Jornal do Anglo







 

 

A não obrigatoriedade do diploma para o jornalismo: um golpe duro à democracia


O ministro Gilmar Mendes apresentou, recentemente, seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. O mais curioso é que, em determinado trecho, ele mencionou as atividades de culinária e corte e costura, para as quais não é exigido diploma. Essa argumentação é, no mínimo, uma barbaridade com os profissionais de jornalismo, não querendo, é claro, desmerecer os profissionais de culinária, corte e costura. São atividades totalmente diferentes e que não servem para comparativos. A supressão das normas relativas à atividade não atende aos princípios da liberdade de expressão e de imprensa consignados na Constituição brasileira nem aos interesses da sociedade. Cabe aqui ressaltar a lucidez do Ministro Marco Aurélio Mello, único da corte, que, em seu voto, defendeu a permanência da obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Mais do que uma punição ou coerção ao trabalho da imprensa, essa decisão é um duro golpe à qualidade da informação jornalística. A exigência do diploma não impede ninguém de escrever em jornal ou revista. Não é exigido diploma para escrever em jornal, mas sim para exercer em período integral a profissão de jornalista.

A Associação Brasileira de Imprensa, obviamente, repudiou a decisão do Supremo, declarando que tem razões especiais para lamentar esse fato porque, já em 1918, há mais de 90 anos, portanto, a associação organizou o 1º Congresso Brasileiro de Jornalistas e aprovou como uma das teses principais a necessidade de que os jornalistas tivessem formação de nível universitário. Creio que não interessa a ninguém um jornalismo menos qualificado, pois seria um grave prejuízo ao país, mas também não consegui entender como as maiores empresas de jornalismo apoiaram essa decisão, já que ameaça as bases da própria democracia brasileira.

De acordo com o último Censo da Educação Superior produzido pelo Ministério da Educação, o Brasil tem, atualmente, cerca de 220 mil alunos matriculados nos cursos de comunicação social. Esse número demonstra, claramente, o interesse de milhares de jovens pela profissão. Os alunos do curso de jornalismo também repudiaram a decisão do STF, já que ingressaram nas universidades, buscando obter, nos bancos escolares, uma formação mais ampla que lhe permitissem exercer com mais capacidade intelectual a profissão que escolheram. Daí, tantas manifestações em todas as partes do Brasil, por parte dos estudantes. Eles não imaginavam que a mais alta Corte de Justiça do país fosse, por maioria absoluta, oito votos a um, derrubar a exigência do diploma, com as justificativas apresentadas, que contrastam com o exercício do profissional. Foi um duro golpe à democracia.

E é justamente das universidades que partem anualmente dezenas de bons profissionais, que, empenhados e sempre querendo buscar superar-se, acabam se tornando bons repórteres, redatores, chefes de reportagem e editores. Nas universidades, não se estuda apenas disciplinas específicas de jornalismo impresso, televisivo ou radiofônico, mas profundos conceitos de antropologia, filosofia, sociologia e psicologia. E esse conjunto de disciplinas que faz a diferença na formação de um profissional egresso de uma faculdade de jornalismo. Esse profissional é, por motivos óbvios, muito mais completo e possui, conseqüentemente, uma visão de mundo muito mais profunda, com olhar mais crítico.

Diferentemente do passado em que os profissionais que atuavam no jornalismo eram ligados, por exemplo, ao direito, dentre outras carreiras, os cursos de jornalismo surgiram para oferecer uma formação mais específica a quem quisesse atuar nessa área. Desde a criação desses cursos, muitas modificações têm sido implementadas nas estruturas curriculares dos cursos de jornalismo, visando torná-los cada vez mais sintonizados com a realidade mundial. Dessa forma, disciplinas com conteúdos específicos, tais como jornalismo econômico, jornalismo ambiental e jornalismo esportivo, para citar apenas algumas, foram inseridas nessas estruturas curriculares. Podemos constatar que a formação do egresso de uma universidade é muito mais completa, justamente pelo conhecimento que adquiriu em quatro anos de estudo teórico, prático, específico e de pesquisa, do que a de um cidadão, que não se graduou ou que se formou em outra área do conhecimento. Um cidadão que escreve artigos, nem sempre possui a noção exata do que é ser um jornalista. Uma coisa é ser articulista, por exemplo, da área financeira, outra, e bem diferente, é possuir uma formação humanística e com conhecimentos específicos de funcionamento e de concepção de um veículo de comunicação.

A desprofissionalização, com o passar do tempo e com a contratação de cidadãos sem uma formação específica, acarretará em um enfraquecimento da categoria, influenciando diretamente nos salários e com uma queda, em conseqüente, acentuada na qualidade da informação que hoje é veiculada. O aluno diplomado em jornalismo sempre estará mais bem preparado, com a formação obtida na universidade, para disputar uma vaga no cada vez mais competitivo mercado de trabalho

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 


Índice mede qualidade das escolas


O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007 para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino. O indicador é calculado com base no desempenho do estudante em avaliações do INEP e em taxas de aprovação. Assim, para que o Ideb de uma escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita de ano e freqüente a sala de aula. Para que pais e responsáveis acompanhem o desempenho da escola de seus filhos, basta verificar o Ideb da instituição, que é apresentado numa escala de zero a dez. Da mesma forma, gestores acompanham o trabalho das secretarias municipais e estaduais pela melhoria da educação. O índice é medido a cada dois anos e o objetivo é que o país, a partir do alcance das metas municipais e estaduais, tenha nota 6 em 2022 – correspondente à qualidade do ensino em países desenvolvidos.

Esse indicador, que mede a qualidade da educação, foi pensado para facilitar o entendimento de todos e estabelecido numa escala que vai de zero a dez. A partir deste instrumento, o Ministério da Educação traçou metas de desempenho bianuais para cada escola e cada rede até 2022. O novo indicador utilizou na primeira medição dados que foram levantados em 2005. Dois anos mais tarde, em 2007, ficou provado que unir o país em torno da educação pode trazer resultados efetivos. A média nacional do Ideb em 2005 foi 3,8 nos primeiros anos do ensino fundamental. Em 2007, essa nota subiu para 4,2, ultrapassando as projeções, que indicavam um crescimento para 3,9 nesse período. O indicador já alcançou a meta para 2009. Se o ritmo for mantido, o Brasil chegará a uma média superior a 6,0, em 2022. É o mesmo que dizer que teremos uma educação compatível com países de primeiro mundo antes do previsto.

Com o Ideb, os sistemas municipais, estaduais e o federal de ensino têm metas de qualidade para atingir. O índice, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep /MEC), mostra as condições de ensino no Brasil. A fixação da média seis a ser alcançada considerou o resultado obtido pelos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), quando se aplica a metodologia do Ideb em seus resultados educacionais. Seis foi a nota obtida pelos países desenvolvidos que ficaram entre os 20 mais bem colocados do mundo.

A partir da análise dos indicadores do Ideb, o MEC ofereceu apoio técnico ou financeiro aos municípios com índices insuficientes de qualidade de ensino. O aporte de recursos se deu a partir da adesão ao Compromisso Todos pela Educação e da elaboração do Plano de Ações Articuladas (PAR).

Em 2008, todos os 5.563 municípios brasileiros aderiram ao compromisso. Assim, todos os municípios e estados do Brasil se comprometeram a atingir metas como a alfabetização de todas as crianças até, no máximo, oito anos de idade. O MEC dispõe de recursos adicionais aos do Fundo da Educação Básica (Fundeb) para investir nas ações de melhoria do Ideb. O Compromisso Todos pela Educação propõe diretrizes e estabelece metas para o Ideb das escolas e das redes municipais e estaduais de ensino.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 

Revalidação de diplomas


Atualmente, para ter validade nacional, o diploma de graduação tem que ser revalidado por uma universidade brasileira pública que tenha curso igual ou similar, reconhecido pelo governo. Para obter a revalidação, é necessário, de acordo com a legislação atual, que o candidato: a) entre com um requerimento de revalidação em uma instituição pública de ensino superior do Brasil. De acordo com a regulamentação, apenas as universidades públicas podem revalidar diplomas: “São competentes para processar e conceder as revalidações de diplomas de graduação as universidades públicas que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim.” (Artigo 3º, Resolução Nº 1, de 29 de Janeiro de 2002);

b) apresente, além do requerimento, cópia do diploma a ser revalidado, instruído com documentos referentes à instituição de origem, duração e currículo do curso, conteúdo programático, bibliografia e histórico escolar; c) pague uma taxa referente ao custeio das despesas administrativas. O valor da taxa não é pré-fixado pelo Conselho Nacional de Educação e pode variar de instituição para instituição.

Para o julgamento da equivalência, para efeito de revalidação de diploma, será constituída uma Comissão Especial, composta por professores da própria universidade ou de outros estabelecimentos, que tenham qualificação compatível com a área do conhecimento e com o nível do título a ser revalidado. Se houver dúvida quanto à similaridade do curso, a Comissão poderá determinar a realização de exames e provas (prestados em Língua Portuguesa) com o objetivo de caracterizar a equivalência.

O requerente poderá ainda realizar estudos complementares, se na comparação dos títulos, exames e provas ficar comprovado o não preenchimento das condições mínimas exigidas pela legislação educacional vigente.

O prazo para a universidade se manifestar sobre o requerimento de revalidação é de seis meses, a contar da data de entrada do documento em uma universidade federal.

O Brasil não possui nenhum acordo de reconhecimento automático de diplomas, Sendo assim, as regras são as mesmas para todos os países.

A revalidação de diploma de graduação expedido por instituições de ensino estrangeiras é regulamentada pela Resolução CNE/CES nº 01, de 28 de janeiro de 2002, alterada pela Resolução CNE/CES nº 8, de 4 de outubro de 2007.

A revalidação é feita pelas universidades públicas, que ministrem curso de graduação reconhecido na mesma área de conhecimento ou em área afim. Caso haja dúvida quanto à similaridade do curso, a universidade pode solicitar a realização de exames e provas, com o objetivo de caracterizar a equivalência.

Os diplomas de mestrado e doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades brasileiras que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior, desde que obedecidos os mesmos critérios e parâmetros exigidos para as convalidações dos cursos de graduação.


Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 

Saudade de Zora Seljan

Três anos já se passaram desde que Zora Seljan partiu, numa manhã ensolarada de a bril, deixando seus incontáveis leitores despidos do seu talento literário. Ensaísta, dramaturga, romancista e escritora de ficção científica, Zora, filha do arqueólogo croata Stevo Seljan, veio para o Brasil com seu irmão, Mirko, para explorar a Amazônia e aqui ficou durante a Segunda Guerra Mundial, foi uma figura marcante nas rodas culturais, nas quais sempre esbanjou sabedoria, humor e, principalmente, sedução.

Do final da década de trinta ao início dos anos cinqüenta, Zora foi casada com o notável escritor Rubem Braga, falecido em 1990. Seu segundo marido foi Antonio Olinto, membro da Academia Brasileira de Letras. Eles se casaram em 1955. A partir de então, os dois trabalharam juntos em atividades culturais e literárias. Quando Antonio Olinto foi crítico literário de O Globo, Zora Seljan assinava a crítica de teatro no mesmo jornal, sendo que às vezes as duas colunas saíam lado a lado na mesma página.

Antes de os dois seguirem para a Nigéria, já Zora havia escrito a maioria de suas peças de teatro afro-brasileiras, das quais, mais tarde, em Londres, uma delas, Exu, Cavaleiro da Encruzilhada, seria levada em inglês por um grupo de atores ingleses e norte-americanos sob a direção de Ray Shell, que participara de produção de Jesus Christ Superstar. Na Nigéria Zora Seljan foi leitora na Universidade de Lagos. De volta da África, Antonio Olinto publicaria um relato de sua missão ali, Brasileiros na África, e Zora Seljan lançaria dois livros: A Educação na Nigéria e No Brasil ainda Tem Gente da Minha Cor? Em 1973, os dois fundaram um jornal, em Londres e em inglês, The Brazilian Gazette.

Ela foi uma de um punhado de escritoras pioneiras dentro da ficção científica, em atividade durante os anos sessenta e setenta. Além de escrever ficção científica, foi autora de vários livros sobre a cultura africana e de estudos afro-brasileiros e de peças com assuntos relacionados - um interesse compartilhado por seu segundo marido, Olinto.

Até a sua morte, Zora foi a principal entrevistadora de figuras literárias publicadas no Jornal de Letras. Sua obra estará sendo reeditada ainda este ano. Assim sendo, os seus livros, maioria deles esgotados editorialmente, poderão ser novamente lidos e percebidos. Melhor, sobretudo, para os mestrandos e doutorandos dos cursos de antropologia, ciências sociais e sociologia que se servem desses textos para o desenvolvimento de suas pesquisas stricto sensu. Que esse relançamento seja de fato breve.

A cultura afro-brasileira agradece.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 

Coréia do Sul, um exemplo a ser seguido


Visitar a Ásia, o maior continente do planeta e onde moram 60% da população do mundo, significa ampliar os sentidos, enxergar novas cores, experimentar outros sabores, perceber novos costumes e se confundir, algumas vezes, com modos de vida totalmente diferentes dos ocidentais. Visitar a Ásia é, na realidade, como abrir a Caixa de Pandora. Uma verdadeira surpresa. E é justamente em Seul, uma cidade de 11 milhões de habitantes, capital da Coréia do Sul, país cercado pela China, Rússia e Japão, que o viajante descobre uma metrópole rigorosamente segura, com um povo muito bem educado e culto e com um padrão de vida de dar inveja aos países mais desenvolvidos do mundo.

Seul abriga enormes letreiros em neón, prédios altíssimos, shoppings centers aberto quase que 24h (Coex Mall), rios com águas cristalinas correndo pelas calçadas e avenidas, muito consumo e uma produção hi-tech absolutamente fantástica. Mesmo com todo esse movimento feérico, o turista pode descansar nos seus numerosos parques sossegados, lindamente arborizados, como o Namsan,  e curtir a natureza, contemplando o Templo de Jogyesa, os Palácios de Gyeongbokgung, de Changdeokgung e Deoksugung, e imensas torres, sempre com a hospitalidade do sul-coreano – uma marca registrada desse povo.

Em Insadong, a cultura tecnológica dá lugar ao velho continente. Ali não há prédios altos. Ao contrário, suas pequenas ruas abrigam o que existe de mais genuíno nessa capital. São tavernas da tradicional gastronomia coreana, casas com especiarias sempre muito perfumadas, dezenas de antiquários e uma infinidade de galerias de arte. Um prato que não pode ser desprezado é o ppeondaegi. Na realidade, larva de bicho-da-seda frita. Eles são comercializadas em saquinhos de amendoim. Uma delícia!

Muitos comparam Seul com Tóquio. E essa comparação é natural, uma vez que o Japão dominou a Coréia por três décadas. Durante a Segunda Guerra Mundial, homens coreanos foram obrigados  a lutar pelos japoneses e mulheres foram feitas prostitutas. A violência foi tanta que até mesmo o hangeul, a escrita coreana, foi por eles proibida. Na realidade, as duas Coréias foram uma só até o final da guerra. Com a derrota, os soviéticos ocuparam o norte e os americanos e ingleses se estabeleceram no sul. E desde 1953, vive dividida em duas: a República Popular da Coréia, ou Coréia do Norte, acima do paralelo 38, e a República da Coréia, mais conhecida como Coréia do Sul. A fronteira entre os dois países está apenas a 55 quilômetros de Seul, que, inclusive, já foi atacada algumas vezes pela Coréia do Norte, que escavou três gigantescos túneis para chegar a Seul. Nessa fronteira encontra-se a Zona Desmilitarizada, uma das mais fortificadas de todo o mundo. Para se chegar até lá, todo o cuidado é pouco. Necessário levar passaporte, assinar um termo de responsabilidade em caso de ataque inimigo e não ir de bermuda, chinelo e camiseta com estampa provocativa. Policiais entram nos ônibus de turismo, checam as fotos e os passaportes e impedem o uso de câmeras de vídeo e ou de fotografias...

Não são só as belezas de Seul, suas tradições milenares, seus costumes e sua gente que fascinam os visitantes. Na realidade, a Coréia do Sul, esse Tigre Asiático, é um exemplo para o mundo, na área da expansão e do desenvolvimento educacional. Suas autoridades enviaram muitos dos seus estudantes ao exterior com bolsas de estudo, para que buscassem formação e informação. Em 2007, haviam quase 200 mil alunos cursando universidades em nível de graduação e nos programas de mestrado e de doutorado, especialmente nos Estados Unidos, Japão e Inglaterra. E assim, além de incentivar e manter universidades de ponta, com cerca de 4 milhões de estudantes matriculados na educação superior, a Coréia do Sul cria tecnologia em todos os setores e mantém as mais altas taxas de produtividade do planeta. Esse feito glorioso levou menos de quatro décadas para se consumar.

A educação superior da Coréia do Sul experimentou todo esse progresso com a ajuda de políticas reformistas criativas e eficazes e de efetivos planos para a melhoria da qualidade. Os dirigentes da Coréia do Sul acreditam que é necessário que a educação universitária do Século XXI seja considerada no quadro geral da globalização em que o mundo vive, uma vez que a educação se tornará transnacional e que a tendência é a mobilidade do aprendizado e, em consequência, a educação sem fronteiras. E para atender a essas necessidades, universidades reformistas renovaram seu sistema curricular para, primeiramente, incorporar a capacidade do estudante para a ciência da informação e línguas estrangeiras como pré-requisitos para a graduação e, segundo, para permitir intercâmbio de recursos humanos e materiais com as demais universidades sul-coreanas e as de outros países.

A Coréia do Sul demonstra ao mundo que o seu espantoso desenvolvimento se deve ao fato de ter apostado na educação como ferramenta imprescindível ao seu projeto sócio-político-educacional e ainda por ter inserido a educação e a saúde pública como prioridades na agenda nacional.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



 

Educação recebeu R$ 117 bilhões

Pelo segundo ano consecutivo, o Inep realizou estudo sobre a quantidade de recursos públicos investidos nos diferentes níveis da educação brasileira, incluindo as etapas da educação básica (educação infantil e ensinos fundamental e médio) e educação superior.

O investimento público na educação brasileira em 2007 foi de 4,6% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em números absolutos, isso representa um aporte de R$ 117,4 bilhões. A pesquisa apurou dados de 2000 a 2007 e inclui investimentos dos governos federal, estaduais e municipais. O percentual de investimento público em educação subiu de 4,4% em 2006 para 4,6%, em 2007. Os dados estão comparados ao PIB. Em 2005, o índice foi de 3,9%. O valor se aproxima do padrão de Investimento dos países desenvolvidos – de 5%, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O maior incremento financeiro se concentra na educação básica, que reúne 3,9% do total de Investimento em relação ao PIB. Em 2006, o percentual era de 3,7%. Nos demais níveis de ensino, o investimento se manteve constante entre 2006 e 2007, inclusive na educação superior que ficou estabilizado em 0,7%. De acordo com o estudo, foram verificadas pequenas variações, como no caso da educação infantil, que teve investimento direto igual a 0,3% do PIB em 2006 e, em 2007, de 0,4%.

São considerados investimentos diretos os recursos aplicados nas instituições de ensino, como, por exemplo, para a aquisição de livros didáticos, merenda e transporte escolar, pagamento de professores, obras e instalações para a melhoria das escolas.

Em termos de investimento total, o maior crescimento novamente foi verificado na educação básica, que teve 4,3% de investimentos relativos ao PIB em 2006, sendo que em 2004 este percentual era de 3,6. Os especialistas justificam o aumento 0,7 pontos percentuais neste período à adoção de políticas públicas voltadas para esse nível de ensino. Em contrapartida, os investimentos na educação superior mantiveram-se constantes, sendo que o índice de 0,8% em relação ao PIB foi mantido de 2006 para 2007.

Nos demais níveis de ensino, o índice também apresentou estabilidade entre 2000 e 2007. No ensino médio, o investimento em 2000 foi de 0,6% do PIB e de 0,7%, em 2007. Já na educação infantil ele variou de 0,4% a 0,5 % do PIB entre 2000 e 2007.

No item de investimento total em educação são coletadas informações sobre pessoal ativo e seus encargos sociais, ajuda financeira aos estudantes (bolsas de estudos e financiamento estudantil), despesas com pesquisas e desenvolvimento, transferências ao setor privado, estimativa para complemento da aposentadoria futura de pessoal ativo (cota patronal), além de outras despesas correntes e de capital.

O estudo também aponta os dados de investimento em educação por aluno. Em 2007, o investimento p úblico anual em um aluno da educação básica foi de R$ 2.005. Em 2006, este custo era de R$ 1.852 e, em 2000, era de R$ 1.310. Os valores apresentados no estudo estão corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Dentro da educação básica, o estudo revelou significativo crescimento nos ensinos fundamental e médio. O gasto por aluno no ensino médio era de R$ 902 em 2003, enquanto que em 2007 passou para R$ 1.572. Já nas primeiras séries do ensino fundamental, o valor apurado em 2007 foi de R$ 2.166 por aluno, sendo que em 2000 era de apenas R$ 1.289.

