Jornal do Anglo





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Benguela: crescimento após a guerra

Claudio Fico

A Província de Benguela, no sul de Angola, está se destacando no continente africano, pelo surpreendente desenvolvimento que vem alcançando, nos últimos tempos. O governador Dumilde da Chagas Simões Rangel está apostando na educação, como agente alavancador e transformador dessa região, que tem uma área de 46.620 Km2 e é constituída pelos  municípios de Baía Farta, Balombo, Bocoio, Caimbambo, Chongorói, Cubal, Ganda e Lobito. Além da preocupação com a qualidade no ensino básico e também com um olhar voltado para a implantação de modernas instituições universitárias, a província tem, na agricultura, uma das suas maiores fontes de renda, com o plantio do café. São, ainda, destaques na indústria ligeira, a tecelagem, as confecções, a cordoaria, as madeiras e o tabaco.  Já na indústria pesada, a construção e a reparação naval são fatores relevantes para o necessário progresso que a região vislumbra. A pesca e a exploração dos recursos naturais são igualmente consideradas imprescindíveis para a expansão dessa bela região repleta de acácias, que pousam na branca e fina areia da Praia Morena, um verdadeiro postal.

Atualmente, Benguela abriga duas instituições de ensino superior. A Universidade Jean Piaget, privada, e a Agostinho Neto, pública. O atual governo, observando o crescimento da própria província e o desenvolvimento das aldeias vizinhas, está se esforçando para instalar uma outra instituição, a Universidade de Benguela, também pública, no bairro da  Graça, no alto de uma montanha, de onde pode se descortinar um generoso litoral, com águas verdes e cristalinas. O projeto contempla o oferecimento de cursos na área da saúde. Para tanto, o governo vem celebrando acordos e convênios de cooperação técnico-científica, com instituições universitárias de outros países, como o Brasil, visando incorporar know-how para a criação dos projetos pedagógicos dos cursos de enfermagem, medicina e fisioterapia. Na primeira semana de setembro, o governador de Benguela estará no Rio, onde visitará várias instituições a fim de conhecer alguns dos seus dirigentes, corpo docente, visitar instalações e discutir, sobretudo, planos de atuação conjuntos para a adoção de critérios para a expansão da educação superior  na província que  governa.

A Universidade Agostinho Neto está dotada de excelentes instalações físicas, com equipamentos de informática adequados à realidade atual. A Jean Piaget, que repete o pensamento de seu patrono, "Escola existe em função do aluno e tudo deve girar em torno deste preceito",  também está se equipando com laboratórios modernos e um bom acervo, a fim de propiciar a efetiva capacitação dos jovens e adultos que nela estudam. As autoridades também estão observando as reais potencialidades do turismo na região e, por essa razão, estão criando um Plano Diretor Turístico, para ser aplicado nos próximos cinco anos. As potencialidades turísticas são muitas, mas até então pouco exploradas, até mesmo em função da guerra civil que assolou o país por quase 25 anos. O pôr-do-sol de Benguela é sempre um maravilhoso espetáculo. E, entre o tom do amarelo e do laranja, percebe-se o gradativo descanso do "astro rei" nas águas calmas e sempre límpidas da costa do atlântico sul.

Pela sua proximidade com o Brasil, pelas afinidades culturais, religiosas, artísticas e pela própria História que une os dois países, Angola necessita do apoio de todos os desejam contribuir para o progresso e o desenvolvimento desse país emergente e que, se bem conduzido, certamente poderá, breve, se tornar uma referência na África Negra.

Claudio Fico é Pro-Reitor Acadêmico do Grupo Anglo-Americano




A República emergente de Angola

Paulo Alonso
Reitor do Grupo Educacional Anglo-Americano


A Fundação Eduardo dos Santos de Angola acaba de realizar a 10º Jornada Técnico-Científica, em Luanda, cujo tema central foi "Angola e o Terceiro Setor", reunindo conferencistas dos cinco continentes. Durante cinco dias consecutivos, educação, saúde, habitação, alimentação, construção e a reconstrução do país foram os temas mais discutidos.

