Jornal do Anglo





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Voluntariado conta como estágio

Trabalho voluntário é alternativa para estudantes de graduação cumprirem exigências para se formar

Rodrigo Gallo
jornalista Estado de São Paulo
matéria publicada em agosto de 2006

SÃO PAULO - Por exigência do Ministério da Educação (MEC), muitos estudantes de cursos superiores precisam cumprir um número determinado de horas de estágio para conseguir o diploma. Porém, diversos alunos não conseguem uma oportunidade profissional remunerada, e acabam optando por ingressar em trabalhos voluntários, geralmente em Organizações Não-Governamentais (ONGs), para completar os créditos necessários para se formar.

O estágio obrigatório faz parte do currículo principalmente de cursos superiores de formação básica, como Letras, História e Geografia, e de outras graduações como Administração de Empresas, Arquitetura e Engenharia. Normalmente, os alunos devem concluir esse período de trabalho até o último semestre do curso.

O grande problema é que, por conta do grande número de alunos matriculados no ensino superior que precisam das vagas de estágio, muitos estudantes acabam não conseguindo uma oportunidade. Como forma alternativa de cumprir as horas e ter direito ao diploma, eles acabam se inscrevendo como voluntários em ONGs, por exemplo. No entanto, nem todos os voluntários conseguem validar esse tipo de estágio.

De acordo com o superintendente do Instituto Via de Acesso, Ruy Leal, o trabalho voluntário pode contar como estágio acadêmico em alguns casos, mas apenas se as atividades desenvolvidas forem compatíveis com o curso de graduação.Não adianta um estudante de Administração trabalhar voluntariamente em uma ONG que auxilia moradores de rua, pois são áreas muito diferentes.

Além disso, também é necessário cumprir algumas exigências legais para que esse trabalho seja reconhecido pela faculdade. "Ninguém pode começar um estágio, mesmo que seja voluntário, sem firmar um documento entre a ONG e a escola. A faculdade deve aprovar as atividades a serem desenvolvidas e tudo deve constar em um plano de estágio acadêmico."

Caso a entidade precise de voluntários para exercer funções relativas à área de estudo do aluno, é possível negociar com a faculdade para que essa opção seja aceita.


Veja como funciona

ESTÁGIO
Estudantes de cursos de graduação podem substituir o estágio obrigatório por um período equivalente de trabalho voluntário para conseguir o diploma .

VALIDADE
Para que o exercício voluntariado tenha validade como estágio acadêmico é necessário que as Atividades desenvolvidas na prática sejam compatíveis com as disciplinas ministradas durante o curso de graduação .

Não adianta um estudante de Engenharia civil, por exemplo, ser Voluntário em uma ONG que recolhe e cuida de animais abandonados nas ruas, pois as atividades não são equivalentes.

Além disso, o estudante deve firmar um contrato de estágio entre a ONG e a faculdade,com as atividades devidamente discriminadas, antes de ingressar no trabalho voluntário.

OPORTUNIDADE
Além disso, ser voluntário também costuma contar pontos importantes na hora de buscar oportunidades futuras no mercado de trabalho.

VAGAS
Seja um Voluntário: www.voluntarios.com.br
Centro do Voluntariado: www.voluntariado.org.br


RELACIONAMENTO CONTA PONTO NO MERCADO


Quem pensa que no mercado competitivo de hoje basta saber habilidades específicas e idiomas está por fora. Saber falar bem, vencer a timidez, e se relacionar melhor com os colegas do trabalho são características importantes em qualquer profissão e ainda contam pontos no currículo. Segundo a psicóloga Mônica Portella a procura por cursos que exploram relacionamentos interpessoais e habilidades como a oratória tem crescido muito:
— O profissional chega no mercado com habilidades básicas. Saber inglês e informática, por exemplo, já se tornou lugar-comum. As características extras ajudam o profissional a ocupar melhores postos e conseguir um bom relacionamento no ambiente de trabalho. Não é à toa que o mercado de livros de auto-ajuda vem crescendo — explica.
Atenta a nova demanda, a ONG Centro de Integração Empresa-Escola, do Rio de Janeiro, (Ciee-RJ) oferece, além de oportunidades de estágio e primeiro emprego, cursos gratuitos e workshops. Para aperfeiçoar ainda mais o serviço, foi criado o Instituto de Competências e Cidadania (ICC), destinado à promoção de palestras com foco na formação para o mercado de trabalho.
— Percebemos que não bastava inserir o jovem no mercado se ele não tivesse características que o mantivessem lá — diz a pedagoga Mônica Duarte, há 14 anos no Ciee.