A pesquisa apura ainda a relação entre o que se investiu por aluno no ensino superior em relação ao ensino básico. Em 2000, a proporção do que se investia por aluno no ensino superior era 11 vezes maior que na educação básica. Sete anos depois, diminuiu para pouco mais de seis. Segundo especialistas, esta diminuição é explicada por dois motivos: elevado aumento de investimento na educação básica de 2000 para 2007 e ampliação do número de matrículas na educação superior no mesmo período. A meta do Ministério da Educação é reduzir para quatro essa proporção, como ocorre nos países desenvolvidos.

O estudo sobre os indicadores do investimento público na educação é resultado de uma parceria entre Inep, MEC, Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Para sua realização foi criado um grupo de trabalho, sob a coordenação do Inep, que compatibilizou os dados de investimento educacional com base na metodologia utilizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Desta forma, adotou-se a mesma metodologia usada por organismos internacionais em estudos similares. Assim, será possível a comparação dos dados nacionais com aqueles que são produzidos por outros países.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


 

 

Novo Enem não terá língua estrangeira, filosofia e sociologia

A primeira edição do vestibular unificado não terá prova de língua estrangeira, sociologia e filosofia. Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Reynaldo Fernandes, as matrizes para a elaboração dessas provas não estão prontas, e o prazo é insuficiente para a sua realização. A decisão vale apenas para este ano e afeta a seleção das universidades que aderirem ao novo Enem. O Inep utilizará na elaboração da primeira edição do vestibular unificado a matriz do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Já na segunda edição, em 2010, O Inep incluirá essas matérias.

O anúncio feito pelo presidente do Inep gerou algumas manifestações contrárias ao não oferecimento, por exemplo, de língua estrangeira. Recentemente, a coordenadora de ensino e graduação da UnB, Márcia A brahão, declarou que uma seleção para universidade sem língua inglesa representa um retrocesso.

A mesma opinião tem o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal, Amábile Pacios. De acordo com ele, o processo estará sendo sucateado e a qualidade da seleção sofrerá perdas. Para Amábile é difícil imaginar uma prova de vestibular sem língua estrangeira, uma vez que a disciplina é obrigatória na grade das escolas.

No Rio, o Conselho de Ensino e Pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) aprovou por unanimidade um novo modelo de vestibular para 2010, incluindo as questões objetivas do novo Enem como forma de avaliação na primeira fase, que continua sendo eliminatória. O Enem valerá metade da nota.
As questões desta fase serão objetivas de múltipla escolha. Nessa fase, os candidatos farão provas com perguntas pertinentes à grande área de conhecimento a que pertence o curso escolhido, sendo que as questões de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa serão comuns a todas as áreas.

A segunda etapa de provas da UFF vai permanecer igual com questões específicas e discursivas. Os alunos da rede pública de ensino que passarem para a segunda fase terão um bônus de 10%. O candidato que tiver nota igual ou superior a 7 do Enem vai ter mais 5% sobre a nota final.

O vestibulando para passar na segunda fase deverá ter um número de acertos igual ou superior à média aritmética da prova e do novo Enem, respeitado o limite máximo de oito e o mínimo de três vezes o número de vagas oferecido pelos cursos.

Os professores da rede pública terão reserva de 20% das vagas em cursos de licenciatura.

A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) decidiu abolir de vez seu vestibular e optar pelo novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a partir deste ano como única forma de ingresso do aluno na instituição.

A Unirio é a segunda instituição de ensino federal do Estado do Rio de Janeiro a aderir ao novo Enem - a primeira foi o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ). Desde 2001, a Unirio utilizava o Enem como uma das maneiras de acesso a seus cursos de graduação, sendo que há dois anos passou a destinar 50% das vagas a quem decidisse usar as notas do exame. Da mesma forma, a UniverCidade aderiu ao Enem, como parte do seu processo seletivo.

Pesquisa da Unirio mostra que, no período entre 2004 e 2008, a taxa de evasão da instituição foi de cerca de 25%; sendo que 79,8% desse total era de alunos que fizeram vestibular e apenas 13% de estudantes que ingressaram pelo Enem. A universidade ainda vai definir de que forma serão aplicadas as provas de habilidade específica, como os de artes cênicas e música.

As provas do Enem deverão, ainda, passar por pré-testes, antes da aplicação. O novo Enem deve ser realizado nos dias 3 e 4 de outubro e, mesmo diante de insistentes pedidos de reitores para adiar a data, o presidente do Inep garante que o prazo será mantido.

A expectativa é que 4 milhões de pessoas façam o exame. Todas as redações serão corrigidas, uma vez que a prova tem o intuito de avaliar o ensino médio e não só selecionar para as universidades.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

   

 

MEC quer mudar currículo do Ensino Médio

O Ministério da Educação pretende acabar com a divisão por disciplinas presente no atual currículo do ensino médio. A proposta, que está sendo discutida na Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, é distribuir o conteúdo das atuais 12 matérias em quatro grandes grupos: línguas estrangeiras, matemática; ciências humanas; e ciências exatas e biológicas. Atualmente, o currículo é muito fragmentado e o aluno não vê aplicabilidade no programa ministrado, o que reduz o interesse do jovem pela escola, levando-o muitas vezes à evasão. A mudança ocorrerá por meio de incentivo financeiro e técnico do MEC aos Estados da Federação, pois a União não pode impor o sistema. O novo Enem, Exame Nacional do Ensino Médio, que deverá substituir o vestibular das universidades federais, será outro indutor, pois também não terá divisão por disciplinas. Segundo a proposta, as escolas terão liberdade para organizar suas próprias estruturas curriculares, o que é um sinal claro de inovação, desde que seus currículos sigam as diretrizes federais e apresentem uma base comum.


Os últimos resultados do Enem mostraram que 60% dos nossos alunos estudam em escolas abaixo da média nacional, o que vai de encontro com o progresso e o desenvolvimento da própria nação brasileira. A idéia é não oferecer mais um currículo enciclopédico, rígido, com 12 disciplinas, em que os alunos dominam muito pouco a leitura, o entorno e a própria vida prática.

Para também tentar garantir mais qualidade, está previsto o aumento da carga horária, das atuais 2.400 horas para 3.000 horas, em um acréscimo total de 25%. Com essa mudança de paradigma, será preciso que as escolas reorganizem os seus espaços e, mais do que isso, será necessário criar no professor uma nova mentalidade, mais moderna, arrojada e empreendedora.

Afinal, os atuais docentes foram preparados, ao longo das décadas, para ensinar em disciplinas e não em módulos. Treinamentos e capacitações serão requeridos para que os professores, a partir dessa implantação, possam mudar sua didática, inovando-a.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 

 

 

No Nepal, contrastes culturais


Caos. Contrastes. Pobreza absoluta. Buzinaço alucinante pelas vielas, becos e “avenidas”. Vacas e macacos pelas ruas, sem placas de sinalização. Gente hospitaleira. Templos exuberantes. Paisagens inesquecíveis. Terra do Monte Everest. País aonde nasceu Buda. Essas são apenas algumas das muitas considerações que podem ser feitas ao Nepal, país encravado na encosta da Cordilheira do Himalaia e situado entre a China e a Índia, no centro-sul da Ásia, com cerca de 27 milhões de habitantes, em uma área de menos de 141 mil quilômetros quadrados, mas, em altura, é recordista mundial, pois abriga oito das dez maiores montanhas do mundo.

 Antigo reino, tornou-se  república, recentemente, mas o antigo soberano, que subiu ao trono depois de assassinar seus pais, apesar de deposto, continua vivendo em Kathamandu, em uma residência que ocupa um quarteirão, bem perto do Palácio Real, onde viveu toda a sua vida. A atual República ainda não teve condições de promover mudanças no país, que sofre com o desemprego, com a ausência de saneamento básico, com a falta de moradia e com poucas escolas e raras universidades. Os problemas políticos, sociais, militares e econômicos são, talvez, do tamanho do próprio país e é muito improvável que tais mazelas possam ser ultrapassadas ainda neste século.

Apesar dessa situação verdadeiramente dramática em que está mergulhado esse país, é absolutamente fascinante visitá-lo. Lá, a vida cruel nos leva a reflexões, a uma viagem para dentro de nós mesmos. Nos triciclos, ou “tuc-tucs como são chamados, passear pelo bairro de Thamel é uma aventura. São centenas de tendas e pequenas lojas espalhadas por quarteirões de vielas completamente esburacadas, sob um colorido de legumes, verduras, frutas e flores. Centenas de indigentes estão jogados pelo caminho, assim como dezenas de sandhus (homens pobres com suas caras pintadas, verdadeiras máscaras) são vistos. Encontrar um sandhu e não dar-lhe algum dinheiro pode trazer má sorte reza a crendice local.

Bem próximo de Thamel encontra-se a Praça Durbar, a mais visitada da capital. A confusão de turistas, nepalenses, táxis e vendedores de qualquer coisa não esconde a beleza arquitetônica dos templos. Pechinchar é uma arte em Kathmandu. “Galerias” de arte são ali também verificadas. E a maioria delas  exibe pinturas de excelente qualidade, com destaque para as que apresentam o nascimento e vida do Buda, feitas com fios de  ouro de 24 quilates.

Nada, todavia, pode ser comparado aos grandes templos de Swayambunath, Pashupatinath e Boudhanath. O  Swayambunath é o principal santuário budista de Kathmandu. Arqueólogos acreditam que esse templo exista há pelo menos 2 mil anos.  Em uma área de quase 65 quilômetros quadrados, o visitante percorre até o topo da montanha, local onde se encontra o templo, mais de 40 degraus, cercado de gigantescas estátuas de budas, de macacos e de jardins.

Já o  Pashupatinath está construído as margens do Rio Bagmati, considerado sagrado pelos nepalenses. É o principal templo hinduísta do país e é também conhecido pelas cerimônias de cremação públicas. De um lado, os corpos da população pobre são queimados na plataforma, entre galhos de árvores, carvão, na presença de familiares homens; do outro lado, os ricos são cremados em plataformas em um ritual sofisticado e em sândalo.  As cinzas e sobras das fogueiras são jogadas ao rio. Curioso é que crianças e até adultos ficam por ali naquelas águas poluídas, com a intenção de pescar dentes de ouro para, após, revendê-los.  Maior mausoléu do país, o Boudhanath é parecido com o Swayambunath, mas sua majestosa construção branca e imensa cúpula dourada, ainda mais agigantada devido às construções dos prédios baixos ao seu redor, é bem mais impressionante.

O antigo Palácio Real, na Avenida Durbar Mag, transformou-se em museu e é aberto a visitação. Os prédios da Suprema Corte de Justiça, o Parlamento, as Torres dos Relógios e Branca, o Portão Dourado e a Praça Indrachowk, endereço do Templo Akash Bhairab e do mercado antigo merecem ser, da mesma forma, visitados. As modernas edificações das embaixadas dos Estados Unidos, Japão e França são destaques nas paisagens de Kathmandu. O Brasil não possui representação diplomática no Nepal.

O Nepal é daquelas viagens mágicas que não terminam jamais, nem quando chegamos de volta ao Brasil. E prova que há maneiras e formas diferentes de se encarar a vida, de ver e lidar com as coisas e com as pessoas. Viajar ao Nepal é, antes de mais nada, um grande aprendizado.


 Paulo Alonso é jornalista e Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

 

Sobre Pilares e Cigarras

Hoje, bem cedo,  descobrimos que a varanda não estava sozinha, uma cantora famosa e sem nome estava de frente para uma parede. Impávida, inerte mirava a severa brancura, sem se dar conta, porém, de quão curto o espaço entre a grade e a ingrata muralha. Seu voo fora ironicamente obstaculado pela ignorância, mais uma cigarra morreria em varandas sem que  motivos fossem esclarecidos.
                    
- Morreu cantando a pobre infeliz!  Assim diria um outro que ali a encontrasse sem saber que ambos sofriam da mesma ignorância,  visto que cigarras não estouram, e paredes têm fim.

Para sobreviver aos obstáculos que a vida naturalmente nos impõe, será preciso aprender a fugir das varandas, para tanto, se faz urgente  aprender a conhecer. Eis um desafio para a sobrevivência num mundo onde ter  antenas não garantirá  o sucesso,antes,  a capacidade de conhecer vários assuntos , pois que no universo do trabalho  ,grades são e serão criativamente diferentes . 
       
Alçar vôo dependerá então da capacidade de mudar e mudar-se, a exemplo da cigarra que não estoura, antes, deixa  para trás sua “pele” ,”casca” para poder crescer . Num rito de progresso e desistência será preciso aprender a ser. Isto é, crescer não da casca pra fora, expandindo-se e atendendo aos reclames do espírito, corpo, inteligência e sensibilidade. Pessoas continuarão esquecidas nas varandas se a educação não conferir-lhes capacidade de pensamento, senso crítico e uma imaginação com asas .  Para dar conta da liberdade , mais do que a mera  técnica, espera-se   competência pessoal  daqueles que entendem que para soar  a boa música será preciso  aprender a fazer , entendendo atitudes  como pilares  que amparam  os  que governam com responsabilidade a própria vida .
           
Ao contrário do que diz a fábula, cigarras não se exibem em cantorias  fugindo da labuta. Mais que um barulho de verão ou de outono, seu  canto, é uma cantada à  interdependência, à troca. Na contramão da auto-suficiência, está ela cantando como que encenasse a arte de aprender a viver juntos. Pondo fim à concorrência, abre suas asas e canta a canção da convivência. Sabedora que ao descobrir o outro, descobre-se a si mesma, cantora famosa ,anônima,solitária jamais.        
                                    

Prof. Leonaldo de Oliveira Costa
( Mestre em Educação e Biociências  - Professor do Colégio Anglo Americano ).


 

Mulheres são maioria na Educação Básica


O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira, o INEP, acaba de divulgar uma pesquisa sobre a presença da mulher brasileira no sistema educacional e mostra números crescentes, em termos absolutos, em todos os níveis de ensino. Na comparação com a presença masculina, na Educação Básica, elas constituem minoria nas creches e no Ensino Fundamental, mas são maioria no Ensino Médio.

De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica, levantamento realizado anualmente pelo Inep, em 2005 estavam matriculadas no Ensino Fundamental 16.367.401 meninas, o que representa 48,80% do total de matrículas naquele ano. Esse percentual manteve-se praticamente o mesmo no ano seguinte, com matrículas de mulheres representando 48,66% do total. Já no Ensino Médio, a proporção de matrículas de mulheres aumentou nesse período. Em 2005, elas representam 53,99% e, em 2006, o 54,06%. Em 2007, do total de 31.733.198 estudantes do Ensino Fundamental, 5.394.707 ou 48,51% eram meninas. Já, no Ensino Médio, o percentual de meninas supera o de homens. Elas representavam 54,7% do total de 8.264.816 alunos.

Se há variação em termos de matrículas, quando o assunto é desempenho o rendimento feminino apresenta crescimento, inclusive em relação ao dos homens. De acordo com estudo produzido pelo Inep, o desempenho na prova de português do SAEB referente a 2007 revela um rendimento de 182,3 para as mulheres na 4ª série do Ensino Fundamental, enquanto os homens, nesta mesma série, obtiveram desempenho de 172,4, numa escala de 0 a 500. O levantamento foi feito em escolas públicas e privadas de todo o País.
A diferença de rendimento é ainda maior na 8ª série do Ensino Fundamental quando se trata de proficiência em língua portuguesa, sendo que as mulheres tiveram média de 240,7 e os homens, 228,7, uma diferença de 12 pontos. E, no 3º ano do Ensino Médio, a superioridade feminina em língua portuguesa é novamente comprovada. Elas tiveram aproveitamento de 263,5, enquanto os meninos ficaram com 259,9. Conforme mostra a tabela, os homens apresentam melhores médias em matemática nas três série avaliadas: 4ª e 8ª do Ensino Fundamental e 3º ano do Ensino Médio.

As mulheres do Sudeste são as que apresentam melhor rendimento médio. Mas são as mulheres do Distrito Federal que tiveram melhor desempenho em 2007 em Língua Portuguesa e Matemática, na 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental. Elas apresentaram média de 200,7 em Português e de 210,9, em Matemática. Já no 3º ano do Ensino Médio, são as gaúchas que apresentam maior desempenho em Português, com 286,3 de aproveitamento. Já em relação à disciplina de Matemática, novamente são as estudantes do sexo feminino do Distrito Federal que lideram com média de 291,8.

Da mesma forma, as mulheres já são também maioria nos bancos universitários. E não é à toa que, cada vez mais, as mulheres no Brasil estão ocupando cargos e funções de altíssimo relevo e importância nos Tribunais Superiores, nos Tribunais Estaduais, no Congresso Nacional, nas Academias de Letras, Artes e Cultura, no Esporte, na Música...em todos os setores da vida.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

 


 

Instituto de Pesquisa Antártico é instalado

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT APA) foi instalado, no último dia 1º de abril, em solenidade realizada no Ministério do Meio Ambiente (MMA). O Instituto, criado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, constituiu-se em uma rede de pesquisa com a participação de mais de 40 pesquisadores ligados a 16 diferentes instituições, dentre elas o próprio MMA, parceiro no projeto.

O objetivo do Instituto é estudar as mudanças ambientais que ocorrem na Antártica, o continente mais preservado e, ao mesmo tempo, mais frágil do planeta. Sua atuação está focada na Ilha Rei George, onde está instalada a Estação Antártica Brasileira Comandante Ferraz, que tive a oportunidade de visitar quando matriculado no Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra. Essa região é a mais sensível do planeta às variações climáticas. Suas peculiaridades permitem que se detecte, precocemente, a resposta do ambiente às mudanças globais. Registros meteorológicos indicam um rápido aumento na temperatura atmosférica local ao longo dos últimos 50 anos, quatro vezes maior que a média mundial. Nesse período, a ilha perdeu 7% de sua cobertura de gelo. As maiores perdas de gelo já observadas no planeta – com destruição de mais de 7000 quilômetros quadrados - ocorreram nos últimos oito anos a apenas 350 quilômetros da Ilha Rei George.

Outra tarefa importante do INCT APA será o monitoramento ambiental da Baía do Almirantado, com estudos sobre o impacto que as atividades humanas têm causado sobre o ambiente.

Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia foram criados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia que, por meio do CNPq, lançou edital convocando a comunidade científica nacional a realizar pesquisas. A criação dos institutos conta com parceria da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) e as Fundações de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), do Pará (Fapespa), de São Paulo (Fapesp), Minas Gerais (Fapemig), Rio de Janeiro (Faperj) e Santa Catarina (Fapesc), Ministério da Saúde e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Foram criados 123 projetos que terão recursos de R$ R$ 581 milhões para os próximos cinco anos.
Com a implantação de um Instituto com essa dimensão, importância, finalidade e responsabilidade, espera-se que o Brasil possa, por meio dos seus pesquisadores e das suas consequentes pesquisas, ter dados ainda mais consistentes para o diagnóstico dos impactos que as atividades desenvolvidas pelo homem causam e prejudicam o meio ambiente em que vivemos.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

   
Listão de dispensados do Enade 2008

O Diário Oficial da União publicou recentemente  uma portaria com os dispensados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, Enade, relativo ao ano de 2008. Os estudantes concluintes dispensados do exame realizado no dia 9 de novembro do ano passado podem procurar sua Instituição de Ensino Superior e requerer o diploma de conclusão de seu curso.

Em 2007, foram avaliadas as áreas de Arquitetura e Urbanismo, Biologia, Ciências Sociais, Computação, Engenharia, Filosofia, Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Química; e cursos superiores de tecnologia em: Construção de Edifícios, Alimentos, Automação Industrial, Gestão da Produção Industrial, Manutenção Industrial, Processos Químicos, Fabricação Mecânica, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores e Saneamento Ambiental.
Os faltosos ao Enade tiveram um prazo no ano passado para entregar suas justificativas de ausência. Todas as solicitações de dispensa foram avaliadas por uma comissão especial constituída e designada pelo Ministério da Educação (MEC). Os alunos que não tiveram aceitas suas justificativas continuam em situação irregular e devem prestar o exame neste ano para regularizar a situação acadêmica. Sem o exame, não poderão receber os seus diplomas, mesmo que concluído o curso universitário. O prazo para as IES inscreverem seus alunos nessa situação é de 1º a 19 de junho, de acordo com o texto da Portaria Normativa 1/2009.

O Enade 2009 será realizado no dia 8 de novembro e participarão da prova  estudantes do final do primeiro ano de curso e do último ano de curso das áreas selecionadas. São considerados ingressantes aqueles estudantes que, até o dia 1º de agosto, tiverem concluído entre 7% e 22% da carga horária mínima do currículo do curso da Instituição em que está matriculado, já  os concluintes são aqueles que, até o dia 1º de agosto, tiverem concluído pelo menos 80% da carga horária mínima do currículo do curso da sua IES ou aquele estudante que tenha condições acadêmicas de conclusão do curso no decorrer do no ano letivo de 2009.

