57.086 alunos.

Pela análise do censo, pode ser igualmente observado que as instituições do interior e cursos noturnos oferecem um quantitativo maior de vagas. Em 2005, as instituições de ensino superior do interior ofereceram 1.337.060 vagas, enquanto as instituições sediadas nas capitais dos estados dispunham de 1.092.677, estabelecendo, dessa forma, uma diferença considerável de 22,36%.

A maior parte dessas vagas, segundo o censo, foi disponibilizada nos cursos noturnos, 1.598.183. Os cursos diurnos registraram 831.554 vagas, o que corresponde a 92,1% a menos. Mesmo com esse notável crescimento, o Brasil ainda precisa avançar em muito na educação superior, que reúne um contingente de matrículas menor do que os nossos vizinhos da América do Sul, como a Argentina, o Chile, a Bolívia e o Paraguai. Para que a educação superior consiga reverter esse quadro, é preciso que novas políticas públicas sejam estabelecidas e que a educação seja efetivamente uma prioridade do Estado, já que apenas 17% da população brasileira, entre os 17-24 anos, estão matriculados em uma instituição de Ensino Superior. Sabemos, perfeitamente, que sem educação não pode existir desenvolvimento sustentável, ordem e progresso.

Paulo Alonso é reitor do Grupo Anglo-Americano de Educação Superior.



Cursos tecnológicos, uma nova tendência


Claudio Fico

A educação brasileira se depara com uma nova tendência no ensino: são os cursos superiores de tecnologia, com menor duração, carga horária mais enxuta e um compromisso com a qualidade do conteúdo que é oferecido.

Os egressos dos cursos superiores de tecnologia denominam-se tecnólogos e são profissionais de nível superior com formação para a produção e a inovação científico-tecnológica e para a gestão de processos de produção de bens e serviços.

Diferente dos cursos seqüenciais, em descontinuidade em muitas instituições, o curso superior de tecnologia surgiu para atender a uma demanda reprimida de profissionais que atuam no mercado de trabalho, que têm experiência profissional em várias áreas do conhecimento, mas não tiveram oportunidade de ingressar em uma universidade, por falta de tempo, de dinheiro...

Os cursos superiores de tecnologia, ainda, representam um percentual de 4% de alunos matriculados, bem distante da realidade dos países desenvolvidos, que possuem 40% de alunos cursando essa nova modalidade de ensino.

As instituições universitárias precisam investir maciçamente na criação e na construção desses novos cursos, a fim de possibilitarem um maior acesso ao ensino superior, contribuindo, dessa forma, para o desenvolvimento do próprio país.

A demanda por esse tipo de curso é melhor percebida na área de tecnologia em informática.

Para disciplinar a criação e a oferta desses cursos, o MEC editou o Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia, onde podem ser encontrados, por área do conhecimento, todos os cursos que, atualmente, estão sendo ministrados no país. Antes da edição desse documento, o Brasil possuía mais de 3.500 cursos superiores de tecnologia, com 1.236 denominações diferentes. O novo catálogo contempla 96 denominações, com cerca de 3.500 cursos. Evidentemente que, com a evolução do conhecimento, esse catálogo deverá sofrer alterações em muito breve, pois como o conhecimento não é e nem pode ser estático, muitas outras propostas de criação de novos cursos já estão sendo analisadas nas instituições universitárias.


Claudio Fico é pró-reitor acadêmico do Anglo-Americano e membro da Associação Brasileira de Educação




Educação precisa de políticas públicas

Paulo Alonso

Sabemos, perfeitamente, que um país só pode se desenvolver e se agigantar se a educação for uma prioridade do Estado. Lamentavelmente, a situação não tem sido essa no Brasil. Os governos se sucedem e a educação fica à margem da agenda nacional, ainda que, nos períodos de campanha, todos os candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais e municipais de todos os partidos afirmem que vão investir na educação como forma de alavancar o desenvolvimento do Estado. São promessas e mais promessas jamais concretizadas. O ensino universitário público precisa de investimento; as escolas municipais e estaduais precisam de maior apoio; os professores precisam receber salários dignos, precisam de reciclagem; as bibliotecas (em muitas unidades educacionais nem existem) precisam de livros, de revistas...A educação precisa de atenção, precisa de ações verdadeiras e honestas para que possa se desenvolver com eficácia. Se o lema da bandeira Nacional é “ordem e progresso”, por que razão, esse mesmo lema não é levado em consideração pelas autoridades constituídas nesse imenso país continental?

No decorrer da história, pensadores fundamentais têm refletido sobre as diferentes formar de ver a escola e a educação ao longo dos séculos. Locke (1632/1704) defende que a educação deve se preocupar com a virtude, com a moral; Comte (1798/1857) diz que, na escola de inspiração positivista, os estudos científicos prevalecem sobre os literários e a educação deveria assumir a responsabilidade de desenvolver nos jovens o altruísmo em detrimento do egoísmo, mostrando a eles que o objetivo existencial mais nobre é dedicar a vida às outras pessoas. Já Durkheim (1858/1917) contrapõe-se à idéia de uma educação universal que serve para todos em todas as épocas. Ele propõe uma educação científica. A educação, para ele, não teria de realizar a natureza do homem, mas sim o que a sociedade quer que ele seja, destacando ainda que ela o quer conforme reclame sua economia interna, o seu equilíbrio. Gramsci (1891/1937) critica a educação tradicional, apresentando uma concepção de escola que tenha como meta contribuir para a construção de uma outra sociedade. Essa escola iria oferecer a educação profissional e humanista. “A escola profissional não pode se tornar encubadeira de pequenos monstros mesquinhamente instruídos para um ofício, sem idéias, sem alma , possuidores apenas de um olhar infalível e de uma mão firme”. Bourdieu (1930/2002) crê que a educação perde o papel que lhe fora atribuído de instância transformadora e democratizadora das sociedades e passa a ser vista como uma das principais instituições por meio da qual se mantêm e se legitimam os privilégios sociais.

Anísio Teixeira, Paulo Freire, Darcy Ribeiro e Florestam Fernandes, pensadores nacionais, também escreveram teorias e conceitos sobre a importância da educação, como ferramenta indispensável à construção do conhecimento. E daí? Será que os homens públicos leram todos esses pensadores? Será que sabem exatamente qual é a finalidade de uma boa escola? Será que sabem que a educação é agente transformador? Será que acompanham a evolução de outras nações, em face da valorização da educação? Pelo que se pode constatar, a resposta é negativa. A falta de criatividade pela e para a educação é absoluta. Medidas paliativas são até tomadas. Políticas públicas sérias, todavia, não são pensadas e construídas e não são, em conseqüência, colocadas em prática. Os discursos são muitos; as ações...

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


Leia aqui mais artigos...


Copyright © 2005 Grupo Anglo-Americano