Muito ainda precisa ser feito em Angola, contudo movimentos internacionais e uma política nacional séria está fazendo com que o país reencontre a fé e a esperança. O povo, nas ruas, está mais confiante e acredita que os novos caminhos finalmente chegaram. Aposta-se, nesse momento, na educação como agente de transformação. E essa aposta é sensata, correta. Afinal, a educação é estratégica para a instalação da ordem, do progresso, do desenvolvimento e para a superação de todo e qualquer obstáculo.

Depois de se libertar de Portugal, em 1975, Angola mergulhou em uma terrível guerra que se arrastou por 25 anos, causando sérios prejuízos ao país e à formação da sua população. Miséria, fome, desnutrição, doenças, minas nos campos... Foram anos sangrentos e que, por causa das destruições provocadas em estradas, pontes e edificações, ainda podem ser percebidos nas cidades, nas aldeias. Aliás, foi o Governo do Brasil o primeiro a reconhecer a independência de Angola, durante a gestão do General Ernesto Geisel. Angola vem reagindo e se apresentando como um país do futuro.

Olhar otimista

Visitei Angola, pela primeira vez em 1998, em plena guerra civil. De lá para cá, retornei ao país outras quatro vezes, a última na semana passada. E a cada nova chegada, um novo olhar, um olhar muito mais otimista e esperançoso. Em se tratando de um país sofrido e em grande parte destruído por uma guerra sangrenta, pode-se observar que avanços estão sendo conseguidos, graças ao esforço de empresas como a Odebrecht (20 anos no país) que realizam, dentre outros, um trabalho impressionante em Luanda do Sul (Projetos Novos Bairros) e na Estação de Tratamento das Águas de Luanda.

Além disso, o Governo do Presidente José Eduardo dos Santos está priorizando a recuperação e ampliação da rede hoteleira, ao mesmo tempo em que se preocupa em propor parcerias comerciais e industriais nacionais e estrangeiras para o desenvolvimento econômico, político e social do país.

O meu encantamento pelo país, pela cultura e pelo povo, levou-me a fazer numerosas pesquisas sobre Angola e a lançar dois livros que identificam a necessidade da cooperação universitária internacional e um outro que apresenta e discute a imprescindível expansão da educação básica e superior.

Angola tem reservas nacionais ainda não exploradas e que precisam ser descobertas. As trilhas ecológicas, os safáris e a belíssima restinga de Mussolo devem, dentre outros pontos, integrar os catálogos das agências internacionais de viagem que pretendam divulgar os países africanos. Angola, o país da Palanca Negra, tem um potencial turístico excelente e necessita, por essa simples e decisiva razão, explorar a indústria do entretenimento.

Além disso, possui uma diversidade de reservas naturais, sendo o petróleo a mais importante, seguida muito de perto dos diamantes, das reservas de ferro, manganês, cobre, fosfato, granito, mármore, dentre outros minerais raros e igualmente preciosos. Segundo maior produtor de petróleo da África, 800 mil barris/dia, Angola pretende atingir 2 milhões de barris, em 2010.

Angola e seu povo, sempre hospitaleiro, musical e educado, cativam qualquer visitante pela poeticidade das suas paisagens e dos seus gestos. O pôr-do-sol na Baía de Luanda é, por exemplo, inigualável, assim como é imperdível uma visita à Igreja de Nazaré, construída por brasileiros no Século XVII, e à Igreja de Nossa Senhora dos Remédios.

O atual governo deve continuar a buscar soluções para os graves problemas que afligem Angola. É preciso, todavia, que a democracia seja resguardada, justamente para que a paz possa ser perene.

(publicado no Jornal do Commercio, Editoria Opinião, em 28 de agosto de 2006)



No Rumo da Certificação Profissional

Claudio Fico

Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre a importância da certificação profissional, mas nem tantos assim se aperceberam do seu verdadeiro papel, neste mundo moderno em que vivemos, quando uma nova Sociedade do Conhecimento está sendo criada. As instituições mais modernas já aderiram às chamadas certificações, mas esse número de organizações ainda é reduzido. Somente aquelas de ponta e que verdadeiramente se encontram à frente do seu tempo estão desenvolvendo um trabalho sério e responsável e que, através dele, vem beneficiando os seus usuários, a partir da implantação desse novo modelo de ensino-aprendizagem.