Assim sendo, as IES de todo o Brasil e os estudantes universitários que se enquadrarem nessas normas devem ficar atentos. Na realidade, o Ministério da EDucação, ao instituir um processo avaliativo nacional, deseja saber objetivamente como está sendo a transmissão do conhecimento aos alunos, avaliando ainda organização didático-pedagógica da IES, seu corpo docente e infra-estrutura. Não podemos imaginar que as avaliações sejam punitivas, mas esperando sempre que sejam construtivas para, assim, melhor qualificar os nossos alunos que se matriculam nas várias instituições nacionais, visando o seu crescimento intelectual e apostando, com o conhecimento recebido, um lugar no cada vez mais restrito mercado de trabalho.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


 

Dubai, um lugar único no planeta

Ao chegar ao Aeroporto Sheik Rachid, em Dubai, a maior cidade dos Emirados Árabes Unidos, com cerca de 1,6 milhão habitantes, o passageiro logo se impressiona. O aeroporto mais parece um gigantesco e sofisticado shopping - center. Mesmo diante dessa imensidão, ainda está sendo construído outro, o  Dubai World Central International Airport, planejado para ser o maior do mundo, com capacidade para 120 milhões de passageiros por ano. Não é um equívoco afirmar que Dubai possui 30% dos guindastes de construção de todo o mundo. A cidade, um verdadeiro canteiro de o bras, impressiona pela expansão, pela altura dos edifícios e pela arquitetura arrojada dos prédios e, sobretudo, pela grandiosidade dessa metrópole que está sendo projetada sobre o enorme Deserto de Larbad. Ao contrário dos demais Emirados Árabes Unidos, a economia de Dubai não se baseia primordialmente na exploração do petróleo. Apenas 7% da renda do emirado são obtidas dessa fonte. A maior parte dos recursos é proveniente da Zona Franca Jebel Ali, onde se localiza o porto de Dubai, o 13° mais movimentado do mundo, e empresas multinacionais, sobretudo canadenses, austríacas, norte-americanas e suíças, que gozam de vantajosas isenções comerciais e fiscais. As atividades relacionadas ao turismo, 33% das divisas, também têm aumentado sua participação na economia. O crescimento do PIB gira em torno de 19%, mais que o dobro da China. A população nativa de Dubai é absolutamente minoritária, daí a cidade ainda não ter identidade própria. Mais de três quartos dos seus habitantes são originários de outros países, em especial, do Paquistão, do Cazaquistão, da Malásia, das Filipinas e da Índia. Sem impostos sobre pessoas física e jurídica e com um código legal que favorece a propriedade e a iniciativa privada, Dubai incorpora o lema do velho Sheik Rashid: "O que é bom para os comerciantes é bom para Dubai".

Tudo em Dubai é grandioso. Lá está, por exemplo, localizado o único hotel sete estrelas do mundo, o Burj Al Arab, situado em uma ilha e com uma infra-estrutura tecnológica de última geração, em formato de vela. Não muito distante dele, pode ser contemplado O Burj Dubai, a Torre de Dubai. É o arranha-céu mais alto do mundo, embora ainda esteja em final de construção. Não se sabe qual será a altura exata do edifício, mas acredita-se que ele terá aproximadamente entre 700 e 800 metros de altura, o que o fará não somente o arranha-céu mais alto do mundo, bem como a estrutura mais alta do mundo, com um custo estimado de oito bilhões de dólares. Ao atingir sua altura máxima, o Burj Dubai deverá superar não somente o arranha-céu mais alto do mundo da atualidade, o Taipei 101, bem como a estrutura não sustentada por cabos em terra firme mais alta do mundo, a Torre CN, e a estrutura mais alta do mundo, a Torre da KVLY-TV

Já a Dubailand, na Sheik Zayed Road, é um outro projeto altamente arrojado, situada em uma área  do tamanho da Cingapura. Promete ser a grande atração de entretenimento, ainda este ano, quando será inaugurada. Todavia, uma atração imperdível e, ao mesmo tempo, surreal, é visitar o Shopping dos Emirados, o maior de Dubai, com 500 lojas e uma enorme estação de esqui coberta. Inquestionavelmente, é uma das idéias locais mais estranhas, já que a visão de uma enorme pista de esqui interna coberta de neve, com menos 4º C, a primeira do Oriente Médio, é algo esquisito no calor úmido do Golfo Pérsico, onde o espetáculo dos emirenses esquiando e vestidos de burcas e/ou canduras, falando o árabe é, no mínimo, curioso. Esse complexo encerra o maior parque de neve interno do mundo, com três mil metros quadrados de encostas “alpinas” cobertas de neve, com teleférico, pistas de esqui e de trenós.

Dubai guarda um perfil de Manhattan e de Las Vegas, um porto de classe internacional e gigantescos centros de compra livres de impostos aduaneiros. Atrai mais turistas do que toda a Índia, mais navios do que a Cingapura e mais capital estrangeiro do que muitos países europeus. Pessoas de 150 nacionalidades foram viver e trabalhar ali. Dubai tem até ilhas artificiais, algumas em forma de palmeira, para acomodar os milionários. David Beckham, Rod Stewart e Michael Schumacher estão construindo suas mansões na Ilha Palmeira de Jumeirah, onde existe uma bela marina e hotéis simplesmente maravilhosos.  Uma segunda ilha artificial com o mesmo formato da palmeira já está fase final de construção.

Em Dubai celulares incrustados de diamantes custam 10 mil dólares e vendem como água. Milhões de pessoas voam para lá só para fazer compras. O Gold Souk, mercado de ouro, é algo mágico e mítico. São quilos e quilos de ouro nas centenas de lojas esperando por compradores e por preços vantajosos. Fica na parte norte, conhecida como Deira, maior centro comercial e turístico, com vários mercados, escolas, hotéis, clubes e o aeroporto.

Dubai é um lugar único no planeta. Apontada por muitos como a cidade que mais cresce no mundo, este centro de comércio cravado no Golfo Pérsico, às margens do Oceano Índico, transformou-se em um dos destinos urbanos mais cheios de glamour, espetaculares e futuristas do mundo.

Existe também um novo projeto para a construção de outra ilha artificial em que, ao contrário de um desenho de palmeira, será o desenho do mapa mundo.  Um hotel deve ficar com o conjunto formado por várias ilhas que, se olhadas por cima, mostram o mundo. The World também será um arquipélago artificial onde a maior parte das ilhas já foi comprada por investidores de todo o mundo, que estão desembolsando de 7 a 30 milhões de dólares por suas mansões.

Contrastando com a vida movimentada dos cafés e restaurantes, dos iates luxuosos e dos prédios sofisticados da cidade, encontra-se o deserto, de onde se pode contemplar um maravilhoso por do sol, sob o vento das areias finas e avermelhadas e sob o olhar dos dromedários e camelos, em suas reservas.

Caminhar pelo deserto e navegar pelas águas cristalinas e verdes do Golfo Pérsico são dois dos mais belos e inesquecíveis passeios em Dubai. Imagens que certamente permanecerão por toda a vida na memória e nos corações daqueles que têm a oportunidade de conhecer essa única e tão fantástica cidade do Oriente Médio.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



Senadores resistem às cotas raciais

As Discordâncias são muitas e em vários pontos. Assim sendo, a questão da reserva de cotas raciais nas universidades ainda demandará muita discussão no Parlamento do Brasil. E é claro que no que depender da disposição dos mem bros da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) dos Deputados nº 180/2008, que impõe reserva de vagas em todas as universidades públicas, está longe, muito longe de ser aprovado. Ao menos da forma como fora concebido.

Um levantamento feito recentemente junto aos 81 Senadores da República deixa claro que a maioria desses parlamentares é contra a implantação de cotas étnicas para o acesso de estudantes negros, pardos e indígenas às escolas técnicas e às universidades federais. Até mesmo os senadores do bloco de apoio ao governo se mostram reticentes na hora de aderir às cotas raciais. No plenário e na própria CCJ, Os debates são muitos e sempre acalorados.

Dos 24 senadores – 23 titulares mais a relatora, a suplente Serys Slhessarenko (PT-MT) – que decidirão sobre a questão, apenas três se declaram favoráveis às cotas étnicas, enquanto 11 são contra a aprovação do projeto incluindo critérios raciais. Quatro outros senadores ainda estão indecisos e seis preferiram não informar os seus votos. Se a reserva de vagas por critérios étnicos incomoda aos parlamentares, sobretudo os da oposição, a possibilidade de se estabelecer cotas sociais conta com a simpatia da maioria.

Dos 11 contrários ao PLC, dois recusam qualquer tipo de cota e nove a defendem com base apenas em critérios sociais, como a obrigatoriedade de o aluno ter feito a educação básica em escola pública ou pertencer à família com renda mensal que não ultrapasse um salário mínimo e meio per capita. A discussão promete ainda muito barulho no dia de hoje, 1º de abril, data da audiência pública que vai contar com a presença do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, de reitores de universidades públicas e de representantes da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). A expectativa é de que o parecer da Senadora Serys, favorável à aprovação do projeto, seja apresentado no mesmo dia.

O Senador tucano Álvaro Dias, do Paraná, apresentou emenda ao projeto para que ele estabeleça apenas a cota social. Mas a relatora já avisou que não aceita a retirada do que para ela é a “essência” do projeto, a cota racial.

Tudo indica que o parecer da Senadora Serys será pela cota considerando três cortes: ter frequentado escolas públicas, renda e etnia. Se continuar a pensar dessa forma, fica, desde já, confirmado que Serys rejeitará emendas como a de Álvaro Dias.

A passionalidade tem marcado o discurso dos parlamentares que já se posicionaram sobre o tema. Quem defende a cota social argumenta que ela é mais abrangente, pois inclui automaticamente negros, pardos e indígenas, quase sempre alunos das escolas públicas, e também os brancos menos favorecidos. E, ainda, evitaria um problema futuro na hora de suspender a política de cotas.

Já o Senador Gilvam Borges, do PMDB-AP, acredita que o problema não está na cor da pele, mas na base da pirâmide, por isso, de acordo com ele, é imprescindível tratar o assunto como uma questão social – afirma o senador Gilvam Borges (PMDB-AP).

A questão tem suscitado dúvidas até em parlamentares do PT, como o Senador Eduardo Suplicy (SP) que ainda não sabe de que forma votará.

Convicto, o Senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) demonstra a mesma paixão pelo tema que aqueles que pretendem retirar os holofotes da questão racial. Para ele, é uma grande balela esse argumento de criar um novo problema. Problema, para Simon, é o que existe hoje, com 80% dos negros nas favelas, nas cadeias e não nas universidades.

Autora de uma das propostas que deram origem ao PLC, a petista Idelli Salvatti (SC) julga desnecessário o critério de renda, que viria sobrepor-se à obrigação de o estudante ter frequentado escola pública. Para Salvatti, há muitos cortes, o que torna o projeto complexo. O melhor, ainda de acordo com Salvatti, deve prevalecer o critério da proporcionalidade étnica aliado ao de escola pública.

Enfim, o dia de hoje promete muita discussão, muitas brigas e disputas e talvez não se chegue a nenhum consenso. O tema é o da vez e a Esplanada dos Ministérios e o Palácio do Planalto acompanham os desdobramentos dessa questão, que, sem dúvida, é de grande interesse para a vida nacional.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano


Cidadania

O vice-presidente do Grupo Anglo-Americano, professor João Pessoa de Albuquerque, escreve um belo artigo sobre Cidadania. Em seu texto, o professor declara que “todo exercício de cidadania tem duas mãos: a do poder público para o cidadão e a do cidadão para a sociedade. Ambas, em nosso país, deixam muito a desejar”.

Do poder público para o cidadão, há séculos, tem sido um desastre na medida em que aquele não assegura a este os direitos básicos de receber a educação de qualidade, a saúde digna e a segurança eficaz.

Quanto à cidadania de cidadão para o seu semelhante, ainda é precária, como, por exemplo, o abuso do barulho de vizinhança em escala crescente, a invasão de animais domésticos que, pelas mãos de pessoas, emporcalham vias públicas e áreas privadas, o comportamento marginal no trânsito, as transgressões praticadas nas praias e o pouco caso aos idosos nos transportes coletivos, entre outras mazelas de comportamento.

É o que bem posso chamar de “deseducação cidadã”.

Solidificam-se, entretanto, fortes bases de reação como o Ministério Público, as entidades sociais organizadas e a imprensa. Daí nasce a esperança de que o Brasil tenha, mesmo que a longo prazo, uma vigorosa prática de cidadania. Mas, por enquanto, ela, pelos nossos trópicos, ainda engatinha e muito me alegraria ainda estar vivo para vê-las chegar à puberdade...

João Pessoa de Albuquerque


Nova ortografia da Língua Portuguesa

Paulo Alonso

Depois de quase duas décadas, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está saindo do papel e passando a ser empregado. O Brasil é o primeiro país entre os que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, CPLP, a adotar oficialmente a nova ortografia, neste ano de 2009. Essas regras ortográficas que constam no acordo serão obrigatórias em todos os documentos governamentais, mas nos estabelecimentos educacionais o prazo será mais dilatado, em face do cronograma de compras de livros didáticos pelo Ministério da Educação. As mudanças mais importantes alteram a acentuação de várias palavras, extinguindo, por exemplo, o uso do trema e ainda sistematizando a utilização do hífen. O acadêmico Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, será o guardião pelo uso correto da nova ortografia e ainda será o responsável em emitir pareceres sobre eventuais dúvidas sobre a utilização da nova ortografia.

No Brasil, as alterações atingem aproximadamente 0,5% das palavras, contudo nos demais países, que adotam a ortografia de Portugal, o percentual sobe para 1,6%. Dentre os países da CPLP, o acordo já foi ratificado pelo Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Já Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor Leste ainda não definiram quando irão ratificar o documento.

A mudança ortográfica que, além do trema, acaba com os acentos de vôo, lêem, heróico e muitas outras palavras, também altera as regras do hífen e incorpora ao alfabeto as letras k, w e y, passando, assim, a ter 26 letras. A utilização dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus derivados, como “Kafka, por exemplo. As alterações foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa, com população de cerca de 230 milhões. Esse acordo, na realidade, tem também como objetivo aproximar essas culturas.

O embaixador Lauro Moreira, representante brasileiro na CPLP, não tem dúvida de que a que, “quando a nova ortografia chegar às escolas, toda a sociedade se adequará”. Levará um tempo para que as pessoas se acostumem com a nova grafia, como ocorreu com a reforma ortográfica de 1971, mas ela entrará em vigor aos poucos.

Até então, era preciso redigir dois documentos nas entidades internacionais, um com a grafia de Portugal e o outro, com a do Brasil. Essa situação não fazia qualquer sentido e ainda servia para burocratizar ações, processos e procedimentos.

O MEC já iniciou o processo de adoção da nova ortografia. Entre 2010 e 2012 será o período de transição estipulado pela Pasta da Educação para a nova ortografia passar a ser obrigatória nos livros de todas as áreas do conhecimento.

Convém esclarecer que a unificação da nova ortografia não será total. Como privilegiou mais critérios fonéticos, pronúncia, em lugar de etimológicos, origem, para algumas palavras será permitida a dupla grafia. Essa situação será permitida principalmente em palavras paroxítonas cuja entonação entre brasileiros e portugueses é diferente, com inflexões mais abertas ou mais fechadas. Enquanto no Brasil as palavras são acentuadas com o acento circunflexo, em Portugal, ao contrário, utiliza-se o agudo. Assim sendo, ambas as grafias serão aceitas, como em fenômeno ou fenómeno; tênis ou ténis. Essa mesma regra valerá também para algumas oxítonas, como caratê e crochê, que também serão aceitas como caraté ou croché.

As regras para a utilização do hífen receberam nova sistematização. O objetivo é simplesmente simplificar a utilização do sinal gráfico, cujas regras estão entre as mais complexas da nova ortografia. Esse sinal foi abolido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento também começa com outra vogal, como em aeroespacial e extraescolar. É conveniente ressaltar que, quando o primeiro elemento finalizar com uma vogal igual à do segundo elemento, o hífen deverá ser utilizado, como nas palavras micro-ondas e anti-inflamatório.

Ainda, de acordo com a reforma, nos casos em que a primeira palavra terminar em vogal e a segunda começar por r ou s, essas letras deverão ser duplicadas, como na conjunção anti + semita: antissemita. A única exceção se dará quando o primeiro elemento terminar em r e o segundo elemento começar com a mesma letra. Nesse caso, a palavra deverá ser grafada com hífen, como em hiper-requintado e inter-racial.

Com a entrada em vigor da nova ortografia, as pessoas terão de fazer um pequeno esforço para reaprender a escrever algumas palavras. O melhor é fazer o quanto antes, embora haja um prazo de três anos para que essa readaptação ocorra na sua íntegra.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


Mulheres estão em maior número nas universidades

Paulo Alonso

O Dia Internacional da Mulher foi comemorado oficialmente pela 34ª vez no último domingo, dia 8 de março, mas essa justa homenagem às mulheres já tem quase um século. Em 1911, quando as mulheres não tinham nem direito ao voto em praticamente todo o mundo, o dia delas começava a ganhar o planeta.

Ainda no final do século XVIII, a escritora britânica Mary Wollstonecraft levantava a questão de como a mulher era tratada. Condições subumanas, carga horária pesada e salários bem mais baixos do que o dos homens já eram apontados para mostrar o quanto as mulheres eram consideradas de forma diferente e, pior, como são em alguns países, até hoje.

Assim, menos de 70 anos após a Revolução Industrial, em 1857, trabalhadoras de uma fábrica têxtil, apelidadas então de ‘funcionárias das vestimentas’, protestaram por melhores condições de trabalho em Nova York e o que ganharam em curto prazo foi uma violenta resposta de policiais.  Essa data, todavia, não passou em branco pela história. Dois anos depois, também em 8 de março, mais mulheres fizeram uma força única e começaram a obter os primeiros direitos de trabalho, por intermédio de uma associação recém-criada que defenderia os seus direitos.  Em 1908 (também em 8 de março), 15 mil mulheres se juntaram na cidade de Nova York e fizeram novo protesto reclamando por seus direitos e também protestando contra o trabalho infantil.

Em maio do mesmo ano, o Partido Socialista da América estabeleceu que oúltimo domingo de fevereiro fosse o “Dia Nacional das Mulheres”, data mantida até 1913. 

A data de 8 de março, porém, ganhou força na antiga Rússia. E em 23 de fevereiro de 1917, pelo calendário Juliano, que coincidentemente caiu em 8 de março pelo calendário gregoriano, o czar russo Nicolau II foi obrigado a deixar o governo e a garantir, em um de seus derradeiros atos, o direito ao voto das mulheres.

Somente em 1975, 64 anos depois da convenção socialista e 30 após a sua criação, as Organização das Nações Unidas resolveram adotar a data como oficial para celebrar o Dia Internacional da Mulher.

Dos primeiros movimentos espalhados por todo o mundo aos dias atuais, a situação da mulher mudou bastante, não o suficiente ainda, pois sabemos que as mulheres ainda continuam, em muitas ocasiões, sendo tratadas de forma aviltante, daí a necessidade de, no Brasil, ter sido criada, por exemplo, a Lei Maria da Penha. 

Na educação superior, contudo, o quadro, atualmente, é francamente favorável às mulheres. E, conforme os dados do Censo da Educação Superior, coletados pelo Inep, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, as mulheres estão em maior número também nas universidades.

A participação masculina cresceu percentualmente de 2006 para 2007, mas o número de mulheres ainda é maior. De 2000 a 2007, houve um aumento de 81,14% no número total de matrículas na educação superior. A participação das mulheres aumentou 76,92% no mesmo período, o que demonstra o quando a educação superior vem sendo requisitada.

Os resultados do Enade mostram um equilíbrio no desempenho de mulheres e homens. Em 2005, do total de 268.425 participantes do Enade, mais da metade era do sexo feminino (153.575). A média alcançada por homens e mulheres foi muito próxima: entre as 20 grandes áreas avaliadas, as mulheres alcançaram a média total de 38,63, contra 38,11 pontos obtidos pelos homens.

No ano seguinte, 2006, o número total de participantes do Enade subiu para 380.969. Desse total, 223.537 eram mulheres. A participação feminina foi numericamente maior, mas o desempenho entre homens e mulheres foi bastante equilibrado: 39,61 de média para elas e 39,25 para eles.

Em 2007, foram avaliadas 16 áreas. Um total de 185.039 estudantes fez o Exame. Desses, 123.649 eram mulheres e 61.390, homens. Dessa vez, a média delas foi menor: 40,94, contra 42,57 deles. As ingressantes tiveram melhor rendimento nas áreas de Agronomia, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia e Tecnologia em Agroindústria. As mulheres que estavam terminando o ensino superior alcançaram médias maiores nos cursos de Educação Física, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Odontologia, Tecnologia em Agroindústria e Terapia ocupacional.

Podemos constatar que a presença e a importância das mulheres no Brasil e no Mundo é cada vez maior e mais percebida e também aplaudida. Apenas citando algumas em nosso país: Esther de Figueiredo Ferraz, Raquel de Queiróz, Chiquinha Gonzaga, Elis Regina, Irmã Dulce, Fernanda Montenegro, Marta Suplicy, Benedita da Silva e Rosena Sarney marcaram e marcam a presença feminina em nosso cenário. Já no exterior, Indira Gandhi, Benazir, Golda Meir, Marylin Monroe, Rita Hayworth, Madre Teresa de Calcutá, Jackie Kennedy, Rainha Elizabeth II e Angela Merkel são emblemáticas.