O Globo - RJ - Jornais de Bairro - 12/02/2006



O currículo, carreira da vida

O currículo é palavra adaptada da expressão curriculum vitae que significa "CARREIRA DA VIDA". É o documento em que consta o conjunto de dados relacionados ao preparo profissional, tanto em termos de formação acadêmica quanto de experiência em outras atividades, de uma pessoa que se candidata a um emprego. Em quase sua totalidade, mesmo quando você é convidado para exercer um cargo ou quando um amigo ou parente o indica, os relacionamentos profissionais começam pelo currículo. Como candidato, você é quem escreve esse documento para ser lido pelo patrão em potencial ou por alguém que o representa - um gerente de recursos humanos, um gerente da área interessada etc.

Quando você manda seu currículo para uma empresa, sua expectativa é de que, em algum momento, você será o centro das atenções de alguém que tem poder de decisão. Ou seja, seu currículo é algo que vai ser lido por uma pessoa experiente, ocupada e que sabe o que quer. Por isso ele tem que dizer alguma coisa, de forma direta, eficiente, correta e também agradável. Não deve se resumir a uma lista de cursos e experiências profissionais e sim descrever o que foram esses cursos e essas experiências.

Tem, portanto, que ser feito com cuidado: não só as informações que estarão contidas nele, como as palavras escolhidas para apresentá-las têm o poder de dar mais ou menos impacto ao seu currículo.


Qual é o currículo correto?

Não há um modelo ideal, mas há os que são considerados mais ou menos eficientes. Algumas características são imprescindíveis:

  • Todas informações devem ser verdadeiras;
  • As frases devem ser claras, objetivas e diretas;
  • Devem constar apenas informações relevantes.

Por isso, um modelo muito bem aceito, e que para mim faz todo o sentido, é o recomendado pela escola de administração de Harvard, nos EUA: um currículo de uma página (de preferência) ou no máximo duas, em que constam: nome, endereço e telefone para contato; objetivo de carreira, dados sobre a formação acadêmica; dados sobre a experiência profissional e informações pessoais como idiomas, cursos especiais, prêmios, atividades comunitárias, hobbies etc. Os dados devem ser apresentados em ordem cronológica invertida (do mais recente para o mais antigo). A idéia é que as informações mais importantes sobre você caibam em no máximo duas páginas. Não é o único modelo: há pessoas que preferem listar artigos e outros trabalhos e diplomas dos mais diversos cursos e acrescentar outras informações pessoais como, por exemplo, idade.

Pouca experiência não quer dizer pouca informação

A forma ideal de apresentar os dados varia de acordo com a atividade e com a história profissional de cada um. Vamos pensar num jovem que acabou de sair da faculdade e num experiente executivo que quer experimentar novos desafios. A pessoa responsável por selecionar uma ou outra pessoa estará procurando diferentes informações. É claro que se ela está analisando o currículo de um recém formado não vai esperar encontrar nele uma lista infindável de experiências profissionais, como seria o caso do executivo. Mas pouca experiência profissional não deve ser sinônimo de currículo vazio. Se você acabou de se formar e está se candidatando a um emprego, pode estar competindo com pessoas que tiveram formação similar, mas que têm mais experiência.

Portanto, sua vantagem deve ser o aprendizado e treinamento mais recentes e atualizados e sua capacidade, se você de fato a tiver, de aplicá-los imediatamente no trabalho. E é isso que você deve enfatizar em seu currículo.

Você deve incluir nele todos os cursos e atividades que fez e que tenham relação com o emprego que tem em vista. Em suas atividades escolares e acadêmicas, foram exigidas muitas habilidades que são também exigidas em muitos empregos, como por exemplo disciplina e determinação para encarar desafios, capacidade de completar várias tarefas propostas com sucesso, capacidade de expressão oral e escrita. Na semana que vem vamos ver exemplos de como tratar as informações sobre a formação acadêmica.

Matéria publicada no Megazine - Jornal O Globo


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