Em um mundo cada vez mais globalizado, onde os blocos econômicos surgem para dinamizar as ações comerciais e mercadológicas, e com a circulação de bens, pessoas e serviços entre as nações, se acentuam as exigências em termos de credenciais para a aceitabilidade, de um lado, dos bens e serviços e, de outro lado, das próprias pessoas como agentes de mudanças e realizações. Dessa forma, a certificação profissional, desde que atestada por entidade reconhecida, é fator fundamental para o currículo de qualquer pessoa, principalmente, quando esse profissional passa a ser aceito internacionalmente, pelas qualificações e habilidades que ostenta em seu currículo. E somente através de profissionais verdadeiramente qualificados é que essas transformações poderão ocorrer, ficando, assim, materializadas a desejada agregação de valor. A certificação profissional vem sendo cada vez mais exigida pelas empresas na Europa e nos Estados Unidos. Esta exigência é para a contratação de um profissional ou para especificar a titulação requerida por uma pessoa para exercer determinada função ou elaborar um tipo de serviço.

Na Inglaterra e nos Estados Unidos, basicamente, a certificação foi chamada a responder questões ligadas a deficiências do plano educacional. Já na França se buscou estabelecer o que seria uma pedagogia das competências entendida não apenas como as práticas de transmissão na escola, mas toda atividade social que englobe a seleção dos saberes a serem transmitidos pela escola, sua organização, sua distribuição em uma instituição diferenciada e hierarquizada, sua transmissão por agentes especializados e sua avaliação por métodos adequados ou uma lógica das competências, a que a certificação estaria a serviço. A certificação está bastante vinculada às estratégias de qualificação. No Brasil, o artigo 41 da Lei de Diretrizes e Bases estabelece que "todo o conhecimento adquirido na educação profissional, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação, para prosseguimento ou conclusão de estudos".  O mercado de trabalho está a cada dia mais valorizando um novo tipo de diploma no processo de seleção e ascensão profissional na área de tecnologia da informação, por exemplo. Trata-se de certificação profissional fornecida por grandes fabricantes, como Microsoft , Oracle, Sun, Borland, Conectiva e Cisco.

A certificação corresponde, na realidade, à aprovação do candidato em um ou mais testes. Ela representa o reconhecimento da habilidade e da experiência no uso da tecnologia pelo seu próprio fabricante, garantindo um importante diferencial e agregando credibilidade ao currículo do profissional.

Segundo pesquisa do Institute Data Corporation (IDC) Brasil, as chances de o profissional certificado conseguir um emprego aumentam em 53%, em relação a profissionais que não possuem este título, podendo esse índice ser ainda mais elevado de acordo com a categoria de certificação possuída. Os salários são de 10 a 100% superiores à média que o mercado paga a profissionais sem certificação e que ocupam as mesmas funções.

Convém ressaltar que o aumento do prestígio e da exigência das certificações pelo mercado de trabalho vem sendo continuamente divulgado em grandes veículos de comunicação. A "Veja", por exemplo, veiculou uma matéria em que enfatiza a importância crescente das certificações profissionais dos grandes fabricantes na área de tecnologia em informática junto ao mercado e apresentando pesquisa com a remuneração média paga no mercado brasileiro aos profissionais certificados por alguns fabricantes como a Microsoft e Cisco. Já a "Exame" publicou a reportagem "Canudos de Ouro", afirmando que "a certificação é encarada hoje pelas empresas como uma espécie de selo de qualidade, atestando que o profissional está capacitado para resolver problemas."

As tecnologias proporcionam agilidade, velocidade e flexibilidade de que as corporações necessitam para serem competitivas. A certificação profissional garante às empresas, a possibilidade de identificar profissionais capazes de extrair todo o potencial das ferramentas tecnológicas por elas adquiridas e utilizadas, obtendo retorno sobre o investimento realizado.

Além disso, investir em qualificação da equipe significa ter profissionais capacitados, motivados, produtivos, dinâmicos e, sobretudo, comprometidos. Cada vez mais o mercado vai valorizar o profissional que possuir certificação profissional; estiver em aprendizagem contínua e for dotado de  habilidade e experiência nas tecnologias utilizadas, pois, com essas competências, esse profissional estará aumentando a sua própria eficiência assim como a da empresa em que atua.


Cláudio Fico é Pró-Reitor Acadêmico do
Grupo Anglo-Americano de Educação Superior


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