A força da mulher, o seu carisma, encanto e sedução são apreciáveis e admirados, não somente pela força de trabalho, pelo espírito guerreiro, pela bravura, mas, sobretudo, pela opção de sempre procurar fazer bem e melhor.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


Antonio Olinto, um raro exemplo de vida
Antonio Olinto, um raro exemplo de vida

 

Artigo

Sob o tema “Ao Educador é vedado o ceticismo”, o vice-presidente do Grupo Anglo-Americano, professor João Pessoa de Albuquerque, escreve um belo artigo educacional.

AO EDUCADOR É VEDADO O CETICISMO

João Pessoa de Albuquerque

Se há algo que não pode morrer é a esperança.

Se isso ocorresse, mortos, psicologicamente, seríamos todos nós, pois, sem esse indispensável alimento do futuro, a subnutrição do presente exterminaria, fatalmente, o vigor das nossas vidas e secaria a maior fonte de nossas próprias inspirações.

Transportando esta hipótese para a nossa área – a educação -, teríamos, por lógica, de concluir que ela seria um enfermo sem cura.

Ora, admitir que o nosso país pudesse permanecer eternamente como está hoje

– pessimamente classificado em qualquer “ranking” educacional do mundo – seria, então, o caso de indagar-se:

- Para que continuar educando se a possibilidade de melhorar inexiste?

A esperança é a mola propulsora de qualquer ação humana: nas conquistas da saúde, na obtenção da paz entre nações, na ânsia da correspondência amorosa, no maravilhoso desejo de ter filhos e nos resultados da excelência - ainda que longínquo – da arte de bem educar.

Reconhecer o que hoje é ruim não significa que se extingue a nossa expectativa de se transformar o ruim no bom e o bom no ótimo.

Quando um ser vivo está, comprovadamente, em estado terminal, o sentimento de humanidade e o uso da razão nos induzem, naturalmente, a desligar os aparelhos para se dar fim ao sofrimento dessa irreversível sobrevida.

Será essa situação da educação brasileira: patologia sem cura?

É evidente que não!

O grande passo dos últimos anos foi, inclusive, dado nessa direção: a Universalização da Educação Básica. Universalização sem qualidade, é fato.

Mas, mil vezes atingir essa etapa quantitativa do que assegurar qualidade
apenas para as elites, como ocorria nos “Brasis” coloniais, imperiais e coronelísticos.

Ora, se a situação educacional deu um grande passo para frente – o quantitativo - provou-se que o passado foi passível de mudança e, por via de conseqüência, o presente não é imutável.

Sem esta perspectiva (sem sequer ela...), então seria o fim dos sonhos. E a Medicina, cientificamente, sentencia: o ser que não sonha, morre!


Homenagem à Associação Brasileira de Educação

O vice-presidente do Grupo Anglo-Americano, professor João Pessoa, escreve um belo artigo em homenagem à mais antiga instituição educacional do país - a Associação Brasileira de Educação - que, em 2009, está completando 85 anos de existência.

A BELEZA DA HARMONIA

Como é envolvente o coletivo harmonioso!

- O coral em absoluta sintonia.
- A banda no coreto.
- A ginástica rítmica.
- O canto em roda.
- A parada militar cadenciada.
- A platéia calorosa.
- O rebanho pastando.
- A marcha silenciosa de luto e de luta.
- O grupo idoso praticando tai-shi-chuan.
- Os pássaros de arribação.
- O conjunto coreográfico em passos gêmeos.
- A torcida uníssona.
- As tartarugas recém nascidas em corrida instintiva para o mar.
- Os barcos a vela em competição.
- O bloco em explosão de alegria.
- A procissão, contrita, à luz de velas.
- O sono profundo de um berçário repleto.
- A esquadrilha em evoluções.
- As crianças ouvindo a contadora de histórias.
- A família sorrindo em volta da mesa.
- Os cisnes deslizando.
- A orquestra dedilhando um suave “pizzicato”.
- A multidão colorida à beira do Rio Ganges.
- A colheita em equipe no campo fértil.
- O jardim no auge primaveril.
- Os romeiros, em Meca, comprimidos, girando e orando.
- O cardume bailando em águas translúcidas.
- O auditório lotado de educadores, a mais importante coletividade em qualquer sociedade do mundo.

É uma festa audiovisual que o cérebro recepciona, o coração aplaude e a alma agradece.

João Pessoa de Albuquerque - vice-presidente do Grupo Anglo-Americano

Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 2009.


O educador Dom Lourenço de Almeida Prado

Paulo Alonso

A educação brasileira perdeu, na última semana, uma das suas maiores referências. Morreu aos 97 anos, o reitor emérito do tradicional Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, Dom Lourenço de Almeida Prado. O monge beneditino atuou como reitor da instituição, que em 2008 comemorou 150 anos de atividades, por quase meio século.

Comecei a manter contato com Dom Lourenço, quando, aos oito anos de idade, ingressei no São Bento. Durante minha permanência nesse estabelecimento recebi os mais importantes ensinamentos da minha vida e posso afirmar que a rigorosa disciplina imposta pelo então reitor; a obrigatoriedade da leitura de dez livros anualmente; os conceitos apreendidos sobre os valores humanos e éticos; o aprendizado de música e artes, bem como conceitos religiosos católicos e ecumênicos me permitiram chegar ao estudo universitário, ancorado em uma formação sólida. Os vários anos passados nesse colégio me possibilitaram enxergar o mundo de uma forma muito mais lúcida e realista. E todo esse aprendizado se deve ao trabalho que Dom Lourenço desenvolveu em favor da construção do conhecimento e de sua imensa preocupação com a formação do caráter da juventude.

Essa mesma preocupação foi por ele também demonstrada no tempo em que, em Brasília, integrou o então Conselho Federal de Educação. Seus pareceres continuam servindo como fonte de inspiração para vários dos atuais conselheiros. Participou, ainda, do Conselho Estadual de Educação e era, dentre várias, titular das Academias Brasileira e Internacional de Educação.

Nascido em Bica da Pedra, formado em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, nos anos 30, Nelson de Almeida Prado, oriundo de uma família quatrocentona de São Paulo, ingressou no Mosteiro de São Bento, em 1940, adotando o nome religioso de Lourenço. Esse nome marcaria sua história como monge e, principalmente, como educador de reconhecida relevância na cultura brasileira.

Afastado da reitoria por vontade própria, já que completara 45 anos à frente da instituição, recebeu o título de reitor emérito, em reconhecimento ao magnífico trabalho desenvolvido. Dom Lourenço deixou uma vastíssima bibliografia versando sobre a Educação da Juventude.

De acordo com ele, a formação humana é essencial no processo educacional e deve ser tratada, fundamentalmente, no ensino médio. Ele também defendia que “a escola é, no tempo moderno, algo indispensável. No primeiro momento da vida é educada em casa; depois, para o desenvolvimento cultural, ela precisa de pessoas especializadas para ajudá-la a crescer e aprender”.

Apesar de idoso, Dom Lourenço jamais deixou de acompanhar a evolução do mundo e sublinhava que, na era do hipertexto, do predomínio da linguagem virtual, digital entre os jovens, “a escola deve cuidar de não pensar que nós vivemos de fato no delírio da imagem e, agora, do digital. O aprendizado é feito pelas coisas que chegam à inteligência, de forma que é o aluno que aprende, não é o mestre que transmite. Ele tem que se servir desses elementos como meios, como recursos, mas não fazer disso o próprio ensino”.

Muito me orgulho de ter passado a integrar, há dois anos, a Galeria dos Grandes Educadores Brasileiros, por votação direta realizada pela Associação Brasileira de Educação, e estar ao lado de emblemáticas figuras como o próprio Dom Lourenço, o professor Cristovam Buarque, ex-reitor da Universidade de Brasília, primeiro Ministro da Educação do Governo Lula e atual Senador da República, e os acadêmicos Arnaldo Niskier e Evanildo Bechara, ambos da ABL. Orgulho maior foi receber essa láurea das mãos do atual Reitor do São Bento, Dom Tadeu Albuquerque, meu antigo mestre, e que representou, na ocasião, Dom Lourenço.

Sua morte será sempre muito sentida e sua obra sempre lembrada no meio acadêmico, já que sua vida foi um exemplo de sabedoria e de pregação. Dom Lourenço foi um fraterno amigo, um educador brilhante e um homem que acreditou vivamente que a educação é o começo, o meio e o fim para a construção de uma sociedade mais justa, mais ética e, sobretudo, mais humana.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano


Em Macau, uma universidade multicultural e multiracial

Macau é um “país” da República Popular da China que impressiona. Muito próxima de Hong Kong e de Manilha, nas Filipinas, é uma cidade que guarda contrastes absolutamente incríveis. Independente de Portugal, desde 1999, suas ruas e avenidas ostentam placas de sinalização em português, mas também em chinês e em inglês. Mas se você pensa que a população fala o português, está enganado. Somente os muito antigos é que usam o português como idioma, mas é raríssimo ouvir essa língua pelas ruas, lojas e becos. O chinês e o inglês são as mais usuais. E até 2015, o português, ainda que seja uma das três línguas oficiais de Macau, será banido dos papéis timbrados e das organizações governamentais e não governamentais. Da mesma forma que Hong Kong, Macau adota moeda própria, a pataca, e só está diretamente vinculada ao governo de Pequim, no que tange à diplomacia e à defesa nacional. É estranho andar pelos parques, pelas ruínas da Igreja de São Paulo e observar as sinalizações em português, mas, ao mesmo tempo, não se poder pronunciar essa mesma língua. Afinal, somente 2% da população entenderiam o que estaríamos dizendo...

Dentro desse cenário até mágico, com imensos neons instalados nos mais de 30 cassinos (parece até Las Vegas!), com praças largas e arborizadas e prédios coloniais portugueses, a Universidade de Macau é um dos mais belos postais dessa bela cidade e, por essa razão, merece ser visitada. Foi criada em 1981, quando a empresa Ricci Island West Limited fundou a Universidade da Ásia Oriental, a primeira universidade em Macau e sua antecessora, em terreno concedido pelo Governo de Macau. A fundação da Universidade da Ásia Oriental, privada, constitui o início da oferta do ensino superior moderno em Macau.

Durante os primeiros anos, após o estabelecimento dessa instituição, seus alunos, na sua maioria, eram provenientes de Hong Kong. Posteriormente, a então Administração Portuguesa de Macau, atendendo às necessidades de formar recursos humanos locais para o período de transição antes da transferência da soberania de Macau à China, procedeu à aquisição da Universidade da Ásia Oriental, por meio da Fundação Macau, em 1988. Realizou igualmente uma reestruturação com o estabelecimento das faculdades de Letras, Gestão de Empresas, Ciências Sociais, Ciências e Tecnologia, tendo modificado a duração dos cursos de licenciatura de três anos para quatro anos. Após, foram criadas as Faculdades de Direito e de Ciências da Educação, mantendo-se o inglês como a língua principal do ensino.

Em 1991, a Universidade da Ásia Oriental tornou-se oficialmente em uma universidade pública e passou a chamar-se Universidade de Macau, assumindo como  missão formar quadros locais qualificados. Na sequência desta transformação, o número de estudantes tem aumentado acentuadamente, de algumas centenas logo no começo para mais de seis mil em dezembro de 2007, tendo a percentagem de alunos locais subido de 39% para 80%.
A Universidade de Macau está situada na Ilha da Taipa. O campus nessa ilha cresceu bastante nos últimos anos como resultado do rápido desenvolvimento econômico local, sobretudo por causa do incremento do turismo e ainda devido à criação e instalação de mais de 30 cassinos nessa cidade, localizada à beira do Mar da China. A Universidade de Macau é a maior da Cidade.

Apesar de dar grande atenção à educação e aos seus alunos, a Universidade de Macau ainda não conseguiu cobrir todas as  áreas do conhecimento, como medicina, arquitetura, filosofia e ciência política.

Um fator importante é que Macau, devido à sua História muita longa e em especial à presença e a administração portuguesa desde o século XVI e até 1999, é um espaço multicultural e multiracial. Esta situação não podia deixar de se refletir no ensino. Assim, são usadas várias línguas na oferta dos cursos, como o chinês, o português e o inglês, mas nem em todas as faculdades.

Deve notar-se que, dependendo das faculdades e dos cursos, o chinês oral usado é umas vezes o cantonense (o dialeto local de Macau) e outras vezes o mandarim (a língua oficial da República Popular da China). O português, quando empregado, é o de Portugal e não o do Brasil.

A Universidade de Macau tem como missão a promoção da ciência e do ensino no domínio das humanidades, das ciências sociais, da tecnologia e da cultura. Suas edificações são muito bem projetadas e o ensino ministrado é o mais moderno de Macau.

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano



Antonio Olinto, um raro exemplo de vida

Paulo Alonso

E lá se vão anos... muitos ou vários, nem sei mais quantos... Suficientes, por certo, para cada vez mais admirá-lo, apreciá-lo, amá-lo e com ele aprender verdadeiras lições de amor, de vida... lições de bem servir ao próximo.... Lições nem sempre escritas, mas transmitidas oralmente, em poesias, em trovas e/ou em prosas. Apreendidas e assimiladas em nossos permanentes diálogos, em nossas intermináveis conversas sobre a gente brasileira, sobre a cultura da nossa gente, sobre os destinos do nosso país...

E é justamente em seu apartamento-biblioteca-museu da Duvivier, de onde se pode avistar um pedaço do Atlântico, que, juntos, refletimos e buscamos, de alguma forma, encontrar saídas para tantas mazelas que afligem o Rio, o Brasil e o Mundo... quanta utopia! Utopia que nos faz bem e alimenta as nossas mentes e os nossos corações.

Antonio é um homem especialíssimo; uma figura notável; um patrimônio cultural do Brasil; um escritor de rara inteligência e dono de uma lucidez magnífica. E, sublinhemos, está comemorando 90 anos de vida. Quase um século de atividades intensas e permanentes em defesa da língua portuguesa, da literatura brasileira, da propagação, por meio de textos jornalísticos ou dos seus incontáveis livros publicados, e traduzidos em mais de 45 idiomas, das suas idéias e pensamentos, da sua criatividade intelectual, da sua vontade em fazer construir um mundo mais digno e mais saudável. Um raro exemplo a ser seguido.

Nascido em Ubá, batizado em Piau, lá nas Minas Gerais, esse Antonio, de olhar meigo, terno, com o colorido da cor do céu, conquistou o mundo, com suas andanças pelos cinco continentes, ora proferindo palestras e conferências, ora organizando seminários internacionais, ora lançando livros e muitas vezes recebendo prêmios e láureas importantes, que traduzem o reconhecimento da sua devoção à arte de escrever.

Dono de uma formação sólida estudou Filosofia e Teologia e quase se ordenou sacerdote. Desistiu dos seminários e resolveu ser Mestre de Latim, Português, História da Literatura, Francês, Inglês e História da Civilização, em colégios do Rio de Janeiro e em instituições universitárias nacionais, como o Centro Universitário da Cidade, que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa, e na Faculdade de Letras do Centro Universitário de Ubá, que também lhe agraciou com idêntica honraria ou nas mais importantes e tradicionais instituições estrangeiras, como as Universidades de Columbia, Yale, Harvard, Indiana, UCLA ou Essex.

Fez conferências sobre Cultura Brasileira em universidade e centros de pesquisas em Tóquio, Seul, Sidney, Maputo, Dacar, Lagos, Abidjan, Tanger, Buenos Aires, Lisboa, Coimbra, Porto, Madri, Santiago do Chile, Barcelona, Paris, Milão, Pádua, Veneza, Roma, Zagreb, Bucareste, Sofia, Varsóvia, Cracóvia, Moscou, Estocolmo, Copenhagen, Londres, Oxford, Cambridge e Dublin, dentre muitas outras. O Diploma de Excelência da Universidade de Vasile Goldis, de Arad, lhe foi ofertado em razão da difusão da cultura brasileira na Romênia. Nessa mesma ocasião, a Embaixada do Brasil nesse país inaugurou, em Bucareste, a Biblioteca Antonio Olinto. Um verdadeiro homem do mundo!
Nomeado Adido Cultural em Lagos, Nigéria, pelo governo parlamentarista de 1962, em três anos de atividade, fez cerca de 200 conferências na África Ocidental, promovendo uma grande exposição de pintura brasileira sobre motivos afro-brasileiros e enfronhando-se nos assuntos da nova África independente. Como resultado, escreveu uma trilogia de romances, "A Casa da Água", uma das obras-primas da literatura do Brasil, "O Rei de Keto" e "Trono de Vidro".

Em 1968 foi nomeado Adido Cultural em Londres e passa a participar também das atividades do PEN Internacional. Mora no Reino Unido por quase 37 anos, onde juntamente com sua mulher a escritora e jornalista Zora Seljan, falecida em 2006, fundam o jornal "The Brazilian Gazette".

Recebeu em 1994 o "Prêmio Machado de Assis", por conjunto de obras, da Academia Brasileira de Letras, a mais alta láurea literária do Brasil. Três anos mais tarde, foi eleito para Academia Brasileira de Letras, cadeira nº 8, sucedendo ao escritor Antonio Callado.

Além de poeta, romancista, ensaísta, crítico literário, Antonio é também artista plástico, pinta e faz esculturas. Nas paredes de seu apartamento, cobertas por pelas máscaras africanas, selecionadas em suas muitas e fantásticas viagens, respiramos arte, literatura e nos abastecemos da boa prosa, dos causos que conta com simplicidade, elegância e empolgação. É uma verdadeira biblioteca. Sabe e discute qualquer assunto e sempre com uma argumentação viva e rica.

Ao comemorar 90 anos de vida, merece todos os nossos mais vivos aplausos e todas as nossas maiores e mais sinceras homenagens. Afinal, Antonio Olinto é para ser lembrado e festejado hoje e sempre. Por toda a vida. Toda e qualquer homenagem, por maior que lhe seja prestada, será sempre muito pequenina, diante da grandeza do espetacular escritor que é. Seu nome está gravado, e definitivamente, na História da Literatura do Brasil. E não por ser um imortal, pertencente a tantas academias, mas pela sua própria natureza e, sobretudo, capacidade invulgar de conquistar, de agregar e de ser.

Paulo Alonso é Reitor do Anglo-Americano



“Profissão, gestão de carreira e felicidade”

Nazareth Ribeiro, Psicoterapeuta Psicossomaticista, Especialista em Clínica e Educação e mãe do aluno Pedro Henrique, da turma 2001, escreve o artigo “Profissão, gestão de carreira e felicidade”.

Fazer a escolha profissional certa não é o único caminho necessário para uma futura carreira bem sucedida.

Além desta, várias outras escolhas são importantes para se alcançar sucesso profissional.

Ainda durante o curso, é preciso escolher em que área fazer estágio e que cursos fazer para se obter uma formação consistente e atraente para o mercado atual adquirindo empregabilidade.

Depois da graduação é preciso saber direcionar sua carreira para a área que lhe dará melhor gratificação profissional e pessoal e conseqüente retorno financeiro.

O fato é que nem sempre isto acontece. Muitas vezes um currículo primoroso, status profissional elevado, retorno financeiro adequado ao cargo e à formação não são garantia de um profissional bem sucedido e feliz.

Por que será?

A pessoa que se sente inadequado no trabalho, pressionado, improdutivo e insatisfeito pode pensar que escolheu a profissão errada, que terá que fazer outro curso, que terá que começar tudo de novo e admitir poder ter escolhido errado é doloroso, principalmente quando não se sabe em que momento pode ter ocorrido o erro e o que fazer para repará-lo.

Nos dias de hoje, pensar em abrir mão do trabalho, da colocação no mercado, em começar tudo de novo, numa época em que não se pode perder tempo, pode ser frustrante e inseguro.

Errôneamente se pensa não poder conceder um minuto que seja para relaxar, com o risco de estar perdendo tempo, e acaba-se perdendo muito mais tempo no futuro com sintomas e doenças já instaladas.

Estes questionamentos deixam a pessoa ainda mais insegura e infeliz. Esta ruminação fica martelando em sua cabeça, e com o passar do tempo começa a interferir na qualidade de seu trabalho e em sua saúde física e mental.

Além disto, além da competência, algumas características pessoais ajudam muito no direcionamento profissional positivo e assertivo. Dentre elas atitude, criatividade, empreendedorismo, dedicação, disponibilidade a aprender, habilidade em trabalhar em equipe e relacionamento interpessoal e além de tudo isto, não deixar de lado o cuidado preventivo com a saúde, alimentação, atividade física freqüente e lazer.

Um bom profissional não é aquele que prioriza apenas seu desempenho profissional, mas sim aquele que sabe valorizar também seu bem estar geral, sua qualidade de vida. Prevenção é a melhor opção, o mesmo valor que se dá à formação acadêmica deve se dá ao investimento pessoal.

Esta sim é a receita certa de um ser humano realizado e feliz.

Caso o profissional não consiga dividir atenção para estas várias áreas de sua vida, esta é a hora de parar e pensar no que pode estar errado. Hora de procurar ajuda especializada.

Aí é que entra em cena o profissional especialista em Orientação Profissional e Gestão de Carreira.

Para que este especialista seja capaz de facilitar este processo, ele precisa ter uma formação adequada e consistente, ser competente, ter visão ampla para explanar para seu cliente as possibilidades de sua possível recolocação, até mesmo na atual empresa se possível, e quem sabe apenas propondo-lhe uma reciclagem, um curso, uma supervisão, uma especialização, E-learning, sessões de coaching, e em alguns casos apenas algumas pesquisas, sem que para isto a pessoa tenha que descartar toda sua trajetória profissional, todo seu investimento de energia, tempo, dinheiro,... e principalmente estar este profissional Feliz com sua escolha, com sua carreira, com sua vida, já que precisa passar para seu cliente muita confiança, segurança, competência, organização, credibilidade e acima de tudo coerência.

Abrir o leque de possibilidades, sem direcionar o cliente, porém sinalizando que é possível encontrar um lugar em sua própria carreira, pontuando suas possibilidades de escolha, é tarefa deste profissional e pode ser a saída para prevenir insatisfações futuras.

Como conseqüência, maior envolvimento e motivação no trabalho e obviamente aumentar a produtividade, podendo prevenir possíveis sintomas psicossomáticos decorrentes de freqüentes frustrações, atingindo uma plenitude profissional e pessoal.

O melhor caminho para passar as várias horas diárias de trabalho, sem ficar contando os minutos para ir embora, para chegar o fim de semana e se ver livre do trabalho é fazer o que gosta.

É claro que para um profissional de primeira linha desejar passar por este processo é preciso iniciativa, coragem e sobretudo humildade.

Se atitude é condição para ser bem sucedido, atitude também é condição para tomar a decisão de parar e rever suas próprias escolhas.

A escolha profissional certa é meio caminho para a felicidade.

Em caso de reprodução favor mencionar autor e fonte.

Nazareth Ribeiro
Psicoterapeuta Psicossomaticista Especialista em Clínica e Educação.
Coaching Vocacional e Orientação Profissional.
Coaching TDAH.
Palestrante.

www.nazarethribeiro.org


A universidade sonhada

Paulo Alonso

A educação precisa se tornar efetivamente uma prioridade do Estado Brasileiro. Não pode e nem deve ser encarada como uma política de governo, pois os governos, em razão de possuírem mandatos, têm "prazo de validade". A educação, um bem fundamental, é absolutamente necessária para a ordem, o progresso, o desenvolvimento e a expansão de um país. O Brasil ainda precisa avançar, e em muito, nessa área e nunca é demais lembrar que, se comparado aos vizinhos da América do Sul, o Brasil, com uma população de 187.193.862 milhões, necessita melhorar a taxa de escolarização no Ensino Superior, uma das mais baixas do continente sul-americano. Menos de 12% da população brasileira, de 18 a 24 anos, tem acesso ao Ensino Superior, diferente do que ocorre com os seus vizinhos mais próximos. A nossa taxa é, por exemplo, inferior à da Argentina com 39%; à do Chile, 27%, e à da Bolívia, 23%. O Plano Nacional de Educação (2001/2010) prevê uma taxa de escolarização de 30% da população. O Estado Brasileiro deve continuar a promover políticas efetivas que garantam o acesso de jovens de baixa renda ao Ensino Superior, expandindo não somente as instituições federais, inclusive com a oferta de cursos noturnos, para regiões que careçam de escolas superiores, mas, também, possibilitando o credenciamento de novas instituições privadas.

O ensino não é mercadoria e sabemos ser um bem público. A Constituição prevê, inclusive, a educação como dever do Estado, garantindo também a participação da iniciativa privada, hoje com 2.147 instituições, de um total de 2.404 e atingindo mais de 80% das matrículas universitárias. Ao exercer uma função pública delegada, o setor privado está buscando cada vez mais a qualidade como centro de sua ação. E esse resultado pode ser facilmente comprovado pelas avaliações dos cursos e das instituições privadas promovidas pelo Inep.

No século em que vivemos, é imprescindível expandir a oferta do Ensino Superior, sem prejuízo da qualidade, não somente pela diversificação das modalidades de instituições, como pela diversificação da modalidade de ofertas de vagas. Na Era do Conhecimento em que o mundo vive, cada vez mais as instituições e os indivíduos valerão pelo que fazem com e para a sociedade, com qualidade e eficiência, avaliada, atestada e acreditada pela própria sociedade organizada.

Assim sendo, a universidade deve orientar os resultados de todas as suas ações para o planejamento e o desenvolvimento do conhecimento que não sejam divorciados da necessidade e interesses da população. E para desenvolver-se e projetar-se, cumprindo o seu papel social e político, a universidade precisa manter-se todo o tempo a serviço da sociedade como um dos fatores dinâmicos da vida intelectual e da própria evolução cultural. É a universidade o lugar que se universaliza, se preconiza e se impulsiona a sociedade para o novo, para o mais justo, para uma organização social mais integral. E a universidade é o grande espaço da busca, do aperfeiçoamento e da renovação constante e imprescindível do conhecimento. Daí a razão de se perceber e de se entender que não há desenvolvimento sem educação, que a educação será sempre investimento e jamais custo; e que desenvolvimento deve ser feito necessariamente com justiça e inclusão social.

A universidade, em conseqüência, tem um papel preponderante no cenário histórico de um país, já que é uma instituição que reúne a capacidade de fazer a síntese histórica da sociedade e de provocar os homens para que criem vontades ou energias para a organização social. Dessa forma, educar, atualmente, mais do que acumular habilidade e informações, é aprimorar a consciência, órgão do sentido, e preparar a pessoa para responder sobre seu destino e sobre o sentido de sua vida.

Paulo Alonso é reitor do Grupo Anglo-Americano


ANÁLISE VOCACIONAL: Um Recurso para Realização de um Projeto - Nazareth Ribeiro

Nazareth Ribeiro, Psicoterapeuta Psicossomaticista Especialista em Clínica e Educação e mãe do aluno Pedro Henrique, da turma 2001, escreve o artigo “ANÁLISE VOCACIONAL: Um Recurso para Realização de um Projeto”. Leia o texto na íntegra aqui.

Na hora de escolher uma profissão vários questionamentos levam o adolescente a muitas dúvidas em relação ao que escolher.

Escolher uma profissão em evidência no mercado atual, uma que seja mais valorizada em termos de titulação, uma que tenha referência a uma pessoa a quem se identifique, uma que seja mais fácil, uma que dê mais status, uma que resulte em maior retorno financeiro, uma que tenha maior empregabilidade, vários são os motivos que levam a pessoa a escolher sua profissão ou a ficar ainda mais em dúvida e não escolher.

A Análise Vocacional é um recurso utilizado para ajudar a resolver este problema.

O processo é subjetivo, sem testes, com a utilização de técnicas dinâmicas, realizado em três etapas, durante aproximadamente 08 a 10 sessões, e pode ser individual ou em grupo.

A primeira etapa refere-se ao auto-conhecimento. Durante este período técnicas são utilizadas para que a pessoa se conheça melhor, suas características, o que mais gosta de fazer, ambiente em que se sente melhor, seus desejos e projetos em relação ao futuro.

Este material oferece também ao terapeuta uma visão mais ampla do cliente que ele está atendendo. Ajuda a pessoa a escolher uma profissão adequada ao seu perfil e não o contrário, que seria escolher uma profissão e tentar encaixar-se nela.

A segunda etapa é utilizada para informação geral sobre as profissões. Nesta fase a ênfase é na informação. Que matérias são ministradas no curso, em que faculdades, quanto tempo, investimento financeiro, perfil esperado para um profissional nesta área, são algumas das informações oferecidas nesta etapa. Vários recursos são utilizados para que esta não seja uma fase muito cansativa.

É uma fase importante para que não se faça uma escolha errada por falta de informação.

O objetivo da terceira e última etapa seria fazer um link entre a primeira e a segunda fases e facilitar ao cliente a tomada de decisão.

Com mais informação sobre si e sobre as profissões torna-se mais fácil fazer uma escolha mais assertiva.

Em muitos casos esta escolha pode significar muito mais do que se percebe a priori: reparar, agredir, proteger, perseguir, negar, persuadir, agradar. Além disto, crenças, preconceitos, situação socio-econômica, família, mídia, amigos, são fatores também considerados na hora desta decisão, e este fatores podem interferir de forma positiva ou negativa no resultado final. Por isto, é importante compreender o vínculo que se estabelece com a escolha ou não escolha.

A adolescência, que é geralmente a fase da primeira escolha profissional é uma fase caracterizada por constantes crises, onde várias outras escolhas importantes devem ser feita, e muitas vezes falta maturidade para tal e o adolescente pode tender a resistir a esta tomada de decisão por acreditar que a entrada na vida adulta o fará perder coisas, sem considerar os várias outros ganhos que terá, ele a relaciona com perdas e com assumir responsabilidades.

Paul Thompson (Cientista do laboratório de neuromapeamento da Universidade da Califórnia, faz parte de uma equipe que vem mapeando o cérebro de cerca de 1 000 adolescentes com técnicas avançadas de tomografia) acredita que as alterações mais importantes por que passa o cérebro nos últimos anos da adolescência tem lugar no córtex pré-frontal, área esta que é responsável pelo planejamento a longo prazo e pelo controle das emoções, e que antes dessas mudanças nem sempre o adolescente está pronto para processar informações que precisa processar quando necessita tomar decisões.

De qualquer modo, o fato de que o cérebro do adolescente não está totalmente pronto é tranquilizadora, pois assim, ele tem mais tempo de aprendizado do que antes se pensava. Isto não quer dizer que ele esteja fadado ao erro, mas sim que precisa se preparar mais adequadamente para esta nova fase de sua vida.

O tempo que o adolescente tem pela frente para acertos e erros, para tornar-se adulto, favorecem e é importante pensar que mesmo que se ele arrependa desta primeira escolha e tenha o desejo de trocar de curso posteriormente, não terá perdido tempo, isto certamente servirá para amadurecer e aprender com esta experiência.

As estatísticas apontam para aproximadamente 40% de evasão das Universidades devido à escolha errada de curso.

O Ser Humano é um ser biopsicossocial, e sendo assim, é natural que sua escolha profissional, assim como todas as outras escolhas, esteja intimamente relacionada à sua questão emocional, a seus conflitos internos e desejos, às suas referências pessoais.

Vida pessoal e vida profissional estão diretamente interligadas, portanto, felicidade e realização em uma área reflete diretamente em felicidade na outra.

É cada vez mais comum que adultos que já terminaram um curso ou desistiram no meio, e outros que até já estão desempenhando um trabalho na área em que se formaram busquem a Análise Vocacional com a intenção de uma nova escolha e a expectativa de não errar novamente, de ser mais feliz e realizado.

Muitas vezes nestes casos, apenas uma Orientação Profissional, com informação especializada e sugestões já abre possibilidades para que a pessoa aproveite sua formação atual de uma forma mais abrangente que facilite sua recolocação no mercado.

A escolha profissional deve ser encarada como um dos vários projetos a ser realizado ao longo da vida, e quanto mais envolvimento a pessoa tiver com este projeto, mais fácil será fazer a escolha certa.

A Análise Vocacional pode ajudar ao adolescente a encontrar este caminho. Sem regras nem preconceitos, não partindo primeiramente para a empregabilidade, facilitando a capacidade de transformar o sonho profissional em realidade, com competência, com sucesso e felicidade.

Nazareth Ribeiro
Psicoterapeuta Psicossomaticista Especialista em Clínica e Educação.
Coaching Vocacional e Orientação Profissional.
Coaching TDAH.
Palestrante

www.nazarethribeiro.org

 

A evolução das espécies

Grupo de indivíduos que ao reproduzirem, geram descendentes férteis. Essa resposta pode ser escutada por um coro de estudantes quando questionados a respeito do conceito de espécie. Deixe-me aditar: essa resposta também está estampada em muitos livros utilizados nos colégios e publicados por autores do mais alto renome. Nesta hora lhes faço a pergunta terrível: _Como fazemos então para classificar os microorganismos que se reproduzem de forma assexuada? Cada indivíduo integra uma espécie diferente? As caras de alegria dos sedentos por cadernos volumosos de conceitos, conceitos estes que quase sempre são frágeis e questionáveis em biologia, se desfaz. Os mais curiosos começam as discussões, e a verdade vem à tona: o cartesianismo tão conspícuo da matemática, onde 1+1 sempre foi e será igual a 2, não pode ser aplicado ao estudo da biologia.

A origem do conceito de espécie está no sistema binomial de classificação proposto pelo suíço Caspard Bauhin (1560-1624), em seu estudo botânico intitulado Pinax Theatri Botanici, sive Index in Theophrasti, Dioscoridis, Plinii, et botanicorum qui a seculo scripserunt opera, escrito em 1596. Neste livro ele propunha um nome genérico (que depois veio a ser chamado de gênero) e um nome específico (que atualmente chamamos de espécie), para cada tipo de planta por ele catalogada. Dois séculos depois, apropriando-se da idéia de Caspard, o sueco Carl von Linné (1707-1788), considerado o pai da sistemática moderna, lançou seu sistema de classificação binomial, que até hoje é utilizado pelos sistematas. A idéia parece simples e brilhante: a partir da observação de características morfológicas agrupam-se os organismos de acordo com as similaridades. Parte-se de uma categorização hierárquica onde existem grupos para semelhanças mais gerais (reinos, filos, classes), e chega-se a grupos mais específicos (gêneros, espécies).

O que poucos param pra pensar é que esse conceito é uma afronta ao teorema básico de conjuntos, e que também pode gerar controvérsias por contar com alto grau de subjetividade para a interpretação de similaridades. No que diz respeito ao problema com os conjuntos, ao inserirmos um binômio para nomear a espécie (gênero + espécie), consideramos que um subconjunto pode ser conjunto dele próprio e quebramos a falsa visão de que cada espécie está inserida em um sistema totalmente ordenado, onde o maximal seriam reinos, e o minimal a própria espécie. Porém, em cadeias desse tipo não ocorrem as dicotomias geradoras de cladogêneses e pensar nessas cadeias em reconstruções evolutivas, é acreditar que a biodiversidade permaneceu num processo anagênico contínuo desde sua origem. Quando corrigidas, essas cadeias formam dicotomias que geram novos elementos minimais sem referência ou lógica na sistemática tradicional.

Para resolver esse problema, um novo modelo para classificação da biodiversidade foi proposto por Willi Henning (1913 – 1976). A cladística propôs um agrupamento de indivíduos não mais por padrões de similaridade, mas sim por congruência. Neste novo modelo, a história evolutiva do surgimento e o padrão de distribuição das características entre os grupos de seres vivos é o fator de peso para a análise. Nesta visão a espécie deixa de ser uma entidade, e passa a ser uma estrutura caótica que contém uma mistura de caracteres surgidos em tempos remotos e algumas novidades da evolução, passíveis de modificações aleatórias em escalas espaço-temporais imprevisíveis.

Este novo modelo é algo mais refinado e próximo dos fenômenos que realmente acontecem na natureza, mas dificulta a nossa visão limitada que insiste em tratar o mundo natural como uma organização em unidades discretas. Na cladística isso não existe. Cada indivíduo existente no planeta é uma unidade contínua, um mosaico de montagem caótica, onde características oriundas de momentos evolutivos totalmente diferentes se unem em uma estrutura complexa com organização funcional.

Tratemos o problema de forma pragmática: como fariam todos os museus do mundo para recatalogar milhões de exemplares segundo um novo método de classificação? Como revisar todos os artigos científicos já publicados na história da humanidade e republicá-los utilizando um novo sistema de nomenclatura? O problema está na persistência de um sistema errôneo por muitos anos. Corrigi-lo implicaria em investimentos milionários e um esforço humano que interromperia a demanda desumana de publicações que o mundo globalizado requer para manter um pesquisador empregado. Essa realidade faz com que a biologia insista em permanecer num erro já diagnosticado, mas que tomou amplitude irreversível.

Ah! E para o vestibular? Continuem no coro com o qual comecei esse artigo, mas que fique a semente questionadora em vocês: investiguem, procurem avaliar as idéias que lhes são passadas com olhar crítico, não assumam que todo o batalhão de conceitos e idéias que preenchem seus cadernos são verdades absolutas. E também não faz mal transferir esse sentimento para questões sociais como a favelização e a miséria. O mundo precisa de menos acomodados e mais questionadores. Leiam os jornais, procurem informações, construam arcabouço teórico sobre temas que podem melhorar a qualidade de vida da sua comunidade, quiçá do seu estado, país. Afinal, rebeldia sem causa e coerência é banalização.

Tenho de fazer jus aos grandes intelectuais que conceberam as idéias das quais me apropriei para escrever esse artigo: Nelson Papavero, Willi Henning e Leandro Salles.

 

“O problema com as boas idéias é que elas acabam dando muito trabalho.”

Peter F. Drucker

Leonardo Gonçalves Dias, professor de Biologia do pré-vestibular

 

O pioneirismo de Esther Ferraz

Paulo Alonso

Não é muito fácil escrever sobre uma mulher, uma jurista, uma educadora, uma pessoa tão especial como Esther de Figueiredo Ferraz. Uma pioneira, uma mulher que sempre esteve à frente do seu tempo. Esther deixa uma saudade imensa em todos os que tiveram o raro privilégio de com ela conviver e compartilhar do seu talento incomum, da sua brilhante inteligência, da sua capacidade de fazer amigos, da sua generosidade em servir, da sua simplicidade, da sua fidalguia e, sobretudo, dos seus sábios aconselhamentos. Eu tive esse privilégio e me sinto feliz, por ter não somente a conhecido, mas como ter sido amigo da professora Esther, que, ao morrer recentemente aos 93 anos de idade, deixou numerosos e importantes feitos no cenário jurídico-sócio-político-educacional, ao longo de tantas décadas de dedicação e de construção de um trabalho simplesmente magnífico e, por essa razão, memorável. Suas ações, muitas delas, ficarão guardadas para sempre em minha mente e em meu coração. Sua obra é um legado e sua vida, um exemplo de dignidade e de perseverança.

Estava viajando, quando soube do seu falecimento. Não pude, conseqüentemente, dar o meu adeus e externar minha saudade em seu velório na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, o que lamento profundamente. Nossa amizade era antiga. E os nossos contatos e convivência foram, em determinado momento das nossas vidas, freqüentes. Costumava ir ao seu apartamento à Avenida Franca, em São Paulo, não só para visitá-la, mas, confesso, para também absorver um pouco do seu conhecimento. E conversávamos sobre os destinos do Brasil, sobre a educação em nosso país, sobre o ser humano, sobre normas da educação superior. Conversávamos sobre a vida, enfim. Com ela, aprendi muito, até mesmo a conceber um regimento universitário. E nessas visitas não faltavam, além da atenção extrema, um bom suco de frutas e salgadinhos. Os santos barrocos, o piano de cauda e os óleos sobre tela, assim como as fotos dos familiares e sobrinhos dispostas sobre os móveis, são testemunhas de tantos e tão bons momentos.

E por tudo o que ela representou para o Brasil, o Conselho Universitário da UniverCidade resolveu prestar-lhe uma homenagem, quando completava os seus 90 anos. E coube a mim, no exercício da Reitoria da UniverCidade, entregar-lhe o título de Doutor Honoris Causa, em solenidade realizada em seu apartamento, já que Esther preferiu que essa manifestação de apreço e de reconhecimento não fosse pública. Ela era uma mulher avessa às vaidades, às vitrines. Sua sobrinha Gilda Ferraz lhe fez uma surpresa, convidando amigos e parentes e ainda providenciando um belo coquetel para os que foram até lá prestigiá-la. Do alto dos seus 90 anos, Esther discursou, de improviso, por quase 20 minutos, traçando uma trajetória esplêndida sobre a sua vida pública, demonstrando estar antenada com o que acontecia no mundo e enaltecendo às novas gerações. Um discurso que muito emocionou a todos os que foram saudá-la. Após, Esther me confidenciaria: “quando começamos a ser muito homenageada pode ser um sinal de que estamos na reta final...”

Primeira mulher a ser Ministra de Estado do Brasil, ocupando a pasta da Educação (1982/85, no Governo João Figueiredo), Esther, nesse período, foi à responsável pela regulamentação da Emenda Constitucional Calmon, que estabeleceu os percentuais mínimos de investimentos com recursos da União em educação. Segundo a alteração constitucional, os recursos da União destinados à educação não poderiam ser inferiores a 13% e os de estados, municípios e Distrito Federal não menos do que 25% do que seria arrecadado em impostos. A regulamentação desses percentuais foi o emblema da sua gestão à frente do Ministério da Educação.

Antes de ser nomeada ministra, Esther integrou o então Conselho Federal de Educação, o Conselho Estadual de Educação de São Paulo, ocupou o cargo de Diretora do Ensino Superior do MEC e foi ainda Secretária de Estado da Educação do governo paulista, na gestão do Governador Laudo Natal. Também foi a primeira mulher a integrar o Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, o Instituto dos Advogados de São Paulo e a primeira a prestar concurso público para livre docência da Faculdade de Direito, na Universidade de São Paulo, assim como foi a primeira reitora do país, tendo sido dirigente da Universidade Mackenzie, em duas ocasiões. Ao que parece, a marca do pioneirismo é hereditária, pois sua mãe, em 1907, foi a primeira mulher a formar-se em dentista no Brasil, conforme ela mesma contava. Esther advogou, até aos 89 anos e ainda se dirigia ao seu escritório guiando o seu próprio automóvel. Escreveu mais de uma dezena de obras jurídicas, várias das quais são utilizadas até hoje pelos estudantes de Direito. Membro da Academia Paulista de Letras, cujo patrono é Euclides da Cunha, Esther, em uma das nossas muitas conversas, aconselhou-me: “faça a releitura da obra de Euclides, pois com ele aprendemos nas diversas releituras. Seus livros são essenciais para todos os que querem compreender melhor a vida e os seus ensinamentos são sempre atuais”. Esse conselho me foi dado, no carro quando deixávamos a reitoria da UniverCidade, depois de uma palestra proferida por ela para os alunos de Direito e a caminho do Hospital São José, onde visitaríamos, de surpresa, o ex-presidente Figueiredo, que lá se encontrava internado. Ao encontrarmos o general, foi nítida a felicidade de ambos. De lá, seguimos para o Aeroporto Santos Dumont, de onde ela embarcaria para sua tão querida São Paulo. E eram assim os nossos encontros, que passariam a ser ainda mais rotineiros, quando cursei dois mestrados, em São Paulo, um em Cooperação Internacional e outro, em Educação, Comunicação e Administração. Aos sábados, antes de regressar ao Rio, costumava dar uma passada, mesmo que rapidamente, em sua residência, onde ia buscar carinho, em suas palavras sempre meigas e gentis, e ainda aprendizado.

E é justamente por toda essa convivência fraterna e intensa e é justamente por tudo o que ela representou para o Brasil e para mim, especialmente, que a saudade da professora Esther de Figueiredo Ferraz será sempre muito sentida. Afinal, são raras, muito raras as pessoas realmente especiais como Esther. Adeus!

Paulo Alonso é Reitor do Grupo Anglo-Americano

publicado dia 14 de outubro.

 

Artigo

INTRODUÇÃO
A importância do esporte nas relações de liderança é o tema do artigo escrito pelos professores Alexandre da Gama e Renata Andrade.

O desejo do homem de superar seus limites, aliado ao seu elevado extinto de competitividade, fizeram e ainda fazem do esporte quase que uma obsessão humana, uma busca contínua da superação dos próprios limites. Para tal, o homem começou a pesquisar e observar seus atributos físicos, levando a área de preparação física e técnica a constantes estudos e aperfeiçoamentos.

Além disso, o esporte também fascina e intriga muitas outras áreas de estudo, quer pela evolução de métodos, quer pelas diversas reações do ser humano aos mais diversos estímulos que este recebe na busca por alcançar o seu máximo.

Do ponto de vista das relações de liderança, vários são os aspectos observados na prática esportiva que ajudam na formação e no preparo do indivíduo, não só como atleta, como também como um indivíduo racional que convive e produz em sociedade, principalmente no que tange o trabalho em grupo. Dentre estes aspectos, pode-se destacar a disciplina, o espírito de equipe e a lealdade.

DISCIPLINA
“Disciplina é a ponte que liga nossos sonhos às nossas realizações.”
(Pat Tillman, jogador de futebol americano)

A disciplina, no esporte, é desenvolvida na medida em que o indivíduo percebe a importância de sua dedicação aos treinamentos para atingir o sucesso desejado. Com isso, ele percebe que seguir da às instruções e recomendações de seus treinadores é fundamental, pois estes são quem detém o conhecimento dos estudos já realizados para que seja possível atingir seus limites.

Além de ser encontrada no que tange os treinamentos, a disciplina também se desenvolve em outros momentos do esporte, como na obediência tática, que faz com que os vários talentos de cada atleta se multipliquem em prol da equipe, e no estrito cumprimento das regras durante as disputas esportivas, que é o que realmente torna a conquista do atleta admirada, não só por quem assiste, como também por seus adversários.

Na liderança a disciplina também é fundamental. Todo grupo necessita de disciplina na sua preparação e na execução de suas tarefas para alcançar, com êxito, suas metas. Sem esta devida conscientização, o grupo estará fadado ao fracasso.

Dessa forma, faz-se uma ponte entre o esporte e as relações de liderança sob o ponto de vista da disciplina, pois com a ajuda da prática esportiva, torna-se possível a conscientização do indivíduo quanto à importância da disciplina para que se possa obter sucesso em qualquer coisa que este se dispõe a fazer.

ESPÍRITO DE EQUIPE
“Não importa o tamanho do seu talento se você í incapaz de fazer parte de um grupo, de uma comunidade, e se dá mais importância ao ‘eu’ do que ao ‘nós’.”
(Bernardinho, Transformando Suor em Ouro, p.113)

Tudo o que se realiza na sociedade humana é baseado na interação entre os indivíduos e na união de seus esforços. Assim, é imprescindível para qualquer um saber lidar com o trabalho em equipe, sabendo reconhecer-nos outros membros do grupo habilidades e características capazes de elevar o desempenho próprio.

No esporte, isso pode ser observado desde o primeiro instante. O indivíduo, embora tenha a predisposição para se superar, precisa dos esforços de outro indivíduo, seu treinador, para melhor se desenvolver. Dessa forma, o trabalho em equipe desenvolvido pelo grupo treinador e atleta, consegue obter melhores resultados que o trabalho de cada um se realizados independentemente.

Outro ponto ainda mais visível ocorre nos esportes coletivos. Nenhuma equipe consegue se defender da equipe adversária as cada um de seus membros não estiver preocupado com sua parte nesta tarefa. Da mesma forma, uma equipe não consegue atacar com êxito seu adversário se todos os seus membros não estiverem preocupados com seus deveres.

Nas relações de liderança, a maior busca do líder é exatamente conseguir unir as performances de cada um da melhor maneira possível, de modo a obter o melhor resultado para a equipe. O espírito de equipe é, logo, o objetivo maior do líder, que, dessa forma, conseguirá atingir as metas do grupo naturalmente.

Assim, cria-se uma ponte entre o esporte e as relações de liderança, pois, para ambos, esse espírito é fundamental para a obtenção do sucesso, e, quanto mais cedo o espírito de equipe for desenvolvido no indivíduo, mais cedo ele começa a ajudar o grupo em que vive e o grupo em que trabalha.

LEALDADE
“Lealdade: o estado de ser leal; o propósito ou devoção de fidelidade a alguma pessoa, a uma causa.” (Definição)

De grande importância para o desenvolvimento tanto de cada indivíduo quanto dos mais variado grupos, a lealdade é fundamental para manter uma equipe coesa, e, desse modo, trabalhando melhor em equipe.

No esporte, desde a primeira competição, o atleta já é ensinado e estimulado a competir respeitando não só seus companheiros, como também seus adversários. Assim, o esporte incentiva o desenvolvimento da lealdade dentro do indivíduo, através de sua fidelidade ao regulamento a ao adversário, visto que o adversário é alguém que ajuda cada um há chegar um pouco mais perto de seu máximo.

Nas relações de liderança a lealdade também é fundamental. Primeiro é muito importante que o subordinado seja leal ao seu superior, de modo que este possa saber exatamente o que está acontecendo com o seu grupo e seja capaz de tomar as melhores decisões para o grupo. Segundo, mas não menos importante, é necessário que o líder seja leal aos seus subordinados, a fim de conseguir conquistar a confiança de seus liderados.

Dessa forma, pode-se criar uma ponte entre o esporte e as relações de liderança, uma vez que a lealdade, desenvolvida no atleta desde o começo de seu preparo, é fundamental para qualquer indivíduo, independente se este é atleta, superior, ou subordinado, uma vez que a vida em sociedade é baseada em relações entre indivíduos, onde é necessário para um convívio harmonioso o respeito mútuo e a coragem de admitir os próprios erros e tentar corrigi-los, ou seja, é necessário que cada um seja leal ao próximo.

CONCLUSÃO
“O sucesso resulta de cem pequenas coisas feitas de forma um pouco melhor. O insucesso, de cem pequenas coisas feitas de forma um pouco pior.” (Henry Kissinger)

O esporte, com todas as suas características, é capaz de mostrar ao ser humano o quanto sua devida dedicação pode proporcionar o sucesso almejado. Mais do que isso, o esporte é uma grande ferramenta na construção do caráter do indivíduo, no desenvolvimento de certas características, como a disciplina, o espírito de equipe e a lealdade, que são fundamentais para a vida em sociedade.

Assim, pode-se dizer que o esporte é de grande valia no preparo tanto de líderes quanto de liderados, tendo em vista que toda a sociedade é baseada em relações de liderança, ou seja, sempre há alguém que deve estar à frente do grupo e um grupo que deve seguir as orientações de um indivíduo.

Dessa forma fica estabelecida a ponte que une o esporte às relações de liderança, onde a prática esportiva é uma grande ferramenta que pode ser utilizada para o aprimoramento das relações entre subordinados e superiores.

 

Os benefícios da Natação

Nós educadores temos que ter consciência com quem estamos trabalhando, quais são os objetivos, os benefícios e as limitações que os alunos apresentam.

A criança é um ser que indica alguns padrões de desenvolvimento previsíveis como: o psicomotor, que é uma ação baseada e fundamentada no movimento consciente e espontâneo, com a finalidade de completar ou aperfeiçoar a conduta global da criança de hoje e, conseqüentemente, do adulto de amanhã.

O nosso objetivo é fazer a criança vivenciar situações necessárias para o aperfeiçoamento, através da exploração, evolução e criação do movimento. A criança vai integrando suas potencialidades motoras funcionando, transferindo para experiências futuras até formar o movimento.

Os benefícios da natação agem como pré-estímulo motor, pois antes mesmo da criança tentar deslocar-se fora da água, já o consegue dentro da água, porque ela fica muito leve, conseguindo assim executar movimentos que, muitas vezes não consegue fora da água. A natação é uma forma alternativa de condicionamento físico, construída de movimentos aquáticos específicos, baseados no aproveitamento da resistência da água como sobrecarga. Estes movimentos facilitam o condicionamento físico e o treinamento sem impacto articular.

Os efeitos desta estimulação motora serão benefícios sobre o seu equilíbrio terrestre, sua saúde física, seu apetite, seu comportamento social e na formação de uma personalidade autoconfiante e com estabilidade emocional.

A criança atua no mundo por meios de seus movimentos. Dispõe para tal suas capacidades motoras, intelectuais e afetivas, estabelecendo a relação com o mundo conforme sua carga tônica pessoal, a qual é construída no dia-a-dia, com as estimulações e limitações que o meio e as pessoas impõem. Desenvolve-se pelos movimentos como um ser integral, único e social. O movimento é elemento vital no crescimento e desenvolvimento da criança.

As experiências precoces são de grande importância, pois criam a base para o indivíduo desenvolver sua independência, autonomia corporal e sua maturidade sócio-emocional, já que ao experimentar diferentes situações, a criança sempre se encontra em relação á outro, ou com espaço, ou com o objetivo, trocando conteúdo entre o seu “eu” e o outro.

Entende-se que o desenvolvimento humano é o desenvolvimento integrado do crescimento, da maturação, e das experiências, pelo qual o indivíduo passa, e a adaptação desse corpo no ambiente, respeitando as individualidades de cada pessoa, sua herança única, bem como as condições ambientais na qual esse indivíduo está inserido. Esse desenvolvimento humano inclui os aspectos físicos ou motor, afetivo-social ou relacional e cognitivo. O desenvolvimento psicomotor caracteriza-se pela maturidade, que integra o movimento, o ritmo, a construção espacial, o reconhecimento dos objetivos e a palavra.

Equipe de Educação Física:
Prof. Alexandre da Gama
Prof ª. Renata Andrade

REFLETINDO SOBRE A CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL

Muito se tem falado sobre crise ambiental: poluição, escassez de água, aquecimento global.

Se fizermos uma viagem no tempo, podemos concluir que a história da humanidade sempre separou o ser humano da natureza. Essa preparação deu ao homem o poder de dominação e exploração, numa atitude antropocêntrica em relação aos demais seres vivos.

Os interesses individualizados distanciaram a humanidade de valores relacionados à paz, à solidariedade, ao amor à vida, dando espaço para a competição exacerbada, às pandemias, como fome e miséria.

Poucos foram os movimentos individuais e governamentais que tentaram combater esse quadro. Em 1972, a ONU fez sua primeira conferência sobre o ambiente humano. Nela foi reconhecida a necessidade de desenvolver a educação ambiental como elemento crítico para o combate à crise ambiental no mundo e recomendou-se o treinamento de professores e o desenvolvimento de novos instrumentos e métodos.

Como a grande redentora de todos os males, a educação é mais uma vez convocada para solucionar problemas sociais.

O desafio para a educação ambiental é grande: dentro de uma sociedade capitalista, calcada na cultura da devastação e da degradação, qual seria o ponto de partida? Reconstruir o ser humano?

Esse novo sujeito deve reeducar seu olhar, sua forma de estar no mundo. Deve entender que na natureza seus integrantes interagem, reciclam, para gerar novas vidas. Deve desenvolver um olhar mais crítico para as formas de agressão ao ambiente, criar hábitos alimentares melhores, observar o desperdício e principalmente as desigualdades sociais.

Devemos semear valores e princípios em crianças, que são seres humanos mais sensíveis e puros, para estimular o desabrochar da idéia de que somos parte, e não o todo, de um ambiente. Assim sendo, as gerações futuras terão uma visão de suas responsabilidades na manutenção de um mundo em que seja possível viver.

Para que essa educação ambiental, em que a solução é calcada em mudanças comportamentais e em ações reflexivas, seja desenvolvida, seu conteúdo não vai estar em algum livro didático. Estará nas vivências, no contato com o outro menos favorecido de recursos financeiros e amor. Está na prática da divisão de recursos, no contato cada vez mais natural com ambientes, como fazer caminhadas em florestas para observar como os seres irracionais conseguem obter um equilíbrio, um respeito mútuo, que nós ditos racionais não conseguimos.

Professora Claudia Valéria

 


Sem informação não existe inclusão

Depois de dez anos trabalhando com atendimento clínico a portadores de TDAH, percebo com pesar que ainda hoje no Brasil muita gente, inclusive da área da Saúde e da Educação, não possui informação adequada sobre este Transtorno.

Como conseqüência disto, diagnóstico tardio e tratamento negligenciado.

Muitos reflexos negativos na vida de crianças, adolescentes e também adultos em decorrência dos sintomas do TDAH e de suas comorbidades são recorrentes. Dependência química, transtorno de conduta, frustrações variadas na área acadêmica e na área profissional, transtorno opositor, dificuldade no relacionamento interpessoal, e até problemas com a Lei dentre tantos outros, porém os mencionados já justificariam uma preocupação social e governamental acentuada em direção a minimizar o desgaste e as perdas causadas por este quadro.

Se existe a pretensão de um País com crianças bem formadas, de que elas cuidem bem de nosso País no futuro, sim pois elas estarão a frente das importantes resoluções futuras, sejam elas governamentais ou não, então é preciso investir hoje e atentar para suas necessidades.

É claro que existem necessidades básicas como alimentação, moradia, saneamento básico,... mas comentários sobre estas ficarão por conta de especialistas das áreas competentes, estou enfatizando esta pois se refere à área em que tenho experiência e que por isto me sinto na obrigação de dar minha contribuição, a Saúde e a Educação.

Aconteceu em 25 de outubro deste ano (2007) uma Audiência Pública sobre TDAH na Câmara dos Deputados em Brasília, para discutir o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e suas conseqüências na vida escolar e social do aluno. Conseqüências lastimáveis que na maioria das vezes não se tem registro ou não se deposita a responsabilidade do ocorrido ao transtorno por pura falta de informação.

Depois desta etapa ainda há muita coisa a fazer, pois aprovar uma lei não é nada simples, demanda outras iniciativas, mas um passo já foi dado. É preciso ser otimista e pensar que se este episódio servir pelo menos para aumentar o nível de informação da sociedade sobre o assunto, já terá valido à pena.

Isto pode parecer conformismo, falar apenas em melhorar a informação enquanto há tanto a se fazer, mas o fato é que com o panorama atual, disponibilizar informação apropriada sobre o assunto poderá viabilizar as mudanças necessárias em um futuro próximo e até a incrementar a luta das pessoas envolvidas e prejudicadas, por seus direitos e quem sabe a inclusão ( no sentido pleno da palavra) de portadores de TDAH em programas de saúde que possibilite o diagnóstico e o tratamento, e inclusão biopsicossocial, onde os portadores não sejam mais rotulados, rejeitados e excluidos.

O objetivo de um programa de Governo neste caso não deve ser o de privilegiar os portadores com favorecimentos, com notas que não tiraram em seus exames escolares ou possíveis aprovações, mas sim que a via de acesso ao aprendizado, a capacitação e a inclusão seja facilitada e reforçada. Que as pessoas, educadores e agentes de saúde sejam amplamente capacitados para lidar com esta situação e para se necessário fazer o encaminhamento para o profissional adequado ou quiçá alertar seus responsáveis para tal necessidade. E quando isto acontecer será mais fácil se as famílias tiverem suporte para o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Caso contrário de que valerá a informação?

Muitas pessoas não se estimulam a estudar ou abandonam seus estudos prematuramente pois não se acreditam capazes de acompanhar o material acadêmico, com auto-estima abalada, e na maioria das vezes nem sabem o porque, possivelmente nunca ouviram falar em TDAH e assim acabam incorporando como verdade os rótulos que recebem de preguiçosos, desastrados, voadores, descompromissados e até burros, que lhes são atribuidos ao longo do tempo e confirmando esta crença negativa e limitando seu crescimento emocional e acadêmico.

Com o diagnóstico precoce e ajuda especializada muita dúvida pode ser esclarecida e quem sabe, muito sofrimento minimizado ou evitado, desconstruindo essa situação de baixa auto estima, rejeição e até marginalização e viabilizando maior competência.

O percentual de portadores diagnosticados no Brasil talvez nem registre a realidade, pois só busca ajuda quem tem um mínimo de informação, quem é encaminhado pela escola, pelos pais, quem sente um sofrimento cotidiano. E, sem informação adequada esta ação pode não acontecer. Desta forma o percentual de não diagnosticados talvez seja maior do que os que podemos contar.

Os dados das últimas pesquisas confirmam um impacto econômico tanto público como privado muito elevado como resultado de tratamentos para o TDAH e suas comorbidades (mesmo que não diagnosticados) e dos danos causados por desvio de conduta, dependência química, problemas com furtos e acidentes decorrentes deste transtorno. O investimento público financeiro com o tratamento seria menor do que os gastos com o resultado do transtorno.

Pessoas em condições precárias não podem se dar ao “luxo” de fazer a opção pela medicação e um tratamento psicoterápico adequados para o transtorno se não possuem nem subsídios para suprir necessidades básicas de sobrevivência. E mesmo quem possui recursos, muitas vezes precisa abrir mão de outras escolhas, que poderia ser até para uma formação especializada para disponibilizar medicamentos, terapia, professores particulares, ou seja, uma estrutura acaba sendo criada em torno da pessoa com TDAH que passa a ser o foco da situação famíliar, o problema, o “bode espiatório”, o que o atribue mais um rótulo dentre os vários que receberá ao longo de sua existência.

Nazareth Ribeiro
Psicoterapeuta Psicossomaticista Especialista em Clínica e Educação
Coaching TDAH
Coaching Vocacional e Profissional

www.nazarethribeiro.org

Direitor Reservados

Profissão e Felicidade

Escolher pode ser uma tarefa difícil para muitas pessoas,e se pensarmos em escolha profissional a dificuldade pode ser ainda maior.

O escolher algo gera o abrir mão de outras possíveis escolhas.Este processo pode trazer insegurança, medo, confusão, e a reação a este sofrimento pode ser escolher para sair do conflito ou se manter na problemática e não saber para que lado ir.

Diferente de poucos adolescentes privilegiados, a maioria não tem sua escolha profissional tão clara e decidida.
Arthur Diniz alerta que " O coaching (neste caso o Orientador Profissional) no momento das primeiras escolhas profissionais pode ser o elixir perfeito para a cura de infelicidades futuras".

Fazer parte de um processo de Análise Vocacional pode ser esclarecedor e determinante para um futuro profissional feliz e produtivo. Porém é muito importante que a escolha seja uma decisão pessoal, onde o profissional que vai desenvolver este trabalho tenha apenas um papel de facilitador, esclarecendo, informando e apoiando a pessoa a fazer sua escolha de forma consciente,responsável,realística e autônoma.

Algumas etapas neste processo são imprescindíveis para que isto aconteça:
Autoconhecimento para que a pessoa se perceba melhor, conheça suas características e desejos; informação profissional para que se possa ver a profissão com suas nuances em termos realísticos e práticos, pois faz a melhor escolha quem tem mais informação e por fim estabelecer um elo entre estas duas etapas com o objetivo final que é a escolha profissional, uma escolha personalizada, onde a pessoa se sinta o sujeito deste processo, fazendo uma escolha de dentro para fora.Pois, muitas vezes esta escolha pode significar muito mais do que se percebe:reparar, agredir, proteger, perseguir, persuadir, agradar,...mas que no futuro a maior vítima será quem usou estes estímulos externos para um fator tão determinante de sua felicidade.

Geralmente alguns pontos como:características pessoais,preconceitos,situação socio-econômica,família,mídia,.. são fatores considerados na hora desta decisão e podem interferir positiva e/ou negativamente no resultado final.Por isto, é importante compreender o vínculo que a pessoa estabelece com sua escolha,ou não escolha, para ajudá-la a resolver este conflito e realmente se responsabilizar por este passo tão marcante.

A adolescência, que é geralmente a fase da primeira escolha profissional é uma fase caracterizada por constantes crises, onde várias outras escolhas importantes devem ser feitas e muitas vezes falta maturidade para tal e o adolescente pode tender a resistir a esta tomada de decisão por acreditar que a entrada na vida adulta o fará perder coisas apenas, não considera as várias coisas que ganhará, ele a relaciona com perdas e responsabilidade.

Toda escolha demanda uma mudança, e por mais que isto possa ser para melhor,quando se tem dúvida, sente-se angústia e ansiedade, gerando assim insegurança, que nestes casos pode acarretar a escolha por não escolher, a ficar na zona de conforto pois esta escolha profissional tem o peso de ser para sempre e por isto tem-se medo de errar, e paralisa-se frente a esta situação de pressão interna e externa.

Mas a tenra idade e, portanto o tempo que o adolescente tem pela frente para acertos e erros, para tornar-se adulto, favorece e é importante pensar que mesmo que se arrependa depois e deseje trocar de curso não terá perdido tempo, terá sim a possibilidade de amadurecer e aprender algo com esta experiência.

Paul Thompson (cientista do laboratório de neuromapeamento da Universidade da Califórnia que faz parte de uma equipe que vem mapeando o cérebro de cerca de
1 000 adolescentes com técnicas avançadas de tomografia) diz que as alterações mais importantes por que passa o cérebro nos últimos anos da adolescência tem lugar no córtex pré-frontal, área que é responsável pelo planejamento a longo prazo e pelo controle das emoções e que antes dessas mudanças nem sempre o adolescente está pronto para processar informações que precisa processar quando necessita tomar decisões.De qualquer modo, o fato de que o cérebro do adolescente não está pronto é alentadora,pois assim, ele tem mais tempo de
aprendizado do que antes se pensava.

As estatísticas apontam para aproximadamente 40% de evasão das Universidades devido à escolha errada de curso. É um índice muito elevado e que pode causar muita frustração e hoje sabe-se que as empresas não valorizam apenas o currículo profissional acadêmico. O empreendedorismo, a organização, a capacidade emocional, postura pessoal e a facilidade no relacionamento interpessoal têm grande peso na hora da avaliação e de uma promoção, e é muito mais fácil ter estas características quando se desempenha atividades de dão prazer.

Todas as profissões são importantes, a mais importante, porém, é aquela escolhida por nós, porque uma profissão só adquire vida quando a emprestamos nossa própria vida.

Nazareth Ribeiro
Psicoterapeuta Especialista em Clínica e Eduacacional.
Coaching Vocacional e Orientação Profissional.


Responsabilidade Cultural e Pan

Aproveitando toda a energia positiva e contagiante desenvolvida no Pan, gostaria de ressaltar como cidadã algumas situações que realmente me fizeram refletir sobre o comportamento cultural esportivo do brasileiro com relação às competições.

Durante duas semanas vivenciamos diversos momentos mágicos, mas o mais marcante foi o resgate do vínculo da família nos estádios – a constante imagem vibrante de toda a família torcendo, gritando pelos atletas, muitos inclusive desconhecidos, mas não importava, pois o clima afetivo e familiar possibilitava um ambiente super festivo e aconchegante.

O retorno do sentimento de ter orgulho por ser brasileiro e estar participando desse momento tão importante para nosso país e nossa cidade maravilhosa, foi altamente produtivo e estimulante. Era o gás que estávamos precisando.

Entretanto ainda precisamos desenvolver na sociedade um comportamento cultural esportivo, ou seja, o respeito por todos os atletas participantes, independente da sua origem e de outras torcidas.

Ao assistir o jogo de Basquete – Brasil x Porto Rico, (excelentes instalações) presenciei algumas situações que como educadora não posso deixar de ressaltar, pois essa imagem negativa não corresponde ao sentimento do Pan, por exemplo:

- os lugares no estádio eram marcados, portanto cada assento tinha um número e uma pessoa correspondente. As pessoas chegavam e escolhiam seus lugares, ignorando a regra inicial e o pior, eram grosseiras e irônicas quando solicitadas a saírem do lugar e buscarem o lugar que lhes correspondiam.

- os palavrões, os pais falavam e seus filhos repetiam tranquilamente com a aprovação deles. Estou falando de crianças de 3 a 5 anos, tudo era normal. Depois, esses mesmos pais reclamam, principalmente na escola, que seus filhos estão falando muito palavrão.

- as pessoas que foram assistir ao jogo, uns somente com o objetivo de aparecerem na televisão – ignovam completamente o jogo e ficavam buscando as imagens de TV, correndo de um lugar para o outro, atrapalhando as outras pessoas que queriam realmente acompanhar todo o desenvolvimento da competição.

- as vaias, parecia que vaiar era obrigação, tudo era motivo de vaia.......até o vendedor de cachorro quente quando ia atender um pedido era vaiado.

Não podemos como educadores somente ter o discurso da mudança, mas sim a responsabilidade de promover essa mudança de comportamento através de situações do dia a dia de nossos alunos.

Portanto, faço um apelo a todos os educadores, desenvolvam nos seus alunos essa responsabilidade cultural não só no esporte, mas para a vida, pois eles serão os agentes transformadores da nossa sociedade.

Rosa Maria Boselli é diretora do Colégio Anglo-Americano da Unidade de Nova Ipanema, Pedagoga e Psicopedagoga.

 


 


Dever de Casa

Depois de uma semana de reflexão profunda sobre como continuar educando meus filhos, menores e moradores da Barra da Tijuca, depois de ler reportagens jornalísticas, crônicas, cartas e opiniões de diversos terapeutas e juristas, resolvi colocar toda minha angústia e não mais me silenciar diante de tanta barbárie emocional e real que todos nós, pais e educadores, vivenciamos neste mês de junho, bem aqui, no quintal das nossas casas.

No caso de polícia estampado em todos os jornais essa semana foi triste saber que conviver aqui, nessa ilha, cercada de impunidade e fragilidade por todos os lados, ainda vale acreditar que esse ocorrido delito possa ser um marco para esta juventude cheia de dólares e repleta de falta de amor e limite.

Adultos, hoje, sim, maiores e responsáveis pelos seus atos insanos e agressivos. Dupla personalidade de jovens abastados que dormiam como crianças em lares aparentemente bem estruturados e acordavam com adultos mimados, ferozes e loucos por aventuras de prazeres ilegais. Jovens que curtiam a vida furtando as poucas horas de diversão por agressão, limites ultrapassados, e agora, cerceados pelo poder da própria lei, limites invadidos, e agora, cerrados pelas próprias grades.

Ouvi de uma amiga, educadora e mãe, “Ninguém acorda, bandido!”. Pronto essa afirmação foi meu ponto de partida, resolvi escrever e fazer meus textos correrem todos os cantos da cidade, como um apelo e uma reflexão.

Convivo há anos na Barra da Tijuca e vi crescer os prédios, os condomínios e eles, esses homens, jovens, agressivos que perderam os valores morais e que usam o verbo TER mais como forma de ESTAR. Esqueceram de aprender que SER vale mais que qualquer PARECER. Vivem de aparências, esbanjam violência, esnobam as diferenças, minimizam o poder, ultrapassam os limites e vivem vidas opostas às realidades das coberturas milionárias. Eles são, sim, fruto de uma sociedade reconstruída em guetos, onde as disputas de blocos econômicos e poderios de futilidade e status viram marca registrada de fama e poder. A barra por aqui, é pesada, pesada demais para jovens que convivem com a falta de amor sendo compensada por uma viagem a Disney ou quem sabe, até um carro importado cobre a falta do diálogo.

Os pais, personagens secundários nos condomínios de luxo, agem com o a vida dos jovens como profetiza o sambista “Deixa a vida me levar...”, e ela levou sim, ao caos, ao desespero, ao sofrimento, a vergonha, a culpa, ao medo, medo de ter perdido aquele filho, aquela criança que um dia você deveria ter olhado mais, ter cuidado mais, ter amado mais e quem sabe ter visto o sol nascer juntos, pois hoje, ele está vendo o sol nascer quadrado, sozinho, responsável e agressor, culpado e homem feito que merece agora, o limite que precisava quando criança e não obteve, que merece agora uma punição que deveria ter recebido quando menor e não teve, que verá como a grana jogada fora, agora valerá muito para comprar sua falsa liberdade.

Liberdade, palavra perdida, agora, nem tudo podem, nem tudo é poder e sem poder nenhum, pais choram pelas crianças que um dia perderam em nome da liberdade desmedida e sem controle. E para não fugir dos verbos no parágrafo acima deixo aqui minha reflexão: Hoje, o verbo TER vale mais do que o SER e todos querem TER tudo, olham o SER com desprezo e fazem VALER o PODER como forma de VIVER.

Uma pena ver todos esses verbos empregados de forma tão errônea. Todos foram reprovados, e agora, como forma de limpar tanta angústia o melhor é CHORAR e ACREDITAR que tudo pode MUDAR e que todos os dias, uma nova lição na gramática da vida pode ser APREENDIDA. Aprendemos com o pai da empregada, com o motorista, com o porteiro, com o delegado, com a prostituta, com a professora e quem sabe, um dia, vocês, homens feitos e livres possam ter aprendido aquela lição de criança que ficou esquecida: Liberdade se conquista com responsabilidade e respeito.
Até, um dia, meus aprendizes...!

Bia Oliveira
Professora do Colégio Anglo-Americano


Buquê de Girassol

Madruguei, no dia das mães, na Baia da Costa Verde numa manhã meio nublada, surgia ainda tímida e cansada uma breve Luz do Sol. Nem pensei duas vezes, arrumei o figurino e parti rumo ao encontro dos filhos, os personagens principais desse dia. Uma viagem agradável mais pensativa olhava a estrada e lembrava quantas vezes esse dia fora uma espera sem fim, eu, agora, mãe feliz e saudosa de filhos com o coração radiante por saber que sou esperada, e no passado, uma angústia de filha solitária e desesperada, por saber que mãe, não teria nesse dia. Mais isso é coisa do passado, um tempo que agora é só breve recordação, até porque, hoje, escolho o melhor horário para ver minha mãe. Há como o tempo é maternal e embala todas as mágoas, fica apenas uma brisa leve de saudade, marcas ficaram dormindo e no despertar do presente à alegria de ser mãe cicatriza qualquer marca e registra outras palavras na história de qualquer mulher.

E, por falar em marcas, parei num posto de gasolina, no caminho e numa banca de jornal do dia, li: “Mães do alemão terão trégua”, “Mães, vítimas da violência passam o dia juntas”; aquilo foi como um tiro certo no meu coração, milhares de imagens surgiram na minha cabeça, só pensava na mãe do João Hélio, sem ele, nesse primeiro dia das mães, foi um momento de agradecimento e reflexão, como deixar de falar ou de escrever sobre esse sofrimento coletivo, como evitar chorar essa dor que deixou de ser solitária e passou a ser comunitária, como evitar que essa guerra urbana leve nossos filhos. Foram momentos gélidos de medo, quando ao tocar do celular, desperto e vejo o nome do meu João na tela, atendo e digo: “filho, já estou chegando”. Acordei. Ouvi aquela voz de vida e saudade dizendo: “vem logo mãeeeeeeeeee!!!".

No caminho aquelas notícias eram motivos de questionamentos e aflição, vejo ainda uma placa na frente que indicava Santa Cruz. Nossa, era muito! Já estava pensando em guerras, tiros, balas perdidas, filhos, violência e vejo uma seta indicando Santa Cruz. Achei que era um sinal que estava chegando dos céus, liguei correndo pra casa e falei com meus filhos, estava tudo bem, claro, porque não estaria? Foi quando percebi que era sim, um sinal, mais um sinal de esperança, de fé e que os meus pensamentos estavam indicando para um sacrifício de força e de luz de todos nós que ainda acreditamos na paz e na união pela verdade e pelo amor. Percebi naquele momento que não poderia mudar nada mais que poderia escrever sobre essa aventura divina de ser mãe e pedir a Santa que iluminasse todas essas mães, que hoje, estão sem seus filhos e que eu chegasse o mais rápido possível para abraçar os meus. Pronto, essa era a marca indicativa daquele dia que transforma qualquer mãe e faz tudo isso virar uma grande história de amor.

Esse foi o meu dia das mães, ah, não poderia deixar de escrever que ao chegar em casa, eles ali estavam, esperando felizes, com um belo buquê de girassol.

Bia Oliveira
Professora do Colégio Anglo-Americano


 

O Aprendizado Através da Emoção



João Pessoa de Albuquerque


Tudo o que se assimila “a frio” se assimila mal, seja o estudo, seja o trabalho, seja o amor.

O amor, por exemplo, praticado com romantismo, tem outro sabor. E se, ainda por cima é precedido pela chamada “bossa da conquista”, aí então não há ser humano que resista...

Aplique-se esse ritual ao aprendizado e teremos, sem sombra de dúvidas, muito mais aprendizes prazerosos do que alunos cruelmente coagidos.

Quando li “Fogo Morto” de José Lins do Rego ou “Tambores de São Luiz” de Josué Montello ou “Casa dos Espíritos” de Isabel Allende ou quando assisti ao filme “Cinema Paradiso” de Giuseppe Tornatore ou quando vi, no Egito, os templos de Luxor (só para citar alguns exemplos), tudo isso tomou conta do meu interior de forma absolutamente inesquecível, simplesmente porque me emocionou.

Emoção marca: e marca ou sai com dificuldade ou não sai nunca!

O professor tem de ser, antes de tudo, um “emocionador”, seja por conta própria, seja recorrendo a terceiros (se, sozinho, não se sentir capaz de fazê-lo) no sentido de preceder as aulas ou intercalá-las com recursos de emoção, caso queira tornar, realmente, sua aula “elétrica”, vibrante, atraente e descontraída. Caso não queira, que dê somente a matéria...

Um pensamento bonito para reflexão, enunciado no princípio da aula, ou uma inteligente anedota, no final, coroada com uma boa gargalhada, ou ainda, uma pequena história real que contenha episódios tristes e alegres, creio que mexerão muito com a emoção do aluno, tornando-o, por isso mesmo, bem mais permeável a absorver o ensinamento ministrado do que se este lhe for transmitido “a seco”.

Em outras palavras: é preciso provocar a sensibilidade do aluno e não apenas aguçar-lhe o olhar e a audição. Não basta mobilizar os sentidos: é preciso mobilizar os sentimentos.

A lágrima e o riso têm de ser “catalogados” como importantes armas pedagógicas, seja na transmissão da informação, seja no desenvolvimento do processo de formação.

A conquista do espírito do educando tem de ser objeto de uma luta constante do professor. Essa conquista não se obtém somente pelo saber, mas também, pelo sabor do afeto, do riso, da firmeza serena, da narração de amenidades e, às vezes, até mesmo, a título de bom exemplo, de um pouco de auto-biografia...

Que haja sedução: eis a questão!

Dar apenas a matéria do dia é tornar a aula material demais, quando, na verdade, para “prender” e se tornar inesquecível, ela exige, também, um pouco de “pitada” espiritual.

O bom líder é o que emociona. Emocionando é que ele envolve e, ao envolver continuamente, torna-se ansiosamente esperado, aplaudido (quando não por palmas, mas por palpitações), querido, admirado, desejado e, portanto, um tipo inesquecível.

O grande professor é, sobretudo, o que “mora” na alma do aluno. É aquele que “fica” na sala mesmo após ir embora dela com o toque do sinal...

 

 

Educar prá que?


Texto de Renato Beranger
Membro do Conselho Diretor da ABE

Não quero mais ler as notícias que relatam a morte prematura de jovens pobres, ricos, brancos, negros, brasileiros, palestinos, judeus...É contra a lei natural das coisas.

Os jovens existem para se tornarem adultos, serem felizes, viverem... Esse é o plano. Essa á a ordem natural das coisas.

Chega de trajetórias interrompidas. Chega de vidas não vividas. Projetos não realizados. Em nome de quem morrem os jovens. Nenhuma dessas perguntas admite respostas plausíveis. As perguntas certas deveriam ser: em nome de que vivem os jovens? Em nome de quem vivem os jovens? Agora sim! Em nome de todos. Em nome do amor. A juventude é um time que deveria disputar o campeonato sempre para ganhar, nunca para ser derrotado antes do jogo acabar.

Já foi dito que a juventude é um estado de espírito, do mesmo modo que a velhice. Desse modo, acho que devemos estender esse questionamentos para todas as idades. Não faz o menor sentido, de um lado da corda, o esforço para se salvar vidas enquanto do outro lado, em nome de uma aventura, um total desprezo por elas.

Seriam atitudes suicidas. Seriam atitudes desencantadas?

Não podemos ler notícias dese tipo sem pensarmos em culpas e responsabilidades. A Família, o Estado, a Religião, as Drogas, o Consumismo, o Capitalismo, o Empreguismo, o Tudoismo.

É claro que todos morreremos um dia, mas não dessa maneira, eu espero.
É claro que todos morreremos um dia, mas não de forma tão insensata, eu espero.
Um jovem que se espatifa contra uma árvore dentro de um automóvel em alta velocidade não me parece muito diferente dos fudamentalistas jovens-bombas ou dos convictos jovens-kamicases.
Eles foram educados para a vida ou para a morte?
Que projetos tinham seus pais para suas vidas?
Foram alertados para os prazeres e desprazeres da vida? Com certeza que sim.
Onde falhamos (se é que se pode pensar desse modo)?
Quando nossos filhos saem alertamo-los para os perigos da vida?
Com certeza que sim.
Onde falhamos (se é que se pode pensar desse modo)?
Perguntas sem respostas.
Fica apenas uma imensa dor.


Dizer não: uma questão de limites ou proibição?


É um grande desafio escrever sobre um tema tão abrangente e ao mesmo tempo tão polêmico por isso, vamos restringir a abrangência desse tema à versão do não que mais preocupa a quem tem a difícil missão de educar: o não educativo. Quando dizemos não a uma criança estamos estabelecendo limites ou uma proibição?

Existem várias formas de se dizer não a uma criança como, por exemplo:
- não categórico (-Não, porque não!),
- não explicativo (-Não pode por causa disso, daquilo e daquilo outro.),
- não Poncio Pilatos, (-Por mim tudo bem agora, depende do seu pai/sua mãe!),
- não consciente (-Não, pois não acho apropriado para você!).

- O não categórico estabelece tão somente uma proibição e por não ter nenhuma
intenção educativa tem que ser repetido a todo o momento, pois a criança depende dele para nortear suas ações.

- O não explicativo é muito confundido com o não consciente, porém ele explica tanto que mais parece um pedido de desculpas. Ao utilizar o não explicativo estamos dando à criança as razões pelas quais estamos sustentando a nossa decisão e, com o tempo, ela aprende a considerar todas essas explicações para
conseguir obter uma resposta positiva para seus pedidos.

- O não Poncio Pilatos, muito usado pelos pais inseguros, caracteriza sempre uma possibilidade do sim. A criança logo aprende que tudo depende da forma como ela encaminha a questão e em pouco tempo consegue sempre respostas positivas para suas solicitações.

- Quando utilizamos o não consciente estamos contribuindo para que, em situações futuras, a criança possa tomar sua própria decisão, pois ao dizermos não a uma criança devemos ter em mente que estamos decidindo por ela, algo que mais tarde ela terá que decidir sozinha daí, esse não é muito mais que uma questão de proibição é, sobretudo, uma avaliação da conveniência da decisão a ser tomada. É por esse motivo que hoje, no papel de adulto, por diversas vezes nos indagamos: "- O que meus pais teriam me dito neste momento, devo ou não
devo proibir tal coisa ao meu filho?" Se você foi educado ouvindo um não acompanhado de uma justificativa adequada é bem provável que hoje, diante dessa mesma situação, você saiba o que dizer ao seu filho caso contrário terá que recorrer aos outros tipos de não, que representam apenas proibições.

Na verdade, o nosso cérebro não registra a negação logo as formas imperativas positivas prevalecem sobre as negativas. Assim, ao dizermos para uma criança: "-Não faça isso", na verdade estamos dizendo: "-Faça isso e depois desconsidere essa ordem" ou seja, estamos determinando que primeiro ela faça o que não queremos para depois desfazer. Parece contraditório, mas é mesmo. Um não acompanhado de uma justificativa plausível é mais bem assimilado pelo cérebro da criança do que qualquer outro tipo de negação ("-Você não poderá ir a tal lugar, pois ainda é muito pequeno. Mais tarde, poderá ir sem problemas"). É importante considerar que ao determinar limites sem culpa para uma criança, estamos estabelecendo uma zona de conforto e segurança para que ela se desenvolva em perfeito equilíbrio emocional e que dentre todas as formas de se dizer não a uma criança, a que realmente importa é aquela na qual se demonstra uma preocupação com o seu bem estar.

É para isso que servem os adultos: proteger as crianças até que elas possam se proteger a si mesmas ainda que precisemos de contrariá-las ou restringir o seu espaço.

(Renato J. G. Beranger é graduado em Matemática, pós-graduado em Psicopedagogia, membro do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Educação-ABE e Diretor do Colégio Anglo-Americano Barra da Tijuca).
E-mail: renatoberanger@predialnet.com.br



Desde que inventaram o teclado eletrônico, todo sanfoneiro deseja ser Maestro de Big Band

 


Houve um tempo em que os "For All" eram animados por um trio: zabumba, triângulo e sanfona. Eram só os três músicos, seus instrumentos e suas artes.

A animação ficava por conta dos casais dançando no salão. Isso era um "For All" que ficou conhecido como forró por apropriação nordestina de um estrangeirismo da época. Com o passar dos anos, os músicos que tocavam zabumba e triângulo sumiram e o sanfoneiro, agora, virou tecladista. O som que que se ouve mais parece o de uma Big Band, por conta dos acordes, arranjos e instrumentos que nunca poderiam estar realmente presentes num "For All", mas são fortemente ouvidos no poderoso e eficiente sistema de som.

Mas e o sanfoneiro? Lá está ele: técnico, preciso, concentrado entre botões, teclas, disquetes e mini-discos, comandando aquela verdadeira orquestra. Não dá nem tempo de dar uma olhadinha para o salão e conferir a animação (ou des-) dos casais.

-Sanfoneiro, toca aquela...

-Não posso, diz ele, não está na programação do disquete. Agora, só amanhã.

Os sanfoneiros viraram tecladistas!

Fico imaginando como serão os próximos professores: técnicos, precisos, profissionais, impassionais, simpáticos e educados, professores com muitos títulos de Pós-graduação, Mestrado, Doutorado, Pós-doutorado e Phd. Suas aulas se transformarão em espetaculares palestras onde tudo é cronometricamente planejado, até os momentos de descontração. Alterar uma seqüência da apresentação é muito complicado, pois implica em parar o CD, localizar o ponto para o qual se deseja retornar, apertar enter e ...torcer para o computador não travar.

Definitivamente, não gosto de tocar teclado com programação computadorizada.

Sinto necessidade de interagir com outros músicos, trocar energia, ver os alunos aprendendo: participar desse momento mágico.Assim como os sanfoneiros se transformaram em tecladistas, os professores estão se transformando em mediadores, facilitadores, monitores, agentes educacionais, ensinantes e os alunos, agora, são os aprendentes: críticos, irreverentes, questionadores, defensores implacáveis de seus direitos, consumidores, interativos, conversadores, pesquisadores... . Às vezes eu fico pensando: seria isso a renovação?

Se todos os arranjos do tecladista estão gravados em disquetes e foram feitos em algum computador fico pensando: para que serve o tecladista? Será que ele também deve ser substituído por um técnico de som, um DJ, ou ainda por alguém que apenas ligue o teclado na tomada? Não estaremos voltando ao tempo dos toca-discos, quando dançávamos ao som de uma mídia: o long-play, que virou cassete, depois cd, e agora ypod?

Será esse o futuro do professor? Que assim seja, pois quando todos enjoarem de ouvir aquela mesma música, perfeita, precisa, tecnicamente correta, gravada segundo os parâmetros determinados pelos melhores estúdios de gravação, talvez alguém queira assistir uma aula, ao vivo e a cores, um pouco imperfeita e até mesmo um pouco lenta, mas, com o tempo exato para o professor dar a atenção que cada aluno merece, num ambiente de paz, amor, tranqüilidade e respeito ao próximo. E assim, teremos reinventado o “For All” como ele foi concebido por nossos sábios antecessores.

(Renato J. G. Beranger é graduado em Matemática, pós-graduado em Psicopedagogia, membro do Conselho Diretor da Associação)


“Para somarmos frações é preciso calcular o MMC dos denominadores”.

“Menos com menos dá mais”.
“Perímetro é a soma dos lados”.
“Para calcularmos o valor de x numa equação do 2º grau utilizamos a fórmula de Bháskara”.

Frases como estas ainda ecoam nos nossos ouvidos como lembranças do período em que estivemos no colégio. Engraçado, aprendíamos mais a fazer do que a entender o que estávamos fazendo. Por que utilizamos uma fórmula para descobrirmos as raízes de uma equação do 2º grau? Não existiria um outro método menos complicado? Por que calcular o MMC dos denominadores para somarmos frações? Ora, porque sim! De que outro modo poderia ser senão aquele que o professor ensinava e os livros confirmavam?

Mas e hoje? A partir das novas concepções sobre a arte de ensinar sabemos ser preciso que o aprendente compreenda o que ele está fazendo para que se possam estabelecer os links necessários à aprendizagem plena: o aprender por compreensão em contraponto à automatização. Quanto aprendemos a somar duas frações heterogêneas nas séries iniciais o que estávamos aprendendo concretamente? Vejamos:

Em primeiro lugar é preciso que se estabeleça como hipótese que estamos somando duas frações (partes) de um mesmo todo (objeto), pois do contrário fica impossível sabermos, por exemplo, quanto é a metade de uma maçã com a terça de uma pêra. Estabelecido portanto que as frações se referem ao mesmo objeto devemos imaginar uma subdivisão das partes em tamanhos menores até que se obtenha todas elas do mesmo tamanho. No caso de estarmos somando a metade de uma pêra com a terça parte da mesma pêra devemos imaginar esta pêra repartida em seis partes de modo que a metade dela represente três destas seis partes e a terça-parte dela represente duas destas seis partes. Deste modo, teremos ao todo cinco das seis partes o que nos leva a concluir que para somarmos a metade de uma pêra com a terça da mesma pêra devemos inicialmente dividir a pêra em seis partes. Isso posto desse modo, para um adulto, até que parece razoável mas e se o aprendente for uma criança de 10 anos ainda em período de desenvolvimento de seu pensamento lógico concreto? Como apresentar uma justificativa razoável para a aplicabilidade deste raciocínio? Na verdade, este procedimento acima descrito equivale a determinarmos o MMC dos denominadores (2 e 3), que é 6, transformarmos 1/2 e 1/3 em frações equivalentes ( 3/6 e 2/6 ) e finalmente, somarmos as novas frações ( 5/6 ). Para visualizarmos esse procedimento podemos operar tal qual os gregos faziam há séculos atrás: utilizando régua e compasso. Mas e o nosso aprendente de 10 anos? Será que ele vai achar bom utilizar instrumentos de desenho para somar duas frações? E a professora vai sugerir que ele utilize este processo durante uma avaliação de Matemática? A resposta todos nós sabemos: não. Mas conforme dissemos tanto o método geométrico como o aritmético é de uma época muito distante dos dias de hoje. Atualmente, com todo esse desenvolvimento tecnológico/científico, não existe uma maneira mais moderna de realizarmos estas operações? Sua calculadora opera com frações? Não? Por que será?

Você consegue somar duas frações no seu computador? Não? Por que será?

Um pouco de história das frações. Revivendo a história por volta do século XVI, vamos encontrar a Inglaterra, a Rainha dos Mares, em seu pleno domínio marítimo, comercial e industrial. O sistema de medidas inglês da época utilizava as frações em suas unidades de medida: comprimento, sistema monetário etc. A razão pela qual os ingleses utilizaram as frações durante muitos séculos é que alguns de seus sistemas de medidas não eram decimais como, por exemplo: 1 libra = 20 shillings. Daí, 1 shilling vale 1/20 da libra. Do mesmo modo, 1 polegada (que era a medida da largura do dedo polegar do rei) era dividida em 64 partes o que originava medidas como 1/64 de polegada; 1/32 de polegada; 1/4 de polegada etc. Tais medidas chegaram ao nosso território junto com as mercadorias importadas da Inglaterra em pleno período colonial português logo, nada mais natural do que ensinar nas nossas escolas o sistema numérico fracionário de base diferente de dez para que nossos estudantes pudessem ingressar no mercado de trabalho familiarizados com medidas como libra, polegada, milha, jarda, grosa, dúzia etc. Com a influência cultural francesa batendo à porta de nosso sistema educacional fomos nos acostumando a ensinar em nossas escolas também, o sistema decimal. Cabe aqui destacar que, ao contrário da Inglaterra, o sistema monetário adotado em nosso país, desde o tempo colonial, foi um sistema monetário decimal. Assim, desde o século XVII as escolas br asileiras ensinam a operar com números fracionários e decimais mesmo sabendo do iminente declínio da influência da Inglaterra nas relações internacionais de comércio e indústria e, por conseguinte a menor importância das frações nas bases de cálculos. Bem, se projetarmos esta realidade aos dias de hoje, vamos encontrar o declínio dos cálculos fracionários até mesmo na Inglaterra, que recentemente adotou o sistema decimal. Com base nesse pequeno histórico talvez possamos entender melhor por que as calculadoras não fazem cálculos com frações, convertendo-as em decimais aproximados. Para calcularmos 1/2 + 1/3 numa calculadora podemos digitar 0,5 + 0,3 e encontraremos 0,8 que equivale a aproximadamente a 5/6. Esta questão nos remete a outra discussão mais atual: por que ainda insistimos em fazer tantos cálculos com frações em nossas escolas? Essa questão nos remete à forma como ensinamos às nossas crianças a soma de duas frações: por compreensão ou por automação. Lembremo-nos que o ensino das frações entrou em nossas escolas por uma necessidade emergente de capacitar nossos jovens alunos ao mercado de trabalho, que por influência inglesa utilizavam as frações como base de cálculo. Isto significa que a metodologia empregada nunca levou em consideração a capacidade de compreensão dos alunos e tão pouco a necessidade deles entenderem os conceitos relativos a estes cálculos. Assim, parece um pouco estranho desejarmos que uma criança de 10 anos perceba a necessidade de, nos dias de hoje, aprender a somar duas frações por compreensão ou mesmo por automação. Elas devem se perguntar: não existe uma maneira mais moderna de fazermos este cálculo? E para que serve isso no mundo infantil? Se optarmos por justificar a soma de frações como os gregos faziam estamos invibializando a praticidade deste cálculo por outro lado, se achamos melhor explicar as crianças o cálculo através do conceito de frações equivalentes estaremos no mínimo, nos afastando do universo de competência cognitiva das crianças em idades tão infantis. Não seria mais coerente deslocarmos tais habilidades de cálculos para um período onde as crianças tivessem maior desenvoltura em cálculo algébrico, por exemplo, e, portanto maior domínio dos raciocínios abstratos da Matemática?

É HORA DE RESSIGNIFICARMOS CERTOS CONTEÚDOS MATEMÁTICOS TRABALHADOS EM NOSSAS ESCOLAS.

(Renato J. G. Beranger é graduado em Matemática, pós-graduado em Psicopedagogia, membro do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Educação-ABE e Diretor do Colégio Anglo-Americano Barra da Tijuca).


O ensino dos algoritmos aritméticos

Renato Beranger

Desde os tempos em que o domínio da arte de calcular era privilégio de poucos até os tempos atuais, onde em nossas escolas são ensinadas as quatro operações, permanece uma discussão entre os educadores: por que as crianças têm dificuldade com os algoritmos que envolvem reserva ou recurso tais como adição com reserva (vai um), subtração com recurso (pede emprestado), multiplicação por dezenas ou divisão por dezenas? Vamos iniciar essa discussão fazendo uma clara distinção entre os conceitos de operação e algoritmo. Segundo PIAGET (1967), até as, isto é, só se referem à própria realidade e em particular aos objetos taos 11 anos, as operações da inteligência infantil são unicamente concretngíveis, suscetíveis de serem manipulados e submetidos a experiências afetivas. Somente após os 11 ou 12 anos o pensamento formal torna-se possível. As operações lógicas começam a ser transportadas do plano da manipulação concreta para o das idéias, expressas na linguagem das palavras (situações-problema) ou dos símbolos matemáticos (algoritmos numéricos). Desse modo, é possível propormos a uma criança que ela resolva situações problemas que envolvam as quatro operações desde que sejam respeitados os estágios de desenvolvimento da sua inteligência, porém é, no mínimo, uma ingenuidade esperar que crianças de 7 ou 8 anos entendam o significado dos algoritmos numéricos principalmente quando envolvem quantidades difíceis de serem manipuladas ou em situações desconectadas de sua realidade. Por esse motivo, não é difícil entendermos porque as crianças sentem tantas dificuldades em aprender os algoritmos aritméticos acima mencionados e, não raro, carregam esta dificuldade por toda sua vida escolar. Cabe aqui colocar também que, do mesmo modo que a maioria dos conhecimentos matemáticos tratados em nossas escolas, os algoritmos aritméticos foram criados por matemáticos para serem utilizados em situações de cálculos que nada tinham a ver com o universo infantil. Dessa forma, apresentar a uma criança de 7 anos o algoritmo da adição com reserva ou da subtração com recurso como única forma de se obter o resultado de adições, subtrações é, no mínimo, contradizer todas as formulações feitas por PIAGET (1971), no que se refere ao desenvolvimento do pensamento hipotético-dedutivo.E o mesmo se aplica às multiplicações e divisões. Desejar que uma criança adquira esquemas de pensamento incompatíveis com sua capacidade é o mesmo que transformar conhecimentos lógico-matemáticos em conhecimentos sociais. A Matemática não deve ser transmitida de uma geração a outra como um conjunto de conhecimentos sociais, pois é a partir do conhecimento lógico que a criança constrói suas relações, seu próprio esquema de pensamento enquanto os conhecimentos sociais são entendidos por elas como verdades arbitrárias que não raro levam a contradições.Para compreendermos porque nossas crianças sentem dificuldade em aprender Matemática ainda hoje é preciso investigar em que medida os nossos programas de ensino ainda são influenciados pelo rigor e racionalismo dos estudos euclidianos. É importante percebermos que a motivação principal da Escola Alexandrina de Matemática, a qual Euclides pertencia, era tão somente elaborar um texto científico que pudesse servir de base para os estudos matemáticos da época. Em outras palavras, é fato que tais estudos não eram destinados às crianças que iniciavam seu aprendizado matemático e nem se levava em consideração os aspectos relativos aos processos de aprendizagem do sujeito aprendente. A reflexão sobre os argumentos expostos até então nos sobrepõem à indagação: que parâmetros temos usado para selecionar os conteúdos e metodologias desenvolvidos em nossas escolas? Neste ponto cabe a formulação de uma importante questão: afinal, a quem se deve a responsabilidade na seleção dos conteúdos matemáticos a serem desenvolvidos em nossas escolas? Aos matemáticos puros que defendem o estudo da Matemática como a edificação de um grande monumento sólido e consistente; à sociedade que através da demanda de especializações profissionais determina que tipo de aprendizagem um indivíduo produtivo deve ter na escola ou ainda aos educadores que baseados em estudos epistemológicos e nas ciências cognitivistas orientam-se sobre a ótica de como as crianças aprendem e, por conseguinte o que elas podem aprender em cada etapa de seu desenvolvimento?

Esse é o desafio!

(Renato J. G. Beranger é graduado em Matemática, pós-graduado em Psicopedagogia, membro do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Educação-ABE e Diretor do Colégio Anglo-Americano da Barra da Tijuca).

e-mail: renatoberanger@predialnet.com.br


Meu filho está apresentando dificuldade na Escola

E agora? Quem é o culpado por essa situação? É hereditário? A quem devo recorrer? Que remédio ele deve tomar? Conversar com ele resolve? O que devo fazer?

Depois que a mídia descobriu o filão de colocar crianças em seus comerciais, aumentou muito o número de mães bem intencionadas que preparam seus filhos para serem descobertos por alguma agência de publicidade e, em decorrência disso, a educação dessas crianças enfrenta o fantasma da estimulação precoce ou hiper-estimulação. A quanto mais estímulos a criança responde, maior é o grau de avaliação de seu precoce desenvolvimento, o que lhe dá uma falsa sensação de que o mundo dos adultos funciona na base do estímulo-resposta: eu faço o que me ensinam, eles gostam e me recompensam.

Porém, à medida que as crianças começam a desenvolver a autonomia, elas se recusam a repetir todas aquelas coisas que lhe ensinaram ou pelo menos demonstram desinteresse em fazê-las a qualquer momento, o que provoca um grande descontentamento por parte de seus instrutores que se sentem frustrados com o fracasso de sua metodologia educacional. Mais tarde, na Escola, de uma forma bem semelhante, ela precisará disputar a atenção dos adultos, representados agora por seus professores, e seus desejos serão confrontados com os desejos dos seus companheiros que também querem a atenção do mesmo Professor "- Faço o que me ensinaram, mas parece que não gostam mais. Algo está errado!", pensa a criança. Todas aquelas coisas que lhe foram ensinadas e que deveriam ser repetidas prontamente, agora estão limitadas ao comando do Professor que administra a participação dos alunos baseados em princípios igualitários e democráticos. É preciso que a criança entenda que o seu direito termina quando começa o direito do outro: este é o princípio fundamental da vida em Comunidade. O Professor atuará como mediador neste processo de desenvolvimento e o apoio da Família será fundamental nas situações onde acriança demonstre dificuldade em compreender como deve agir. Nas aulas de Matemática, por exemplo, onde o domínio das regras de cálculo se sobrepõe às situações reflexivas ou de uso da criatividade, as crianças necessitam seguir as orientações do professor até que elas adquiram as competências necessárias para caminharem sozinhas (autonomia) e, nesse momento, o papel da Família é determinante. Quando a adaptação escolar é feita através de uma relação de desconfiança entre Escola e Família, é comum a criança apresentar dificuldade de aprendizagem, pois ela espera sempre que lhe digam exatamente o que fazer diante de uma determinada situação problema ("Que fórmula devo usar? Que conta devo fazer") reforçando assim sua hetereonomia. Esse comportamento, muita das vezes, é confundido com algum tipo de transtorno ou déficit de aprendizagem o que, em alguns casos, pode determinar uma prescrição medicamentosa desnecessária. É cada vez mais comum encontrarmos diagnósticos apressados de Hiperativividade ou de Transtorno de Déficit de Atenção, com prescrição de Ritalina e assemelhados, o que nem sempre corresponde à realidade. Diante de situações como essa, é aconselhável que a Família procure um profissional da área psicopedagógica de modo a determinar os indicadores que justifiquem as dificuldades apresentadas pela criança. Toda criança tem suas próprias necessidades e desejos que podem e devem ser atendidos, mas sempre na medida em que a assimilação desses atendimentos contribua para um desenvolvimento emocional, cognitivo e sócio-cultural equilibrado.

Para que uma criança se desenvolva feliz e saudável na Escola, na Família e na Comunidade em que vive é preciso que, basicamente, seja alimentada e amada adequadamente como um pequeno ser humano que está se desenvolvendo e nunca como um objeto de divertimento ou adoração dos adultos.

(Renato J. G. Beranger é graduado em Matemática, pós-graduado em Psicopedagogia, membro do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Educação-ABE e Diretor do Colégio Anglo-Americano Barra da Tijuca).
e-mail: renatoberanger@predialnet.com.br


Culpa ou Responsabilidade?

O que os pais escolhem sentir quando punem ou repreendem seus filhos?

Partimos de um modelo de educação repressora para uma educação “dita” libertadora, na qual temos dificuldade de colocar limites e dizer não.

Freqüentemente, explicamos o não como se pedíssemos desculpas quando, na verdade , temos dificuldade em estabelecer limites porque não sabemos que caminho seguir: educar para ser feliz ou para competir? Uma coisa excluiria a outra? Certamente o que fica é uma sensação de culpa por não estarmos seguros de nossas convicções e escolhas. Queremos educar a emoção de nossos filhos e formar pessoas livres para fazer escolhas corretas para suas vidas, mas o que fazemos com nossas próprias emoções e sentimentos? Ouvimos muito sobre como a educação com limites pode gerar traumas mas esquecemos que os limites dão segurança à criança e mostram que estamos atentos ao seu desenvolvimento. Pecamos ao acreditar que se pusermos limites perderemos o amor de nossos filhos. É como podar uma roseira para que ela se fortaleça. Para que consigamos agir dessa maneira, precisamos perceber o que queremos e que escolhas fazemos para nossas próprias vidas. Há imagens gravadas em nossa memória consciente e inconsciente que nos controlam sem que percebamos e que fazem nos sentir culpados ao estabelecermos limites de forma insegura. Podemos olhar a questão da culpa sobre três ângulos: A culpa comum – aquela que sentimos por não passar tempo suficiente com os nossos filhos ou não telefonar para nossos pais tanto quanto deveríamos; A culpa duradoura – por abandonar o ex-companheiro (a) ou por recusar algum familiar em sua casa; A culpa filosófica – como o não pagamento do dízimo à igreja ou deixar de oferecer uma esmola. A escolha é nossa: podemos reequilibrar a emoção com o nosso comportamento e nos sentir bem ou ficarmos repetindo o mesmo comportamento indutivo à culpa, numa espiral sem fim. Acredite, a culpa é a mais inútil das emoções, é a principal forma de manipulação que as pessoas usam para induzir à mágoa ou ao controle é, sobretudo uma forma de travar o crescimento. Se você se sente culpado, não acuse o outro, mas a si mesmo, por permitir que seja manipulado. Substitua a culpa pela responsabilidade. Precisamos formar jovens que transformem o mundo resgatando valores que ficaram esquecidos. Sinta-se responsável pela sua contribuição nesta tarefa e ressignifique seu papel optando pela oportunidade de crescer e experimentar um comportamento mais inteligente e saudável.

(Renato Beranger é professor, psicopedagogo,membro do Conselho Diretor da Associação Brasileira de Educação e Diretor do Colégio Anglo Americano Barra da Tijuca)

(Susana Bragança Mary é professora, psicopedagoga e Diretora do Centro de Psicopedagogia aplicada à Matemática)




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